Copo de 3: PROVA Encostas de Estremoz Touriga Nacional 2001

03 Outubro 2006

PROVA Encostas de Estremoz Touriga Nacional 2001

Por vezes surgem vinhos ditos especiais, vinhos que desde o princípio estão destinados para o sucesso, um ano especial com um lote que superou as expectativas (talvez Dionísio tenho regado essas uvas), após lançamento para o mercado com um pequeno flash todas as garrafas estão vendidas. Ouvimos falar num vinho que saíu com uma grande qualidade e um preço competitivo, vamos procurar e encontramos uma referência na crítica especializada que confirma o que nos foi dito... ficamos intrigados e começamos a procurar o dito, vamos à feira de vinhos onde foi lançado e não chegou para as encomendas, passamos pela adega para tentar comprar e somos informados que se encontra esgotado, procuramos mais um pouco e eis que encontramos o dito num pequeno estabelecimento, são apenas 4 garrafas as que restam... e para não deixar nenhuma sozinha vêm todas comigo.
Na altura com enorme curiosidade abri uma para provar, mostrou-se um vinho enérgico e cheio de fruta madura, as violetas davam saltos no copo juntamente com as notas de madeira, conjunto muito bom mas que se notava precisar de um tempo para afinar, o vinho sussurava-me que queria descansar mais, tinha mais e melhor para dar... confiei nele e instalei-o na garrafeira.
Passaram alguns anos, e vi novamente uma nota de apreciação do tal vinho, parece que tinha razão, o vinho tinha ganho com o tempo em garrafa, sempre gostei destes vinhos que não me enganam, mesmo assim esperei mais um tempo e ele agradeceu... hoje de passagem pela garrafeira, ouvi novamente aquela voz que já me tinha falado antes, aproximei-me e disse-me: leva-me contigo, chegou a hora de te recompensar pela tua espera...
E foi assim que numa noite de chuva, eu e este fiel companheiro mantivemos uma longa e animada conversa.

Encostas de Estremoz Touriga Nacional 2001
100% Touriga Nacional - Estágio: 175 dias em carvalho americano e francês (Allier) - 14% Vol.

Tonalidade granada escuro de concentração média/alta.
Nariz a mostrar uma bela entrada, de boa intensidade e cativante para os sentidos, fruta preta (amora) mostra-se bem madura (ligeira compota), ao mesmo tempo surgem notas florais (violetas) e chá preto, tudo num perfil em que a fruta está muito bem casada com a madeira, baunilha em destaque seguida de tabaco, cacau, especiarias e torrados a completarem um bouquet bastante elegante.
No final a mostrar alguma frescura que atira por terra a possibilidade de o vinho se tornar enjoativo ou pesado.
Boca com boa entrada, corpo presente mas com tudo no sítio, fruta em compota, redondo e bem afinado, sem chegar a ser pastoso, torrados leves com especiaria e toque balsâmico a dar ligeira frescura no final, de persistencia média/alta.

É um belo exemplar de Touriga Nacional, num perfil mais Alentejo (Esporão Touriga 2001) do que propriamente os exuberantes Dão. Mesmo assim a mostrar que os vinhos quando querem sabem evoluir e vale a pena esperar por eles, pois quem o bebeu na altura, não sabe o que perde agora.
Foi este o vinho que catapultou para o mercado dos varietais este produtor, e pode-se afirmar que foi sem dúvida o melhor de todos. 17

16 comentários:

J. Gómez Pallarès disse...

Un muy buen comentario de esta TN, Joao.Tomo buena nota de esa diferencia entre la TN del Dao y esta alentejana. Y a qué precio sale esta maravilla?
Un saludo cordial del ciuis Romanus
Joan

Anónimo disse...

Caro João Pedro

Porque retirou a entrevista com José Tomaz Melo Breyner da secção "apaixonados pelo vinho". Algo me diz que não vou gostar da sua resposta.

Anónimo disse...

Caro João Pedro

Parabéns pelo comentário. Muito bem conseguido. Em que "encosta" se pode encontrar esta especialidade. Depois da sua descrição tenho dificuldade em aceitar que não o vou conseguir provar.
Um abraço

Copo de 3 disse...

Pois caro anónimo, este vinho já lá vai o tempo em que foi comercializado, foi lançado no Pingo Doce numa feira de vinhos faz alguns anos tendo esgotado rapidamente.
O número de garrafas que sairam para o mercado não deve ter sido grande e a procura foi mais que muita.
Encontrei por mera coincidencia este vinho num distribuidor em Estremoz, lembro-me que custou 5€ cada garrafa.
Outro vinho muito semelhante com este foi o Ervideira Touriga Nacional 1999 o primeiro varietal deste produtor e quem o arranjou na altura agora tem uma autêntica jóia em casa.

Copo de 3 disse...

Amigo Joan como vas por essa bonita Roma?

Los nuevos Touriga Nacional de Escostas de Estremoz no tienen el nivel de este 2001, és algo como el Gracian Vinas Viejas Garnacha 2001, pero vienen con su essencia e son muy buenos. Van a salir los 2004 muy pronto.

Quanto vengas de cata por aqui, te meto una cata de Touriga Nacional :)

Copo de 3 disse...

Em resposta sobre a entrevista, a mesma foi retirada a pedido pessoal do entrevistado.

Rui Knopfli disse...

Só para citar "Ernest Hemingway":

"O Conhecimento e a educação sensorial apurada podem obter do vinho prazeres infinitos."

Chapim disse...

Tenho pena mas não o consegui provar. Andei este fim de semana por terras alentejanas e provei bastantes alentejanos. Um deles foi o encosta de estremoz touriga franca 2003. Pelo que afirma do Touriga Nacional este touriga franca anda a anos luz. Portou-se bem, mas mesmo só isso. Sem emoção.

J. Gómez Pallarès disse...

Bien, querido Joao, en Roma va de primera, aunque està muy muy cara. He puesto ya un primer comentario sobre un Corvo siciliano, que salio muy rico, y a buen precio.
Tomo nota de esta TN para cuando podamos montar la cata ibérica!
Un saludo cordial,
Joan, qui et ciuis Romanus

Copo de 3 disse...

Caro Chapim

Do Encostas de Estremoz Touriga Franca 2003 pode encontrar a nota de prova no Copo de 3.

Quando falo no Touriga Nacional refiro-me ao 2001, mas os 2003 são ambos belos vinhos, e os 2004 seguem o mesmo caminho.
Tenha em atenção o Encostas Reserva 2003 que vale bem a pena...

Cumprimentos.

Chapim disse...

Caro copod3, eu percebi que se referia ao touriga nacional de 2001 e daí referi a pena de não o ter conseguido provar porque desapareceu rapidamente do mercado.

Boas provas

Nuno de Oliveira Garcia disse...

Na altura também comprei várias garrafas (no Pingo Doce). Gostei muito do vinho, e também fiquei com a ideia que podia ser de guarda (os taninos eram muito fortes). Vou ver as que tenho guardadas e abrir.
Devo-te dizer João que foi dos primeiros vinhos que me fez despertar para a touriga no Alentejo (algo que aprecio muito).

Um abraço,

PS - Chuva no alentejo?

Copo de 3 disse...

A chuva era mais em Lisboa caro Nuno.

Prova o vinho que agora vale bem a pena, pois está na sua plenitude.

Nuno de Oliveira Garcia disse...

Nesse ano surgiram várias boas compras alentejanas no Pingo Doce. Lembro-me de ter comprado o Encostas de Estremoz, o Couteiro-Mor Colheita Seleccionada e o Convento da Tomina. Belas pomadas!

N.

Anónimo disse...

O 2001 não conhecia, tenho uma caixa do 2002 guardada e duas do 2003 TN e outras duas do Trincadeira 2003. Quando provei o 2002 em finais de 2003 fiquei deslumbrado, o bouquet era algo de fabuloso. Quando acha que será a melhor altura para os abrir? O trincadeira precisa de mais tempo, digo eu... Obrigado.

Copo de 3 disse...

Caro anonimo

Provei recentemente o Touriga Nacional 2003 e está de boa saúde,gostei mais do que o Selecção Touriga Nacional, o Trincadeira não cheguei a provar pelo que não posso comentar, quanto ao 2002 o melhor mesmo é abrir uma garrafa e ver como está de saúde.

Recomendo também do mesmo produtor, o Alicante Bouschet, o Touriga Franca (já aqui provado) e o Reserva 2003 (já aqui provado).

Cumprimentos.

 
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