Copo de 3: PROVA Os vinhos de Colares

02 Março 2007

PROVA Os vinhos de Colares

A partida para esta viagem, é feita de Lisboa numa tentativa de dar a conhecer melhor em 3 partes diferentes, os vinhos de Colares, Bucelas e para bem mais tarde ficará Carcavelos.

Começamos a nossa viagem em direcção a Sintra, onde entre a Serra de Sintra e o Oceano Atlântico, a 25km a Noroeste de Lisboa, fica situada uma pequena zona vitícola muito antiga com produção a remontar ao ano de 1255, aquela que é a Região Demarcada mais ocidental da Europa continental e a mais pequena região produtora de vinhos tranquilos do pais.
Colares foi ganhando fama com os seus vinhos já lá vai o tempo, a nomeada dos vinhos de Colares foi reforçada quando da violenta invasão da filoxera, que em 1865 iniciou a devastação de uma grande parte das regiões vinícolas de Portugal, sem que tenha atacado as vinhas de Colares, para o que muito contribuíram as condições dos seus terrenos arenosos, em que o daninho insecto não conseguiu penetrar.

Ferreira Lapa escreveu em 1866: «Colares é um vinho que possui todos os requisitos e qualidades dos vinhos tintos de MEDOC, é o vinho mais francês que possuímos. Os que alcoolizam este vinho para o puxar ao tipo geral dos nossos outros vinhos cometem um erro industrial e um desacato à elegância do bom gosto. A aguardente empasta e obscurece os sabores delicados deste vinho, fica descosida neles, tira-lhe o aroma fino do éter tartárico e do éter butírico, substituindo-o pelo cheiro vinoso, picante e alcoólico dos vinhos carregados em lota.»

Localização

A área geográfica correspondente à Denominação de Origem "Colares" situa-se no concelho de Sintra, entre a Serra de Sintra e o Oceano Atlântico, numa zona junto ao mar, compreendendo as freguesias de Colares, São Martinho e São João das Lampas.

Solos e Clima

Os solos desta Denominação de Origem, pela sua natureza geológica, dividem-se em duas sub-zonas: "chão de areia" (região das dunas) e "chão rijo" (solos argilo-calcários, pardos de margas ou afins). As características únicas do vinho de Colares devem-se às castas, solo e clima temperado e húmido no Verão e, ainda, ao facto de 80% da vinha estar instalada em "chão de areia".


Castas


1. As castas a utilizar para a produção dos vinhos de Colares são:
a) Em chão de areia:
Vinhos Tintos:
Castas Recomendadas: Ramisco, com representação mínima de 80% do total.
Castas Autorizadas: João Santarém, Molar e Parreira Matias:
Vinhos Brancos:
Castas Recomendadas: Malvasia, com representação mínima de 80% do total.
Castas Autorizadas: Arinto, Galego Dourado e Jampal.

b) Em chão rijo:
Vinhos Tintos:
Castas Recomendadas: João Santarém, com representação mínima de 80% do total.
Castas Autorizadas: Molar, Parreira Matias e Tinta - Miúda.
Vinhos Brancos:
Castas Recomendadas: Malvasia, com representação mínima de 80% do total.
Castas Autorizadas: Arinto, Galego Dourado, Fernão Pires, Jampal e Vital.

2. A comercialização de vinhos com referência a uma casta só pode ser feita em relação às castas recomendadas, com prévia autorização da CVRBCC.

Vinificação

Os vinhos devem provir de vinhas com, pelo menos, quatro anos de enxertia e a sua elaboração deve decorrer dentro da zona de produção em adegas inscritas, aprovadas e controladas pela CVRBCC.

As castas tintas são vinificadas em curtimenta com 50% de desengace, quando destinadas a estagiar durante anos; quando este vinho é encontrado à venda novo «um, dois anos» ele é proveniente de curtimenta com separação de engaços e colagens sucessivas, assim como tratamento pelo frio, por forma a raspar as substancias sólidas o mais rapidamente possível para se tornarem mais suaves na sua juventude; este vinho não se deve guardar durante muito tempo; isto é, deve ser consumido jovem.

As castas brancas são vinificadas de bica - aberta e tratadas através do frio.

Os vinhos brancos e tintos com DOC Colares podem incorporar até um máximo de 10% de produtos a montante do vinho provenientes de vinhas de chão rijo que satisfaçam as exigências estabelecidas.

Rendimento por hectare

A produção máxima por hectare das vinhas destinadas aos vinhos com direito à DOC Colares é fixada em 55 hl para os vinhos tintos e em 70 hl para os vinhos brancos.

Estágio

Os vinhos DOC Colares só podem ser comercializados após estágio mínimo de:
a) Vinhos tintos: 18 meses em vasilhame, seguidos de 6 meses em garrafa.
b) Vinhos brancos: 6 meses em vasilhame, seguidos de 3 meses em garrafa.
Os vinhos tintos e brancos, a comercializar com DOC Colares, devem ter um título alcoométrico mínimo de 10% vol.
Informação retirada de: http://www.gastronomias.com/vinhos/colares.htm , http://www.lusawines.com/cA30.asp , fotos do site http://pwp.netcabo.pt/lo.canelas/

Depois de feita a devida apresentação da zona e das suas características, resta provar dois fieis exemplos dos vinhos de Colares, ambos produzidos pela Adega Regional de Colares que foi fundada em 1931, reunindo mais de 50% da produção da região e mais de 90% dos produtores da mesma, merecendo a sua adega uma visita atenta e os seus vinhos uma prova dedicada, pois fazem parte de um património que não se pode nem deve esquecer, os Vinhos de Colares.

O primeiro vinho em prova é o Arenae Ramisco 2000, um vinho tinto elaborado a partir da casta Ramisco (casta nobre e autóctone da região, plantada em pé franco, nos característicos solos arenosos da região demarcada), com uma produção total de 2600 garrafas numeradas de 0,5 l, cabendo a esta o número 782.

Arenae Ramisco 2000
Casta: Ramisco - Estágio: 4 anos, passando primeiro por barricas de carvalho, seguindo-se grandes tonéis de madeiras exóticas e por fim estágio em garrafa. - 11,5% Vol.

Tonalidade ruby escuro de mediana intensidade.
Nariz com aroma de média intensidade, mostra-se tímido de início mas nada que não passe com tempo, revela frescura e delicadeza de conjunto, nota-se certo arredondamento no nariz, fruta vermelha bem madura com ligeira lembrança de marmelada, notas de madeira (móvel antigo) e aroma a lembrar resina, frutos secos (pinhão) ligeiro pendor vegetal com balsâmico muito suave presente em 2º plano, tudo muito arrumadinho e a dar uma prova que mais uma vez se mostra diferente do que se costuma encontrar por aí.
Boca a mostrar um corpo ligeiro mas muito bem afinado, bem harmonioso de entrada macia e redonda, frutado com presença de frutos vermelhos (morango, amoras, groselha), frescura presente durante toda a prova, ligeiro torrado de fora discreta que se prolonga até uma mineralidade, final com toque tímido de balsâmico com alguma resina.

Ora aqui temos um vinho que não se prova todos os dias, é uma belíssima lição para quem o prova, um vinho que não me passou ao lado como tantos outros, este mostra que tem algo apenas seu, talvez seja o tempo e a tipicidade que lhe corre na alma, muito agradável e delicado, difícil não gostar, uma finesse e um bouquet diferentes.
Quantos vinhos de Ramisco já conhece ? Então que espera...
16,5

O segundo vinho provado é um Arenae Malvasia 2005, um vinho elaborado a partir da casta Malvasia de Colares (casta nobre e autóctone da região, plantada em pé franco, nos característicos solos arenosos da região demarcada), com uma produção de 4800 garrafas de 0,5 l.

Arenae Malvasia 2005
Casta: Malvasia de Colares - Estágio: breve estágio em madeiras exóticas. - 12% Vol.

Tonalidade amarelo de leve dourado com recorte citrino, ligeiramente glicérico.
Nariz de bela intensidade, não invade o nariz mas também não se esconde, acima de tudo muito correcto e bem interessante de se seguir durante a prova, sugestão de fruta tropical (ananás) citrinos (toranja e limão) em conjunto com notas de mel bafejado por um mar floral de boa intensidade a dar frescura ao conjunto (por momentos lembrou chá de tília), surge aroma a maçã assada coberta de açúcar, suave mineralidade presente que dá entrada a nova vaga de aromas derivados do estágio em madeira, em fundo ligeira presença de frutos secos, torrados e fumo, tudo muito bem integrado num conjunto de belo efeito.
Boca com corpo bem estruturado, bom recorte apesar de mediana complexidade, mel, flores, mineral, acidez presente a dar boa frescura durante toda a prova, tem boa vivacidade com um final de persistência média.

O vinho mostra-se bastante interessante na prova de nariz, muito certinho e aprumado com vontade de dizer aquilo que sabe, mas diz de maneira correcta e sem atropelos, perde um pouco na boca, falta algum comprimento mas nem todos os vinhos têm de ser iguais e este não é... o preço ronda os 8€ para um vinho que merece ser conhecido e divulgado, aqui as modas passam ao lado.
15,5

7 comentários:

João Garcia disse...

Boas surpresas!

Onde foste buscar a informação da Região de Colares?

No site do IVV?
Convém fazer referência ao texto parcialmente citado...

Copo de 3 disse...

Grande parte da informação foi retirada fontes que estão bem indicadas no texto,ou seja os dois sites estão colocados apenas é preciso um pouco de atenção, pois as referências estão lá.

Luis Prata disse...

Muita informação e muito bom texto.

Copo de 3 disse...

Como autor e moderador deste espaço que fala sobre vinho, entendi por bem apagar os comentários menos próprios que aqui tinham sido colocados, onde num deles era acusado de plágio neste mesmo artigo.

Resta esclarecer para quem ande menos atento, que o Copo de 3 sempre abordou de forma correcta todo e qualquer texto aqui colocado dando sempre o mérito a quem a ele tem direito, seja referindo o autor ou a fonte da informação, este é um princípio académico que irei manter e obviamente não vou pactuar com este tipo de situações, nem com comentários pouco correctos ou caluniosos.

Chapim disse...

Belo post João Pedro!

Tenho que passar por Colares e experimentar estes nossos vinhos tão peculiares.

Boas provas!

João Barbosa disse...

ando com muitas saudades e ganas de dar no Colares. é pena não haver muitos produtores para que houvesse competição e aguçar o apetite.
Saudações

Copo de 3 disse...

É um facto que os produtores nesta zona não são muitos, mas também a quantidade de vinha é bastante reduzida e quase tudo vai dar à Coop de Colares, felizmente ainda temos estes Arenae que invocam o nome ganho nas linhas do tempo.

Talvez se os consumidores se interessem mais por estes vinhos o interesse seja maior por parte de novos produtores, mas vejo isso algo difícil.

 
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