Copo de 3: Conceito 2006 Branco

04 outubro 2007

Conceito 2006 Branco

É uma novidade no mercado de vinhos brancos nacionais, onde mais uma vez se mostra que a qualidade dos nossos vinhos aumenta a olhos vistos. Neste caso temos um vinho do Douro assinado pela enóloga Rita Marques, proveniente de vinhas muito velhas, pré-filoxéricas, num planalto granítico perto de V. N. de Foz Côa. Breve nota para a arte de João Noutel, que concebeu toda a gama da marca a partir de quadros da sua série "The Invisible Soul", onde o autor se aproxima do universo iconográfico dos cartazes de cinema, publicidade e banda desenhada.

Conceito 2006 Branco
Castas: Códega (40%), Rabigato (40%), 20% mistura castas tradicionais, sobretudo Viosinho e Gouveio - Estágio: 10 meses, metade do vinho em barricas francesas 100% novas e a outra metade em barricas do Cáucaso igualmente novas. - 13,5% Vol.

Tonalidade amarelo palha de média/baixa intensidade com rebordo esverdeado.
Nariz de aroma que denota desde o início um grande equilíbrio entre os seus componentes. Um aroma frutado (pêra, ananás, damasco, anona), fresco e bastante agradável saúda quem inicia a prova, com toque de pimenta branca e tabaco muito ligeiro. A madeira (e que madeira) está presente mas muito bem embutida em todo o conjunto, as arestas deste trabalho não estão presentes. Toque de ligeira untuosidade/amanteigado no segundo plano com toque floral fresco no fundo. O final brinca entre o mineral e o fósforo com um sorvo de rebuçado de mel.
Boca de entrada muito aprumada, veste de gala este branco, a etiqueta não foi deixada ao acaso e aqui tudo o que mostra é uma conduta muito semelhante à da realeza. Fruta de grande qualidade com toque de leve untuosidade aprumado e ausente de qualquer aresta durante toda a passagem de boca. Sedoso, redondo e com frescura no seu ponto (está tão bem calibrado que não pende para excesso ou defeitos). Mostra-se complexo e discreto, desafiante e sedutor, com final de boca em leve mineral, um vinho de belo efeito pronto a conquistar.

Um vinho que dá um enorme prazer e que consegue ter uma invejável resistência ao tempo que passa no copo, nem mesmo com a variação de temperatura, manteve-se inabalável. Sempre fiel e sem cambalear, capaz de aguentar uma refeição do início ao fim, sem quedas ou tropeções pelo caminho.
São 3000 garrafas, esgotadas no produtor, de um vinho diferente do que temos em Portugal e que o pequeno senão se chama preço, ronda os 22,80€ no Clube de Vinhos WinePT.
Um vinho que foi provado mais recentemente e pela prova que deu merece subir mais um valor passado de 17,5 para 18 valores.
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1 comentário:

Chapim disse...

É de facto um vinho magnífico. Um equilíbrio que nunca vi em Portugal, não é um poço de aromas mas está tudo lá!

Aguenta a mesa sem qualquer esforço e evolui no copo de forma notável. Merece um copo tipo Montrachet. Que seja o primeiro de muitos!

Boas provas!

 
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