Foi no passado dia 12 de Janeiro que se realizou o 1º Encontro de Eno-Blogs, a que se juntaram alguns amigos, o encontro foi realizado em Lisboa na sempre acolhedora York House com o inigualável anfitrião José Tomaz Mello Breyner a colocar à disposição dos participantes uma sala para a prova que foi realizada antes do jantar.
A hora estava marcada, 19h e foi a partir daí que começaram a chegar os participantes... pontual como sempre o Rui Miguel do Pingas no Copo foi o primeiro a chegar, seguido do AJS, um amigo que se juntou ao convívio e com uma ligação especial ao Douro e ao mundo do vinho.
Foi aqui que dei a provar dois vinhos que tinha provado recentemente no Copo de 3, os Vinha de Reis, onde se concluiu que o 2004 se mostra mais raçudo e cheio de potencial e que dentro de alguns anos vai ser um grande exemplar do Dão, já o 2005 a mostrar-se menos complexo mas muito mais exuberante.
Ao ritmo que se ia desenrolando a conversa, foram chegando os restantes convivas, Chapim e acompanhante, Pedro Sousa (p.t.) e acompanhante, João Ferreira, Agostinho Leite, Goncas, Krónikas Viníkolas, Vinho a Copo, Saca a Rolha, Os Vinhos e o Elixir de Baco esteve presente com duas garrafas que vieram directamente da Madeira, ainda de realçar a presença dos donos dos vinhos Azamor, que levaram e apresentaram o Azamor Selected Vines 2004.
Feitas as apresentações seria altura de começar a provar os vinhos que cada um se lembrou de levar, digamos que o ambiente de amena cavaqueira não seria o mais indicado para estar debruçado atentamente sobre um vinho, aqui conta o convívio e se possível ficar-se com uma boa ideia do vinho que se prova.
Tentando seguir a ordem dos vinhos provados:
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Caves Messias Bairrada - Garrafeira 1983 : Boa maneira de começar, um exemplar de baga a mostrar o potencial de envelhecimento da casta, fino e muito elegante, apesar dos 24 anos tem ainda uma boa acidez presente, certamente iria merecer que fosse decantado um tempo antes. Compadre Krónikas a ver pelo estado das rolhas não te descuides e trata das que tens.
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Quinta do Moledo Verdelho 2004 : Ora parece que é esta a casta que foi dar fama em Rueda aos vinhos dos nuestros hermanos... mostra-se algo tímido, falta a potência aromática e a acidez que encontro do outro lado, valeu como curiosidade do 1º vinho de mesa da Madeira provado.
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Vô Bento Reserva 2004 : o Nuno do Saca a Rolha apresentou este vinho 100% Castelão, refinado o suficiente para dar uma boa prova, com boa complexidade a fugir ao normal na região, boa harmonia com barrica, um vinho curioso e que não deixa de merecer nova prova.
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Paço de Selmes 2003 : Ora um vinho do Baixo Alentejo que de conhecido nada tem... é um tinto com traço Alentejano, maduro e quente apesar da sua limitada estrutura, foi agradável ter sido dado a conhecer.
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Barrancos 2005: Mais um vinho que seria desconhecido para a grande maioria dos presentes, um vinho que se mostra com raça e garra, foi do agrado da grande maioria.
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Quinta da Passarela Touriga Nacional 2005: Um vinho apresentado pelo Rui Miguel do Pingas no Copo, uma pinga com 15% que curiosamente não se notam durante a prova, o que se nota é uma bomba de cheiro, violetas e mentolados que pouco tempo depois se transformam em iogurte de menta tal a força dos aromas lácteos e do aroma a menta, a lembrança com nuance achocolatada lembra em muito o after-eight, na boca é de percurso simples e pouco complexo.
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Sanguinhal Cabernet Sauvignon/Aragonês 2001: Um vinho muito curioso pelo aroma, imediatamente se disse onde estavam as sardinhas pois o aroma a pimentos assados é de tal forma que quase inundou a sala, na boca temos mais do mesmo, assusta... ainda bem que se descobriu que o aroma era de pimento de Padron.
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Encostas do Tua Reserva 2001 ??? - Alguém me confirma qual é o vinho... apesar de tudo é um vinho que se apresenta muito fino e bem harmonioso, aqui nesta casa as madeiras são bem trabalhadas, engraçado reparar que depois de um boom com o Brunheda Vinhas Velhas baixaram e pouco se ouve falar...
Para acabar em beleza foram ainda provados 3 vinhos do Douro levados pelo AJS, duas amostras de casco:
Pintas 2005 e
Pintas Character 2005 e o já no mercado
Sirga 2004.
Pintas 2005 (amostra): Assumo que não era grande apreciador destes vinhos, a culpa é inteiramente minha pois fiquei afastado depois de um 2001 demasiado pujante para o meu gosto, e desde esse ponto fiquei quase com esse trauma, com este 2005 fiquei de consciência tranquila e já digo sem problemas que grande vinho, fiquei convencido e sem muitas palavras, a excelência da fruta, já a mostrar-se em grande qualidade e com as notas da barrica suaves e bem ligadas no conjunto, é um vinho com leve apontamento floral, tudo em grande tal como a prova de boca, para não esquecer, este vinho ainda me acompanhou durante parte do jantar onde deu para provar um pouco melhor.
Pintas Character 2005 (amostra): Vai ser uma novidade, nota-se aqui claramente um Pintas Jr. visto que de aromas e de complexidade quer em nariz quer em boca se mostra diferente, tudo em menor escala, será avaliado com tempo e dedicação no Copo de 3, foi um vinho que mereceu algum destaque e tempo de prova.
Foi então altura de seguir para o jantar, onde a cozinha sem dúvida está mais uma vez de parabéns pela elevada qualidade dos pratos apresentados, foi acompanhado dos seguintes vinhos:
Iscas de pato sobre folhado com molho de vinagre balsâmico : Kracher Beerenauslese Cuvée 2003 !! gentilmente cedido pelo anfitrião José Tomaz Mello Breyner, um verdadeiro apaixonado por este tipo de vinhos.Sem dúvida divinais estas iscas, com um folhadinho bem estaladiço, o vinho que acompanhou este prato não vale a pena falar muito sobre ele, apenas provando se pode entender.Lombinhos de linguado com molho de amendoas e chantereles : Coop Borba Antão Vaz/Arinto 2005 levado pelo Copo de 3 e Campolargo Arinto 2005 levado pelo Chapim.Continuando com dois vinhos em que de semelhante apenas a casta Arinto, mesmo em tonalidade o Campolargo mostra-se amarelo dourado bem mais concentrado, no que toca a aromas o Coop Borba é mais exuberante mostrando de início uma madeira um pouco vincada, baunilhas e torrefactos de bom tom, tudo que se resolve com tempo em copo ou decanter mas nestes jantares não se tem tempo para tal, na boca apesar de uma leve ponta de acidez falta algo mais, já o segundo vinho directamente da Bairrada, tem estágio em madeira que pouco ou nada se nota, no nariz tem tudo para se poder chamar de tímido, resta uma boca com alguma frescura, um pouco melhor que o anterior, mais corpo e acidez ligeiramente em maior dose mas nada de excepção.