Copo de 3: Casa de Santar Reserva Branco 2006

18 março 2008

Casa de Santar Reserva Branco 2006

Nos dias que correm, é algo preocupante o nível de oferta para um consumidor de vinho que tenha como residência o interior de Portugal. É sabido que a oferta é bastante reduzida tendo em conta o panorama vínico nacional, tendo apenas direito a um pequeno oásis o afortunado que tiver próximo de si, uma garrafeira que consiga ter alguns dos novos vinhos da respectiva zona que vão saindo para o mercado. Tirando isto, a oferta limita-se às desanimadoras e melancólicas prateleiras de supermercado, que podemos visitar vezes a fio sem que nada melhore durante meses a fio.
Hoje em dia o sufoco pode ser quebrado com umas escapadelas à capital ou então um esgueirar pela net num qualquer clube de vinhos com preços mais em conta.
No meio de tudo isto, ainda há quem se preocupe com os consumidores atentos e dedicados, todos os meses a Revista de Vinhos trás um vinho em jeito de promoção. Diga-se de passagem que são esses vinhos que por vezes levam um brilho aos olhos de muitos consumidores, ávidos de novos aromas e sabores, aquela espera por saber que novo vinho virá. A Revista de Vinhos presta um autêntico serviço público ao consumidor mais esquecido pela máquina da promoção e da distribuição.
O vinho que se segue, também ele vinha com a Revista de Vinhos, é um branco do Dão, elaborado pela Dão Sul das vinhas alugadas à histórica Casa de Santar. Dando seguimento à vaga de brancos de bela qualidade que tem vindo a surgir por todo o Portugal, eis aqui mais um belo exemplar, um lote onde brilha maioritariamente a Encruzado. É uma novidade não muito recente, este Casa de Santar Reserva Branco 2006 que agora se coloca aqui em prova:

Casa de Santar Reserva Branco 2006
Castas: Encruzado (50%), Cerceal-branco (25%), Bical (25%) - Estágio: Fermentação das castas separadamente na qual 50% em depósito de inox e 50% em barrica de carvalho novo francês - 13,5% Vol.

Tonalidade amarelo citrino com leve dourado de concentração média.

Nariz cativante desde início, fruta em boa sintonia com os derivados da madeira, conjunto a revelar-se delicado na sua complexidade onde a frescura se sente bem instalada entre os vários componentes. Delicado e muito harmonioso na maneira como se mostra, dando com o tempo em copo a sensação de cheesecake de limão juntamente com toque de chá branco e ligeiro floral, com fundo de cariz mineral.

Boca de entrada redonda e bastante fresca, a fruta marca presença de imediado, sendo complementada pelo toque de baunilha e torrado levo. A sensação de chá branco marca novamente presença, com a entre ajuda de uma ligeira untuosidade. A prova é toda ela harmoniosa e com frescura presente durante toda a passagem de boca, espacialidade média com persistência final média, em lembrança mineral.

Dos ecos que se ouviam a quando da sua saída para o mercado, dizia-se que o vinho estaria ainda jovem e marcado pela madeira, o que seria natural. Neste momento está diferente para melhor, mostra-se em plena forma, pronto a dar muito prazer a quem nele apostar, com um perfil que se enquadra em bastantes propostas da gastronomia, como por exemplo um peixe espada grelhado com banana frita.
O preço ronda numa qualquer garrafeira os 10€, num vinho que é uma aposta mais que segura, tornando-se quase uma compra obrigatória para beber agora ou para guardar quem sabe até ao Natal, com um olho posto no bacalhau.
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2 comentários:

Miguel disse...

Provei este vinho à uns meses atrás. Na altura a madeira notava-me um pouco. Agora deve estar bem melhor.

Pedro Rafael Barata (Blog Os Vinhos) disse...

a custar 5.95€ com a Revista dos Vinhos, foi uma excelente compra!

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