Copo de 3: Independent Winegrowers' Association - Prova de Vinhos

06 Julho 2008

Independent Winegrowers' Association - Prova de Vinhos

A Independent Winegrowers' Association (IWA) realizou no passado dia 2 de Julho, no Hotel Ritz Four Seasons, a primeira prova de vinhos para a imprensa realizada em Portugal.
O projecto nasceu pela necessidade imperiosa de criar agrupamentos de empresas do sector vitivinícola que assegurem de forma mais eficaz a promoção conjunta dos seus produtos.
O alto standard de qualidade, a elevada consciência ambiental, uma produção totalmente vertical, reuniu na mesma iniciativa as empresas Casa de Cello, Domingos Alves de Sousa, Luís Pato, Quinta do Ameal, Quinta da Covela, e Quinta dos Roques. Trata-se de um Special Interest Group onde os membros participam em acções conjuntas mantendo a sua autonomia empresarial ou comercial.
Sobre uma rede de relações de cooperação e interacção activa, visa-se promover o desenvolvimento de um agrupamento de viticultores independentes de qualidade, capaz de realizar acções de mbarketing no mercado nacional e internacional, com intervenção nos Estados Unidos, Inglaterra, Brasil, França, Alemanha e novos países da U.E.
Para o efeito, exige-se a organização de uma plataforma promocional e a definição e execução de acções no âmbito da comunicação de marketing: imagem institucional, relações públicas, relações internacionais, gestão de participação em ferias e show-rooms, gestão de eventos, etc.
A ligação dos vinhos a eventos culturais, um portal na Internet, visitas especiais de jornalistas, apresentação do conceito de Winegrowers às empresas e associação a programas de operadores de viagens ou escolas hoteleiras e de escanções, integrarão as principais actividades promocionais do grupo que pretende vir a intensificar as relações de cooperação à medida das suas oportunidades.
Foi acima de tudo uma apresentação das mais recentes colheitas dos respectivos produtores, com algumas curiosidades pelo meio.
Deixo umas breves notas de alguns dos vinhos provados neste fantástico final de tarde, sendo que alguns deles serão alvo de prova mais atenta no Copo de 3.

Casa de Cello

Quinta de Sanjoanne Espumante Reserva 2002
Lote de Arinto com Avesso, bolha fina e de boa persistência, o aroma de boa complexidade, ligeiro toque de frutos secos, vegetal, mineral em fundo com citrinos, com indicações de alguma oxidação. Boca de boa persistência com corpo consistente e muito equilibrado onde a fruta se destaca, sempre com delicada sensação de cremosidade e bela acidez.

Quinta da Vegia 2005
As mesmas duas castas do Reserva mas onde se dá lugar de destaque ao explendor da fruta que jorra por todo o lado ao lado de notas florais que ajudam a perfumar o copo. Um vinho com a sua dose de complexidade mas sempre fresco e sensual.

Quinta da Vegia Reserva 2005
Um vinho pleno de harmonia entre factores, não consegue esconder os seus encantos, conjuga madeiras e fruta de uma forma muito própria, com a volúpia das notas florais da Touriga Nacional que predomina no lote, sempre guiado com frescura bem por perto. Um Dão muito apetecível, a mostrar pela prova de boca que tem matéria para evoluir nobremente em garrafa.

Alves de Sousa

Branco da Gaivosa Reserva 2006
É o novo branco deste produtor, um pouco tímido de aromas, por entre esteva e anis, relva cortada e o toque de caroço de pêssego, alia uma mineralidade que se comporta lindamente com as leves nota derivadas da madeira por onde passou. Comportamento em boca à altura da prova de nariz.

Alves Sousa Reserva Pessoal Branco 2004
É a nova colheita deste peculiar vinho, que me conquistou desde a sua primeira colheita em 2001, ainda falta tempo para sair para o mercado (final do ano), aparece menos glicérico e gordo do que nos acostumou, está bem mais fresco e leve na sua estrutura mas sem perder o carácter e cunho que o liga aos seus antecessores.

Quinta da Gaivosa 2003
Um clássico do Douro que vê agora uma ligeira mudança no seu perfil, onde antes as uvas eram transformadas em conjunto, agora são separadas por lotes permitindo assim refinar e optimizar a qualidade do produto final. Mineral deambulante por entre a fruta madura e empireumáticos que deambulam em grande harmonia e complexidade. Boca ampla e composta, com ajustamento à prova de nariz. Um vinho com alma Douro.

Vinha do Lordelo 2005
Um vinho mais pujante que o Quinta da Gaivosa, madeira mais presente e um conjunto a precisar de dormir por algum tempo. Sente-se um vinho com mais força e mais pujança, onde tudo é mais concentrado mas sempre com aquela frescura e equilíbrio necessário a um bom desempenho.

Luís Pato


Espumante Touriga Nacional (2007) e Espumante Baga (2007)
Em animada conversa com Luís Pato, foi explicado todo o conceito por detrás destes Espumantes onde até com graça se denominou como o Anti-Champagne, com destaque para a novidade do Touriga Nacional, franco à casta de que é feito, convida a beber e a refrescar nos tempos mais quentes de Verão. Foi dito que no final do ano será lançada uma caixa com as 3 versões (Maria Gomes, Baga e Touriga Nacional)

Vinhas Velhas tinto 2007
Já conheci estes vinhos com outra roupagem, passado tanto tempo afastado resolvi chegar-me a eles, é a Baga a dar muita fruta madura, bagas silvestres, toque químico associado a especiaria e fumo, com alguma austeridade patente durante a prova de nariz e boca. Precisa de tempo e comida por perto.

Vinhas Velhas branco 2007
Tem a frescura da fruta com toque herbáceo harmonioso e em fundo o leve aconchego do tostado da madeira, na boca estruturado e muito apetecível, com frescura presente.

Vinha Formal 2007
Extreme da casta Bical, muito boa intensidade no seu aroma com toque vegetal acente num fundo mineral com ligeiro fósforo, por momentos deambula ligeira fruta branca (pêra e maçã). A madeira quase não se dá por ela, numa prova de boca onde a frescura e o comprimento de prova são pontos fortes.

Quinta do Ribeirinho Pé Franco 2005
De enorme complexidade, madeiras bem finas com vegetal seco, fumado fino, terroso, especiado, tem um ligeiro perfume que percorre o final, ligado a um caramelo fundido muito suave. É daqueles vinhos que respira a região que o viu nascer, recorda outros tempos e outras memórias. De evolução nobre durante toda a prova, finesse na boca, frescura muito sentida e assente em laje de pedra fria e húmida. Prova de boca complementa a prova de nariz na sua plenitude. Um grande vinho com muito muito tempo pela frente.

Quinta do Ameal

Quinta do Ameal 2007
Um 100% Loureiro, grande frescura de aromas com claro domínio para as notas vegetais com louro em destaque, erva molhada, hortelã e fruta ligeira (tangerina e anona com uma incursão no campo do tropical) em fundo mineral. Boca plena de frescura, num conjunto jovem e cheio de vivacidade.

Quinta do Ameal Escolha 2007
Já com direito a passagem por madeira, este vinho alia a complexidade e arredondamento proporcionado pela madeira com a joviolidade e frescura da casta Loureiro. A beber agora ou a guardar sem receios.

Quinta do Ameal 2001
Em prova uma curiosidade, e que curiosidade. Dotado de uma belíssima complexidade, a panóplina de aromas foi mais que conquistadora. Um vinho profundo, fresco, a mostrar uma bela nuance petrolada aliada a fruta madura e ligeira calda. Fantástico Ameal 2001.

Espumante Quinta do Ameal 2002
Uma brincadeira muito séria que poderá vir a ver a luz do dia, um espumante com corpo suficiente para acompanhar um bom peixe no forno. Sempre muito equilibrado e sério, boa intensidade ao nível de nariz e boca, num todo que faz deste Espumante algo a ter em vista quando sair para o mercado. Pena que são apenas e só 2000 garrafas.

Como extra ainda surgiu um vinho de sobremesa que fez as delícias de todos, com um belo equilíbrio entre acidez e açúcar permitindo uma prova bastante agradável.

Quinta da Covela

Covela Escolha branco 2006
Lote de Avesso, Chardonnay e Gewuerztraminer que resulta como seria de esperar num resultado muito curioso e bastante satisfatório. O ataque inicial de cariz tropical, junta-se a um leve vegetal com toques florais. A mineralidade é ponto assente no final. Complementa-se na boca, com ligeira sensação doce ao início acabando com secura no final. Pela sua personalidade bem vincada, um vinho a descobrir.

Covela Colheita Seleccionada 2005
Muda o lote para a dupla Avesso e Chardonnay, nota-se a barrica por onde se refugiou, resultante um vinho fresco com leve mineral, aliando o vegetal do avesso e a fruta da chardonnay. Aquela sensaçao de cremosidade da Chardonnay aliada à boa dose de acidez ainda presente, em final de boca com sensações de tosta muito agradável.

Quinta dos Roques

Quinta das Maias Jaen 2006
Fechado e incisivo, a dar uma prova cheia de força que parece não querer arredar pé da forma bruta como se apresenta. Os taninos ainda marcam e bem a sua presença, deixa secura na passagem de boca. Será vinho para guarda certamente.

Quinta dos Roques Touriga Nacional 2005
Um vinho que tem dado muito que falar, por azar encontra-se neste momento fechado e sisudo, pouco comunicativo para aquilo que se sabe e conhece da casta Touriga Nacional. Abrir agora pode ser motivo de desilusão e o vinho não merece.

Flor das Maias 2005
Novidade que já dá muito que falar, não se consegue ficar indiferente a este vinho. Cativante pelo nariz e conquistador pela boca, a frescura está sempre presente em grande sintonia com os toques dados pela madeira. É um autêntico mimo.

Deixo uma nota de agradecimento à IWA pelo convite endereçado, com votos de igual sucesso em futuras iniciativas. É um enorme prazer o poder privar com os produtores, discutir pontos de vista e abordar ideias, o permitir entender melhor o que encerra este ou aquele vinho com o homem que o idealizou é o maior prazer de todos.

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