Copo de 3: Vale d´Algares Branco 2006

16 julho 2008

Vale d´Algares Branco 2006

A Viognier (Vee-on-yay), é uma casta que esteve em quase desaparecimento faz uns anos atrás, tendo vindo a recuperar devido a uma popularidade cada vez maior, junto da comunidade dos apreciadores de vinho.
Basta notar que na sua França natal, em 1960 apenas se tinham 35ha plantados, sendo que hoje em dia está espalhada um pouco por todo o mundo, e em Portugal encontramos exemplares desde a Estremadura, Ribatejo, Bairrada e Alentejo.
É a única casta utilizada nas appellations do Rhone Norte - Condrieu e Chateau-Grillet (uma das mais pequenas appellations de toda a França com menos de 10ha e apenas um proprietário).
É também utilizada em Côte Rôtie, para adicionar fragrância e amaciar e aligeirar o syrah dessa zona.
Uma casta que deve ser vindimada no pico do seu estado de maturação a fim de poder proporcionar o seu melhor aroma e sabor, caracterizado por uma boa intensidade e complexidade, com fruta madura presente a evidenciar-se (damasco, pêssego, ananás), flor de laranjeira, erva fresca, feno cortado, mel, menta, anis... Podendo o seu aroma indicar um ligeiro toque adocicado, no caso de passagem por madeira, surgem notas de cremosidade como amanteigado e baunilha e uma ponta de tosta. Na boca é elegante, baixa acidez e com boa cremosidade a quando da passagem por madeira.
É da sua tendência resultarem vinhos com níveis altos de açúcar e baixa acidez, um resultado pouco ou nada apelativo se tivermos em conta a grande dose de álcool.
Devido a estes problemas , por vezes os produtores optam por deixar um pouco de açúcar residual para esconder um pouco o alcool que se queira expressar a mais, e talvez assim se explique a dificuldade de elaborar bons varietais desta casta e o preço alto que costumam atingir.
Na maioria dos casos são vinhos para consumir a curto médio prazo.
O exemplar em prova chega do Ribatejo, fruto resultante de um dos mais recentes projectos da região, Quatro Âncoras, de onde sai este topo de gama branco de nome Vale d´Algares branco 2006.

Vale d´Algares branco 2006
Castas: 100% Viognier - Estágio: fermentação alcoólica em barricas novas de carvalho francês, dos cachos mais maduros (75% do lote) com batonnage durante 6 meses. - 14,5% Vol.

Tonalidade amarelo citrino com toque dourado de leve concentração.

Nariz de intensidade aromática média, delicado no seu todo é com fruta madura entre pêssego e toque citrino, de onde deriva também o toque floral que mostra. A passagem por madeira revela-se num conjunto delicado, com suave torrado, onde uma sensação de mel preenche o fundo de incidência mineral.

Boca de estrutura elegante, tal como toda a sua passagem de boca, cauteloso, comedido e acima de tudo muito harmonioso entre fruta/acidez/madeira. Com a fruta (mais citrino) a marcar presença ao lado de toque melado, dá ligeira doçura ao vinho, contrabalançando com a suave frescura. Um todo muito gostoso e equilibrado, de final de boca de persistência mediana.

É um vinho de complexidade muito fina, sem grandes extravagancias de aromas ou concentrações, jogando sempre pelo seguro. Certo e franco nos aromas que mostra, não foge daquilo que se pode esperar de um Viognier. O único senão será o preço um pouco alto para a qualidade apresentada, que irá rondar os 25€.
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15 comentários:

Pratas disse...

De facto um preço muito elevado, mas um excelente vinho! Talvez o branco que me deu mais prazer beber este ano.

Espero que a Viognier não se torne uma moda cara.

Miguel disse...

Por acaso vou prova-lo hoje juntamente com os outros vinhos do produtor.

Abraço

Copo de 3 disse...

A moda Viognier está a chegar a Portugal, calmamente iremos começar a encontrar vários vinhos feitos com esta casta.

Desde a Bairrada, Estremadura, Alentejo e agora Ribatejo.

O preço praticado neste caso, mesmo não sendo motivo de apreciação, retira este vinho da minha lista de opções.

Pingus Vinicus disse...

Concordo com o Copod3, porque existem opções muito interessantes a preços mais baixos.

Gus disse...

Não conheço este nem outros Viognier...
Além deste e do Madrigal, aconselhar-me-iam outros?!

Copo de 3 disse...

Tens da Bairrada o Diga? branco do Campolargo, tens no Alentejo assim que me lembre o Zéfyro branco, na Estremadura o Madrigal do Monte d´Oiro e de um projecto recente o Quinta do Lagar Novo Viognier.

Caso existam outros varietais de Viognier lançados no mercado, façam favor de os anunciar.

Amigos&Amigos disse...

"Nariz de intensidade aromática média, delicado no seu todo é com fruta madura entre pêssego e toque citrino, de onde deriva também o toque floral que mostra."

Poesia fantástica. Este aroma é só fumarada.

Copo de 3 disse...

Parece que o Amigo cheirou a rolha... e o vinho chegou a cheirar ?

Abílio Neto disse...

Caro,

Provei-o. Agradável, falta-lhe exuberância aromática e longura no final. Está afinado, mas perde para o Madrigal, superior no preço e superior no estilo. E até se pode argumentar com melhor integração da madeira...

Mais, acho que perde patra o Diga?, que apesar de excessivamente marcado por aromas vegetais, horta, espargos etc., tem outra frescura...

Impressões.

Abr.,

An

Copo de 3 disse...

Caro Abílio

Estou de acordo com a tua opinião, para mim o melhor exemplar de Viognier é o Madrigal, a todos os níveis, mas quem sabe sabe.

Num outro plano aparecem outros vinhos, considero o Diga inferior a este Vale d´Algares, foi um vinho que encontrei delgado, apagado e surfista´s word, algo flat.
Num plano mais vivo e com a fruta muito mais presente, o Zéfyro, um vinho que consegue dar alguma alegria, e que levei para o jantar da Magnum Party da Niepooort, como viognier não é mau... alguém o disse. Só que não chega ao patamar de outros.

Pratas disse...

Provei ontem o Quinta do Lagar Novo Viognier. No nariz é interessante, na boca não gostei. Tem um final muito alcoólico e algo enjoativo... Ficou nos copos e rápidamente foi esquecido.

Anónimo disse...

Amigos&Amigos
eu acho que tens razão , este copo de 3 é só goela.
gostava de o ver provar vinhos sem ver o rotulo e sem saberquem é o produtor. É um basófias.

Copo de 3 disse...

Caro Pratas a que se deve a mudança radical no que toca à apreciação deste vinho ?

''mas um excelente vinho! Talvez o branco que me deu mais prazer beber este ano.''

Caro anónimo, não seja por isso, para a semana colocarei uma fotografia a provar um vinho sem rótulo e sem indicação do produtor.
Mas gostava que contribuisse com qualquer coisa de interessante do que simples bacoradas.

Anónimo disse...

bacoradas é você pelas babozeiras que vai escrevendo.
veja bem todos os seus escritos , analize-se e tenha juizo e seja digno, que é coisa que não o é muita vez.
aliás já é muita vez normal escrever uma coisa e depois na nota final ser outra. está agora a chamar a atenção para o pratas!?

Copo de 3 disse...

As minhas notas de prova são a minha opinião pessoal sobre um determinado vinho. Caso não concorde está em seu pleno direito de o fazer, caso concorde também tem esse direito como é evidente.

Quanto a chamadas de atenção agradeço que as faça, agradeço toda e qualquer crítica desde que seja construtiva e de maneira a poder melhorar.

Fundamente as suas opiniões, e dessa maneira todos temos a ganhar, como muito bem deverá entender.

O que não quero nem admito é a maneira pouco correcta como tem vindo a participar neste espaço, denota arrogância e certa prepotência nas afirmações que faz como sendo a sua voz a fonte de toda a razão. Ser digno é ter a frontalidade suficiente para se identificar e não estar escudado no anonimato, ou para si a falta de dignidade são apenas e só as notas com que não concorda ?

 
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