Copo de 3: Março 2008

31 março 2008

Tapada do Barão Vinhos

Aqui viveu, durante a parte final do Século XIX e primeira metade do Século XX, o grande mestre da música, D. Luís de Freitas Branco. Foi no Monte dos Perdigões que o seu discípulo Joly Braga dos Santos escreveu algumas das suas obras importantes.
“(...) Durante toda a infância e adolescência passa largas temporadas no Alentejo onde seu pai possui uma propriedade (o Monte dos Perdigões, em Reguengos de Monsaraz). Os longos passeios a cavalo aí realizados na companhia do pai marcam profunda e decisivamente toda a sua formação humana e intelectual.” ( Biografia de João de Freitas Branco)
Mas a casa, de traça toscana, e o monte acabaram por ser vendidos ao barão Sloet tot Everlo, já em pleno século XX. Foi ele quem concebeu a adega, tendo traçado os planos que levaram, já em posse da família Granadeiro, onde inseridos na Granacer S.A., surgem os vinhos TAPADA DO BARÃO.

Tapada do Barão Rosé 2006
Castas: Aragonez (10%), Castelão (73%) e Merlot (17%) - Estágio: 6 meses em Inox - 14% Vol.

Tonalidade ruby vivo com ligeiro toque salmão.
Nariz a lembrar morangos tocados pelo tempo, para além de maduros, com um toque vegetal em sintonia com tudo o resto. O tempo já anda a fazer das suas, mostrando um conjunto esbatido e com algum desgaste.
Boca diz o mesmo que o nariz, a prova tem pouco que dizer, a força vital deste vinho já passou, entrando na curva do esquecimento.

Um Rosé limitado e parco de encantos, o seu melhor já passou e resta esperar pela nova colheita para reviver melhores momentos que este vinho proporciona quando acabado de sair para o mercado.
12

Tapada do Barão Colheita 2006
Castas: - Estágio: 37,55% em Carvalho Allier, grão fino e tosta média, com o restante 62,55% a passar por inox - 13,5% Vol.

Tonalidade ruby escuro de concentração média/baixa
Nariz a mostrar um vinho de carácter jovem e que se mostra de forma singela e delicada. A fruta presente mostra-se acompanhada de toque vegetal seco, fundo com ligeiro especiado condimenta o conjunto, recordando por momentos um travo de baunilha entre a nota fumada que tem em fundo.
Boca de entrada suave com lado vegetal mais presente que a componente da fruta, que se mostra fresca e bem madura. É um vinho que complementa a prova de nariz, equilibrado e com certo arredondamento e finura na passagem de boca. Final correcto sem grandes espacialidades.

Um vinho que se mostrou bastante correcto, fácil de agradar, fácil de cumprir os seus objectivos perante um consumo diário com qualidade. É daqueles vinhos que perante uma indecisão na hora de escolher se mostra uma escolha acertada para quem não quer gastar muito dinheiro e ter qualidade naquilo que bebe.
13,5

Tapada do Barão Reserva 2004
Castas: Trincadeira (28%), Alicante Bouschet (17%), Aragonez (17%), Syrah (14%), Cabernet Sauvignon (13%) e Tinta Caiada (12%) - Estágio: 12 meses em Carvalho Allier, grão fino e tosta média - 14% Vol.

Tonalidade ruby escuro de concentração média/alta
Nariz a revelar um vinho coeso e de boa complexidade, a madeira está bem interligada com a fruta, tudo bem balanceado com a exuberância algo contida num conjunto que parece apostar no campo do equilíbrio de factores. O vegetal que se passeia entre aromas de tosta e fruta bem madura com pingo de compota, apimentado e algo comedido na maneira como se mostra, termina com frescura balsâmica de bom recorte.
Boca em sintonia com o mostrado na prova de nariz, um vinho afinado e a mostrar suavidade, com boa espacialidade durante toda a sua passagem. A presença vegetal, com ligeira secura, destaca-se um pouco sobre a fruta madura e de qualidade, tem uma boa dose de frescura que acompanha o conjunto, tosta com ligeiro cacau em pó. Aprumado e bastante agradável com final de boca de persistência média/alta.

Com um preço a rondar os 12€, é um vinho num grande momento de forma, que se deve aproveitar por agora e começar a pensar no próximo Reserva que vem a caminho.
15,5

Tapada do Barão Reserva 2005

Tonalidade ruby escuro de concentração média/alta.
Nariz algo fechado, um vinho que segue as pisadas do seu antecessor, apesar de um pouco mais vigoroso e com alguma austeridade ainda presente. Ligeiro químico presente que se difunde com tempo em copo, dando lugar a vegetal com a fruta bem madura e de boa qualidade. Num segundo plano meio difuso, temos toque balsâmico que se mistura com café e chocolate preto, compota e cravinho.
Boca a mostrar um vinho bem estruturado, corpo sólido e que dá uma prova integra e sem cambalear. Apesar de algum refinamento que já se vai sentido mostra atributos suficientes para uma boa evolução nos próximos tempos. Para já a prova é de qualidade e com prazer assegurado, fruta presente com vegetal em fundo.

Na fotografia com rótulo provisório, este vinho já deve ter entrado no mercado, com o preço a rondar os 12€ é mais uma aposta na qualidade e na consistência. Um vinho que mostra um cunho muito pessoal que se pode apreciar em toda a gama deste produtor.
16

19 março 2008

Melhor do Mundo à Portuguesa

Faz bem pouco tempo que a notícia se espalhou na comunicação social Portuguesa da seguinte maneira, um vinho Português terá sido considerado pelos enólogos o MELHOR TINTO DO MUNDO de 2008, resultado de uma prova cega onde estavam presentes mais de 3.000 vinhos de todo o mundo, realizada no concurso Vinalies Internacionales em Paris (29 Fev a 4 Março).

Ora até aqui tudo bem, é bom para Portugal que ganha uma visibilidade maior lá fora, mais um pouco de abertura para os nossos vinhos é sempre bom.
O que não se pode concordar é que num qualquer concurso, se eleja de forma peremptória um Melhor do Mundo ou seja lá de onde for... talvez ficasse bem apenas considerar o tal vinho como Melhor Vinho do Concurso, mas tal não aconteceu na cabeça de quem deu a notícia, dando a noção que mais nenhum dos concursos que existem um pouco por toda a parte e com milhares de vinhos sempre à caça de uma medalha, podem conseguir tal feito. Curiosamente existe um tal Concours Mondial Bruxelles...

Para quem como eu liga pouco ou nada a este tipo de prémios, por mais mérito que lhes seja atribuido, a minha altura de coleccionador de cromos já vai bem distante no tempo. Mas o facto de se considerar Melhor do Mundo não me pareceu de todo correcta, e foi de tal forma que entre alguma pesquisa e um alerta de um amigo via mail, decidi averiguar melhor que prémio tinha sido este tão especial e motivo de notícias um pouco por todo o lado.

Neste Vinalies Internationales, o júri composto por enólogos, atribui o Vinalies d´Or e o Vinalies d´Argent, e também atribui o Trophée Vinalies Internationales aos melhores vinhos de cada uma das 7 categorias em prova.

É de estranhar que não seja feita qualquer menção a um prémio referente ao Melhor do Mundo, apenas que o vinho em causa nas notícias vem referenciado com a medalha de ouro, e que o mesmo poderá ter sido eventualmente, vencedor do Trophée Vinalies Internationales, o que não lhe atribui em nada o título de MELHOR TINTO DO MUNDO 2008.

Pessoalmente vejo isto como uma grande jogada de marketing, a beneficiar o produtor e o distribuidor, que tendo um vinho eleito como melhor de um dito concurso e honra lhe seja feita, o transformaram sem apelo nem agravo no melhor do mundo, com direito de antena incluido, não fossemos nós estar em Portugal.
Obviamente que já se esperava a procura desalmada pelo dito vinho que apenas vai sair em Abril, com a boa notícia dada pelo enólogo de que o preço de 8,5€ poderá vir a ser inflacionado e que o mesmo vinho é de produção reduzida.

PS: Para rematar a faena o mesmo vinho que para uns é o melhor do mundo, num painel de vinhos Syrah recentemente provado por uma conceituada Revista da especialidade, ficou em 9º lugar...

18 março 2008

Casa de Santar Reserva Branco 2006

Nos dias que correm, é algo preocupante o nível de oferta para um consumidor de vinho que tenha como residência o interior de Portugal. É sabido que a oferta é bastante reduzida tendo em conta o panorama vínico nacional, tendo apenas direito a um pequeno oásis o afortunado que tiver próximo de si, uma garrafeira que consiga ter alguns dos novos vinhos da respectiva zona que vão saindo para o mercado. Tirando isto, a oferta limita-se às desanimadoras e melancólicas prateleiras de supermercado, que podemos visitar vezes a fio sem que nada melhore durante meses a fio.
Hoje em dia o sufoco pode ser quebrado com umas escapadelas à capital ou então um esgueirar pela net num qualquer clube de vinhos com preços mais em conta.
No meio de tudo isto, ainda há quem se preocupe com os consumidores atentos e dedicados, todos os meses a Revista de Vinhos trás um vinho em jeito de promoção. Diga-se de passagem que são esses vinhos que por vezes levam um brilho aos olhos de muitos consumidores, ávidos de novos aromas e sabores, aquela espera por saber que novo vinho virá. A Revista de Vinhos presta um autêntico serviço público ao consumidor mais esquecido pela máquina da promoção e da distribuição.
O vinho que se segue, também ele vinha com a Revista de Vinhos, é um branco do Dão, elaborado pela Dão Sul das vinhas alugadas à histórica Casa de Santar. Dando seguimento à vaga de brancos de bela qualidade que tem vindo a surgir por todo o Portugal, eis aqui mais um belo exemplar, um lote onde brilha maioritariamente a Encruzado. É uma novidade não muito recente, este Casa de Santar Reserva Branco 2006 que agora se coloca aqui em prova:

Casa de Santar Reserva Branco 2006
Castas: Encruzado (50%), Cerceal-branco (25%), Bical (25%) - Estágio: Fermentação das castas separadamente na qual 50% em depósito de inox e 50% em barrica de carvalho novo francês - 13,5% Vol.

Tonalidade amarelo citrino com leve dourado de concentração média.

Nariz cativante desde início, fruta em boa sintonia com os derivados da madeira, conjunto a revelar-se delicado na sua complexidade onde a frescura se sente bem instalada entre os vários componentes. Delicado e muito harmonioso na maneira como se mostra, dando com o tempo em copo a sensação de cheesecake de limão juntamente com toque de chá branco e ligeiro floral, com fundo de cariz mineral.

Boca de entrada redonda e bastante fresca, a fruta marca presença de imediado, sendo complementada pelo toque de baunilha e torrado levo. A sensação de chá branco marca novamente presença, com a entre ajuda de uma ligeira untuosidade. A prova é toda ela harmoniosa e com frescura presente durante toda a passagem de boca, espacialidade média com persistência final média, em lembrança mineral.

Dos ecos que se ouviam a quando da sua saída para o mercado, dizia-se que o vinho estaria ainda jovem e marcado pela madeira, o que seria natural. Neste momento está diferente para melhor, mostra-se em plena forma, pronto a dar muito prazer a quem nele apostar, com um perfil que se enquadra em bastantes propostas da gastronomia, como por exemplo um peixe espada grelhado com banana frita.
O preço ronda numa qualquer garrafeira os 10€, num vinho que é uma aposta mais que segura, tornando-se quase uma compra obrigatória para beber agora ou para guardar quem sabe até ao Natal, com um olho posto no bacalhau.
16

14 março 2008

Morgadio da Calçada branco 2006

Certos vinhos merecem por si só uma atenção especial, em vez de se cair em comparações supérfluas com vinhos de outras paragens, situações que por vezes apenas confundem o comum apreciador, que alheado dessas realidades fica ainda mais confuso com nomes que não fazem parte do seu mundo da apreciação. Penso que nestes casos, servirá de pouco afirmar que um hipotético vinho em prova, tem semelhanças com um qualquer Montagny proveniente dos solos calcários da Côte Chalonnaise.
Deixando os actos de vanglória para actores de outros palcos, cabe aqui destacar a segunda colheita deste branco Duriense, um vinho que demonstra que a nova vaga de vinhos brancos em Portugal tem cada vez mais qualidade.
Resultante de uma parceria entre a família Vilas Boas (Casa da Calçada) e da casa Niepoort, saem os vinhos Morgadio da Calçada, sendo alvo de prova as segundas colheitas já disponíveis no mercado, neste caso o branco 2006.
O Morgadio da Calçada foi instituído nos finais do séc. XVII pelo Desembargador Jerónimo da Cunha Pimentel na aldeia história de Provezende. Os vinhos aqui produzidos, são o resultado do encontro da chancelaria de qualidade Niepoort com as extensas vinhas da casa da Calçada, e ao que parece, Dirk Niepoort tem um fascínio pelas vinhas de Provezende, sendo que com esta parceria vai permitir explorar a criação de uma nova linha de vinhos do Douro e Porto.
O Morgadio da Calçada é produzido a partir de vinhas com 20 anos onde predominam a Codega e o Viosinho, para além de vinhas muito velhas (80 anos) onde predomina a Malvasia fina.

Morgadio da Calçada branco 2006
Castas: Codega, Rabigato, Viosinho, Arinto, Malvasia - Estágio: 7 meses em barricas de carvalho francês e cuba inox - 14% Vol.

Tonalidade amarelo citrino com rebordo esverdeado
Nariz com aroma de bela intensidade, perfil fresco e floral (lavanda, alfazema) com a fruta (banana, pêra, citrinos) em toada madura bem ligada a suaves notas do estágio em barrica (baunilha, fumo e tostados). Elegante no seu todo, contando com uma boa complexidade que se retoca com nota de mineralidade em fundo.
Boca de entrada fresca, tal como em toda a restante prova a frescura está presente e bem balanceada, mostrando um bom volume, sintonia mais uma vez entre fruta (citrinos) com suave floral. A madeira por onde passou, confere uma certa untuosidade, num vinho equilibrando e harmonioso, em final a lembrar cascalho molhado, de bela persistência final

Ao consumidor mais desatento por vezes vinhos como este passam completamente ao lado. Um branco que respira qualidade e com um preço, a rondar os 9€ em garrafeira, mais acessível do que a maioria dos brancos de passerelle que por aí desfilam. Apresentando-se com um nível muito acima da média, não vira costas a um tempo de cave onde porventura irá refinar e ganhar mais alguma complexidade.
16,5

13 março 2008

Morgadio da Calçada Tinto 2005

Resultante de uma parceria entre a família Vilas Boas e da casa Niepoort, saem os vinhos Morgadio da Calçada, sendo alvo de prova as segundas colheitas já disponíveis no mercado.
O Morgadio da Calçada foi instituído nos finais do séc. XVII pelo Desembargador Jerónimo da Cunha Pimentel na aldeia história de Provezende. Os vinhos aqui produzidos, são o resultado do encontro da chancelaria de qualidade Niepoort com as extensas vinhas da casa da Calçada, e ao que parece, Dirk Niepoort tem um fascínio pelas vinhas de Provezende, sendo que com esta parceria vai permitir explorar a criação de uma nova linha de vinhos do Douro e Porto.

Morgadio da Calçada Tinto 2005
Castas: Touriga Franca e outras - Estágio: 15 meses em barricas de carvalho francês - 13% Vol.

Tonalidade ruby escuro de concentração média alta.
Nariz de cariz fresco, com vegetal a lembrar esteva, apimentado com fruta bem madura na versão de bagas silvestres, ao lado de notas de cacau, tabaco e hortelã pimenta. Tudo bem equilibrado e a mostrar uma boa complexidade, com torrados da madeira em fundo, revelando um grande entendimento entre fruta e madeira, num todo polido e sem cair em grandes concentrações.
Boca com entrada fresca, tem o seu quê de finesse mostrando elegância durante toda a prova, passagem de boca com boa complexidade, concentração moderada com harmonia bem presente. Um vinho redondo e a dar uma prova bastante agradável, final de boca de boa persistência.

São 3.500 garrafas com preço a rondar os 12€, num vinho que se mostrou bem mais apelativo, fresco e equilibrado que na sua primeira versão. O perfil parece ter mudado ligeiramente, ou talvez seja mais correcto dizer que tivemos aqui um afinamento para melhor.
16

11 março 2008

Marias da Malhadinha 2004

Um dos grandes da Albernoa(Alentejo) e de Portugal, a Herdada da Malhadinha Nova, produtor que em pouco tempo passou de revelação a confirmação e uma aposta bastante sólida quando toca a vinhos com personalidade e consistência colheita após colheita.
Mais uma vez a imagem transmitida pelos vinhos que aqui são produzidos, é uma imagem inovadora, bastante dinâmica e jovem. Tão jovem, que se apresentou no mercado com os rótulos dos respectivos vinhos a serem desenhados pela mais nova geração da família Soares, inspirando com os seus desenhos ou mesmo dando origem a nomes de vinhos como é o caso do Pequeno João. E para não fugir à regra, mais uma vez os petizes da família Soares, que entre ambos partilham o nome Maria, foram fonte de inspiração para mais um vinho, o Marias da Malhadinha 2004, que tem em vista prestar homenagem às Marias de Portugal, não fosse Portugal um país dedicado ao culto de Maria.
É uma novidade que segundo palavras do produtor, apareceu de forma muito natural, partindo da ideia de colocar de lado uma selecção das melhores barricas de 2004 com o objectivo de avaliar a evolução dos vinhos da casa, com algum tempo em barrica. A respectiva evolução mereceu que o vinho fosse engarrafado e comercializado, nascendo assim o topo de gama deste produtor, que passou 26 meses em barrica nova de carvalho francês e mais 10 meses em garrafa, até ter chegado o momento da sua comercialização.

Marias da Malhadinha 2004
Castas: Aragonês, Cabernet Sauvignon e Touriga Nacional - Estágio: 26 meses barricas novas carvalho francês e 10 meses de garrafa - 14,5% Vol.

Tonalidade granada escuro e quase opaco de concentração.
Nariz a mostrar um vinho de aroma austero e muito concentrado, fruta dominada por todo um conjunto assente de momento nos derivados da passagem por madeira, com ligeiro toque lácteo pelo meio. Sente-se um tom morno nas variedades de chocolate preto, fumo, baunilha e café creme, rodopio de especiarias que liga a uma brisa de leve balsâmico com alguma resina no segundo plano. Tudo a sentir-se muito junto, compacto e de boa intensidade.
Boca a revelar um vinho não tão intenso como a prova de nariz nos poderia querer indicar, apresentando-se de estrutura sólida mas com corpo médio. A fruta parece tapada pelas notas de cacau, tosta, especiaria, tudo muito junto com sensação de adocicado, contando com brisa fresca que percorre todo conjunto. No segundo plano mostrou um travo amargo que recorda pinho verde, uma sensação pouco agradável que parece dar um ligeiro sabor azedo ao vinho, com o final a revelar-se de persistência média.

Um vinho que na altura da prova se mostrou algo fechado e com a madeira a querer ter, grande parte do protagonismo. A prova que dá tem o seu toque inegável de qualidade, mas ainda é cedo para se falar em equilíbrios ou harmonias, pois tempo é o que o vinho pede, para que tudo se possa interligar, harmonizar e amaciar. O toque acre que se sentiu na boca durante a prova, desde a temperatura inicial de 14ºC até aos 18ºC, deixa alguma preocupação e denota claramente uma passagem muito longa por madeira. Resta esperar que essa mesma sensação seja diluida com o tempo de garrafa, o que pode ou não acontecer, e nessa altura teremos de questionar os cerca de 60€ que este vinho custa em garrafeira.
16,5

10 março 2008

Monte do Castanheiro 2005

Virada para a Serra d´Ossa fica a Quinta do Zambujeiro, ali bem perto de Santiago Rio de Moinhos (Borba). Este projecto iniciado em 1998 por Emil Stricker, um Suíço apaixonado pelo mundo do vinho, teve como visão o querer produzir grandes vinhos a partir das castas Portuguesas. A sua missão seria apenas e só, o conseguir proporcionar com os seus vinhos, sensações inesquecíveis aos seus consumidores.
Pelo que se conhece hoje dos vinhos desta casa, a missão está mais que cumprida, tendo em conta o sucesso que teve desde as primeiras colheitas, com uma entrada de pé direito com o Zambujeiro 1999. Um começo forte, onde a divulgação no mercado interno era muito pouca, um vinho que passava directamente para o estrangeiro tal como nos dias de hoje, apesar de ser bem mais conhecido e merecidamente reconhecido.
Com o passar do tempo, a Quinta do Zambujeiro avançou com o seu projecto e aparecem duas novas marcas, o Terras de Zambujeiro em plano intermédio e o Monte do Castanheiro em plano de entrada de gama. O fio condutor que guia estes vinhos é sentido desde o pequeno grande Monte do Castanheiro até ao ícone da casa, o Zambujeiro. Vinhos pujantes e ao mesmo tempo harmoniosos, cheios de alma Alentejana com um ar de Novo Mundo, contando com um trabalho de madeiras de grande nível conseguindo manter o mesmo cunho numa gama bastante acima da média, algo a que o consumidor apenas tem que agradecer.
O vinho em prova é a mais recente colheita do Monte do Castanheiro, 2005, um vinho que por ser entrada de gama merece todo o respeito, afinal este é um pequeno grande herói, que vale a pena conhecer.

Monte do Castanheiro 2005
Castas: 50% Trincadeira, 37% Aragonez, 13% Castelão - Estágio: 12 meses carvalho francês (30% novo) - 14,5% Vol.

Tonalidade ruby escuro de concentração média/alta
Nariz a mostrar um vinho jovem com a fruta bem madura em ligeira compota, a mostrar-se com boa intensidade e concentração, de temperamento morno, desafogado é o abraço floral que envolve como perfumando o copo em companhia de baunilha, cacau e tostados derivados da passagem por madeira. Tudo muito bem de intensidade, e com nota fumada a acompanhar ligeiro balsâmico que nos leva por momento a pensar na brisa que nos chega da serra mesmo ali à frente.
Boca de entrada frutada e com compota, acompanhamento balsâmico onde desponta o toque tostado da madeira. A frescura bem colocada, está presente durante toda a prova, evitando que o vinho tenha uma queda para o lado mais guloso e enjoativo, antes pelo contrário, revela-se um vinho pleno, muito agradável e harmonioso. Não sendo muito encorpado, é um vinho de média estrutura com uma complexidade bem interessante, onde madeira e fruta se conjugam muito bem, em final de boca médio/longo.

Um vinho que nos deixa com vontade de repetir, bom sinal para quem prova pois são vinhos como este que dá vontade ter ao lado na guerra constante do consumo do dia a dia, sempre fiel e com argumentos de peso que o fazem destacar no confronto mano a mano com outros vinhos deste segmento. O preço ronda os 8€ por garrafa, equilibrado, bem feito, e acima de tudo a revelar que ainda vai evoluir mais um pouco se lhe dermos o tempo suficiente.
15,5

Rocim 2005

Um sonho que se tornou desejo, uma vontade que se tornou realidade, é assim que surge entre a Vidigueira e Cuba, a Herdade do Rocim.
Este novo produtor de vinho do Alentejo, conta com uma propriedade de 100ha, adquirida em 2000 por um empresário de Leiria a pedido de uma das filhas. A herdade foi alvo de trabalhos de reestruturação e qualificação durante 6 longos anos, incluindo a plantação da maior parte da vinha que hoje totaliza 60ha, repartidos por 40ha de castas tintas e 20ha de castas brancas entre as quais consta a Alvarinho.
O projecto teve como ponto alto, a edificação de uma adega onde se destaca claramente o desenho da mesma e a sua capacidade para acolher variadas iniciativas culturais. É uma adega a entrar claramente na nova tendência das adegas de autor, autênticas catedrais do vinho, que a bom tempo se instalou em Portugal.
Um produtor que aposta forte na sua imagem e no que pretende transmitir ao consumidor, de uma maneira muito elegante e onde o bom gosto está presente. Em prova o mais recente vinho lançado para o mercado, o Rocim 2005, num total de 13.000 garrafas que no futuro se pretende que sejam 100.000

Rocim 2005
Castas: Aragonez, Alicante Bouschet e Syrah - Estágio: 6 meses barricas - 13,5% Vol.

Tonalidade ruby escuro de concentração média/baixa.
Nariz a mostrar um vinho elegante e com alguma delicadeza no trato, fruta presente e ligações de toque vegetal complementando-se com os atributos da passagem por madeira. Toque especiado (pimenta) em fundo de cacau morno, num conjunto que nos mostra um vinho harmonioso, sem cair no esquecimento mas também sem atributos maiores.
Boca de entrada com frescura ligeira, a complementar a prova de nariz, mostra o seu lado mais frutado em companhia de nuance vegetal, e do envolvimento que lhe proporcionou o estágio em barrica. Correcto, polido e muito agradável durante toda a sua prova, mostrando uma persistência final média.

Uma bela estreia num vinho que se mostra bastante agradável e bem feito, uma bela entrada de gama para este novo produtor. Pelo que mostrou durante a prova, mostrou-se um vinho de enorme polivalência no que toca a ligações gastronómicas. O único senão pode ser o preço pedido, que ronda os 9€
15

09 março 2008

Regras de Prova do Copo de 3

Resultante de uma vontade, surge o apoio prestado pela Schott Zwiesel ao Copo de 3, quer a nível do evento Vinum Callipole quer a nível das provas realizadas pelo site Copo de 3.
Cabe então a partir de esta altura, divulgar os copos utilizados a partir deste momento nas provas dos vinhos aqui colocados:


Top Ten Champagne/Espumante
Temperatura de Serviço: 6/8ºC



The First by Enrico Bernardo - Wine Taster

Rosé
- 8/12ºCBranco doce/Colheitas Tardias - 5/7ºC
Brancos secos e Jerez fino - 8/10ºC
Tintos leves - 12/13ºC
Licoroso (Porto, Moscatel, Madeira) - 12/16ºC


Top Ten Vinhos Tintos Encorpados


Tintos de corpo médio
- 16/17ºC

Tintos encorpados - 17/18ºC





Top Ten Brancos Encorpados


Brancos encorpados
- 14/16ºC






A classificação final tem por base a escala:

<10 color="#660000" font="font" valores:="valores:">desclassificado 
10 - 13,5 (75-84): 

Vinho simples e sem grandes pretensões, pouco interesse.
14 - 15,5 (85-89): 
 Bom vinho, correcto e bem feito, mostra um pouco de carácter.
16 - 17,5 (90-94): 
Muito Bom, identidade marcada, dá muito prazer a beber, altamente recomendado..
18 - 19,5 (95-99): 
Excelente, o apogeu da carreira de um produtor, são os ícones que representam uma região e nivelam todos os outros, compra obrigatória. 
20 (100): Perfeito

06 março 2008

Bonefant 2003

Se existe palavra que nos dias de hoje cada um de nós procura e pretende ter como sua, é sem dúvida alguma a diferença. É a diferença que dita a moda, é a diferença que nos permite ter opinião sobre algo, é a tal diferença que se pretende encontrar ao provar um vinho.
A verdade é que nos dias que correm, com o constante surgimento de novos produtores e respectivos vinhos, o esperado seria encontrar pelo menos, vinhos diferentes onde o terroir das vinhas fala mais alto, e não o que hoje em dia cada vez mais se encontra, ou seja, vinhos bastante similares no seu perfil.
Se não incluirmos o Douro e o Dão, assistimos a uma constante presença de castas tão famosas quanto a Touriga Nacional, Aragonês, Alicante Bouschet, Syrah ou Cabernet Sauvignon, ficando um pouco difícil encontrar um vinho onde desponte uma casta dita «estranha».
Aplicando esta conversa à zona do Alentejo e mais propriamente às terras da Vidigueira, onde a produção de vinho remonta ao tempo dos Romanos na Península Ibérica, este local considerado como o berço da famosa casta branca Antão Vaz, mostra-se também como berço da casta que dá pelo nome de Tinta Grossa, ou como a apelidam os locais, Tinta da Nossa.
Uma casta pouco dada a conhecer, que apenas aparece nos talhões de vinhas mais velhas daquela zona, o que sem dúvida terá sido a sua salvação e evitado a guilhotina da reconversão.
Segundo o enólogo Paulo Laureano, esta casta mostra aromas concentrados e intensos de frutos do bosque e alguma especiaria na área das pimentas. Os seus taninos revelam o carácter suave e subtil do Alentejo, mas não deixam de ser bem estruturados. Outra interessante característica desta casta é a sua capacidade para manter bons níveis de acidez, mesmo no quente clima alentejano. Não tivesse a casta potencial, e não estaria nos planos do enólogo, que até nem é fã de monovarietais, só quando estes são deslumbrantes como se verifica com o seu recente Alicante Bouschet 2005, lançar para o mercado provavelmente um Tinta Grossa 2006.
Mas é em Vila de Frades (Vidigueira), na Quinta do Quetzal, que se produz este Bonefant tinto 2003, um vinho de lote, onde estão presentes a Trincadeira e aquela que se pode afirmar de tipicamente Alentejana, Tinta Grossa ou Tinta Nossa.

Bonefant 2003
Castas: Trincadeira e Tinta Grossa - Estágio: 8 meses carvalho francês e americano - 14% Vol.

Tonalidade granada escuro de concentração média/alta
Nariz a revelar um vinho onde a presença inicial de fruta (amora, cereja) madura, complementa-se com ligações evidentes pela passagem por madeira. É com harmonia que se mostra no nariz, com cacau em pó e presença de especiarias (pimenta preta e vermelha, noz moscada), envolvido com boa dose de frescura. Sem grandes complexidades, o vinho consegue dar uma prova bastante agradável, dando bem conta de si mostra em segundo plano um toque adocicado de compota.
Boca onde se sente um vinho muito bem estruturado, de perfil bem macio/sedoso na prova que proporciona. A frescura sentida é companheira durante toda a passagem de boca, elegante e arredondado, de boa espacialidade com a fruta lado a lado com toque de tabaco, compota, cacau e especiarias muito suaves. O final de boca é de persistência média/alta.

Provado em prova cega, foi uma agradável surpresa, pela diferença com que nos presenteia, por fugir de um esperado estilo pesado e madurão tantas vezes repetido e facilmente encontrado. Certo é, que os vinhos com frescura e boa acidez também por aqui se mostram presentes, vinhos elegantes, onde a harmonia entre fruta e barrica é possível, e acima de tudo onde se pode ter qualidade e diferença com castas que não as costumeiras da nossa praça. O preço é outro aliciante, pois ronda os 7,5€ por garrafa, encontrando-se desde já num ponto óptimo de consumo.
15,5

05 março 2008

Bonefant branco 2006

São palavras chave como, Gravidade ou Modernidade, em que se baseia toda uma concepção de uma adega, neste caso específico na adega da Quinta do Quetzal, situada em Vila de Frades (Vidigueira). Um projecto sensivelmente recente no panorama vínico nacional, com nome inspirado no resplandecente Quetzal, ave adorada por Maias e Aztecas. Resplandecente é também a nova adega, de belo enquadramento na paisagem, é notável verificar que todo o transporte de uva e vinho se processa sem qualquer recurso a meios mecânicos, onde a única força que se exerce é a gravidade.
Este produtor dispõe de duas gamas de vinho, os topo de gama que ostentam o nome Quetzal na versão tinto e branco, com passagem por madeira, e os Bonefant também na versão tinto e branco, mas apenas com estágio em inox.

Bonefant branco 2006
Castas: Antão Vaz e Roupeiro - Estágio: fermentação em inox - 13,5% Vol.

Tonalidade citrina com toque de dourado leve.
Nariz de aroma fresco e jovem, a dar sensação de estarmos a cheirar um copo de salada de frutas (banana, maracujá, tangerina, ananás, maçã), onde o toque de calda doce sem ser excessiva se nota em fundo. Tem um toque de ligeiro vegetal que se conjuga com a frescura bem presente, em fundo de suave recorte mineral
Boca de entrada prazenteira e convidativa, fruta presente, boa acidez a dar frescura necessária, tem um segundo plano com toque de calda onde se sente arredondamento. Tudo muito afinado e certo, mineral em fundo com persistência média/baixa.

Um vinho que se revelou uma agradável surpresa pela forma como se comportou durante a prova. Fresco e jovem, vivaço na maneira como se mostra, claramente para se beber durante o seu ano de lançamento até sair nova colheita, é desta maneira que podemos aproveitar o que de melhor nos tem para dar. Outra boa novidade é o preço que não foge muito dos 5€
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04 março 2008

Vinha do Putto 2005

É na Anadia (Bairrada), mais propriamente na Quinta de São Mateus que o produtor Manuel dos Santos Campolargo tem instalada a sua adega. Este produtor com história na região, vai já na 4ª geração de uma família dedicada à produção de vinho na região, e que tanto tem feito para colocar o nome Bairrada na boca dos consumidores.
Os primeiros vinhos da marca Campolargo foram os da colheita de 2000, sendo que a nova adega apenas foi construída em 2004.
As vinhas agrupam-se em duas propriedades: Quinta de S. Mateus, 110ha. na freguesia de S. Lourenço do Bairro e Quinta de Vale de Azar, 60ha. na freguesia de Arcos.
É dos nomes das vinhas, das quintas e dos nomes dos lugares onde estão as vinhas, que surgem grande parte dos nomes dos vinhos deste produtor, contando com um impressionante leque de castas, desde as tintas com: Baga, Touriga Nacional, Tinta Barroca, Pinot Noir, Trincadeira da Bairrada (Periquita), Cabernet Sauvignon, Castelão Nacional, Souzão, Tinta Roriz, Syrah, Merlot, Alfrocheiro, Tinto Cão, Alvarelhão, Tinta Francisca, Touriga Francesa, Alicante Bouschet, Malbec, Petit Verdot, Tinta Pinheira e Bastardo.
Nas castas brancas são: Bical, Arinto, Cerceal, Verdelho, Viognier, Sauvignon Blanc e Chardonnay.
Conta com uma vasta (são 22 vinhos) e completa gama de vinhos, desde o rosé, branco, tinto e espumante. Em prova um dos mais recentes lançamentos, o Vinha do Putto tinto 2005

Vinha do Putto 2005
Castas: Tinta Roriz, Touriga Nacional, Syrah e Cabernet Sauvignon - Estágio: 3 a 6 meses em barricas de 3º ano - 13,5% Vol.

Tonalidade ruby escuro de média concentração
Nariz a mostrar um vinho que nos aponta de imediato para sugestões fresca com muita fruta madura (frutos do bosque) e toque vegetal integrado pelo meio. Directo na forma como se mostra, tem um ligeiro especiado que envolve um suave e fugaz torrado de segundo plano, onde a parte floral se mostrar algo contida.
Boca a mostrar entrosamento entre vegetal e fruta, pimenta verde presente. Tem ligeiro corpo que lhe dá algum encanto, acidez comedida dá toque fresco e agradável ao vinho. Mostra alguma secura no final da boca derivado de alguns taninos mais mariolas, com final de boca de persistência média baixa.

Um vinho que rondou os 4,5€ numa grande superfície comercial, dando uma prova agradável e bastante descomprometida. Pelo preço revela-se uma boa aposta para o dia a dia.
14,5
 
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