Copo de 3: Julho 2008

25 julho 2008

Conde d´Ervideira Reserva Branco 2007

As herdades do Monte da Ribeira e da Herdadinha, pertencem à família Leal da Costa, descendente directa do Conde de Ervideira, agricultor de sucesso dos séc. XIX e XX. O Conde, que recebeu o título de D. Carlos I pela função social que a família desempenhava na região, deu início à produção de vinho em 1880 como atestam as garrafas que ainda hoje a empresa exibe, orgulhosamente, na sala de provas da actual adega.

Com 160ha de vinhedos divididos pela Vidigueira (110ha) e por Reguengos (50ha), a administração da Ervideira é assegurada por Dona Maria Isabel, a matriarca da família, e pelos seus seis filhos, sendo Duarte Leal da Costa (na foto) o director executivo.

Até meados do séc. XX a produção foi conduzida pelo avô dos actuais proprietários. O ano de 1950 marcou um interregno da produção de vinhos, tendo as terras sido arrendadas até 1974, altura em que foram expropriadas pela reforma agrária do pós 25 de Abril, voltando às mãos dos seus proprietários em 1986.
Já no ano de 1998, se obtiveram as uvas que deram origem à primeira vinificação própria sob a responsabilidade técnica do enólogo Paulo Laureano.

Conde d´Ervideira Reserva Branco 2007
Castas: 100% Antão Vaz - Estágio: passagem por barricas novas de carvalho Francês com um período de “batonnage” - 14% Vol.


Tonalidade amarelo citrino com leve nuance dourada.

Nariz de boa intensidade, desenvolvendo aromas francos à casta em grande harmonia com os derivados resultantes da passagem por barrica, onde uma ligeira tosta envolve toda a fruta, desde a nuance mais tropical com ananás, até ao toque de melão verde bem maduro e alguns citrinos. O segundo plano é complementado pela presença envolvente de um leve e aconchegante amanteigado com geleia a lembrar o doce de gila.

Boca de entrada fresca, fruta bem presente durante toda a passagem de boca, madeira bem colocada de maneira a complementar e não a ficar com todo o protagonismo. É um vinho bem harmonioso, certa untuosidade, macio, muito bom na passagem de boca, redondo e com boa presença, dá uma prova séria e bem composta, redondo e muito apelativo, com final de boca de persistência média.

É um belíssimo exemplar de Antão Vaz, marca claramente pela harmonia que consegue durante toda a prova. O preço que ronda os 8€ aliado à qualidade patente, faz deste vinho um alvo obrigatório. Com bons prognósticos de evolução para os próximos tempos.
16,5

17 julho 2008

Quinta da Gaivosa 1992

Podemos ler no site do produtor que a produção de vinhos é uma tradição familiar para Domingos Alves de Sousa: o seu pai (Edmundo Alves de Sousa) e avô Domingos Alves tinham já sido vitivinicultores do Douro. Mas Domingos Alves de Sousa (na foto com o seu filho e enólogo Tiago Alves de Sousa) abraçou a princípio um outra carreira. Tendo-se licenciado em Engenharia Civil, não resistiu porém ao duplo apelo (da terra e do sangue), e abandonou a sua actividade em 1987 para se dedicar em exclusivo à exploração das quintas que lhe couberam em herança e a outras que posteriormente adquiriu, nas quais tem vindo a executar um trabalho modelar de emparcelamento e de reestruturação das vinhas.
Claro que esta mudança radical de atitude exigia mais do que simples boa vontade e desejo de vencer: exigia formação técnica e profissional. Frequentou assim cursos de viticultura e enologia e, munido desse lastro, lançou mãos à obra na reestruturação das suas vinhas e, decidido a trilhar o seu próprio caminho de produtor-engarrafador, construiu na sua Quinta da Gaivosa a adega onde daí em diante vinificaria a produção das restantes Quintas.
As vinhas ocupam, no seu conjunto, uma área aproximada de 110 ha, distribuídos por 5 Quintas: Gaivosa, Vale da Raposa, Caldas, Estação e Aveleira. A diversidade ecológica (em termos de microclima, solo e altitude), o terroir , as especificidades de cada Quinta permitem obter vinhos de grande carácter e qualidade muito própria.
Efectuadas algumas experiências com diversas castas, seleccionou as que se revelaram mais aptas a produzir os melhores vinhos de Denominação de Origem Douro, e com elas produziu e lançou no mercado, em meados de 1992, aquele que seria o seu primeiro vinho: o Quinta do Vale da Raposa branco 1991, que desde logo cativou os apreciadores e mereceu as melhores referências. Era o início de um percurso recheado de sucessos que se arrastou até aos dias de hoje, e de que amanhã com certeza ainda iremos ouvir falar.
Tenho o prazer e a honra de ter em prova, a primeira colheita do vinho mais emblemático deste produtor, o Quinta da Gaivosa de 1992.

Quinta da Gaivosa 1992
Castas: típicas do Douro - Estágio: barricas de carvalho novo durante período mínimo de 4 meses - 12,5% Vol.

Tonalidade granada escuro de concentração média/baixa com rebordo a denotar a cor tijolo.

Nariz bastante dócil e prazenteiro, a denotar uma boa concentração de terciários (folha de tabaco seco, cacau em pó, especiarias e algum couro), bouquet com complexidade fina mas muito refinada. Nota-se a fruta (cereja) presente madura, passificada até determinado ponto, a complementar com ligeiro vegetal seco (esteva). Junta-se a tudo isto a sensação das madeiras por onde passou, com toque de móvel antigo no seu encerado/envernizado. Acaba com lembrança terrosa e boa dose de frescura.

Boca fino e muito elegante, na sua delicadeza encerra todas as maravilhas que a idade lhe soube transmitir. Passagem de boca com uma acidez ainda presente a proporcionar uma frescura mais que suficiente para nos guiar durante toda a prova. Não é muito expansivo, a fruta vê-se acompanhada de especiarias com ligeira esteva. Por vezes sente-se algum couro com travo cacau e fumo muito suave. Com 16 anos é a elegância e a harmonia que comandam toda a prova, nada sai do seu sítio, tudo mais que educado, um vinho que é um prazer de início ao fim, com boa evolução e aguentando tempo sem fim dentro do copo. Despede-se de nós com saudade, com final de persistência média.

Este vinho é uma lição de prova, um vinho que foi provado ao lado da mais recente colheita no mercado (2003), e possibilitou entre tantas outras coisas, reparar que a graduação já não é o que era, 12,5% Vol. com que se apresentou, que não é necessário as graduações que hoje encontramos nos vinhos. A evolução de estilo, e o refinamento que se vem sentindo neste vinho (marca) é notável, e é bastante interessante tentar entender como foi e como é o Quinta da Gaivosa, um dos grandes do Douro. Das 7850 garrafas produzidas, coube a esta o nº2583.
18

16 julho 2008

Vale d´Algares Branco 2006

A Viognier (Vee-on-yay), é uma casta que esteve em quase desaparecimento faz uns anos atrás, tendo vindo a recuperar devido a uma popularidade cada vez maior, junto da comunidade dos apreciadores de vinho.
Basta notar que na sua França natal, em 1960 apenas se tinham 35ha plantados, sendo que hoje em dia está espalhada um pouco por todo o mundo, e em Portugal encontramos exemplares desde a Estremadura, Ribatejo, Bairrada e Alentejo.
É a única casta utilizada nas appellations do Rhone Norte - Condrieu e Chateau-Grillet (uma das mais pequenas appellations de toda a França com menos de 10ha e apenas um proprietário).
É também utilizada em Côte Rôtie, para adicionar fragrância e amaciar e aligeirar o syrah dessa zona.
Uma casta que deve ser vindimada no pico do seu estado de maturação a fim de poder proporcionar o seu melhor aroma e sabor, caracterizado por uma boa intensidade e complexidade, com fruta madura presente a evidenciar-se (damasco, pêssego, ananás), flor de laranjeira, erva fresca, feno cortado, mel, menta, anis... Podendo o seu aroma indicar um ligeiro toque adocicado, no caso de passagem por madeira, surgem notas de cremosidade como amanteigado e baunilha e uma ponta de tosta. Na boca é elegante, baixa acidez e com boa cremosidade a quando da passagem por madeira.
É da sua tendência resultarem vinhos com níveis altos de açúcar e baixa acidez, um resultado pouco ou nada apelativo se tivermos em conta a grande dose de álcool.
Devido a estes problemas , por vezes os produtores optam por deixar um pouco de açúcar residual para esconder um pouco o alcool que se queira expressar a mais, e talvez assim se explique a dificuldade de elaborar bons varietais desta casta e o preço alto que costumam atingir.
Na maioria dos casos são vinhos para consumir a curto médio prazo.
O exemplar em prova chega do Ribatejo, fruto resultante de um dos mais recentes projectos da região, Quatro Âncoras, de onde sai este topo de gama branco de nome Vale d´Algares branco 2006.

Vale d´Algares branco 2006
Castas: 100% Viognier - Estágio: fermentação alcoólica em barricas novas de carvalho francês, dos cachos mais maduros (75% do lote) com batonnage durante 6 meses. - 14,5% Vol.

Tonalidade amarelo citrino com toque dourado de leve concentração.

Nariz de intensidade aromática média, delicado no seu todo é com fruta madura entre pêssego e toque citrino, de onde deriva também o toque floral que mostra. A passagem por madeira revela-se num conjunto delicado, com suave torrado, onde uma sensação de mel preenche o fundo de incidência mineral.

Boca de estrutura elegante, tal como toda a sua passagem de boca, cauteloso, comedido e acima de tudo muito harmonioso entre fruta/acidez/madeira. Com a fruta (mais citrino) a marcar presença ao lado de toque melado, dá ligeira doçura ao vinho, contrabalançando com a suave frescura. Um todo muito gostoso e equilibrado, de final de boca de persistência mediana.

É um vinho de complexidade muito fina, sem grandes extravagancias de aromas ou concentrações, jogando sempre pelo seguro. Certo e franco nos aromas que mostra, não foge daquilo que se pode esperar de um Viognier. O único senão será o preço um pouco alto para a qualidade apresentada, que irá rondar os 25€.
16

15 julho 2008

Dona Berta Reserva 2005

É em Freixo do Numão, Douro Superior, e na Quinta do Carrenho propriedade do Engº Hernani Verdelho, que são produzidos os vinhos Dona Berta.
É na Quinta do Carrenho que há cerca de 25 anos, este apaixonado pelo mundo do vinho se veio estabelecer, terra dos seus antepassados e onde desde muito novo assistiu à plantação do vinhedo e ao processo de vinificação, concretizando assim um velho sonho.
Conta no mercado com 3 vinhos, um extreme de Rabigato, um Reserva aqui em prova da colheita de 2005, e o topo de gama feito apenas de Vinhas Velhas. Mais recentemente irá lançar para o mercado um extreme de Sousão.

Dona Berta Reserva 2005
Castas: Tinta Roriz, Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Barroca e Tinto Cão - Estágio: 6 meses em barricas de carvalho francês e 3 meses em garrafa - 13% Vol.

Tonalidade ruby escuro de média concentração

Nariz a mostrar-se de boa intensidade, dentro do perfil a que este produtor já nos acostumou, a fruta bem madura e a evidenciar-se com qualidade, o casamento com a madeira está pleno de harmonia, onde ligeira baunilha e alguma tosta/fumo se mostram. Tudo muito acompanhado de perto por toque especiado com vegetal seco (esteva, urze) em segundo plano, invocando cariz balsâmica no final.

Boca de estrutura média, fresco no seu conjunto com acidez bem presente, mais fresco que o 2004, com o arredondamento a sentir-se durante toda a passagem de boca, derivado de uma bela ligação entre fruta e madeira. Ligeira secura vegetal, com especiado e final de boca de persistência média com recordação de ligeiro mineral em fundo.

É um vinho muito personalizado, que foge claramente de modas e onde se destaca pela elegância e harmonia do seu conjunto, capaz de proporcionar uma prova de grande qualidade. Destaca-se claramente a sua vertente altamente gastronómica, tornando este vinho um grande companheiro da mesa. Com um preço aproximado de 15€ é uma aposta mais que segura.
16,5

Arenae Malvasia 2006

Entre a Serra de Sintra e o Oceano Atlântico, a 25km a Noroeste de Lisboa, situa-se uma pequena zona vitícola muito antiga com produção a remontar ao ano de 1255, aquela que é a Região Demarcada (desde 1908) mais ocidental da Europa continental e a mais pequena região produtora de vinhos tranquilos do pais.
Colares foi ganhando fama com os seus vinhos já lá vai o tempo, a nomeada dos vinhos de Colares foi reforçada quando da violenta invasão da filoxera, que em 1865 iniciou a devastação de uma grande parte das regiões vinícolas de Portugal, não haver atacado as vinhas de Colares, para o que muito contribuíram as condições dos seus terrenos arenosos, em que o daninho insecto não conseguiu penetrar.
No entanto, sabe-se que quando, em 1255, D. Afonso III fez a doação do Reguengo de Colares a Pedro Miguel e a sua mulher Maria Estêvão os obrigou a plantar as videiras que ele mandara vir de França. Vê-se, assim, que desde o século XIII, o vinho de Colares tem carta de nobreza, sendo levado frequentemente às mesas reais.
O exemplar em prova é produzido pela Adega Regional de Colares que foi fundada em 1931, reunindo mais de 50% da produção da região e mais de 90% dos produtores da mesma, merecendo a sua adega uma visita atenta e os seus vinhos uma prova dedicada, pois fazem parte de um património que não se pode nem deve esquecer, os Vinhos de Colares.

Arenae Malvasia 2006
Castas: Malvasia de Colares - Estágio: breve estágio em madeiras exóticas - 11,5% Vol.

Tonalidade amarelo dourado de recorte esverdeado.

Nariz de intensidade média, airoso e fresco, com fruta madura de boa percepção onde o tropical se junta com toque de citrinos e maçã. Conjuga a fruta com ligeiro torrado derivado da madeira, em mistura com floral suave de flor de limoeiro, e um toque de mel à mistura. Tem sensação de iodo, o mesmo aroma que encontramos nas algas do mar, tudo isto em complexidade média.

Boca de entrada fresca e estruturada, corpo presente dentro do limite imposto pela sua graduação, mesmo assim o vinho comporta-se muito bem durante a passagem de boca, integro com toque de fruta (citrinos), mineral e um toque a pirolito oceânico, que colmata o final de boca de boa frescura e persistência.

Aposta mais na delicadeza e aprumo de aromas, sem as grandes exuberâncias encontradas noutras paragens, aqui temos um vinho de personalidade muito própria onde quem fala será o terroir que lhe deu origem. Um branco diferente que vale a pena conhecer, pois as modas aqui passam ao lado. O preço ronda os 8-9€ para as cerca de 4500 garrafas produzidas. Uma nota para a graduação deste vinho, quando nos dias que correm já encontramos brancos com 14% Vol. e até mais, este Malvasia tem apenas e só 11,5% Vol.
15,5

14 julho 2008

Arenae Ramisco 2002

Entre a Serra de Sintra e o Oceano Atlântico, a 25km a Noroeste de Lisboa, situa-se uma pequena zona vitícola muito antiga com produção a remontar ao ano de 1255, aquela que é a Região Demarcada (desde 1908) mais ocidental da Europa continental e a mais pequena região produtora de vinhos tranquilos do pais.
Colares foi ganhando fama com os seus vinhos já lá vai o tempo, a nomeada dos vinhos de Colares foi reforçada quando da violenta invasão da filoxera, que em 1865 iniciou a devastação de uma grande parte das regiões vinícolas de Portugal, não haver atacado as vinhas de Colares, para o que muito contribuíram as condições dos seus terrenos arenosos, em que o daninho insecto não conseguiu penetrar.
No entanto, sabe-se que quando, em 1255, D. Afonso III fez a doação do Reguengo de Colares a Pedro Miguel e a sua mulher Maria Estêvão os obrigou a plantar as videiras que ele mandara vir de França. Vê-se, assim, que desde o século XIII, o vinho de Colares tem carta de nobreza, sendo levado frequentemente às mesas reais.
O exemplar em prova é produzido pela Adega Regional de Colares que foi fundada em 1931, reunindo mais de 50% da produção da região e mais de 90% dos produtores da mesma, merecendo a sua adega uma visita atenta e os seus vinhos uma prova dedicada, pois fazem parte de um património que não se pode nem deve esquecer, os Vinhos de Colares.

Arenae Colares Ramisco 2002
Casta: Ramisco - Estágio: 4 anos, passando primeiro por barricas de carvalho, seguindo-se grandes tonéis de madeiras exóticas e por fim estágio em garrafa. - 12,5% Vol.

Tonalidade ruby escuro de mediana intensidade.

Nariz com aroma de média intensidade, mostra-se com frescura presente com fruta vermelha bem madura, na delicadeza do conjunto surge notas de madeira (móvel antigo) e aroma a lembrar resina, com ligeiro vegetal a recordar mato rasteiro. Em todo este bouquet um ligeiro toque de frutos secos surge como de segundo plano, revivem-se os pinhões acabados de tirar da casca. Tudo muito bem composto com complexidade muito fina e delicada, em final que relembra um toque de iodo.

Boca com entrada fresca e de estrutura mediana, perfilado como um vinho elegante e polido, onde a frescura se coloca a par de uma delicadeza muito própria. Com a fruta vermelha presente em tom maduro é acompanhada de ligeiro vegetal a recordar um toque resinoso. O toque da madeira mostra-se presente no intuito de um arredondamento, sem nunca deixar de lado a ligeira secura vegetal com toque de fumo, que se funde em final mineral.

Como nota de conclusão, gostaria de renovar aquilo que disse quando provei a edição de 2000 deste vinho, um perfil que não se prova todos os dias, uma belíssima lição para quem o prova, um vinho que precisa de uma abertura de mentalidade para encontrar um perfil fora de moda, um perfil diferente e que corremos o risco de poder voltar a encontrar, este mostra que tem algo apenas seu, talvez seja o tempo e a tipicidade que lhe corre na alma, muito agradável e delicado, difícil não gostar, uma finesse e um bouquet diferentes.
Quantos vinhos de Ramisco já conhece ? Então que espera...
16

09 julho 2008

Azamor Petit Verdot 2005

A casta Petit Verdot teve a sua origem na margem esquerda do rio Garonne, no Sudoeste de França e já vem mencionada em documentos datados do séc. XVIII, sendo uma das 6 variedades aprovados para a elaboração de vinho na região de Bordéus.
Em Portugal os vinhos extreme de Petit Verdot contam-se pelos dedos de uma mão, a lembrar uma referência proveniente das Beiras, outra do Ribatejo e uma no Alentejo.
Já aqui se tinha dado merecido destaque ao aparecimento no Alentejo, do produtor dos vinhos Azamor, onde na primeira colheita (2004) despontou um Petit Verdot de bela estirpe.
Recentemente foram lançados para o mercado as novidades deste produtor alentejano, onde consta a nova colheita do extreme de Petit Verdot, desta vez da colheita de 2005.

Azamor Petit Verdot 2005
Castas: 100% Petit Verdot - Estágio: 12 meses barricas novas carvalho francês - 14,5% Vol.

Tonalidade ruby escuro de concentração alta.

Nariz a despontar com boa intensidade do seu conjunto, sente-se um vinho de corpo compacto, coeso e de ligeira austeridade química mal entra no copo. De imediato surgem notas de fruto negro (cereja) bem maduro, mergulhado em brisa fresca com geleia pelo meio, e algum vegetal seco a recordar um ramo de ervas de cheiro. O equilíbrio e complexidade são fornecidos pela passagem em madeira, resultante um belo bouquet onde as especiarias (pimenta verde), tosta muito suave, caramelo, marcam a sua presença sem nunca desafinarem. Harmonioso no seu todo, acaba em fundo mineral com algum balsâmico.

Boca com entrada bem estruturada, corpo médio com presença de fruta madura com compota e uma bela acidez que dá uma bela frescura ao vinho. Tudo muito bem delineado, principio, meio e fim, marcando posição os torrados, canela e alguns taninos ainda por domar. Evidenciando um equilíbrio e harmonia bem patentes, apresenta ligeira austeridade que se resolve com mais algum tempo de guarda. Mostra novamente um lado mineral em fundo com prolongamento balsâmico, em persistência média/alta.

É um vinho com mais corpo e estrutura que a versão de 2004, apesar da ligeira austeridade que apresenta, é um vinho que dá uma belíssima prova. Tem grande elegância no seu todo, para beber agora ou daqui a uns anos. Fazendo um pequeno reparo em questão à nota atribuida ,fica meio valor abaixo da versão 2004, apenas e só porque considerei o vinho de 2004 mais sensual e capaz de despertar mais e melhores emoções, enquanto este 2005 se notou um vinho mais sério e ainda um pouco contido, o que não implica que em futura prova a nota a atribuir venha a ser outra.
16,5

Arzuaga Crianza 2001

Fundada nos inícios dos anos 90 pela família Arzuaga-Navarro, a Bodega que leva o nome da família é um exemplo de dedicação e paixão pela terra e pelo vinho.
Florentino Arzuaga gosta dos horizontes de Castilla, e foi aí que decidiu comprar uma quinta que pela sua dimensão, tem horizonte próprio, dando possibilidades para que tanto a natureza como os animais vivessem livres.
A vinha e o vinho viriam a surgir pouco depois da compra da quinta, seria um vinho ao gosto do seu mentor, com esqueleto mas elegante, redondo e complexo ao mesmo tempo. Seria desta maneira que apareciam no mercado os vinhos das Bodegas Arzuaga Navarro, em pleno coração da Ribera del Duero.
O vinho em prova é o Arzuaga Crianza da colheita de 2001, salientar que Crianza indica que o vinho teve estágio em madeira de pelo menos 12 meses, e que se comercializou depois do dia 1 de Outubro do segundo ano após a vindima.
A colheita em causa é de 2001, ano classificado como Excelente e onde a qualidade supera a quantidade, o que levou de certo modo a que a produção fosse um pouco menor que em outros anos. Mesmo assim foram engarrafadas cerca de 400.000 garrafas, um número impressionante comparado por exemplo com a grande maioria dos produtores em Portugal neste segmento.

Arzuaga Crianza 2001
Castas: Tinto Fino 90% Cabernet Sauvignon 8% Merlot 2% - Estágio: 14 meses barricas de carvalho francês e americano - 13,5% Vol.

Tonalidade ruby escuro com concentração média/alta.

Nariz com fruta madura de qualidade, presente na vertente negra (cereja e groselha) em sintonia com a barrica, um ponto assente e causador de imediata empatia. O bouquet desenrola-se para as especiarias com toque de cravinho e canela, e a baunilha a dizer que também gosta de aparecer de vez em quando, discreta mas presente. Em fundo surge um ligeiro toque que faz lembrar amêndoa torrada, juntamente com herbáceo, dando a sensação de alguma secura, que complementa com os aromas a café torrado. Delicado na sua complexidade, é um vinho muito elegante e fora de modas, sério, nada vacilante e com uma boa evolução no copo durante toda a sua prova.

Boca de entrada bem estruturada e de corpo médio, boa espacialidade, sereno sem causar grandes alaridos, entra e ocupa calmamente o seu lugar, dando lugar a uma fruta bem presente, novamente a baunilha com a especiaria a dizerem presentes, num fundo que remete para uma suave amêndoa torrada. Em grande momento de consumo, arredondado nos taninos macios e bem domados, tem uma frescura na medida certa, toda a sua envolvência na boca permitem desfrutar durante largo período de tempo, com final de persistência média.

É daqueles vinhos que é sempre uma aposta segura no que toca aos vinhos Crianza da Ribera del Duero, com a vantagem de uma evolução positiva em garrafa mais que assegurada. O seu preço anda na casa dos 15€ o que o coloca como uma belíssima compra.
16,5

06 julho 2008

Independent Winegrowers' Association - Prova de Vinhos

A Independent Winegrowers' Association (IWA) realizou no passado dia 2 de Julho, no Hotel Ritz Four Seasons, a primeira prova de vinhos para a imprensa realizada em Portugal.
O projecto nasceu pela necessidade imperiosa de criar agrupamentos de empresas do sector vitivinícola que assegurem de forma mais eficaz a promoção conjunta dos seus produtos.
O alto standard de qualidade, a elevada consciência ambiental, uma produção totalmente vertical, reuniu na mesma iniciativa as empresas Casa de Cello, Domingos Alves de Sousa, Luís Pato, Quinta do Ameal, Quinta da Covela, e Quinta dos Roques. Trata-se de um Special Interest Group onde os membros participam em acções conjuntas mantendo a sua autonomia empresarial ou comercial.
Sobre uma rede de relações de cooperação e interacção activa, visa-se promover o desenvolvimento de um agrupamento de viticultores independentes de qualidade, capaz de realizar acções de mbarketing no mercado nacional e internacional, com intervenção nos Estados Unidos, Inglaterra, Brasil, França, Alemanha e novos países da U.E.
Para o efeito, exige-se a organização de uma plataforma promocional e a definição e execução de acções no âmbito da comunicação de marketing: imagem institucional, relações públicas, relações internacionais, gestão de participação em ferias e show-rooms, gestão de eventos, etc.
A ligação dos vinhos a eventos culturais, um portal na Internet, visitas especiais de jornalistas, apresentação do conceito de Winegrowers às empresas e associação a programas de operadores de viagens ou escolas hoteleiras e de escanções, integrarão as principais actividades promocionais do grupo que pretende vir a intensificar as relações de cooperação à medida das suas oportunidades.
Foi acima de tudo uma apresentação das mais recentes colheitas dos respectivos produtores, com algumas curiosidades pelo meio.
Deixo umas breves notas de alguns dos vinhos provados neste fantástico final de tarde, sendo que alguns deles serão alvo de prova mais atenta no Copo de 3.

Casa de Cello

Quinta de Sanjoanne Espumante Reserva 2002
Lote de Arinto com Avesso, bolha fina e de boa persistência, o aroma de boa complexidade, ligeiro toque de frutos secos, vegetal, mineral em fundo com citrinos, com indicações de alguma oxidação. Boca de boa persistência com corpo consistente e muito equilibrado onde a fruta se destaca, sempre com delicada sensação de cremosidade e bela acidez.

Quinta da Vegia 2005
As mesmas duas castas do Reserva mas onde se dá lugar de destaque ao explendor da fruta que jorra por todo o lado ao lado de notas florais que ajudam a perfumar o copo. Um vinho com a sua dose de complexidade mas sempre fresco e sensual.

Quinta da Vegia Reserva 2005
Um vinho pleno de harmonia entre factores, não consegue esconder os seus encantos, conjuga madeiras e fruta de uma forma muito própria, com a volúpia das notas florais da Touriga Nacional que predomina no lote, sempre guiado com frescura bem por perto. Um Dão muito apetecível, a mostrar pela prova de boca que tem matéria para evoluir nobremente em garrafa.

Alves de Sousa

Branco da Gaivosa Reserva 2006
É o novo branco deste produtor, um pouco tímido de aromas, por entre esteva e anis, relva cortada e o toque de caroço de pêssego, alia uma mineralidade que se comporta lindamente com as leves nota derivadas da madeira por onde passou. Comportamento em boca à altura da prova de nariz.

Alves Sousa Reserva Pessoal Branco 2004
É a nova colheita deste peculiar vinho, que me conquistou desde a sua primeira colheita em 2001, ainda falta tempo para sair para o mercado (final do ano), aparece menos glicérico e gordo do que nos acostumou, está bem mais fresco e leve na sua estrutura mas sem perder o carácter e cunho que o liga aos seus antecessores.

Quinta da Gaivosa 2003
Um clássico do Douro que vê agora uma ligeira mudança no seu perfil, onde antes as uvas eram transformadas em conjunto, agora são separadas por lotes permitindo assim refinar e optimizar a qualidade do produto final. Mineral deambulante por entre a fruta madura e empireumáticos que deambulam em grande harmonia e complexidade. Boca ampla e composta, com ajustamento à prova de nariz. Um vinho com alma Douro.

Vinha do Lordelo 2005
Um vinho mais pujante que o Quinta da Gaivosa, madeira mais presente e um conjunto a precisar de dormir por algum tempo. Sente-se um vinho com mais força e mais pujança, onde tudo é mais concentrado mas sempre com aquela frescura e equilíbrio necessário a um bom desempenho.

Luís Pato


Espumante Touriga Nacional (2007) e Espumante Baga (2007)
Em animada conversa com Luís Pato, foi explicado todo o conceito por detrás destes Espumantes onde até com graça se denominou como o Anti-Champagne, com destaque para a novidade do Touriga Nacional, franco à casta de que é feito, convida a beber e a refrescar nos tempos mais quentes de Verão. Foi dito que no final do ano será lançada uma caixa com as 3 versões (Maria Gomes, Baga e Touriga Nacional)

Vinhas Velhas tinto 2007
Já conheci estes vinhos com outra roupagem, passado tanto tempo afastado resolvi chegar-me a eles, é a Baga a dar muita fruta madura, bagas silvestres, toque químico associado a especiaria e fumo, com alguma austeridade patente durante a prova de nariz e boca. Precisa de tempo e comida por perto.

Vinhas Velhas branco 2007
Tem a frescura da fruta com toque herbáceo harmonioso e em fundo o leve aconchego do tostado da madeira, na boca estruturado e muito apetecível, com frescura presente.

Vinha Formal 2007
Extreme da casta Bical, muito boa intensidade no seu aroma com toque vegetal acente num fundo mineral com ligeiro fósforo, por momentos deambula ligeira fruta branca (pêra e maçã). A madeira quase não se dá por ela, numa prova de boca onde a frescura e o comprimento de prova são pontos fortes.

Quinta do Ribeirinho Pé Franco 2005
De enorme complexidade, madeiras bem finas com vegetal seco, fumado fino, terroso, especiado, tem um ligeiro perfume que percorre o final, ligado a um caramelo fundido muito suave. É daqueles vinhos que respira a região que o viu nascer, recorda outros tempos e outras memórias. De evolução nobre durante toda a prova, finesse na boca, frescura muito sentida e assente em laje de pedra fria e húmida. Prova de boca complementa a prova de nariz na sua plenitude. Um grande vinho com muito muito tempo pela frente.

Quinta do Ameal

Quinta do Ameal 2007
Um 100% Loureiro, grande frescura de aromas com claro domínio para as notas vegetais com louro em destaque, erva molhada, hortelã e fruta ligeira (tangerina e anona com uma incursão no campo do tropical) em fundo mineral. Boca plena de frescura, num conjunto jovem e cheio de vivacidade.

Quinta do Ameal Escolha 2007
Já com direito a passagem por madeira, este vinho alia a complexidade e arredondamento proporcionado pela madeira com a joviolidade e frescura da casta Loureiro. A beber agora ou a guardar sem receios.

Quinta do Ameal 2001
Em prova uma curiosidade, e que curiosidade. Dotado de uma belíssima complexidade, a panóplina de aromas foi mais que conquistadora. Um vinho profundo, fresco, a mostrar uma bela nuance petrolada aliada a fruta madura e ligeira calda. Fantástico Ameal 2001.

Espumante Quinta do Ameal 2002
Uma brincadeira muito séria que poderá vir a ver a luz do dia, um espumante com corpo suficiente para acompanhar um bom peixe no forno. Sempre muito equilibrado e sério, boa intensidade ao nível de nariz e boca, num todo que faz deste Espumante algo a ter em vista quando sair para o mercado. Pena que são apenas e só 2000 garrafas.

Como extra ainda surgiu um vinho de sobremesa que fez as delícias de todos, com um belo equilíbrio entre acidez e açúcar permitindo uma prova bastante agradável.

Quinta da Covela

Covela Escolha branco 2006
Lote de Avesso, Chardonnay e Gewuerztraminer que resulta como seria de esperar num resultado muito curioso e bastante satisfatório. O ataque inicial de cariz tropical, junta-se a um leve vegetal com toques florais. A mineralidade é ponto assente no final. Complementa-se na boca, com ligeira sensação doce ao início acabando com secura no final. Pela sua personalidade bem vincada, um vinho a descobrir.

Covela Colheita Seleccionada 2005
Muda o lote para a dupla Avesso e Chardonnay, nota-se a barrica por onde se refugiou, resultante um vinho fresco com leve mineral, aliando o vegetal do avesso e a fruta da chardonnay. Aquela sensaçao de cremosidade da Chardonnay aliada à boa dose de acidez ainda presente, em final de boca com sensações de tosta muito agradável.

Quinta dos Roques

Quinta das Maias Jaen 2006
Fechado e incisivo, a dar uma prova cheia de força que parece não querer arredar pé da forma bruta como se apresenta. Os taninos ainda marcam e bem a sua presença, deixa secura na passagem de boca. Será vinho para guarda certamente.

Quinta dos Roques Touriga Nacional 2005
Um vinho que tem dado muito que falar, por azar encontra-se neste momento fechado e sisudo, pouco comunicativo para aquilo que se sabe e conhece da casta Touriga Nacional. Abrir agora pode ser motivo de desilusão e o vinho não merece.

Flor das Maias 2005
Novidade que já dá muito que falar, não se consegue ficar indiferente a este vinho. Cativante pelo nariz e conquistador pela boca, a frescura está sempre presente em grande sintonia com os toques dados pela madeira. É um autêntico mimo.

Deixo uma nota de agradecimento à IWA pelo convite endereçado, com votos de igual sucesso em futuras iniciativas. É um enorme prazer o poder privar com os produtores, discutir pontos de vista e abordar ideias, o permitir entender melhor o que encerra este ou aquele vinho com o homem que o idealizou é o maior prazer de todos.
 
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