Copo de 3: De Puta Madre 2005

03 Novembro 2009

De Puta Madre 2005

A Bodega Jacques & François Lurton, situada na região de Toro y Rueda (Espanha), é propriedade dos dos filhos, Jacques e François, de André Lurton (Châteaux Bonnet, La Louvière, Dauzac...). São a quinta geração de uma das famílias com mais renome da viticultura de Bordéus, e que nos últimos 20 anos tem percorrido muitos quilómetros por todo o mundo em busca de novos desafios. Foi assim que da mão destes dois "flying winemakers" surge um vinho de mesa, da zona de Castilla y Léon, de nome bastante peculiar: De Puta Madre.
O nome peculiar com que foi baptizado este vinho, mais não é que uma expressão utilizada em Espanha para mostrar enorme agrado sobre algo. Neste caso foi a expressão utilizada pelos enólogos quando provaram uma barrica "esquecida" de verdejo em plena adega. Um vinho aromático e refrescante, com 20 g/l de açúcar, cujo objectivo é fazer ressurgir um tipo de vinho tradicional de Rueda (Castilla). É um colheita tardia, sem botrytis, fermenta em barrica a baixa temperatura e estagia posteriormente em barrica "sur lie" durante 24 meses.

J&F Lurton De Puta Madre 2005
Castas: 100% Verdejo - Estágio: 24 meses em barricas - 15,5% Vol.


Tonalidade amarelo latão, com toque esverdeado.

Nariz claramente fora do normal, é um aroma que de imediato nos leva a pensar em amendoim torrado, ao qual se juntam frutas cristalizadas e ligeira fruta em calda (pêssego), arranjo floral com gengibre fresco, especiaria e uma boa dose de frescura que contrabalança todo o conjunto.

Boca a revelar um vinho de travo doce, mas com uma acidez presente que lhe confere uma boa frescura durante toda a passagem de boca, evita cair em algum possível enjoo. De perfil redondo e com sensação de untuosidade, espacialidade média, com toques de gengibre, frutos secos, fruta em calda e cristalizada... tudo em harmonia, com final de boa persistência.

É um vinho cheio de carácter e personalidade, nunca tinha provado nada semelhante, se é que existe. A destacar a maneira como se entrelaçam açúcar/acidez, a fruta ainda fresca mas com boa parte já em calda, um vinho quase com duas caras, direi mesmo que parecem duas almas presas no mesmo co(r)po. Deu mostras de uma boa evolução, não se importa muito com a subida de temperatura e consegue aguentar-se muito bem durante todo o final da refeição. O preço varia bastante, pode ser aqui encontrado por quase 39€. 16,5 - 91 pts

3 comentários:

Miguel Pereira disse...

fiquei muito curioso em relação a este vinho. Mas é carote.

Abílio Neto disse...

JP, muito boa nota crítica.

Miguel, o preço varia muito, há muita especulação à volta dele... porque é bom e porque criou hype!, eu comprei as minhas garrafas na casa dos € 15,00,se bem me lembro. Mas já as vi ao preço marcado pelo JP.

Abr.,

An

Anónimo disse...

Para nomes invulgares de vinhos espanhóis, vejam este interessante Ribera del Duero:

www.arrotos.es

 
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