Copo de 3: Portalegre 1996

25 novembro 2009

Portalegre 1996

Num daqueles momentos de limpeza da garrafeira dou com vinhos que não provava faz algum tempo, vinhos que foram deixados a dormir e que a azafama de provar o que vai saindo no mercado, faz com que me vá "esquecendo" de algumas garrafas. Por um lado isto permite que alguns vinhos afinem o que têm a afinar, mas por outro lado, o tempo que damos a mais pode ser demasiado.
Desta vez virei-me para a Serra de São Mamede (Portalegre), mais propriamente para a Adega Cooperativa de Portalegre, bem famosa pelo seu Portalegre tinto, que tantas alegrias deu e tem dado (agora um pouco menos).
Não deixa de ser estranho que uma Cooperativa que não faz muito tempo, comemorou o seu Cinquentenário, os vinhos mais falados e elogiados são os da década de 90, sendo o primeiro que me lembro ter bebido o de 1990. Ora antes disso já tínhamos no mercado vinhos desta Cooperativa, já tínhamos o Portalegre tinto que ostentava o nome Reserva em garrafa Borgonhesa, e que era consistente nos prémios que ia recebendo. Onde andam ? Quem provou ? Será que não há nenhum exemplar anterior a 1990 que seja digno representante do que de melhor se faz na zona de Portalegre ?
Enquanto procuro respostas a todas estas questões, partilho a nota de prova do Portalegre 1996, um ano menos bom para a Cooperativa que tinha ganho a Talha de Ouro em 1995 e repetiria em 1997.

Portalegre 1996
Castas: Aragonês, Grand Noir, Periquita e Trincadeira - Estágio: n/d - 13% Vol.

Tonalidade a dar sinais da passagem do tempo, ruby escuro com rebordo atijolado.

Nariz marcado por alguns aromas terciários, com a fruta (ameixa, framboesa) a mostrar-se com alguma frescura e harmonia com o restante conjunto. Toques de compota fresca, esteva, leve bálsamo vegetal, especiaria, folha tabaco, e aroma que recorda móvel antigo, com fundo a mostrar leve terroso.

Boca de entrada fresca com harmonia e frescura, em corpo mediano, mostrando alguma delicadeza no trato. A fruta mostra ainda algum vigor, o suficiente para não lhe apagar a chama. Envolvente, complementa a prova de nariz, sedoso e pronto a ser consumido, em final de boca de média persistência.

Em boa hora me chegou ao copo, mostrando-se numa forma bem satisfatória, embora longe da performance que o 95 ou 97 mostram por esta altura. É um vinho onde se faz notar a passagem do tempo, mais calmo, mais sereno, com a plaina temporal a afagar aromas e sabores, perdendo volume e vigor, ficando inevitavelmente mais "liso". Ainda se pode encontrar à venda, e a última vez que o vi custava cerca de 14€. Foram engarrafadas 22.948 garrafas das quais esta é a 04915.
16 - 90 pts

3 comentários:

Wes N. disse...

Nossa!! Hahah!

Uma das coisas da qual admiro no povo português é a habilidade de fazer vinhos...

Para se ter ideia, aqui no Brasil, de vez em quando um vinho considerado ruim de vocês chega a ser melhor que um "bom" nosso. =D..

- Acho que por isso mesmo vou dar uma acompanhada no seu blog para ver se eu aprendo um pouquinho dessa arte... hahaha!!

Até Mais
Wes N.

http://travelerpassport.blogspot.com/

Anónimo disse...

Agora o Sr.João dedica-se especialmente em malhar nos vinhos do Douro com mais de 10anos.
Querem ver que já se esqueceu de que as pessoas consultam blogs para se tentarem aconselhar nas suas compras?
Lamentavel!

Copo de 3 disse...

Só tenho é pena que quando aqui coloquei a nota de prova do Quinta do Crasto 1999 e o considerei como Muito Bom vinho, o anónimo não se tenha manifestado. É pena, e isso sim acho lamentável, tal como o colocar aqui um comentário que nada acrescenta a quem aqui vem consultar.

Desde o início sempre escolhi apresentar tanto novidades como vinhos com algum tempo de garrafeira, dessa forma quem visita pode encontrar um pouco de tudo. Será isto lamentável ?

 
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