Copo de 3: Desnível 2007

18 outubro 2010

Desnível 2007

Um projecto jovem de dois jovens durienses (Luís Pinto dos Santos e João Lopes Pinto) com um sonho em comum, produzir "vinhos de qualidade, com apelo aos terroirs em que nasceram". Começaram em 2007, um bom ano no douro, por fazer uma pequena brincadeira, juntaram uvas de duas quintas, a vinha do Poralqueire com cerca de 30 anos, situada no Vale da Teja - Vila Nova de Foz Côa (Douro Superior) com grande predominância da casta Touriga Franca, com as de uma vinha com mais de 80 anos, situada na Quinta do Vale do Barco, em Tabuaço (Cima-Corgo). Foi produzido na Quinta da Covada, em Tabuaço, com pisa a pé e estagiado, uma parte, em barricas de carvalho francês e outra em inox. Chegada a fase de escolher o nome e, após muitas tentativas falhadas ora porque já existia uma marca com esse nome, ora porque não conseguiam imaginar como seria o rótulo, etc etc... eis que com a ajuda do "Copo de 3" que deu uma sugestão que agradou imenso: "desnível"! Tem tudo a ver com este caso: 2 vinhas, uma a 350m de altitude, em encosta no Douro Superior e outra a 500m, em socalcos ancestrais no Cima-Corgo. Dito pelos responsáveis pelo Desnível, é um vinho focado no fruto vermelho amplo e expressivo, ganhando complexidade com a leve sensação de tosta, especiaria e bosque, que com a evolução será o suporte de um carácter fresco que caracteriza as duas vinhas. De perfil algo tânico, pede entre 8 meses a um ano de paciência para ser apreciado de modo mais harmonioso. São 2.000 garrafas que ficaram durante 2 dias ao alto, para que a rolha expanda e se adapte ao gargalo, sendo depois deitadas num sítio fresco, moderadamente húmido e sem luz solar. Após o término da vindima de '09 foi iniciada a sua comercialização. O PVP aconselhado ronda os 8 €.


Desnível 2007
Castas: Rufete, Tinta Amarela, Touriga Franca e Touriga Nacional - Estágio: Barrica e Inox - 14% Vol.

Tonalidade granada escuro de média concentração

Nariz de boa intensidade, marcado pela fruta limpa e madura em ligação com mato rasteiro, esteva com algum floral ligeiro. Delicada complexidade por vontade do estágio que levou e leva, a barrica porta-se bem, punhado de especiarias, tosta e chocolate preto, em fundo com boa frescura. Parece precisar de mais um tempo, para tudo se arrumar de vez.

Boca com boa amplitude, sente-se fruta, sente-se frescura num conjunto que apesar de algum polimento que o torna desde já bastante agradável pela estrutura que tem mesmo não sendo muito ríspida é a suficiente para o vinho se aguentar com pratos mais temperados, tendo algum arrasto com secura vegetal no final de boca com boa persistência patrocinado por taninos rebeldes ainda por acomodar.

Como "padrinho" deste vinho, tive o prazer de o provar muito antes de sair para o mercado e já me tinha agradado, voltei novamente a ele agora já disponível e melhorou em relação ao que já conhecia. É um vinho do Douro, tem lá aquela marca que os caracteriza, não se confunde ou faz-se confundir com novas tendências... esperando eu por ver como será a sua evolução em garrafa, pois tem acidez e taninos para isso. Como sinto que fiz parte nem que seja um bocadinho deste projecto, dar o nome é sempre algo importante, opto por não atribuir qualquer nota a este vinho.

5 comentários:

Miguel Pereira disse...

Agora fiquei curioso...

João Lopes Pinto disse...

É verdade João. És, de facto, o padrinho deste vinho!
O Desnível é um projecto de garagem, que busca rusticidade e carácter, sem modernismos ou excessos (de maturação e/ou extração).
Podem ler mais sobre o vinho, bem como os nossos contactos, no nosso blog.
www.desniveldouro.blogspot.com

Saudações

Joli disse...

Trouxe duas garrafas deste vinho, e deste ano, duma recente ida ao Douro.
Um vinho que não conheço, mas que me foi vivamente aconselhado.

João Lopes Pinto disse...

Caro "Joli",
muito obrigado por ter adquirido o Desnível. Penso que sei em que garrafeira foi.
Então e o que achou do vinho?

cumprimentos

Joli disse...

Provei-o na quarta-feira passada e gostei. Achei que a fruta madura sobrepõe-se um pouco, mas eu tenho um problema com a fruta madura por isso... gostei dos taninos e da acidez que prometem moldar o conjunto no futuro. Vou guardar a outra em cave mais um aninho para ver o que dá. Para o preço achei muito bem.
Namorou com um paio do cachaço e entre os convivas ninguém se queixou. Queixas mesmo dessa noite, só os três tiros dos snipers israelitas :)

Cumprimentos,
Jorge Nunes

 
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