Copo de 3: Taylor´s Scion

29 outubro 2010

Taylor´s Scion

Corria o ano de 1885, o Imperador Napoleão III pedia um sistema que classificasse os melhores vinhos de Bordéus a serem expostos durante e Exposição Universal de Paris, deste pedido iria nascer a famosa Classificação Oficial de Bordéus de 1855... milhares de quilómetros ao sul, no Douro pré-filoxérico era produzido um tawny ali bem perto da Régua, mais propriamente nas caves de uma família ligada ao Douro, em Prezegueda. Passados 155 anos, com duas Guerras Mundiais pelo meio, é no ano de 2008 que David Guimaraens, enólogo da Taylor’s "encontrou" e provou esta relíquia de família que tinha vindo a passar de geração em geração. Um vinho tão bom que das 3 barricas uma teria sido vendida a Winston Churchill, e que após 155 anos de envelhecimento em barrica, se mostrou em perfeitas condições e com uma "complexidade mágica".
A história completa-se quando em 2009 a Taylor´s compra as duas barricas restantes, e segundo palavras de Adrian Bridge: “A Taylor’s reconheceu de imediato a qualidade absolutamente notável deste vinho e a sua importância histórica pelo que decidiu não o lotar, mas lançá-lo como um vinho de colecção,” pelo que apenas 1.400 garrafas de Scion estarão disponíveis para venda,cada uma delas rondará os 2500 euros, num conjunto luxuoso onde todos os detalhes foram tidos em conta, até uma caixa de madeira que imita os estojos utilizados no século XIX.

“Scion may be one of the last great representatives of a lost viticultural era, the Douro vineyards in pre-Phylloxera days were ungrafted and a different mix of varieties planted from those used today. This Port represents a rare piece of history and is an exciting and very unique offer for consumers.”, Adrian Bridge, Taylor´s Chief Executive Officer

O poder privar com um vinho desta natureza torna-se um momento inesquecível na vida de qualquer enófilo, é algo que nos faz sentir pequeninos, um momento que dificilmente se repetirá tal a raridade do vinho e do acontecimento... ali foi provado, honrado e brindado à memória de todos aqueles que o fizeram, guardaram e trouxeram até nós.

PS: A palavra Scion tem dois significados: o descendente ou herdeiro de uma família nobre e garfo de uma planta, especialmente utilizado para a enxertia.

Taylor´s Scion: Na garrafa é escuro como o breu, largado  no copo recorda caramelo, âmbar, com o primeiro impacto no nariz é colossal e arrebatador... tudo pára à nossa volta como se fosse uma máquina do tempo, e que tempo. Tudo o que é bom de encontrar mora ali, tal é a concentração e complexidade, apesar da delicadeza e finura com que tudo se mostra neste vinho que parece que vamos sendo acompanhados por várias camadas de aromas e de sabores, a cada página... perdão, a cada vez que o levamos ao nariz ou à boca é como se algo novo se fosse juntando ao conjunto já de si bastante complexo e profundo. Sente-se muita frescura no aroma com toques de melaço e fruta cristalizada misturada, café, especiarias diversas, tabaco enrolado na forma de charuto, conjunto com tudo muito limpo bem definido, quase como um mostruário de ourives. Boca com enorme frescura, um corpo na medida certa, o vinho parece que não acaba de se despedir, perdura e perdura, tudo o que encontramos no nariz é transferido de maneira subtil para o palato, sempre guiado por uma acidez excepcional, num vinho em que não consegui dizer que lhe falta mais disto ou daquilo, ou que peca no fim de boca, nada... será isto o vinho perfeito ? 20 - 100 pts

3 comentários:

Joel de Sousa Carvalho disse...

grande grande grande post. João, foi uma grande prova, com excelente companhia.

Abraço

Abílio Neto disse...

Caro,

Excelente post. Até eu bebi o vinho, nem falo no que percebi dele...!

Abr.,

An

Anónimo disse...

Hoje soube que foi vendido um bordéus de 1947 por 220.000€, claro está a um colecionador.

Não seram estes preços ridiculos?

 
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