Copo de 3: Maio 2013

30 maio 2013

Marquês de Borba branco 2012


Os brancos (dos que tenho vindo a provar ultimamente) de 2012 estão apelativos, vivaços e frescos, a fruta  mostra-se bem limpa e acompanhada por muita coisa boa a saltar ao nariz e boca. São essencialmente brancos equilibrados, com nervo que dá aquela boa dose de consistência e estabilidade durante a prova. Outra mais valia que tenho encontrado é a graduação, quase sempre a bater nos 12,5% Vol. ou muito perto, afinal é possível digo eu. O Marquês de Borba produzido em Estremoz por João Portugal Ramos, é uma referência das mesas Lusitanas com um o preço que ronda os 5€. Resultante de um lote de Arinto, Antão Vaz, Verdelho e Viognier, este 2012 é um salto em frente em relação à colheita anterior. O vinho está mais detalhado, mais bonito dando uma prova fresca, com boa fruta mostrando-se equilibrado no seu todo, grande amigo de peixe grelhado. 89 pts

Fonte da Serrana branco 2012


Agora na sua nova fatiota vem impregnado de cheiros frescos e limpos, bastante alegre e num perfil Primaveril bem descontraído a chamar pela esplanada e pelo convívio de fim de tarde com mesa atafulhada de tapas e petiscos. O vinho é da responsabilidade da Sociedade Agrícola D. Diniz, S.A. que é bem mais conhecido se for enunciado o Monte da Ravasqueira (Arraiolos). Um puro Alentejano  maioritariamente Antão Vaz (85%) com a sua companheira de sempre a Arinto a complementar o restante do conjunto. 

Jovem e fresco, bastante bem num perfil de branco do Alentejo, contrariando os mais pessimistas e mostrando uns desafiantes 12,5% Vol, com a dupla de sucesso em plena harmonia, fruta gorda (pêssego) com toques de lima e leve tropical, vegetal/floral quase que a lembrar uma tisana, num conjunto de boa frescura. Complementa-se na boca à medida do nariz, palato com fruta presente sempre acompanhada por uma boa acidez, amplitude mediana tal como o final, terminando com uma acidez limonada bastante refrescante. Vinho que deverá rondar os 4€ e que se mostra uma boa aposta para um consumo diário com qualidade. 86 pts

21 maio 2013

Beryna Seleccion 2005

Abraçando o objectivo de promover a casta local, a Monastrell, escolheu-se o local certo e em 2000 deu-se o pontapé de saída das Bodegas Bernabé Navarro (Alicante). Às cepas com idade a rondar 40-50 anos e em pé franco juntam-se Tempranillo, Cabernet Sauvignon, Merlot e Syrah, castas que vão complementar a Monastrell. Neste caso temos um vinho 50% Monastrell, 40% Tempranillo e 10% Cabernet Sauvignon, vinho que como os restantes desta casa primam pelo cuidado e diferença, fora de modas portanto.

De aroma muito bem composto em boa intensidade, fruta (amora, bagas silvestres) concentrada que parece escorrer pelas paredes do copo bem fresca num conjunto que mostra uma boa evolução no copo, café, chocolate preto, tabaco em folha, bálsamo com toque vegetal seco a recordar ervas aromáticas (tomilho, alecrim) em fundo mineral, todo ele profundo e complexo, apetece cheirar e rodopiar no copo. 

Na boca é o peso da fruta bem delineada e concentrada que marca o ritmo, plena harmonia com a prova de nariz, mostra boa amplitude, saboroso e com arredondamento a fazer-se sentir  num conjunto fresco que enche o palato de sabor, ligeiro travo vegetal, balsâmico e especiaria em fundo. Acaba com leve secura que lhe augura ainda vida em garrafa, um belíssimo vinho que tem sabido evoluir da melhor maneira. O preço ronda os 18/20€.  92 pts 

Fotografia tirada por Miguel Pereira

16 maio 2013

Altas Quintas Reserva-do 2005

foto autor desconhecido
Directamente de Portalegre, faz parte do lote dos últimos grandes vinhos que bebi recentemente oriundos do Alentejo, curiosamente o produtor anda literalmente "desaparecido" em combate, deixou de se ouvir falar, deixaram de se saber novidades ou lançamentos nos últimos tempos. Recentemente em conversa, apurei que está para breve um novo lançamento, ainda bem, aguardemos pois.
Depois do lançamento do topo de gama da casa, o Obsessão 2004, este 2005 foi feito a pensar como seu sucessor, mas achou-se que a qualidade não atingia o ponto pretendido e teria de ficar rotulado como o Reserva-do dito cujo.

Juntaram-se pois as alentejanas Trincadeira e Alicante Bouschet, resultado estrondoso num vinho de enorme equilíbrio entre componentes. A madeira de origem francesa onde nadou durante 24 meses já se acomodou, a complexidade debita aromas bem desenvolvidos, limpos e sem grandes amontoados, é possível perceber o que por ali se passa, isto é o que distingue os vinhos de grande nível dos restante, alinhando-se tudo com muito bom detalhe.
Tanto no nariz como na boca desdobra-se e alonga-se durante toda a prova, cheio de coisas boas complementado por uma frescura e elegância que não cansa e convida sempre a mais um copo. Fresco e sedoso, de cantos arredondados mas com vigor na alma, palato marcado por muita coisa boa, com fruta negra, limpa, fresca e sumarenta, balsâmico em fundo, licor de cassis, especiarias, ervas aromáticas, cacau, baunilha, tanta coisa boa...

Um vinho que mostra a razão pela qual Portalegre é berço natural para grandes vinhos em Portugal, com uma acidez e detalhe na fruta que neste tal como noutros grandes vinhos da região se destaca ao mais alto nível. O preço aqui aproxima-se facilmente dos 30€, que não sendo barato justifica-se plenamente pela satisfação que proporciona. 94 pts

15 maio 2013

Adega de Borba Rosé 2012


Continuo à volta dos vinhos rosados, continuo pelas terras do Alentejo desta vez oriundo da Adega de Borba saltou-me para o copo a mais recente colheita deste rosado. Resultante das castas Aragonez e Syrah agrada logo de início pela graduação que marca 12,5% Vol, só mostra que é possível nos dias de hoje fazer-se vinho sem cair em exageros de álcool. 
Este vinho é o chamado miminho bom, conquista no imediato e tem aquele toque guloso sem exagero que o torna apetecível e sabe bem. Tudo se centra numa fresca e sumarenta fruta vermelha, com muito morango gordo e rechonchudo acompanhado por ameixa vermelha, mostra-se fresco e com boa exuberância de aromas. Na boca replica a prova de nariz, envolto por uma sensação de leve doçura, é essencialmente a expressão bonita da fruta que se faz sentir sempre com uma boa frescura. Um vinho simples, directo e descontraído que servido fresco será companheiro de inúmeras ocasiões. O preço praticado 2,93€ na loja do produtor é mais do que tentador. 87 pts

Monte da Ravasqueira Rosé 2012


Voltando de novo aos Monte da Ravasqueira (Arraiolos) agora em tons de Rosado/Rosé, com a sua nova colheita (2012) a apresentar roupagem nova, mais limpa e apelativa. Quanto ao vinho juntaram-se uvas das castas Touriga Nacional/Syrah e o resultado foi um vinho rico de aromas, muita fruta fresca e madura, nada de doce, é limpa e com boa acidez, amora, morango e umas curiosas anotações que lembram o cheiro a rosas. Sente-se com corpo, bem estruturado e algum vigor o que o permite acompanhar por exemplo uma salada de frango grelhado. Na boca acompanha a prova de nariz, mostra boa secura apesar de leve arredondamento, prazer no imediato com leve apontamento vegetal em final de boca, como se alguém se tivesse esquecido de tirar os pés aos morangos. 89 pts

14 maio 2013

Monte da Ravasqueira branco 2012


Em tempo de esplanada, o que se procura por esta altura beber ao final da tarde é um bom vinho branco servido fresco. Andando eu pelo Alentejo o vinho escolhido foi um Monte da Ravasqueira branco 2012 (Arraiolos), preço recomendado a rondar os 5,50€ e que dado a provar agradou à totalidade da bem composta tertúlia daquele fim de tarde. Outra coisa a realçar das últimas provas que tenho realizado de brancos de 2012, vai para a qualidade que é muito boa, os vinhos estão muito cheirosos, frescos e bastante apelativos tanto no nariz como na boca onde se mostram bem participativos, o resultado é bastante animador. Bom sinal para o tempo quente de Verão que quase nos bate à porta. 

Neste caso o lote transpira nomes estranhos para as terras do Alentejo, por entre Alvarinho, Viognier e Semillon apenas mora a "local" Arinto, nada que perturbe o resultado final e a respectiva qualidade.
É um vinho bonito, fresco e cheiroso, de fina rendilhado com fruta bem madura e algo roliça, leve rama verde e algumas flores, tudo colocado num bonito cesto bem composto e com muito por onde escolher.
Na boca é saboroso, boa presença no palato, boa frescura com acidez limonada, sabor maioritariamente frutado com leve sensação mineral em fundo, persistência média. 90 pts
Salada de Tomate Cherry, Chouriço, Feijoca e vinagrete de Jerez

07 maio 2013

Malo Moscatel de Setúbal 2007




Lembro-me como se fosse hoje no dia (já vai longe) em que vi este vinho numa prateleira de uma grande superfície. A razão pelo qual o comprei na altura, foi o preço que relembro ser 3,99€. Não demorou muito a ser colocado no frio e provado mais tarde, o que aconteceu foi que no dia seguinte fui comprar mais umas garrafas para ter por casa, a razão mais que evidente mora na qualidade do dito Moscatel.

Quando cada vez mais se procura a melhor relação preço/satisfação não há grandes desculpas para não beber vinho de qualidade bem acima da média.. Este Malo Moscatel de Setúbal 2007 é disso exemplo, a casta está bem presente no aroma com casca de laranja cristalizada juntamente com toques de a lembrar chá verde, fruto seco e creme de pasteleiro, algum caramelo, com tudo isto sente-se uma ligeira austeridade no aroma que lhe dá aquele sentido de força e pujança no nariz. Por vezes os mais baratos desta casta tornam-se demasiado forçados e acabam por derrapar, aqui o que temos é um vinho muito bem feito e capaz de proporcionar momentos de prazer.

Gosto da intensidade controlada com que se mostra, da subtileza e sensação de untuosidade e aconchego que nos transmite. Na boca confirma-se tudo, enche o palato de sabor, muita laranja num toque acre e ao mesmo tempo doce, prolonga-se de modo untuoso e persistente no final. Por tudo isto é neste momento residente habitual do meu frigorífico, a ligação com salada de frutas a doces variados é muito boa, a ligação com chocolate negro com laranja é excelente. 92 pts

Terras da Gama 2011

A Sociedade Agrícola Terras da Gama, Lda. situa-se no concelho de Mação, fronteira com o Alto Alentejo. Produtor que recentemente me chegou ao copo com este tinto colheita de 2011, preço indicado de 4€ no produtor e que se mostrou um vinho de fácil abordagem com tudo para agradar.

Destaca-se por ser um tinto desempoeirado, jovem com boa dinâmica de conjunto e a mostrar fruta fresca, gulosa, arredondamento, cacau e leve ponta de especiaria. Sem complicar é directo, sem grande desdobramento no copo. 

Na boca, mediano na sua presença, complementa-se com o nariz, marcado pelo vigor da fruta, levemente adocicada (os 15% a trabalhar), juntamente com um final onde mostra alguma secura de taninos e leve arrasto apimentado. 

Para o meu gosto os 15% são completamente fora de onda, fujo cada vez mais de vinhos com elevadas graduações mesmo quando se encontram bem integradas no conjunto como é o caso. Um vinho com preço de combate, pronto para agradar a todos, fácil e pronto a beber, amigo da mesa e da carteira, acompanhou muito bem um pernil de porco assado no forno onde se foram buscar umas ervas de cheiro para contrabalançar com a "doçura" da fruta que o vinho apresenta. 87 pts
 
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