Copo de 3: Janeiro 2015

29 janeiro 2015

Primeira Paixão Rosé 2013


No constante fervilhar de novidades, eis que a Madeira se começa a destacar com os seus vinhos de mesa, onde brilham essencialmente os Verdelho carregados de frescura e mineralidade com um atrevido toque salino. Neste caso o destaque vai para a Paixão do Vinho gerida por Filipe Santos cujos vinhos Primeira Paixão se têm destacado nos últimos anos pela qualidade e diferença, sendo o Verdelho o mais conhecido. 

Desta vez a surpresa é um Rosé da colheita 2013, feito à base de Touriga Nacional, Merlot, Syrah, Tinta Roriz e Complexa, com uvas provenientes da zona do Seixal. Enologia a cargo de João Pedro Machado na Adega de São Vicente. Aroma de boa intensidade com destaque para frutos vermelhos bem maduros, leve vegetal a marcar com fundo a lembrar pederneira. Boca cheia de fruta bem viva e sumarenta, estrutura bem composta com boa frescura num conjunto bastante apetecível. 90 pts

28 janeiro 2015

Dona Maria Touriga Nacional/Petit Verdot 2011


É de visita obrigatória a Quinta de Dona Maria em Estremoz, onde reina uma atmosfera de puro classicismo, a modernidade apenas surge quando passamos as portas que nos levam à adega. A enologia está a cargo da Sandra Gonçalves, os seus vinhos são sérios, cheios de detalhe e com muito carácter. Em todas as gamas deste produtor encontramos elegância e frescura, um saber que se soube transportar da glória do passado para os vinhos mais recentes. Dessa mesma interpretação surge a gama Dona Maria (tinto, branco e rosé) com o apogeu a ser atingido no Dona Maria Reserva, complementam a oferta os vinhos da linha Amantis e os varietais de inspiração mais moderna, como por exemplo este  Touriga Nacional/Petit Verdot 2011.

As duas castas (Touriga Nacional e Petit Verdot) que na anterior colheita moravam sozinhas decidiram juntar-se, surge a versão dueto em 2011. Aroma intenso a combinar o melhor de cada casta, flores e fruto silvestre com algum vegetal/balsâmico num conjunto que combina ligeira austeridade de fundo com uma gulodice e opulência da fruta fresca. Amplo, denso e saboroso, equilibrado com a frescura a marcar pontos num final persistente e longo. 91 pts

23 janeiro 2015

José Maria da Fonseca Garrafeira TE 1992

Dando continuidade a vinhos onde a Castelão mostra todo o seu esplendor, neste caso apenas 65% já que dos restantes ficou encarregue a Cabernet Sauvignon, das vinhas situadas na Quinta de Camarate (José Maria da Fonseca) plantadas em solos Argilo-Calcários. Este TE (Tinto Especial) sofreu um longo processo de estágio, quer em madeira quer em garrafa, antes de ser colocado no mercado. Aqui a presença da Cabernet Sauvignon faz toda a diferença e atira o vinho para um registo bem diferente daquilo que o CO e o RA nos mostram.

A rápida evolução que a Castelão mostra ter em garrafa fica aqui suportada pela Cabernet Sauvignon, o vinho nesta altura encontra-se macio e delicado, com bouquet de grande qualidade onde as castas se combinam muito bem com a madeira. Harmonia total de um conjunto que apresenta o normal desgaste do tempo, pedindo paciência e pratos delicados, como por exemplo um arroz de pato no forno. 92 pts

21 janeiro 2015

José Maria da Fonseca Garrafeira CO 1990

Foi em 1945 que a José Maria da Fonseca começou a lançar os seus famosos Garrafeira que ostentavam as enigmáticas siglas, P, DA, AE, CB, EV, MC, TE, RA ou CO. Hoje em dia essas marcas fazem parte do século passado, as siglas descodificadas: P Passarela (Dão), DA Dão Albuquerque (Dão - Casa da Insua), AE Alentejo Estremoz (actual Quinta Dona Maria), CB Cova da Beira, EV Engenheiro Vieira (Prof. Manuel Vieira), CO Clara de Ovo (Castelão de argilo-calcários), TE Tinto Especial (Quinta de Camarate) e RA Região Algeruz (Castelão de areias).

A prova deste Garrafeira CO 1990 permite entender o comportamento da casta Castelão quando bem trabalhada em solos argilo-cálcarios. Com um conjunto muito fino e equilibrado, a fruta perdeu peso embora continue fresca e envolta numa capa fina de geleia, apontamentos de charuto, couro, pimenta, tudo com muita  elegância. Notas terrosas, num bouquet bem característico da casta em modo adulto. Um vinho de puro prazer, frutado e macio no palato, saboroso sem massacrar e a pedir sempre mais um copo.Acompanhou com mestria um pernil de borrego no forno. 92 pts

Periquita Superyor 2009

Continuando na senda da casta Castelão, vamos até à Península de Setúbal onde José Maria da Fonseca compra no ano de 1846 a propriedade de nome Cova da Periquita. Nesse mesmo local plantou as primeiras cepas da casta Castelão, que ele próprio havia trazido do Ribatejo. O vinho ali produzido, conhecido como o vinho da Periquita, desde cedo se destacou pela qualidade, surgindo assim a marca Periquita. A fama da casta rapidamente a fez espalhar pela região, sendo hoje em dia responsável pelos grandes vinhos ali produzidos, tal como este Periquita Superyor cujo preço ronda os 35€.

Elaborado a partir de vinhas velhas em solos arenosos, foi pisado a pés tendo estagiado 22 meses em barricas novas de carvalho francês. Desde o primeiro contacto que se mostra dotado de uma bonita complexidade. Conquista pela frescura da fruta que surge gorda e suculenta (ameixas, bagas vermelhas) lambuzada por suave compota a embalar todo um conjunto. Harmonioso e bem aconchegado pela madeira, especiarias e toques florais, algum balsâmico em fundo, tudo muito limpo e por camadas. Na prova de boca entra amplo e conquistador, muito prazer, firme com frescura e a fruta a explodir de sabor, um vinho amplo, com final longo e persistente, os taninos ainda brincam  dando sinal de uma larga vila pela frente. 94 pts

16 janeiro 2015

Tinto de Castelão by António Maçanita Reserva 2010


A casta Castelão será na actualidade uma das castas mal amadas do panorama nacional, terá sido vezes sem conta retirada do mapa e mesmo dos rótulos para dar o lugar a nomes mais sonantes embora menos acostumados aos terrenos que vieram pisar. Esta casta, Alentejana de gema, ganhou fama por terras da Península de Setúbal carregando às costas a marca que durante tanto tempo lhe deu nome, Periquita, mas nem nas terra das areias a casta conseguiu convencer, sendo em muitos casos o seu vinhedo mais velho substituído pela febre da Touriga Nacional. Curiosamente ou não, no Alentejo ainda permanece a terceira casta mais plantada, local onde António Maçanita (FitaPreta) decidiu ser uma vez mais contra corrente e lançar um tinto de Castelão, um tinto que tal como a casta soube esperar para melhor se mostrar. Para tal estagiou 24 meses em barrica mais 20 meses em garrafa, tiragem curta (garrafa 0392 de 2636) com preço ajustado a rondar os 18€.

A casta que nunca teve fama de ter grande concentração, apresenta-se neste vinho a proporcionar um imediato sorriso nostálgico a quem o prova. Como se afirma no contra rótulo, a algo vindo do passado e que nos mostra no imediato o erro de alguns lhe virarem costas. Quem se recorda dos grandes Castelão da zona de Setúbal encontra aqui algo do seu agrado, um belíssimo exemplar cheio de frescura com a marca vincada do Alentejo. Muita fruta presente, madura e com ligeira compota, folha de tabaco, cacau, conjunto ainda denso a dizer que o tempo ainda tem muito que lapidar por ali. Cresce no copo, boa estrutura de suporte num conjunto muito prazenteiro, fresco, fruta muito saborosa a estalar na boca, termina fresco com travo especiado, longo e persistente. A festa é completa com um Arroz de Pato no Forno. 92 pts

15 janeiro 2015

António Madeira Vinhas Velhas 2011


Este vinho nasceu do entusiasmo e dedicação de um jovem de seu nome António Madeira, nascido em França mas com raízes familiares no Dão serrano (sub-região da Serra da Estrela) onde certa vez veio passar férias e tudo começou. Da procura pelo vinhedo ideal, recuperou uma vinha velha ao abandono e dali vinificou 80 kg de uvas na adega de Álvaro de Castro. Este 2011 nasceu num ano complicado que exigiu muito trabalho no campo, não se utilizam produtos enológicos além do sulfuroso, a pisa faz-se com a força do pé, a fermentação com leveduras autóctones, tudo feito com a imensa chama de uma paixão e vontade de um autodidacta num vinho que transpira respeito pela uva e pelo local onde nasceu.

Justifica-se o investimento de 22,50€ num vinho que todo ele transpira finesse, vivacidade e frescura de um conjunto onde a fruta limpa se destaca, com estrutura suficiente para se poder afirmar que vai ter uma vida longa e preenchida por grandes momentos, tal como o que vive agora. E é à mesa que brilha mais alto, puro prazer, pura emoção, muito sério e sustentado num equilíbrio de forças tão perfeito e delicado que quando olhamos já a garrafa terminou. O Dão precisa de mais projectos assim, o consumidor apenas tem de agradecer. Obrigado António Madeira. 93pts

14 janeiro 2015

José de Sousa Rosado Fernandes 1940

O fascínio por estes vinhos vem dos meus tempos de criança, relembro as conversas que se tinham à mesa nos jantares de família, um desses nomes era um tal de Tinto Velho que tanto Natal acompanhou. Ora esse mesmo Tinto Velho é proveniente da Casa Agrícola José de Sousa Rosado Fernandes (Reguengos de Monsaraz), onde o prestígio e a história se aliam a tradicionais técnicas de vinificação, desde os lagares, passando pelos tonéis, às tradicionais talhas de barro.
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Detalhe de data em tonel 
É nas imponentes talhas que reside toda a magia e encanto destes vinhos, é daquelas porosas paredes que se transmitem anos de saber a todos os vinhos que por lá passam. Pelo meio ficou esquecida toda uma arte de fabrico que dificilmente irá voltar, resta pois venerar e contemplar todo o património que reside na Adega dos Potes e saborear os vinhos que ali são criados. Os rótulos contam que por ali já se faz vinho pelo menos desde 1878, os registos são parcos e apenas a glória dos vinhos que perduraram no tempo nos conta a história de tão gloriosa casa, como o épico o Tinto Velho 1961 ou aquele que é um dos mais emblemáticos do historial vínico de Portugal, o Tinto Velho 1940.
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Vinha velha na Herdade do Monte da Ribeira – Foto cedida por José Maria da Fonseca 
Tudo começa na Herdade do Monte da Ribeira, onde se encontram os 72 hectares de vinha, em solos de origem granítica, que foi plantada ao longo dos anos tendo o próprio José de Sousa plantado ali vinha no princípio dos anos 50. Castas como Trincadeira, Aragonês, Grand Noir… fazem parte dos encepamentos e são nos dias de hoje a base dos vinhos José de Sousa.
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Adega de Potes – Foto cedida por José Maria da Fonseca 
Estas últimas referências fazem parte do portfolio do produtor José Maria da Fonseca que em 1980 começou a engarrafar os vinhos da Casa Agrícola José de Sousa Rosado Fernandes e após a aquisição em 1986 concretiza o sonho de poder produzir vinho no Alentejo. Foi nessa altura que viria a ser descoberto debaixo de um monte de sacas de carvão um lote de garrafas do Tinto Velho 1940, um vinho cuja qualidade e longevidade iria servir de meta a alcançar na elaboração dos “novos” José de Sousa.
Assim em 1990 a marca ganhou novo rumo, dividiu-se em duas e por um lado ficou-se com um pequeno José de Sousa, por outro com um pura raça Alentejano de nome José de Sousa Mayor (Garrafeira). O mais pequeno é a continuidade com retoques da nova enologia, mais apelativo e satisfaz plateia alargada, o Mayor é a tentativa de ir ao encontro dos grandes vinhos da antiga Casa Agrícola, mais recente surge o J de José de Sousa o novo topo. Os três têm no coração a bondade da Talha, do barro do Alentejo, da tradição e dos tempos que dificilmente vão voltar.
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José de Sousa Rosado Fernandes 1940 – Foto cedida por José Maria da Fonseca
José de Sousa Rosado Fernandes 1940
São 74 anos de vida de um verdadeiro ícone da enologia em Portugal, a todos os níveis memorável e a mostrar uma saúde invejável, com bastante frescura que lhe ampara todo o conjunto. Escuro e glicérico, rebordo acastanhado a mostrar que o tempo já passou por ele, muito complexo com terciários luxuosos, notas de ameixa e alguma compota, chocolate de leite, flores, notas de barro. E de repente o tempo para e damos conta que estamos perdidos no meio do copo por entre um mar de aromas. Fantástico.

J de José de Sousa 2011

O topo de gama da José Maria da Fonseca no Alentejo, um dos grandes vinhos feitos em Portugal, pontifica a Grand Noir com Touriga Nacional e Touriga Francesa. Bastante charmoso e cheio de finesse, a mostrar desde o princípio toda a sua classe num conjunto de alto gabarito. Perfeita a simbiose entre lagares/barro/madeira, que resulta num vinho que mostra o melhor do Alentejo, a frescura da fruta bem carnuda envolta por uma boa estrutura que lhe garante longevidade. Tudo com grande complexidade, chocolate, balsâmico, floral, a fruta muito fresca e bem delineada como todo o conjunto a mostrar muita classe e elegância. Pelo meio o travo terroso e fresco do barro muito subtil, envolve os sentidos com bastante prazer, boca com estrutura firme, amplo e aveludado, profundo num final de boca longo e especiado. Memorável com umas perdizes estufadas. 96 pts

Herdade das Servas Reserva Alicante Bouschet 2011


É a mais recente novidade da Herdade das Servas (Estremoz), com enologia de Tiago Garcia, o Herdade das Servas Reserva Alicante Bouschet 2011. Passou 14 meses em madeira mais 14 meses em garrafa, um vinho cheio e encorpado, marcado pela excelência da fruta madura, opulento e cheio de energia, balsâmico, chocolate preto e especiarias, toque de madeira, denso compensado pela boa frescura presente num conjunto com muita vida pela frente. Na boca ainda muito novo, muita fruta sumarenta, grande estrutura, saboroso e a pedir tempo para afinar a elegância que já mostra ter. Muito sabor num conjunto fresco e de muito boa qualidade. Final longo e persistente neste belíssimo exemplar de Alicante Bouschet com preço a rondar os 15€. 93 pts

13 janeiro 2015

Júlio B. Bastos Garrafeira Alicante Bouschet 2007


Ainda por terras de Estremoz, saindo da Quinta do Mouro viro à esquerda e rumo em direção a Monforte, um pouco antes da zona dos Supermercados na saída de Estremoz viro à esquerda na placa que indica Agroturismo. Um pouco mais à minha frente fica a Quinta Dona Maria, que segundo conta a história foi adquirida em tempos por D.João V para oferecer a uma cortesã, Dona Maria, por quem estava perdidamente apaixonado. Esta Quinta é também conhecida como Quinta do Carmo, pois numa época posterior à edificação da casa, construiu-se uma capela datada de 1752, que foi dedicada e consagrada a Nossa Senhora do Carmo. O vinho foi sempre parte integrante da Quinta, juntamente com os seus imponentes lagares de mármore, mas seria apenas nos anos 80 com enologia de João Portugal Ramos que Júlio Bastos, o atual proprietário, iria começar a comercializar os seus vinhos, com destaque para os fantásticos Garrafeira Quinta do Carmo 1985, 1986 e 1987, onde despontava a casta Alicante Bouschet. A ligação desta casta à Quinta Dona Maria surge com um dos seus antigos proprietários, John Reynolds (Herdade do Mouchão) casado com Isabel d´Andrade Bastos.

Os anos passaram e após a venda da marca Quinta do Carmo ao grupo Bacalhoa, Júlio Bastos decidiu relançar em 2003 os vinhos com o nome Quinta Dona Maria. Recuperou o vinhedo mais antigo de Alicante Bouschet e na colheita de 2004, com enologia de Sandra Gonçalves, decidiu homenagear o seu pai, Júlio Bandeira Bastos com o lançamento do primeiro Garrafeira Dona Maria.


Júlio B. Bastos Garrafeira Alicante Bouschet 2007 é o resultado da escolha das melhores uvas das vinhas velhas (50 anos) de Alicante Bouschet, pisadas em lagares de mármore e posteriormente estagiado em barricas novas de carvalho francês durante 14 meses.Um portento de vida e classe, liquorice, tinta da china, denso e profundo com enorme frescura e definição, envolvente com uma complexidade invejável num vinho que apesar dos seus 7 anos ainda está muito novo. A fruta silvestre muito madura, limpa, envolta numa capa de notas balsâmicas, onde a barrica integrada aconchega um conjunto de luxo de traço Alentejano. Boca a condizer, sente-se um conjunto firme, intenso e ao mesmo tempo harmonioso, profundo e conquistador num final muito longo. Um hino à região e ao passado glorioso desta casa. 96 pts

05 janeiro 2015

Blandy, uma dinastia ligada ao vinho Madeira

A história deste produtor começa com a chegada de John Blandy à Madeira, são dois séculos de uma dinastia de comerciantes cuja importante ligação ao mundo do Vinho da Madeira começa com o estabelecimento da firma em 1811 começando nesse ano como exportador de vinhos. Compra a propriedade onde hoje se encontra a Antiga Adega no Funchal – Blandy Wine Lodges. Após o declínio das exportações por causa das devastadoras pragas, primeiro o Oidium Tuckeri em 1851 e em segundo a Phylloxera em 1872, surge da união de várias empresas exportadoras a Madeira Wine Association em 1913 com objetivo de alivar os custos que envolviam todo o negócio. Foi nessa altura em que muitas dessas empresas não conseguiram resistir aos tempos menos favoráveis e acabaram por encerrar portas, vendendo os stocks à Blandy’s. Em 1925, a Blandy’s juntou-se à M.W.A. que sobreviveu até 1986, ano em que se torna a Madeira Wine Company SA.
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Blandy Wine Lodges © Blend All About Wine, Lda.
Uma história notável de uma família que teve um papel muito importante no desenvolvimento do vinho Madeira, expandindo os seus negócios para a atividade bancária, seguros, reparação de navios… Duzentos anos depois a Blandy continua uma empresa familiar onde Michael e Chris são a 6ª e 7ª geração a trabalhar no negócio.Se noutro artigo tinha afirmado que os vinhos da Henriques & Henriques foram os primeiros grandes vinhos da Madeira que tive oportunidade de beber, os Blandy foram sem dúvida alguma aqueles que cimentaram o gosto e todo o meu entusiasmo pelo vinho Madeira ao longo dos anos enquanto enófilo. Foi um daqueles momentos muito especial o que envolveu a visita à Blandy no Funchal, realmente só o poder estar sentado naquela fantástica sala de provas vale uma ida à Madeira. A prova ficou a cargo daquele que é um dos grandes da enologia mundial, Francisco Albuquerque, e foi todo um privilégio poder ter ali uma grande lição sobre o vinho Madeira com prova incluída.
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Francisco Albuquerque © Blend All About Wine, Lda.
Não deixa de ser interessante que o vinho Madeira é um vinho que se alimenta de tempo, precisa de tempo para crescer, não de meses nem dias, mas de anos e quantos mais anos passarem mais complexidade ele ganha, mais mágico se torna. Os destaques como não podia deixar de ser, vão para alguns dos Vintage/Frasqueira provados:
Blandy’s Malmsey 1988Um dos grandes vinhos que tive oportunidade de provar foi o Malmsey 1988, passou em cascos cerca de 25 anos até serem lançadas em 2013 cerca de 1600 garrafas no mercado. Destaca-se pela frescura e finesse do conjunto, pelo incrível detalhe e precisão com que nos apresenta um conjunto de aromas muito bem definidos. Enorme na complexidade e equilíbrio, no imediato a laranja cristalizada a marcar pontos, figo, tâmaras, tabaco, muita especiaria, flores com fruto seco no fundo, o vinho desdobra-se em camadas. Conquista o palato com muita classe, toque de caril seguido de passas, novamente a passa de figo com nozes em destaque que quase se trinca, numa completa harmonia com o que encontramos no nariz, grande equilíbrio entre acidez/fruta/doçura.
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Sala de provas de vinhos Frasqueira da Blandy’s © Blend All About Wine, Lda.
Blandy’s Terrantez 1976E como já vem sendo hábito o que aqui se destaca novamente é a enorme elegância de todo o conjunto, este trabalho tão preciso de alta relojoaria é a marca da casa. Neste caso um Terrantez de 1976, que se mostrou bem mais elegante que o Terrantez 1977 colocado lado a lado na prova. A complexidade neste vinho é tremenda, tudo muito delicado mas profundo e muito complexo, com notas de caril em conjunto com chocolate e raspas de laranja, tâmaras, ligeiro balsâmico, caramelo torrado, nozes, tudo embrulhado numa grandiosa acidez que se junta ao aroma de móvel velho encerado. Na boca é um monstro muito bem-educado, entra ligeiramente doce para depois ser arrebatador pela frescura que invade todo o palato, renova as sensações do nariz, tem aquele toque agridoce que vai lavrando a língua até final em perfeita harmonia com a fruta e a acidez.
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Blandy’s Verdelho 1973 Garrafa de Amostra © Blend All About Wine, Lda.
Blandy’s Verdelho 1973O exemplo perfeito de que o vinho da Madeira precisa e pede tempo é o do vinho que se segue, um Verdelho 1973 que apenas vai ser lançado agora no mercado. O vinho é mais um caso sério desta casa, contido de início mas muita complexidade, vem por finas camadas, charuto, maracujá, frescura e vivacidade dos aromas num conjunto com muita harmonia. A vivacidade dos aromas destaca-se, conjunto muito marcante no palato pela secura com um misto de untuosidade/doçura muito ligeira que lhe confere uma outra dimensão, colocando este Verdelho na galeria dos grandes desta casa.
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Blandy’s Bual 1920 © Blend All About Wine, Lda.
Blandy’s Bual 1920É um vinho arrebatador a todos os níveis, complicado descrever tanta emoção enclausurada numa garrafa sempre que o tenho à minha frente, no copo ou na garrafa. Aqui o campeonato é o mais alto possível, este Bual 1920 tem a capacidade rara de nos conseguir calar. Podemos estar de conversa mas quando chega a vez deste 1920 as pessoas ficam caladas, olham, cheiram o copo… pausa, voltam a rodopiar cheiram novamente com um sorriso e depois começam a divagar. O bouquet é qualquer coisa de fantástico, concentrado, fresco, pecaminoso e novamente de enorme elegância, começa com toque de laca, abre e depois dá lugar à festa, toffee, nozes, caixa de charutos, aromas envoltos numa capa fresca e ligeiramente untuoso repleto de tâmaras, figos, fruta cristalizada. Tudo isto passa para o palato, entra cheio de vontade, untuoso, guloso para depois se mostrar com grande elegância, frescura e um final muito longo e persistente. Inesquecível.
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Blandy’s Verdelho 1887 © Blend All About Wine, Lda.
Blandy’s Verdelho 1887Em 2011 foi identificado um Verdelho que estava colocado em demijohn de 50 litros, um Verdelho 1887 que acabaria por ser engarrafado em 2013. Destaca-se no imediato pela sua tonalidade, com aqueles lindos rebordos verde-esmeralda a indicarem uma idade de respeito. No aroma a festa é grande, começa por um toque de laca, depois serena e desperta para a sua plenitude, toque de madeira velha com fruta cristalizada, bolo inglês, figo e maçã em tarte, num sem fim de aromas que o envolvem num turbilhão de emoções. Boca arrebatadora, largo, profundo, denso e misterioso. Muito boa presença de fruta ao nível do nariz, ainda limpa e fresca, estamos a falar de um vinho de 1887, complementa-se com notas de caramelo, raspas de casca de laranja, grão de café verde num misto que combina o toque ligeiramente doce e frutado de início para terminar seco e untuoso no final.
 
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