Copo de 3: 2017

20 outubro 2017

H.M. Borges Terrantez 1877


A história remonta ao ano de 1877, o ano em que Henrique Menezes Borges fundou a empresa H.M.Borges (Madeira), actualmente gerida pela quarta geração da sua família. Henrique Menezes Borges, dedicou toda a sua vida à procura de uma selecção de vinhos produzidos na Ilha da Madeira, com o intuito de proceder ao seu envelhecimento. Este vinho faz parte, entre outros, da frasqueira particular da família, tendo sido adquirido em 1877 e transferido em 1900 para demijohns de 70 litros. Um vinho que está para além do prazer, é magia pura dentro do copo por todas as sensações que nos envolvem os sentidos. Com uma enorme pureza de aromas, camada após camada mostra-se muito concentrado e com uma complexidade tremenda. A maneira como se afirma no palato num misto de untuosidade e frescura, que se prolonga num tom agridoce, é algo de fantástico e único. 99 pts

19 outubro 2017

Lisboeta : Recipes from Portugal's City of Light


Lisboeta: Recipes from Portugal's City of Light
(Bloomsbury Publishing PLC, 2017, 22,27€)

Há 11 anos a viver em Londres, nomes como O Viajante ou mais recente a Taberna do Mercado, fazem do chef Nuno Mendes um dos grandes embaixadores da cozinha Portuguesa no estrangeiro. Com o seu novo livro de nome Lisboeta, Nuno Mendes que nasceu em Lisboa, torna-se num guia da cidade, das suas histórias, dos seus recantos favoritos ou dos sabores que sempre que volta procura encontrar de novo.

 São ao todo 327 páginas repletas de informação com muitas e boas fotografias mas também com um receituário típico da cidade de Lisboa e que se foi instalando por cá ao longo dos anos fruto das mais variadas influências migratórias. Algumas receitas por vezes são alvo de um toque mais pessoal do chef. Todas as receitas tem uma pequena introdução, por vezes da sua história outras vão buscar as memórias de infância do autor. Desde os pastéis aos salgados, passando petiscos, almço, sandes, jantar e sobremesas.

A escolha varia entre os Jesuitas até aos Travesseiros, passando pelas Empadas de pato em vinha d´alhos, Arroz de marisco terminando numas Farófias. É muito mais que um guia da gastronomina de uma cidade, é o conseguir alimentar a saudade de quem por cá passa.

Cistus Grande Reserva 2009


O Grande Reserva produz-se na Quinta do Vale da Perdiz (Douro) apenas em anos excepcionais. Após a vinificação os lotes são avaliados regularmente durante o estágio em barrica. Os melhores lotes vão sendo seleccionados e após a análise final dos mesmos é tomada a decisão de engarrafar sob a marca Grande Reserva. Das castas Touriga Nacional, Touriga Franca e Tinta Roriz nasceu o Grande Reserva 2009 com 21 meses de estágio em barrica e mais 34 meses de estágio em garrafa. Um tinto muito expressivo, opulento e com fruta negra muito madura envolta em notas que vieram da passagem pela barrica (côco, chocolate preto, pimenta) e um fundo onde a sensação de doçura dada pelos 16% VOl. se faz por notar. Intenso, boa frescura e pujança no final de boca mas com um equilibrio que o controla e o torna companheiro à mesa com um bom pernil assado no forno e tudo aquilo a que tem direito. O preço ronda os 20€ por garrafa. 91 pts

17 outubro 2017

Soalheiro Nature Pur Terroir 2016


Preciso e delicado é como se apresenta o primeiro Alvarinho Biológico produzido sem adição de sulfitos. Diferente ou como está na moda dizer, "fora da caixa" se tivermos em conta a maior parte dos Alvarinhos que encontramos no mercado. Não sendo tão expressivo como o Soalheiro normal, não é tão seco como o Granit e é menos complexo que o Terramatter. Pouco consensual entre um grupo de provadores, é o próprio produtor a afirmar este é daqueles que pode ser amado, ou não. Para mim pedia um pouco mais de presença no palato, um pouco mais de nervo capaz de nos espevitar os sentidos. Vamos ver como evolui, por agora ficou algo aquém do esperado, até pelo preço que ronda os 15€ em garrafeira. 89 pts

12 outubro 2017

João Portugal Ramos Alvarinho 2016


A aventura do produtor João Portugal Ramos pela região dos Vinhos Verdes, apesar de recente, confirma-se como mais um sucesso a juntar aos seus 25 anos de carreira. No copo surge o Alvarinho 2016, um branco onde 10% do mosto fermentou em barricas novas o que lhe arredondou ligeiramente o espírito. Temos pois a casta bem presente num conjunto muito preciso, boa exuberância sem excessos da fruta madura (citrinos, tropical), floral mais em segundo plano com uma austeridade muito subliminar. A acidez apesar de presente não é tão vincada como se poderia esperar, permitindo uma abordagem mais serena e de fácil agrado. O preço ronda os 10€. 90 pts

11 outubro 2017

H.M. Borges Sercial 1979


A casta Sercial dá origem ao tipo de vinho da Madeira mais seco, este exemplar da H.M. Borges não lhe foge à regra e surge no copo envolto numa fina película de austeridade. Feitas as apresentações mete ao dispor uma bonita e rica complexidade, inicialmente num tom mais exótico com notas de flores,  maracujá e algum caramelo de leite e amêndoa torrada. Mostra um grande equilíbrio e um toque mais concentrado e guloso que distingue os vinhos desta casa das restantes. Cheio de energia, muito limpo e bem definido, um miminho bom que aconchega o palato com notas de fruta fresca bem ácida, novamente o travo de amêndoa salgada e um agri-doce do maracujá a surgir num longo final. 94 pts

Messias Tradição Baga 2016


Dizem que a primeira impressão é a que mais conta, neste caso confirma-se e não há dúvidas que este Tradição das Caves Messias começa com o pé direito. Surpreende pela tonalidade aberta e pouco concentrada com aquele brilho que nos cativa o olhar. Ainda muito novo, marcado pela força da fruta (silvestre com muitas bagas, ameixa) bem fresca e carnuda. Passou 10 meses em depósito de madeira avinhada que lhe deu um ligeiro arredondamento, com travo a mocha envolto pela energia da fruta, tudo ainda muito novo com os taninos a marcar o ritmo mas ao mesmo tempo a espevitar os sentidos e a vontade de bebericar mais um pouco. Um vinho fora de modas, como manda a tradição. O preço ronda os 10€ na loja da Rota da Bairrada. 90 pts

09 outubro 2017

Vale da Mata branco 2015


A sua qualidade e respectiva consistência colheita após colheita, fazem dele uma referência a ter em conta quando falamos dos melhores brancos da vasta região de Lisboa. É criado nas encostas da Serra de Aire, mais precisamente nas Cortes, com o crivo da Herdade do Rocim (Alentejo). O preço ronda os 8,50€ mas em feira da especialidade consegue-se na casa dos 6,50€. As castas Arinto, Viosinho e Vital tem passagem por cinco meses em madeira que dá ao conjunto uma ligeira tosta, mais quatro meses em garrafa.Conjunto com uma boa acidez, focado na fruta de pomar com citrinos bem frescos, não sendo muito expansivo mostra um bonito floral em destaque com ligeira austeridade mineral de fundo. Boca com frescura a confirmar boa vivacidade onde a fruta ganha mais protagonismo, final de boa persistência num branco que gosta de mesa e de boa companhia. 90 pts

30 setembro 2017

Alvear PX Solera 1927


Este vinho das Bodegas Alvear nasce de uma das Soleras mais antigas da casa, acima deste só o Solera 1830. Não é um vinho datado, apenas contém numa pequena parte do seu lote, vinho do ano 1927. Muito ao jeito da música Depois de Ti Mais Nada (Tony Carreira)este vinho toma conta do palato por completo e esmaga toda a concorrência, mesmo Madeira. Pelas notas já caracteristicas, figo em passa, toffee, licor de café, xarope de caramelo, num todo que surpreende pela frescura que mostra ter. Na boca quando se esperava um total enjoo perante tamanha doçura, eis que a acidez chega de rompante e refresca o palato, prolongando-se pelo final numa surpreendente harmonia que incita a bebericar sempre mais um pouco. Custa pouco mais de 15€ em garrafeira online, mas o aumento da procura faz com que ande quase sempre esgotado. 96 pts

Quinta de San Joanne Escolha 2014



Este Quinta de San Joanne (Casa de Cello) é criado a partir das castas Alvarinho, Avesso, Arinto e Trajadura. Cheio de nervo, dominado pela frescura e acidez acutilante, são os aromas de citrinos (toranja) e frutos de polpa branca que nos acenam no primeiro momento. O fino e delicado rendilhado completa-se com um toque verdasco a lembrar as azedas. Na boca é um mono-carril de acidez e austeridade mineral que lhe marca o tom até ao final. Sai a coisa de 10€ a garrafa na loja do produtor, um branco para ir rodopiando no copo a acompanhar uma boa selecção de sushi. 90 pts

26 setembro 2017

MR Premium Touriga Nacional 2012


Segue na linha dos topos de gama do Monte da Ravasqueira (Arraiolos), este monocasta de Touriga Nacional nascido na colheita de 2012. Após 24 meses de estágio em barrica nova, passou mais 20 meses de pousio em garrafa. Foram cerca de 3500 unidades as que sairam para o mercado, à venda na loja do produtor. É um vinho em fase adulta, na senda da qualidade a que a linha MR nos acostumou, aqui também ele dotado de bom descernimento no que toca a aromas e sabores, mostrando uma Touriga Nacional bem fresca e envolvente, com nota floral, cacau, leve balsâmico e apontamento de grafite no fundo. Bonitas sinergias num conjunto de grande finesse, suportado por uma estrutura que lhe permitirá uma vida tranquila por muitos e longos anos. Elegância e frescura num vinho feito para momentos muito especiais. 93 pts

25 setembro 2017

CARM branco 2016


Este branco da CARM (Douro) nasce no Douro Superior pela mão da família Roboredo Madeira. As uvas das castas Rabigato, Códega do Larinho e Viosinho, foram vinificadas na Quinta das Marvalhas, em Almendra. Apresenta-se com frescura, fruta fina bem elegante e a lembrar citrinos com laivo de vegetal fresco e um ligeiro rebuçado. Tem na sua frescura o seu ponto alto, cativando o palato com aquele toque de rebuçado de limão, mostrando-se um vinho que faz boa companhia à mesa. Preço de 7,39€ em garrafeira. 89 pts

Porta 6 2015


O colorido do rótulo chama a atenção, podia ser na primeira análise um qualquer rótulo criado para uma tasca da moda num qualquer bairro alfacinha. Mas não, é de um vinho criado pela Vidigal Wines na região de Lisboa. Neste caso um lote de uvas de Aragonês, Castelão e Touriga Nacional deram origem a um vinho que custa 2,70€ nas actuais feiras da especialidade. Portanto um vinho acessível, de sabores e aromas onde a fruta compotada abunda, temperado com uma pitada de pimenta preta e envolto com frescura suficiente para não ser enjoativo. Lá no fundo tem aquele toque mais agreste dos taninos marialvas que pedem petisqueira farta na mesa. Por mim pode ser um prato de iscas e umas moelas. 87 pts

22 setembro 2017

Branco dos Poços 2015


A Quinta dos Poços (Douro) fica localizada perto da Vila de Valdigem, no concelho de Lamego, e extende-se ao longo de 25 hectares. O lote desde branco é composto pelas castas Rabigato, Viosinho e Gouveio, tendo direito a um estágio em cuba de inox durante 8 meses. Somos brindados no imediato pela simpatia do rótulo, depois o conteúdo faz o resto. Um branco que cativa pela frescura de aromas e pelo nervo que o segura firme durante o tempo que balança no copo. Lá pelo meio surge um ligeiro travo vegetal acompanhado no fundo com uma ligeira austeridade que lhe assenta tão bem. É branco a pedir mesa com boa comida por perto. 90 pts

19 setembro 2017

BSE branco seco especial 2016


Um clássico da José Maria da Fonseca e assumidamente uma referência para muito consumidor. O preço em promoção rondará os 2.99€ na altura das feiras da especialidade na grande distribuição. Perfil fresco e descomplicado, complexidade pouca mas tudo na medida certa para agradar a acompanhar a refeição. Aquela fruta brincalhona com ponta floral, termina com boa secura, a mesma que o torna bom companheiro à mesa com uma grande variedade de pratos. 88 pts

28 julho 2017

Foz Tua 2014

Pertence ao grupo dos tintos mais vigorosos do Douro sendo aos olhos de alguns "puristas" como vinhos levados a um extremo quase inaceitável.Porém a qualidade está bem patente num vinho que foi pisado em lagar e estagiou 17 meses em barrica, mostrando-se cheio e opulento, fruta bem madura e suculenta apesar do evidente toque de licor, compota, tudo envolto pela madeira e por uma acidez que o aguenta firme e sem tremores. Queira pois um prato de bom condimento como um bom pernil de porco no forno e este tinto fará um brilharete. O preço ronda os 25€ e será certamente vinho para aguentar calmamente a passada do tempo. 92 pts

Casa do Arrabalde branco 2015


Salta no copo este branco carregado de aromas de fruta tropical, citrinos com apontamentos florais, o lote é composto pelas castas Arinto, Avesso e Alvarinho. Passando este impacto inicial o vinho pouco mais tem a dizer, tem a lição bem estudada e mostra-se directo e linear, boa presença de boca em corpo mediano num branco que refresca com predominante citrina a perdurar no final de boca. Um branco que cumpre embora lhe gostasse de ver algo mais de alma e um pouco mais de nervo. O preço ronda os 7€. 88 pts

14 julho 2017

Carvalhas branco 2015

Oriundo da mítica Quinta das Carvalhas (Real Companhia Velha) em pleno Douro e ali bem perto do Pinhão, este branco afirma-se a cada colheita (nasceu em 2010) como um dos grandes exemplares da região. Na sua base as castas Viosinho e Gouveio oriundas de um dos pontos mais altos da Quinta. Estagia cerca de 8 meses em barrica de carvalho francês antes de sair para o mercado. Neste caso é a mais recente colheita, ainda muito novo e a pedir tempo de garrafa. Nota-se que temos um vinho cheio de detalhes e complexidade, onde de momento a madeira doce ainda surge num plano superior ao da fruta e aqui apenas e só o tempo irá conseguir inverter os papeis. De resto temos a fruta acompanhada por notas de baunilha que confere algo de cremosidade, rebatida por um fundo bem fresco e com alguma austeridade mineral. O preço ronda os 25€ e é daqueles vinhos que apetece ter na garrafeira. 94 pts

11 julho 2017

Vinhas Antigas da Beira Anterior by Rui Madeira 2011

Começar pelo fim e dizer que é mais um vinho que passou entre tantos outros sem deixar vontade nem saudade. Não emociona, não cativa nem mete aquela sineta pequenina atrás da orelha a tocar. Um vinho casmurro ou talvez fruto da idade que não sendo muita, parece a responsável para se apresentar destes modos, pouco falador, rugas da idade, conversa com pouco conteúdo e um leve desequilíbrio que o faz cambalear. Dito por outros modos, a fruta surge madura com evidentes toques de licor a envolver um conjunto enfadonho sem grande graça ou complexidade. Esperava-se mais de um vinho que nos aponta para vinhas velhas situadas em altitude e cujo preço atinge quase os 30€. 88 pts

30 junho 2017

Contos de Fadas...


E num piscar de olhos enquanto se beberica mais qualquer coisa para ir mantendo a alma lavada, passou mais um mês. Este que foi de má memória mas que ao mesmo tempo serviu para um renascer de ideias bonitas.


Por entre a escrita e mais algum bebericar, olhamos à volta e constatamos que não se passa nada. E mesmo sem nada se passar a festa dos goblins do bosque lá continua de árvore em árvore, de cova em cova. Criaturinhas de riso irritante, orelhas pontiagudas e língua de prata, cujo único trabalho que se lhes reconhece é levar taças de vinho à boca.

Dar de caras com uma destas criaturas dá azar, diz-se que nos tornamos igual a eles, entorpecemos a escrita e a fala. Ficamos reféns de uma realidade que apenas existe num conto de fadas em que eles participam activamente e para o qual nos arrastam. 

Enquanto vou dando conta do resto de um fantástico Moscatel Superior 2001 da Bacalhôa noto que este será provavelmente o único post do corrente mês. É algo que não estava nos meus plano mas que será devidamente recompensado no mês de Julho.



14 maio 2017

Quinta da Bica Vinhas Velhas 2007


Só produzido em anos especiais, este Quinta da Bica Vinhas Velhas nasce de uma vinha com cerca de 50 anos com várias castas misturadas, onde se destaca a Touriga Naciona, Baga, Alvarelhão, Jaen e Rufete. Antes de ser colocado no mercado por coisa que ronda os 10€, tem direito a um estágio que ronda os 5 anos. Grande elegância num vinho já em fase adulta que a caminho dos 10 anos, rejubila na sua elegância com perfil clássico em grande destaque. Frescura, fruta ácida com bagas bem suculentas, leve caruma de fundo, bosque, bouquet com muita finesse e longo final. Num grande momento de forma, é um digno exemplar da região onde nasceu. 92 pts

12 maio 2017

Terras Altas 2014


O Terras Altas 2014 é um vinho DOC Dão, que nasce de um blend de Jaen, Alfrocheiro e Touriga Nacional, o qual teve um envelhecimento de 2 meses em carvalho americano.A nova imagem deste vinho faz uma justa homenagem a António Porto Soares Franco e a uma cepa pela qual tinha especial afeição, podendo ser visitada na Casa Museu José Maria da Fonseca, em Azeitão. Por um preço a rondar os 4€ temos um vinho bastante directo onde a fruta desponta pela frescura, num todo amaciado pelo tempo. A barrica limou ligeiramente os cantos, num vinho que se mostra bastante cordial e pronto a ser bebido com prazer. 87 pts

29 abril 2017

Atlantis rosé 2015


Num passado recente a casa Blandy (Madeira) recuperou a sua marca Atlantis que fica na história como o primeiro vinho de Denominação de Origem Protegida (DOP) Madeirense, nascido em 1991 na versão branco e rosé em 1992. Criado a partir da casta Tinta Negra, com uvas a terem origem nos viticultores de referência nos vinhedos mais quentes da costa sul de Câmara de Lobos e de Campanário. Surge com uns simpáticos 10,5% Vol. o que se agradece cada vez mais e o atira no imediato para um consumo nos momentos mais quentes do ano. Muito centrado na fruta, bem sumarenta embora delicada e com aquele travo de mar em fundo, mas é a boa acidez em conjunto com a fruta madura e bem torneada, num todo muito equilibrado e ao mesmo tempo delicado. Preço a rondar os 8,50€ num vinho que domina a mesa com enorme polivalência, desde os bichos do mar nas mais variadas maneiras ao mais oriental sushi até ao caril mais exótico. Ou então sirva-se fresco a acompanhar um solarengo fim de tarde. 89 pts 

26 abril 2017

Dönnhoff Niederhäuser Hermannshöhle Riesling Spätlese 2008


O produtor Hermann Dönnhoff (Alemanha) é considerado um dos melhores produtores não só da região do Nahe, como de toda a Alemanha. Este vinho nasce de uma vinha chamada Hermannshöhle (A caverna de Hermes),  uma das mais famosas e aclamadas vinhas da região. A vinha com mais de 60 anos é classificada como Grosse Lage (Grand Cru) e vai buscar o nome Höhle que significa gruta, por causa de uma mina situada na vinha, enquanto Hermann deriva de Hermes, o deus dos mensageiros e viajantes. Os solos são de origem vulcânica com presença de rochas ígneas, proporcionando uma atractiva mineralidade aos vinhos. Neste caso o vinho que apenas passa por inox, é marcado pela mineralidade com uma acidez perfeitamente integrada e que nos deixa rendidos aos encantos do seu perfil ligeiro e ao mesmo tempo concentrado. Muito citrino em calda, maracujá, maçã, fundo com algum fruto seco e o toque apetrolado. Tem brilho próprio na pureza de aromas e de sabores, preciso, intenso e ao mesmo tempo acetinado, palato com ligeira untuosidade onde surge um muito ligeiro toque doce. Daqueles vinhos que se torna mais fácil beber do que descrever, porque o prazer esse é do caraças. 94 pts

24 abril 2017

Dominó Foxtrot 2014


Foi no Parque Natural da Serra de São Mamede (Portalegre) que fomos encontrar Vítor Claro, conhecido pela sua cozinha mas cada vez mais também pelos seus vinhos. Da sua marca mais conhecida, os Dominó, surge nova referência de nome Foxtrot. Nasce de vinhas velhas, situadas a 650 metros de altitude e com uma idade a rondar os 85 anos. Dali utiliza as uvas brancas da vinha que dá origem ao Dominó tinto e parte das tintas que se encontram na vinha do Dominó branco. Parece confuso mas deixa de o ser no exacto momento em que o temos no copo e onde tudo bate certo. Nos seus equilibrados 12% a rusticidade está lá, ao lado da frescura da Serra e de um turbilhão de fruta fresca e bem ácida, lavanda, fundo duro e térreo dos solos ricos em granito. O preço ronda os 10€ e não sendo fácil dar com ele, vale a pena a procura. 91 pts

21 abril 2017

Boina 2015


Uma estreia de um novo produtor oriundo do Douro a partir de duas vinhas velhas, uma perto da Régua e outra no extremo norte da região. Nomes como Touriga Franca, Tinta Amarela, Tinta Franscisca, Tinta Carvalha e Souzão, compõem o lote de um vinho que se afasta da Touriga Nacional e da madeira nova, aliás nem sequer passou por ela. Um vinho com nervo e uma estrutura que teve como brinde 20% de engaço, o resto é a fruta silvestre (amora, groselha, mirtilo) bem madura e ácida a brilhar. Se por um lado os aromas vegetais pareciam estar arredados dos vinhos mais modernos, aqui aparece bem fresco naquele quase travo apimentado. Corpo mediano, sem gorduras e bem seco, musculado e muito fresco de sabores vincados no palato, equilibrado e muito porreiro para com ele se acompanhar de umas presas de porco preto na grelha, o vinho depois faz o resto. O preço ronda os 9€, vale o investimento e até um daqueles autocolantes pirosos do escolha acertada ou recomendação da semana. 90 pts

07 abril 2017

Reichsgraf von Kesselstatt Josephshöfer Riesling Kabinett 2007


Rumamos a Mosel (Alemanha), mais propriamente ao encontro com o produtor  Reichsgraf von Kesselstatt, ou simplesmente Kesselstatt, que iniciou sua actividade em 1349. A sua área de vinha ocupa cerca de 36 hectares (12 hectares em cada um dos três importantes vales da região do Mosel: Mosel, Saar e Ruwer). com as vinhas plantadas em encostas, cerca de 60º, com solos de ardósia. O Mosteiro “Josephshöfer” dá o seu nome a uma vinha (classificada como Grand Cru) de apenas 4 hectares, comprada pelo produtor no ano de 1858 e de onde sai este vinho.

Hipnotiza pela bonita tonalidade amarelo dourado, aroma muito limpo com fruta de caroço (alperce, pêssego), citrinos, gengibre fresco e fundo mineral. Boa acidez no palato a dar uma secura que nos faz crescer água na boca, corpo médio muito elegante, saboroso com travo de ligeira untuosidade, fundo com leve apontamento de calda de fruta. Um belíssimo vinho, cheio de carácter e perigosamente viciante de ter no copo. 92 pts

06 abril 2017

Pinhal da Torre Tardio 2010


O Tardio da Pinhal da Torre (Alpiarça) apresenta-se como o Colheita Tardia deste produtor Ribatejano. A casta escolhida foi a Fernão Pires com fermentação em barrica.Longe de ser uma bomba de açúcar mostra-se muito preciso e delicado, com elegância e harmonia entre frescura/doçura. Destacam-se as notas finas de mel que lhe dá untuosidade embrulhando os citrinos em calda, fruto seco e floral ajudam a dar algo mais à fina complexidade do conjunto. O preço ronda os 20€, sirva fresco a acompanhar uma tarte fria de lima ou pêssegos assados com xarope de baunilha. 90 pts

29 março 2017

Jacques Puffeney Arbois Poulsard M 2014


O produtor Jacques Puffeney é considerado por muitos como o grande produtor da região de Jura (França). Correm rumores que caminha para a reforma e como terá deixado parte das suas vinhas a um produtor da região, este 2014 será das suas últimas criações. Elaborado a partir da casta local de nome Poulsard, oriunda das vinhas "especiais" em Montigny-les-Arsures, explica o M no rótulo. Assim que nos cai no copo franzimos o sobrolho, parece sumo de romã e mal levamos ao nariz sai aquele uau de surpresa no segundo seguinte. Tonalidade ruby muito aberto, muito fresco com muita fruta o que é bom com predominante maçã vermelha, cerejas a variar entre as mais ácidas e as mais doces, um misto de tudo misturado com um travo herbáceo bem fresco, chá preto. O fundo é mineral, terroso, áspero, mas tudo o que mostra antes é fresco, cheiroso e de uma enorme afinação. Um mundo que como tantos outros vale a pena ficar a conhecer. 89 pts

Barzen Auslese Feinherb "Edition Alte Reben" 2007


Desafiante é a palavra que melhor descreve este Riesling proveniente de vinhas centenárias plantadas em 1886 na região de Mosel. Num estilo semi-seco é um jogo do gato e do rato entre secura e ponta de doçura da fruta muito limpa e bem madura em tons de nêspera e pêssego de roer. O fundo é seco, em tom mineral com frescura e uma ponta de ligeira untuosidade. Boca a condizer, calmo, sereno com muita elegância e os sabores a desfilarem de pantufas. Num estilo que não cansa e acompanha bem tanto entradas como pisca o olho a pratos de cariz mais oriental, preço a rondar os 20€ em garrafeira online. 90 pts

26 março 2017

Adega de Borba Vinho de Talha 2015


O vinho de talha é um tipo de vinho que sempre fez parte do dia a dia do consumidor de vinhos Alentejano. Este vinho viu-se a dada altura caído no esquecimento e foi afastado pelos tiques do consumidor novo rico de quem apenas procurava a novidade. As talhas foram ficando qual adorno de um tempo que as viu brilhar bem alto, hoje em dia a cobiça voltou e pagam-se pequenas fortunas pelas verdadeiras. Quem não as tem, procura-as ou procura adaptações, um vale tudo para ter aquilo que em muitos casos é "uma espécie de vinho feito num recipiente de barro". Neste caso o vinho é feito à antiga em talhas acostumadas aos aromas e sabores das uvas. O lote leva Trincadeira, Castelão e Alicante Bouschet, o vinho custa na loja da Adega de Borba coisa de 7€ e vale a pena ser descoberto e bebido. Provei no lançamento, ainda muito novo e algo rústico, com arestas por polir cheio das notas de barro húmido, muita fruta com travo fresco e verde de fundo. Agora parece que está ligeiramente mais afinado, mais sereno embora a rusticidade permaneça lá. Sirva-se em jarro como sempre foi servido ao longo dos séculos. 89 pts

25 março 2017

Quinta das Marias Reserva Cuvée TT 2007


Era uma vez um vinho que foi provado na altura do seu lançamento e que me agradou o suficiente para ter guardado algumas garrafas. A última foi esta, passou uma década e achei que seria oportuno ver como estaria de saúde este blend de Touriga Nacional e Tinta Roriz. Do interesse e sorriso que despertou mal caiu no copo, o tempo que veio a seguir apenas o ajudou a desconjuntar, por entre a fruta e os toques florais e frescos com leve balsâmicos vem um beliscão do álcool pouco ou nada prazenteiro. Baralhamos e voltamos a dar, confuso, sem saber por onde andar, os aromas parecem que vão tropeçando uns nos outros, melhor na prova de boca onde se mostra mais assertivo. Foi encostado junto de outros tantos, no final da noite ainda fui ver como estava mas já tinha partido. 88 pts

15 março 2017

Quinta da Gaivosa Vinha de Lordelo 2009


Um dos ícones do Douro, criado por um produtor que está mais que acostumado a criar vinhos de excepção no Douro. É na Quinta da Gaivosa que Domingos Alves de Sousa cria este vinho proveniente de uma só parcela, a Vinha de Lordelo. Um vinho musculado e carregado nos aromas e nos sabores, com uma complexidade rica e adornada pelo tempo que já leva de garrafa. Por entre as notas que invocam mato rasteiro, balsâmico, fruta preta macerada e umas notas mais terrosas em fundo. Como veio de ligação a boa frescura de um conjunto que nunca esconde o lado mais maduro da fruta ao mesmo tempo que se mostra cheio e com notas vigorosas e musculadas. Na boca mostra-se encorpado mas afinado, boa frescura e sabor, não ficamos a chuchar os dedos mas quase, elegância e boa dose de potência num final bem longo. É sempre um prazer revisitar um grande vinho com amigos por perto. 94 pts

Quinta da Alorna Arinto 2015


Oriundo da Quinta da Alorna (Tejo) este Arinto mostra um aroma rico em fruta onde os citrinos e fruta de pomar surge redonda e bem madura, musculado e com algum nervo, muito direto na abordagem embora na boca sem aquela vivacidade tão vincada que caracteriza a casta noutras paragens. Agradável para a mesa num consumo diário, descontraído e descomplicado, será sempre vinho de consumo a curto/médio prazo com preço a rondar os 4,50€. 88 pts

14 março 2017

Morgado de Sta. Catherina Reserva 2013

Nasce na Quinta da Romeira (Bucelas) pertença da Wine Ventures, este Arinto que se pode considerar como um clássico da região, criado pelo enólogo Nuno Cancela de Abreu no início dos ano 90. O vinho que na altura seria a maneira de mostrar a casta Arinto com passagem por madeira, tem seguido fiel à sua matriz com os sempre necessários afinamentos de enólogo para enólogo. Este "novo" Morgado remete para aquilo que sempre foi, um branco que nos mostra a casta Arinto com toda a sua frescura mas que ganha algum peso com a passagem pela madeira, os aromas citrinos e até de alguma folha de limoeiro surgem agora num tom mais gordo a lembrar tarte de limão merengada. Envolvente, a madeira mostra-se presente, secura com mineralidade em fundo, sempre coeso e volumoso, travo de raspa de limão a espicação o palato. Ronda os 10€ e mostra apetência como sempre mostrou para a cave e desde já para a mesa com pratos de peixe ou marisco passado na chapa com molho de manteiga e limão. 92 pts

13 março 2017

Quinta da Boa Esperança Arinto 2015


Projecto recente este da Quinta da Boa Esperança (Lisboa) localizada na Zibreira que fica a meio caminho de Lisboa, ali na zona Oeste entre o Atlântico e a Serra de Monte Junto. Pela prova que deu fica a vontade de ficar a conhecer mais do projecto, neste caso é um 100% Arinto sem passagem por madeira. Temos pois um branco com boa frescura de conjunto, ainda algo preso mas com boas notas de citrino, preciso nos aromas e a pender para o tom mais "limonado" e alguma folha de limoeiro. Na boca mostra boa secura, envolvente e saboroso com fruta presente num conjunto de corpo médio e final prolongado. O preço ronda os 10€ num vinho que será curioso ver a maneira como vai reagir ao tempo em garrafa, para já acompanhe com chocos grelhados e batata a murro. 90 pts 

12 março 2017

Secretum 2012

Mas que bela surpresa este Secretum 2012 proveniente do Douro, um 100% Arinto (Pedernã) pouco usual nesta região. Aroma cheio e com bonita complexidade, mesmo passados cinco anos mostra-se ainda tenso e fechado de inicio, muitos citrinos, tudo muito limpo, elegante com acidez bem presente. Muito boa presença na boca, profundo e com uma bela frescura enrolada em notas de barrica que envolvem o conjunto de muito boa qualidade e elegância. Um vinho com tudo para continuar a sua metamorfose, está de momento tenso e pouco falador, muito coeso e cheio de energia, com muito nervo apoiado por uma belíssima estrutura. O preço ronda os 30€ num vinho que é uma excelente aposta para ter na garrafeira. 91 pts

09 março 2017

Soalheiro Reserva 2015


É desde que foi lançado a primeira vez para o mercado um dos grandes brancos feitos em Portugal, aliando a a bela capacidade de guarda e pela consistência na alta qualidade colheita após colheita. O Soelheiro Reserva 2015 mostra aqui uma fineza de trato irrepreensível, com uma limpeza de aromas muito acima da média, numa harmonia plena entre os aromas da fruta, algum vegetal, flor de laranjeira, as nuances da madeira que lhe dá uma grande elegância mas sempre com a acidez a tomar conta de todo o trajecto. Amplo e cheio de sabor na boca, fresco e profundo, com ligeira sensação de cremosidade dada pela barrica num conjunto muito limpo e cheio de classe. Mostra ter nervo e estrutura para ir brilhando à mesa durante muitos e longos anos, haja pois coragem para conseguir guardar umas garrafas. 95 pts

06 março 2017

Herdade do Arrepiado Velho Antão Vaz 2015


Hora de ira para a mesa e a refeição pede um vinho branco para a acompanhar, atarefado no meio dos tachos lá pedimos que abram um vinho que o arroz de polvo está quase a sair. O copo que nos chega às mãos traz um vinho, este Herdade do Arrepiado Velho Antão Vaz 2015, que é daqueles que nos faz sorrir e lembrar os tempos de miúdo, dos rebuçados de fruta que parecia que moravam no bolso do casaco das pessoas mais velhas. Afasta-me das lembranças de um aroma pesado e enjoativo, pelo contrário é todo ele muito limpo e fresco nos aromas, fruta variada com flores, casca de tangerina, fundo mineral, num aroma divertido e envolto num travo guloso. Na boca quando se esperava um vinho maduro e adocicado surge a finta e encontramos um conjunto bem fresco, corpo mediano e uma boa secura de fundo, no destaque para a baixa graduação (12%) do menino. É daqueles que se bebe mais um e outro copo, bebe-se com prazer, o mesmo prazer com que se partilha e acompanha uma salada de frango grelhado, cenoura, laranja e romã. Ronda os 9€ a garrafa e até pode ter pernas para aguentar um tempo em garrafa, acho é que não as deixo passar do Verão. 90 pts

04 março 2017

Fonte do Ouro Dão Nobre branco 2015


É o primeiro vinho branco a atingir a classificação máxima atribuída pela câmara de provadores da região do Dão, surge por isso designado como Dão Nobre. O vinho é criado pelo enólogo Nuno Cancela de Abreu com base nas castas Encruzado, Arinto e Cerceal, passagem por madeira nova durante seis meses com preço a rondar os 35€ para cada uma das 1200 unidades lançadas no mercado. Não defrauda e apresenta-se com uma enorme elegância e frescura de aromas, cheio, amplo e bem fresco, com a madeira a envolver mas sempre com a frescura do conjunto a sobrepor-se a tudo. Muita fruta madura com destaque para os citrinos, frutos de pomar, bouquet de flores com ligeiro abaunilhado que termina num fundo austero e mineral. É um branco de enorme requinte e categoria que proporciona prazer no copo e à mesa. 95 pts

Colmeal branco 2015

Apaixonado pela mesa e pelas vinhas, o chef Vítor Claro decidiu no final do ano passado encerrar o seu restaurante para se dedicar aos seus vinhos e às suas vinhas na Serra de São Mamede (Portalegre). A ligação à "cozinha" continua para os lados do restaurante do Colmeal Contryside Hotel (Figueira de Castelo Rodrigo) mas são as vinhas de altitude que por lá lhe permitem assinar este Colmeal (Beira Interior). Feito a partir de vinhedo velho, Síria, Malvasia e alguma Fonte da Cal, vinificação em lagares e passagem por inox. Um vinho fora de modas, toques de favo de mel, flores amarelas, fruta de pomar bem limpa e fresca, muita elegância e frescura em conjunto de fundo mineral. Rico em detalhes, amplo com ligeira untuosidade, fruta fresca, austeridade mineral em fundo com boa frescura e presença, o tempo no copo faz com que vá ganhando novas nuances. Daqueles que é melhor não perder de vista e ter algumas esquecidas na cave. 92 pts

03 março 2017

Nossa Calcário 2013


Um 100% Baga da enóloga e produtora Filipa Pato que na Bairrada cria este belíssimo tinto que se apresenta num belíssimo momento de forma. A elegância domina-o por completo, apesar da estrutura firme que o sustenta, depois é toda uma panóplia de aromas frescos e limpos com a fruta (cereja, mirtilo) bem viva ao lado de um toque ligeiro toque terroso. Encontra-se ainda na curva ascendente da sua vida e ganha com um tempo a rodopiar no copo, na boca é um misto de boas sensações em que a elegância se mistura com a frescura e ao mesmo tempo uns taninos finos ainda por polir lhe permitem ter aquele toque tão gastronómico que pede um arroz de pombo bravo com hortelã. O preço anda na casa dos 25/30€ num vinho para guardar ou beber já. 93 pts

02 março 2017

Macán Clásico 2012


É recente o projecto que junta dois grandes nomes do mundo do vinho que dão pelo nome de Benjamin de Rotschild e Vega Sicília. Em conjunto criaram uma adega em plena Rioja, aplicando o costume de Bordéus de ter um primeiro e um segundo vinho, a casta é 100% Tempranillo e os dois vinhos partilham o mesmo vinhedo e o mesmo processo de vinificação. Estes dois irmãos apenas se separam na altura de escolher as barricas, sendo que as melhores dão origem ao Macán e as restantes ao Macán Clásico. Toda a espera até o conseguir ter no copo valeu a pena, as primeiras colheitas voaram e com isso a infelicidade de não conseguir ficar a conhecer este vinho mais cedo. Preço a rondar os 32€ para este vinho da colheita de 2012, ainda muito novo, vivaço, cheio de energia a mostrar um misto entre o perfil mais clássico e o toque mais moderno da região. Bem estruturado, alia a finesse do nariz com uma bela estrutura de boca, com taninos finos mas presentes, madeira em pano de fundo (especiarias, baunilha) a acariciar uma fruta madura e limpa (bagas silvestres) numa bonita complexidade. É daqueles vinhos que ganhando com tempo de garrafa dá prazer desde já  a acompanhar um bom corte de vitela, grelhada de preferência. 93 pts 

28 fevereiro 2017

Herdade do Arrepiado Velho 2015

A Herdade do Arrepiado Velho é um projecto que podemos apelidar de recente no panorama dos vinhos Alentejanos e fica situada bem perto de Sousel. Nasce com vista para a Serra de São Mamede (Portalegre) este vinho 100% Touriga Nacional com passagem por madeira que resulta num todo muito apelativo e prazenteiro. Temos um conjunto compacto onde a fruta (amoras, framboesa) mostra vigor e concentração, embrulhada em frescura com notas de geleia e floral, pleno de juventude e energia, com alguns taninos ainda por polir. Pede pratos de bom tempero embora não vire cara ao tempo de garrafa, com um preço a rondar os 8,50€ será sempre uma boa aposta. 90 pts 

27 fevereiro 2017

Muxagat Xistos Altos Rabigato 2013


Lembro-me bem da primeira colheita que provei deste vinho, agora já vai na versão de 2013 e direi que desta vez já me conseguiu cativar, coisa que não tinha acontecido na sua primeira colheita. O vinho surge de aroma vincado, sem exageros e muito preciso, tenso, cheio de nervo com um fio condutor dominado pela frescura e aromas vegetais a embrulhar a fruta limpa à base de citrinos. Depois é a austeridade mineral que lhe toma conta do fundo de fino recorte, sentindo-se um ligeiro arredondamento. Muita vida na boca, compacto e profundo com uma muito boa secura final a pedir comida por perto. Façamos a vontade e sirva-se com uma caldeta de peixe do rio aromatizada com hortelã da ribeira. 93 pts

25 fevereiro 2017

Monólogo Chardonnay P706 2015


Começo por destacar o bonito rótulo deste Monólogo Chardonnay cujas uvas são provenientes da parcela P706 da Quinta dos Espinhos. Um vinho oriundo da zona de transição entre as regiões dos Vinhos Verdes e o Douro, a mostrar-se dominado pela  elegância com a fruta tropical e de pomar a marcarem presença, ligeira geleia bem fresca num todo bastante harmonioso. Fundo com ligeiro amanteigado a contribuir para uma boa sensação de untuosidade, replica tudo na prova de boca num vinho que alia frescura com elegância, o preço ronda os 7,5€ e mostrou ser uma bela surpresa. 90 pts

Procura branco 2013


Dois anos depois de ter encontrado as vinhas para o Procura tinto, Susana Esteban encontra em Portalegre uma vinha velha de 80 anos com mistura de castas e baixíssima produção situada na Serra de São Mamede. O vinho passa oito meses em barrica usada, mostra-se muito fresco sem que a madeira se faça notar por algum instante, é a fruta (citrinos e pomar) que o domina num fundo austero e mineral. Na boca é muito fresco, fruta a meio tom num conjunto tenso, com nervo e a terminar com boa dose de secura. O preço ronda os 24€. 91 pts

23 fevereiro 2017

Messias Grand Cuvée Blanc de Blancs Bruto 2010


Saltou para a mesa e cativou no imediato pela maneira cuidada como se apresenta, o restou foi uma boa surpresa que este Blanc de Blancs das Caves Messias me proporcionou. Um espumante a mostrar-se bem fresco desde o primeiro instante com a fruta branca bem madura em sintonia com leve nota de biscoito, fruto seco e tosta que lhe confere uma ligeira sensação de cremosidade. Acima da média nos argumentos que mostra de forma firme e convincente, equilibrado, fresco e prazenteiro, daqueles espumantes que por coisa de 15€ fazem um brilharete em qualquer ocasião. 91 pts

Rota da Bairrada Apresenta Cartão de Cliente



A Associação Rota da Bairrada apresenta uma nova ferramenta de fidelização à Bairrada, o Cartão de Cliente. Gratuito, fácil de usar e com vantagens para os seus utilizadores, este cartão pretende estreitar e reforçar a relação entre o cliente e a região que representam, a Bairrada.


No dia 27 de janeiro foi oficialmente lançado o Cartão que pretende aproximar a Bairrada dos seus adeptos. Falamos do Cartão de Cliente da Associação Rota da Bairrada. Pessoal e intransmissível, pode ser solicitado fisicamente num dos Espaços Bairrada ou on-line em loja.rotadabairrada.pt mediante o preenchimento da Ficha de Adesão. De utilização gratuita, este Cartão de Cliente oferece vantagens únicas aos seus aderentes, nomeadamente:
  • Acumulação de pontos nas compras realizadas nos Espaços Bairrada ou no site de e-commerce da Associação loja.rotadabairrada.pt, que posteriormente poderão ser trocados por um ou mais produtos presentes no Catálogo de Pontos Bairrada (1 euro = 1 ponto);
  • Oferta de descontos diretos em compras realizadas apenas nos Espaços Bairrada. Todas as compras realizadas de valor igual ou superior a 100 euros asseguram um desconto de 10% na própria compra; No site de e-commerce - loja.rotadabairrada.pt, e em compras do mesmo valor, 100 euros ou superior, o desconto está implícito na oferta dos custos de transporte;
  • Oferta de descontos diretos, promoções e/ou campanhas temáticas associadas aos produtos e/ou serviços comercializados pelos Associados da Rota da Bairrada;
  • Oferta de descontos nas atividades organizadas pela Rota da Bairrada ? que serão variáveis e comunicados aquando do lançamento das diferentes atividades;
  • Acesso a informação privilegiada sobre as atividades, os produtos comercializados pela Associação, assim como ofertas e promoções exclusivas a clientes com cartão Bairrada;
  • Oferta de surpresa (produto/vale/desconto) no aniversário do cliente aderente.
O Cartão de Cliente pretende potenciar a relação da Associação com os seus clientes reforçando a sua preferência pela escolha dos produtos e serviços comercializados pela Rota da Bairrada e pelos seus diferentes Associados- Produtores de Vinho, Restaurantes, Hotéis, Municípios, Entidade Turismo do Centro e Comissão Vitivinícola da Bairrada. Isento de validade o Cartão de Cliente mantém todas as regalias em vigor em qualquer altura da sua utilização. Fidelização à região é o mote que inspira o lançamento do Cartão de Cliente que premeia o seu utilizador pela escolha da região Bairrada.

Adira já ao Cartão Cliente»

22 fevereiro 2017

Fonte do Ouro Grande Reserva 2013


Nuno Cancela de Abreu é um dos melhores e mais importantes enólogos a nível nacional, a sua carreira estende-se por mais de 25 anos por entre várias regiões e produtores. Teve um papel fundamental em muitos por onde passou, por exemplo em Bucelas onde criou as marcas Prova Régia e Morgado de Sta. Catarina, ajudando a catapultar a casta Arinto para a ribalta. A sua influência passou também pelo Ribatejo onde teve um papel importante na revitalização da Quinta da Alorna. Mas é no Dão e mais propriamente na Quinta da Fonte do Ouro (Nelas) que vamos centrar as atenções. O vinho em causa é o novo topo de gama do produtor, um Quinta da Fonte do Ouro Grande Reserva tinto da colheita de 2013, com preço a rondar os 35€. Criado a partir do lote das castas Touriga Nacional, Jaen e Tinta Roriz, um puro sangue do Dão, corre-lhe pelas veias a terra onde nasceu mostrando-se ainda jovem mas com uma enorme elegância e frescura de conjunto. A fruta bem fresca e ácida nas várias nuances de frutos silvestres, não falta o fundo mineral, o toque de mato rasteiro, a caruma e o balsâmico com alguma barrica pelo meio. Taninos a comandar a prova na boca, fresco, amplo, belíssima estrutura suportada por uma fruta fresca e bem limpa. A elegância e frescura são pontos de ordem num vinho com nervo que dá um tremendo prazer a beber desde já com pratos de bom tempero ou daqui por alguns anos. 94 pts
 
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