Copo de 3: Janeiro 2017

31 janeiro 2017

Carrocel Late Release Tinto 2011

Estamos perante um dos melhores tintos criados em Portugal, o Carrocel é a obra prima do mestre Álvaro de Castro (Quinta da Pellada) e nasce no Dão. Esta versão é especial e tal como o nome indica é um Late Release, uma edição com mais dois Invernos de estágio em madeira usada na adega do produtor. A Touriga Nacional brilha aqui na totalidade, o tempo apenas o tornou mais polido, redondo e equilibrado, no copo é puro prazer. Um vinho arrebatador que nos conquista assim que cai no copo, sedutor será a palavra que lhe assenta qual luva de cetim em punho de aço, o mesmo sentido que comanda este vinho. A fruta bem fresca e sumarenta escorre num conjunto refinado e complexo, pinhal e serra em pano de fundo. Amplo, profundo, toque de geleia de frutos do bosque muito fresca a ligar tudo. É daqueles vinhos que dá vontade de repetir e ter umas quantas garrafas bem guardadas para uma ocasião especial, o preço ronda os 65€ e vale cada cêntimo. 96 pts

28 janeiro 2017

Soalheiro Alvarinho 2016


A colheita 2016 do Soalheiro Alvarinho já entrou no mercado, vinho no qual se nota ligeira diferença para a colheita anterior, agora ligeiramente mais exuberante com notas de fruta variada onde algum tropical ganha protagonismo. Cheio de frescura, aromas limpos, com o segundo plano acente numa vertente mais citrina, mantém a mesma boa intensidade de conjunto, tenso, muito fresco e com austeridade mineral em pano de fundo. Na boca a fruta funde-se com uma muito ligeira e fina austeridade, ligeira secura de fundo num conjunto que se equilibra muito bem com a acidez do vinho. Beba-se desde já com uns camarões tigre grelhados ou então que se guarde por dois anos para se ter uma agradável surpresa. 93 pts

27 janeiro 2017

Mouchão Tonel nº 3-4 2011


Em anos de colheitas excepcionais e comprovada a sua qualidade, a equipa de enologia da Herdade do Mouchão reserva cerca de 10 mil litros de vinho nos famosos tonéis 3 e 4, de carvalho português, macacaúba e mogno, onde estagia durante 36 meses. O Herdade do Mouchão Tonel Nº 3-4 2011 é um vinho que carrega a responsabilidade de respeitar a casta e a tradição em anos excepcionais. Pleno de garra, profundidade e complexidade, é produzido a partir de uma cuidada selecção de uvas Alicante Bouschet provenientes da emblemática Vinha dos Carapetos, berço da casta em Portugal.

É um verdadeiro colosso que como poucos tem a capacidade de vergar autênticas plateias de apreciadores. A potência surge aliada a uma finesse que lhe assenta que nem uma luva de cetim, musculado mas bem torneado, de aromas limpos e cintilantes, enorme a fruta (bagas silvestres) bem madura e suculenta envolta em aromas de eucalipto. De copo na mão somos transportados para a Vinha dos Carapetos, num perfil amplo, profundo e com uma frescura que lhe percorre todos os recantos. A complexidade cresce com o tempo que passa no copo sem nunca largar aquele ligeiro terroso lá no fundo. Fantástico e inesquecível. 96 pts

Maçanita 2014


Ora voltando a um vinho que já se tinha mostrado na colheita 2013, surge agora com nova roupagem e com o 2015 em vias de entrar no mercado. O conteúdo continua fiel ao Douro e ao estilo da casa onde foi criado, conjuga austeridade com fruta saborosa e limpa, toque de grafite que lhe dá sensação de secura em fundo.Tem o corpo suficiente para pratos de bom tempero onde os rojões são disso um belo exemplo. Um tinto sem excessos e que se mostra bem fiel à região, neste caso com o lado mais guloso da fruta a querer dar-se a conhecer. O preço ronda os 10€ em garrafeira, num belo vinho pronto a fazer-nos companhia à mesa. 90 pts 

25 janeiro 2017

Filipa Pato Território Vivo Baga 2015


Centramos a atenção na casta Baga e no "Território Vivo" da Bairrada de onde nasce este tinto da enóloga Filipa Pato. Este vinho é o resultado da recuperação de vinhedo com mais de 80 anos localizado em várias parcelas de Ourentã, Silva, Villarinho do Bairro e São Lourenço do Bairro. Vinificado em lagares de carvalho com parte a passar em ânforas e outra parte com envelhecimento em pipas durante 12 meses. O preço ronda os 15€ e é uma agradável surpresa, o perfil segue aquilo a que Filipa Pato já nos acostumou e que imprime nos seus vinhos, a pureza e a liberdade do terroir se mostrar. Dominado por aromas de fruta madura e muito limpa, evidenciam-se as notas ácidas dos mirtilos, cereja preta a explodir de sabor, fundo terroso e algo austero com um toque balsâmico. Na boca é novamente um rodopio de sensações, marcado pela fruta e pela frescura, elegante a mostrar-se com um corpo estilizado. Uma muito agradável surpresa para beber agora ou guardar por uns largos e bons anos. 92 pts

24 janeiro 2017

Anselmo Mendes Alvarinho Contacto 2015

O Alvarinho Contacto (Anselmo Mendes) tal como o nome indica, é um branco onde no processo de vinificação ocorre o contacto da película da uva com o mosto. Desta forma o vinho adquire cor, aroma, estrutura e capacidade de envelhecimento em garrafa. O preço ronda os 10€ e vale cada cêntimo, sendo este a porta de entrada para os topos de gama do produtor. É um branco de muito bom nível, elegante, profundo e cheio de frescura, fruta limpa (muitos citrinos, pêssego) com fundo mineral. Muito boa a presença de boca, saboroso com a fruta a marcar presença ao lado de uma bela acidez, compacto e com ligeira sensação de untuosidade. Final longo num vinho que pede comida por perto, corvina assada no forno com batata por exemplo. 92 pts

Herdade do Rocim Amphora 2015


Não será o vinho de talha o verdadeiro vinho Alentejano ? Numa altura em que toda a gente parece perceber e saber o que é, sem por vezes nunca o ter provado, eis que o vinho de talha começa a surgir por entre a penumbra do esquecimento. Não há fome que não dê em fartura e os vinhos de talha surgiram como cogumelos por tudo o que é lado, inventa-se, aldraba-se, vale tudo para se ter qualquer coisa engarrafada que depois é vendida ao preço do ouro. Este Amphora (Herdade do Rocim) não engana e é a meu ver o melhor exemplar tinto colocado no mercado, feito em talha, com engaço total e como manda a regra. Metade Aragonês e o resto Trincadeira, Moreto e Tinta Grossa, leveduras indígenas e sem correção ácida do mosto. Tem a capacidade de nos baralhar os sentidos em prova cega e eu gosto de vinhos que nos metem a pensar, a conversar e acima de tudo a questionar. Porque o vinho é tudo isto e só depois vem aquela parte dos descritores. O vinho é todo ele frescura, fruta limpa com toques de resina e ligeiro balsâmico de fundo, leve terroso com toque verdasco do engaço que se sente e mata saudade. Tem vida pela frente mas o prazer está assegurado. 91 pts

14 janeiro 2017

Blandy’s Terrantez 1976



De volta uma vez mais ao fantástico mundo dos Madeira, das provas que tenho feito escolhi desta vez o Terrantez de 1976. Um vinho a mostrar-se dono e senhor de uma bonita complexidade, perfumado, delicado e muito elegante. Muita nota de fruto seco  em conjunto com raspas de laranja, tâmaras, tabaco, caramelo, nozes, tudo embrulhado numa grandiosa acidez. Na boca é um vinho muito bem-educado, ligeira untuosidade para depois ser arrebatador pela frescura que invade todo o palato, renova as sensações do nariz, tem aquele toque agridoce que vai lavrando a língua até final em perfeita harmonia com a fruta e a acidez. O preço em garrafeira ronda os 250€. 95 pts

13 janeiro 2017

QM Vinhas Velhas Alvarinho 2015

Vem das Quintas de Melgaço (Região Vinhos Verdes) este belíssimo exemplar da casta Alvarinho, nascido das parcelas mais antigas e que apenas passou por inox com estágio de 6 meses em garrafa. Com preço a rondar os 15€ é um branco de grande classe, muito bem apresentado num rótulo requintado e elegante. Aromas bem definidos, com a casta Alvarinho no seu melhor plano, perfumado pelas frutas de pomar e algum limão, rigor e precisão num fundo com notas a invocar pederneira. No palato é marcado pela acidez citrina, muito sabor e rasgo seco e mineral em fundo, amplo e prolongado. É daqueles vinhos a ter por perto e debaixo de olho colheita após colheita. 92 pts

10 janeiro 2017

Meruge, o charme da Lavradores de Feitoria

As mais recentes colheitas do vinho Meruge, branco e tinto, foram recentemente apresentadas na Taberna da Rua das Flores. Esta marca criado pela Lavradores de Feitoria (Douro), teve direito a uma vertical de cinco tintos e cinco brancos, com a respectiva palestra dada pelo enólogo responsável, Paulo Ruão. ‘Meruge’ é um peculiar e “sonante” nome na história da Lavradores de Feitoria, começou por ser o nome de uma das 19 quintas que compõem o portefólio da empresa – Quinta da Meruge, situada no concelho de São João da Pesqueira e que assim se chama porque ali habitam, entre vinhas, muitas ervas silvestres com esta designação (aka morugem) –, mas rapidamente passou da vinha ao vinho! Em 2001 a Lavradores de Feitoria lançava os seus primeiros “vinhos de quinta” e, um deles, era precisamente o ‘Quinta da Meruge’, um tinto de 1999, que se repetiu nas colheitas de 2000 e 2001. Estávamos em 2005 quando a Lavradores de Feitoria lançou o seu primeiro “vinho de terroir”, um tinto da colheita 2003 a envergar precisamente o nome ‘Meruge’. Mais tarde, na vindima de 2009 nascia o ‘Meruge branco’.
           

Sendo o ‘Meruge branco’ um Douro feito com Viosinho em estreme pode, a certo ponto, assumir-se que a sua história – ou gestação – remonta à vindima de 2007. Neste ano, a equipa técnica da Lavradores de Feitoria identificava um Viosinho de excelência, nascido de vinhedo com mais de 45 anos e que permitia a sua vinificação a solo. Considerada uma das melhores castas autóctones do Douro e Trás-os-Montes deu origem ao ‘Três Bagos Viosinho’, nas colheitas de 2007 e 2008. Um néctar que em 2009 evoluiu – e assim se manteve – para um caminho diferente: ao estagiar em madeira “deu salto” para a gama ‘Meruge’. Um chamado “branco de Inverno” que tem a particularidade de fermentar e estagiar seis meses em barricas de carvalho português, de Palaçoulo, novas e em cru – sem “queima/tosta” –, o que lhe imprime um carácter muito próprio. O desfile começou nos brancos e com cinco referências, desde 2010 ao novíssimo 2015 que será colocado no mercado no início do ano que se aproxima. Notável a frescura e limpeza de aromas que todos mostraram, num fio condutor comum a todos eles, permitindo entender como aromas e sabores iam evoluindo na passada do tempo.

Meruge branco 2015: Desde o mais novo ao mais velho, a barrica onde estagiaram nunca lhes chega a marcar a alma e o corpo, nota-se ligeiramente mas sem os tradicionais fumados, mesmo no exemplar mais recente. É comum a todos eles uma bonita e perfumada complexidade, enorme elegância com muitos aromas de cariz citrino, floral acompanhado de folha verde, ligeiro toque de madeira quase que acetinado no fundo. Na boca faz-se notar uma muito boa frescura que sempre presente, alarga para sabores de fruta bem fresca e ácida, boa estrutura com suporte na acidez e num fundo de sensação mineral. A guardar algumas se entretanto conseguir resistir aos seus encantos. 92 pts


No que aos tintos diz respeito, a Quinta da Meruge apresenta características muito especiais, principalmente na casta Tinta Roriz, plantada uma vinha de encosta virada a Norte. Um desafio para a equipa de enologia da Lavradores de Feitoria, que na vindima de 2003 encetou uma forma de vinificar distinta, a fim de dar origem a um tinto – de seu nome ‘Meruge’ – com características do Douro, embora mais suave e elegante. O lote – de Tinta Roriz (80%) e Vinhas Velhas (20%), com predominância de Touriga Franca e Touriga Nacional – estagia em barricas novas de carvalho francês.

Meruge tinto 2014: é aquilo a que se pode chamar, vinho de charme, com a Tinta Roriz a brilhar bem alto dando origem neste caso a um vinho de perfil mais Borgonhês. Um belíssimo vinho que como ficou provado, desenvolve uma fina complexidade na passada larga do tempo, não seja de estranhar a maneira como se mostra na fase mais jovem com ligeiro aroma terroso, mato rasteiro, cogumelos e especiaria, dando lugar a uma fruta bem ácida e marcante com chocolate e especiaria. Com muito boa presença na boca deixado pela fruta (cereja ácida) suportada por uma estrutura firme, com frescura, passagem saborosa e marcante. Uma belíssima aposta que irá ganhar com alguns anos de cave. 93 pts

Verdelho o Original branco 2015


Felizes os vinhos que nos conseguem baralhar as "contas" numa prova cega e literalmente nos metem a pensar. Sempre gostei de vinhos assim, fora do trivial, fora do conjunto tradicional de aromas e sabores tão em moda e que correm regiões inteiras de fio a pavio. Este é criado no meio de um oceano pela Azores Wine Company, um vinho com toque de maresia, aromas limpos e muito frescos numa mistura de citrinos e ligeira fruta tropical com algum vegetal fresco. Elegância, algo comedido na maneira como se expressa, junta depois o lado mais marítimo em pano de fundo. A acidez qual gume de faca bem afiada é aqui dominante e qual onda, refresca o palato a cada trago. A produção é reduzida e o preço ronda os 20€ por garrafa, a guardar ou a abrir desde já a acompanhar "bichos" do mar. 92 pts

06 janeiro 2017

Os Muros de Anselmo Mendes


Anselmo Mendes é nome maior da enologia Portuguesa, nasceu e cresceu em Monção e foi aí que desde criança se familiarizou com a cultura da vinha e a produção do vinho. Um verdadeiro mestre da enologia que trata a casta Alvarinho com uma precisão e rigor, como poucos o sabem fazer no mundo. Fruto do seu trabalho a partir de três castas e em três das zonas da Região Demarcada dos Vinhos Verdes: Alvarinho no Vale do Minho, Loureiro no Vale do Lima e Avesso no Vale do Douro, nascem os seus vinhos. Um artigo dividido em duas partes, numa primeira parte dedicada aos cinco exemplares designados como Muros, desde o Escolha, passando pelos varietais até ao topo Muros de Melgaço. São cinco os Muros, todos distintos mas com identidade muito própria, a transmitirem aquilo que de melhor as castas e os locais de origem têm para nos dar.


Muros Antigos Escolha 2015: Nasce da selecção das castas Alvarinho, Loureiro e Avesso. Aroma muito coeso e limpo, de fino recorte cheio de fruta (tropical, citrinos, pomar) com bela frescura. Na boca mostra-se cheio de sabor, leveza com acidez vincada a prolongar um final com ligeira secura. Fantástica relação preço/satisfação a rondar os 5€ 90 pts


Muros Antigos Avesso 2015: Proveniente de uvas criadas no Vale do Douro, em Baião, com vinhas em altitude acima dos 500 metros. Muito preciso de aroma, fresco e mineral com a fruta (citrinos maduros) presente sem grande exaltação. Boca a mostrar um conjunto com muita energia, fruta bem presente com final onde se sente um ligeiro travo mineral. Preço na casa dos 7€. 90 pts

Muros Antigos Loureiro 2015 : Uvas da casta Loureiro criadas no Vale do Rio Lima. Muito bem no aroma a invocar a casta, perfumado (floral) com toque de folha verde de louro, citrinos, todo ele muito preciso, fresco e elegante. Replica no palato, apoiado numa bela acidez, acutilante e expressivo num misto de energia e finesse. 90 pts


Muros Antigos Alvarinho 2015: A casta Alvarinho de vinhas junto ao rio, em solos com elevado teor de pedra rolada. Muito limpo de aromas, mostra-se bem fresco com notas de fruta bem madura (tropical ligeiro, tangerina), flor de laranjeira, com um ligeiro toque a noz que lhe confere a sensação de ter alguma untuosidade. Na boca mostra-se com bom corpo, bem estruturado e a mostrar-se bem comunicativo, comandado pela fruta cheia de frescura e sabor. Preço a rondar os 9€ neste belo exemplar de Alvarinho. 92 pts


Muros de Melgaço 2014: Uvas da casta Alvarinho, exclusivamente produzidas em Melgaço. Fermenta e estagia em barricas de carvalho francês durante 6 meses. Um clássico e aquele que durante anos foi o topo de gama do produtor. Um vinho onde predomina a elegância de conjunto com uma fruta (citrinos com ligeiro toque tropical) lado a lado com uma mineralidade muito fina e delicada.Notas de pederneira num vinho que mostra ter uma bonita complexidade, que irá aumentar com o passar dos anos em garrafa, mas que dá uma excelente prova desde já. Boca com grande finesse e equilíbrio, frescura acompanhada pela fruta e um final de travo seco e mineral. Por cerca de 14€ podemos trazer para casa um grande vinho. 94 pts

05 janeiro 2017

Blandy´s Malmsey 50 Anos


No vinho da Madeira a categoria de vinhos com indicação de idade viu ser integrada recentemente a luxuosa categoria dos 50 anos. Até agora apenas um vinho tinha sido lançado nesta categoria, sendo este Blandy´s Malvasia 50 (Madeira) o segundo a conseguir tal feito. Um vinho raro, uma autêntica preciosidade e verdadeiro vinho de colecção pois segundo foi dito a produção rondará um número a rondar as 600 garrafas, isto porque o vinho nasce dos preciosos "restos" que ficam de outros engarrafamentos. Arrebatador e conquista no imediato pela qualidade e riqueza dos aromas que emana, um autêntico turbilhão de sensações guiadas por uma acidez que confere uma bonita energia. E no meio dessa energia mora um bouquet rico, com a untuosidade e patine que só a idade pode conferir em conjunto com um apontamento de doçura que a casta Malvasia proporciona. Emocionante e ao mesmo tempo inesquecível.

04 janeiro 2017

MR Premium Rosé 2015


Este é o rosé topo de gama do Monte da Ravasqueira (Alentejo), um 100% Touriga Nacional com direito a passagem por madeira. Elegante e perfumado, nota-se com os aromas um bocadinho mais presos e menos exuberantes que na anterior colheita. Não é mal que venha ao mundo porque a qualidade continua bem alta num perfil sofisticado e de alto gabarito, como tem sido hábito nos topos de gama deste produtor. Envolto em frescura, sedutor, boa textura, muito elegante e fresco, na boca fica marcado pela presença da fruta, novamente uma ligeira tosta, saboroso e com final seco a pedir comida por perto. O preço ronda os 22€ em garrafeira, e é perfeito à mesa com entradas delicadas no sabor e no trato. 92 pts

Nossa Calcário 2014


Costuma-se dizer que filho de peixe sabe nadar, neste caso podemos dizer que filha de Pato sabe fazer excelentes vinhos, é disso exemplo este Nossa branco 2014. A autora é Filipa Pato, filha de Luís Pato, que em Óis do Bairro e de vinhas de Bical com 25 anos em solo argilo-calcário e arenoso, cria este seu Nossa branco. Um branco em que 20% do mosto fermenta em barricas novas e o restante em madeira já usada com batonage duas vezes por mês, até ser engarrafado e colocado posteriormente no mercado. Preço de 20€ em garrafeira num vinho que nos mostra do melhor que a Bairrada nos pode oferecer em tons de branco. Todo ele exala Bairrada, aromas que nos remetem para um vinho com uma bonita complexidade aromática onde saltam notas de cera abelha, flores amarelas, fruta de caroço, tudo muito limpo e bem delineado. A madeira integrada serenou-lhe ligeiramente o espírito, a bela acidez percorre todos os recantos até ao final seco e prolongado. Bem estruturado, com amplitude e profundidade, um belíssimo branco com muito tempo pela frente. 93 pts 

03 janeiro 2017

Maçanita branco 2015

É recente no mercado a edição, agora com nova roupagem, deste Maçanita branco 2015. Um vinho feito por dois irmãos, enólogos, amigos e a trabalhar juntos há mais de 10 anos e em mais de 14 adegas. E o vinho é isso mesmo, o resultado do conjunto das experiências de dois irmãos, dois enólogos, muita discussão, muitas gargalhadas, tudo resumido numa garrafa de vinho. As castas Viosinho, Códega do Larinho e Gouveio, dão-lhe vida num conjunto que se destaca pela frescura, contido e preciso, com uma acidez acutilante e fruta algo receosa de se mostrar. Por enquanto domina o floral, um toque vegetal fresco faz-lhe companhia, na boca é vivo, aguerrido e compacto com um final com boa secura. É um belo branco do Douro, melhor que a anterior colheita, custa coisa de 7,50€ e faz uma ligação fantástica com uma Caldeta de Peixe do Rio. 91 pts

Ano 2017

Que sirva como mero marco comemorativo de mais um ano de escrita e prova de vinhos de forma continuada, comemorando este ano o 12º ano do Copo de 3. Um fantástico 2017 para todos aqueles que vão lendo o Copo de 3 e como vai sendo hábito, encontramos por aí.
 
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