Copo de 3: Casa Ferreirinha
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01 Abril 2013

Quinta da Leda Vinha do Pombal 2004

Photo by Miguel Pereira

Provado às claras, sem entraves nem qualquer coisa que lhe tapasse o nome ou a marca, simplesmente fez parte de um punhado de vinhos que foram dados a conhecer de forma clara aos olhos de todos os que os iam provar naquele instante. Este foi dos que menos me disse, esperava bem mais do que aquilo que me caiu no copo, simplesmente prostrado e sem grande graça. Os Quinta da Leda sempre fizeram parte dos vinhos do Douro que melhores momentos (aqui e aqui) me deram, o mesmo estava à espera que este especial de corrida de nome Vinha do Pombal me fosse proporcionar no instante da prova. 

Puro engano, o que encontrei foi algo parco de aromas, desgastado, demasiado limado e sem brilho, a finesse está presente mas não chega para grandes euforias, nada de maravilhoso portanto. O veredicto é que já devia ter sido despachado vai para alguns anos atrás, na boca com a fruta mais presente que no nariz, apesar das notas afinadas de especiarias que por ali andam soltas, o vinho tem falta de comprimento, largura qb numa presença muito sumida, bom de frescura e levemente seco no final. É um vinho em queda livre, falta-lhe sustento e garra para se poder agarrar ao que quer que seja, por mais tempo que lhe fosse dando no copo, apenas lhe aumentava a agonia, o contacto com o oxigénio sufoca-lhe a alma e tortura-me o pensamento sobre os fantásticos Leda que já bebi. 88pts

24 Abril 2012

Quinta da Leda 2007


Distante deste infernal teclado vou derrubando algumas garrafas, rebuscando na memória aqueles bons momentos que passaram e onde por vezes gostaria de voltar a estar, locais que já não há com gente que já não está, o vinho dá para isto e para tanta coisa, também dá para parar, pensar... sonhar. 


Um desses vinhos do qual gosto muito é o Quinta da Leda (Casa Ferreirinha), vinho que nasce no berço dourado do Barca Velha, a Quinta da Leda, feito com um lote de castas tradicionais do Douro,  Touriga Nacional, Touriga Franca e Tinta Roriz. No Leda sempre lhe encontrei mais pujança e maturação que nos irmãos mais velhos, clássicos abastados (Reserva Especial e Barca Velha), mostrando-se nesta ordem mais vinho que o seu primo Callabriga. O Quinta da Leda  nasceu lá para o ano de 1995, recordo nos meus inícios de enofilia os seus belíssimos lançamentos versão Touriga Nacional, pejados de pujança e estrutura, cheirosos e raçudos que nos dias de hoje e em condições deslumbram uma mesa. Tive o prazer de acompanhar o crescimento desta marca com alguma atenção e insistência nas suas provas, terei falhado eventualmente algumas colheitas, mas recordo com alegria o 1999, 2001 e mais para a frente o 2003. Entretanto a mudança de rótulo e garrafa afastou-me do vinho, quase por birra enófila de ver desconstruir algo de que se gosta... voltei a ele na colheita 2007, dos que já bebi até hoje não andará muito longe de ser o que mais me preencheu as medidas, encontrei no 2007 um Leda adulto, raçudo, com força e sabedoria no trato, um vinho muito bonito cheio de frescura, fruta, estrutura e todo ele muito Douro para estar e durar... sim este é dos que duram.

Perfil a que gosto de chamar clássico moderno do Douro, mostrou-se em excelente fase da sua longa vida com vigor e boa dose de esteva e as ervas de cheiro do campo, as ditas cujas violetas da Touriga logo de inicio, fumo, vai crescendo com tempo no copo, muito  bom na sua complexidade e compostura, notável densidade de aromas quase que por camadas de boa espessura. Fruta escura em modo bagas e pomar com cereja, ameixa, bem fresca e sumarenta, compota ligeira, bálsamo pelo meio a dar lugar a especiaria, chá preto, tabaco em segundo plano. Boca ainda com ligeira secura dada por taninos presentes mas sociáveis, aquela austeridade que lhe assenta bem e lhe permite ter garra para acompanhar pratos mais elaborados, todo ele a começar a mostrar e bem grande elegância de conjunto e mesmo harmonia com a prova de nariz, bom preenchimento do palato com bom volume e frescura, profundidade assinalável com a fruta madura e fresca a fazer-se sentir, vegetal, especiaria e final de boca com persistência média/alta. O preço longe de ser escandaloso rondará quase sempre a casa dos 30€... a meu ver bem merecido para o vinho que é e continuará a ser durante uns bons anos. 94 pts
 
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