Este vinho é um dos Soleras da Henriques & Henriques (Madeira) que surge de uma solera criada na colheita de 1900 e que no ano seguinte viu um décimo do seu volume ser substituido pela nova colheita. Este processo foi repetido mais 9 vezes e o casco foi fechado e deixado em repouso, para o lote final apenas ser engarrafado em 1999, cerca de 1000 garrafas. Tudo isto são detalhes que apenas enriquecem e aguçam a vontade de o ter no copo e contemplar este precioso e raro vinho. Transborda na complexidade, madeira antiga das barricas, frutos secos, passas de figo com nozes, mel, aconchego dado pela sensação de untuosidade. Caixa de charutos, desdobra-se como que por finas camadas de aromas e sabores, boca de veludo marcada pela frescura, concentração e uma tremenda elegância. Há vinhos que não se esquecem e este é certamente um deles. O preço ronda os 800€. 96 pts
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22 abril 2018
03 dezembro 2017
José Maria da Fonseca 'Trilogia' Moscatel de Setúbal

A José Maria da Fonseca é o mais antigo produtor de Moscatel em Portugal sendo os vinhos desta casta um dos seus patrimónios mais raros e preciosos que remonta a 1834. O Trilogia é a todos os níveis um vinho único e muito especial, mas também irrepetível, resultante de três das melhores colheitas do século XX, 1900, 1934 e 1965. Os vinhos que dele fazem parte envelheceram em pipas usadas de carvalho até à data do primeiro engarrafamento, foram cerca de 14.000 garrafas que se colocaram no mercado em Outubro de 1999. Agora restam apenas 2400 desta edição rara e especial, que saltam para o mercado com nova imagem e preço a rondar os 300€.
Mas e o que podemos esperar de um vinho como este quando nos cai no copo ? Denso, untuoso, carregado de caramelo e notas de passas de fruta, melaço, frutos secos e a meio termo o toque de vinagrinho para espevitar o nariz, muita harmonia entre acidez/doçura que convidam a sempre mais um trago. A complexidade deste vinho é tremenda sendo capaz de um copo perfumar toda a sala de jantar, muito tabaco, terciários de luxo tal como a prova de boca com uma entrada cheia de força, untuosidade e quase que se mastiga num final interminável. É um vinho que nos faz esquecer do tempo e são poucos os que o conseguem fazer. 99 pts
04 fevereiro 2016
José Maria da Fonseca Trilogia
A José Maria da Fonseca é o mais antigo produtor de Moscatel em Portugal sendo os vinhos desta casta um dos seus patrimónios mais raros e preciosos que remonta a 1834. Para celebrar a entrada neste século foi criado um vinho único e muito especial, o Trilogia, resultante de três das melhores colheitas do século XX, 1900, 1934 e 1965. Os vinhos que dele fazem parte envelheceram em pipas usadas de carvalho até à data de engarrafamento, foram cerca de 14.000 garrafas que se colocaram no mercado em Outubro de 1999. O preço tem vindo a subir , na loja online do produtor vende-se a 138€ uma vez que a quantidade disponível cada vez é mais reduzida. E o que podemos esperar de um vinho como este quando nos cai no copo ? Denso, untuoso, carregado de caramelo e notas de passas de fruta, melaço, frutos secos e a meio termo o toque de vinagrinho para espevitar o nariz, muita harmonia entre acidez/doçura que convidam a sempre mais um trago. A complexidade deste vinho é tremenda sendo capaz de um copo perfumar toda a sala de jantar, muito tabaco, terciários de luxo tal como a prova de boca com uma entrada cheia de força, untuosidade e quase que se mastiga num final interminável. É um vinho que nos faz esquecer do tempo e são poucos os que o conseguem fazer. 99 pts
07 dezembro 2015
Real Companhia Velha - Vinhos do Porto
Com mais de 250 anos de existência e de actividade ininterrupta ao serviço do Vinho do Porto, a Real Companhia Velha é a mais antiga e uma das mais emblemáticas empresas de vinho de Portugal. Fundada em 1756 durante o reinado de D.José I, por iniciativa do Marquês de Pombal, a Companhia Geral da Agricultura das Vinhas do Alto Douro também referida como Real Companhia Velha tinha como objectivo limitar a preponderância dos ingleses no comércio dos vinhos do Alto Douro e resolver a crise que a região atravessava. As suas seculares caves encontram-se instaladas em Vila Nova de Gaia e foi por lá que se deu início a esta fantástica viagem pelo mundo da Real Companhia Velha. Visitar e ficar a conhecer as Caves de Vinho do Porto é algo único, cada uma delas respira uma identidade muito própria fruto dos tesouros que guardam ao longo do passar dos anos. O ar que se respira em cada uma é diferente, a luz, os cheiros, as pipas e até mesmo o chão que pisamos. Estas caves da Real Companhia Velha emanam um carisma muito especial e mesmo não ficando "coladas" ao rio, merecem uma visita muito atenta.
Vagueando pelas caves uma das coisas que gosto de fazer quando visito estas catedrais do vinho é perder-me por entre os pipos à procura daqueles que surgem datados com o meu ano de nascimento, outra das aventuras é procurar qual o mais antigo. No decorrer desta visita fui dar com um verdadeiro tesouro, ali lado a lado estavam 1937, 1900 e 1867, que por sinal fazem parte do "Super Tawny" que a Real Companhia Velha lançou com o nome Carvalhas Memórias do Séc. XIX, numa edição de 500 garrafas a preço de 1.000€ a unidade. A base é a colheita 1867, um vinho denso, guloso e de enorme complexidade, ao mesmo tempo misterioso tal como a sua proveniência. A prova do 1900 revelou ser a mais equilibrada pela frescura/complexidade que apresenta e uma enorme presença de boca, já o 1934 algo mais rústico e com pontas soltas. Vinhos que nos fazem sonhar e em que por um breve momento dá a sensação que tudo fica parado à nossa volta, sem dúvida um momento que fica na memória.
No campo das novidades e já no mercado e no que ao estilo Ruby diz respeito, foram dados a provar dois vinhos, o Quinta das Carvalhas LBV 2010 que se mostra muito fresco e convidativo. A fruta muito limpa, airosa e madura a fazer lembrar frutos do bosque, chocolate de leite, notas balsâmicas e ervas de cheiro que recordam o passei pela Quinta das Carvalhas. Um vinho bonito e que dá bastante prazer, com passagem de boca bem saborosa, fresca e onde a fruta se mostra carnuda e macia. Fácil de se gostar mas com o apontamento necessário de seriedade que o torna infalível à mesa. 90 pts
O outro vinho apresentado foi o Real Companhia Velha Vintage 2012, muito cheio de frutos do bosque maduros e sumarentos, ponta de canela com notas de chocolate preto e alguma pimenta preta, fundo com balsâmico e geleia, num conjunto que mostra bom equilíbrio entre a doçura e a frescura. Muito harmonioso e pronto a beber, sem taninos espigados ou austeridade a fazer-se sentir, um vinho que se torna ameno no palato ao mesmo tempo saboroso e com uma boa persistência final. Será sempre boa companhia com sobremesas que misturem chocolate com frutos silvestres, ou até um queijo amanteigado. 93 pts
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12 dezembro 2014
Henriques & Henriques
Durante muitos anos a família Henriques foi a maior proprietária vinícola da ilha da Madeira, com as primeiras vinhas plantadas por ordem do Infante D. Henrique no ano de 1425. Daquela que foi uma tradição familiar passou a empresa fundada em 1850 pelas mãos de João Gonçalves Henriques. Após a sua morte em 1912, foi criada entre os seus dois filhos, Francisco Eduardo e João Joaquim Henriques, uma sociedade que deu origem ao nome Henriques & Henriques.
Henriques & Henriques Wine Lodge & Shop © Blend All About Wine, Lda.
Em 1968, com a morte do último Henriques, João Joaquim Henriques, conhecido por “João de Belém”, que não tendo descendentes fez com que a empresa fosse herdada pelos seus três amigos e colaboradores: Alberto Nascimento Jardim, Peter Cossart (que fez 53 vindimas na companhia) e Carlos Nunes Pereira. Em Junho de 1992, é feito um avultado investimento na construção de novas instalações em Câmara de Lobos e um novo centro de vinificação na Quinta Grande, onde em 1995 se planta um novo vinhedo, 10 hectares, sendo dos poucos produtores de vinho da Madeira que possui vinhas próprias. Foi o filho de Peter Cossart, John Cossart, que deu seguimento à gestão da empresa mas que acabaria por falecer em 2008. Num passado recente a multinacional francesa La Martiniquaise (dona da Justino’s Madeira) tornou-se sócio maioritário da H&H, passando desta forma a controlar cerca de 70% da produção total do Vinho da Madeira, mantendo-se o Dr. Humberto Jardim como C.E.O.
Alguns dos mais antigos vinhos da Henriques & Henriques, fazem parte do lote dos primeiros grandes Madeira que tive a oportunidade de provar e que me despertaram o interesse pelo Vinho da Madeira, por curiosidade eram todos Boal como por exemplo o Old Wine Boal 1887, Solera Boal 1898 ou o Reserva Velhíssima W.S. Boal que faz parte de um quarteto de sonho cujas diminutas quantidades já não permitem que sejam colocados em prova.
Barricas de “Canteiro” Henriques & Henriques © Blend All About Wine, Lda.
Após a visita tive oportunidade e provar vários vinhos, destaque rápido para o descomprometido Monte Seco Extra Dry 3 Anos, feito a partir da casta Tinta Negra, cheio de retoques a lembrar um Fino de Jerez sem aquele característico toque da “flor” e que nos sugere um vinho ideal para acompanhar entradas, com uma abordagem simples, directo e bastante seco. Outros vinhos da Henriques & Henriques já foram devidamente abordados no artigo anterior da Olga Cardoso.
H&H Verdelho 20 Anos © Blend All About Wine, Lda.
H&H Verdelho 20 Anos
Os Madeira 20 Anos são recentes no mercado, têm a particularidade de as quantidades serem reduzidas e o lote ir variando, por isso alguns são mesmo edições exclusivas e irrepetíveis. Neste caso é um Verdelho, casta que tem a particularidade de conseguir manter durante muito tempo os seus aromas e sabores frutados, algo que se destaca e bem neste vinho de muito bom recorte. Frutos tropicais com maracujá bem fresco, ananás em calda, especiarias, madeira velha, laca, melado, complexo a mostrar harmonia entre concentração e frescura. Boca a condizer, acidez bem presente com sabor inicial a fruta, abrindo depois num conjunto untuoso e com boa concentração, algum fruto seco a complementar, final longo e persistente.
H&H Century Malmsey Solera 1900 © Blend All About Wine, Lda.
H&H Century Malmsey Solera 1900: Um dos vinhos emblemáticos deste produtor, perde-se no tempo a idade da Solera que lhe deu origem, remonta certamente ao séc XIX e o resto são detalhes que apenas enriquecem e aguçam a vontade de o ter no copo e contemplar o precioso líquido. Um vinho que transborda na complexidade, madeira antiga das barricas, frutos secos, passas de figo com nozes, mel, nariz de aconchego pela sensação de untuosidade e ao mesmo tempo de frescura. Caixa de charutos, desdobra-se como que por finas camadas de aromas e sabores, boca de veludo marcada pela frescura, concentração e uma tremenda elegância. Há vinhos que não se esquecem e este é certamente um deles.
H&H Verdelho Reserva Ribeiro Real N.V. © Blend All About Wine, Lda.
H&H Verdelho Reserva Ribeiro Real N.V.
Este vinho e o momento que envolveu a sua prova, são a essência do que é o mundo do Vinho da Madeira, algo único, arrebatador e direi mesmo impossível de acontecer em qualquer outra parte do mundo. Para tal basta ter em conta que a responsável pela prova em mais de 19 anos a trabalhar na H&H nunca tinha sequer provado o dito cujo tal a sua raridade. Perde-se no tempo o registo capaz de nos dizer com precisão a sua idade, embora tudo aponte para a metade do século 19. Proveniente de vinhas localizadas na zona conhecida pelo Ribeiro Real, os mais de cinquenta anos que passou em Canteiro tornaram-no concentrado, glicérico, deram-lhe um refinadíssimo e profundo bouquet, ao olhar é percetível aquela bonita coroa esverdeada. O resto é um monumento à casta Verdelho, engarrafado em 1957, com aroma da madeira velha onde morou, laca, toques de laranja/toranja cristalizada, iodo, muita frescura e elegância num conjunto profundo e misterioso. Boca em perfeita sintonia, meio seco, saboroso com a concentração a ser compensada pelo arrasto mineral acompanhado por uma acidez que revitaliza o palato, repete o toque de toranja bem no final da boca. Inesquecível.
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