Copo de 3: 2010
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07 junho 2019

Romano Cunha 2010


Os vinhos de Mário Romano Cunha (Mirandela) são vinhos com uma vontade muito própria onde podemos afirmar como dizem do lado de lá da fronteira, com os taninos bem postos. São vinhos onde o tempo é que manda, por isso não se estranhe que depois da colheita de 2009 tenha saido o 2008 e só agora o 2010, preço na casa dos 20€. Um tinto que invoca castas como a Tinta Amarela, Tinta Roriz e Touriga Nacional que estagiaram em madeira por algum tempo. Quando olho para estes Romano Cunha não consigo deixar de me lembrar dos Ultreia (Bierzo) também criados por Raúl Pérez. 

A qualidade da fruta sempre muito elegante, fresca e com grande definição aromática, aliada a uma madeira que soube fazer o seu trabalho, afinando e dando suporte a um conjunto amplo e muito agradável. Bonita a complexidade, com notas de cacau, flores e vegetal fresco, explodem as frutas silvestres com elegância e frescura, saboroso e com boa intensidade, evolui de forma calma e serena no copo. Está para durar e encantar, haja coragem para as manter guardadas. 94 pts

20 janeiro 2019

El Duende de Andrés Herrera 2010

El Duende de Andrés Herrera é um tinto feito com a casta Syrah, com uvas da zona de Borba mas pensado à moda Australiana, não chegam a ser 1500 garrafas deste Grande Reserva 2010, a 25€ a garrafa. André Almeida é filho de pai português e mãe espanhola, nascido na linha do Estoril foi na Herdade da Murteirinha (Estremoz) que se estabeleceu, estudou em Évora e os vinhos nasceram todos na região, grande parte oriundos de vinhas velhas propriedade do seu sogro. São vinhos todos eles peculiares e cheios de salero, vinhos com garbo, bom porte mas sempre a pedirem comida de bom tom por perto. Este mostra-se opulento e fresco, raçudo com elegância da fruta negra um pouco a acusar o toque macerado (a graduação ajuda neste toque), alguma pimenta preta, folha de tabaco seco, ligeiro perfume de violeta que paira no ar muito sibilante. É um vinho de impacto, investe e não se fica, grande estrutura suportada por uma boa acidez, a dar sinais de estar num belo momento para se beber com pratos de temperamento forte. 92 pts

13 novembro 2018

Marquês de Marialva Baga Reserva 2010

Um 100% Baga da Adega de Cantanhede (Bairrada) com preço a rondar os 6€ e que se revela uma aposta vencedora para beber no dia a dia, ou para guardar durante uns bons anos. Este é da colheita de 2010 e mostra-se numa fantástica forma, cheio de vida mas a mostrar que os 8 anos que passaram ajudaram a afinar o conjunto. Um tinto pleno de harmonia e equilibrio, frescura da fruta fresca e carnuda, cerejas e bagas silvestres, toque fumado com cacau em fundo e tom herbáceo. Com o tempo acomoda-se ao copo e fica sedutor e convidativo. 90 pts

04 novembro 2018

Aliança Vintage Bruto 2010


Este Bairradino oriundo das "Caves Aliança" (Bacalhoa Vinhos) nasce de um lote de Baga e Chardonnay, que descansou 36 meses em garrafa antes do dégorgement. O preço ronda os 16,40€ e justifica o investimento, uma vez que estamos perante um belo espumante. Sério e conquistador, exuberante com bonitas notas de tosta, leve amanteigado na sensação de biscoito a conferir noção de cremosidade. Depois é a fruta que entra num plano harmonioso, com toques de pêra madura. Na boca bom volume, enche o palato de sabor, mousse muito fina com frescura prolongada e uma bela prestação a acompanhar um suflê de camarão. 92 pts

06 junho 2018

Torero Grande Reserva Tinto 2010


O caminho escolhido por este produtor, onde desponta o nome de Andrés Herrera, é em tudo bastante peculiar até pelo facto de o tempo de estágio dos seus vinhos ser superior ao normal. Este 2010, cujo lançamento é recente, estagiou 3 anos em barricas usadas e mais 4 anos em garrafa. Na alma tem um blend tipicamente Alentejano com Aragonez, Trincadeira e Alicante Bouschet. O vinho tem raça, investe com nobreza, mostrando um bouquet amaciado pelo tempo, recebe-nos com garbo e frescura que lhe dá uma bonita vivacidade enquanto rodopia no copo. A rondar os 15€, pelo poderio que tem pede pratos de forte temperamento, uma presa de ibérico grelhada no carvão será sempre uma excelente opção. 91 pts

26 novembro 2017

Cartuxa Espumante Reserva Bruto 2010


Feito na Adega da Cartuxa (Alentejo) a partir da casta Arinto, com fermentação a temperatura controlada, efetuada em barricas de caravalho francês. Estágio sobre borra fina durante 6 meses com batônnage periódica. Segunda fermemtação em garrafa pelo método clássico, seguida de estágio sobre borra e batônnages intercalares durante 4 anos, nas caves do Mosteiro da Cartuxa. Degorgement em Novembro de 2015. Aroma dominado pelos citrinos, muito limonado, com muita frescura e uma grande envolvente dada pelos toques de levedura e biscoito de manteiga (sensação de cremosidade/volume). Boca a condizer com o palato dominado por uma acidez bem revigorante, muitos citrinos e envolvente de ligeira mousse que se prolonga num conjunto pleno de grande elegância. Um belíssimo espumante cujo preço ronda os 30€. 93 pts

06 abril 2017

Pinhal da Torre Tardio 2010


O Tardio da Pinhal da Torre (Alpiarça) apresenta-se como o Colheita Tardia deste produtor Ribatejano. A casta escolhida foi a Fernão Pires com fermentação em barrica.Longe de ser uma bomba de açúcar mostra-se muito preciso e delicado, com elegância e harmonia entre frescura/doçura. Destacam-se as notas finas de mel que lhe dá untuosidade embrulhando os citrinos em calda, fruto seco e floral ajudam a dar algo mais à fina complexidade do conjunto. O preço ronda os 20€, sirva fresco a acompanhar uma tarte fria de lima ou pêssegos assados com xarope de baunilha. 90 pts

23 fevereiro 2017

Messias Grand Cuvée Blanc de Blancs Bruto 2010


Saltou para a mesa e cativou no imediato pela maneira cuidada como se apresenta, o restou foi uma boa surpresa que este Blanc de Blancs das Caves Messias me proporcionou. Um espumante a mostrar-se bem fresco desde o primeiro instante com a fruta branca bem madura em sintonia com leve nota de biscoito, fruto seco e tosta que lhe confere uma ligeira sensação de cremosidade. Acima da média nos argumentos que mostra de forma firme e convincente, equilibrado, fresco e prazenteiro, daqueles espumantes que por coisa de 15€ fazem um brilharete em qualquer ocasião. 91 pts

09 fevereiro 2017

Quinta do Valdoeiro Reserva branco 2010


Feito de Bical, Chardonnay e Arinto, este Reserva 2010 da Quinta do Valdoeiro (Bairrada) mostra que o tempo que já leva em garrafa lhe afinou o espírito. Com boa frescura de conjunto a fruta perdeu parte da exuberância que a definia e surge agora acompanhada de alguma calda, cera de abelha e resina. Sinais do tempo a fazerem-se sentir no copo, complexidade ligeira que o torna agradável sem que se perca pelo caminho com ligeiro amargo vegetal no final de boca. Compra-se por coisa de 10€ e é um vinho pronto para ir à mesa a acompanhar uma Pescada à Galega. 89 pts 

13 julho 2016

Marquês de Marialva Espumante Extra Bruto Cuvée 2010


Do rejuvenescimento levado a cabo pelas Adegas Cooperativas na última década um pouco por todo o Portugal há algumas onde os vinhos atingiram patamares de destaque. Este é um desses casos que se apresenta como o topo de gama da Adega de Cantanhede (Bairrada) no que a espumantes diz respeito. Com enologia de Osvaldo Amado, o lote é composto por 85% de Arinto e o restante de Baga, com direito a um estágio mínimo de 36 meses em cave e mais 6 meses após dégorgement. De aroma elegante e fresco, bonita complexidade a misturar fruto seco com citrinos maduros, pão torrado e ligeiro floral. Cheio de personalidade, com palato amplo e fresco, boa presença da fruta em conjunto com sensação de ligeira cremosidade/mousse que se prolonga até final. Fantástico a acompanhar uns camarões grelhados com molho de manteiga e limão. 92 pts

19 abril 2016

Luiz Costa Pinot Noir-Chardonnay Bruto 2010

Mais um belíssimo espumante, desta vez da autoria das Caves São João (Bairrada) num lote da colheita de 2010 composto por duas castas que Luiz Costa era admirador confesso, a Pinot Noir e a Chardonnay. Com preço a rondar os 18€, é daqueles espumantes que não nos deixa indiferentes face à qualidade que apresenta. Para além da frescura que lhe percorre todo o conjunto, mostra uma enorme delicadeza no trato, tudo em modo filigrana desde a fruta (citrinos) aos aromas de ligeiro fruto seco e pão torrado.Envolvente e de grande harmonia com ligeira cremosidade a envolver o palato, a frescura percorre cada recanto em final longo e persistente. 93 pts

04 abril 2016

Desnível Colheita Seleccionada 2010


O enólogo João Lopes Pinto que não será nome conhecido por muitos é o autor deste vinho que tanto gosto. Numa altura onde tudo parece ser tão forçado e previsível, onde os vinhos que são falados são quase sempre as mesmas referências, surgem produtores que nos vão colocando vinhos como este no copo. Passados seis anos está para as curvas este Desnível muito bem nivelado por cima, com a sabedoria das vinhas velhas e a pujança do vinhedo novo que lhe alimentam a alma sai um tinto do Douro. Complexo e sério, boa complexidade com a fruta madura e saborosa, concentração de bom tom em conjunto de boa estrutura e frescura. O tempo já lhe foi polindo os cantos e agora torna-se mais sedutor e prazenteiro, sempre o foi, a acompanhar umas bochechas de novilho estufadas. 90 pts

29 março 2016

Alambre Moscatel Roxo 2010


A última novidade a ser lançada pela José Maria da Fonseca no que a Moscatel diz respeito foi este Alambre Moscatel Roxo 2010. Um Moscatel Roxo de entrada de gama a permitir o acesso a um público mais alargado (custa 12,49€ em grande superficie comercial) uma vez que os generosos feitos a partir desta casa são por regra mais caros que os restantes. Assim resolveu-se apresentar um Moscatel Roxo mais jovem e moderno, fresco, directo e sem toda a complexidade e mesmo densidade que por exemplo um Roxo 20 Anos nos apresenta. É um vinho com a qualidade que o produtor em causa já nos acostumou, mas que se bebe de forma descontraída em fim de tarde no terraço com os amigos. E esta abordagem mais directa faz falta porque nem tudo na vida tem de ser encarado de fato e gravata, em tom formal porque o vinho que nos deitam no copo assim o exige. Por aqui e neste caso com o Alambre Moscatel Roxo 2010 vive-se um clima festivo, num conjunto que da maneira como se mostra convida a isso mesmo, fresco, apelativo, conjuga o trio doçura/acidez/concentração de tal forma que se torna um sucesso imediato à mesa. 91 pts

22 março 2016

Tinto da Talha Grande Escolha 2003 a 2010



Desta vez rumo à vila de Redondo, mais propriamente à Roquevale que fica na estrada para Estremoz entre Redondo e a Serra D´Ossa. A empresa possui duas herdades num total de 185 hectares, a Herdade da Madeira Nova de Cima vocacionada para a produção de tintos onde despontam os solos de xisto e a Herdade do Monte Branco com solos de origem granítica mais vocacionada para a produção de brancos, onde está sediada a adega. A empresa que hoje se assume como a segunda maior empresa privada do Alentejo, a produção ronda os 3 milhões de litros por ano e é liderada pela enóloga Joana Roque do Vale.

O mundo do vinho e Joana Roque do Vale sempre andaram de mão dada, desde a infância em Torres Vedras onde os seus bisavôs eram produtores. Após a revolução de Abril o pai de Joana, Carlos Roque do Vale decide mudar-se para a vila de Redondo para tomar conta das duas herdades do sogro (que em 1970 já tinha iniciado a plantação de vinha na zona de Redondo). A Roquevale iria nascer em 1983 de uma sociedade entre Carlos Roque do Vale e o seu sogro. O caminho de Joana estava traçado, o mundo do vinho era a sua segunda casa, daí até fazer o seu estágio curricular na Herdade do Esporão foi um ápice. Aprendeu com os melhores, como coordenador de estágio teve o engenheiro Francisco Colaço do Rosário e o enólogo Luís Duarte que já na altura era também consultor da Roquevale. Terminado o curso começou a trabalhar na empresa da família onde iria assumir pouco tempo depois a enologia da empresa.

Um produtor com marcas bem conhecidas dos consumidores onde se destacam nomes como Terras de Xisto, Tinto da Talha ou Redondo. O vinho agora em destaque foi durante largos anos considerado como o topo de gama da empresa, o Tinto da Talha Grande Escolha que nos mostra as duas melhores castas de cada colheita. A prova em formato vertical começou com o 2003 e foi até ao 2010, mostrando em todas as colheitas um vinho que encarou com naturalidade a passagem do tempo, sem sinais de desgaste ou velhice acentuada. Sempre com direito a passagem por barricas novas, durante as primeiras colheitas destaca-se a assídua presença da Touriga Nacional que ia intercalando com Aragones ou Syrah, daria lugar depois à Alicante Bouschet que combina com Syrah ou Aragones sendo 2009 o único que junta Touriga Nacional com Alicante Bouschet.



O que mais gostei foi o 2010 Aragonês/Touriga Nacional que mostra uma dupla em perfeita harmonia num conjunto cheio de vida com muita fruta madura, algum vegetal presente, tudo em perfeita harmonia. Amplo, guloso, exuberante com ponta de rusticidade, num bom registo fiel à região e a pedir comida por perto. Muito bom está o Aragonês/Alicante Bouschet 2008 que mostra um conjunto cheio e guloso, cacau, fruta sumarenta com pingo de doçura, tudo balanceado e fresco, bálsamo de segundo plano com muito sabor no palato, equilibrado e com taninos a marcarem ligeiramente o final. Seguido bem de perto pelo 2003 junta Touriga Nacional/Aragonês que sendo a primeira colheita mostrou-se em muito boa forma a juntar a uma fruta vermelha ainda madura uma bonita frescura de conjunto com bálsamo fino, couro, especiarias, tudo em corpo médio ainda com energia e final longo. O Tinto da Talha Grande Escolha 2009 junta Touriga Nacional/Alicante Bouschet, inicio com vegetal fresco e fruta madura e de apontamento mais doce, de início algum químico, tudo muito novo cheio de garra e bastante sabor, boa frescura mas final um pouco mais curto do que se esperava.

O Aragonês/Syrah 2007 é de todos aquele que menos conversa, cerrado com aroma químico de início, cacau, pimenta, fruta envolta em geleia, frescura a envolver tudo com boca saborosa, rebuçado de morango em fundo com balsâmico num conjunto bem estruturado com bom suporte e persistência. Um vinho com muito ainda para dar e que certamente está em fase de arrumações. Da colheita 2004 Syrah com Touriga Nacional saiu um tinto com fruta vigorosa, muita pimenta com chocolate de leite, arredondado e coeso, ligeiro vegetal de fundo. Mostra a fruta bem limpa e saborosa, cereja ácida, amora, bom de se gostar. Para o fim ficaram as colheitas 2005 Touriga Nacional/Aragonês que se mostrou de todos o vinho mais aberto e espaçado, tímido mas a mostrar o cunho Roquevale bem patente. Muito melhor na prova de boca, que se fosse de igual gabarito no nariz, seria um caso muito sério. Por fim o que menos gostei, o Syrah/Touriga Nacional 2006 que despejou no copo aromas químicos com vegetal acentuado, num conjunto agreste, muita nota fumada, rusticidade a fazer-se sentir. Ligeira frescura na boca com alguma fruta em corpo mediano e sem ter a mesma prestação que os outros irmãos de armas.

15 março 2016

Margarida 2010

Da vontade de criar algo seu, Margarida Cabaço entendeu dar o seu nome ao "seu" vinho, sem esquecer que é também o rosto dos vinhos Monte dos Cabaços (Estremoz). Esta gama que se assume como Especial mostra em tom de branco e de tinto o que de melhor o ano deu, ou se quisermos o que Margarida mais gostou. E é dentro deste lema que surge este Margarida tinto da colheita de 2010, preço a rondar os 18€, onde brilha a casta Alicante Bouschet. Um vinho sem pressas, nem se importa ele nem nos importamos nós com todo o tempo que passou e esperou até nos chegar ao copo, desde a passagem pela madeira e posteriormente pela garrafa o vinho só sai quando se acha que deve sair. Disto isto e sem que por isso fique beliscado, os vinhos do Monte dos Cabaços já deram provas que a passagem do tempo para eles é algo natural a ver pela boa evolução que costumam mostrar. Este tal como as colheitas anteriores mostra-se de peito cheio, muita fruta sumarenta, denso, carga vegetal a meio do percurso com leve tosta, sensação de alguma grafite em conjunto com bastante frescura, no caminho da elegância embora com corpo para durar largos anos em garrafa. 93 pts

15 fevereiro 2016

Marquês de Marialva Grande Reserva 2010


A Bairrada andou afastada dos copos dos consumidores durante demasiado tempo, porém tem sido feito nos últimos anos um esforço para contrariar essa mesma tendência e os resultados têm sido, passo a passo, conseguidos. Este vinho é um muito bom motivo para reencontrar a Bairrada, o qual junta 50/50 de Baga com Touriga Nacional e que vem da Adega de Cantanhede com enologia de Osvaldo Amado. Um vinho muito apelativo, onde as duas castas se conjugam e nos mostram um vinho cheio de frescura e nervo, com a gulodice da fruta (ameixa, cereja, mirtilos) fresca e rechonchuda, envolta em suave perfume de violeta e tosta do estágio de 12 meses em barrica. Pelo meio mora um ligeiro toque de rusticidade a lembrar os velhos tempos, com uma passagem de boca saborosa e marcada pela fruta, onde nos mostra que ainda tem muito para durar. Um belo vinho com preço a rondar os 15€ e que é sucesso garantido à mesa com uma sela de borrego no forno por exemplo. 91 pts 

01 fevereiro 2016

Quinta do Vale da Raposa Sousão 2010

O produtor Alves de Sousa (Douro) dispensa grandes apresentações no meio enófilo, o seu icónico Quinta da Gaivosa faz parte da história dos grandes vinhos do Douro e de Portugal. Sempre muito terrenos e sem entrar em grandes devaneios enológicos os vinhos de Domingos Alves de Sousa têm mantido um perfil muito fiel às origens, autênticas peças de ourivesaria afinadas ao mínimo detalhe. Do Vale da Raposa têm saído os seus varietais, quem não se recorda do fantástico Touriga Nacional ou mesmo do Tinto Cão na década de 90. Este que aqui coloco é dos mais recentes, um Sousão de 2010 que mostrou uma bonita elegância tanto de nariz como de boca, fresco, algo terroso e agreste mas já muito domado pelo tempo que leva em garrafa e a transmitir aquilo que mais importa num vinho, prazer. Da fruta madura ao cacau, passando pela especiaria e pelo toque terroso, todo ele com boa complexidade, concentrado e a dar uma prova de boca cheia de sabor e frescura. Teve a acidez e a garra suficiente para não destoar na companhia de um Leitão Assado de Negrais. 91 pts

30 dezembro 2015

Casa da Passarella, as Vindimas, as Vinhas Velhas e os Fugitivos

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Fomos visitar a histórica Casa da Passarella, no Dão, com a Serra da Estrela em pano de fundo e literalmente metemos as mãos nas vinhas mais velhas deste produtor. Em plena altura das vindimas o convite foi aceite para ir conhecer as fantásticas vinhas velhas que dão origem aos melhores vinhos desta Casa, num trabalho de campo com muita aprendizagem e um almoço bem descontraido onde brilharam dois novos lançamentos. No final ainda tivemos uma vertical do tinto Vinhas Velhas ao lado de duas novidades que em breve vão chegar ao mercado.

Foi chegar, pegar na tesoura e descer as ruas do pitoresco vilarejo da Passarela até chegar às vinhas. Um cenário fantástico com três pequenas parcelas de vinha cuja idade supera já os cem anos, dispersas em três pequenos patamares, assente em solo predominantemente granítico onde cepas de uvas brancas convivem lado a lado com cepas de uvas tintas. Castas com nomes que de tão estranhos correm o risco de ficar esquecidos no tempo e por mais que se queira apenas se consegue entender toda a magia e especificidade de uma vinha como esta estando no local e reparar na enorme variedade de castas que ali moram. Pena que durante largos anos as vinhas do Dão estiveram em decadência e com isso a qualidade dos vinhos a que davam origem. Foi preciso um forte investimento por parte dos produtores em plantar nova vinha, o que de certa maneira ajudou a um afastamento ou até mesmo o arranque do vinhedo mais velho.
O blend resultante destas vinhas velhas carrega a alma da região, o Dão tem nas suas vinhas mais velhas a sua maior riqueza e temos de agradecer a todos aqueles que com esforço e bastante dedicação, lutam para as preservar e conseguir vinhos que quando educados de forma correcta na adega, atingem patamares muito altos de qualidade. Portanto não é de estranhar a forma apaixonada como o enólogo Paulo Nunes fala destas suas “meninas” com quem, segundo palavras dele, tem aprendido muito. E com o que estas vinhas velhas lhe ensinam ele na sua parte de mestre criador tem conseguido interpretar de maneira tal que os resultados falam por si. Fora de modas, sabe criar e educar grandes vinhos, nota-se que à medida que as colheitas vão passando o seu estilo “Dão da Serra” afina num misto de tradição/modernidade com vinhos de fina exuberância, muita definição da fruta que combina raça, carácter, corpo e um natural aveludado que teima em dar sinais logo desde cedo.

Foi já à mesa servido por um tradicional prato de Rancho que me fiz acompanhar da mais recente novidade, o Enxertia Jaén 2012. Um vinho perigosamente apetecível que desapareceu do copo num ápice, a combinação entre estrutura/frescura/fruta sumarenta resulta num combo perfeito à mesa. Em momento de desfrute e amena cavaqueira, foi rei e senhor este Jaén que soube pela vida e marcou mais um belíssimo momento de convívio.

Mas foi ainda com as vinhas velhas na memória que se realizou a vertical desde o primeiro exemplar Vinhas Velhas 2008 até ao mais recente 2012. Notou-se a evolução do perfil, com o 2008 a mostrar uma maior presença de baunilha e tosta ao lado de fruta muito gorda e sumarenta. O que mostrou menor prestação e mesmo mais deslocado de toda a prova foi o 2010 cujos apontamentos mais adocicados destoam por completo dos restantes. O mais calado de momento é o 2011 que se encontra na fase de arrumação e ainda pouco quer mostrar embora esteja um belíssimo vinho em perspectiva. Vencedores da prova se é que se podem considerar assim, tanto o 2009, arriscando a ser o melhor até à data com o 2012. Vinhos compactos e sedutores, bom equilíbrio com corpo médio e um pouco de maior arredondamento dado pela barrica, tudo isto sempre com uma acidez/frescura habitual dos vinhos da região.


Por último ficou a apresentação oficial dos novos vinhos que já tinham sido dados a conhecer ainda que de forma envergonhada e agora sim foram dados a provar com a roupagem definitiva. Inseridos na gama O Fugitivo, surgem o Garrafeira branco 2013 e o tinto Vinhas Centenárias 2012. A produção de qualquer um deles não supera as 2000 garrafas, são dois grandes vinhos que espelham a terra que os viu nascer. Enquanto o tinto vai buscar como foi dito lá atrás a raça, carácter e corpo com uma acidez e travo de ligeiro vegetal que lhe confere uma bonita energia no palato. Complexo, profundo e ao mesmo tempo ainda muito novo, muito no perfil do Vinhas Velhas 2012 embora todo ele com um pouco mais de tudo. Já o Garrafeira branco é um vinho de estrondo, nada fácil e fora de modas, cheira a Dão de outros tempos, cheio de garra com taninos a marcarem o final cheio de secura, o vinho grita por descanso em garrafa. Eléctrico, nervoso, tudo ainda muito novo tanto no nariz como na boca, do melhor que a região me colocou no copo nos últimos anos.

21 dezembro 2015

Pêra Manca 2010

É o expoente máximo da Adega da Cartuxa (Alentejo), nascido pela primeira vez na colheita de 1990 e dá pelo nome de Pêra Manca. Sem comparações possíveis com o vinho que já foi no passado e apesar de durante alguns anos parecer ter andado meio perdido, mostrar-se agora nesta colheita de 2010 à altura daquilo a que me tinha acostumado. Obviamente que com todas as mudanças a enologia também mudou e o vinho sofreu os necessários ajustes que demoraram o seu tempo a assentar arraial, porém comanda a finesse e harmonia de componentes, tudo numa toada de pura classe com frescura e fruta de grande gabarito. Na boca enche o palato de sabor e com belíssima harmonia, estruturado com raça e energia, capaz de evoluir por largos anos. Diga-se que é dos que se bebem com imenso prazer, sem cansar e apetece sempre mais um copo e outro até que a garrafa fica vazia. É a todos os níveis um grande vinho, que se soube reencontrar no caminho da glória que conquistou nos anos 90. Mais que um Clássico é um Ícone dos vinhos de mesa em Portugal com um preço que na loja do produtor ronda os 100€ por garrafa. 95 pts

07 dezembro 2015

Real Companhia Velha - Vinhos do Porto


Com mais de 250 anos de existência e de actividade ininterrupta ao serviço do Vinho do Porto, a Real Companhia Velha é a mais antiga e uma das mais emblemáticas empresas de vinho de Portugal. Fundada em 1756 durante o reinado de D.José I, por iniciativa do Marquês de Pombal, a Companhia Geral da Agricultura das Vinhas do Alto Douro também referida como Real Companhia Velha tinha como objectivo limitar a preponderância dos ingleses no comércio dos vinhos do Alto Douro e resolver a crise que a região atravessava. As suas seculares caves encontram-se instaladas em Vila Nova de Gaia e foi por lá que se deu início a esta fantástica viagem pelo mundo da Real Companhia Velha. Visitar e ficar a conhecer as Caves de Vinho do Porto é algo único, cada uma delas respira uma identidade muito própria fruto dos tesouros que guardam ao longo do passar dos anos. O ar que se respira em cada uma é diferente, a luz, os cheiros, as pipas e até mesmo o chão que pisamos. Estas caves da Real Companhia Velha emanam um carisma muito especial e mesmo não ficando "coladas" ao rio, merecem uma visita muito atenta. 


Vagueando pelas caves uma das coisas que gosto de fazer quando visito estas catedrais do vinho é perder-me por entre os pipos à procura daqueles que surgem datados com o meu ano de nascimento, outra das aventuras é procurar qual o mais antigo. No decorrer desta visita fui dar com um verdadeiro tesouro, ali lado a lado estavam 1937, 1900 e 1867, que por sinal fazem parte do "Super Tawny" que a Real Companhia Velha lançou com o nome Carvalhas Memórias do Séc. XIX, numa edição de 500 garrafas a preço de 1.000€ a unidade. A base é a colheita 1867, um vinho denso, guloso e de enorme complexidade, ao mesmo tempo misterioso tal como a sua proveniência. A prova do 1900 revelou ser a mais equilibrada pela frescura/complexidade que apresenta e uma enorme presença de boca, já o 1934 algo mais rústico e com pontas soltas. Vinhos que nos fazem sonhar e em que por um breve momento dá a sensação que tudo fica parado à nossa volta, sem dúvida um momento que fica na memória. 
No campo das novidades e já no mercado e no que ao estilo Ruby diz respeito, foram dados a provar dois vinhos, o Quinta das Carvalhas LBV 2010 que se mostra muito fresco e convidativo. A fruta muito limpa, airosa e madura a fazer lembrar frutos do bosque, chocolate de leite, notas balsâmicas e ervas de cheiro que recordam o passei pela Quinta das Carvalhas. Um vinho bonito e que dá bastante prazer, com passagem de boca bem saborosa, fresca e onde a fruta se mostra carnuda e macia. Fácil de se gostar mas com o apontamento necessário de seriedade que o torna infalível à mesa. 90 pts
O outro vinho apresentado foi o Real Companhia Velha Vintage 2012, muito cheio de frutos do bosque maduros e sumarentos, ponta de canela com notas de chocolate preto e alguma pimenta preta, fundo com balsâmico e geleia, num conjunto que mostra bom equilíbrio entre a doçura e a frescura. Muito harmonioso e pronto a beber, sem taninos espigados ou austeridade a fazer-se sentir, um vinho que se torna ameno no palato ao mesmo tempo saboroso e com uma boa persistência final. Será sempre boa companhia com sobremesas que misturem chocolate com frutos silvestres, ou até um queijo amanteigado. 93 pts

 
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