Copo de 3: Beira Interior
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30 agosto 2019

Quinta do Cardo Reserva Caladoc rosé 2016



Por vezes o que temos na garrafa é muito mais que vinho, é também uma identidade e a forma como um enólogo dá voz a uma casta ou parcela de determinada vinha. Este rosé da Quinta do Cardo (Beira Interior) criado a partir da casta Caladoc é disso exemplo. Nos dias que correm é notório que há da parte do consumidor mais exigente uma procura por uma definição/frescura/leveza nos vinhos. Ora aqui temos tudo isso de forma bem medida, um menino bem comportado que sabe estar à mesa. Elegante e com finesse na complexidade, menos concentrado e mais delicado que a anterior versão, que curiosamente gostei mais. Este aqui está muito focado na fruta com notas de bagas ácidas de groselha vermelha, roseiral e uma secura que faz o remate final. 91 pts

02 abril 2019

Quinta do Cardo Vinha Lomedo Síria 2015

Segunda edição deste branco oriundo da Quinta do Cardo (Beira Interior) onde brilha em exclusivo a casta Síria, proveniente de uma única vinha, a Vinha Lomedo. O estágio prolongou-se durante 22 meses com "batonnage" regular, dando-lhe uma graciosa complexidade no nariz, leve untuosidade com a fruta madura em tom citrino em plano de destaque, acompanhada de notas de ervas de cheiro. O fundo é austero e mineral, sinal de juventude e de coesão que se faz notar na boca, onde mostra firmeza com grande frescura e equilibrio entre fruta e madeira. O preço ronda os 20€ e o tempo em garrafa só lhe vai fazer bem, mas pode ser bebido neste momento que é puro prazer à mesa. 94 pts

14 março 2019

Quinta do Cardo Grande Reserva 2014


Há nomes que nos conseguem meter a olhar para uma região face à força da qualidade e diferença dos seus vinhos mas também da qualidade do trabalho do seu marketing e da maneira como comunicam cá para fora aquilo que fazem. Nesta simbiose, que direi perfeita, encontra-se a Quinta do Cardo que orgulhosamente nos mostra o melhor que a Beira Interior nos tem para mostrar no copo nas mais variadas vertentes. O culminar de todo o trabalho surge quando se cria um topo de gama, aquele que enche a alma ao produtor quando nos serve um copo. 

Este é o Grande Reserva da Quinta do Cardo, criado a partir de Touriga Nacional, Tinta Roriz e Caladoc, 36 meses de clausura onde apenas os vinhos das melhores barricas foram escolhidos para o lote final. O resultado é um vinho de carácter bem vincado, notas terrosas com fruta vermelha fresca e ácida a despontar, esteva em flor, toque especiado com ligeira austeridade. Profundo ao mesmo tempo misterioso, daqueles que gosta de copos largos para se ir mostrando ao longo do tempo em que rodopia. Na boca o festim continua, perfil claramente a pedir comida, um cabrito no forno ou uma empada de perdiz fazem dele um vinho muito feliz, pela sua estrutura e longevidade, temos vinho para largos anos. Ronda os 30€ em garrafeira. 95 pts

07 janeiro 2019

Quinta do Cardo Vinha Lomedo Síria branco 2014


Na renovada Quinta do Cardo ( Beira Interior), nasce um branco muito especial feito da casta Síria proveniente de uma única vinha, a Vinha Lomedo. Dos meses que passa em barrica nem sinal, plena integração dando aquela ligeira untuosidade que o envolve num complexo ramalhete de frescura com destaque para os citrinos com recordações a tangerinas, limão, ervas de cheiro com flores do monte. O fundo é ligeiramente austero, pede "coisas" com gordura do tipo lombos de bacalhau no forno regados com bom azeite e broa de milho. O tempo que lhe dei em garrafa só ajudou a afinar e ganhar a complexidade com que nos brinda no copo. É puro prazer ser bebido neste momento da sua vida, mesmo com a nova colheita já aí a espreitar, com preço a rondar os 22€ a garrafa. 94 pts

02 julho 2018

Quinta do Cardo Colheita Tardia 2015


É novidade no mercado este delicioso Colheita Tardia da Quinta do Cardo (Beira Interior), feito a partir da casta Síria. Apresenta-se delicado e sem excessos, com uma enorme precisão e definição de aromas, envolto num tom rico e melado, muita frescura com notas de calda de fruta, floral, ligeira untuosidade a envolver tudo com um toque de gengibre fresco. Boca com grande finesse e equilibrio entre frescura/doçura, muito saboroso e conquistador dos palatos mais exigentes. A produção não chega às 700 garrafas com preço a rondar os 18€. 94 pts

21 março 2018

Quinta do Cardo Reserva Caladoc 2015


Da Quinta do Cardo (Beira Interior) sai este rosé feito de uvas da casta Caladoc (cruzamento de Grenache e Malbec), plantada na vinha da Encosta, uma parcela experimental. Com parte do lote a ter direio a passar por barricas de carvalho francês durante 10 meses, com "batonnage" regular. No total foram produzidas 2 176 garrafas com preço a rondar os 15€ por unidade. Frescura e delicadeza são os atributos que melhor o definem, seriedade na maneira como apresenta a fruta muito bem delineada numa mão cheia de frutos silvestres, fundo vegetal com travo de eucalipto. Elegante na boca, ligeira sensação de cremosidade com fruta vermelha presente num travo fresco e muito saboroso, terminando num tom mais mineral e austero que lhe dá secura. É um belíssimo rosé, que fará um brilharete em qualquer mesa. 92 pts

22 janeiro 2018

Quinta do Cardo Reserva Síria 2015



Este Síria Reserva é feito a partir de uvas provenientes de vinhas velhas, a Vinha Lomedo e a Vinha da Capela, plantadas nos anos 70. Parte do vinho teve passagem por madeira por onde ficou durante 10 longos meses. O vinho é um grande exemplo da casta, só suplantado pelo Vinha Lomedo que a seu tempo aqui iremos falar. Neste Reserva o que encontramos é um Síria muito fresco, tenso e com uma auteridade mineral (pederneira) que nos recebe e se funde com aromas muito limpos a invocar a casta, citrinos (tangerina, limão), pêssego em calda, num todo que mostra a madeira em plena harmonia. Dá um gozo tremendo no copo, num misto de ligeira untuosidade para depois se expandir numa onda de frescura e sabor.Ronda os 15€ e faz um brilharete à mesa com peixe, marisco e boa companhia. 92 pts

15 janeiro 2018

Quinta do Cardo Reserva Chardonnay 2015


Não sendo novidade, este Reserva Chardonnay 2015 é um dos belíssimos vinhos recentemente lançados pela renovada Quinta do Cardo (Beira Interior). Os vinhos deste produtor faz muito que andam no mercado e nos copos dos apreciadores, estando bem patente na memória de muitos o Quinta do Cardo Síria que durante anos se foi destacando pelos aromas diferenciadores que a casta manifesta naquele local. Este é o Reserva Chardonnay, vinho que fermentou e estagiou durante 10 meses em barricas, resultando apenas 1700 garrafas vendidas a coisa de 15€. Perfil bem fresco e sério, descritores da casta bem presentes com a fruta de pomar, ananás, ligeira baunilha com toque de pão torrado, fundo fresco e com notas de pederneira. Boa presença na boca, fresco, ligeira untuosidade num conjunto muito elegante e pronto a brilhar à mesa. 92 pts

11 julho 2017

Vinhas Antigas da Beira Anterior by Rui Madeira 2011

Começar pelo fim e dizer que é mais um vinho que passou entre tantos outros sem deixar vontade nem saudade. Não emociona, não cativa nem mete aquela sineta pequenina atrás da orelha a tocar. Um vinho casmurro ou talvez fruto da idade que não sendo muita, parece a responsável para se apresentar destes modos, pouco falador, rugas da idade, conversa com pouco conteúdo e um leve desequilíbrio que o faz cambalear. Dito por outros modos, a fruta surge madura com evidentes toques de licor a envolver um conjunto enfadonho sem grande graça ou complexidade. Esperava-se mais de um vinho que nos aponta para vinhas velhas situadas em altitude e cujo preço atinge quase os 30€. 88 pts

04 março 2017

Colmeal branco 2015

Apaixonado pela mesa e pelas vinhas, o chef Vítor Claro decidiu no final do ano passado encerrar o seu restaurante para se dedicar aos seus vinhos e às suas vinhas na Serra de São Mamede (Portalegre). A ligação à "cozinha" continua para os lados do restaurante do Colmeal Contryside Hotel (Figueira de Castelo Rodrigo) mas são as vinhas de altitude que por lá lhe permitem assinar este Colmeal (Beira Interior). Feito a partir de vinhedo velho, Síria, Malvasia e alguma Fonte da Cal, vinificação em lagares e passagem por inox. Um vinho fora de modas, toques de favo de mel, flores amarelas, fruta de pomar bem limpa e fresca, muita elegância e frescura em conjunto de fundo mineral. Rico em detalhes, amplo com ligeira untuosidade, fruta fresca, austeridade mineral em fundo com boa frescura e presença, o tempo no copo faz com que vá ganhando novas nuances. Daqueles que é melhor não perder de vista e ter algumas esquecidas na cave. 92 pts

23 janeiro 2016

Quinta do Cardo Touriga Nacional Reserva 2012

O vinho Quinta do Cardo Touriga Nacional Reserva 2012 tem direito a 20 meses em barricas de carvalho francês e mostra-se ainda muito jovem, tudo ainda novo apesar de contar já com três anos de vida, bem focado na casta e nos seus principais descritores. Grande frescura e vigor de conjunto, austeridade mineral em fundo com ligeiro terroso, muita fruta misturada num vinho que de momento parece um novelo apertado e coeso a precisar de mais tempo para melhor se desenrolar na garrafa. Aberto nesta altura irá beneficiar de decantação, será bom companheiro de pratos de forte temperamento como por exemplo uma feijoada de javali. 91 pts 

20 janeiro 2016

Quinta do Cardo 2014


O Quinta do Cardo (Beira Interior) tinto 2014, feito a partir de Touriga Nacional, Tinta Roriz e Touriga Franca, com estágio de 9 meses em barrica de carvalho francês. O vinho foi para mim uma surpresa pela forma desempoeirada e fresca como se mostrou, a fruta muito solta e bem delineada, saborosa, ligeiro floral num conjunto coeso e bem estruturado. A passagem por barrica complementa o aroma e arredonda-o ligeiramente no palato, sem perder todo o vigor da juventude, num vinho feito a pensar nos bons momentos à mesa e que se mostra ideal mesmo face ao preço para um consumo diário com qualidade bem acima da média. 89 pts 

29 outubro 2015

Quinta do Cardo Espumante Bruto Touriga Nacional 2010

O primeiro espumante lançado pela Quinta do Cardo (Beira Interior) é um Touriga Nacional da colheita de 2010, com direito a 36 meses de estágio em garrafa e com o primeiro degorgement a ser feito em Junho de 2014. Mostra um aroma marcado pela fruta vermelha bem fresca em tons de morango, framboesa, floral ligeiro, biscoito numa delicada e bonita envolvente. Boca com bonita prestação, fruta a marcar o compasso com boa acidez presente, mostra uma boa secura no final persistente num espumante cujo preço aponta para os 8€ e se revela uma aposta de qualidade acima da média para a nossa mesa. 90 pts

20 setembro 2013

Quinta do Cardo Síria 2006

Foi ao vasculhar por entre a garrafeira que encontrei este branco, olhei para o ano de colheita sorri e pensei que só ali poderia estar por esquecimento... um esquecimento com sete anos. O vinho terá sido comprado na altura pelo motivo de estar na moda, porque se falava e muito, era tema recorrente de conversas entre os seus admiradores com grandes dissertações sobre os seus peculiares aromas de tangerina. Hoje em dia é apenas mais um entre tantos, engolido pela voracidade de um mercado alimentado pelo factor novidade.
Foi escolhido entre outros para ser atirado para o meio da arena, as minhas expectativas eram poucas ou nenhumas, certamente seria mais um a ser trucidado por aqueles que lhe estenderam o copo. Para surpresa minha e espanto de mais uns quantos presentes o vinho safou-se com grande estilo, direi que surpreendeu pela graciosidade que ainda lhe percorre a alma. Decadente com toques de natural oxidação, mostra toque apetrolado com capacidade para cativar momentaneamente onde se junta fruta (citrinos) macerada, mel e flores amarelas. Prova de boca com boa frescura, untuosidade mediana na passagem com fruta melada e fresca em sintonia com nariz. No final não deixa de ser curioso que gostei mais deste vinho neste estado do que quando em novo. 89 pts

09 agosto 2012

Beyra Quartz 2011

Mais um vinho da Beyra, novo projecto do enólogo Rui Reboredo Madeira, na Vermiosa. No impacto do rótulo destaca-se a altura das vinhas mas não a idade das mesmas e ficando também a saber-se o solo onde as ditas assentam, entre os xistoso e o granítico com filão de quartzo pelo meio. Quartzo o mineral mais abundante na Terra, está um pouco por todo o lado e até no rótulo onde marca de forma determinante ou não o suposto terroir deste vinho. Foi-se buscar a Síria e a Fonte da Cal, pela informação técnica não cheira sequer a madeira, apenas conheceu o frio do inox. O resultado é um branco seco e mineral, a acidez desponta e os aromas citrinos com toque de pederneira são aquilo que mais se destaca no nariz. Na boca há  frescura inicial, uma acidez cítrica acompanhada por frutinha e mineralidade, num conjunto algo amontoado em perfil moderado que se esvazia ligeiramente em final com acidez um pouco "em pontas".

O vinho não me deixou fascinado, esperava algo um pouco mais afinado e equilibrado, mas entendo os que se agarram a ele qual bóia salva vidas num mar de igualdade... De resto e entrando no campo do (des)gosto pessoal, limita-se a ser um bom vinho, não apreciei a falta de definição que apresenta. Na realidade até o vejo algo forçado no seu conteúdo, dispenso a conversa da altitude, do quartzo e todo esse romantismo enológico. Pelos 5€ que custa não vou voltar a ele, apesar de cumprir aquilo a que se destina (pedir mais seria absurdo), pode ser que melhore, pode ser que não, vou ficar atento... 

08 agosto 2012

Quinta do Cardo Síria 2011

Mais um vinho da Companhia das Quintas a chegar ao copo, desta vez da Beira Interior (Figueira de Castelo Rodrigo) mais propriamente da Quinta do Cardo. O vinho em questão é o branco Quinta do Cardo Síria 2011, vinho sem debitar grande complexidade que se torna simples e directo, centrado nos aromas citrinos que tanto o caracterizam com sugestões de tangerina e limão. É rematado por toque floral e alguma mineralidade, tudo delicado e a evidenciar boa frescura. Boca com boa acidez, boa dose de secura, corpo médio e concentração moderada, centrado no que encontramos no nariz. 

Não é vinho que me faça dar os 5€ que pedem por ele, bem feito apenas mas não me conquista com o aquilo que me mostrou. Com as respectivas limitações da casta acabou por ficar um bocado abaixo do esperado, é um bom vinho e nada mais que isso. Peixe grelhado com salada foi o acompanhamento após a prova, encaixou sem queixumes o que revela a apetência para a mesa. Para os mais distraídos a casta Síria é a que no Alentejo chamam de Roupeiro. 86 pts

16 abril 2012

Gravato Vinhas Velhas 2008


Luís Schepers Roboredo, produtor da marca Gravato, lançou no mercado mais uma novidade, depois de ter ressuscitado o Palhete e do sucesso que alcançou com o seu Touriga Nacional, vem também ele da Beira Interior um  tinto de Vinhas Velhas com tudo misturado... castas brancas e tintas onde entre a rebaldaria das vinhas com mais 60 anos, nos surgem a Rufete e a Síria Velha (Códega do Larinho). O vinho invoca memórias de outros tempos, precisamente porque as vinhas eram por vezes essa tal rebaldaria de brancas e tintas misturadas... este saiu como tinha de ser, saiu com a vontade de relembrar como outros no antigamente terão saído... 

O vinho apenas sentiu a frieza do inox, durante 2 anos diga-se, só lhe fez bem, amaciou e acertou tudo para que quando for levado ao copo o resultado seja o esperado, pinga pronta para ir à mesa em boa companhia. Neste caso não é vinho com grandes segredos de complexidades muito rendilhadas ou rebuscadas, aqui o segredo são aqueles 5% de Síria Velha, são os solos onde as vinhas estão situadas, é a saudável teimosia de um produtor em fazer vinho à moda de outros tempos. Neste caso e mais uma vez com a sua dose de interesse, não deslumbra mas mostra-se muito correto, todo ele direto e simples,  muita fruta vermelha e ácida, quase que com travo verdasco pelo meio, talos verdes acabados de cortar, depois floral e mineralidade em fundo conferindo alguma austeridade no conjunto. No bom volume de boca, não chega a ser pesado, é harmonioso e de trato leve e fresco... Tinto Fresco para ser servido fresco, tinto para ir à mesa e beber descontraidamente, grelhada mista em tempo quente no terraço com os amigos. 89 pts

14 dezembro 2010

Versus Síria 2009

Plantadas em solos xistosos e arenitos da sub-região de Figueira de Castelo Rodrigo e temperadas pelo clima continental da região, as uvas seleccionadas da casta Síria deram origem a este branco que agora aqui falo. A casta Síria que aqui se fala é a mesma que no Alentejo dá por nome de Roupeiro, uma casta boa de aromas com o senão de que oxida precocemente e perde consequentemente aquilo que gostava de mostrar... contrariedades da vida que indicam claramente vinhos para consumir em novos, que é assim que muitos devem ser bebidos e apreciados. Porém nos dias de hoje muita gente gosta de guardar de tudo, conseguindo ter em vez de uma garrafeira uma autêntica colecção de monos...

Versus Síria 2009

Nariz a dar uma prova com boa intensidade, mostrando-se de conjunto delicado, fresco e levemente perfumado com flores brancas e fruta madura (citrinos, maçã). Do giro no copo desenvolve leve aroma vegetal fresco (lúcia-lima), apimentado com suave sensação de aconchego, calda de fruta, creme de baunilha.

Boca com frescura a dar bem conta do recado, mostra-se fresco e frutado, novamente com a calda a mostrar-se, que nos dá ao mesmo tempo temos a sensação de um vinho ligeiramente arredondado, macio, harmonioso e equilibrado, sempre num tom fresco com mineralidade em fundo de persistência mediana.

Penso que seja vinho para se tirar partido nos primeiros dois anos de vida, a produção não é muito grande sendo apenas 10700 garrafas, nesta colheita apresenta-se com 13,2% Vol. e com um preço apetecível e direi democrático pois ronda os 6€. Se o vir não lhe vire as costas e de-lhe uma oportunidade, a aptidão para a mesa faz dele uma aposta mais que certeira. 15,5 - 89 pts

02 fevereiro 2009

Gravato 2006

Gravato 2006
Castas: 100% Touriga Nacional - Estágio: 1 ano de carvalho francês e americano de tosta média, mais 15 meses em garrafa - 14,5% Vol.

Tonalidade granada escuro de concentração média/alta.

Nariz de boa intensidade a mostrar uma Touriga Nacional algo fechada, dando apenas umas ligeiras amostras daquilo que encerra. Bem mais apoiado na jovialidade da fruta (silvestres, cereja) do que propriamente na componente violeta, das flores tão características da casta. Se estão ainda não desabrocharam, e encontram-se tapadas pela especiaria, cacau, e tosta. Não deixa de mostrar uma ligeira ponta de austeridade, banhada por boa dose de frescura. Tudo isto num conjunto que se mostra algo introvertido mas a dar uma boa prova neste momento.

Boca a mostrar um vinho bem estruturado, com boa espacialidade a sentir-se ocupada em pleno por fruta (bagas sumarentas, cereja) bem fresca e madura, bem amparada pela madeira por onde passou. Ainda por desembrulhar tudo aquilo que lhe vai na alma, mostra no momento um toque de cacau, bálsamo vegetal e um travo especiado de fundo. Tudo compacto e cheio de vontade de se esticar, mas para isso é preciso tempo em garrafa, confidenciam os taninos mais inquietos que por lá andam. A despedida é feita com final de boca médio/longo de boa persistência.

Um vinho a mostrar uma Touriga ainda com muita vida pela frente, apesar da boa prova que dá neste momento, é vinho que claramente vai precisar de crescer em garrafa. Ligeiramente diferente da primeira colheita 2004, parece no entanto mais promissor. Fiquemos por isso atentos.
16,5
 
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