Copo de 3: Chateauneuf-du-Pape (França)
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25 fevereiro 2011

Château de Beaucastel Vieilles Vignes Blanc 2003

É deveras interessante a maneira como vamos educando e refinando o nosso gosto ao longo do tempo, para isso contribuem alguns  amigos que temos à nossa volta e que nos ajudam nessa tarefa, que transpiram conhecimento e que o gostam de partilhar, provar com eles são autênticas aulas de enofilia, a todos eles só tenho que agradecer. A aventura faz parte da vida, no imenso mundo de vinho que é a França, optei por começar nos brancos do Vale do Loire e depois passei para o Vale do Rhone, tenho tido o privilégio de ir conhecendo alguns dos maiores produtores e vinhos feitos nas duas regiões, não todos mas os suficientes para saber o que de bom por ali se faz, os preços que pedem é que não permitem grandes deslizes, convém precaver e apostar naqueles que nos dão garantias, mesmo assim os vinhos do Vale do Rhone são dos que melhor RPQ apresentam. Só depois de estarmos algo mais à vontade poderemos entrar no jogo da aventura, do experimentar... eu para isso ainda não tive muita coragem.
Mas deixem-me mergulhar num dos grandes nomes do mundo do vinho, situado em Courthezon no Sul do Vale do Rhone, mais concretamente na appellation de Chateauneuf-du-Pape fica o Château de Beaucastel. Conta com 400 anos de história e cerca de 110 hectares de vinha, depois de 3 gerações é a família Perrin ( na actualidade Jean-Pierre e François Perrin) que toma conta dos destinos de Beaucastel desde 1909. Os vinhos que ali são produzidos fazem as delícias da enofilia mundial, a gama é composta pelos Coudoulet em versão branco e tinto, e depois pelos Beaucastel, branco e tinto e finalmente pelos direi especiais, o Beaucastel Hommage a Jacques Perrin e o branco Beaucastel Vieilles Vignes.
O Vieilles Vignes, lançado em 1986, é considerado como o melhor branco do sul de França, proveniente de 3 hectares de Roussanne em que a idade das vinhas passa os 75 anos de idade. As uvas são apanhadas à mão, prensagem pneumática com clarificação do mosto, a fermentação decorre 50% em madeira e 50% em inox, com estágio de 8 meses. A produção é inferior a 500 caixas, coisa pouca para um mundo sedento de o ter nas mãos, a elevada procura aliada à elevadíssima qualidade faz com que seja caro, não tão caro como os topos da Borgonha, mas o seu preço ronda com facilidade os 80€. Não tenho presente a informação se os brancos desta região são de longa ou média guarda, mas neste caso dizem os sommeliers que o vinho deverá ser bebido nos seus primeiros 4-6 anos de vida para depois o deixarmos dormir e só voltar a acordar até que tenha 12-15 anos. Todo um portento num vinho de raro perfil e excepcional qualidade. Em prova o 2003, que se apresenta com 13,5% Vol.

No aroma é complexo e envolvente, delicado e com uma grande harmonia de conjunto, madeira plenamente integrada, muito cativante e cheio de coisinhas boas, fruta muito limpa e madura, daquela que cada vez se encontra menos, cheiroso na tropicalidade, pêra, pêssego, sensação de marmelada fresca com mel muito puro e fino. O vinho é muito cativante, direi viciante também, surgem notas de pão torrado, óleo de noz, tudo a conferir uma boa profundidade, com evolução de grande nível no copo, flores e algum vegetal (chá verde). Intrigante ? Diferente ? Personalizado... Único.

Boca de entrada fresca acompanhada de leve untuosidade com boa espacialidade. Toque leve de calda, vivacidade da fruta, tudo muito limpo e esclarecido, alta costura, anisado com a tal frescura suave durante toda a passagem de boca, de sabores concentrados em harmonia digna de registo. Complementa-se com flores e novamente um toque melado, o fundo é forrado a mineralidade. Parece entrar com tudo muito organizado, dentro da boca quase que dá para ir notando cada coisa a seu tempo, os sabores ficam colados aqui e ali e vem a acidez que limpa tudo para no final dominar a mineralidade.

Cheio de detalhes, pleno de encantos, companheiro de luxo para pratos delicados, Galinha da Índia com Couve é um exemplo, um branco memorável e a entrar directamente para os lugares de topo. No meio de tudo isto não posso deixar passar as sempre presentes memórias de um amigo que tanto gostava desta casta. 19 - 97 pts

22 fevereiro 2010

DOMAINE DE BEAURENARD Chateauneuf-du-Pape 2004

O Domaine de Beaurenard (Châteauneuf-du-Pape), está na família há 7 gerações, uma acta notarial datada de 1695 menciona "Bois Renard", que com o tempo se tornou Beaurenard. Nos dias de hoje são os irmãos Coulon (Daniel e Frédéric) que estão encarregados de manter a tradição da casa, seguindo as pisadas dos seus pais (Paul e Régine) e dos seus antepassados. Controlam 32 ha de vinha em Châteauneuf-du-Pape e 25 ha in em Côtes du Rhône Villages Rasteau AOC, saindo destes últimos os vinhos Cotes-du-Rhone e Cotes-du-Rhone Villages Rasteau. A agricultura é levada de maneira sustentável, e as uvas são escolhidas e colhidas à mão. Um produtor do qual já tive a oportunidade de provar alguns vinhos recentemente, alguns deles em conversa com um dos irmãos Coulon, neste caso com Daniel, que em conversa bastante animada mostrou a paixão com que dá a conhecer os seus vinhos. Já no meu recanto decidi por abrir um Domaine de Beaurenard Chateauneuf-du-Pape 2004, cujo preço rondou os 34€ em Portugal e que se mostrou após a prova um pouco alto para a qualidade. Mas que culpa tem um vinho que é vendido bem mais barato lá fora, ver o seu preço ser aumentado cá dentro e sabe-se lá porque razão ? Obviamente que o consumidor que quer provar, que quer beber, tem de pagar e calar quando a oferta é pequena e neste caso única, mas não se pense que foi barrete... nada disso. Se bem que com mais uns trocos prefiro muito mais apostar num Boisrenard (o topo de gama da casa) pois a ligeira subida de preço é compensada por um considerável aumento da qualidade.

Domaine de Beaurenard Chateauneuf-du-Pape 2004
Castas: 70% Grenache, 10% Syrah, 10% Mourvèdre, and 10% Cinsault e outras - Estágio: 12 meses em barrica - 14,5% Vol.

Tonalidade ruby escuro de concentração média alta.

Nariz coeso, com boa complexidade a mostrar fruta negra bem fresca e limpa (cereja, amora e groselha) com ligeira nota de licor de groselha a dar uma sensação adocicada muito ténue, especiarias (pimenta), tabaco, leve floral acompanha a madeira que embala todo o conjunto, diga-se que a madeira nem faz por se notar, está mas não está. Equilíbrio e harmonia de conjunto, leve tosta com sensação de vegetal seco e boa mineralidade em fundo, num todo elegante, algo arredondado com misto entre a frescura da fruta e o toque mineral de fundo.

Boca bastante elegante e de corpo mediano, guloso no sentido em que apetece beber, com boa frescura a balancear a leve doçura da fruta, tudo com uma boa intensidade juntamente com um bom comprimento no palato, especiarias (pimenta), tosta da madeira, tabaco, novamente o toque de licor de groselha, fundo entre o mineral e o leve bálsamo vegetal. Mostra ao mesmo tempo uns taninos que lhe dão vigor e auguram boa estadia em garrafa, por agora já se bebe com bastante prazer, tem presença, harmonia, boa espacialidade e final de persistência média.

A mais valia num vinho destes é maneira como permite uma fácil abordagem, fácil de gostar e com o conveniente de que se pode guardar sem problemas que envelhece ou sabe manter a postura durante mais alguns bons anos. Muito virado para a mesa, gostei bastante da maneira como se comportou com um assado de borrego. A qualidade é bem patente, apesar de não ser daqueles vinhos que nos enchem a alma, é sim um bom exemplar, direi mesmo uma compra segura no que a Châteauneuf-du-Pape diz respeito. Obviamente que o preço de compra pode afastar muita gente, mas para quem procura uma entrada firme e sem grandes gastos por este caminho, o exemplo em prova serve perfeitamente. 16 - 90 pts
 
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