Copo de 3: Espanha
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12 fevereiro 2019

Murua Gran Reserva 1995


Recuamos no tempo e vamos buscar um Rioja "clássico", um Gran Reserva das Bodegas Murua (Rioja) de 1995. Elaborado a partir das locais Tempranillo, Graciano e Mazuelo de vinhedos com 60 anos de idade, passou 26 meses em barrica e mais 36 meses em garrafa antes de ser colocado à venda em primeur. A tonalidade já dá os sinais da passagem do tempo com aquele granada translúcido que cativa o olhar, depois é o desfilar da sua complexidade fina e delicada, bouquet rico em terciários com muito tabaco, cacau e a baunilha da barrica fina muito bem integrada. A fruta em tons de frutos do bosque, desfila de salto alto, esguia e fresca, profundo com travo vegetal seco em fundo especiado. Elegante e de boa persistência, daqueles vinhos que é sempre um prazer ter no copo. 93 pts

11 fevereiro 2019

Sierra Cantabria Organza 2016


Nasce na Rioja, no produtor Sierra Cantabria (Rioja) pelas mãos do reputado enólogo Marcos Eguren. Um daqueles vinhos que para muitos pode ser considerado de excesso, porque a madeira onde passou 9 meses, os 6 primeiros com as borras, abraça a fruta e o conjunto mostra-se sumptuoso, com curvas, tem a sua gordurinha bem à mostra é um facto. Mas tem a frescura e o equilibrio que o torna atraente, nas notas de fruta tropical ligeira com fruta de pomar e caixa de especiarias. Bonita complexidade de um conjunto formado por 50% Viura, 30% Malvasia e 20% Garnacha Blanca. O preço é simpático e ronda os 16€. 93 pts

18 janeiro 2019

Club Lealtanza Reserva Rioja 2005


Das Bodegas Altanza (Rioja) sai este Club Lealtanza Reserva Rioja 2005. Um vinho que nasceu para ser exclusivo do Club dos clientes mais especiais do produtor, mas que se estreou no mercdo com esta colheita. São apenas 48.000 garrafas de um 100% Tempranillo de várias parcelas de vinhedo, algumas com idade a rondar os 80 anos. O preço de mercado para as novas colheitas ronda os 20€. É um tinto com os taninos bem postos, elegante e profundo, todo ele bem aprumado com complexidade e capacidade de sedução. A fruta com muitas bagas em tom escuro, escorre madura e fresca, pelo meio notas de especiaria, cravinho, ervas de cheiro com toque untuoso da passagem de 18 meses que teve por madeira (mais 24 meses em garrafa) a envolver o conjunto. Mostra boa frescura no palato, ainda com garra a pedir mais algum tempo de garrafa. Saboroso e com a fruta bem presente, chocolate negro, musculado e com uma bela presença, fundo erroso com final prolongado. É vinho para acompanhar pratos de carne com bom tempero. 93 pts

29 outubro 2018

Ladredo 2014

Ladredo é nome de vinha, de uma pequena vinha velha, com cerca de 50 anos, virada a nascente e debruçada vertiginosamente sobre o Rio Sil. A sua inclinação é tão acentuada que torna a vindima uma tarefa quase hercúlea. Nesta vinha, coabitam duas castas: A Mencia (em Portugal, Jaen) e Alicante Bouschet, que se traduzem no lote em 65% e 35%, respectivamente. Um vinho que leva cerca de 50% de engaço, com estágio de 19 meses em barricas, preço a rondar os 45€. É um vinho, feito por Dirk Niepoort (Niepoort), cheio de carácter que dá a conhecer a Ribeira Sacra em todo o seu explendor, frescura e elegância, com uma tonalidade mais aberta catapulta-nos para um festival de sensações. Muito bem delineado, puro, especiarias com a fruta vermelha bem limpa, fundo mineral, vivo e cheio de energia. Na boca complementa-se, amplo e gastronómico, saboroso e fresco ao mesmo tempo que mostra garra e uma ligeira austeridade mineral. É um belíssimo vinho a ter muito em conta, quer pela qualidade quer pelo potencial que tem de guarda. 94 pts

21 outubro 2018

Kyrie branco 2014


Vamos até à famosa zona do Priorato(Espanha) que entre a fama e a polémica, tem conseguido colocar nas últimas décadas alguns dos mais caros vinhos de Espanha na ribalta internacional. Neste caso o vinho é o branco topo de gama do produtor Costers del Siurana. Aviso que por ali não são nada meigos nos preços praticados, é um mal de toda a região e este ronda os 75€ por garrafa. Provado às cegas o vinho causa impacto, é um belíssimo branco, robusto mas firme e com harmonia, num toque bem mineral de fundo tenso e fumado. Depois destaparam a garrafa e fiquei a saber o preço, ao lado rótulos nacionais tinham brilhado um pouco mais alto, a comparação do preço nem se questiona, é absurda. Mas deixando o preço de lado, é daqueles brancos que faz uma festa incrível à mesa com um peixe de nobre porte assado no forno. 94 pts

02 maio 2018

Plácet Valtomelloso branco 2012

Das Bodegas Palacios Remondo (Rioja) e criado a partir da casta Viura, oriunda de vinhedos plantados em 1988 e com estágio em fudres ovais de 2000 litros durante 11 meses. O vinho mostra muita classe logo ao primeiro instante, dominado pela fruta amarela bem rechonchuda e muito fresca, especiarias com toque de untuosidade ligeira a aconchegar. Amplo, marcado por uma fina mineralidade lá no fundo, limpo com floral a esbater-se num longo e prolongado final. A acidez sustenta tudo em plena harmonia, num fio condutor que o percorre. É de 2012 mas o tempo parece que não passou por ele, belíssimo branco que custa 17€. 93 pts

09 março 2018

Freixenet Ice Cuvée Especial

Um Cava que gosta de ser rodopiado com gelo, ou seja, aconselham a que seja servido com gelo ou que seja utilizado como base para alguns cocktails. Este Freixenet Ice, preço a rondar os 10€, surge como um Cava Semi Seco onde a base são as castas Macabeo, Xarel lo e Parellada com um toque extra de Chardonnay, teve estágio em madeira de 14 meses. Todo ele é festivo, desde a imagem da garrafa ao agradar fácil uma vez bebido, em destaque aromas de fruta de pomar a servir de base. Na boca a ligeiríssima cremosidade com um ligeiro apontamento doce que se esbate numa leve secura de fundo e faz dele um espumante para ser bebido em ambiente descontraido, principalmente no Verão. 88 pts

11 novembro 2017

Chispa Negra El Paso del Tiempo


Um daqueles que bebemos uma vez por sorte e ficamos com ele bem guardado na memória. Antony Terryn nasceu em França mas foi nas suas viagens pelo mundo que decidiu assentar na zona de Toro e ali fazer os seus vinhos no Dominio del Bendito. Numa das suas últimas vindas a Portugal disse-me que tinha algo de muito especial que queria dar a provar. E foi assim que num jantar apresentou em primeira mão este El Paso del Tiempo. A carga emocional da sua explicação está ao nível da qualidade do respectivo vinho, um lote único de 386 garrafas de 50cl a preço de 38€ criado numa unica barrica de 500 litros, da qual se retirou fruto das colheitas 2006, 2008, 2009 e 2011 do Chispa Negra cerca de 184 litros. A barrica foi atestada na mesma quantidade da colheita mais recente.

Como em todos os seus vinhos, destaca-se a pureza da fruta bem carnuda, suculenta e com uma dose de doçura muito equilibrada a contrastar com a frescura, numa complexidade fina e rendilhada que nos prende ao copo. Imagine-se um Porto Vintage ao estilo tinto da Borgonha no estilo menos concentrado mas com uma qualidade muito acima da média. Foi beber até ao fim. 94 pts

12 dezembro 2016

Dominio del Bendito - La Cuesta de las Musas 2012


O projecto Dominio del Bendito fica situado em Zamora (Espanha) na denominação de Toro, onde Anthony Terryn tem a sua adega e cria os seus vinhos. Nascido em França, foi perto de Zamora que decidiu ficar e criar os seus vinhos. Desde 2003 até à data que tem sabido mostrar todo o potencial da região com vinhos de excelente qualidade. Um amigo de longa data que transpira emoção quando fala das suas criações, a mesma emoção com que nos serve um copo e nos vai dando a conhecer as novidades, ano após ano. Desta vez foi especial, na mensagem que me tinha enviado dizia que tinha algo de muito bonito que me queria mostrar, o encontro coincidiu como não podia deixar de ser, num encontro de amigos, à mesa onde os vinhos ganham vida.

A garrafa surge imponente, robusta e pesada, numa roupagem que mais parece servir para resguardar o precioso líquido que guarda e que dá pelo nome de La Cuesta de las Musas. Quem prova e conhece o poderio do Titan del Bendito já de si fica rendido. As vinhas que lhe dão origem estão em solo arenoso, em dois patamares, com o mais velho a passar dos cem anos enquanto que o mais novo dizia que rondará os sessenta. Do total de barricas produzidas, que não passou das dez, escolheu as quatro melhores onde deixou o vinho repousar durante 22 meses e foi depois engarrafado em Agosto de 2015. Quanto ao vinho, bem o vinho é um portento de elegância com muita energia, a fruta sempre em plano de destaque e muito bonita, limpa, airosa, carnuda e a explodir de sabor na boca. Eleva-se com o toque ligeiro de licor, depois é um tornado de sensações, naquele modelo super desportivo de linhas esbeltas e toda a raça no motor, é isto. A tonalidade já de si é linda, pouco concentrada e um pouco aberta até, a complexidade ganha formas com a passagem do tempo, de tão bom que é que deixamos o caderno de lado. 96 pts

12 fevereiro 2016

Fernando de Castilla Antique Oloroso

As Bodegas Rey Fernando de Castilla, fundadas em 1837, são consideradas como uma das pequenas jóias do Vinho de Jerez e este Oloroso explica a razão. A linha Antique é exclusiva para os topos de gama da casa, os vinhos mais raros e cuja idade das Soleras se perde no tempo, são a alma que podemos encontrar dentro da garrafa. Um vinho com estágio superior a 20 anos que se mostra com muita classe, cheio de notas de fruto seco (avelã), tabaco, caramelo de leite, laranja cristalizada, madeira velha, frescura e sensação de untuosidade a envolver todo o conjunto. Na boca é untuoso, sabores muito bem delineados com excelente harmonia entre todo o conjunto, final de grande persistência com secura presente. 95 pts

22 novembro 2015

Edetária Selecció Branco 2012

Dando um saltinho até à vizinha Espanha, mais propriamente à Catalunha onde se situa esta D.O. Terra Alta conseguimos encontrar vinhos que nos surpreendem pela diferença e respectiva qualidade. Estas lufadas de ar fresco fazem falta, apetece de vez em quando ter no copo algo que seja diferente. Este Edetária da adega com o mesmo nome, desmarca-se no imediato pela diferença na altura da prova, as vinhas de 60 anos deram as uvas de Garnacha Blanca (85%) e Macabeo (15%) com direito a spa em barrica de 500 litros de carvalho francês durante 8 meses. O resultado é um branco de preço a rondar os 20€ que junta de forma harmoniosa a barrica com a fruta (citrinos, alperce, pêssego) carnuda e sumarenta, pelo meio uma mineralidade que invoca pederneira com um ligeiro toque fumado. A juntar ao ramalhete notas florais e o toque de torrada com manteiga que lhe dá uma sensação de untuosidade tanto em nariz como na boca, sendo a frescura uma constante. 92 pts

17 abril 2015

Villa de Corullón 2003


Álvaro Palacios é nome de culto no mundo do vinho, desde a família na Rioja para o Priorato onde se lançou em 1990 e ganhou estatuto de lenda, depois juntou-se ao sobrinho Ricardo Perez e catapultou para as bocas do mundo uma casta e a respectiva região até então meio desconhecida, a Mencía na DOC Bierzo. A aposta foi claramente nas vinhas velhas daquela região, nomes como Fontelas, Las Lamas, Moncerbal, San Martin ou La Faraona cedo ganharam estatuto entre os mais grandes, disputados pelos sete cantos do mundo, caros e raros. De entrada de gama o Pétalos de Bierzo, seguido deste Villa de Corullón nascido de três velhas parcelas entre os 60-100 anos, cujo preço ronda os 35€.

Não tendo sido dos melhores anos deste vinho, destaca-se no imediato a limpeza de aromas, fresco e muito puro na fruta (groselha, cereja, framboesa) com lavanda, alcaçuz, tudo bem delineado com madeira plenamente integrada. Bem perfumado com notas de violetas, especiaria de fundo, algum caramelo de leite a conferir sensação de arredondamento. Boca com muita presença e frescura da fruta, cheio de sabor e vivacidade, coeso, especiado no fundo com leve bálsamo. Muita elegância e equilíbrio num vinho de grande classe. 93 pts

31 março 2015

Gonzalez Byass Pedro Ximénez Muy Viejo

A Gonzales Byass foi fundada em Jerez no ano de 1835 por Manuel Maria Gonzalez quando tinha apenas 23 anos de idade. Uns anos depois entra na empresa um novo sócio então distribuidor no Reino Unido de seu nome Robert Blake Byass. O tempo passou e hoje a Gonzales Byass é apenas comandada pela quinta geração da família Gonzalez cujo grande legado dos seus antepassados resulta numa enorme quantidade de vinhos velhos de enorme qualidade. A empresa detém cerca de 800 ha de vinhedo com 95% Palomino e 5% de Pedro Ximenez, sendo este o único produtor de Jerez a produzir esta variedade. O processo de elaboração começa numa vindima tardia das uvas Pedro Ximenez que são submetidas ao processo do "soleo" onde se deixam as uvas sobre esteiras ao sol, neste caso foram 20 dias. O resultado final é um vinho extraordinariamente denso que irá passar mais de 30 anos na centenária Solera de Noé. Por ano apenas 2000 garrafas vêm a luz do dia, com preço de 55€ na loja do produtor. 

A pergunta inicial é quase sempre a mesma, o que esperar de um vinho com mais de 400 g de açúcar por litro? O melhor é apertar o cinto pois a experiência é sempre intensa, num vinho que se entranha e conquista de forma arrebatadora a nossa boca, todo o palato fica imediatamente refém. A complexidade aumenta conforme a qualidade e idade do vinho em questão, neste caso é um vinho com grande definição de aromas e sabores, com um balanço extraordinário de todas as componentes. Os aromas surgem por camadas com muito Bolo Inglês, as mais variadas frutas passificadas, caramelo líquido, café, caixa de charutos, muitas especiarias, muita frescura que aguenta todo o peso de forma brilhante. Boca poderosa, concentrado, muito saboroso, forra o palato, algum caril, toque do nougat, nozes, a doçura bem acompanhada por uma muito boa acidez, suave toque de nozes no fundo, longo e interminável final. Para acompanhar nada melhor que um fondant de chocolate ou uma bola de gelado de baunilha. Arrebatador. 95 pts

12 março 2015

The Moro Cookbook by Sam and Sam Clark

The Moro Cookbook by Sam and Sam Clark
(Ebury, 2003, 20,74€)


Um bom livro de cozinha é aquele em que as receitas que nos fornece funcionam, ou seja, tudo aquilo que lemos é de forma simples capaz de ser replicado em casa sem grandes problemas. Acontece que muitos livros apenas funcionam para encher o ego do chef que assim pode dizer que tem um ou dois livros lançados no mercado, quando na prática as receitas que ali colocou nunca funcionam numa cozinha dita normal. 

Este The Moro Cookbook é um dos meus livros favoritos, é daqueles em que tudo o que lá vem dentro funciona e onde nos apetece experimentar/fazer tudo o que lá aparece e por vezes damos conta que aquela ou a outra receita são repetidas vezes sem conta, como a deliciosa sopa de beterraba e cominhos, um verdadeiro sucesso aqui em casa. 

Os autores Samuel e Samantha Clark são um casal apaixonado pela gastronomia de Espanha, Norte de África e Mediterrâneo Oriental. Após alguns sucessos de restaurantes em Inglaterra decidiram abrir em Londres o Moro, que literalmente significa Mouro, canalizando naquele espaço toda a sua paixão pelos diversos tipos de influências que foram recolhendo nas suas viagens. Em 2001 lançaram o seu primeiro livro, este Moro The Cookbook, que simplesmente é um recompilatório de quase 300 páginas das mais famosas receitas do restaurante. Um livro impregnado de sabores e aromas intensos, receitas fieis às origens onde apresenta alguns pratos de muito condimento e paixão, cheio de detalhes fantásticos com boas fotografias onde se explicam detalhadamente os mais variados ingredientes. As receitas funcionam muito bem e algo muito importante é a facilidade de encontrar os ingredientes necessários, o resultado é o prazer garantido à mesa. O livro é vasto e vem separado em várias secções, desde ensinar as mais variadas receitas de pão, ao fantástico Labneh um queijo  feito a partir de iogurte natural, à deliciosa sopa de beterraba e cominhos ou a Raia com vinagre de Jerez, entre muitas outras... 
Obrigatório para quem gosta de cozinhar.

15 fevereiro 2015

La Rioja Alta Gran Reserva 904 2001

No espaço de uma década, se tanto, temos vindo a assistir a uma estapafúrdia escalada de preços de alguns vinhos dentro do panorama nacional sem que no entanto a qualidade dos mesmos tenho aumentado. E por muito que se teime nisto do fazer vinho ainda há tanto que aprender e evoluir, que basta pagar coisa de 31,50€ para no imediato se questionar tanta coisa. Oriundo da mais conhecida região produtora de Espanha, a Rioja (ree-OH-hah), produzido pelas Bodegas La Rioja Alta, fundadas em 1890 por um grupo de cinco famílias, que tal como antes procuram criar vinhos de excelência.  Com o passar dos anos os seus vinhos permitiram a afirmação dentro e fora de portas como uma das grandes referências dos vinhos da Rioja, aliando tradição bem acompanhada pela inovação tecnológica.

A colheita de 2001 foi considerada excelente, na sua base tem a Tempranillo (90%) proveniente de vinhedo com mais de 40 anos complementado nos restantes 10% com Graciano. Passa depois 48 meses em barricas de carvalho americano com quatro anos de idade, sofrendo nova trasfega a cada seis meses. Destaca-se a finesse do conjunto, toda a frescura de fruta madura e ligeiramente confitada, aroma intenso tabaco com ligeiro chocolate com menta, muita especiaria com ervas aromáticas, mato rasteiro, toque de madeira muito fino num conjunto pleno de requinte e harmonia. Boca com muito boa estrutura a segurar todo um conjunto de luxo, saboroso e fresco, prolongado final num conjunto que transpira elegância. É daqueles que se podem guardar durante muito tempo, o pior é conseguir fazer isso. 96 pts

14 fevereiro 2015

El Titán del Bendito 2011

Expressão máxima dos vinhedos mais velhos de Tinta de Toro (Tinta Roriz) localizados no famoso pago La Jara, ainda em pé franco fruto dos solos ricos em areia, com idades compreendidas entre os 50 e os mais de 100 anos. Intervenção mínima neste topo de gama da Bodega Domínio del Bendito (Toro) com o vinho a passar 20 meses em barricas, com um preço a rondar os 38€ numa produção média de 5000 garrafas por colheita. O vinho é de 2011, ainda muito novo e cheio de força, mostrando uma enorme vontade em dormir durante mais uns longos anos na garrafa. Para já é dominado por uma fruta gorda e gulosa, madura e intensa, com uma frescura e equilíbrio notáveis a acompanhar um bouquet refinado ainda em fase de construção. Um vinho onde a rusticidade própria da região é transformada em elegância, com uma boca de estrondo a conquistar todo o palato, sempre com muita frescura e um equilíbrio fantástico sem fazer notar por algum momento os 15,5% Vol. que moram na sua alma. Um vinho profundo e cheio de garra, para pratos fortes como por exemplo um Estufado de Javali. 95 pts

17 novembro 2014

Alvear Pedro Ximenez de Añada 2011

O que acontece quando acabamos de beber um vinho com 100 pontos atribuídos por um reputado crítico internacional ? Não acontece nada, por vezes ficamos com a sensação do "só isto?" e parece que no copo falta sempre algo mais, neste caso não lhe vi nada que justificasse tamanha proeza aclamada como a dita perfeição. Independentemente dos pontos que tenha tido aqui ou ali o vinho em causa sempre foi excelente mesmo naquelas colheitas menos pontuadas. Umas mais equilibradas que outras mas sempre com aquela dose massiva de açúcar que sempre se torna dona e senhora de toda a prova. Neste caso o factor "vinho 100 pontos" viu o preço aumentar dos normais 10€ para cerca dos 25€. É vinho para quem gosta de emoções fortes, para quem gosta de apanhar o boi pelos cornos, é um colosso de tal maneira violento e com uma densidade no palato que varre no imediato a quase totalidade dos vinhos fortificados que surjam ao lado dele. Como se não bastasse ainda nos invoca toda uma complexidade que desenvolve no copo, envolta em grande frescura. Destaque para a frescura que o embrulha e dá longa vida a toda a fruta em passa (ameixa, figo), mel, tâmara, rosmaninho, laranja amarga, avelã... o resultado é uma noite inteira de roda do copo. 96 pts

18 julho 2014

Alonso del Yerro 2010

Vem da vizinha Ribera del Duero (Espanha) este vinho que não é a primeira vez que por aqui aparece, 2007 e 2008 já foram alvo de visita. Produzido pela Bodega Alonso del Yerro mostra novamente argumentos suficientes para se entender porque é considerado um dos novos meninos bonitos da região. Uma vez no copo o que se destaca mais é a qualidade e frescura da fruta, toda a elegância com que se bandeia no copo, fresco, leve apontamento apimentado com regaliz/alcaçuz num conjunto complexo a mostrar grande trabalho da barrica muito bem integrada. Por detrás fica uma estrutura sólida o suficiente para lhe garantir boa evolução em garrafa, marcado novamente pela presença da fruta aveludada e fresca que escorre pelo palato, tosta e pimentas, final longo e persistente com taninos ainda presentes lá no fundo. Pelo seu porte e comportamento à mesa a escolha foi uma perna de cabrito com batatinha assada no forno. 93 pts

14 julho 2014

Táganan Parcela Amogoje 2012


Haverá melhor recompensa para um produtor do que nos conseguir cativar por aquilo que encontramos num dos seus vinhos e ficarmos com vontade de conhecer os restantes ? Foi o que aconteceu após ter caído no copo um fascinante Tinta Amarela feito em terras da Ribera del Guadiana (Espanha) bem perto de Badajoz. Face à qualidade do dito tinto, fomos buscar o branco elaborado pela equipa Envínate, neste caso um branco proveniente das Ilhas Canárias mais propriamente dos solos vulcânicos de Tenerife, onde o vinhedo velho pré-filoxérico com mais de 100 anos é dominado pelo field blend com castas brancas Malvasia, Gual, Forastera, Marmajuelo, Albillo Criollo, Vijariego Blanco, Listan Blanco... Toda a produção segue a mesma filosofia minimalista do grupo, neste caso estagiou numa barrica de 500 litros durante onze meses e foram engarrafadas cerca de 600 garrafas, preço a rondar os 18€.

Claramente diferente, complexo e intrigante, necessita de tempo e paciência, a primeira impressão que dá é de uma ligeira oxidação, mostra-se complexo e perfumado, cremosidade suave da barrica com muita frescura de conjunto. Sério, coeso, flores, fruta madura (meloa), especiaria, pederneira, boca a condizer com untuosidade ligeira de entrada para passagem frutada no palato, saboroso com uma acidez que lavra na língua, final seco e  prolongado com ponta salgada. Bichos do mar servidos ao natural com uma gota de limão, o resto é beber e descontrair. 92 pts

20 junho 2014

Cantos del Diablo 2011

Não é a primeira vez que um vinho sob o nome Jiménez-Landi aqui aparece, será sim a primeira vez que surge não como o projecto familiar mas como o projecto pessoal de Daniel Gómez Jiménez-Landi. A filosofia seguida é a mesma, domina a Garnacha de vinhedos velhos em parcelas muito especiais como a do Cantos del Diablo (mais de 60 anos) localizada em solos graníticos a 900 metros de altitude em El Real de San Vicente (Serra de Gredos). A intervenção como vem sendo costume é minimalista, pisa a pé, 100% engaço, nada de bombas e as leveduras são autóctones, sulfuroso o mínimo necessário, sem filtrar e apenas se utilizam grandes volumetrias para estágio (500-3000 litros) de forma a respeitar ao máximo o local que lhes deu origem. No final o resultado são 2500 garrafas com preço a rondar os 40€.

Destaca-se pela tonalidade mais aberta, tipo Borgonha, pelo que fica longe das concentrações excessivas que nos assombram os copos. Conquista pelo nariz no imediato, limpo, exuberante com enorme frescura e elegância mas a sentir-se força e coesão do conjunto. Rica complexidade com fruta vermelha madura, bergamota, floral, ervas de cheiro, pimenta preta, fundo mineral num conjunto muito novo e com tanto para dar. Riqueza de boca, sente-se aquela frescura vegetal muito limpo do engaço, gosto, mineralidade em fundo, profundo e bastante fresco, muito coeso com palato a ser bem vincado durante a passagem. A somar a tudo isto a elegância geral do conjunto, a vontade que dá em continuar a beber mais um e outro copo, até que acaba.Terá uma grata vida pela frente, mas resistir-lhe é tão complicado. 94 pts
 
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