Copo de 3: Eventos
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31 maio 2019

I Concurso de Vinhos de Talha 2019

O Júri (esquerda para a direita): João Canena, Joaquim Arnaud, João Alabaça, Pedro Hipólito, Gilberto Marques, Francisco Brito, João de Carvalho (organização), Carlos Janeiro, Pedro Mota, Paulo Amaral, Sandra Alves, Rita Tavares (organização), António Ventura e Luís Sequeira.


O vinho de talha é uma paixão que me acompanha vai para mais de 20 anos. A um grande amigo que já partiu, devo grande parte deste entusiasmo e deste saber que tão pacientemente me foi passando nas longas conversas que tinhamos. Mas com o tempo ficou sempre um desejo que finalmente consegui transformar naquilo que foi a maior prova de Vinhos de Talha feita até hoje e que contou com 31 vinhos de produtores de todo o Alentejo, o I Concurso de Vinhos de Talha, realizado no passado dia 25 de Maio nas instalaçãos da Sovibor (Borba).

O Concurso foi um sucesso onde a principal regra ditava que apenas vinhos oriundos de talhas pesgadas poderiam participar. A prova foi cega e bastante animada, com muito debate entre provadores, muita partilha de opinião face à alta qualidade de todos os vinhos que participaram. Os melhores de cada mesa foram apurados para a finalíssima, com cada jurado a dizer qual o seu preferido e a contagem feita por todos, assim nunca haveria enganos e o vencedor seria claro e inequívoco. No próximo post irei divulgar quais os dois vinhos que foram considerados Melhor Vinho de Talha tinto e Melhor Vinho de Talha branco.

Quero deixar um agradecimento muito especial ao Sr. Fernando Tavares à Rita Tavares e ao Engº Antonio Ventura que tornaram possível tal acontecimento, um obrigado à Joana Garcia (Queijaria Monte da Vinha) ao Joaquim Arnaud (Charcutaria) e ao Fontainhas Dias (Fotografia). O último agradecimento vai para todos os que gentilmente acederam ao convite para fazerem parte do júri. Para o ano há mais.

26 outubro 2017

Grandes Escolhas – Vinhos & Sabores 2017



São 17 os anos de experiência que a equipa de Luís Lopes e João Geirinhas, ex-directores da Revista de Vinhos e, agora, directores e co-proprietários da Grandes Escolhas, tem na realização do maior evento vínico do país. Um acontecimento muito esperado e que este ano muda de nome, de data e de local. O ‘Grandes Escolhas – Vinhos & Sabores’ vai ter lugar de 27 a 30 de Outubro de 2017 (sexta a segunda-feira), no Pavilhão 4 da FIL – Feira Internacional de Lisboa, no Parque das Nações, onde o maior interface de transportes é uma mais-valia para profissionais, enófilos e fãs da comida regional que atravessa Portugal de lés-a-lés. É caso para dizer que os mais de 6.000 m2 eleitos vão proporcionar uma experiência de ‘Vinhos & Sabores’ à Grande(s Escolhas)!
Horários e preços:
 Sexta, das 18h às 22h; Sábado e Domingo, das 14h às 20h; e Segunda, das 11h às 18h. 
O preço da entrada é de €15 (inclui o copo).

17 outubro 2016

Encontro com o Vinho e Sabores (Lisboa) 2016


Vai para a sua 17.ª edição aquele que é o principal evento de vinhos realizado em Portugal, o 'Encontro com o Vinho e Sabores', que se realiza de 11 a 14 de Novembro, no Centro de Congressos de Lisboa
Trata-se de uma prova única no seu género em Portugal na qual mais de 450 produtores de vinhos, queijos, presuntos, enchidos e azeites, seleccionados pela Revista de Vinhos, apresentam os seus produtos aos consumidores e público interessado. 

Se pertence aquele grupo de pessoas que não quer perder as grandes provas de vinhos raros ou preciosos, então as Provas Especiais (clicar para mais informação) são uma ocasião única que não deverá perder.

DATAS E HORÁRIOS

Horários:
11 de Novembro (6ª feira) – 18:00 / 22:00
12 e 13 de Novembro (Sábado e Domingo) – 14:00 / 20:00
14 de Novembro (2ª feira) – dia exclusivo para Profissionais – 11:00 / 18:00

Entrada: 10 euros
Bilhetes à venda no Centro de Congressos de Lisboa durante os dias do evento.

Entrada gratuita para crianças até aos 12 anos de idade.
50% de desconto para leitores da Revista de Vinhos, mediante a apresentação do cupão publicado na Revista de Vinhos de Outubro.

29 abril 2016

Semana Gastronómica Italiana by Augusto Gemelli - Hotel Tryp Oriente


Decorre de  26 Abril a 6 Maio, no Restaurante Bistro & Tapas do Hotel Tryp Oriente, a Semana Gastronómica Italiana. Para o efeito foi convidado o Chef Augusto Gemelli para criar os menus que vão variando todos os dias. Augusto Gemelli é o grande embaixador da cozinha Italiana em Portugal e também autor do primeiro e único livro de cozinha Italiana editado em Portugal por um italiano. Para quem pensa que conhece a cozinha de Itália e não passa da pizza congelada e das massas com molho de pacote tem agora a melhor maneira possível de poder descobrir a um preço mais que tentador a verdadeira cozinha Italiana. 


De 2ª a 6ª a partir das 13 horas, por 10€ temos direito a Prato Principal, Água, Sobremesa e Café podemos juntar mais 4€ para o Buffet de entradas regionais italianas e caso apeteça por mais 2,50€ podemos ter um copo de vinho do produtor Joaquim Arnaud (nesta semana com a Quinta dos Plátanos branco e tinto). Fui hoje e estava quase cheio o restaurante, bom ambiente com empregados sempre atentos e em autêntico rodopio, nota bem alta para os fantásticos mexilhões gratinados numa ligação perfeita com o Plátanos branco, já como prato principal no menu de hoje a minha escolha recaiu na suculenta e muito saborosa Carbonata de Novilho com Vinho Tinto


Contatos e reservas:
Faça já a sua reserva para uma semana de temática gastronómica com confirmação imediata pelos contactos Tel: 213 930 017 | E-mail: maria.paz@meliaportugal.com

Buffet de entradas regionais italianas - Foto by Augusto Gemelli

29 novembro 2015

Adegga WineMarket Lisboa 2015 - Oferta desconto de 5€


Depois de Estocolmo e Berlim, o Adegga WineMarket regressa a Lisboa já no dia 5 de Dezembro.
O Adegga WineMarket original! Prove e compre os melhores vinhos de produtores seleccionados. Descubra 300 vinhos entre os 5€ e os 50€ de 50 produtores seleccionados. Receba em casa os vinhos que comprou ao produtor e a preços de evento. Traga os amigos e aproveite o ambiente descontraído!
Uma das novidades deste Adegga WineMarket é a possibilidade de encomendar vinhos em prova antes, durante e depois do evento, através da página http://pt.adegga.com/loja, acessível também em dispositivos móveis. Podem com esta lista consultar os vinhos em prova e preparar a vossa visita.

Para todos os leitores e amigos do Copo de 3  foi criado um Código que dá direito a um  desconto no valor de 5€ que pode e deve ser utilizado na compra do bilhete normal na página do evento http://pt.adegga.com/lisboa2015

código: copode32015

Bilhetes: http://pt.adegga.com/bilheteira/
Mais informações: http://bit.ly/winemarketlis15

Esperamos receber-te no Sábado
Adegga Team

01 novembro 2015

Concurso Escolha da Imprensa - Encontro com o Vinho e Sabores 2015 by Revista de Vinhos


Organizado mais uma vez pela Revista de Vinhos e realizado no Hotel Holiday Inn Lisbon – Continental, em Lisboa, esta nova edição bateu todos os recordes. Os grandes vencedores – com o Grande Prémio Escolha da Imprensa - foram:

Espumantes: Murganheira Cuvée Reserva Especial Távora-Varosa branco 2004 (Sociedade Agrícola e Comercial do Varosa) 
Brancos: Muros de Melgaço Vinho Verde Alvarinho 2014 (Anselmo Mendes Vinhos)
Rosés: MR Premium Regional Alentejano 2014 (Sociedade Agrícola D. Diniz)
Tintos: H.O. Douro Grande Escolha 2012 (Casa Agrícola Horta Osório) 
Fortificados: Vau Porto Vintage 2011 (Sogrape Vinhos)

Todos os outros vinhos – 74 - receberam o Prémio Escolha da Imprensa. Ver lista completa no link.
Este ano foram batidos todos os recordes: de participação e de jurados com o júri a ser constituido por 34 jurados. Entraram 357 vinhos, em 5 categorias (espumantes, brancos, rosés, tintos e fortificados). Este ano teve também uma novidade: o concurso decorreu em duas fases nas quais tive o prazer em ter participado. Uma primeira, em que foram provados todos os vinhos. E uma segunda, realizada dias depois, onde os três mais pontuados em cada categoria foram novamente avaliados numa finalíssima, composta por um conjunto de 9 provadores. A única excepção aconteceu nos rosés, onde o director técnico da prova e director da Revista de Vinhos, Luís Lopes, decidiu avançar com dois finalistas. Verdade seja dita que a participação de rosés, a maior de sempre, é ainda exígua se comparada com as outras categorias. Está pois de Parabéns a Revista de Vinhos por mais uma excelente organização.

29 maio 2015

Como nasce uma medalha... 4º Concurso de Vinhos do Douro Superior by Revista de Vinhos

É aqui que tudo se decide...
Muito se tem escrito e debatido sobre as famigeradas medalhas que habitam em rótulos e garrafas das mais variadas regiões. Durante este texto o que pretendo é contar a minha experiência e contributo num concurso que se realizou recentemente. Se a subjectividade da prova estará sempre presente da parte de quem prova com o gosto pessoal a ser determinante, o grau de exigência e responsabilidade exige que sejam tidos em conta factores como a coerência ou seriedade.
As duas salas estavam repletas de provadores, cinco por mesa onde um assume o papel de presidente de mesa e fica responsável por orientar o debate e recolher as respectivas folhas de prova de cada um dos elementos. Na mesa que me calhou apenas iríamos provar 23 vinhos entre brancos, tintos e vinho do Porto, para além de todas as mesas provarem também os três finalistas de cada categoria. Era cedo e o relógio já apontava para as 9 horas da manhã, à espera de serem provados estavam mais de 100 vinhos, daqui iriam sair os grandes vencedores com as respectivas medalhas do 4º Concurso de Vinhos do Douro Superior nas categorias de vinho Branco, Tinto e Vinho do Porto.

Em prova cega foram sendo servidos seis vinhos de cada vez, fomos entretanto informados que uma vez que havia pouco vinho para ser provado teríamos mais tempo para dedicar a cada ronda, óptimo. Para avaliar os vinhos que iam caindo nos copos apenas teria de utilizar o meu critério e pontuar mediante a escala colocada à disposição, sem necessidade de andar a somar pontinhos de visão, olfato... o que a meu ver dispersa a atenção de quem prova. Será normal que em mesas onde o critério seja mais amplo as notas sejam elas mais altas face a mesas onde o cunho apertado e exigente dos provadores se contrasta nas notas finais.

Os primeiros seis vinhos foram brancos, as evidentes diferenças entre eles dariam azo a grande discussão entre os provadores da minha mesa com as diferenças pontuais no final a não divergirem muito face aos vinhos que tinham sido apresentados. Discussão que se iria prolongar pelas restantes rondas, duas de tintos e uma de Porto com quatro Vintages. Com os dados lançados e as pontuações atribuídas, seria altura de uma pausa e no regresso estavam à nossa espera a ronda dos finalistas, os três melhores vinhos apurados de cada tipo. Desta vez apenas se pediu para colocar na folha de prova por ordem de preferência, colocando o número 3 para o que se gosta mais e o 1 para o que se gosta menos. Os resultados apenas seriam divulgados no dia seguinte, com algumas surpresas e outras confirmações, desta forma nasceram os grandes vencedores do 4º Concurso de Vinhos do Douro Superior organizado pela Revista de Vinhos.

Os grandes vencedores: Bons Ares branco 2013, Duorum Reserva 2012 e Ramos Pinto Ervamoira Vintage 2005

06 maio 2015

Iº WINE BLOGGERS CHALLENGE | 9 Maio 2015


O Blog Comer, Beber e Lazer, organiza no próximo dia 9 de Maio, o 1º Desafio Bloggers Challenge. no Restaurante  A Tendinha, em Mem Martins. Uma iniciativa que se quer diferente, estimulante e divertida e que conta com a participação não só dos Bloggers convidados, como também de todos os interessados que gostem de vinho e de comida.

Mas o que é o Wine Bloggers Challenge? O Wine Bloggers Challenge não pretende ser uma competição ou uma batalha entre Bloggers. Será antes de mais um evento informal no qual, num frente a frente saudável, dois Wine Bloggers irão apresentar aos participantes algumas sugestões de Vinho para os pratos servidos pelo Restaurante. 

Tendo como base principal a Carta de Vinhos do Restaurante onde ocorre o evento serão escolhidos dois vinhos por prato. Um por Blogger. Com a Entrada, o Peixe e a Carne serão servidos 6 vinhos diferentes e a eleição da melhor harmonização será efectuada no momento pelos participantes na refeição. Entre pratos, cada Blogger irá ainda justificar, em poucas palavras, a sua escolha de vinho e responder a algumas questões. Serão servidos ainda mais dois vinhos em ligação com a comida, no inicio da refeição e sobremesa.

Para além de pretender ser uma experiência diferente e interactiva, os objectivos desta iniciativa são, em primeiro lugar, a promoção do Vinho no Restaurante, a promoção da sua carta de Vinhos e a ligação inseparável entre comida e vinho à nossa mesa. Para além disso, apresentar o Blogger como alguém que pode ser cada vez mais uma opção séria na divulgação e promoção do Vinho ao consumidor.

Os vencedores deste desafio serão, no fim de contas, todos.
Por uma experiência diferente, interactiva e divertida.

O almoço tem o preço de 20€ por pessoa e deve ser feita reserva no próprio Restaurante ou através do mail comerbeberlazer@hotmail.com ou comerbeberlazer@gmail.com

09 abril 2015

simplesmente... Vinho 2015


Realizou-se nos dias 27 e 28 de Fevereiro a terceira edição do simplesmente Vinho. simplesmente… Vinho 2015 é um salão off, manifestação de nicho, independente e alternativa, que reúne na Ribeira do Porto, produtores unidos simplesmente… pelo Vinho. Num total de 36+1 vignerons que "invadiram" a Galeria Gadus Morhua, lugar pleno de inspiração e criação, juntamente com a Oficina de Arquitetura Integrada - SKREI de gente inspirada e inspiradora, onde conheci uma muito interessante reciclagem construtiva aplicada aos mais variados contextos.

Os produtores presentes, puros vignerons de respeito tanto pelas crenças como pela qualidade dos vinhos, dos mais variados terroirs, vinhas e castas, de Norte a Sul de Espanha e Portugal. Foram muitas e boas as surpresas, os reencontros e os encontros, tudo envolto em ambiente cool e num culminar de sonoridades pop e rock (Leo Parda e os Daltónicos, The Magnets) que nos ajudam a libertar o espírito em plena folia com os amigos presentes.

Quanto aos produtores e vinhos ali encontrados/provados/bebidos/descobertos irei dando conta calmamente e a seu devido tempo aqui pelo Copo, porque cada um deles merece ser falado como aquilo que é, simplesmente... Vinho.

Agradecimento especial ao João Roseira e ao Mateus Nicolau de Almeida pelo convite, acolhimento e pelo fantástico evento que criaram. Sois grandes.

04 fevereiro 2015

simplesmente… Vinho 2015


simplesmente… Vinho 2015
é um salão off, manifestação de nicho, independente e alternativa, que reúne na Ribeira do Porto, produtores unidos simplesmente… pelo Vinho.
Vinho que respeita a terra e os terroirs, as vinhas e as uvas, as pessoas e as tradições.
Vinho que simplesmente… quer ser vinho, bebido, apreciado, partilhado.
É por este Vinho que os produtores do simplesmente… Vinho se unem. E, também, por partilharem, independentemente da dimensão ou notoriedade de cada um, o gosto por vinhos diferentes e com uma dose saudável de loucura e poesia.

Horário: sexta 27, 17h-22h; sábado 28, 16h-22h
Preço: entrada € 8, com direito a copo oficial, prova de vinhos, degustação de petiscos, exposição de arte e música.
Largo do Terreiro, 4 - Ribeira do Porto

Vignerons
España: Alberto Nanclares - Bodegas Nanclares | Alfredo Maestro - Bodegas Alfredo Maestro | José Aristegui - Bodega José Aristegui.

Minho: Fernando Paiva - Quinta da Palmirinha | Tony Smith - Quinta de Covela | Vasco Croft - Aphros.

Douro: João Roseira - Quinta do Infantado | Joaquim Almeida - Quinta Vale de Pios | Mateus Nicolau de Almeida - Muxagat | Rita Marques - Conceito | Tiago Sampaio - Olho no Pé | João Hoelzer - Quinta de Val de Figueira | Pedro Garcias - Mapa | João Menéres - Quinta do Romeu.

Dão: Álvaro e Maria Castro - Quinta da Pellada | António Madeira - António Madeira | João Tavares de Pina - Terras de Tavares | Carlos Ruivo - Lagar de Darei | Christelle e Casimir - Fonte de Gonçalvinho | Sara e António - Casa de Mouraz.

Bairrada: Dirk Niepoort - Quinta de Baixo | Filipa Pato - Filipa Pato | Luís Pato - Luís Pato | Mário Sérgio Nuno - Quinta das Bágeiras.

Lisboa: António Marques da Cruz - Quinta da Serradinha | Pedro Marques - Vale da Capucha.

Alentejo: Miguel Louro - Quinta do Mouro | Vitor Claro - Dominó | João Afonso - Cabeças do Reguengo.

Portugal: Young Winemakers - Vadio, Hobby, Camaleão e Clip | Luis Seabra - Luis Seabra vinhos | Luísa Sarmento - Skrei

Madeira: Barbeito I Ricardo Diogo

Restaurantes: Joana Vieira e André Antunes - Delicatum (Braga) | Luís Américo e Miguel Morais - Casa Ribeiro | Rui Paula - DOP | Vitor Claro - Claro! (Paço de Arcos)

Arte: Gadus Morhua, braço experimental da SKREI

Música simplesmente... ao Vivo: sexta 27, 22h Leo Parda e os Daltónicos | sábado 28, 22h Thee Magnets


Encontramos por lá...

15 maio 2014

Independent Winegrowers’s Association, uma década ao sabor da excelência

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O grupo de amigos, composto por Luís Lourenço (Quinta dos Roques – Dão), Luís Pato (Luís Pato Wines – Bairrada), Pedro Araújo (Quinta do Ameal – Vinhos Verdes), João Pedro Araújo (Casa de Cello – Vinhos Verdes/Dão) e Domingos Alves de Sousa (Alves de Sousa – Douro) decidiu criar um grupo (IWA) com o objectivo de fazer uma promoção conjunta em mercados externos. Todos eles são bons exemplos de produtores de excelência, com carácter vincado e cujos vinhos são fiéis às regiões que representam.

A IWA comemorou no passado dia 10 de Maio o seu 10º Aniversário. A reunião anual teve lugar em Lisboa, tendo sido apresentadas as últimas novidades a lançar para o mercado. Foi um grande privilégio poder provar numa só tarde o que de melhor Portugal (ou parte dele) tem para oferecer.
Uma viagem em formato de prova que começou na região dos Vinhos Verdes, desde a mineralidade vincada dos SanJoanne da Casa de Cello aos perfumes e encantos dos Loureiro da Quinta do Ameal. Descendo um pouco entramos nas terras do Douro com os Alves de Sousa, vinhos terrosos e vincados pelo terroir, como o Quinta da Gaivosa ou o Abandonado, perdidos no tempo como o fabuloso Porto Tawny 20 Anos.

É da região do Dão que nos chegam os Quinta dos Roques que nos acariciam o palato com a seda vermelha do Roques Garrafeira ou com a suculenta frescura da fruta vermelha do Roques Reserva. Ainda no Dão e sem ficar esquecido, o Superior da Quinta da Vegia mostra toda a beleza da região no copo e ao seu lado o Vegia Reserva, mais austero e pronto para as curvas do tempo. A jornada termina na Bairrada, onde Luís Pato nos brinda com uma Baga de referência, proveniente da Vinha Barrosa ou com a delicadeza e os encantos que o branco da Vinha Formal promete revelar com o tempo.

No fim ao olhar para o trajeto percorrido e para o que foi provado, ficamos com a convicção de que provámos vinhos de grande qualidade que merecem ser conhecidos, capazes de brilhar muito alto em qualquer parte do mundo. A jeito comemorativo lançaram um branco no qual foram utilizadas castas brancas, uma por cada produtor. Dessa forma o lote de nome LARBE (Loureiro, Alvarinho, Rabigato, Bical e Encruzado) que deu origem a 1200 garrafas. Vinho delicado, com frescura e boa complexidade, onde se sente uma vontade de crescer em garrafa. Boa mineralidade na boca com presença de frescura e cocktail de fruta.

21 abril 2013

E o Dão vestiu-se de branco... #daowinelover #white day

Da esquerda para a direita: Casa da Passarella, Quinta dos Roques, Quinta dos Carvalhais, Quinta do Perdigão, Magnum, Lagar de Darei, DãoSul, Quinta da Pellada, Quinta da Fonte do Ouro
Foi uma tarde repleta de festa enófila, pura e dura, aquela que se juntou à volta dos vinhos brancos do Dão. Dois amigos (Rui Miguel Massa e Miguel Pereira) juntaram-se e decidiram que a sua região precisava de um abanão e de ser colocada na ribalta, região que merece mais e melhor atenção, região essa que se chama Dão. Criaram o grupo no facebook #daowinelover e têm vindo a criar eventos à volta do que de melhor ali se produz. Ora ontem mesmo, no Restaurante Claro (Chefe Vitor Claro) a iniciativa tomou conta do estabelecimento em tons de branco, foram 9 produtores e cerca de 40 vinhos em prova, muita coisa nova mas também alguns vinhos com idade onde os encantos do nobre envelhecer tão característicos dos vinhos do Dão se mostraram a todos os presentes (em bom número diga-se de passagem).

Pelas quatro dezenas de vinhos em prova, a primeira ronda foi apresentada individualmente, ouvidos atentos nas palavras que iam sendo debitadas ao mesmo tempo que o vinho se ia cheirando e provando, todos os brancos de grande potencial, onde os citrinos imperam, onde a mineralidade com toques mais ou menos presentes de baunilha com secura, nervo e alguma contenção os remetem para um consumo quase obrigatório após breve estágio na nossa garrafeira. Qualidade acima da média, em alguns a excelência bem patente, o cunho do Dão omnipresente nas várias nuances, onde a Encruzado brilha a solo ou acompanhado mas onde outras castas se quiseram mostrar desafiando o reinado, Barcelo, Malvasia, Verdelho, Bical, Loureiro...

Sobre os vinhos irei dar-lhes o devido destaque em notas isoladas, foram muitos os vinhos provados pelo que nos tempos mais próximos o vinho do Dão andará por aqui com maior frequência. Resta-me agradecer o convite e fazer um brinde ao Dão.

01 fevereiro 2013

Simplesmente Vinho 2013


Dias 8 (18h-22h) e 9 (16h-23h) de Fevereiro 

simplesmente… Vinho 2013 é o primeiro salão off que se faz em Portugal.
Salão off?! Wtf? É muito simples. Ora vejam:
A Essência do Vinho comemora o décimo aniversário! Parabéns! É um sinal de maioridade, de prestígio acumulado. O que exige… sim, a criação de um salão off. Tal como todos os grandes eventos de vinhos do mundo.
O salão off é uma manifestação paralela, independente, reunindo, num local próximo do evento principal, um determinado nicho de produtores. O que define esse nicho pode ser uma determinada região, ou o enfoque numa forma de produção (biológico ou biodinâmico), ou etc e etc.
Os produtores do simplesmente… Vinho 2013 estão juntos por partilharem o respeito pela terra e os terroirs; por, independentemente da dimensão de cada um, gostarem de vinhos diferentes, com uma dose saudável de loucura; pela relação natural e orgância que têm com as vinhas e o vinho no seu dia-a-dia.
Nesta primeira edição, assumimos riscos e experiências, com a descontração de pessoas que simplesmente… vivem e adoram o vinho. Simplesmente… Vinho! Sempre, sempre, sempre.
Mas, igualmente, com a certeza da seriedade do que quem nos visitar poderá degustar.
E chega de conversa, tchim-tchim ao simplesmente… Vinho!

Afros - Quinta da Palmirinha - Anselmo Mendes
Muxagat - Conceito - Quinta do Infantado - Quinta de Covada - Quinta de Vale de Pios
Terras de Tavares - Lagar de Darei - Quinta da Pellada
Quinta das Bágeiras - Luis Pato Rebel
Casal Figueira
Quinta do Mouro/Alento - Dominó
Estrangeiros by Os Goliardos

29 janeiro 2013

#daowinelover meeting


O Dão está na ribalta, os responsáveis pela proeza que desde já louvo e dou os parabéns, são dois amigos meus de longa data, dois "rapazes" do Dão, o Miguel Pereira e o Rui Miguel Massa, que apaixonados pelo Dão onde têm raízes familiares profundas, meteram mãos à obra e com a preciosa ajuda da Casa da Passarela que serviu de base logística e que acolheu um alargado número de produtores da região, ali ergueram aquele que foi um nobre evento em honra de uma região que tanto merece. Tudo começou no grupo do Facebook de nome #daowinelover e rapidamente dinamizaram o espaço, o normal ritmo das coisas levou a organizar o evento que agora falo. Não devemos esquecer que o Dão comemorou em 2008 o seu centenário enquanto região demarcada. 
O evento foi um sucesso, o requisito para participar seria levar uma garrafa de vinho do Dão, para que a mesma fosse colocada posteriormente em prova para todos os restantes participantes, aqui o sentido de partilha, envolto numa vontade de abrir o diálogo entre todos foi o mote que liderou um evento solto e descomprometido, objectivo Falar o Dão, cheirar, saborear os vinhos da região, ouvir o que os produtores que por lá andavam nos tinham que dizer, partilhar opinião com amigos e conhecidos que encontrávamos espalhados pela adega da Casa da Passarela. 

Organização impecável, nada ali parecia querer falhar, nem podia, secção de brancos e secção de tintos, à entrada iam sendo colocadas por ordem aleatória os vinhos que os participantes iam depositando no secretariado. Deambulei inicialmente pelos Brancos do Dão, gelo com fartura e vinhos a boa temperatura prontos a provar, eram 10:30 da manhã e direi que quase todos os grandes brancos estavam presentes, permitiu-se comparar estilos, encontrar perfis mais amigos do nosso gosto, saborear o que as várias sub-regiões do Dão nos têm para mostrar nas variadas interpretações dos diferentes enólogos. Faltavam 5 minutos para as 11:00 horas quando a chamada começava a ser feita, guardada estava uma magnífica prova à espera, um raro momento onde se provaram os míticos vinhos do CEVDão, aqui a merecer post posterior onde falarei sobre o que por lá aconteceu

Depois foi dar seguimento a um Dão com contrastes em tons de Tintos, o tempo nos tintos foi passado antes, durante e depois do almoço que nos foi servido. Impensável não mencionar o fantástico Queijo da Serra (Queijaria dos Lobos) que ali nos foi servido, onde tive que ir a correr buscar um branco de bom recorte e que felizes eles ficaram. A passada do tempo ia larga, para os resistentes ainda foi servida uma Sopa de Lavrador, consistente e reconfortante, estava na hora de despedida e tempo de rumar a casa. O Dão teve um dia em sua honra, que espero se multiplique, um dia bonito e com sol, quem sabe foi o agradecer da região aos organizadores deste nobre evento. Obrigado.

23 novembro 2010

Adegga Wine Market de 2010

Conceito: O Adegga Wine Market é um evento de prova de vinhos em ambiente informal na companhia de quem produz o vinho e com possibilidade de compra dos vinhos em prova. Vai ser um evento sem stands e sem gravatas e o espaço vai contar com sofás e música para podermos aproveitar os melhores momentos da prova de vinho. 

Data: 27 de Novembro entre as 14h e as 21:30h.
Local: Teatro Aberto (Praça de Espanha, Lisboa) - metro e muitos lugares de estacionamento gratuito.
Entrada: O evento tem um custo de 7,5€ que inclui um copo de vinho Riedel. Não é preciso inscrição.

Página para o evento: http://www.adegga.com/winemarket
Lista de vinhos: no Adegga.com http://bit.ly/9AiB1c

Produtores já confirmados: Adega Monte Branco, Casa da Darei, Casal Branco, Cortes de Cima, Esporão, Herdade do Portocarro, Herdade dos Lagos, Horta de Gonçalpares, Mark Stephen Schulz, Paulo Laureano, Poças, Quevedo, Quinta de Gomariz, Quinta do Côtto, Quinta do Gradil, Quinta do Mouro, Quinta Dona Matilde, Terra de Tavares, Torre do Frade, Vale d’Algares, Vinhos Douro Superior

26 setembro 2010

Vinhos do Alentejo em Lisboa...

Fui ontem ao evento Vinhos do Alentejo em Lisboa e se por um lado é sempre bom este tipo de eventos, por outro lado não gostei do espaço, local acanhado com gente aos encontrões, muito barulho e fico sempre com a sensação de não existir um número limite de participantes para aquele espaço... tipo discoteca ou restaurante... parece que ali é entrar até não caber mais, a segurança essa que se dane.

Optei por gastar grande parte do tempo na bela da conversa com produtores e amigos da causa que sempre respondem ao chamamento. Do que provei de brancos, notei que se está a perder aquele toque rebuçado, buscam-se alternativas ao "enjoativo" Antão Vaz e começam a aparecer outras aragens muito viáveis. No fundo, notei que os vinhos mostram-se mais secos, com mais acidez, mais interessantes, menos pesados e com menos madeira... longe vão os tempos do Dolium para barrar no pão. Assim por alto gostei muito do Terrenus, Arinto da Malhadinha, Ervideira Perrum, Esporão Verdelho, Amantis e de um Chardonnay penso que o Athayde do Monte da Raposinha.

No campo dos tintos, talvez fruto de uma enologia cada vez mais afinada, as vinhas também contribuem com uma maturidade cada vez maior o que dá melhores caldos e nota-se ou notei no que provei que a torneira das notas compotadas a rodos começa a fechar-se, vinhos com frescura, elegância e que não enjoam após o primeiro copo. Que se fuja daquela receita Nacional de um tal Touriga, não é solução nem sequer salvação.
A conversa estava bastante animada, o tempo para provar vinhos tintos foi curto, não resisti aos novos varietais da Malhadinha Nova, uma novidade com Cabernet Sauvignon sem pimentos, Aragonês cheio de morango fresco, Touriga Nacional macio e cheiroso e um pujante Alicante Bouschet, vamos brincar aos lotes ? Ali ao lado estava Arundel, um vinho que gosto particularmente mas o destaque aqui vai para o topo de gama, coisa pouca, também ele Alicante Bouschet que muito promete pela frescura, qualidade da fruta e estrutura que mostrou. Ainda constatei o excelente trabalho do Rui Reguinga com os seus Terrenus, parece-me que Portalegre começa a despertar do sono em que entrou sem entender a razão. Na mesa José de Sousa, aquele que era o Mayor deixou de o ser, perdeu a chama e encanto dos idos 94 e 97, a conversa que dá é outra o que pouco me agrada. O novo topo de gama daquela famosa casa chama-se J e achei um belo vinho, muito fresco com a fruta a socar o palato com força, envolvente fino e complexo para não falar na questão de que por força Mayor, parece que todo o vinho que dali sai por força tem de beijar o barro das talhas... falta saber se beija mesmo ou se não passa de vontade. Este novo topo de gama não achei que andasse lá muito de molho nas talhas como o pintam, conversa fiada para vender... sirva-se pois mais um copo que ele escorrega bem. O preço que me falaram será de 35€ na porta da adega, quando passar a esquina já estará mais caro certamente...

Pequeno mas temperado aparte, grande número dos produtores presentes já têm o seu azeite, dos que provei gostei bastante e os cuidados com a imagem deste produto é cada vez mais cuidada.

Siga a festa que o palco é curto...

19 setembro 2010

Pinhal da Torre Re-Loaded

No site da Pinhal da Torre pode-se ler Pureza, Elegância, Personalidade... colocarei também Frescura, pois foi tudo isso que encontrei nos vinhos que provei no passado Sábado quando me desloquei à Quinta de São João a convite do produtor... e que vinhos. A verdade é que depois de algum tempo no limbo, eis que o melhor da Pinhal da Torre está de volta e ainda bem, quem não se lembra do fantástico Quinta de São João Touriga Nacional 2000 ou do Quinta do Alqueve Syrah 2001 ?
Recebidos pelo Paulo Saturnino Cunha, que a falar dos seus vinhos transmite uma contagiante energia em que fica sempre aquela vontade de querer ouvir mais e mais sobre o que ele tem para nos contar. Produtor persistente na busca da melhor qualidade possível, luta com afinco por manter a tradição e não cair em demasia na tentação das modernices (vinhos extraídos ao limite barrados em madeira nova), pois ali naquele cantinho ribatejano nascem vinhos com raça, cheios de saber e de querer... direi vinhos com um carácter muito próprio, o mesmo que podemos encontrar na pessoa que dá a cara por este projecto familiar. Durante toda a prova deu para entender que ali se tenta fugir a um perfil cada vez mais massificado, são vinhos com uma maneira de estar muito própria, que apresentam uma invulgar acidez e taninos a prometerem boa evolução em garrafa, o filme é bom mas só começa quando todos estiverem sentados. A prova foi descontraída e com muita interacção entre convidados e responsáveis, com a gama de entrada Vinha do Alqueve a mostrar-nos vinhos frescos, jovens, descontraídos e com uma boa relação preço qualidade, todos eles a apresentarem já sinais muito próprios do perfil que marca todos os vinhos desta casa. Um Vinha do Alqueve Rosé 2009 que se mostrou seco, com fruto vermelho e leve rebuçado, perfil fresco e muito bem embrulhado em fina camada vegetal, Vinha do Alqueve branco 2009 bem fresco e citrino, acidez a dar boa dose de frescura num vinho de corpo mediano muito bem embalado para a mesa, Vinha do Alqueve tinto 2008 apelativo, frutado, simples, agradável e bem feito com leve vegetal em fundo na boca a mostrar-se pronto para consumo a acompanhar pratos de gastronomia tradicional.
Antes do Tradicional provaram-se os dois Quinta do Alqueve brancos, o Fernão Pires 2009 que tem sido elogiado mas que continuo a encostar ao lado para escolher o Chardonnay 2009, o primeiro muito mais cítrico, frutado, com acidez muito presente em perfil fresco, delicado e leve apimentado no final, já o segundo mostrou-se mais harmonioso, algo mais acolhedor derivado da leve passagem que teve por madeira, calda de ananás, suave e fresco. Na secção de tintos começámos com o Quinta do Alqueve Tradicional 2007, mais arredondado e cheio que o anterior tinto provado, nota-se novamente a fruta madura e limpa com vegetal seco em conjunto equilibrado e fresco. Salto na qualidade com o 2Worlds Reserva 2004, um vinho que junta a Touriga Nacional com a Cabernet Sauvignon, aqui com clara piscadela de olho ao mercado internacional, um vinho que é difícil não se gostar, sente-se uma ligeira extracção no peso que a fruta madura apresenta, especiaria e novamente a frescura, vegetal aqui mais contido e uma maior complexidade de conjunto, com frescura mediana na boca, macio, arredondado e fácil de se gostar e de levar à mesa. Provado ainda o novo 2Worlds 2007, deixou de ter a menção Reserva, mostrou-se um vinho em tudo na linha do 2004, porém tudo aqui a mostrar-se um pouco mais emaranhado e a precisar de tempo para se conseguir mostrar ao completo, vai portanto no bom caminho com uma prestação de muito bom nível.


Na gama Quinta de São João, a outra Quinta que faz parte deste projecto, provou-se o 2004 o 2007 e amostra do 2008. O 2004 mostrou-se o mais afinado, claramente o que mais gostava de rodar no copo, na seu fino bouquet de couro, pimenta, fruta em compota com canela, flores, frescura de boca com elegância e harmonia com nariz. Um vinho pronto a beber, coisa que o 2007 mostra bem menos, mais austero e fechado, algo duro com taninos a darem lugar a secura na prova de boca, boa envergadura, frescura e fruta, mas ainda a precisar de tempo, já o 2008 é muito promissor, talvez o melhor de todos os vinhos provados até aqui, uma dose muito boa de fruta com madeira a querer casar em estilo num conjunto que se nota fechado mas com pernas para andar.
Para último estavam guardadas as surpresas e que surpresas, primeiro os Quinta do Alqueve Syrah das colheitas 2007, 2008 e finalmente 2009 com duas versões, a barrica 9 e a barrica 12. O Syrah 2007 fez as minhas delícias, pleno de frescura com groselhas, pimentas, algum doce, complexidade, perfumado numa estrutura redondeada mas com vigor, harmonia e fruta preta madura. O 2008 seria mais fechado, menos pronto mas no mesmo caminho da glória... o que dizer mais de vinhos que se gostam. Já a prova das duas versões b9 e b12 foram o delírio, aqui o toque Australiano dado pelo enólogo consultor vem ao de cima, vinhos com aquele ar guloso, mokaccino, apimentado, mas ao mesmo tempo sério, com músculo, mas frescos e jovens sem saturar, um prazer ao serem bebidos e uma loucura quando se começou a imaginar e experimentar possíveis lotes com várias percentagens de um e de outro ali mesmo no copo. A acompanhar com muita atenção os novos Syrah da Quinta do Alqueve.
Foram colocados em prova também o Merlot e o Alicante Bouschet, gostei mais da prova que deu o Merlot, fresco, delicado, cetim com alguma secura vegetal (chá preto) e fruta bem viva com alguma doçura, que acompanhou lindamente uma Sopa da Pedra de Alpiarça graças a uma acidez muito presente que suportou a pujança do prato, o que irá ser deste Merlot ? Enquanto pensava nisto, lembrava-me das duas cuvées especiais que tinham sido provadas um pouco antes, ainda sem nome oficial foram tratadas por Cuvée Speciale e o Cuvée Royal. E se o primeiro já me tinha enchido as medidas pela elegância, amplitude contida com muita frescura, finesse e ao mesmo tempo limpidez de fruta, integração de barrica... o Royal foi a surpresa ainda maior, primeiro porque o vinho é um extreme de uma casta que nunca deu grandes vinhos estreme em Portugal, lembro de um ou outro que gostei muito mas até aos dias de hoje andava a 0, até ter provado este Royal que consegue ser sem grande problema o melhor exemplar a solo da Tinta Roriz em Portugal, direi um luxo de vinho. Acabei o almoço com o Quinta do Alqueve Colheita Tardia 2005, carregado na cor, aromas algo afagados pela plaina do tempo... sem grandes doses de açúcar mostra-se delicado e com suave frescura... muito agradável com um divinal Arroz Doce.
Em jeito de conclusão, os vinhos da Pinhal da Torre merecem e devem ser conhecidos por todos os amigos do vinho, não olham para uma região mas sim para uma vontade muito própria de um produtor, pelo convite que me foi feito deixo aqui os meus agradecimentos ao Paulo Saturnino Cunha e a toda a sua equipa pelo fantástico momento de enofília proporcionado.

28 julho 2010

Dão: The Next Big Thing

Este era o evento que faltava à região do Dão para mostrar de uma vez, todas as suas potencialidades enquanto região produtora se é que dúvidas havia. Um evento que viria a nascer não da cabeça das entidades que têm obrigação em fazer estas coisas... mas sim como uma iniciativa privada de um produtor da região, João Tavares de Pina que na sua Quinta da Boavista produz os vinhos Terras de Tavares. O espírito irrequieto de João Tavares de Pina sempre o levou à procura de mais e melhor para os seus vinhos, nunca descuidando nos detalhes, respeitando sempre o carácter das castas com que trabalha e procurando ao mesmo tempo mostrar algo de novo, que falarei mais tarde, mas sempre com o objectivo claro de obter vinhos de carácter inconfundível, feitos para durar como mostrou o Reserva 1997 e num estilo muito gastronómico. Foi este produtor que sozinho decidiu colocar o Dão às costas e fazer um evento que dignificasse toda uma região, um evento que incluiu 20 dos mais representativos produtores da região, que colocaram os seus vinhos em prova para um leque alargado de provadores nacionais e estrangeiros. As dormidas ficaram a cargo da Quinta da Boavista e da Casa de Darei e um agradecimento à Câmara Municipal de Penalva do Castelo que cedeu os transportes para toda a comitiva.

O dia escolhido foi 24 Julho de 2010 e a romaria dos convidados começou de véspera para encurtar caminho e estar o mais cedo possível no Solar do Vinho do Dão em Viseu. Na véspera já se tinham aberto umas quantas garrafas para afinar nariz, garganta e os indispensáveis blocos de notas. A jornada começou cedo, eram 8:30 da fresca manhã e estava eu e o Miguel a mergulhar na piscina da Quinta da Boavista... nada melhor para relaxar e preparar para a longa jornada que nos esperava.
A primeira prova estava marcada para as 10:00 horas e deveria contar com um número mais alargado de produtores, não fosse a inexplicável falta de comparência de alguns quando já tinham confirmado a sua presença, falharam pois a Quinta das Marias, Casa de Santar, Quinta do Corujão, Pedra Cancela, Quinta da Fata e a Quinta do Serrado que tinha as garrafas mas não tinha ninguém para as abrir ou falar sobre os vinhos. Pergunto se é esta a maneira correcta de se estar neste mundo pois se um evento desta natureza em que constavam nomes como Charles Metcalfe, Paul James White, Kathryn McWhierter, Yvonne Eistermann, Ilkka Sirén, Manuel Serrano e outros tantos nomes aqui de Portugal (bloggers e não bloggers), não serve para promoção então pergunto qual evento ou que tipo de coisa é que lhes serve... continuo a não entender. Estiveram presentes nesta prova os seguintes produtores, cada um com 3 vinhos em prova: Vinha Paz, Casa de Mouraz, Vinícola de Nelas, Quinta do Cerrado, Quinta da Vegia e Quinta do Perdigão. Destaco apenas alguns dos provados (em actualização):

Vinha Paz colheita 2008: espelha bem a sua região, cheiramos e dizemos que é um vinho do Dão, com carácter e boa complexidade, frescura a embrenhar-se no mato denso com fruta igualmente fresca e silvestre. Gosto disto e a boca acompanha, madeira discreta, amplitude média e alguma austeridade a meio palato num vinho com estofo para evoluir bem nos próximos tempos... a colheita 2000 aqui provada confirma. 90

Vinha Othon Reserva 2006: este vinho foi muito acarinhado por quem a ele se chegou e provou quando saiu para o mercado, na primeira vez que me caiu no copo não deu aquilo que eu tinha imaginado... enganou-me ligeiramente e foi melhorando com o tempo, mais e mais, numa delicada complexidade alicerçada numa boa dose de frescura com taninos presentes. Mostra-se mais pronto que o Reserva e um pouco mais sério que o Colheita. 91

Vinha Paz Reserva 2007: é claramente o mano mais velho do colheita, entenda-se mano mais velho como um vinho em tudo maior, seja complexidade, corpo, profundidade e no final a qualidade mostra-se aqui mais e melhor. Um vinho ainda muito fechado, duro, raçudo e cheio de frescura e apontamentos, a madeira ampara todo o trabalho, traves mestras que aportam outra classe ao vinho, tem tudo para ser um grande vinho do Dão... deste vou querer beber apenas daqui a uns bons anos. 93

O sol batia nas 13:00 horas, o calor já se fazia sentir e a fome apertava, o almoço seria servido pelo Chef Rodion Birca e estava marcado no pomposo Clube de Viseu com a participação especial do Conservatório Regional de Música "Dr José de Azeredo Perdigão", seria uma sessão com harmonização gastronómica e musical, contava com a presença dos produtores Casa de Darei, Quinta da Bica, Quinta da Boavista, Quinta da Pellada, Quinta dos Carvalhais, Quinta dos Roques, Quinta Fonte do Ouro e Quinta Vale das Escadinhas. Foram ainda solicitados à Direcção Regional de Agricultura e Pescas do Centro alguns dos históricos vinhos do Centro de Estudos Vitivinícolas do Dão. Depois do longo almoço, umas boas 4 horas de duração, ainda tivemos tempo de refastelar nos sofás em amena cavaqueira, recuperar forças com mais alguns vinhos que foram sendo colocados em prova pelos produtores já referidos.
O processo foi simples, por cada prato que nos era servido, eram colocados em prova 2 ou 3 vinhos acompanhados por uma peça musical. Farei um breve relato das sensações que tive essencialmente com os vinhos servidos e os pratos que os acompanharam.

O primeiro prato a ser servido foi Requeijão de Ovelha, Agridoce de Tomate e Agrião, acompanhado de dois brancos, Primus Reserva 2007 (91pts) e Quinta das Maias Verdelho 2009 (90pts). Ambos de muito bom nível, o Primus a mostrar os dotes que o lote confere quer à complexidade quer à finesse, mas sem grandes exuberâncias e algo mortiço no nariz. No lado oposto o Verdelho dos Roques, mais vivo e fresco, exuberância moderada num todo fino equilibrado e de fundo mineral. Na harmonização gostei mais do Verdelho, penso ter uma acidez mais capaz de ligar com o agridoce de tomate e agrião.

Com Sardinha Alimada com Pimento Confitado vieram mais dois brancos, um Casa de Darei Grande Escolha 2007 (91pts) e um Encruzado Quinta dos Carvalhais 1998 (89pts). O Carvalhais mostrou uma tonalidade a lembrar ouro velho, carregado de aromas cansados apesar de alguma frescura que lhe servia de muleta... mesmo assim ainda com um bouquet minimamente interessante para a nota não vir por aí abaixo. O Casa de Darei Grande Escolha 2007 foi uma boa surpresa, desconhecia, encontrei um branco fresco e muito bem estruturado pleno de fruta fresca e mineralidade, pederneira e vegetal fresco em dose mais pequena. Daqueles que gosta de passar uns tempos na nossa garrafeira. Aqui a harmonização não se deu visto eu dispensar a Sardinha, mas claramente apostaria no Darei.

No Folhadinho de Queijo da Serra, Mel e Alecrim foi a vez dos fatos de gala, entraram em cena os brancos do CEVDão 1971 (95pts), 1980 (92pts) e 1992 (90pts). Foi colocar a fasquia muito alta, indo a qualidade e o nível subindo à medida que a idade aumentava, por isso mesmo o 1992 foi aquele que achei menos interessante, toque apetrolado ligeiro, boca fina e muito delicado, poderei dizer apagado ? Já o 1980 se mostrou um pouco melhor, mais refinado apesar de delicado, mais volume e frescura quer em nariz quer em boca, mais vinho portanto. A vivacidade nota-se bem distinta. O melhor dos brancos seria o deslumbrante 1971, de aroma complexo e refinado, ceras, melado, fruta ainda com frescura, mineralidade e ligeiro petrolado em plano de fundo. Tudo muito harmonioso, perfumado e bom de se cheirar, durou no copo mais tempo do que muitos vinhos "rapazolas". Ligação disputada entre o 1980 e o 1971, com a frescura e envolvimento do 1971 a levar pela melhor.

Crocante de Morcela da Beira, Emulsão de Abacaxi e Redução de Balsâmico, com Touriga Nacional Quinta Fonte do Ouro 2008 (85pts) e Quinta da Bica Reserva 2005 (89 pts). Os dois vinhos que menos gostei, o Fonte do Ouro cheio de notas doces e achocolatadas, flores demasiadamente colocadas, satura e enjoa... dizem que é o perfil internacional a trabalhar, pessoalmente dispenso sem antes dizer que é um vinho bem feito mas que não me satisfaz. O Quinta da Bica é um produtor que acompanhei em colheitas mais antigas, agora com imagem reformulada o vinho mostra-se um pouco mais moderno mas ao mesmo tempo muito elegante, ligeiro, fresco... a provar com mais atenção para afinar a minha opinião.

Intervalo vínico com um Consommé de Codorniz, Croutôns de Gengibre e Ervas Aromáticas.

Almôndegas de Lebre, esmagado de Batata e Espinafres Frescos, ao que se juntou o Quinta da Falorca Garrafeira 2003 (92pts) e o Terras de Tavares Reserva 2003 (92pts). Dois pesos pesados da sessão, os dois ainda algo fechados e receosos de mostrarem o que lhes vai na alma, o Falorca a mostrar mais madeira, mais fruta madura, uma prova mais fácil e pronta enquanto o Terra Tavares um vinho com frescura e taninos a mostrarem que o caminho é manter-se na horizontal por mais um tempo. Qualquer um dos dois vinhos esteve em plena sintonia com o respectivo prato.

Arroz de Polvo, Ovo de Codorniz Escalfado e Emulsão de Coentros, com Tintos CEVDão 1970 (93pts) e 1971 (89pts). Aqui começamos a entrar na velha guarda, nos vinhos de culto e direi naqueles que ouvimos alguém dizer que provou e pensamos que nunca vai chegar a nossa vez... com sorte esta foi a segunda vez que tive oportunidade de os provar e ainda bem. Claramente melhor o 1970 do que o 1971, mais vivo com fruta fresca em muito bom plano, especiado, terroso, notas de madeiras velhas e tabaco, tudo muito delicado e harmonioso... repito-me em vinhos deste calibre. Já o 1971 mostrou-se cansado, aromas já de fruta passa, tudo muito seco e sem grande vida, mortiço no nariz como na boca... claramente um vinho que já teve melhores dias.

Lombinho de Bacalhau suado em Borras de Vinho e Migas, e o rei da tarde... CEVDão Touriga Nacional 1963. É para mim sem nenhuma dúvida o melhore exemplar de Touriga Nacional provado até hoje, esta garrafa mostrou-se muito mais afinada e em melhor forma que a quando da minha primeira prova deste vinho. Um hino ao Dão e à Touriga Nacional.

Encerrando o almoço com um desenjoativo Crocante de Pudim Abade de Priscos.

Durante a tarde, ou o que restava dela ainda tivemos oportunidade de provar mais alguns vinhos que os produtores convidados para o almoço colocaram à disposição. Nesta altura o descanso era imperial e poucos eram os vinhos que me apetecia verter no copo, conto um excelente Carvalhais Único, Quinta dos Roques Garrafeira 2003 e Roques Encruzado 2008, a conversa estava tão animada que quando me dirigia para provar os restantes vinhos eram quase 20:00 e era altura de voltar à Quinta da Boavista onde o evento iria encerrar com um jantar de convívio, vida dura portanto, que contou com a presença de todos os provadores convidados e dos produtores presentes no almoço. Um autêntico festim com que nos brindou o Cozinheiro João Tavares de Pina, durante o qual nos foi apresentando algumas das suas novas criações, um 100% Tinta Pinheira (Rufete) e um blend de Touriga Nacional com vinhas velhas mais conhecido por Kaos. Se o primeiro já era meu conhecido e bastante adorado, o segundo mostrou-se uma valente surpresa, um vinho cheio de vigor, frescura, complexidade muito boa num vinho muito perfumado e profundo, temos vinho para seguir com atenção quando sair para o mercado. Já o Tinta Pinheira é todo ele frescura, vegetal fresco com muita framboesa e cereja a escorrerem de maduras, quase que se trinca com a austeridade vegetal que tem no palato, embrenhado no mato rasteiro e na caruma de pinheiro, cheiros e sabores locais portanto... tem vindo a afinar mas tem taninos e acidez bem presente, essenciais para longa vida pela frente. Pelo meio ainda se teve a oportunidade de beber o Terras de Tavares Reserva 1997, o primeiro vinho que provei desta casa e que desde o seu lançamento me conquistou pela sua qualidade, está a dar uma prova de alto gabarito, madeira acertada com o compasso da frescura e da fruta, todo ele muito Dão sem extras desnecessários... mais uma vez um vinho que é bastante amigo da mesa, algo que todos nós devíamos ter em conta na hora da compra, porque o Dão é isto, vinhos amigos da mesa, vinhos que em novos se mostram fechados e algo duros mas que com a idade se tornam aveludados, frescos e muito elegantes com aquela tonalidade irresistível que os caracteriza. Por outro lado temos os vinhos de cariz mais comercial, dizem que mais ao gosto do consumidor, eu pessoalmente fujo cada vez mais de comprar vinhos com esse carimbo comercial, porque acho que a fruta deve ser servida madura, limpa e bem fresca, não com toques adocicados e toda ela besuntada de baunilhas e chocolates da madeira por onde passou, segue-se um grau alcoólico que quase sempre é estupidamente abusivo neste tipo de vinhos, para não dizer que o tempo passa por eles como uma rebarbadora, óbvio que há excepções mas por norma o álcool acaba sempre por derrapar para fora do copo e fica o caldo entornado. Quero convencer-me que o Dão leva o caminho dos primeiros vinhos, dos genuínos e daqueles que nos podemos e devemos orgulhar...


Um evento 5 estrelas, excelente convívio onde muito se riu, bebeu, aprendeu e conversou. No Domingo ainda havia um almoço com prova marcada na Casa de Darei, mas as saudades do meu filho com 2 meses eram mais que muitas e tive de voltar mais cedo para casa. A todos aqueles que conheci ou revi, com quem falei, ri e partilhei mesa durante estes 2 dias, os meus agradecimentos, em especial ao João Tavares de Pina e à sua família pelo fantástico acolhimento na Quinta da Boavista. João, um grande abraço de parabéns e que se repita... nós gostamos e o Dão agradece.

04 junho 2010

A insustentável leveza de o ser...

Desde o conceituado enólogo, passando pelo famoso chefe de cozinha ou pelos bloggers... todos eles enófilos puros e duros, verdadeiros homens da luta que se juntaram para mais uma memorável jornada, mais não fosse pelo convívio, que o vinho é quase sempre a melhor desculpa que se encontra para tal. Junte-se a tudo isto uma mesa farta de iguarias muito bem servidas pelo Salsa&Coentros ali perto dos Bombeiros de Alvalade, e quase duas mãos cheias de vinho.
O desafio tinha surgido a quando do lançamento do novo Esporão 1º Prémio Confraria dos Enófilos do Alentejo, com o objectivo de juntar numa prova os três vinhos do Esporão que até aos dias de hoje conseguiram ganhar o 1º Prémio. Se o novo 2007 é bem mais fácil de encontrar e comprar, a tarefa dos outros dois é quase Hercúlea, com o Esporão 1998 a conseguir passar despercebido para grande parte dos wine-freaks da nossa praça e arriscando a dizer que no caso do Esporão 2000 a tarefa fica quase uma missão impossível dado a raridade da peça. A estes vinhos ainda se juntaram os mais recentes lançamentos da Herdade do Esporão, na sua primeira aparição ao público, com um Espumante Rosé 2008, o novo Verdelho 2009, o novo Esporão Reserva branco 2009 e no final ainda deu para ver como vai de saúde o Esporão Private Selection 2001 e acabou tudo num bailinho da Madeira com um Cossart Gordon Verdelho Colheita 1995.
Em pequeno apontamento, a Confraria dos Enófilos do Alentejo nasce em 1991 e foi neste mesmo ano que se realizou o primeiro concurso dos Melhores do Alentejo, com atribuição dos respectivos prémios. Este aparte surge para colocar na mesa aquele que foi o primeiro branco a ganhar esse concurso, um vinho branco da Fundação Eugénio de Almeida e que carecendo de mais informação, poderá ter sido o primeiro Pera Manca branco.
Deixo uma breve nota sobre cada um dos vinhos, mais tarde falarei um pouco mais detalhadamente sobre alguns deles.

Espumante Esporão Rosé bruto 2008: Feito com Touriga Nacional e Syrah, servido com as entradas, mostrou-se polivalente, fruta madura vermelha e negra bem fresquinha com leve travo vegetal fresco em segundo plano. Boca com leve secura, complementa-se com a prova de nariz.

Esporão Verdelho 2009: Agora com novo rótulo, este V de Verdelho, perdeu em intensidade e tropicalidade e ganhou em finesse, frescura e limpidez, que sabem mostrar-se num belíssimo conjunto, talvez o que mais prazer me deu até hoje com esta casta. Não se perde na boca devido à acidez, e apenas temos de ter cuidado com a temperatura de serviço pois sempre são 14,5% Vol.

Esporão Reserva branco 2009: Rótulo do melhor que tenho visto, o vinho acompanha a qualidade do rótulo, na senda do anterior Reserva branco do Esporão. Boa acidez com fruta qb, numa madeira que está mas não está... apetecível do princípio ao fim, a refinar dentro dos próximos meses.

Fundação Eugénio de Almeida branco 1991 1º Prémio Confraria Enófilos Alentejo: A surpresa da noite foi este branco, deixou todos de queixo caído e a murmurar se teria mesmo 10 anos de vida, pela cor não mostrava sinais e pelo aroma muito menos... impactante, profundo, complexo, rico e ainda fresco, no final da noite o que sobrava era apreciado com deleite. Que grande branco.

Esporão 1998 1º Prémio Confraria Enófilos Alentejo: O mais cansado dos três, claramente com aromas mais "desgastados", o que menos frescura apresenta. Ainda assim a casta está presente e dá boas mostras de um conjunto de fina complexidade, delicadeza e o travo do Alentejo. À medida que ia melhorando no copo foi acabando...

Esporão 2000 1º Prémio Confraria Enófilos Alentejo: Não defraudou desde a última vez que foi provado, por mérito próprio foi novamente a meu ver o vinho que mais alto brilhou, com uma profundidade, frescura e complexidade de fazer inveja tendo em conta que são já 10 anos de vida.

Esporão 2007 1º Prémio Confraria Enófilos Alentejo: Este ainda anda de fraldas, tudo muito novo, falta-lhe tempo para aprender as coisas que os outros já dominam, embora mostre desde já grande apetência para a mesa. Madeira novamente em grande destaque pela positiva, louvável trabalho que não mascara a grande qualidade da fruta. Temos vinho para muitos anos e eu vou guardar as que tenho.

Esporão Private Selection 2001: Confirmação de que não é preciso ser o Melhor do Alentejo, para mesmo assim ter um lugar entre os ditos, acidez, taninos e corpo a fincar os pés de que tempo é coisa que gostam de passar todos juntos. Uma tertúlia de castas muito bem conseguida, animada e de grande qualidade, e não me parece que tenham pressa em ir embora. Pela finesse e complexidade, pela forma como se mostrou foi para mim o segundo vinho da noite, atrás do 2000 e à frente do 2007.

21 janeiro 2010

Festival Côtes du Rhône - Fritz Haag & Douro Boys

O tempo foge-me pelos dedos qual areia fina, bem o tento segurar mas é impossível, nos dias que correm as atenções e emoções andam voltadas para aquele que sem o conhecer já me rouba toda a atenção, vou ser pai. Tudo isto me serve para tentar explicar minimamente a razão pela qual as "coisas" andam meio paradas por aqui. Sentado à secretária com um copo de Porto 40 anos, as emoções que sinto ao escrever estas linhas, são tantas que nem sei por onde começar.
Realmente torna-se complicado tentar descrever com detalhe tudo o que se passou e provou, na Quinta de Nápoles (Niepoort) no passado dia 17 de Janeiro do presente ano. A romaria tinha sido feita de véspera, o chamamento foi de tal maneira forte que os enófilos acudiram de todo o lado para poderem estar presentes, naquele que desde já se assume, a meu ver, como candidato a evento do ano, chapeau Mr Dirk!

E se o Sábado já tinha sido um grande dia de provas, visitas e animadas conversas, (a contar num próximo capítulo), o Domingo foi o despoletar de um rol de emoções que marcaram todos os presentes. Vieram até nós, um grupo de 15 produtores existente vai para 17 anos (Rhône Vignobles) de uma das melhores zonas produtoras de França, Côtes du Rhône. Diga-se de passagem que é uma das zonas que mais aprecio em França e que considero ter das melhores relações preço/qualidade.
Uns mais conhecidos que outros, não poderia esquecer o Domaine Clape que se juntou também a este evento, onde todos os produtores colocaram os seus vinhos em prova para os cerca de 250 convidados que ali se deslocaram. Não entendi que seria nem o local, nem o momento para tirar notas de prova de este ou daquele vinho, dediquei-me apenas a aprender com aqueles que de tão longe vieram para mostrar o que de melhor sabem fazer. No geral fui dar com um lote alargado de vinhos que nos falam de terroir, vinhos frescos, onde a fruta se mostra viva e limpa, sem toques exagerados de doçura ou compota, onde a harmonia envolve palavras como mineralidade/fruta/madeira. Vinhos com taninos firmes e finos, sinal de longevidade assegurada, onde se invoca algum mato seco, em alguns casos algum cogumelo, tudo numa fina complexidade que nos faz ficar presos ao copo por largos instantes. Foram largas as horas de conversa e de prova com todos eles, prolongando-se desta maneira o fantástico jantar que tínhamos tido na noite anterior que falarei a seu tempo.
Como cereja no topo do bolo, nesta festa de aromas e sabores, da Alemanha veio um produtor especial e de enorme gabarito a nível mundial, em que não engana a altíssima qualidade que todos os seus vinhos transparecem no acto da prova. Se a casta Riesling tivesse deuses, o produtor Fritz Haag seria um deles. Não nego que me sinto privilegiado por ter tido o prazer de ter sido servido pelo próprio e ter trocado por um breve instante, reconheço que estive mais tempo calado porque ali só se podia estar e andar para aprender.

De Portugal estavam presentes os Douro Boys, que acabaram por ficar um pouco à margem devido ao chamariz da novidade que obviamente seria de esperar por parte dos produtores estrangeiros. Vistas as coisas, são mais as vezes que se tem oportunidade de provar os vinhos dos Douro Boys, que propriamente dos Rhône Vignobles, Fritz Haag ou Domaine Clape.

O evento culminou com um mega-almoço em plena adega, servido pelo Restaurante DOC, do Chef Rui Paula, com muita qualidade no produto apresentado como seria de esperar, temperado por uma animada cavaqueira numa mesa corrida para os 250 convidados. Os vinhos foram desfilando a bom ritmo, e não me lembro de ver um almoço onde o serviço fosse feito em magnuns de Batuta 2004 e 2005, Charme 2006 e 2007, Soalheiro Primeiras Vinhas 2007 e 2008, com outros vinhos que iam surgindo aqui e ali, que almoço... que almoço.

Muita cara conhecida, muitos amigos que dá sempre gosto rever nestas ocasiões, outras caras que se ficaram a conhecer e quando tudo estava ou pensava que estava a terminar eis a cereja no topo do bolo. A grande surpresa do dia, sim que isto ainda continuou, estava guardada para o final, mas isso penso ser um momento muito especial que pede para si mesmo um texto aparte. (continua aqui)
 
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