Copo de 3: Ribera del Duero
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18 novembro 2016

Antonino Izquierdo Vendimia Seleccionada 2007


Mais um que aguardava serenamente a altura de brilhar à mesa, desta vez com uns pasteis de massa tenra foi a vez deste tinto nascido na Ribera del Duero e criado pelas Bodegas Izquierdo. As vinhas com mais de 40 anos, são 100% Tempranillo e alimentam as duas referências que são criados nesta adega, a filosofia assenta na Biodinâmica. Foram cerca de 10.000 garrafas desta colheita de 2007, um tinto que é criado sem pressas, dono e uma enorme elegância onde a fruta madura, muitos frutos silvestres bem ácidos a marcar a passada de todo o conjunto. Pelo meio juntam-se toques de licor, alcaçuz, especiarias e ligeiro balsâmico, tudo envolvo num tom cremoso com cacau e baunilha. Lado a lado com um Rioja, sente-se a diferença para este Ribera del Duero cujo preço ronda os 30€. É sempre bom saber que a identidade da região está patente num vinho cheio de detalhes, dominado por uma elegância em que alia a acidez da fruta, com um excelente trabalho de barrica que o envolve de forma subtil. 94 pts 

26 outubro 2014

Astrales 2004

O vinho que se segue foi comprado em leilão por uma ninharia e é na verdade um dos grandes vinhos com assinatura de Eduardo García, enólogo e filho do reputado enólogo Mariano García. As coisas ficam um pouco mais esclarecidas quando se colocam na mesa nomes pelos quais Eduardo García é responsável, como os San Román (Toro), Mauro (Castilla y León), Paixar (Bierzo) e claro está este Astrales na Ribera del Duero. O ano 2004 foi excelente, dos melhores que há memória na região nos últimos tempos, somando a tudo isto junta-se a mestria de quem sabe trabalhar os vinhos como poucos, o resultado só pode ser aquele que é provavelmente o melhor Astrales feito até hoje.

O vinho é 100% Tinto Fino de parcelas muito velhas com algumas a rondar os 80 anos de idade, estágio de 18 meses de barrica numa produção total de 39.000 garrafas. A marca de quem os faz sente-se desde o primeiro sorvo, destaca-se a harmonia entre força e elegância, o trabalho sempre muito refinado das madeiras que dão lugar a fruta de enorme qualidade/definição. Os morangos, amoras e cerejas bem envoltos em licor, notas de balsâmico, tabaco,  tosta muito suave, denso e profundo, grande e requintada complexidade. Na boca continua a festa, potência e frescura lado a lado, ainda com um ligeiro toque agreste em fundo. Muito longo, muito presente, muito prazer com harmonia e suavidade com a fruta sumarenta a marcar toda a passagem pelo palato, final fresco e prolongado. 93Pts

18 julho 2014

Alonso del Yerro 2010

Vem da vizinha Ribera del Duero (Espanha) este vinho que não é a primeira vez que por aqui aparece, 2007 e 2008 já foram alvo de visita. Produzido pela Bodega Alonso del Yerro mostra novamente argumentos suficientes para se entender porque é considerado um dos novos meninos bonitos da região. Uma vez no copo o que se destaca mais é a qualidade e frescura da fruta, toda a elegância com que se bandeia no copo, fresco, leve apontamento apimentado com regaliz/alcaçuz num conjunto complexo a mostrar grande trabalho da barrica muito bem integrada. Por detrás fica uma estrutura sólida o suficiente para lhe garantir boa evolução em garrafa, marcado novamente pela presença da fruta aveludada e fresca que escorre pelo palato, tosta e pimentas, final longo e persistente com taninos ainda presentes lá no fundo. Pelo seu porte e comportamento à mesa a escolha foi uma perna de cabrito com batatinha assada no forno. 93 pts

17 dezembro 2013

PSI 2010

Um vinho criado por um "tubarão" da enologia do país vizinho, o nome Pingus não deixará ninguém indiferente tal como o nome do seu criador Peter Sissek. Pois não faz muito tempo (colheitas) que decidiu lançar um novo projecto para a rua, o nome é PSI, vem das letras do nome do criador (P)eter (SI)ssek, a vontade de lançar um vinho mais terra a terra, a fugir às concentrações dos seus primos, mais frescura, mais fruta, com parcelas escolhidas aqui e ali dos associados a este projecto. Se poderia ou não  ser mais barato a coisa deixa de interessar quando o factor dos cerca de 30€ que pedem por ele não se reflectir minimamente no que nos cai no copo. Na realidade o vinho fica muito aquém para quem o compra, dá vontade de praguejar, roça mesmo a sensação de se ter enfiado um grande barrete e na prova que deu num recente almoço deu motivos para não apetecer voltar a ele.

Toda a prova que dá centra-se na fruta, vermelha, com muito morango, framboesa, cereja e companhia limitada, muita fruta madura mas pouco definida e amontoada num todo onde a madeira pouco se faz notar, o problema a meu ver é que toda esta simplicidade em forma de harmonia e frescura fica-se por aqui... falta nervo, carácter, nesta altura passam-me pela memória inúmeros vinhos feitos nos mais variados pontos de Portugal que por muito menos €€€ nos dão muito mais prazer. Culmina com uma prova de boca que apesar da presença sumarenta e opulenta da fruta banhada por uma boa acidez com que dá entrada, a madeira mostra-se aqui ligeiramente mas acompanhada de especiarias, depois começa a estreitar-se num final que termina espaçado e algo frouxo que quase que nos deixa apeados. No final é vinho que não nos trás nada de novo, não consegue transmitir sequer uma pitada de emoção ao provador... a não ser lamentar os quase 30€ que pagou. 89 pts

26 fevereiro 2013

Aalto 2001


Ora de volta às terras da Ribera del Duero (Espanha), onde em 1998 o mestre Mariano Garcia (Bodegas Mauro e ex Vega Sicilia) juntamente com Javier Zaccagnini (Bodegas Ossian) fundaram as Bodegas Aalto.
O vinho desde a sua primeira colheita que tem colhido enormes elogios da crítica, pessoalmente tem dias que gosto do que tenho no copo e tem dias que não lhe acho grande piada. Este Aalto 2001 é um vinho cheio, intenso, qual bolo de chocolate por camadas onde pelo meio ainda cabe uma boa porção de geleia de morango e framboesa. A frescura que tem evita que os danos colaterais ganhem outras proporções, mas o vinho em novo vem embrulhado em madeira, por vezes demasiadamente tostado (direi torrado) em demasia para o meu gosto e uma fruta quase sempre de grande qualidade mas submissa ao restante conjunto. Vem tudo atrelado, toques de licor com chocolate negro, depois leve nota química e bálsamo. A boca vai no mesmo caminho, o vinho nota-se cansado de suportar um conjunto tão "pesado" e de certo modo "cansativo", falta-lhe sustento e o sabor dá notas disso mesmo. Não terá sido vinho que me tenha deixado vontade de voltar a ele, a nota indica um vinho com qualidade que a tem, embora em claro declíneo pelo que se aconselha o seu consumo. 89pts

30 maio 2012

El Picón 2006


O El Picón é o topo de gama do produtor Pago de los Capellanes, situado na Ribera del Duero (Espanha), é daqueles vinhos raros e muito caros, acima dos 100€, a qualidade está muito lá por cima e o prazer que dá nem se fala. Sim este é dos tais que provoca sorrisos nos rostos até daqueles que são menos dados a estas coisas da prova, afinal a excelência quando existe é facilmente detectada por todos. Na sua origem está a parcela de vinha que lhe dá o nome, a mais especial e também a mais pequena com 2ha onde a uva Tinto Fino brilha a seu belo prazer. É 100% Tinto Fino, 26 meses em carvalho francês mais afinação em garrafa com líquido por filtrar, resultantes num dos grandes vinhos da nova geração nascida em solos de Espanha.

Se há coisa que aprecio num vinho por mais modesto que seja, é a definição dos seus aromas e sabores, não me basta um qualquer atabalhoado de coisas que parece terem caído por ali de rompante... nada de açucarados ou soalhos flutuantes, fujo de tudo isso, o que procuro é o que se encontra em vinhos como este, um Full HD. Vinhos onde é a fruta, a bela da fruta que deve ser sempre a principal protagonista, com ou sem madeira, brilha com enorme definição, a frescura e a delicadeza apesar do grande envolvimento, dominam a prova. Madeira essa coisa que muitos insistem em utilizar para tapar buracos é aqui sabiamente manobrada, está mas não está, contribui mas sabe que deve deixar a fruta brilhar... porque a essência de um vinho é a fruta e não a madeira por onde andou. Por momentos fez-me lembrar dois vinhos muito especiais, ambos Touriga Nacional, um nascido no Dão, um Touriga Nacional 2001 da Quinta da Bica que nunca chegou a ver a luz do dia, o outro um Touriga Nacional criado pelo mestre Mariano Garcia lá para os lados de Zamora. Dois vinhos fantásticos com um elo em comum com este aqui agora relatado, a definição de uma fruta fresca e bem madurinha, com todo o restante conjunto em grande harmonia e complexidade, cheios de fibra mas suaves no palato, ao mesmo tempo com raça, profundos mas delicados.

Na senda do El Nogal 2005, este está num degrau acima em tudo, mais complexo e mais profundo, aromas mais definidos, todo ele mais denso e com tudo de superior qualidade, destaca de inicio muita fruta preta do bosque (amora, framboesa) sólida e fresca, depois num toque de graça algum floral perfuma todo o conjunto seguido de especiaria fina (canela), tabaco e algum regaliz em fundo. Tudo ainda a pedir tempo, vinho que se sente fechado, com nervo e garra, gira no copo e vem ao de cima alguma caruma de pinheiro num fundo mineral. Na boca é complexo, sedoso, denso, os sabores vincados com enorme harmonia e frescura, final muito longo e persistente. Tem ainda muita vida pela frente,  podendo beber-se desde já é vinho que vai evoluir nos próximos dez anos sem grande problema. O preço é elevado, paga-se a procura e a exclusividade, nisto o El Nogal tem sem dúvida melhor relação preço/qualidade, quanto ao El Picon é um vinho de excelência que não deixa ninguém indiferente... 95pts

29 maio 2012

El Nogal 2005

Como em quase tudo na vida, também o vinho é capaz de despoletar as mais variadas emoções, nada melhor do que ter um grande vinho num copo e quando o cheiramos pela primeira vez largar um sorriso. São estes vinhos que colocam um sorriso no rosto que cada vez mais tento encontrar, procurando e vasculhando, porque um vinho que nos faz sorrir é meio caminho andado para a felicidade enófila. É preciso que cada um procure essa felicidade, embora muitos não a conheçam e sem saber do que falam acabam até por a ignorar, é este defeito que impera em muito consumidor, desconfiando quase sempre de tudo o que lhe foge ao conhecimento, outros apenas bebem porque supostamente alguém disse que era muito bom e muito poucos o abordam como aquilo que é. Durante a prova deste vinho chegou-se à conclusão que apesar da grande prova que dá ainda não está totalmente pronto, como disse um enólogo que o bebia comigo, tem aqui muita coisa para desembrulhar... e tem mesmo muita coisa, ainda lhe faltava mais tempo de garrafa, tempo que o produtor não lhe pode dar, tempo que cabe ao consumidor gastar na sua casa, infelizmente o consumidor não tem formação para saber esperar e entender que o vinho que tem à sua frente precisa de crescer, precisa de evoluir e só com tempo é que o consegue fazer, fala-se à boca cheia que deve ser o produtor a ter de guardar o vinho quando cabe ao consumidor essa mesma tarefa... o resultado é quase sempre o mesmo, compra-se e bebe-se sem ligar a guardas ou necessidades de envelhecimentos tantas vezes necessários. Entender o vinho é saber esperar pelo momento certo, não pela nossa vontade de o beber mas pela vontade do vinho se mostrar, e num mar enófilo esperar é coisa que cada vez menos se sabe fazer.

A abordagem foi cautelosa, como sempre, com dose de respeito por um daqueles rótulos que é muito bem capaz numa mesa deitar as outras garrafas ao chão apenas para estar ele na ribalta... e faz isso com toda a cagança que mostra e tem. Situando quem lê e gosta de saber estas coisas, é na vizinha Espanha mais propriamente na Ribera del Duero que se encontra o produtor Pago de los Capellanes, de onde sai este El Nogal 2005. É o chamado vino de pago, o pago é o nome que se dá a uma parcela de vinha, nestes casos a coisa tende sempre a ser ou reduzida ou de produção reduzida face ao terroir onde fica situada, neste caso temos a parcela de Tinto Fino (Tempranillo/Aragonês) de 6 hectares com enxertia proveniente do famoso  pago Picón com rendimento reduzido. 
O primeiro contacto é muito bom e cativante, apesar de um ligeiro aroma a tinta de caneta, talvez a precisar de uma decantação prévia, passa com as voltinhas em copo largo, emana fruta vermelha limpa e bem delineada com frescura a fazer-se sentir, sente-se muito boa estrutura por detrás, num conjunto sólido e amparado de forma excelente pela madeira que anda por lá mas disfarça muito bem, travo mineral, todo ele complexo e muito perfumado, cacau, tosta, baunilha, fina especiaria e regaliz. Muita elegância e frescura na boca, bem presente com sabores definidos, macio mas com nervo e a ocupar bem todo o palato. A fruta fresca e suculenta, fria e com doçura no ponto certo, a madeira ampara tudo de forma discreta sem sequer dizer uma palavra. O final é longo com recorte frutado e mineral.

É um vinho sério, com grande nível de detalhe, frescura e fruta bem delineada, dá um gozo tremendo beber agora mas que não vira cara a uns anos de cave... o preço rondará os 35/40€ que os vale e bem tendo em conta outras aberrações que por vezes nos assombram o copo pelos mesmos ou até mais euros. Não tão profundo como o Picón, não tão complexo ou cerrado, nem sequer com um detalhe tão minucioso e direi mesmo exagerado que tem o seu irmão, onde o preço dispara para mais de 100€. 93pts

21 dezembro 2011

Valbueña 5º Año Reserva 2004


Nome maior da estratosfera vínica Mundial, leia-se Bodegas Vega Sicilia, fundada em 1864 e com localização na vizinha Espanha na D.O. Ribera del Duero... ainda continuo nos vinhos que nascem no berço do Douro/Duero. Este foi servido novamente entre amigos e em grandioso jantar de Caça que organizo anualmente em Vila Viçosa... sempre regado com grandes vinhos e rodeado de grandes amigos, voltou a ser memorável mais um ano.


Não sendo um vinho barato, o efeito procura faz com que o preço suba quase sempre, mas com atenção consegue-se encontrar este vinho na casa dos 68-88€ o que por vezes é quase metade do preço que algumas lojas o colocam à venda em Portugal. Lamentavelmente continua-se a querer ganhar dinheiro à conta dos vinhos estrangeiros em Portugal, não em todos mas em alguns casos é mais que evidente... o mais grave é que se abusa da "ignorância" de quem compra e paga mais caro porque ou desconhece ou simplesmente o dinheiro não lhe custa a sair da carteira e não lhe interessa encontrar locais mais baratos. Dito isto prossigo com o vinho, um senhor entrada de gama que não fosse o seu irmão mais velho a elevar ainda mais a fasquia, seria um normal topo de gama em qualquer outra adega.
Resultante de um lote de Tinto Fino (90%) e Merlot e Malbec nos restantes 10% do conjunto, passa por barricas novas (60% Americano e 40% Francês) durante 16 meses, posteriormente passa a barrica avinhada (7 meses) para voltar a depósitos de madeira, antes do seu engarrafamento, com lançamento no mercado 5 anos após a colheita.

Não fosse o preço e seria vinho que gostaria de ter mais vezes no copo, a maneira como se desenrolou  durante todo o jantar foi algo de notável, um vinho que de inicio pede decanter, pede tempo para estender todo o seu bouquet, um vinho de perfil clássico, todo um senhor muito bem aprumado, a fruta fresquíssima com pureza e certeza, intenso e ao mesmo tempo suave, o resto é festa bem animada ainda com tempo pela frente, se bem que foi apanhado num belíssimo momento de forma. Aromas secos no fundo, algum chá preto com toques depois de mineralidade em fundo, café bem escuro com algo de cremosidade e continua a brincar e a dar que falar... com o ir e voltar da fruta bem madura e limpa, de enorme pureza.
É na boca que se confirma tudo o que foi dito, corpo médio/largo, com entrada fresca e a saber a fruta em enorme harmonia com o restante conjunto, madeira a dizer que vai amparar o jogo durante muito tempo, taninos calminhos com ligeiríssima secura e prolongado final... pede mesa, pede pratos ricos e apaladados... apesar de durar por mais uns bons anos. Perfil todo ele muito refinado, tudo o que mostra é de categoria, pode falhar apenas um pouco na complexidade ou na finesse do trato algo que certamente será matéria abordada pelos seu irmão mais velho, mas neste patamar está a marcar por isso mesmo, senhor do seu nariz e a não cansar e a convidar sempre para mais um copo... e o vinho é para isto que se quer. 94 pts

13 agosto 2011

Alonso del Yerro 2008

É dos vinhos que mais prazer me dá beber nos últimos tempos, abri a segunda garrafa e novamente um vinhaço no copo de encontro ao que já me acostumou nesta e nas colheitas anteriores, aqui mais concentrado e cheiroso que o 2007, pura classe com tempo pela frente para melhorar, mas desde o momento em que se serve até que a garrafa se acaba é um puro gozo estar de roda deste vinho produzido na Ribera del Duero.

Estes são os vinhos que procuro, compro, guardo e partilho com os amigos mais chegados, este é o vinho que me garante elegância, harmonia entre partes e boa longevidade, nada aqui é de excesso, nada aqui é de quebras nem falhas, é grande desde que se cheira até que se engole... é vinho que não sendo barato 22€ dá uma prova melhor que vinhos que custam o dobro... ou seja, comprar beber ou guardar o prazer esse é mais que garantido. Como diz a letra do famoso José Afonso:

"Venham mais cinco. Duma assentada. Que eu pago já. Do branco ou tinto. Se o velho estica. Eu fico por cá. Se tem má pinta. Dá-lhe um apito. E põe-no a andar"

Enche o nariz com frescura da fruta, fruta da boa e bem limpa com tons de cereja, morango e amora, depois vem banhada por especiarias, café moído e algum regaliz com floral em fundo. Mostra-se desde o primeiro instante um vinho que esconde uma belíssima complexidade, madeira no ponto, dá cacau e fina tosta, conjunto de enorme qualidade, em postura de quem tem a lição muito bem estudada, não se inventa nem se tapa defeitos com excesso de "pau".
Boca cheia e gulosa, fruta fresca forra o palato, tudo em conjunto como no nariz... o morango, a especiaria, algum toque de bálsamo, tosta... e tudo muito apelativo num longo final. 93

15 fevereiro 2010

ALONSO DEL YERRO 2007

O projecto que passo a apresentar para os mais distraídos, e mesmo aqueles mais atentos é normal que lhes tenha passado ao lado, está situado na vizinha Espanha, mais propriamente na prestigiada região da Ribera del Duero. Um projecto muito especial, eu pelo menos tenho tido a sorte de o ir conhecendo desde os primeiros lançamentos e são vinhos apaixonantes. Tudo começa na Finca Santa Marta, situada em Roa (Burgos, D.O. Ribera del Duero) com o casal Javier Alonso e María del Yerro, que em 2002 criam os Viñedos Alonso del Yerro. Um projecto assente numa filosofia muito própria baseada na importância da vinha, em que o objectivo é produzir vinhos distintos e com um critério de máxima qualidade. No total dispõem de 26,5 ha de vinha plantada em 1989 e situada entre os 800 e 840 metros de altitude, repartida por 4 parcelas cujos nomes são os dos filhos do casal, e tendo a perfeita noção de que iriam precisar de uma equipa de excelentes profissionais, foram buscar a assessoria do prestigiado enólogo Francês, Stephane Derenoncourt (La Mondotte, Château Canon La Gaffelière, Domaine de L´A... ) e dada a grande importância que dão à vinha, pediram um estudo exaustivo dos solos das parcelas que possuem. Deste estudo verificou-se que nas 4 parcelas existiam 6 tipos de solo bem diferenciados pelo que das 4 parcelas iniciais ficaram no total com 27 sub-parcelas de vinha. Em 2004 começam a trabalhar com um dos grandes especialistas do mundo no que toca a terroirs, Claude Bourguignon (Romanée Conti, Leflaive, Ausone, Dujac, Drouhin, Selosse, Graillot, Beaucastel, Dagueneau, Vega Sicilia...), formando assim uma equipa de luxo em que o vinho se começa a desenhar no próprio solo e na própria vinha.

"Dedicamos nuestro proyecto a todos aquellos que se atreven a soñar y a todos los que poseen el conocimiento, la generosidad y el corazón para ayudar a otros a alcanzar sus sueños."

O resultado final são vinhos de elevada qualidade, fruto de uma enorme dedicação e procura pela mais alta qualidade. Mistura-se a tudo isto, valores como a amizade, respeito pelo meio ambiente, talento, conhecimento, experiência, a procura da excelência, a paixão pelo vinho e temos como resultado vinhos que não nos deixam indiferentes e que acima de tudo conquistam quem neles aposta.

Alonso del Yerro 2007
Castas: 100% Tempranillo - Estágio: 12 meses em carvalho francês - 14,5% Vol.

Tonalidade granada escuro de concentração média/alta.

Nariz com aroma de boa complexidade e intensidade, conquista de imediato pela diferença e pela elegância, frescura, a fruta em tons de vermelho sente-se madura mas fora daqueles jogos compotados ou de querer entrar nesses jogos que nunca auguram nada de bom. Aqui a conversa é outra e sente-se fruta vermelha fresca e bem madura, entusiasma na boa profundidade com a madeira muito bem trabalhada, sábias mãos, sem exageros talvez um pouco presente mas nada que o tempo não cure, pede um prato mais puxado para não se fazer notar tanto, sim é vinho de mesa e de muitos amigos à sua volta. Especiarias finas, cacau, algum floral, mineralidade suave e delicada em fundo, com aquele aroma de "regaliz" que tanto gosto.

Boca a mostrar conjunto com uma bela estrutura, muito no encontro do encontrado no nariz, fruta vermelha madura e fresca com toque floral, especiaria ligeira e a barrica aqui bem mais integrada, o suficiente para o vinho dar uma prova de boca bastante agradável desde já. Complexidade, frescura, fruta madura bem delineada, barrica a dar amparo a todo o conjunto, tem uma boa espacialidade, bebe-se com muito prazer e sobretudo tem pernas para andar. Nota-se claramente um vinho que foge das tentações da concentração que alguns dos novos Ribera del Duero seguem teimosamente, para se notar aqui um registo mais na elegância. A sua persistência é média/alta num vinho que recomendo vivamente.

A produção deverá rondar as 60.000 garrafas, o preço mais que justo a que se pode comprar ronda os 20€ mas é uma aposta segura num vinho com qualidade bem acima da média e de acentuada componente gastronómica. O produtor em causa ainda tem o topo de gama da casa, Alonso del Yerro Maria, cujo preço será ligeiramente mais do dobro, mas a qualidade e o prazer são bem proporcionais. Um vinho que foi muito cuidado mesmo antes de nascer, em que tudo foi cuidadosamente planeado e pensado, e os resultados estão à distância de um copo. 17 - 92 pts

04 dezembro 2008

Condado de Haza 2000

Alejandro Fernández, o aclamado maestro da Tempranillo ou também conhecido como o Sr. Pesquera, é a viva imagem de um homem que se fez a si próprio, um homem que desde criança alimentou o sonho de ter a sua própria adega e fazer grandes vinhos. Seguindo a tradição familiar, aprendeu com o seu pai, Alejandro elaborava vinho todos os anos a partir dos vinhedos familiares, mas teve de esperar até ao ano de 1972 para ter a sua própria adega, um pequeno lagar de pedra do Séc XVI, onde realizava quase todo o processo. Só passados 10 anos, é que a adega Pesquera acabaria por ter o aspecto que tem nos dias de hoje, onde o antigo lagar ainda se mantém.
Foi a meados dos anos 80 que Alejandro Fernández descobre uma ladeira abandonada nas margens do rio Duero/Douro, que segundo ele parecia reunir condições para se transformar numa das melhores vinhas da região, obviamente da casta Tempranillo a que mais gosta e domina como ninguém.
Foram precisos 3 anos de negociações com os donos para que se pudessem adquirir as ditas parcelas individuais que perfaziam a encosta. Foi em 1989 que se plantaram os primeiros 80ha, e contando nos dias de hoje com cerca de 200 ha, fazendo o nome da Quinta referência à terra próxima de seu nome Haza. A primeira vindima seria de 93, mas a primeira colheita seria em 94 sendo elaborados na adega Pesquera, e apenas em 1995 estaria completo o hoje conhecido Condado de Haza.
O grupo Pesquera inclui entre outros, El Vínculo (La Mancha), Dehesa La Granja, Pesquera e o Condado de Haza do qual se deixa a nota de prova do seu crianza 2000.

Condado de Haza 2000
Castas: 100% Tempranillo - Estágio: 18 meses em carvalho americano e 6 meses em garrafa - 14% Vol.


Tonalidade ruby escuro de média intensidade.

Nariz a mostrar desde o principio um vinho de perfil que arrisco em chamar clássico, face ao que os vinhos mais recentes da Ribera del Duero apresentam. Os 8 anos já se notam no conjunto, mostrando fina complexidade num todo bastante polido, talvez um pouco polido a mais, com a fruta vermelha bem madura embora algo diluída num toque de licor e ligeiro envernizado. O fundo é todo ele, forrado a finas madeiras, baunilha e algum couro de boa qualidade, com caramelo de leite e cacau em pó, num conjunto de fina complexidade.

Boca fina e equilibrada, ainda mostra boa dose de fruta madura com frescura bem doseada, num corpo algo delgado de concentração. Especiarias muito leves de segundo plano, com algum cacau e notas de licor. Perde-se um pouco no final de boca, em persistência média/baixa.

Sem dúvida alguma que este vinho deveria ter sido bebido nos seus primeiros anos de vida, ainda assim deu uma prova satisfatória. O que perdeu em força conseguiu ganhar em finesse, embora se mostre um pouco desgastado principalmente na prova de boca, com a fruta pouco dialogante e a acidez a não acompanhar durante toda a passagem de boca. É um vinho que na mais recente colheita deverá andar na casa dos 8-10€ e acompanha muito bem carnes vermelhas na grelha. O trabalho a nível de madeiras nos vinhos deste grupo é sem dúvida notável.
15,5
 
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