Copo de 3: Rosado
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06 dezembro 2016

O Sossego da Herdade do Peso

Situada no Baixo Alentejo, em plena Vidigueira, a Herdade do Peso acaba de colocar no mercado as últimas novidades, de nome Sossego, que se apresentam no formato branco, rosado e tinto. Surgem assim, na Herdade do Peso, os novos vinhos que se situam no patamar imediato ao Vinha do Monte, como vinhos indicados para um consumo mais casual e diário, com uma qualidade interessante para o objectivo pretendido. E é neste sossego por mim tão desejado e que me tem mantido nestes últimos dias bem afastado do reboliço da cidade, que me vou deixando deliciar pelos aromas e sabores dos vinhos que me vão passando pelo copo.

Neste caso é a franqueza de aromas que os domina por inteiro, a frescura em conjunto sempre bem afinado, mostra-se ao lado da fruta (madura e fresca) de intensidade mediana tal como se mostram a nível de corpo. E mesmo neste sossego deseja-se e procura-se alguma irreverência ou mesmo aquele algo mais que faça despontar o interesse naquilo que temos pela frente. Apetecia pois um pouco mais, mas talvez isso fosse pedir o que não se pode dar, ou o que não faz parte da estratégia delineada. Resta-nos, pois, em sossego apreciar estas novas referências:


Sossego branco 2015: num lote tipicamente alentejano com 75% Antão Vaz, 20% Arinto e 5% Roupeiro, fruta fresca e madura de bom nível com exuberância de bom tom, ligeiro floral a fechar o conjunto, algo discreto com boa secura no fundo, mas pronto para a mesa.



Sossego Rosé 2015: feito exclusivamente de Touriga Nacional, bonito na cor e na candura dos aromas, frescos, ligeiros e apelativos, sendo direto na forma como se faz mostrar. Presença mediana no palato sendo a fruta novamente protagonista, calmo, sereno, ligeira secura de fundo num perfil que agrada.


Sossego tinto 2014: criado a partir de um lote de 75% Aragonez, 15% Syrah, 10% Touriga Nacional, com direito a estágio de 6 meses em barrica usada. Muita fruta madura em tom silvestre (amora, framboesa) com o aconchego da barrica, elegância num todo harmonioso. Boca num misto de fruta e frescura, corpo mediano com boa presença.

14 julho 2016

Vidigueira Rosé 2015

Este Rosé é uma novidade e apresenta-se como o Ato III - A Saudade; da Adega Cooperativa da Vidigueira, Cuba e Alvito num vinho que nasceu de um lote de Aragonês e Touriga Nacional. Pouca graduação, são apenas 12,5% Vol. num vinho de aromas frescos e centrado na fruta vermelha, compacto e directo, com notas fumadas e vegetal em segundo plano. Na boca estrutura mediana com fruta bem presente a dar sabor, termina bem seco. Custa 2,79€ no Clube de Vinhos Benfica. 88 pts

05 junho 2016

Monte da Ravasqueira Rosé 2015


Do Monte da Ravasqueira (Arraiolos) chega este rosado da colheita de 2015, bem fresco por sinal com muita nota de fruta vermelha bem madura a cheirar e a saber ainda melhor. É exemplar que nos cai no gosto, cativa de forma simples e mostra a razão pela qual os vinho rosado/rosé anda cada vez mais no copo dos apreciadores. A qualidade tem dado um salto significativo, por pouco mais de 5€ podemos hoje em dia acompanhar toda uma refeição com este tipo de vinho. Neste caso a frescura é assinalável, combinada com a fruta bem madura e uma pontinha de doçura que cativa o lago mais guloso que temos. Na boca é fresco e elegante, cativante com boa presença, servido a solo ou a acompanhar saladas frias com molho cocktail é um tiro em cheio. 89 pts

30 março 2016

Adega de Borba Rosé 2015


Acabado de chegar ao mercado a nova colheita deste rosé bem fresco e frutado da Adega de Borba. No perfil tem tudo para agradar mostrando um ligeiro toque guloso sem exagero que o torna apetecível e sabe bem. Com toda a atenção centrada na frescura da fruta vermelha, com muito morango gordo e rechonchudo acompanhado por amoras, mostra-se fresco e com boa exuberância de aromas. Na boca replica a prova de nariz, envolto por uma sensação de leve doçura, é essencialmente a expressão bonita da fruta que se faz sentir sempre com uma boa frescura. Um vinho directo e descontraído que servido fresco será companheiro de inúmeras ocasiões no aperto do calor que se aproxima. 88 pts

24 fevereiro 2016

Monte da Ravasqueira


Já por duas vezes tive oportunidade de visitar o Monte da Ravasqueira (Alentejo), ligado há várias gerações à família José de Mello, localizado no concelho de Arraiolos. Relembro-me dos seus primeiros vinhos e do ambicioso projecto que na altura tinha como meta proporcionar ao consumidor alguns dos melhores vinhos do Alentejo. Passados todos estes anos o projecto Monte da Ravasqueira consegue esse objectivo como muito mais, aliando todo uma oferta no âmbito do enoturismo que permite as mais variadas actividades ao ar livre, desde passeios pelas vinhas e cursos de vinhos, espaço de refeições  ou até a visita do fantástico Museu Particular de Arreios e Atrelagens, lembrando a coudelaria que existiu durante largos anos no Monte da Ravasqueira. Quanto aos vinhos o projecto tem vindo a ganhar consistência com os recentes topos de gama, como dos varietais que para além da diversidade permitem mostrar aos interessados novas abordagens das castas ali plantadas. Não se estranhe portanto de encontrar um Touriga Franca, um Alvarinho ou um Colheita Tardia, todos de bom recorte e a darem muito boa conta do recado à mesa com a gastronomia típica da região. Porém aquele que será o mais conhecido e que durante largos anos se apresentou como o topo de gama da casa, foi o Vinha das Romãs. A equipa de enologia de início contava com a presença do enólogo Rui Reguinga que a seu tempo deu lugar à dupla que tanto sucesso tem alcançado, falo de Pedro Pereira Gonçalves e Vasco Rosa Santos.


Mas para falar do Vinha das Romãs temos que recuar a 2002 ano em que se decidiu arrancar um conjunto de romãzeiras que ocupavam um área de cinco hectares para ali se plantar vinha, mais propriamente Syrah e Touriga Franca. Aquela vinha passou a chamar-se a Vinha das Romãs e cedo ganhou protagonismo pela qualidade destacada dos vinhos a que dá origem, revelando uma concentração e um nível de maturação único em toda a área de vinha do Monte da Ravasqueira. É por isso mesmo um “single vineyard”, “monopole”, “vino de pago”, onde o terroir imprime características diferenciadoras e únicas. Aqui o que se procura é o equilíbrio perfeito entre as duas castas, isolando a cada colheita as melhores zonas de cada casta que melhor transmitem a singularidade do local. Os vinhos falam por si, cada vez mais em crescendo no que à qualidade diz respeito, frescos e muito apelativos, o trabalho com a madeira tem vindo a ganhar notoriedade num perfil cada vez mais sério, amplo, profundo e acima de tudo apetecível.


Os topos de gama, em jeito de homenagem ao patriarca da família, são hoje em dia os vinhos da linhagem MR Premium que se encontram nas versões branco, tinto e rosado. Todos eles são do melhor que se pode ter à mesa, o refinamento é total e mostram-se com uma enorme classe. São vinhos que merecem ser conhecidos e bebidos em muito boa companhia, porque vinhos assim são feitos para isso mesmo, celebrar a vida.

02 fevereiro 2016

Rosé Vulcânico 2014


Proveniente dos Açores, este vinho criado pela Azores Wine Company cujos vinhos se dividem pelos Rare Grapes Collection e os Volcanic Series de onde nos sai este Rosé. Comum a todos eles a frescura proveniente da brisa marítima com uma inevitável e porque não o dizer, acidez que se faz sentido algo acentuada quem sabe fruto dos solos de origem vulcânica. Melhor exemplo do que acabo de escrever é este Rosé Vulcânico 2014, parco na tonalidade e ligeiro na graduação, mostra aromas de fruta vermelha bem limpa com boa presença e de fundo algumas notas de mar com a inevitável nota de iodo e salinidade presente. É este factor que pode causar admiração e mesmo ditar o afastamento de alguns apreciadores, o toque salino que se faz sentir no palato. De resto mostra-se com a intensidade suficiente para fazer um brilharete com comida de inspiração oriental, o preço por garrafa ronda os 12€. 89 pts

10 novembro 2015

Convento do Paraíso, a reconquista do Algarve


O Algarve enquanto região produtora passou praticamente de inexistente para uma tímida e crescente vontade de se fazer ouvir. Os investimentos que têm sido feitos na última década têm sabido mostrar os seus frutos e hoje em dia o Algarve enquanto região produtora de vinho de qualidade é uma realidade. A região vive ainda órfã de uma identidade própria que consiga distinguir os vinhos ali produzidos das restantes regiões, algo que acontece por culpa própria e que depende dela própria para saber encontrar o melhor caminho. Têm esse dever os produtores que ali têm sabido fazer vingar com sucesso os seus projectos, como disto é exemplo o Convento do Paraíso (Silves). Tudo acontece na Quinta de Mata Mouros, propriedade do empresário Vasco Pereira Coutinho, localizada ao lado do rio Arade paredes meias com a cidade de Silves. O Convento de Nossa Senhora do Paraíso foi edificado no séc XII após conquista de Silves, de vinha são 12 hectares plantada de raiz no ano de 2000, onde despontam Cabernet Sauvignon e Sousão nas tintas e Alvarinho e Arinto nas brancas, sendo esta apenas a quarta vindima desta joint venture que começou em 2012 e que junta a família Pereira Coutinho com a família Soares (Herdade da Malhadinha Nova e Garrafeira Soares). Na adega juntam-se para o mesmo fim a vertente mais tradicional com os lagares e a faceta mais moderna com a tecnologia de ponta.


Poderiam optar por fazer vinhos previsíveis, felizmente não o fazem digo eu e serve isto de mote para o tinto Imprevisto 2014 num lote de Touriga Nacional/Aragonez. Desponta juventude com muita fruta carnuda e bem suculenta, muito vigor com balanço entre a doçura da fruta e a acidez, floral com toque de aconchego com alguma compota, bastante directo e apetecível desde o primeiro copo. O preço ronda os 5€ garrafa e está também num muito apetecível bag in box de 5 litros com preço de 9,95€.

Segue-se a gama Euphoria que nos invoca a sensação de bem-estar, satisfação e alegria, com versão rosado, branco e tinto. Três vinhos que seguem o mesmo diapasão, fruta bem limpa e madura com aromas muito presentes num conjunto a mostrar-se com energia e muito bem-disposto. O Euphoria branco 2014 centrado no duo Alvarinho/Arinto brilha pela sua frescura, alguma calda tropical a envolver os citrinos de bom-tom, floral num todo convidativo e muito atraente. Enquanto o Euphoria rosado 2014 com Touriga Nacional/Aragonez mostra os seus frutos vermelhos bem torneados envoltos num delicado perfume. Boa frescura no palato com passagem saborosa e ligeiramente seco no final de boa persistência. Por fim o Euphoria tinto 2013 que teve ainda direito a 6 meses de estágio em barricas de carvalho francês. Mostra-se num plano mais sério onde a fruta negra e vermelha muito centrada nas bagas e frutos silvestres se mistura com um toque vegetal muito presente. Ao conjunto juntam-se ainda notas terrosas e de alguma especiaria, em fundo a barrica aconchega todo o conjunto que ainda com sinais de juventude dá bastante prazer à mesa.
Finalmente o que se assume como topo de gama, o Convento do Paraíso 2012 que resulta do inusual lote de Cabernet Sauvignon e Sousão. Diferente, desafiante e ao mesmo tempo cativante quer a nível de aromas como de sabores. Da fruta muito sólida e fresca combina tons de vegetal maduro, alguma compota e especiaria com bonita envolvência da madeira. Vinhos de um projecto recente que merecem ser conhecidos e cujo cunho de qualidade conferido pela equipa da Herdade da Malhadinha promete muitas alegrias no futuro próximo.

Published in Blend All About Wine

31 outubro 2015

Quinta do Poço do Lobo Rosé Reserva 2014

Só os grandes têm a capacidade de se reinventar com o passar do tempo, só os grandes têm a capacidade de deixar saudade e de certo modo ficarem reféns de décadas de glória onde lavraram a letras douradas o que de melhor se produziu em determinadas regiões. As Caves São João (Bairrada) são um exemplo disso mesmo, um gigante que se deixou adormecer e parece estar a acordar calmamente do sono profundo a que foi submetido no inicio da década de 90. Este vinho rosado junta a Baga com Pinot Noir, com fermentação parcial em barrica avinhada e batonnage que o catapultou para outro nível de sensações. É com todas as palavras um grande rosé, fresco, delicado e ao mesmo tempo muito elegante que junta a fruta vermelha muito limpa com flores e ligeira sensação de arredondamento a embalar o conjunto. É delicado mas na boca confirma além da frescura a boa secura que um conjunto muito bem estruturado, saboroso e de enorme prazer. O preço ronda os 12€ em garrafeira num vinho rosado que ombreia com os melhores exemplares nacionais. 92 pts

12 outubro 2015

Fiuza rosé 2014

Imagem reformulada neste rosé Ribatejano da Fiuza (Tejo) onde a dupla de castas neste caso se mantém inalterável no dueto Touriga Nacional e Cabernet Sauvignon a darem o corpo ao manifesto que se traduz neste rosé colheita de 2014. Como já tinha escrito, a imagem aparece agora renovada e para melhor, eu pelo menos gosto mais da maneira como se mostra tanto por fora como por dentro. Há um salto de qualidade e o vinho parece aparecer de cara lavada, mais pálido mas curiosamente os aromas surgem agora de forma fresca e cativante, sem mostrarem aquele ar de enfado que tira por tantas vezes a "graça" a um vinho. É por isso um bom vinho rosado para acompanhar entradas, sopas de peixe de temperamento mais delicado ou porque não uma lata de sardinhas em tomate. 87 pts

03 outubro 2015

João Portugal Ramos, Vinhos

João Portugal Ramos licenciou-se em Agronomia pelo Instituto Superior de Agronomia em 1977. Estagiou no Centro de Estudos da Estação Vitivinícola Nacional de Dois Portos, após o que iniciou em 1980 no Alentejo a actividade de enólogo-gerente da Cooperativa da Vidigueira. Sairia passado pouco tempo, passando pela Casa Agrícola Almodôvar onde em 1982 ganha o prémio de Melhor Vinho na Produção com o tinto Paço dos Infantes 1982. Daria o salto para a Adega Cooperativa de Reguengos de Monsaraz onde ajudou a criar a marca Garrafeira dos Sócios. A partir da experiência acumulada, João Portugal Ramos constituiu no final da referida década a sua primeira empresa de nome Consulvinus com o objectivo de dar resposta às inúmeras solicitações de vários produtores, no seu percurso de glória criou alguns dos míticos Tapada do Chaves, Quinta do Carmo ou Cooperativa de Portalegre. A partir de 1989, a Consulvinus alargou a sua actividade para além do Alentejo, chegando ao Ribatejo, Península de Setúbal, Dão, Beiras, Estremadura e Douro.
Blend-All-About-Wine-João-Portugal-Ramos-Winery joão portugal ramos João Portugal Ramos Blend All About Wine Jo  o Portugal Ramos Winery
A Adega © Blend All About Wine, Lda
Em 1990, João Portugal Ramos plantou os primeiros cinco hectares de vinha em Estremoz, onde vive desde 1988, dando início ao seu projecto pessoal. A construção da adega em Estremoz, no Monte da Caldeira, iniciou-se em 1997, tendo sido ampliada em 2000. O sucesso e os prémios acumulados pelos “seus” vinhos ao longo da sua carreira valeram-lhe o reconhecimento nacional e internacional como um dos principais responsáveis pela evolução dos vinhos portugueses. Fruto da sua mestria têm nascido alguns dos grandes vinhos de Portugal, muitos deles ainda feitos em talha, vinhos que fazem parte da história e que têm tido a capacidade única de marcarem tanto percurso enófilo como foi o meu caso. Os exemplos são vários e na sua quase totalidade, incluindo os da década de 80, ainda mostram uma invejável forma na hora da prova.
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A gama de vinhos © Blend All About Wine, Lda
Muito recentemente face aos pedidos do mercado investiu nos Vinhos Verdes, já antes tinha no Douro juntamente com o enólogo José Maria Soares Franco criado o projecto Duorum. Passados 13 anos sem lançar uma nova marca de vinho alentejano, tirando os topos de gama, criou a marca Pouca Roupa com um enorme sucesso de vendas. Como tem vindo a ser hábito e não podia ser de outra forma, são os consumidores a ditarem o sucesso deste nome incontornável da enologia.

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Vila Santa Reserva 2012 & Vila Santa Reserva 2009 © Blend All About Wine, Lda
Na mais recente visita à adega e em animada conversa com o Engº João Portugal Ramos, foram colocadas em prova as mais recentes colheitas no mercado com um destaque para os brancos de 2104 que brilham alto fruto de um ano de excepcional qualidade. Foi proposto logo de início provar lado a lado a colheita mais recente com uma colheita anterior onde se começou pelo Vila Santa. O Vila Santa tinto nasceu na colheita de 1991, na altura ainda feito em talha, afirmando-se desde muito cedo como uma das grandes relações preço/satisfação existentes em Portugal. A qualidade assegurada colheita após colheita num perfil que tendo sofrido os necessários ajustes mas onde se tem sabido preservar o “estilo” Vila Santa que tanto prazer dá quando em novo como o 2012 ou mesmo com uns anos em garrafa como tão bem se mostrou o 2009.
De seguida provamos os Quinta da Viçosa, a meu ver os vinhos mais irreverentes do produtor e que nos oferecem a cada colheita o blend das duas melhores castas. Em prova o Quinta da Viçosa 2012 (Aragonês/Petit Verdot) e o 2011 (Touriga Nacional/Cabernet Sauvignon). Nota-se acima de tudo o cunho bem pessoal do enólogo, o espaço de destaque que a fruta ganha, limpa e sempre fresca, desempoeirada e inserida num conjunto sempre com bastante vigor, o tal vigor que permite sem exageros prolongar todos os seus vinhos numa linha de tempo muito acima da média. Quanto aos vinhos, o 2012 ainda muito vigoroso, demasiado novo o que me faz inclinar para o 2011, aquele travo de Cabernet Sauvignon a fazer lembrar Bordéus conquista-me no imediato, embora os dois ainda muito novos e a precisar de tempo em garrafa. Para estes dois tintos a escolha seria óbvia, carne de porco ou novilho com bom tempero, ligações com javali, veado ou caça grossa serão sempre vencedoras.

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Marquês de Borba Reserva 2012, Estremus 2001 & Quinta da Viçosa 2007 © Blend All About Wine, Lda
A fase final da prova contou com a presença daquele que é um dos “novos” clássicos do Alentejo, o Marquês de Borba Reserva que desde que saiu pela primeira vez na colheita 1997 conquistou por direito próprio lugar entre os grandes vinhos da nação. A evolução deste vinho é algo notável, comprova-se provando o 1999 que está num momento de forma magistral e ainda com muita vida pela frente. Terá sido este 1999 o melhor de todos até à data para o seu criador, eu irei juntar ao 1999 o 2012. Embora o 2013se encontre em momento pré-escolar a prova que dá é de um vinho ainda na fase de arrumos, tudo muito espalhado, muita caixa por abrir, precisa de tempo. Enquanto isso o 2012 já se mostra algo mais esclarecido, dá mostras de um conjunto luxuoso ao qual não se consegue ficar indiferente. A envolvência entre fruta/madeira confere um elevado grau de sensualidade e elegância ao vinho, no palato confirma tudo o que tem vindo a ser dito. Por esta altura são os pratos mais nobres e delicados que brilham, uma Perdiz Estufada é o casamento perfeito.
Para o final fica aquele que é de momento o topo de gama do produtor, o Estremus 2011, ainda que se tenha tido um vislumbre do que será a sua nova edição. Mas é no 2011 que as atenções se prendem com razões de sobra para que tal aconteça, o vinho que nem sequer nasce em vinhedo velho é um monumento de classe e raça. Muita finesse com a fruta num patamar de definição e frescura muito acima da média, no fundo sente-se a pujança e nervo de um grande vinho, um gigante adormecido com muitas alegrias para dar nos tempos futuros. A prova que dá esbarra numa saudável austeridade no palato, os tais taninos que ainda não se acomodaram, no nariz a cada rodopio no copo a complexidade vai-se desenrolando. Mais uma vez a enologia de João Portugal Ramos a conseguir lançar um vinho grandioso, como tem sido seu costume ao longo das últimas três décadas. Uau.

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06 agosto 2015

Bridão Clássico Rosé 2014

Este rosado é uma novidade da Adega do Cartaxo, com as castas Touriga Nacional e Syrah escolhidas pelo enólogo Pedro Gil. O resultado é  um vinho onde a fruta bem vermelha com muito morango e cereja se envolve num suave toque herbáceo, com uma boa acidez a contrabalançar o peso da fruta. O final de boca mostra uma boa secura, aquela capacidade de limpar e revigorar o palato tornando-o muito apetecível à mesa. Um vinho ideal para o tempo quente, macio no palato sem muitas arestas e de agrado fácil, cujo preço rondará os 2€ em garrafeira online. 87 pts

11 junho 2015

Covela Rosé 2014

Um dos melhores rosados feitos em Portugal já tem nova colheita colocada no mercado, o Covela Rosé 2014, feito a partir de Touriga Nacional que se vindima precocemente apenas para dar origem a este vinho. É um caso de sucesso que conquista pelo conjunto jovem, fresco e delicado, repleto de aromas e sabores muito detalhados, delicado floral com aquela frescura marcante. Palato equilibrado com o duo fruta/acidez com muito boa presença  e com aquela secura em final de boca que revigora o palato e lhe confere uma tão boa apetência gastronómica. 93 pts

17 março 2015

Perlarena rosado 2013


Conheci este vinho pela primeira vez na adega do Dominio del Bendito (Toro) com o vigneron Anthony Terryn, em 2009. O rosado que naquela altura ainda descansava na garrafa, mal tinha tido tempo para ser rotulado, um rosado que na passada do tempo e das colheitas tem vindo a refinar e a redefinir o seu percurso e perfil. Agora podemos afirmar que está melhor que nunca, para mim um dos melhores, cabe sem grande necessidade de questionar, nos três mais tendo em conta muito do que se tem bebido dentro e fora de portas. Custa coisa de 8€ e pode ser encomendado na loja online do produtor.

Na alma corre a Tinta de Toro (80%), Syrah (10%) e Verdejo (10%) proveniente dos solos arenosos de La Jara, o vinho fermentou em barricas, mostra-se com enorme frescura e elegância, cativa e conquista de imediato, a secura em boca catapulta o vinho para a mesa de forma categórica. Como se informa no contra rótulo, bebe-se como água bendita mas não o é, na verdade o vinho bebe-se com gosto e quando damos por ele acabou. Cheio de delicadeza e com fruta a mostrar muita framboesa, flores, ligeiro vegetal fresco e toque de anis estrelado, num conjunto que tanto se bebe fresco como a temperaturas de tinto, onde se transforma e mostra a garra da região. Pede saladas com marisco, peixe grelhado, carnes brancas, entradas das mais variadas, canapés, comida de forte tempero pois a acidez revigora o palato. Um grande rosado com a onde a capacidade de envelhecimento é natural. 93 pts

09 março 2015

Covela Rosé 2013


Com a Primavera a espreitar, é tempo de limpar a grelha e dar inicio às festividades ao ar livre. E com grelhados nada melhor a acompanhar que um rosado de grande nível como este Covela Rosé 2013, para mim um dos melhores exemplares a ser feito em solo nacional. A Quinta de Covela voltou à ribalta, os vinhos mostram-se com alta qualidade ainda que com outras directrizes, no nível a que já tinham acostumado. Este rosado é 100% Touriga Nacional proveniente de entre Douro e Minho, um rosado de excepção que alia a intempestividade da casta com a frescura Minhota. Muita frescura com fruta vermelha, cheiroso, todo muito limpo, algum floral a compor o ramalhete, num fundo que nos brinda com uma boa austeridade mineral. Na boca é amplo, saboroso, bom corpo que o atira para acompanhar no imediato umas sardinhas assadas no carvão, com aquela secura no final a limpar o palato e a pedir mais um gole. O preço recomendado ronda os 8€, para comprar à caixa e ir bebendo, que este é dos que sabe esperar. 92 pts

04 março 2015

Domingos Soares Franco Colecção Privada Moscatel Roxo Rosé 2013

Faz já parte da lista dos melhores vinhos rosados feitos em solo nacional e é com toda a certeza o mais sofisticado e exclusivo, dada a rareza da casta Moscatel Roxo. E não sendo esta a última vez que me torno a repetir, direi que a graciosidade com que rodopia no copo debitando aromas de Moscatel Roxo fazem com que o vinho produzido pela José Maria da Fonseca se torne lascivo desde o primeiro instante. De graduação contida a rondar os 12% Vol. o vinho mostra-se fresco com uma fina mas rendilhada complexidade, os aromas da casta mostram-se de forma ordeira num todo equilibrado, harmonioso, delicado e fresco. Dá uma boa prova conseguindo balancear leve docinho com ponta de secura, mediano no corpo, fruta e flores, sem exageros é delicado mas com boa presença. Um par fantástico a acompanhar um bisque de lagosta, o preço ronda os 10€ cada garrafa. 90 pts

29 janeiro 2015

Primeira Paixão Rosé 2013


No constante fervilhar de novidades, eis que a Madeira se começa a destacar com os seus vinhos de mesa, onde brilham essencialmente os Verdelho carregados de frescura e mineralidade com um atrevido toque salino. Neste caso o destaque vai para a Paixão do Vinho gerida por Filipe Santos cujos vinhos Primeira Paixão se têm destacado nos últimos anos pela qualidade e diferença, sendo o Verdelho o mais conhecido. 

Desta vez a surpresa é um Rosé da colheita 2013, feito à base de Touriga Nacional, Merlot, Syrah, Tinta Roriz e Complexa, com uvas provenientes da zona do Seixal. Enologia a cargo de João Pedro Machado na Adega de São Vicente. Aroma de boa intensidade com destaque para frutos vermelhos bem maduros, leve vegetal a marcar com fundo a lembrar pederneira. Boca cheia de fruta bem viva e sumarenta, estrutura bem composta com boa frescura num conjunto bastante apetecível. 90 pts

30 dezembro 2014

MR Premium Rosé 2013


Pouco a pouco aquele que durante anos a fio foi considerado filho de um deus menor, vê o seu estatuto passar para um produto de glamour e exclusividade. O vinho rosado está na berlinda, começam a surgir um pouco por todo o lado os lançamentos de exemplares sérios, autênticos topos de gama de perfil nunca antes visto e que conquistam a mesa sem grande esforço. Ora o vinho rosé ou rosado é isto, resta seguir o caminho a trilhar para o sucesso mais que garantido dentro e fora de portas, ou não fosse o vinho de mesa de Portugal mais conhecido lá fora um rosé.

O mais recente lançamento da linha de vinhos MR Premium constitui a oferta topo de gama do Monte da Ravasqueira (Arraiolos). Um 100% Touriga Nacional, uvas escolhidas a dedo proveniente de 5 talhões deram origem a 3.425 garrafas com preço a rondar os 15/20€. O vinho é todo ele elegância, muito perfumado e fresco, fruta fresca (cereja, amora) com  mineralidade num conjunto com tudo muito equilibrado e de fácil percepção, a barrica apenas o aconchega com toque de pão torrado no fundo. Na boca é sedutor, boa textura, muito elegante e fresco, marcado pela presença da fruta, novamente uma ligeira tosta, saboroso e com final seco a pedir comida por perto. Um dos grandes rosados feitos em Portugal. 93 pts

07 novembro 2014

Dona Maria Rosé 2013


A cada ano que passa este Dona Maria Rosé mostra-se mais afinado e sério, com uma invejável capacidade de proporcionar prazer. Sem cansar está marcado pela delicadeza dos aromas frutados e florais com uma frescura que o envolve, o vinho sabe bem, apetece beber um e outro copo, os seus 12,5% ajudam à festa. Tem a estrutura suficientemente para lhe proporcionar uma satisfatória evolução na garrafa, embora nesta fase seja uma verdadeira tentação com a fruta suculenta a dançar no palato, preço a rondar os 8,5€. Um dos vinhos que faço questão de ter aqui por casa, neste caso companheiro à altura de uma caldeirada de lulas. 93pts 

25 outubro 2014

Quinta do Rol

A centenária Quinta do Rol desde sempre ligada às tradições e à terra, localizada no coração da região da Lourinhã, vai na terceira geração da família de Carlos Melo Ribeiro, o actual proprietário que a herdou de seu pai.
O nome da Quinta do Rol surge durante o século 19 pelo seu proprietário, um jogador ferrenho que, aquando da falta de dinheiro para pagar as suas dívidas, teria um Rol/lista de Quintas para tal efeito. Desde sempre ligada à produção de Pêra Rocha, também a produção de aguardente na destilaria própria remonta ao século 18, altura em que se produzia em grande quantidade para fornecer os produtores de vinho do Porto.
Blend_All_About_Wine_Quinta_do_Rol_Rita_Melo_Ribeiro Quinta do Rol – no coração de Lourignac  Quinta do Rol – no coração de Lourignac  Blend All About Wine Quinta do Rol Rita Melo Ribeiro
Rita Melo Ribeiro at Quinta do Rol © Blend All About Wine, Lda.
Quando Carlos Melo Ribeiro chegou ao comando dos destinos da Quinta do Rol, cedo deu conta da especificidade climática da região; a proximidade com mar, os solos e o relevo, é detentora de um micro clima que a torna uma das três regiões em todo o mundo (à semelhança de Cognac e Armagnac) reconhecida como específica para a produção de aguardentes vínicas de qualidade superior, com denominação de origem. Para tal replantou as vinhas com as castas Ugni Blanc, Malvasia Fina e Alicante Branco para produção da Aguardente e outras castas onde despontam a Sauvignon Blanc, Pinot Gris, Pinot Noir, Chardonnay… com vista à produção de vinho de mesa e espumante de qualidade.
Blend_All_About_Wine_Quinta_do_Rol_Aguardente Quinta do Rol – no coração de Lourignac  Quinta do Rol – no coração de Lourignac  Blend All About Wine Quinta do Rol Aguardente
Quinta do Rol Aguardente Velha XO © Blend All About Wine, Lda.
Acerca da aguardente, a região demarcada da Lourinhã data de 1992 e é a terceira a nível mundial, depois das conhecidas regiões demarcadas de Cognac e Armargnac, ambas em França. A Quinta do Rol conta com uma produção anual de 10 mil litros e esteve mais de dez anos a produzir para não vender, à espera que chegasse o momento certo de colocar no mercado um dos produtos mais exclusivos produzidos em Portugal, a Quinta do Rol Aguardente Velha XO.
Blend_All_About_Wine_Quinta_do_Rol_Blanc_de_Blancs Quinta do Rol – no coração de Lourignac  Quinta do Rol – no coração de Lourignac  Blend All About Wine Quinta do Rol Blanc de Blancs
Quinta do Rol Espumante Blanc de Blancs 2008 © Blend All About Wine, Lda.
Quinta do Rol Espumante Blanc de Blancs 2008

Feito de Chardonnay, alia frescura a uma ligeira sensação de mousse, envolve e apetece num misto de fruta tropical e massapão. A fruta em tons citrinos mostra presença na boca, com frescura, saboroso e bem estruturado.

Quinta do Rol Selecção branco 2012

O único vinho de lote (Arinto, Alvarinho e Chardonnay) da Quinta do Rol, a mostrar frescura com conjunto algo fechado, toque mais verde e citrino, alguma untuosidade conferida pela batonnage a que teve direito. Boca com frescura, boa presença, marcado pela boa definição de sabores, pêra verde num conjunto que se sente tenso.

Quinta do Rol Pinot Gris 2011

Apresenta um leve fumado a lembrar pederneira, fruta gordinha envolta em boa frescura, delicado e tenso. Fresco na boca, mineralidade com secura no final.

Blend_All_About_Wine_Quinta_do_Rol_Sauvignon_Blanc Quinta do Rol – no coração de Lourignac  Quinta do Rol – no coração de Lourignac  Blend All About Wine Quinta do Rol Sauvignon Blanc
Quinta do Rol Sauvignon Blanc 2011 © Blend All About Wine, Lda.
Quinta do Rol Sauvignon Blanc 2011

Gostei da abordagem deste Sauvignon Blanc com descritores da casta pouco ou nada tropical mas muito mais herbáceo, pimento, salgado, fruta de segundo plano com toque fumado. Frescura e boa presença na boca num Sauvignon que apetece beber.

Quinta do Rol Pinot Noir Reserva 2009

Afirma-se durante a prova como um Pinot Noir com músculo, pouco definido, nariz fresco com frutos vermelhos e leve vegetal (musgo), embora se perca na falta de definição por estar ainda demasiado compacto. Boca com fruta madura de bom porte, frescura, boa amplitude, ligeira secura vegetal em final de boca, longo e persistente.

06 agosto 2014

Monte da Ravasqueira Rosé 2013

Revisitando o Rosé Monte da Ravasqueira (Arraiolos) agora na colheita 2013, mantém a boa prestação que já tinha dado na anterior colheita, mostrando que a qualidade neste tipo de vinhos deu um enorme salto nos últimos anos. De aroma fresco e muito focado na fruta vermelha, madura e gulosa, com uma bela harmonia bem acompanhada por um ligeiro travo vegetal (rama de tomate, hortelã pimenta), num conjunto cativante e com algum vigor. No palato começa com sensação de ligeiro arredondamento, aquele travo ligeiramente doce que cativa logo no princípio, terminando seco e prolongado. Gostei bastante e é claramente um passo em frente no que à qualidade diz respeito, acompanhou muito bem uma Salada de Frango com Romã. 90 pts 

 
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