Este Dona Berta Reserva tinto 2012, mostra-nos que continua a haver vinhos que levam o seu tempo a entrar para o mercado. Muito carácter num vinho com raça e cheio de vida, muita fruta (bagas e frutos silvestres) mas também uma ligeira austeridade quer a nível de aroma como faz intenção de o confirmar no palato. Tudo muito compacto e bem coeso, apertado de tal forma que só com tempo é que se vão poder descortinar melhor os aromas. Por enquanto é um tinto cheio de vida e energia, capaz de fazer um brilharete com um bife de novilho no carvão com molho alioli. 91 pts
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06 setembro 2016
04 setembro 2016
Dona Berta Vinhas Velhas Reserva Branco 2015
É já um clássico este Dona Berta Vinhas Velhas Reserva (Douro), a mostrar um 100% Rabigato cheio de frescura com a raça que lhe é conhecida. O vinho abandonou os aromas intensos e mais frutados que de certa maneira faziam adivinhar a casta no imediato, para agora mostrar-se mais tenso e mineral. Muito boa a frescura com a fruta bem coesa e presente, sem exageros que nunca aqui fizeram a festa. Tenso e com nervo na boca, boa secura no fundo de corpo bem estruturado, tem tudo para evoluir favoravelmente na passada do tempo. Por agora pede pratos de peixe/marisco com bom tempero até porque a estrutura que mostra ter, dá-lhe essa capacidade de embate. 91 pts
29 junho 2013
Dona Berta Reserva Rabigato 2011
Depois de um interregno nas provas dos Vinhos Dona Berta (Douro), voltam ao copo ao mesmo tempo que relembro as longas conversas que tinha com o carismático Hernâni Verdelho, 2011 foi a colheita da despedida ainda supervisionada pelo grande entusiasta da casta Rabigato. O rótulo apresenta-se ligeiramente diferente devido à edição comemorativa do 50º aniversário do Navio-escola Sagres tendo também outro rótulo comemorativo do 75º aniversário do Navio Creoula, o preço ronda os 14€.
O vinho está ainda muito novo, boa frescura embora algo tenso e a mostrar alguma austeridade que só o tempo poderá amaciar por completo. Pareceu-me com menos impacto como era costume em colheitas anteriores. Por agora é momento de fruta (citrino, maçã) fresca e limpa meio envergonhada, toque mineral a marcar o fundo, levemente perfumado com leve toque vegetal. Boca com estrutura firme, guiado por uma acidez que se destaca com toque mineral pelo meio, fruta escorre pelos cantos, secura no ponto final com boa persistência. É um vinho que seguramente vai refinar com alguns anos em garrafa. 91 pts
25 setembro 2011
Dona Berta Grande Escolha 2007
O tempo começa a pedir vinho tinto com um pouco mais de seriedade, aquele tipo de vinho com mais corpo e um pouco mais envolvente, que no Verão não apetece parar para pensar no que temos no copo nem o calor dá azo a que tal aconteça, mas direi que foi com este Grande Escolha e outros tantos vinhos junto de amigos que brindei a chegada do Outono.
Por entre o cheiro a fumeiro na mesa, daquele vindo de Lamego, coisa caseira feita pela família da minha mulher, os vinhos iam desfilando a bom ritmo, primeiro as "brincadeiras" para depois já com a comida a ser servida termos os vinhos certos para acompanhar os respectivos pratos... entretanto já tinha passado pela mesa um Quinta da Lixa Bruto que não me atrevo a descrever e muito menos a comprar, bom registo para um Arinto da Malhadinha a mostrar já a fruta com toque de geleia e a perder o vigor da juventude com que nos brindou no ano passado na altura do lançamento, sem dúvida que é vinho para usufruir assim que é colocado no mercado, deu-se seguimento ainda a um Altas Quintas Branco 2010, branco cheiroso com uma acidez empolgante na boca... a meu ver um pouco abaixo da anterior colheita, questão de gosto nada mais. No plano tinto um pré lançamento da AgriRoncão, o DR 2008 bem feito, algo espigado a precisar de um tempo em garrafa ou que alguém o meta no decanter uma meia hora antes de servir... preço atrativo num vinho que alia rusticidade e modernidade, mais um salto desta vez para um tinto da África do Sul da colheita 2000, vou-lhe dar mais atenção lá mais para a frente. A festa continuava, servido uma massada de bacalhau os vinhos foram tintos com boa acidez e estrutura mediana, o prato assim pedia, mostrou-se melhor o primeiro vinho um Pinot Noir da Quinta de Sant´Ana, muito ao seu estilo um pouco mais carregado do que é normal, mas ligou muito bem e era isso que se pretendia, foi boa a surpresa cheio de fruta muito jovial e com toque de seriedade, a dar vontade de repetir certamente. O outro vinho que se colocou na mesa seria um valente enjoo, pessoalmente não gosto daquele estilo de vinho, ainda me fazem confusão os Pinot Noir super compotados que nascem no Douro, um vinho com tudo amontoado o Olho no Pé Pinot Noir. Já tínhamos deixado de brincadeiras, o arroz de pato estava na mesa (se repararem vou no segundo arroz de pato) até então nem um vinho tinha deixado saudade, aquela marca digna de registo ou motivo de celebração do que quer que fosse...
Abriu-se um Dona Berta Grande Escolha 2007, tenho vindo a seguir este carismático produtor desde os seus primeiros lançamentos, são vinhos que já aqui tive oportunidade de enaltecer mais do que uma vez, o factor Identidade a eles associado fazem com que sejam uma referência obrigatória na minha garrafeira. Nestas coisas dos vinhos, podendo estar melhores ou piores conforme o ano de colheita, nem sempre tudo corre como previsto os anos assim o determinam e o reflexo faz-se logo notar num branco com menor acidez... num tinto menos composto a nível de complexidade, variações que acontecem de forma natural sempre que se deixa falar mais a uva do que a mão do enólogo. Neste caso temos vinhos que arrisco chamar de Terroir, vinhos senhores do seu nariz, elegantes, com uma frescura muito própria daquela zona e com uma vontade muito própria... tudo isso se mostrou neste Grande Escolha 2007, um tinto de enorme categoria, frescura com a barrica em plena harmonia com a fruta de qualidade, ali mora algo de Douro, de rusticidade com travo vegetal mas que depois remete para algo mais arredondado e moderno. Um vinho que mostra uma nova faceta nos vinhos Dona Berta, pessoalmente gostei muito, quem o provou não lhe ficou indiferente e de todas as garrafas penso ter sido a única a ter sido bebida e não provada... é uma Grande Escolha e como tal merece ser procurado e comprado. 93 pts
14 março 2011
Vinhos Dona Berta
Vivemos num mundo cada vez mais igual onde
somos dominados por padrões que imperam na sociedade moderna, fica difícil
contornar tudo isso, a roupa, a música, a comida... A globalização é um
fenómeno que pouco a pouco nos vai consumindo por dentro e por fora, e até
mesmo no mundo dos vinhos as semelhanças são cada vez mais acentuadas entre
vinhos da mesma região ou mesmo de regiões diferentes, a luta diária não de
todos mas de alguns produtores faz com que se deixe de lado o coração e se
pense com a carteira, o vinho industrializou-se e acima de tudo interessa
lançar no mercado um produto formatado ao gosto do consumidor. Com isto
perde-se quase sempre a identidade de um vinho, relegando claramente um
perfil de uma região para apenas mostrar o chamado perfil internacional...
nestes casos embora o vinho até possa ser de muito bom nível, tanto faz ser
produzido cá como noutro ponto do planeta.
Felizmente nos dias que correm ainda há
produtores que lutam contra essa corrente, quais Celtas a lutarem pelas
suas terras, pela sua identidade, tempos idos que nos dias de hoje se
reflectem em produtos como os vinhos Dona Berta,
propriedade do Eng.º Hernani Verdelho, uma figura ímpar do mundo enófilo que
transpira amor pelos seus vinhos e pela sua terra, é ter a oportunidade de
falar com este carismático produtor para saber do que falo. É nos 20 hectares
da Quinta do Carrenho em Freixo de Numão (Douro Superior), que nascem vinhos
distintos, de forte carácter e longa vida pela frente, onde as vinhas velhas
são rainhas e senhoras, num resultado final que deixa livremente mostrar a
região, sem desvirtuar,
sem extracção ou prensagem exageradas, sem madeira que
nunca se vai integrar e sem grau alcoólico disparatado, são no seu
todo vinhos com identidade muito própria mas que acima de tudo respeitam a
terra que os viu nascer.
Afinal de contas é um produtor que não vai
em cantigas ou modas e fruto disso é todo o seu portfólio que nos mostra vinhos
com um carácter muito próprio, talvez aquilo a que se chama muitas vezes de
vinhos de Terroir, que por serem como são não se conseguem repetir em mais
parte nenhuma, apenas ali naquele local. À primeira vista parecem não ser de
fácil abordagem, mas antes pelo contrário conquistam ao primeiro contacto,
apesar de que precisam que se dispense algum tempo com eles no copo para melhor
mostrarem tudo o que têm para nos dar, como as boas amizades que se vão
construindo ao longo dos anos, estes vinhos ganham exactamente com isso... com
os anos, não muitos mas sim os suficientes. Bebam-se logo após serem
colocados no mercado, ou guardem-se algumas garrafas para ir acompanhando a sua
evolução pois são vinhos que com o tempo vão mostrando toda a sua nobreza.
Os brancos são dois, um 100% Rabigato
(Dona Berta Reserva Rabigato Vinhas Velhas) e um vinho de lote feito de uma
Vinha Centenária (Dona Berta Reserva Vinha Centenária), dois brancos onde o que
os une é a frescura de conjunto, o primeiro a mostrar-se pleno de frescura,
destaque para a limpidez do conjunto de aromas e sabores frutados, com maçã
verde, flores e ervas do monte, sempre com um travo herbáceo em fundo mineral.
O topo de gama dos brancos é o Vinha Centenária, onde o lote mostra a sua
complexidade, refinado pela passagem por madeira, este vinho é um salto em
frente em relação ao anterior, fino e refinado pelo amparo da barrica ganhando
por isso também em complexidade, mantendo uma boa dose de frescura.
Nos tintos a escolha aumenta, desde o
Reserva, no seu perfil de fruta limpa e fresca com travos herbáceos bem frescos
a ligarem-se com madeira discreta mas que confere refinamento ao conjunto,
bastante equilibrados e frescos, passagem de boca com alguns taninos a pedirem
tempo de guarda mas que fazem destes vinhos companheiros vocacionados para a
mesa. Destaque para um tinto 100% feito a partir da casta Sousão/Vinhão, o
Reserva Especial, um vinho diferente mas muito curioso, sem ser vinoso ou
carrascão como se poderia esperar de um Vinhão, este mostra-se mais senhorial e
polido no trato, bela complexidade mostrando-se um vinho que agradará a todos,
um pouco mais vegetal que frutado, tem tudo para ser um rei à mesa e é com a
Lampreia que gosta de brilhar.
No seu todo são vinhos com forte pendor
gastronómico, companheiros da boa mesa, de personalidade vincada e que merecem
ser conhecidos e provados por todos os apreciadores de vinho.
texto publicado originalmente na revista Tribuna Douro nº80
texto publicado originalmente na revista Tribuna Douro nº80
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