Copo de 3

28 novembro 2007

Fiuza Premium Branco 2006

Detentora de quatro quintas, todas situadas na zona geográfica do Ribatejo, possui uma área de produção de 120 hectares de vinha, distribuídos pelas zonas de Almeirim, Alcanhões, Romeira e Azambuja.
A família Mascarenhas Fiuza é herdeira de uma tradição secular na Viticultura e na produção de vinhos. Já possuidor de vinhas situadas no Ribatejo, na região demarcada de Santarém, e plantadas com castas exclusivamente portuguesas, nomeadamente Touriga Nacional, Aragonês, Vital, Castelão e Fernão Pires entre outras. Quando adquire a Quinta da Granja, Joaquim Mascarenhas Fiuza decide plantar castas de origem francesa, sendo elas: Cabernet Sauvignon, Merlot, Chardonnay e Sauvignon Blanc. Neste conjunto de vinhas são produzidos vinhos de monocasta francesa e vinhos com castas portuguesas. Da parceria entre Joaquim Mascarenhas Fiuza, produtor de vinhos, e Peter Bright, enólogo australiano, nasce a empresa Fiuza & Bright.

Fiuza Premium Branco 2006 Castas: Sauvignon Blanc e Fernão Pires - Estágio: 8 meses carvalho francês e 3 meses em barrica - 13,5% Vol.

Tonalidade amarelo citrino de leve dourado, concentração média.
Nariz com aroma que desperta a curiosidade, fugindo claramente do que se costuma apanhar nos vinhos nacionais. Remete para citrinos ligeiros, tangerinas e lima, com toque de manga e maracujá bem maduros, leve melaço e uma abertura muito fresca para se envolver no abraço de uma tosta suave e aconchegante. Por momentos temos a sensação de alguma cremosidade, sem grande complexidade, mostra-se um pouco fugaz na maneira como se mostra, em leve mineral de fundo.
Boca com frescura na entrada, fino e elegante, fruta presente com ligeiríssima cremosidade, contudo é um vinho que ao chegar ao alto, desaparece quase dem deixar rasto da sua presença na boca. Como cartão de visita deixa um toque vegetal muito sumido e nada mais que isto, a sensação que deu é de termos acabado de beber um copo de água do luso. Final de boca é como a presença de boca, fraco.

Foram apenas 4500 garrafas deste vinho, uma dupla de castas que não é normal andar de mão dada, talvez por isso tenham pedido o divórcio e o descalabro se dê durante a prova de boca. Se prometia algo de interessante no nariz, na boca deitou tudo por terra. Os 8€ que custou não me fazem voltar a ele novamente.
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27 novembro 2007

Quinta dos Aciprestes Reserva 2003

Desde o ano de 1860 que a "Quinta dos Aciprestes'' é o resultado de uma conglomeração de várias quintas limítrofes. A Quinta original, chamada dos "Cyprestes" foi fundada no séc. XVIII, por D. José de Seabra, um dos Ministros da Rainha D. Maria I, e, depois, propriedade dos seus sucessores, os Viscondes da Baía.
Nos dias de hoje pertence à Real Companhia Velha, a "Quinta dos Aciprestes" estende-se por mais de 2 Km sobre a margem esquerda do Rio Douro, na zona do Tua. Facilmente identificável pelos seus seis Ciprestes, árvores localizadas junto à Casa da Quinta, e pela caracterização paisagística do local, enquadrada por vinhedos dispostos na vertical, destacando-se a ausência dos tradicionais socalcos, fruto dos recentes trabalhos de reconversão das vinhas.
Como resultado dessa recente transformação, 90% das vinhas existentes são plantações recentes e no sistema de vinha ao alto, o que permitiu a mecanização de uma grande parte da propriedade.

Quinta dos Aciprestes Reserva 2003
Castas: Touriga Nacional e Touriga Franca - Estágio: estágio prolongado em barricas de carvalho Francês e Americano - 14% Vol.

Tonalidade ruby escuro de concentração alta.
Nariz a indicar um vinho de boa intensidade e complexidade aromática, sente-se esteva e a fruta bem madura (amoras, cerejas), um toque de rosmaninho e alfazema complementam o conjunto. Em sintonia com a fruta temos uma madeira muito bem integrada, apresentada com frescura de conjunto, balsâmico presente, com baunilha e moka, especiarias, cacau, torrados. Tudo muito bem casado e equilibrado sem cair em exageros ou altas concentrações, antes é fino e elegante com um final de toque terroso/mineral.
Boca com entrada firme, um vinho que se mostra seguro de si, confiante, fino e equilibrado no seu conjunto, com a madeira em grande ligação com a fruta. Tudo bem estruturado e com corpo pleno de harmonia, balanceado pelas especiarias e torrados, pelo cacau e por algum balsâmico. Com toda esta finura no trato, a passagem de boca só pode ser aveludada e com ligeira frescura, final de bela persistência.

Um vinho que pelos 8-9€ que pedem por ele é uma aposta a seguir muito de perto, um valor seguro que merece ser conhecido, bebido em boa companhia e até esquecido durante uns anos na garrafeira. O prazer esse está assegurado.
16,5

Quinta das Baceladas 2003

A Quinta das Baceladas situa-se em pleno coração da Bairrada, na zona de Cantanhede. É nesta quinta com cerca de 5 hectares, que em 1991 foi plantada a tradicional casta da região, a Baga, mas também as inovadoras Merlot e Cabernet Sauvignon. Em 2002 foram plantadas pequenas vinhas de Tinta Roriz e Merlot.
É na Quinta das Baceladas que Pascal Chatonnet e Francisco Antunes, fazem o Quinta das Baceladas, um vinho feito a partir das castas Merlot e Cabernet Sauvignon, mas também uma quantidade limitada de Baga.

Quinta das Baceladas
Castas: Merlot, Cabernet Sauvignon e Baga - Estágio: 12 meses barricas novas carvalho francês - 14,5% Vol.

Tonalidade ruby escuro de concentração média/alta
Nariz com aroma de média intensidade, fruta bem madura com traço de ligeira compota e especiaria. A ligação com a madeira mostra uma qualidade acima da média, baunilha, cacau, caramelo, torrado e toque de tabaco. Temos um conjunto que se mostra delicado e de boa complexidade, lembra por breves momentos outras paragens. No segundo plano temos vegetal presente ainda que num registo mais seco e leve balsâmico, em companhia de uma pequena brisa floral suave, que acaba em mineral e fumo.
Boca de entrada frutada e fresca, bem estruturado e com leve especiaria. A madeira mostra-se presente em grande sintonia com todo o conjunto, cunho torrado com ligeiro vegetal em fundo. Tem elegância desde a entrada ao seu final, num perfil moderado, equilibrado e muito bem feito, dá muito prazer com final de boca de média persistência.

É daqueles vinhos que colheita após colheita consegue sempre dar enorme prazer durante a sua prova, consistente, equilibrado e muito harmonioso. Não vira a cara a um estágio na garrafeira, por ventura vai permitir arredondar e ficar ainda mais apetitoso. Um vinho com um preço a rondar os 8-9€
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26 novembro 2007

Pasmados 2005

A José Maria da Fonseca é o mais antigo produtor de vinhos de mesa e moscatéis em Portugal. A família Soares Franco, proprietária da empresa desde há 170 anos, tem assumido um papel determinante no sector vinícola nacional.
O Pasmados é proveniente duma área limitada que é a Quinta dos Pasmados, uma propriedade com 18 ha. Situados 5 km a Oeste de Azeitão. Era originalmente conhecido por Tinto Velho J.M. da Fonseca e obteve o seu nome actual nos anos existente em Azeitão.

Pasmados 2005
Castas: Touriga Nacional (56%), Syrah (24%) e Castelão (20%) - Estágio: 10 meses carvalho francês - 13,5% Vol.

Tonalidade granada de tonalidade média e média concentração.
Nariz com boa intensidade, fruta madura presente e ligeira frescura, sente-se um vinho jovem cheio de vigor. Directo e de ligeira complexidade, redondeado no seu conjunto, baunilha e compota, tabaco e caramelo, com fumo de fundo. Conjunto final muito bem acomodado e de fácil abordagem.
Boca de boa entrada, estrutura elegante e com frescura bem doseada, fruta madura com cacau, leve mineralidade em fundo. Corpo mediano, de boa harmonia com final de boca de boa persistência.

Conjunto afinado e prazenteiro, dando prazer imediado a quem prova, sem complicar consegue conquistar a quem dele se aproximar. O preço rondou os 5€
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Kopke 2005

Estabelecida em 1638, por Christiano Kopke e seu filho, a casa Kopke é a mais antiga firma de exportação de vinho do porto. Para mais informação recomendo a visita ao site da Kopke.
Fazendo um aparte e chamada de atenção, pois este é mais um vinho onde as informações de interesse tal como castas ou mesmo estágio do vinho em causa, que o consumidor tem sempre interesse em saber, são aqui mais uma vez esquecidas. Curiosamente a destacar uma certa moda de tudo o que é casa de Vinho do Porto começar a lançar vinho de mesa.
Ou seja, é tinto, é Douro e é para beber.

Kopke 2005
13,5% Vol.

Tonalidade ruby escuro de média concentração.
Nariz a revelar aroma jovem e frutado, com destaque para fruta vermelha em ligeira compota. Em conjunto toque de cacau com alguma especiaria, com sensação terrosa no segundo plano.
Boca com boa entrada, sem grande estrutura é bem feito e de alguma elegância. Corpo mediano de complexidade reduzida, fruta e cacau presentes com esteva seca no final de boca em persistência média/baixa.

Não é costume eu centrar atenções nas notas que este ou aquele vinho foi alvo na revista ou guia X, costumo apenas provar e dar a minha nota, independentemente do que o vinho em causa tenha tido nos outros lados. Neste caso, a compra foi feita através da sugestão da nota atribuida em duas revistas da especialidade, nota que indicaria um vinho Muito Bom e a um preço que rondando os 4€ seria então uma excelente compra.
O resultado final é tudo menos um vinho MUITO BOM, é um vinho bem feito mas com tudo aquilo que tantos outros apresentam nos dias que correm. Correcto, bem feito, mas que não deslumbra, falta mais densidade, mais complexidade, mais vinho, para ser considerado um vinho muito bom.
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22 novembro 2007

Conceito Vintage 2005

Certos vinhos são meramente prisioneiros do passado, de memórias, de histórias, vinhos que vivem do que foram mesmo que hoje em dia o que tenham a dizer seja sempre o mesmo. Alguns desses vinhos consegue dar a volta por cima e aparecer novamente com um ar renovado, como se fossem cortar o cabelo e tomar banho, mudam de camisa e até a maneira de pensar muda.
O vinho que agora se apresenta, é uma novidade da autoria da enóloga Rita Marques, é daqueles vinhos que não precisa do passado para se afirmar no presente, é um vinho do presente com um pensamento futuro. Se já tinha lançado um tinto e depois um branco, Conceito branco 2006 que foi alvo de prova aqui no Copo de 3, eis que surge um Conceito Vintage 2005.

Conceito Vintage 2005

Tonalidade a lembrar uma bancada de onix negro, brilhante.
Nariz a mostrar-se imponente e sereno, sente-se um bloco frio, com a fruta bem madura e de bela consistência, dá a sensação de cheirar uma taça cheia de amoras e cerejas bem maduras. Perfumado (violetas) com especiarias bem integradas, erva seca (chá preto), chocolate preto com ligeiro torrado em fundo. Deixa no fundo frescura e uma lembrança de mineral, xisto molhado, tudo em grande finesse de conjunto, afinado e sem imposições deste ou daquele aroma.
Boca é delineada quase por gps, quem prova não tem maneira de se enganar no meio da complexidade que apresenta e de uma estrutura invejável. A fruta passa marca presença num corpo de bela complexidade, frescura e elegância/arredondamento, qualquer semelhança com o Conceito Branco ou Conceito Tinto não é coincidência, é pura realidade pois sente-se aqui um cunho muito pessoal. Especiaria com calda de fruta, chocolate preto, geleia e um final intenso e pleno de finesse. Tudo isto se conjuga com uma consistência e densidade que vai permitir evoluir durante muitos e longos anos.

Um perfil de Vintage que não é muito normal encontrar, ainda bem, mostra-se mais pronto a beber mas com muito tempo para se mostrar. É um conceito que vale a pena conhecer e ter bem guardado.
18,5

20 novembro 2007

Quinta de Foz de Arouce - Vinhas Velhas de Santa Maria 2005

A quinta situa-se junto da foz do rio Arouce, afamada pelo seu passado histórico e vínico, situando-se perto da fronteira entre o Dão e Bairrada. Contando com 14ha de vinha, com 50 anos de idade, plantada em solo xistoso.
Um vinho da autoria do famoso enólogo João Portugal Ramos , que vem de uma parcela que se chama Vinha de Santa Maria e que se apresenta agora com a nova colheita.

Quinta de Foz de Arouce - Vinhas Velhas de Santa Maria 2005
Castas: Baga e Touriga Nacional - Estágio: 14 meses em meias pipas de carvalho francês

Tonalidade granada escuro de média/alta concentração.
Nariz de boa complexidade, fechado/compacto e de pouca exuberância inicial. Fruta negra madura aliada a madeira de grande nível com baunilha, torrado e cacau. Toque especiado com floral (violetas) e vegetal bem presente num segundo plano, em que no fundo um ligeiro balsâmico se mostra algo dominante.
Boca a denotar um vinho muito bem estruturado, ligeiramente em bruto e a indicar que precisa de tempo para se mostrar no seu melhor. Tem toque de frescura, especiarias, fruta madura, tosta, secura vegetal com ligeira adstringência no final, de persistência média.

Um vinho com tempo pela frente, já mostra entrosamento entre Baga e Touriga, num conjunto a mostrar sinais de grande classe. Precisa de tempo em garrafeira para afinar todo o seu conjunto, o preço é elevado com uma produção reduzida.
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16 novembro 2007

Marquês de Borba Reserva 2004

Corria o ano de 1990, quando João Portugal Ramos plantou os primeiros cinco hectares de vinha em Estremoz, onde vive desde 1988, dando início ao seu projecto pessoal.
A primeira vindima realizou-se em 1992 e nos anos que se seguiram o vinho foi elaborado em instalações arrendadas, sendo 1997 o primeiro ano em que foi vinificado nas novas instalações. A construção da adega em Estremoz, no Monte da Caldeira, iniciou-se em 1997, tendo sido ampliada em 2000.
Este nome incontornável do vinho em Portugal, tem como topo de gama no Alentejo o Marquês de Borba Reserva, um vinho que dispensa muitas apresentações face à alta qualidade que apresenta sempre que sai para o mercado. Uma entrada para o mercado com o pé direito com o magnífico Reserva 1997 projectou esta marca muito alto, foi depois lançado um 1999, 2000 e 2003. Em prova temos então o novo Reserva 2004, ainda na fotografia com rótulo provisório que deve estar quase a sair para o mercado.

Marquês de Borba Reserva 2004
Castas: Trincadeira, Aragonês, Alicante Bouschet e Cabernet Sauvignon - Estágio: 12 meses em meias pipas de carvalho francês. - 14% Vol.

Tonalidade granada muito escuro de concentração média/alta
Nariz a mostrar um vinho que se mostra já muito bem, pleno de harmonia com alguma solidez/concentração nos aromas que apresenta, baunilha abraça frutos vermelhos (amora, morango, cereja) muito maduros e de bela presença, mesmo com alguma compota de grande qualidade. Nota-se um trabalho de grande nível entre fruta e madeira como vem sendo apanágio deste vinho. É com algum tempo de copo que se desdobra em aromas que lembram café, couro, cacau e especiarias. No fundo envolvido por alguns torrados, e suave vegetal/balsâmico em final.
Boca com bela estrutura, frescura bem presente num vinho a mostrar arredondamento, finesse de conjunto a dar prazer, fruta presente com compota, especiado, torrados, café e caramelo. Mostra-se com bom equilíbrio de conjunto, corpo de boa complexidade e espacialidade. Tem ligeira secura vegetal no final de boca, que mostra persistência média/alta.

Temos então o regresso de um clássico da planície Alentejana, um vinho que vem marcando cada vez mais um estatuto entre os melhores, o que merece plenamente na minha opinião.
De todas as colheitas já provadas tenho o 1997 como o melhor de todos, seguido de muito perto do 2000 e agora este 2004.
17,5

15 novembro 2007

La Vinya del Vuit 2003

É de Espanha, mais propriamente da zona do Priorato que nos chega este vinho que tem tudo para ser considerado especial. Em primeiro lugar corria o ano de 2000 quando 8 jovens enólogos compraram uma vinha em Gratallops para juntos produzirem um vinho de produção muito limitada, este 2003 foram apenas 2300 garrafas.
Estes 8 jovens enólogos (Sara Pérez, Ester Nin, Nuria Pérez, Montse Mateos, René Barbier Jr, Iban Foix, Julian Basté e Philippe Thevenon) são responsáveis pelos vinhos de algumas das mais prestigiosas adegas do Priorato mas decidiram ter um vinho só deles. E assim nasceu o projecto La Vinya del Vuit, ou a Vinha dos Oito com a colheita de 2001, onde dominam as castas Cariñena e Garnacha.
Em destaque para além do vinho está o rótulo, criado por artistas catalães tem na sua representação o Sexo (Sexe) que se pode reparar no jogo de palavras no rótulo principal onde o 8 faz de X. A criatividade mais uma vez ao dispor do mundo do vinho, e mais ainda quando se repara no contra rótulo onde a alusão aos 8 produtores se faz notar com 4 rapazes e 4 raparigas.

La Vinya del Vui 2003
Castas: Cariñena (90%) e Garnacha (10%) de vinhas com 60-80 anos - Estágio: 20 meses barricas novas carvalho Allier - 13,5% Vol.

Tonalidade ruby muito escuro de concentração média/alta.
Nariz onde se sente um vinho com frescura ao primeiro contacto, com o aroma inicial a fazer lembrar uma bancada de granito molhada. Entra então a fruta muito madura e concentrada, temperada com especiarias e toque de ligeiro licor de cereja presente. Não vacila e mostra-se sólido, com torrado em ligação a chocolate preto e lá no fundo uma ligeira azeitona preta. O fundo mostra-se completo com sensação de moka e ligeiro mineral.
Boca a indicar um vinho de bela estrutura, frescura presente, ligeiramente encorpado e cheio de força, algo explosivo no palato a preencher bem o espaço. Tudo isto com alguma harmonia e complexidade. A fruta marca também presença com alguma compota, especiaria e cacau, lá no fundo o toque de bombom ginja mostra-se em sintonia com toque mineral, com persistência final média/alta.

Sao 2300 garrafas com um preço que ronda os 80€ por garrafa, temos um perfil de vinho que opta por uma solidez de conjunto, mostra corpo cheio de força em vez de um perfil fino e delicado, mas que consegue dentro da sua envergadura ter harmonia.
17,5

14 novembro 2007

Domaine Zind Humbrecht Tokay-Pinot Gris Heimbourg Vendange Tardive 1994

E para terminar este pequeno passeio por terras de França, damos um salto pela Alsácia, onde dominam as castas Sylvaner, Pinot Blanc, Riesling, Muscat d´Alsace, Pinot Gris, Gewurztraminer e Pinot Noir.
Nesta famosa região temos 3 tipos de vinho, o Appelation Alsace Contrôlée que é o vinho base da região e pode incluir todas as castas da zona. Temos depois o Appellation Alsace Grand Cru Contrôlée onde apenas 4 castas ditas 'nobres' fazem parte (Riesling, Muscat, Tokay Pinot Gris e Gewurztraminer), e ainda temos o Appellation Crémant d'Alsace Contôlée. Os vinhos desta região contam ainda com 2 menções complementares, Sélection de Grains Nobles feito a partir de (Riesling, Muscat, Tokay Pinot Gris et Gewurztraminer) atacados por "botrytis cinerea", e ainda a menção Vendanges Tardives (Riesling, Muscat, Tokay Pinot Gris et Gewurztraminer).
Como nota extra convém dizer que Pinot Gris é nome de casta e tokay-pinot gris é nome de vinho, e segundo nova lei a partir de 2007 a menção Tokay foi interdita nestes vinhos.
O vinho em prova é proveniente do Domaine Zind Humbrecht, um dos melhores Domaines da Alsácia, fundado em 1959 conta com 40ha de vinha, distribuida entre Grand Cru a vinhas isoladas que dão o seu nome ao vinho.
Neste caso temos um vinho produzido a partir de uma vinha específica de 4ha (Heimbourg) com uvas Pinot Gris colhidas tardiamente.

Domaine Zind Humbrecht Tokay-Pinot Gris Heimbourg Vendange Tardive 1994
Castas: Pinot Gris - 13,5% Vol.

Tonalidade dourado que lembra latão, bonito e glicérico.
Nariz fresco e cativante, belíssima complexidade e concentração aromática, floral em conjunto com fruta muito presente (citrinos, pêra, pêssego) com presença de alguma calda a dar sensação adocicada, que apesar de presente se mostra com muita elegância. Casca de laranja e limão, canela e cravinho com uma sensação de chá(infusão) com fundo ligeiro mineral e petrolado. Tudo isto em grande ensemblage permite desfrutar de um conjunto de enorme elegância e profundidade.
Boca de entrada muito composta, estrutura de grande arquitectura, preenche a boca no seu todo, guloso, acidez presente a dar uma bela frescura durante toda a passagem de boca. Mostra mais uma vez equilíbrio dos seus componentes, tudo muito bem perfilado e polido, onde tem de estar está. Notas de flores, chá, mineral, fruta passa com alguma calda e um final, se é que o tem, digno dos maiores elogios. No palato ainda se dá a mostrar um toque de frutos torrados com petrolado.

Um vinho claramente de nível mundial, já mostra sinais da passagem do tempo durante a prova, mostra que já teve mais força e mais dinâmica no seu conjunto, são já 13 anos que passaram por ele, apesar de tudo ainda irradia encantos e prazeres. São vinhos assim, partilhados entre amigos, que nos fazem lembrar por que é bom viver.
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Château Le Bon Pasteur 1999

Continuando este mini tour por terras de França, visitamos agora Bordéus, região que dispensa muitos comentários visto a sua notoriedade a nível Mundial.
Entrando em Bordéus, rumamos para Pomerol, uma das mais famosas sub-regiões (appelation) de Bordéus e também a mais pequena de todas, que curiosamente não conta com uma classificação oficial dos seus vinhos. É daqui que saem vinhos como Le Pin ou Pétrus, nomes que que fazem parte dos sonhos de muitos e da realidade de uma minoria.
É aqui que se encontra o Château Le Bon Pasteur, pertencente ao famoso enólogo Michel Rolland, conta com 7ha de Merlot e Cabernet Franc inseridas no Caminho de Santiago de Compostela, a vieira no rótulo apenas o confirma.

Château Le Bon Pasteur 1999
Castas: Merlot (80%) e Cabernet Franc (20%) - Estágio: 18 meses barricas novas - 13,5% Vol.

Tonalidade ruby escuro de concentração média/alta.
Nariz que se apresenta inicialmente algo confuso, o vinho precisa de abrir e ainda mal acordou do seu sono profundo. As sensações que nos transmite vão desde fruta negra muito madura com toque de licor, a chocolate preto, fumados e alguma austeridade com químico presente. Passa o tempo e tudo melhora, o vinho ganha outra vida e tudo aparece mais solto e agradável. Sorvo agradável de baunilha com geleia e muita especiaria sem esmagar o restante, envolto em frescura e finesse, bouquet de grande nível, respira-se qualidade em todos os lados do copo.
Boca com entrada firme e muito bem estruturada, fruta madura com geleia daquela bem feita onde a fruta se mostra de excelente qualidade e o açúcar não domina, fina tosta e aquela sensação de alguma cremosidade do batido de baunilha com café e cacau. Tem espacialidade na boca, ocupa o seu espaço mas com nobreza, tudo muito bem composto e ensaiado, é fino e muito elegante em final de boca que quase não acaba e nos abana com uma frescura muito agradável.

Pensa-se que Compostela vem de Campus Stellae (Campo de Estrelas), e é neste caminho que o Château Le Bon Pasteur está inserido e muito bem, digo eu. Por tudo o que mostrou e pode ainda vir a mostrar é vinho com brilho próprio e que mostra ser alvo de dedicação de quem o faz e merece a mesma dedicação de quem o prova. São vinhos como este e tantos outros, que nos dão grandes lições durante e depois da sua prova, neste caso é como gastar 50€ bem gastos.
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12 novembro 2007

René Engel Grands-Échezeaux Grand Cru 2000

Seguindo em França desta vez vamos fazer um tour até à região da Borgonha, mais propriamente em Côte de Nuits, e especificamente em Vosne-Romanee.
É aqui que fica o Domaine René Engel, que ficou com o nome do seu criador, René Engel nascido em Vosne-Romanée em 8 de Março de 1894. Em 1949 o seu filho Pierre Engel toma o lugar do pai que se retira e conduz o Domaine até 1981, ano em que viria a falecer. O seu pai René ainda iria viver mais 5 anos até 1986. Surge na sucessão um dos quatro filhos de Pierre, Philippe, que viria a tomar conta do Domaine até 2005, ano em que a tragédia se abate sobre ele. A grande preocupação deste senhor do vinho era deixar um herdeiro que continuasse a arte que já vinha de família, o que não chegou a acontecer.
O Domaine tem aproximadamente 7ha de vinha, de onde para este Grands-Echézeaux apenas contribuem 0,5ha com 75 anos aproximadamente.

René Engel Grands-Échézeaux 2000
Castas: Pinot Noir - 13,5% Vol.

Nariz a mostrar-se fechado e a pedir que o deixem respirar para se mostrar convenientemente. Certo é que mostra-se apenas o que a idade lhe permite pois ainda tem muito que dar. Por agora mostra-se com bela densidade aromática, inicialmente mostra-se com couro, algum animal que se vai embora com algum tempo e paciência, dando lugar a fruta madura (ameixa, amora, cassis) com algumas notas fumadas juntamente com toque de musgo. Ligeira brisa especiada passa entre a complexidade que parece esconder algo mais. Leve cacau e fundo mineral. Tudo em grande equilíbrio e finesse, mas sempre em boa complexidade e concentração.
Boca de entrada fina e complexa, vai em crescendo na boca com frescura presente e correcta, um vinho muito bem balanceado nas suas vertentes, harmonia da estrutura que ampara todo o vinho. Num plano aristocrático mostra já algum arredondamento mas diz que tem pernas para durar, já com grande espacialidade tal como profundidade. Em fundo um toque terroso muito subtil mas ao mesmo tempo interessante, num longo final de boca.

Alia concentração a harmonia, algo que merece ser conhecido, e com uma margem de progressão em garrafa muito grande. Frescura sentida em conjunto que marca pela sua diferença e pelo belo conjunto que mostra.
18,5
 
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