Copo de 3

30 junho 2008

Monte da Cal - Vinha de Saturno 2004

Segundo o que se pode ler no site da Dão Sul, a Herdade Monte da Cal é uma propriedade localizada em São Saturnino, perto de Fronteira, encontra-se no norte do Alentejo, com uma área de 100ha. Os solos são fortemente dominados pela argila com xisto à mistura e o clima muito quente no Verão, obriga a que a mão mágica do homem restabeleça o equilíbrio e abra caminho à harmonia e ao equilíbrio da natureza.
É da colheita de 2004 que saiu para o mercado o novo topo de gama deste produtor por terras Alentejanas, baptizado com o nome da vinha que lhe deu origem, a Vinha de Saturno.
Como refere o rótulo, Saturno é o sexto planeta do Sistema Solar e, antes da invenção do telescópio, era o mais distante dos planetas conhecidos. A olho nu não parecia ser luminoso. O primeiro a observar os seus anéis foi Galileu em 1610; porem a baixa resolução do seu telescópio, fizeram-no pensar que se tratava de grandes luas.
É o segundo maior planeta do Sistema Solar, faz parte dos denominados planetas exteriores e o seu nome deriva do deus romano, Saturno.
Considerado como Deus da Agricultura e do Tempo, tem como dia consagrado o Sábado, que no tempo dos romanos seria chamado de dies Saturni, enquanto que os anglo-saxónicos chamavam de Saeterndaeg ou Saterndaeg, que iria derivar para o Saturday dos dias de hoje.
Tal como Saturno e as suas qualidades saturninas, será caracterizado pela escuridão, frio e peso

Monte da Cal - Vinha de Saturno 2004
Castas: Trincadeira, Aragonês, Alicante Bouschet e Baga - Estágio: 12 meses barricas novas de carvalho francês - 14,5%Vol.

Tonalidade ruby muito escura com ligeiro toque glicérico.

Nariz inicialmente de aroma muito contido, qual monólito negro dentro da sua enormidade e frieza. Sensação de algum químico com a sua normal austeridade associada, tinta da china e azeitona preta, que com o passar do tempo se encosta e permite uma brisa fresca que marca presença durante toda a prova. A fruta de elevada qualidade e bem madura, quase como cheirar um punhado de cerejas de São Julião maduras e frescas, onde a compota paira em leve consistência. Vai despertando dentro da sua complexidade, presenteando com ramo de flores e os empireumáticos bem comedidos e já muito bem integrados em todo o conjunto, assentando tudo isto em laje xistosa.

Boca com estrutura muito sólida e compacta, entrando amplo e conquistador. Equilibrado sem devaneios de altas concentrações da moda, aqui pauta um serviço controlado, torrados, tabaco, chocolate preto e o toque mineral a rematar o final com ligeira presença de balsâmico. Passagem de boca ampla mas ao mesmo tempo harmoniosa, com frescura a acompanhar toda a prova, final de boca de bela persistência.

É sem dúvida alguma um peso pesado, a começar pela sua apresentação cuidada, com uma garrafa que pela sua imponência quase que invoca o próprio Saturno.
Uma aposta muito forte da Dão Sul no seu primeiro topo de gama por terras Alentejanas, num vinho que tem o seu toque muito pessoal fugindo um pouco da grande maioria dos vinhos da região. Agora ou daqui a uns anos, um belíssimo vinho que merece ser provado em boa companhia. O preço deverá rondar os 35-40€.
17,5

20 junho 2008

Altas Quintas Reserva 2005

Altas Quintas, um projecto com a sua localização no Parque Natural da Serra de São Mamede, bem perto de Portalegre, com duas quintas situadas a uma altitude que varia entre os 496 e o 770 metros, com um total de 256 hectares onde apenas 48 são de vinha (22 em produção).
A colheita de 2004 ditou o aparecimento dos primeiros vinhos deste produtor, o sucesso seria imediato e em pouco tempo veríamos o surgimento de uma nova gama, os Altas Quintas Crescendo, que funcionam como a entrada de gama para o mundo Altas Quintas.
Tudo isto segue fielmente uma linha bastante cuidada e uma imagem forte e apelativa, são vinhos com brilho próprio e que não deixam ninguém indiferente.
Recentemente o produtor lançou as novas colheitas, surge como novidade uma versão branca na gama Crescendo e o primeiro varietal da casa, que viria em jeito de Mensagem e será apresentado no Copo de 3 a seu devido tempo.
Com o Garrafeira Altas Quintas ainda adormecido, fala-se do seu lançamento para finais do ano, é altura de entrar em cena a nova colheita do Altas Quintas Reserva, colheita 2005, que vem firmar os pergaminhos mostrados pela Reserva 2004, que tão boas indicações deu a quando da sua prova aqui no Copo de 3.

Altas Quintas Reserva 2005
Castas: Aragonez, Trincadeira e Alicante Bouschet - Estágio: 16 meses barricas novas carvalho francês e americano - 14,5% Vol.

Tonalidade granada escuro e bem concentrado.

Nariz revelador de conjunto compacto e com complexidade bem acima da média. Inicialmente somos presenteados com aromas que nos remetem para uma vertente mais vegetal, predominando a sensação de mato (esteva). A fruta madura e bem presente, de bela qualidade mostra-se logo de seguida com notas de ameixa, amora e framboesa, onde a colherada de compota não passa despercebida. A passagem pela madeira apesar de ainda estar um pouco presente mostra já sinais de uma belíssima integração com o restante conjunto, apanágio desta casa que se confirma mais uma vez. As notas de chocolate preto, baunilha, tosta suave, café, complementa-se com vento especiado (canela, pimenta) e ligeiro balsâmico em fundo, sempre gozando de uma elegância muito própria.

Boca a remeter para uma prova que vem complementar as sensações proporcionadas no nariz. Aqui a sensação de frescura é inicial e parceira de um corpo firme e bem assente numa estrutura muito bem definida e de certa forma possante com todo o seu devido esplendor. Com uma espacialidade a fazer-se sentir com a fruta bem madura e bem perceptível, especiaria, tosta, cacau e café ao lado de vegetal agreste e toque de balsâmico ligeiro que desponta no final ao lado de uma frieza mineral, em final de boca de persistência média/alta.

Conhecer a Serra de São Mamede pode em certa maneira ajudar a entender este vinho, por entre a enormidade e respeito óbvio que se tem perante tal cenário, a serenidade que transmite é algo que sabe bem e que deverá ser motivo de procura por aqueles que a procuram. Caminhar por entre um montado, os solos de xisto e toda aquela vegetação tão característica são meio caminho para encontrar a confirmação de um sonho que certo dia alguém teve. O preço ronda os 30€ em garrafeira, e é vinho que certamente será beneficiado com algum tempo de guarda.
17,5

18 junho 2008

Herdade das Barras 2004

A empresa SAPOA (Sociedade Agro-pecuária do Oeste Alentejano, Lda.), fundada em 1994, deve a sua formação e existência à necessidade de uma gestão integrada dos vários ramos de negócios que desenvolve na sua propriedade Herdade das Barras situada no Alentejo, na freguesia de Vila Nova da Baronia, concelho de Alvito. Bem perto de uma das sub-regiões com mais tradição na produção de vinhos no Alentejo, dos seus cerca de 500 hectares foram seleccionados 25 para vinha, onde 21ha são de castas tintas e os restantes 4 de castas brancas.

Herdade das Barras 2004
Castas: Syrah, Alicante Bouschet e Aragonez - Estágio: barricas novas de carvalho americano e francês durante 24 meses com mais 6 meses em garrafa -14,5% Vol.

Tonalidade granada escuro de média/alta concentração.

Nariz com aroma de boa intensidade, revelando-se um conjunto muito interessante e que desperta de imediato a atenção. Fusão de aromas florais com a fruta (ameixa, amora) bem madura e ligeira compota mas não em excesso, afinação bastante apetecível com os empireumáticos derivados madeira por onde passou. As especiarias são o complemento a par de uma essência balsâmica que perdura no final, tudo isto num conjunto bem afinado e de complexidade fina e prazenteira.

Boca de entrada estruturada plena de frescura e harmonia, conquista pelo equilíbrio e presença de boca. Boa concentração de fruta em grande sintonia com a barrica, ligeiro toque vegetal complementa a passagem de boca perdendo-se em especiado e fundo balsâmico suave, de persistência média/alta.

Temos um vinho bastante apetecível, claramente uma aposta segura face à qualidade apresentada durante toda a sua prova. Não caindo em exageros nem tão pouco em esquecimentos, sabe mostrar aquilo que lhe foi ensinado pela mão sábia do enólogo Paulo Laureano. O preço deverá rondar os 15€ num vinho que claramente está para se beber agora como daqui a mais algum tempo.
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Serros da Mina 2005

A empresa SAPOA (Sociedade Agro-pecuária do Oeste Alentejano, Lda.), fundada em 1994, deve a sua formação e existência à necessidade de uma gestão integrada dos vários ramos de negócios que desenvolve na sua propriedade Herdade das Barras situada no Alentejo, na freguesia de Vila Nova da Baronia, concelho de Alvito. Inserida numa das sub-regiões com mais tradição na produção de vinhos no Alentejo, dos seus cerca de 500 hectares foram seleccionados 25 para vinha, onde 21ha são de castas tintas e os restantes 4 de castas brancas.

Serros da Mina 2005
Castas: Aragonez, Trincadeira, Syrah, Alicante Bouschet e Cabernet Sauvignon - Estágio: cubas de inox e barrica durante 12 meses com mais 6 meses em garrafa -14,5% Vol.

Tonalidade granada escuro de concentração média.

Nariz a mostrar um vinho com aroma franco e modesto na complexidade que encerra. Sente-se boa harmonia com fruta (framboesa, amora) bem madura assente em frescura com algum derivado da passagem por madeira a que teve direito, dando um pouco mais de envolvência ao conjunto. Remata com vegetal seco e algum cacau, indo claramente na peugada do seu irmão mais velho.

Boca de entrada prazenteira e de corpo mediano, tal como a presença que mostra durante toda a passagem de boca. Sem grande complexidade, aposta bem mais no prazer imediato, vinho bem feito e muito pronto a beber. Fruta madura entrosada com ligeiro vegetal e arredondamento sentido, em final mediano.

Vinho bastante agradável que se coloca distintamente para um consumo no dia a dia com qualidade presente. O preço andará pelos 5€ o que se revela adequado aos atributos que mostrou durante a prova.
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27 maio 2008

Bafarela 17 2006

Da casa Brites Aguiar, situada em Várzea de Trevões, pequena aldeia do concelho de S. João da Pesqueira, sai este novo Bafarela 17 2006.
São apenas e só 17% Vol. com que este Bafarela 17 2006 se apresenta no mercado, os mesmos 17% que no Alentejo fazem com que um vinho passe para Vinho de Mesa, no Douro continua como D.O.C. tentando mostrar uma região que não mora na sua alma por muito que se queira.
É sim uma alma conservada em álcool massivo e exagerado onde qualquer semelhança com um shot de black vodka é pura coincidência.
Contrariando aquilo que se pretende num vinho, harmonia, classe de trato, que se consiga manter o melhor possível durante toda uma refeição e acima de tudo que apeteça beber e não seja maçador, neste caso acontece exactamente o contrário.
Afinal de contas este vinho para se poder beber, eu direi mesmo «tentar beber», é preciso manter uma temperatura sempre abaixo dos 16ºC (atenua a sensação ardente do álcool) com a certeza que bebido fresquinho até vai, faltando o aviso para que ao levantar da mesa, a sensação é tudo menos boa.
A prova deste vinho teve dois momentos, sempre com destaque para a prova de nariz que com a subida da temperatura é a menos afectada, o mesmo não se pode dizer da prova de boca.
De difícil análise pois poderia pontuar o vinho pelo que mostra, servido a 14ºC ou pelo que se transforma aos 18ºC. Entendo que o vinho se deve avaliar pelo que é durante toda a sua prova, tendo em conta as variações de temperatura e devida evolução no copo, sendo assim resolvi colocar a nota de prova deste vinho que se revela um autêntico Dr. Jekyll and Mr. Hyde:

Bafarela 17 2006
Castas: Touriga Franca, Tinta Roriz e Touriga Nacional - Estágio: cuba de inox - 17% Vol.

Tonalidade muito escura a lembrar um LBV, toque glicérico bem presente.

Nariz onde a fruta (cereja, ameixa, amora) muito madura acomodada em vegetal seco presente se mostra bem presente. Tem uma austeridade (em ligeiro químico) que desafia e é colmatada por um toque guloso que emerge por entre sensações que recordam After Eight. Sente-se o álcool presente em fundo que de certa forma acaba por tirar interesse e encanto à prova.

Boca com entrada enganadora, o que ao principio parece ser um vinho que até apresenta um certo equilíbrio dentro do possível, mal damos conta e desperta a besta negra e torna-se arrasador, levanto tudo à frente e apagando o que de bom se poderia ter encontrado até ao momento. Ficam pelo caminho algumas frutas pisadas que não conseguem transmitir muito mais do que aquilo que nos passou por cima.

Foram feitas 13.333 garrafas cabendo a esta o nº 5653, com o preço a rondar os 10€ num vinho que foge de tudo aquilo que entendo como modelo a seguir. Se por um lado devemos elogiar os vinhos elegantes e harmoniosos, onde o trabalho de madeiras quando é o caso, é bem feito e não tapa a fruta, por outro lado não se deve deixar passar em branco vinhos que tapam a fruta com madeira, ou como é o caso onde o álcool se transforma numa força devastadora a partir do momento em que alguém se esqueceu de refrescar a garrafa.
A nota final reflecte apenas e só, a prova efectuada a 15ºC, com a prova a passar para os 18ºC o vinho seria desclassificado.
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26 maio 2008

Contraste tinto 2006

A enóloga Rita Marques produz vinhos onde acima de tudo, se procura mostrar frescura e fineza do trato, aqui não vamos encontrar o excesso de extracções que tanto anda a marcar muitos dos nossos vinhos actualmente. O somatório da dedicação, empenho e conhecimento desta enóloga, faz com que os seus vinhos sigam uma linha de sucesso, uns atrás dos outros sem que ninguém consiga ficar indiferente à sua qualidade.
Teve a capacidade de chamar a atenção dos consumidores com um Conceito muito especial, talvez a versão branco seja a mais comentada e procurada por parte dos enófilos entusiastas e esclarecidos. A mesma atenção que conseguiu despertar, atinge a plenitude com o Conceito Vintage 2005 onde a finesse e frescura se aliam para resultar num Porto pleno de encantos e recantos onde apetece ficar a pensar por alguns tempos.
São vinhos Durienses, repletos de sensações e de alma limpa que conquistam pela qualidade e diferença que sabem transmitir, pelo reconhecer imediato que se gostou e que se pretende ter mais uns exemplares em casa.
Surge agora no mercado a nova gama de vinhos de nome Contraste, que com o devido mérito e arriscando associar ao significado da palavra, pretende-se distinguir um vinho de outros e do plano de fundo, neste caso da igualdade que se verifica no segmento onde estão inseridos.
É por Contraste que respondem, são a entrada de uma gama muito cuidada e que nesta altura conta com versão branco 2007 e versão tinto 2006 aqui em prova:

Contraste tinto 2006
Castas: Mistura de castas tradicionais - Estágio: 70% em barricas de 3ºano de carvalho francês - 14% Vol.

Tonalidade ruby muito escuro de concentração média/alta.

Nariz que desperta ao primeiro contacto uma enorme sensação de fruta madura de grande qualidade, onde se destaca claramente a presença de cereja e frutos do bosque um pouco mais recatados. Concentração média, com ligeiro toque de geleia e frescura, em segundo plano desenvolve um vegetal (esteva, urze) que brinca com uma pequena dose de austeridade que parece querer-se mostrar, em fundo de ligeira especiaria (cravinho). Muito equilibrado e cordial na maneira como se mostra, não se intimida com a passagem do tempo nem com o aumento de temperatura.

Boca de entrada fresca com corpo de estrutura média, tem ligeira secura presente ao lado da frescura e presença da fruta madura. É um vinho com presença, educado para mostrar e quem bem que mostra, aquilo que tem para dar. Não corramos a ilusão de estar perante um vinho de topo, não o é, mas dá uma prova integra e bastante coesa, companheiro da mesa. Divaga por entre uma ligeira secura vegetal e o refinamento especiado com que se despede, em boa persistência.

É um vinho que se aguenta muito bem com a passagem do tempo no copo, mesmo com a temperatura podendo variar o vinho não mostra sinais de quebra. Transmite a essência da fruta madura, conseguindo transmitir algo mais que um simples vinho não consegue. Provado às cegas não se acanhou perante um Coelho Estufado, um vinho que complementa muito bem a mesa e a conversa. O preço ronda os 8,5€ numa boa garrafeira.
16

25 maio 2008

Contraste branco 2007

A enóloga Rita Marques produz vinhos onde acima de tudo, se procura mostrar a frescura e fineza do trato, aqui não vamos encontrar o excesso de extracções que tanto anda a marcar muitos dos nossos vinhos actualmente. O somatório da dedicação, empenho e conhecimento desta enóloga, faz com que os seus vinhos sigam uma linha de sucesso, uns atrás dos outros sem que ninguém consiga ficar indiferente à sua qualidade.
Teve a capacidade de chamar a atenção dos consumidores com um Conceito muito especial, talvez a versão branco seja a mais comentada e procurada por parte dos enófilos entusiastas e esclarecidos. A mesma atenção que conseguiu despertar, atinge a plenitude com o Conceito Vintage 2005 onde a finesse e frescura se aliam para resultar num Porto pleno de encantos e recantos onde apetece ficar a pensar por alguns tempos.
São vinhos Durienses, repletos de sensações e de alma limpa que conquistam pela qualidade e diferença que sabem transmitir, pelo reconhecer imediato que se gostou e que se pretende ter mais uns exemplares em casa.
Surge agora no mercado a nova gama de vinhos de nome Contraste, que com o devido mérito e arriscando associar ao significado da palavra, pretende-se distinguir um vinho de outros e do plano de fundo, neste caso da igualdade que se verifica no segmento onde estão inseridos.
É por Contraste que respondem, são a entrada de uma gama muito cuidada e que nesta altura conta com versão tinto e versão branco aqui em prova:

Contraste branco 2007
Castas: Códega, Rabigato - Estágio: 20% em barricas novas e 80% em cuba de inox. - 13,5% Vol.


Tonalidade amarelo citrino de nuance esverdeada e concentração mediana.

Nariz de boa intensidade, aromas limpos com a fruta madura a dominar o primeiro contacto onde o destaque vai para citrinos, e toque tropical (banana, ananás). Conjunto pleno de frescura, afinado e bastante prazenteiro na prova de nariz, sem saturar o que é um sinal bastante positivo.
Um ligeiro toque vegetal/floral surge em segundo plano, complementando um pouco mais o conjunto, com toque mineral em fundo.

Boca com entrada fresca e a mostrar uma estrutura muito bem equilibrada, na boca é fino com a acidez muito bem instalada a ser fio condutor durante toda a passagem de boca. A fruta está bem presente, bem doseada e respondendo à prova de nariz, tal como o toque vegetal que se mostra em conjunto com mineral de fundo e uma boa persistência final.

Um vinho que corresponde ao pretendido pela enóloga, tem frescura e finesse, mostra o carácter nobre da região que o viu nascer. Um vinho que cativa, convence e apetece. O preço ronda os 8,5€ numa boa garrafeira, que mostra acerto e boa relação preço/qualidade.
15,5

24 maio 2008

E vão 3...

Foi no passado dia 20 de Maio, que o Copo de 3 comemorou o seu terceiro aniversário.
Mais um ano cheio de trabalho, cheio de provas, cheio de aromas e sabores... um nível de responsabilidade que aumenta cada vez mais, e com mais desafios e novas metas a atingir.

O Copo de 3 superou recentemente as 175.000 visitas, tendo mostrado um aumento de 5.000 entradas relativamente ao segundo ano de actividade, indicador de um bom trabalho desenvolvido e de alguma visibilidade que se conquistou junto das pessoas que gostam e procuram informação sobre vinhos.

A seu tempo irá atingir-se as 200.000 visitas e começa-se a perspectivar maneira de o comemorar, a seu termo as novidades serão aqui colocadas.

Este terceiro ano continua segundo as mesmas orientações ao nível da prova que foram definidas inicialmente, tal como as opiniões livres e sem qualquer preconceito ou factor inibidor das mesmas.
O nível qualitativo de alguns vinhos provados tem vindo a subir consideravelmente, tal como o número de vinhos provados, que já ultrapassa os 500 com as devidas notas de prova.
Irei continuar a ter em conta a divulgação de vinhos o mais ampla possível, dentro dos vinhos presentes no mercado, pois nem todo o consumidor tem possibilidades de chegar aos topo de gama.

Pelo segundo ano consecutivo o Copo de 3 organizou o evento vínico Vinum Callipole, um ano em que contou mais uma vez com alguns dos melhores produtores a nível nacional e onde o interesse por parte do público despertou, contribuindo para um maior número de visitas.
Com nota de destaque para o apoio prestado pela marca Schott Zwiesel ao Copo de 3.

O Copo de 3 foi também convidado a participar no 4º Concurso de Vinhos Engarrafados do Alentejo.

Com tudo isto quero agradecer aos meus amigos, a todas as pessoas que me têm acompanhado e partilham esta minha paixão, às pessoas que visitam o Copo de 3, às pessoas com quem falo regularmente e troco impressões, dando força para continuar e olhar sempre em frente.
Um destaque especial para a minha família, e para a minha cara metade que tanto apoio e inspiração me tem dado, ao longo destes anos de Copo de 3.

O Copo de 3 está para durar, porque o vinho merece e vocês também.

Obrigado.
João de Carvalho

18 maio 2008

Marques de Casa Concha Cabernet Sauvignon 2004

A história remonta ao ano de 1883 quando Don Melchor Concha y Toro, um distinto advogado chileno, decide apostar na zona do Valle del Maipo para a produção de vinho. Tanto as castas escolhidas como o enólogo seriam de proveniência Francesa e volvidos todos estes anos, actualmente a casa Concha y Toro é apenas e só a principal exportadora de vinhos de toda a América Latina e uma das marcas mais importantes a nível mundial com a marca Casillero del Diablo a afirmar-se como um dos vinhos mais vendidos no mundo.
Se por um lado a quantidade de vinho produzido é de assinalar, temos de destacar a qualidade que intrinsecamente fica ligada a essa mesma quantidade, resultando em vinhos com grande relação preço/qualidade que se destacam num mercado global cada vez mais saturado e exigente.

É no Valle del Maipo, a mais famosa região produtora de vinhos do Chile, e mais precisamente na D.O. de Puente Alto, onde as vinhas beneficiam das águas ricas em oxigénio e minerais provenientes do degelo da cordilheira dos Andes, que nos chega o vinho em prova.
Puente Alto é reconhecido como um local privilegiado para a produção de Cabernet Sauvignon, é aqui que estão os 85ha de vinha que dão origem a um ícone resultante da parceria entre a casa Concha y Toro e os Barons de Rothschild, de nome Almaviva.
É também em Puente Alto que a Casa Concha y Toro, exclusivamente a partir da casta Cabernet Sauvignon, produz este Marques de Casa Concha agora em prova, um vinho em que a vindima ocorreu entre os dias 6 e 28 de Abril de 2004.

Marques de Casa Concha Cabernet Sauvignon 2004
Castas: 100% Cabernet Sauvignon - Estágio: 18 meses em carvalho francês (35% novas e 65% de segundo ano) e 2 meses em garrafa - 14,5% Vol.


Tonalidade ruby escuro de concentração média/alta.

Nariz que informa ao primeiro contacto que estamos presente um Cabernet Sauvignon de bela qualidade e muito bem trabalhado. Qualquer semelhança com o que por norma se encontra como made in Portugal é puro engano (salvo uma ou outra excepção). Neste belo vinho convém destacar a fruta negra bem madura na vertente das amoras e das cerejas, um toque de vegetal seco deambula por todo o copo, com boa dose de frescura sempre sentida a acompanhar os calmos e prazenteiros derivados da madeira ( baunilha, especiaria, tabaco, ligeira tosta com nuance de fumo em fundo) a resultar num todo com boa complexidade e harmonia .

Boca com entrada a revelar um vinho muito bem estruturado, coeso e onde a acidez é suficiente para dar a frescura mais que suficiente durante toda a passagem de boca. Complementa a prova de nariz com a fruta madura bem presente, ligeira secura vegetal que acomoda com o toque de cacau, tosta e especiaria. Cativa com a sua boa espacialidade, e final de boca de persistência média/alta.

Poucos têm sido os vinhos extremes desta casta que me têm conseguido cativar dentro de portas (produzidos em Portugal), motivo de sobra que me leva a interessar pelo que se faz com qualidade lá por fora. Este é mais um belo exemplo de um extreme Cabernet Sauvignon que me encheu as medidas, uma relação preço/qualidade muito boa para os 12€ que custa e tendo em conta a prova que dá e a apetência para ser guardado por uns bons anos. Porque o Cabernet não tem de ser refém do pimento...
16,5

17 maio 2008

Guarda Rios 2006

O guarda-rios-comum, guarda-rios-europeu, martim-pescador ou pica-peixe (Alcedo atthis) tem uma larga distribuição em toda Eurásia e África.
Os guarda-rios são aves de pequeno a médio porte (10 a 46 cm de comprimento), de plumagem colorida e pescoço curto, com cabeça relativamente grande em relação ao corpo e um bico longo e robusto. As asas são arredondadas e a cauda é curta na maioria das espécies. As patas são pequenas e sindáctilas com os dedos frontais fundidos. No adulto, o bico e as patas são bastante coloridos, normalmente em tons de encarnado, laranja ou amarelo. A plumagem é exuberante com frequência de cores azuis ou verdes, vive principalmente ao longo de corpos de água.
O IUCN lista 24 espécies de guarda-rios como vulneráveis ou em perigo e não ocorreu nenhuma extinção recente dentro do grupo. Estas aves são no entanto ameaçadas pela redução de habitat, poluição dos rios e envenenamentos por pesticidas.

Surge então um novo e promissor projecto em Vila Chã de Ourique, Vale d´Algares, inserido na Região Ribatejo e Sub-Região do Cartaxo, contando com uma área de 31ha, distribuidos por duas quintas (Vale d´Algares e Quinta da Faia).
No ano de 2003/2004 plantou-se a vinha, com a construção da adega a começar em 2004 e com a primeira vindima a ser realizada em 2006.
Da gama deste produtor faz parte um branco 100% Viognier que ostenta o nome da casa tal como um Colheita Tardia que vale a pena seguir bem de perto, sendo que em prova de momento está o tinto da gama premium que dá pelo nome de Guarda Rios, existindo também na versão branco e rosé.

Guarda Rios 2006
Castas: Syrah (50%), Touriga Nacional (20%), Aragonês (15%), Merlot (15%) - Estágio: 9 meses barrica novas carvalho francês mais 6 meses em garrafa - 14% Vol.

Tonalidade ruby escuro de concentração média/alta.

Nariz com aroma de intensidade média, vacilante entre o vegetal e os derivados da madeira por onde passou, com frescura a servir de pedra basilar de todo o conjunto. Fruta vermelha muito madura com ligeira compota presente, cacau, especiarias e torrados marcam presença, abrindo com tempo para aromas balsâmicos ligeiros e toque de manjerona.

Boca de entrada bem fresca, com estrutura mediana, vegetal e madeira de fundo a contrabalançar com todo o restante conjunto. A fruta vermelha com o toque de compota aparece novamente, banhada por especiarias. Taninos algo soltos num vinho que tem espacialidade média, correcto e bem feito, com final de boca de persistência mediana.

Um vinho que se confirma como uma bela entrada no mercado por parte deste novo produtor. A qualidade está presente, bem acima da média para o que a região nos acostumou apesar de se enquadrar dentro do perfil de tantos outros que podemos encontrar na mesma fasquia de preço. Preço a situar-se na volta dos 12€ num vinho que vai ainda afinar um pouco mais em cave.
15,5

16 maio 2008

Terra do Zambujeiro 2004

Depois de aqui se ter provado o Terra do Zambujeiro 2003, e continuando a contemplar a Serra d´Ossa ali tão longe e ao mesmo tempo tão perto, é altura de se provar mais um vinho da Quinta do Zambujeiro. O escolhido desta vez foi o Terra do Zambujeiro com a sua mais recente colheita no mercado, 2004.
O seu lote teve uma ligeira alteração, perdendo algum protagonismo a Aragonez e um pouco também de parte da Trincadeira, resultante um lote mais equilibrado e sem domínios aparentes. Em terras Alentejanas o ano 2004 foi caracterizado pela brevidade das chuvas de inverno que fez com que os tratamentos da vinha fossem em menor número que em anos anteriores, em contrapartida as altas temperaturas sentidas na altura das maturações e com ausência de chuva, fez com que as uvas no geral atingissem um patamar de qualidade superior.

Terra do Zambujeiro 2004
Castas: 26 % Aragonez, 25% Castelão, 23% Trincadeira, 17% Cabernet Sauvignon, 9% Alicante Bouschet - Estágio: 24 meses em barricas Carvalho Francês 55% novas - 15% Vol.

Tonalidade ruby muito escuro de concentração média/alta.

Nariz a mostrar um vinho ainda algo fechado mas desde já a mostrar uma bela complexidade, dando profundidade de aromas, ligeiro toque de austeridade que se desvanece com algum tempo de copo. É um acordar lento, cheio de energia e com boa intensidade, Alentejano raçudo com boa extracção sentida da fruta vermelha que apresenta, vegetal com contornos balsâmicos que se desvanece perante toda uma panóplia de cacaus, baunilha, tosta e alguma moka. Não é novidade nenhuma que o trabalho com barricas é notável, que dando um grande envolvimento aos vinhos sem que a madeira rapte a fruta por completo, resulta portanto, um conjunto muito equilibrado e pleno de harmonia entre fruta e empireumáticos. Tem muito tempo ainda pela frente, com as especiarias a despedirem-se com vontade de novo encontro.

Boca com entrada bem estruturada, amplo e com bela presença de boca, alguns taninos por domar a darem sinais de precisar tempo em garrafa. A fruta madura marca também ela presença, com o bom envolvimento da madeira a começar fazer-se sentir. Complementa toda a sua passagem de boca com frescura suficiente e muito agradável, que percorre todo o palato. A elegância que já mostrar vai ser ainda maior quando a harmonia do seu todo se completar. Um vinho com presença e saber estar, perigosamente apetecível e com um final de boca de bela persistência final.

Bem mais contido do que a colheita de 2003, mostra-se ainda um pouco encerrado no que tem para mostrar. É mais algum tempo que precisa, e para melhor apreciar todo o seu esplendor convém fazer-lhe a vontade.
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Terra do Zambujeiro 2003

Entre o deslumbramento e cegueira que causam os topos de gama aos olhos do apreciador de vinhos, por outro lado as atenções recaem naqueles que por um motivo ou outro são os vinhos entrada de gama de um produtor.
No meio de ambas as decisões ficam os vinhos de gama média ou gama média/alta que muitas vezes ficam esquecidos sem que o mereçam. Uma pessoa que tenha dinheiro suficiente compra o topo de gama que sempre será motivo e alvo de cobiça, uma pessoa que não tenha tanto dinheiro compra o entrada de gama, como sempre fica no limbo o vinho intermédio, que em alguns casos de intermédio tem pouco face à qualidade apresentada.
Curiosamente é em alguns dos vinhos de gama intermédia que se situam as grandes relações preço/qualidade do mercado, seja nos brancos como nos tintos.
O vinho intermédio da Quinta do Zambujeiro, ali bem perto de Santiago Rio de Moinhos (Borba) dá pelo nome de Terra do Zambujeiro, e em prova a colheita de 2003.

Terra do Zambujeiro 2003
Castas: 50% Aragonez, 33% Trincadeira, 8% Periquita, 6% Alicante Bouschet, 3% Touriga Nacional - Estágio: 24 meses barricas de Carvalho Francês 65% novo - 15% Vol.

Tonalidade ruby escuro de concentração média/alta.

Nariz a mostrar uma boa concentração e intensidade de aromas. Fruta vermelha bem madura, com compota de grande qualidade a dar um ligeiro toque de gulodice ao vinho, que se esbate em toque floral que desponta ao ritmo das voltas que vai dando no copo. Frescura sentida com a madeira mais uma vez em grande harmonia derivando de um belo trabalho de barricas que parece ser regra nesta casa. O resultado é um vinho de complexidade média com um bouquet presente e conquistador, sem grandes excessos, com toques de baunilha, cacau, caramelo de leite e especiarias tudo muito harmonioso, com reminiscência balsâmica (eucalipto) em fundo.

Boca com entrada fresca e de estrutura sólida e consistente, entrada conquistadora com fruta madura em sintonia com os derivados da estadia de 2 anos em madeira. Dá muito bem conta de si mostrando garra e força, os seus 15% estão muito bem integrados e o problema é que não se notam minimamente durante a prova. A passagem de boca é harmoniosa e elegante, taninos bem comportados e um ligeiro toque de hortelã pimenta a mostrar-se no final, de persistência média/alta.

Não oferecendo toda a complexidade nem toda a riqueza de um Zambujeiro, consegue como seria de esperar, mostrar mais corpo e mais complexidade que o Monte do Castanheiro. Desta maneira entende-se e muito bem, o papel de um vinho de gama intermédia, e que neste caso mostra o que é uma gama de vinhos plena de harmonia desde o vinho mais simples ao mais complexo. O preço ronda os 20€.
16,5
 
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