Copo de 3

24 junho 2010

Pico Madama 2006

De uma parceria resultante entre Bodegas Casa de la Ermita e Guy Anderson Wines, surge o super premium Pico Madama, nascido e criado no parque nacional El Carche. Desde a sua primeira colheita que este vinho tem sido bafejado por boas notas da crítica internacional, revelador de consistência e qualidade, aliando a tudo isto um preço que o torna irrecusável nos tempos que correm, é verdade, as cerca de 40.000 garrafas que são colocadas no mercado são vendidas a um preço que ronda os 10-14€. A evolução em garrafa promete ser boa, mostra taninos e acidez suficiente para tal, e apesar de tudo a prova que dá desde já faz com que seja quase irresistível conseguir guardar alguma.

Pico Madama 2006
Castas: 50% Monastrell e 50% Petit Verdot - Estágio: Monastrell 13 meses em Carvalho Francês e Petit Verdot 13 meses em Carvalho Francês - 14% Vol.

Tonalidade granada escuro de concentração média/alta.

Nariz de refinado bouquet que vai evoluindo com o tempo no copo, inicialmente com muita fruta (amora, framboesa, figo) madura, muito limpa e bem fresca, acompanhada por aroma de tosta, especiarias diversas, ervas do campo (lavanda, alfazema), tabaco de enrolar, chocolate after-eight e mina de lápis em plano de fundo. Muita harmonia num todo que apesar de todos os encantos ainda se sente algo preso, a precisar de tempo pois claro.

Boca com muito que contar, de entrada prazenteira, fresca e bem estruturada com uma boa espacialidade, cheio, amplo, novamente fresco, notas de bálsamo vegetal com toque morno de chocolate de leite, especiaria e fruto negro, muito fruto negro que se trinca e deita sumo doce, tabaco e fundo mineral, num todo profundo e complexo, sabe bem e com passagem muito harmoniosa... que apetece voltar a beber. No fundo alguma secura, taninos a pedir cama, tudo num final com uma bela persistência, pois para beber agora ou esperar mais um tempo... ganhamos nós e ele.

É difícil não se gostar deste vinho, ficar-se a pedir mais é o mais natural... nem que tenham de vir de fora mas arranja-me mais umas se fazes favor. É assim que acaba o jantar com mais uma das garrafas que me couberam deste vinho...vai na segunda e sempre agradou e encantou. Amigo da mesa, amigo dos amigos e amigo da carteira, quando se sabe o preço é a festa completa, afinal o muito bom pode ser barato e dar 14€ por um vinho assim compensa muito. Por cá tudo na mesma, reparei numa revista que foi lançado mais um vinho xpto a 50€ a garrafa...
17 - 93 pts

Bodegas Benjamín de Rothschild & Vega Sicilia

É a joint venture do momento e dá pelo nome de Bodegas Benjamín de Rothschild & Vega Sicilia.
Benjamin de Rothschild, accionista do Château Lafite, juntou-se às Bodegas Vega Sicilia para que em conjunto produzam um vinho de alta qualidade (terá um irmão mais pequeno) que entrará no mercado em 2012. O palco é a Rioja Alavesa, e o projecto já vinha sendo pensado faz 7 anos, tempo durante o qual se foram adquirindo em várias etapas, 40 no total, um total de 110 ha de vinha. Desde 2009 que contam já com uma adega alugada na qual se vão realizando alguns ensaios enológicos com objectivo de lançar o novo vinho em 2012, ano em que a nova adega estará pronta.
Com um investimento total de 26 milhoes de euros, para um prazo de 14 anos para se atingir como objectivo o melhor vinho possível, numa adega em que como será de esperar tudo seja do melhor. A convicção de que o resultado será brilhante vem das duas partes envolvidas, sendo que até aos dias de hoje já foram vinificados cerca de 120.000 kg de uva, produção que se irá repetir em 2010 e 2011 e seguirá crescendo até a qualidade atingir o ponto pretendido. Estima-se que sejam produzidas cerca de 300.000 garrafas por colheita.
Para notícia completa, ver aqui.

20 junho 2010

Ázeo Reserva branco 2008

Certos vinhos são tão interessantes que dispensam sempre qualquer tipo de apresentação, afinal de contas podemos dispensar escrever algumas palavras que apenas servem para encher e que se podem muito bem ir ler ao site do produtor. Desta maneira quem procura informação fica a conhecer não só o historial do dito produtor como também outros vinhos que ele produz, a história da quinta entre muitas outras coisas. Este é daqueles exemplos que não merece mais palavras que nos possam distrair do que mais interessa, a sua nota de prova:

Ázeo Reserva branco 2008
Castas: Vinhas Velhas e Viosinho - Estágio: passagem por madeira - 13,5% Vol.

Tonalidade amarelo citrino de concentração mediana.

Nariz fresco com toque de leve apetrolado, coeso e a mostrar uma muito boa presença mineral, algum vegetal e floral com fruta (citrino, tropical) bem madura e muita qualidade neste bouquet de delicada complexidade. A madeira aqui novamente muito bem, quase não se dá por ela, faz o papel que tem de fazer e confere aquele bafo que não chega a ser morno em segundo plano, uma leve tosta que lhe confere uma subtil cremosidade. Novamente é a frescura e aquele travo mineralidade que lhe toma as rédeas, com alguma especiaria pelo meio.

Boca de entrada bem fresca e com boa espacialidade, sintonia com a prova de nariz, presença de fruta e tosta num conjunto muito bem afinado e harmonioso no seu todo, com bela profundidade, acidez cítrica com fundo envolto em bela dose de mineralidade, em final longo e com boa persistência. Cheio e vigoroso, num todo muito agarrado à terra, ao terroir, às vinhas velhas que contribuíram para o seu nascimento.

É um Ázeo mais coeso, mais pleno de encantos e delicada harmonia mostrando-se um pouco mais sério dando a noção de que ainda se encontra em fase ascendente. A madeira um pouco mais presente, não muito e a fruta um pouco menos fresca mas mais sumarenta e uma complexidade que se mostra um pouco mais rica. Um belíssimo branco do Douro, muito sério e muito virado para a mesa. A produção não me parece ser muito grande e deve rondar as 2.000 garrafas com um preço que ficará a rondar os 18€.
17 - 93 pts

17 junho 2010

Ázeo branco 2009

Com o nascimento do Pedro Dinis, o tempo que dedicava ao Copo de 3 foi sendo cada vez mais reduzido, agora que as coisas estão mais serenas é tempo de voltar à actividade, voltar novamente a falar sobre aqueles vinhos que me vão chegando ao copo e que mais me chamam a atenção, tenho muita coisa de que falar e o tempo começa a ser pouco. O Verão está à porta, dia 21 mais precisamente, e começa a ser tempo para encostar os vinhos mais estruturados e procurar os vinhos mais leves, frutados e frescos. Falando em brancos com frescura/acidez, um dos que mais prazer me deu a provar nos tempos mais recentes, foi sem dúvida alguma o Ázeo branco 2009 (Douro), que agora aqui coloco em prova, um vinho da responsabilidade do enólogo e produtor João Brito e Cunha, que no seu projecto pessoal produz a gama Ázeo (bago de uva em latim). Um vinho feito com Viosinho e uvas de vinhas velhas onde predominam o Rabigato e Gouveio, provenientes de vinhas a 450m-500m de altitude na região de Alijó, Sabrosa e Porrais.

Ázeo branco 2009
Castas: Viosinho e outras - Estágio: teve passagem por madeira - n/d % Vol.

Tonalidade amarelo citrino de concentração média/baixa.

Nariz muito limpo, fresco e delicado, a delicadeza e frescura são mesmo o que mais marca este vinho, elegante, puro, ao mesmo tempo discreto e mineral, a fruta tem boa presença com citrinos, tropical, fruta de polpa branca com floral e uma leve calda com toques fumados, resultante da passagem que teve por madeira e que ampara harmoniosamente todo o conjunto.

Boca de entrada bem fresca, harmonia da fruta que se sente madura de boa qualidade e concentração, com uma acidez firme e refrescante, direi dominante ao lado do toque mineral. Tem uma boa presença na boca, boa dose de secura, muito limpo e com boa persistência, a madeira sente-se muito ténue, totalmente dispersa no espírito fresco que este vinho transmite.

Um vinho que se pode arranjar com um preço bem convidativo que ronda os 8€ numa boa garrafeira, um motivo mais que obrigatório para se ter este vinho por casa nos tempos de calor intenso. É certamente dos brancos que nos últimos tempos mais prazer me deu à mesa, belíssima dose de frescura, mineralidade, identidade e um polivalente amigo dos bichos do mar que foi bebido a acompanhar um arroz de polvo. 16,5 - 91 pts

08 junho 2010

Casa de la Ermita

A Casa de la Ermita (Espanha) nasce em 1999 a partir do projecto de uma família ligada desde sempre à agricultura. Situada em El Carche, serra com uma das montanhas mais altas de toda a região de Múrcia, faz também parte de um Parque Regional Protegido. Como símbolo para o projecto foi escolhida uma oliveira centenária que se encontra à entrada da adega, esta fonte de inspiração que une a tradição da agricultura de Jumilla com a moderna tecnologia utilizada na adega do produtor.

Jumilla é uma terra de sol e pouca chuva, os seus solos são rochosos e áridos, onde crescem vigorosas cepas, sendo a alma da região sem dúvida alguma a uva Monastrell, dominando cerca de 85% do vinhedo de Jumilla e a terceira mais plantada em toda a Espanha. Nesta DO os brancos são dominados pelas castas Airen e mais recentemente pela Macabeo, resultando em vinhos leves, boa dose de fruta, muito limpos, frescos e bem balanceados, em que a presença do Mediterrâneo faz-se sentir. Nos vinhos rosé temos a Monastrell, e nos tintos também domina a Monastrell complementada por outras castas como Merlot, Syrah, Cabernet-Sauvignon e Cencibel (Tempranillo). A área total de vinha na Casa de la Ermita ronda os 182 ha, dominando a Monastrell com 58,5 ha e como curiosidade na parcela experimental de 32 ha consta a Touriga Nacional.

A adega que funciona por gravidade, fica rodeada pelos vinhedos a mais de 700 metros de altitude, onde flora e fauna convivem livremente, contando com uma cave para 4.200 barricas de 225 litros. Os vinhos deste produtor que tive oportunidade de provar em prova horizontal revelaram acima de tudo uma boa relação preço/qualidade, com alguns exemplares a merecerem uma aposta quase obrigatória para um consumo diário ou mesmo para guarda a médio termo. São na sua essência vinhos frescos, onde a fruta mostra sempre um lado limpo e maduro sem nunca deixar de lado qualquer identidade mascarada por artifícios que pouco ou nada fazem falta e que na sua essência mostra um certo ar Mediterrânico.



Lista de vinhos provados com uns breves apontamentos (notas individuais a sair em breve):

Casa de la Ermita Branco (Viognier) 2008: Conjunto com boa intensidade, tudo muito arrumado e limpo, pêssego, alperce, pêra e ananás com toque melado/calda a dar leve sensação de untuosidade, floral e mineral. Na boca tem leve frescura e menos presença que no nariz, apesar da boa delicadeza e finura do trato. 88/100

Casa de la Ermita Joven Monastrell/Syrah 2008: Feito em exclusivo para a exportação, muito primário nos aromas, simples e directo, as castas envolvem-se e o resultado é um vinho de corpo delgado mas não franzino, com fruta adocicada, pimenta e alguma aspereza vegetal, num todo ligeiramente fresco. Um vinho que vai bem com carnes grelhadas e sardinhas. 85/100

Casa de la Ermita Monastrell Ecológico Crianza 2006: Diferente, assente em toques gulosos e frescos, muita fruta e muita harmonia, acaba por ser um vinho simpático e de fácil agrado. Perfeito para acompanhar as refeições do dia a dia. 88/100

Casa de la Ermita Petit Verdot 2005: Um dos melhores exemplares da casta em solo Espanhol, fruta fresca e madura, boa exuberância com algum exotismo num travo verdot com pimenta verde e bálsamo vegetal, leve envolvência de conjunto com boca de boa amplitude, frescura e taninos a darem corpo ao manifesto. 91/100

Casa de la Ermita Reserva 2004: Abre com tempo no copo, coeso e a mostrar uma boa complexidade, com madeira a dar muita coisa boa embrulhada na frescura da fruta preta e alguma compota. Amplo e bem estruturado, digamos que está no ponto, madeira e fruta em bom nível de entendimento, bálsamo vegetal, chocolate preto, frescura e um belo final. 91/100

Pico Madama 2006
: Um belíssimo vinho, estruturado e rico, pleno de harmonia com força de conjunto apoiado em boa madeira. Sente-se coeso, fechado mas debita já fruta madura com toques de boa intensidade balsâmica, conjunto fresco, complexo, guloso e cheiroso. Muito bem balanceado na boca, amplo, com algum vigor, chocolate preto, compota, frescura, taninos a dizer queremos dormir e longo final. Deste só não compra quem não quer... 93/100

Casa de la Ermita Monastrell Dulce 2006: Um vinho doce natural, uvas secas ao sol com passagem por madeira. O nariz é dominado pelos frutos do bosque maduros e muita compota, frescura, boas notas de especiarias doces (canela). Boca conjuga bem a doçura com a acidez, não é muito amplo, passagem harmoniosa e prazenteira em bom final. 90/100

07 junho 2010

Soalheiro Reserva... a excelência do Alvarinho com madeira

Falar em Alvarinho é sem dúvida alguma falar numa casta de excelência, os vinhos que produz são disso exemplo... e por incrível que pareça Portugal ainda não conseguiu de maneira eficiente mostrar essa enorme mais valia ao Mundo. Do outro lado, Espanha, os consumidores vão-se cada vez mais roendo de inveja quando provam grande parte dos nossos Alvarinhos, ainda por mais tendo em conta a relação preço/qualidade dos nossos exemplares. Mas se tudo isto se passa no Inox, a discussão sobre o Alvarinho com passagem por madeira, já teve a seu tempo os que antes afirmavam que a casta só tinha a perder com a passagem por madeira, os mesmos que nos dias de hoje tecem rasgados elogios. A passagem do Alvarinho por madeira confere aos vinhos outras nuances, enriquece o vinho quer a nível de aromas e mesmo de sabores e quando se consegue a plena harmonia entre fruta/madeira o resultado é uma maior complexidade, retirando-lhe alguma austeridade mas ao mesmo tempo tornando-os mais nobres e majestosos. Em Portugal a coisa já não é novidade, a casta Alvarinho tem sabido o que é fermentar ou mesmo estagiar em madeira e os resultados tem sido bastante animadores, em alguns casos até deslumbrantes.

A Quinta de Soalheiro é talvez a maior referência nos dias de hoje no que a Alvarinho diz respeito, os vinhos que tem lançado para o mercado nos últimos 5 anos tem conquistado tudo e todos, os preços ajuizados e poderei dizer democráticos, fazem com que chegue facilmente à mesa do consumidor, pois por uns meros 7,99€ pode-se levar para casa um dos melhores brancos produzidos em Portugal e tenho dúvidas que lá fora se faça um branco deste nível com preço semelhante. Afinal de contas são 25 anos a produzir Alvarinho, em Melgaço, com a primeira vinha a ser plantada em 1974 pelo pai de Luís Cerdeira, em que o primeiro vinho de marca Soalheiro saiu na colheita de 1982. A gama foi-se ampliando com o passar do tempo, com Espumante, Aguardente e mais recentemente aparece o Soalheiro Primeiras Vinhas acompanhado do Allo, do Soalheiro Dócil e o novo topo de gama da casa, o Soalheiro Reserva. Em todos eles algo se destaca e brilha, a pureza da fruta, aquela limpidez que nos ofusca com uma revigorante frescura assente em travo mineral. Contudo nada disto se perde no Reserva, em que o estágio por madeira em nada vai alterar o que de muito bom a Alvarinho tem para dar, vai sim melhorar e refinar todo o conjunto... num resultado final que o coloca directamente no Top 3 dos melhores brancos made in Portugal.

Quinta de Soalheiro Alvarinho Reserva 2006
Nariz elegante de boa/média intensidade, mostra frescura, relva fresca, citrinos e fruta de caroço, untuosidade fina, mineral fundo com alguma tosta/fumo. Boca com mediana amplitude, ligeira untuosidade compensada pela acidez, fruta fresca com travo vegetal em fundo mineral. 17 - 92 pts

Quinta de Soalheiro Alvarinho Reserva 2007
Nariz a mostrar vivacidade num conjunto fresco de refinada complexidade e profundidade, limpo de aromas, frutado (citrinos, tropical e fruto de caroço), erva fresca com madeira muito bem integrada, tosta suave tal como sensação de untuosidade, mineralidade dominadora de segundo plano. Boca de boa amplitude, harmoniosa, belíssima acidez com tudo muito presente e em grande sintonia com a prova de nariz, num branco de classe pura. 18 - 95 pts

04 junho 2010

A insustentável leveza de o ser...

Desde o conceituado enólogo, passando pelo famoso chefe de cozinha ou pelos bloggers... todos eles enófilos puros e duros, verdadeiros homens da luta que se juntaram para mais uma memorável jornada, mais não fosse pelo convívio, que o vinho é quase sempre a melhor desculpa que se encontra para tal. Junte-se a tudo isto uma mesa farta de iguarias muito bem servidas pelo Salsa&Coentros ali perto dos Bombeiros de Alvalade, e quase duas mãos cheias de vinho.
O desafio tinha surgido a quando do lançamento do novo Esporão 1º Prémio Confraria dos Enófilos do Alentejo, com o objectivo de juntar numa prova os três vinhos do Esporão que até aos dias de hoje conseguiram ganhar o 1º Prémio. Se o novo 2007 é bem mais fácil de encontrar e comprar, a tarefa dos outros dois é quase Hercúlea, com o Esporão 1998 a conseguir passar despercebido para grande parte dos wine-freaks da nossa praça e arriscando a dizer que no caso do Esporão 2000 a tarefa fica quase uma missão impossível dado a raridade da peça. A estes vinhos ainda se juntaram os mais recentes lançamentos da Herdade do Esporão, na sua primeira aparição ao público, com um Espumante Rosé 2008, o novo Verdelho 2009, o novo Esporão Reserva branco 2009 e no final ainda deu para ver como vai de saúde o Esporão Private Selection 2001 e acabou tudo num bailinho da Madeira com um Cossart Gordon Verdelho Colheita 1995.
Em pequeno apontamento, a Confraria dos Enófilos do Alentejo nasce em 1991 e foi neste mesmo ano que se realizou o primeiro concurso dos Melhores do Alentejo, com atribuição dos respectivos prémios. Este aparte surge para colocar na mesa aquele que foi o primeiro branco a ganhar esse concurso, um vinho branco da Fundação Eugénio de Almeida e que carecendo de mais informação, poderá ter sido o primeiro Pera Manca branco.
Deixo uma breve nota sobre cada um dos vinhos, mais tarde falarei um pouco mais detalhadamente sobre alguns deles.

Espumante Esporão Rosé bruto 2008: Feito com Touriga Nacional e Syrah, servido com as entradas, mostrou-se polivalente, fruta madura vermelha e negra bem fresquinha com leve travo vegetal fresco em segundo plano. Boca com leve secura, complementa-se com a prova de nariz.

Esporão Verdelho 2009: Agora com novo rótulo, este V de Verdelho, perdeu em intensidade e tropicalidade e ganhou em finesse, frescura e limpidez, que sabem mostrar-se num belíssimo conjunto, talvez o que mais prazer me deu até hoje com esta casta. Não se perde na boca devido à acidez, e apenas temos de ter cuidado com a temperatura de serviço pois sempre são 14,5% Vol.

Esporão Reserva branco 2009: Rótulo do melhor que tenho visto, o vinho acompanha a qualidade do rótulo, na senda do anterior Reserva branco do Esporão. Boa acidez com fruta qb, numa madeira que está mas não está... apetecível do princípio ao fim, a refinar dentro dos próximos meses.

Fundação Eugénio de Almeida branco 1991 1º Prémio Confraria Enófilos Alentejo: A surpresa da noite foi este branco, deixou todos de queixo caído e a murmurar se teria mesmo 10 anos de vida, pela cor não mostrava sinais e pelo aroma muito menos... impactante, profundo, complexo, rico e ainda fresco, no final da noite o que sobrava era apreciado com deleite. Que grande branco.

Esporão 1998 1º Prémio Confraria Enófilos Alentejo: O mais cansado dos três, claramente com aromas mais "desgastados", o que menos frescura apresenta. Ainda assim a casta está presente e dá boas mostras de um conjunto de fina complexidade, delicadeza e o travo do Alentejo. À medida que ia melhorando no copo foi acabando...

Esporão 2000 1º Prémio Confraria Enófilos Alentejo: Não defraudou desde a última vez que foi provado, por mérito próprio foi novamente a meu ver o vinho que mais alto brilhou, com uma profundidade, frescura e complexidade de fazer inveja tendo em conta que são já 10 anos de vida.

Esporão 2007 1º Prémio Confraria Enófilos Alentejo: Este ainda anda de fraldas, tudo muito novo, falta-lhe tempo para aprender as coisas que os outros já dominam, embora mostre desde já grande apetência para a mesa. Madeira novamente em grande destaque pela positiva, louvável trabalho que não mascara a grande qualidade da fruta. Temos vinho para muitos anos e eu vou guardar as que tenho.

Esporão Private Selection 2001: Confirmação de que não é preciso ser o Melhor do Alentejo, para mesmo assim ter um lugar entre os ditos, acidez, taninos e corpo a fincar os pés de que tempo é coisa que gostam de passar todos juntos. Uma tertúlia de castas muito bem conseguida, animada e de grande qualidade, e não me parece que tenham pressa em ir embora. Pela finesse e complexidade, pela forma como se mostrou foi para mim o segundo vinho da noite, atrás do 2000 e à frente do 2007.

02 junho 2010

5 ANOS



No passado dia 20 de Maio o Copo de 3 fez 5 anos de vida online ... 5 anos sem interrupções ou intervalos. A maior prenda que podia ter foi entregue dia 19 pela 1:19 da matina no Hospital de Santa Maria.

29 maio 2010

A inocência própria da ignorância...

Texto retirado da net: "Desde que a China despertou para os prazeres do vinho, e que o seu consumo começou a ser fortemente incentivado pelo governo, o negócio das falsificações começou a encarar o vinho como um produto merecedor de investimento. Num ápice, o mercado chinês ficou inundado de imitações baratas e ingénuas, com rótulos caricatos pela inocência própria da ignorância. Infelizmente, a indústria da cópia aprende depressa, e em breve seremos inundados por rótulos mais cuidados e difíceis de detectar. Até lá, podemos ver pérolas como este Château Lafitte, escrito assim mesmo, com duplo “t”, ao contrário da grafia original que se escreve Château Lafite. Mas também são engraçadas as referências a Premiéres Côtes de Bordeaux, imagino que a appellation imaginária deste Lafitte chinês…" Por Rui Falcão in Mesa Marcada

Ora digo eu, que um jornalista profissional da área dos vinhos tem obrigação de se informar antes de escrever sobre qualquer assunto que desconhece. Pessoalmente não admito qualquer tipo de erro a um profissional e muito menos quando é especializado numa determinada área. Neste caso vamos mais além pois a notícia pode ser vista como uma colagem de uma outra que já tinha aparecido na net: http://www.grapewallofchina.com/2009/11 ... -in-china/ e onde podemos verificar que não se metem os pés pelas mãos.

É verdade que as falsificação de grandes nomes de vinho do mundo é uma realidade, e que na China essas mesmas falsificações têm aparecido. Só que apelidar determinado rótulo, com ar de troça como uma pérola de imitação barata e ingénua é assustador, tão assustador e grave quando o mesmo rótulo existe e não vem da China mas sim de Bordéus, http://www.chateaulafitte.fr/, o link até vem colocado no próprio rótulo mas deve ter passado desapercebido. Como nota adicional informo que existe também um tal Chateau Lafitte na AOC de Jurançon, com link http://www.chateau-lafitte.com/.
Mas não se fica por aqui, o autor ainda acha engraçada a referência de uma suposta appellation imaginária do tal Bordéus Chinês. O facto é que essa mesma appellation existe e até tem site na net, http://www.premierescotesdebordeaux.com/, querem ver que os Chineses também forjaram uma appellation inteira em Bordéus ?

Como nota final, não conheço qualquer dos vinhos mencionados acima, tudo isto foi feito a partir de uma breve pesquisa que fiz na internet, coisa que pelos vistos o jornalista profissional na área dos vinhos Rui Falcão não fez, pensando saber sobre algo que afinal não sabia.

PS: A não aceitação de vários comentários, incluindo o meu, a alertar para os erros feitos no dito local é de estranhar.

13 maio 2010

Altas Quintas branco 2008

Altas Quintas foi responsável pelo surgimento dos novos vinhos de qualidade na zona de Portalegre, uma qualidade que andava tímida e algo cabisbaixa, porém foi com o surgimento de um projecto sólido e ambicioso que Portalegre viu ressurgir a fama dos seus vinhos, principalmente os tintos. Neste caso não venho falar de um novo tinto Altas Quintas, venho sim falar na versão branco do vinho com o mesmo nome, o Altas Quintas branco. Construído sobre uma base nas castas Verdelho e Arinto, este vinho resultou de uma selecção das melhores uvas brancas de Altas Quintas. A fermentação decorreu em barricas novas de carvalho francês a uma temperatura de 14ºC e posteriormente o vinho foi deixado nas mesmas barricas em maturação durante mais seis meses. Ao longo deste período foi feita uma batonnage, progressivamente decrescente, para conferir ao vinho uma maior estrutura.

Altas Quintas branco 2008
Castas: Arinto e Verdelho - Estágio: 6 meses barricas carvalho francês - 13,5% Vol.


Tonalidade amarelo citrino com ligeiro reflexo dourado

Nariz a mostrar-se diferente logo na primeira abordagem, a tropicalidade da fruta surge embrulhada numa frescura que marca toda a prova, quer em nariz quer em boca. Madeira discreta (baunilha), sem mostrar grande presença num conjunto afinado, fresco e frutado, delicado mas com boa complexidade e alguma profundidade. Pelo meio ainda se encontram notas de citrinos e fruto de polpa branca, vegetal fresco, flores brancas e uma leve austeridade mineral, num vinho que nasceu a 600 metros de altitude.

Boca de entrada fresca, aqui novamente é a omnipresente acidez que toma conta do assunto, ponderada e correcta, com boa amplitude num todo onde se sente vegetal fresco com fruta citrina e alguma tropicalidade, sensação de arredondamento que vem da tal batonnage. Pelo meio e fim, temos a tal sensação mineral, aquele cascalho frio e húmido que ampara todo o conjunto, bastante curioso por sinal.

É no que toca a brancos o novo topo de gama deste produtor, que mostra seguir as pisadas dos tintos, sabendo aliar qualidade com uma boa dose de diferença. São por isso mesmo vinhos que nos dizem algo de novo, algo que foge daquela rotina de aromas e sabores que cada vez mais se vai instalando um pouco por todo o lado, primeiro porque vai buscar um improvável lote de Verdelho com Arinto onde o Verdelho está em maioria e o Arinto será o sal que ajuda a temperar o conjunto. Duas castas bem Portuguesas, onde o Antão Vaz não marca presença... a tal fuga para a frente e nunca para os lados que se procura. Gostei do vinho, gostei do impacto que causa aos menos atentos... alto lá o que é isto... e o preço não o impede que chega a um número alargado de mesas, penso que ronda os 14€. 16,5 - 91 pts

04 maio 2010

Campolargo 2007

Na vida tudo muda, tudo se transforma e nada se perde... recordo com boa memória e um sorriso no rosto a primeira vez que provei um Campolargo, colheita de 2002 num blend Pinot Noir (50%) e Baga (50%). Na altura o Copo de 3 estava a começar, eu acostumado a beber vinhos do Alentejo sabia lá o que era um Pinot Noir a "fazer lembrar" a Borgonha... uma Vergonha pois claro, mas para se saber primeiro temos de aprender e foi o que tenho feito e tentado fazer ao longo destes anos que passaram. Aprender com todos aqueles que sabem e mostram gosto em ensinar... e tanto que eu gosto de aprender com eles e estar na sua companhia. Na altura escrevinhei, penso que em 2005, que era um vinho que não tinha entendido muito bem, pouco concentrado de aromas, tímido e com aroma a framboesa e alguma madeira à mistura, com acidez na boca, alguma secura e não era do Alentejo... bruxo.
Pois bem, passaram 5 anos e tenho à frente o Campolargo 2007, um 100% Pinot Noir que deixou de ser um "desentendido" e passou a constar da minha lista pessoal, talvez até como o melhor exemplar desta casta a nascer em Portugal.

Campolargo 2007
Castas: 100% Pinot Noir - Estágio: Barrica de segundo ano e balseiros até 14 meses - 14,5% Vol.

Tonalidade granada de média/baixa intensidade.

Nariz a mostrar boa intensidade, fruto vermelho limpo e bem maduro (framboesa, groselha, morango) com algum rebuçado e notas vegetais em harmonia e delicadeza, chá verde, hortelã-pimenta, mato rasteiro, musgo, tudo bom de cheirar e de se gostar, num todo sempre fresco e com algum floral, violetas à mistura, poucas mas cheirosas com tabaco seco e um leve fumado de fundo. Mostra de forma bem clara a casta de que é feito, sem que a madeira por onde passou marque o vinho com extras supérfluos e maçadores, tudo muito harmonioso e embrulhado numa delicada complexidade, parece uma filigrana de apontamentos com o amparo da madeira que se sente mas passa ao largo.

Boca com corpo delicado mas não franzino, é estruturado e bem fresco, sente-se harmonia e solidez naquilo que tem para mostrar, com a fruta vermelha suculenta (framboesa, groselha e morango) bem madura com fumo e vegetal fresco a conferir alguma secura em segundo plano. Vinho muito limpo tanto de aromas como de sabores, com final fresco e de boa persistência

O que me apetece dizer depois de provar este vinho ? Quero mais, quero ter mais umas garrafinhas em casa e bem à mão para abrir com os amigos e cheirar vezes sem conta. Bebe-se muito bem e deixa-se beber ainda melhor, convida à mesa, gosta de se fazer acompanhar por requintados pitéus e que bem o sabe fazer. O preço até nem é alto, ronda os 20€, para uma produção pequena comparada com grandes volumes e tendo em conta alguns fantásticos barretes que se compram pelo mesmo preço vindos directamente da Borgonha por exemplo. É certamente um produtor a ter debaixo de olho, merecendo lugar de destaque na garrafeira pelo exemplo do bom que se faz em Portugal, eu pelo menos começo a aproximar-me cada vez mais. 17 - 92 pts

02 maio 2010

Vinha D'Ervideira Espumante Bruto 2007

O Espumante é cada vez mais aquele tipo de vinho que mais me apetece beber para acompanhar este tempo mais morno que se começa a querer instalar, ainda que timidamente. Pela sua leveza, frescura e secura é o companheiro ideal quer para abafar os calores ou mesmo para dar início a uma refeição, servindo de entrada, acompanhamento ou bebido a solo. O segredo da coisa neste caso, reside em conseguir encontrar aqueles exemplares que melhor prestação dão com o menor preço possível, a dita relação preço/qualidade que tanto se procura e exige.
Este é daqueles exemplos que conquista pela prova bastante satisfatória tendo em conta o preço por ele pedido, não mais de 6€. Um espumante que certamente não será dos mais falados por entre a falsa burguesia enófila que por aí se anda a querer instalar, no entanto é daqueles que conquistou um merecido lugar nas minhas escolhas, falo do Vinha D´Ervideira Espumante Bruto 2007.

Vinha D'Ervideira Espumante Bruto 2007
Castas: Perrum e Antão Vaz - 13% Vol.


Tonalidade amarelo citrino, levemente dourada com bolha fina e de boa persistência.

Nariz fresco, delicado, maduro e frutado (maçã, limão e ananás) num todo harmonioso com alguma geleia, a mostrar-se fresco. Na fina e delicada complexidade de conjunto mostra presença de biscoito, levedura, tudo isto com alguma consistência na forma como se apresenta, em fundo ligeiramente mineral.

Boca harmoniosa e de média espacialidade, passagem delicada em conjunto levemente frutado ao encontro da prova de nariz (citrinos, tropical) e com suave mousse, boa secura e frescura em final de persistência mediana, com toque mineral em fundo.

A produção ronda as 35.000 garrafas em que o preço é sensato, não me custou mais de 6€, o que permite portanto uma democratização do vinho em causa, estando disponível a solo ou em caixas de 3 garrafas, o que é mais que suficiente para se comprar e ir tendo por casa quando o espaço é pouco. Também não é fraquinho de cheiro nem frouxo de sabor, mas também não é daqueles que nos lembram uma gasosa rasca com sabor a limão. É sim um espumante de fácil agrado, com qualidade média, que acompanha lindamente entradas várias, pratos de peixe ou marisco e até mesmo bebido a solo, com um preço que considero bastante apetecível. 15,5 - 89 pts
 
Powered By Blogger Creative Commons License
This work is licensed under a Creative Commons Attribution-Noncommercial-No Derivative Works 2.5 Portugal License.