Copo de 3

20 junho 2011

Loios 2010

Nova colheita deste já clássico de prateleira de Hipermercado, um vinho apenas com passagem pelo inox com um preço que o coloca a menos de 3€. Para aqueles que não querem gastar muito dinheiro num vinho para o quotidiano, há exemplares como este que se apresentam com bastante qualidade. Este Loios tinto 2010 dá uma prova com boa frescura de conjunto, bom de cheiro com a fruta fresca, algum vegetal e um travo da especiaria a dar-lhe premissa para ligar com pratos regionais um pouco mais temperados (ensopado de borrego por exemplo). Arredondado e macio na boca, passagem fresca com bom final.
Um vinho extremamente bem feito, é daqueles que não falha e revela-se um aliado de peso para um consumo do dia a dia. 
15 - 88 pts


Na versão branco 2010, o Loios brilha com uma graduação de aplaudir, são apenas 12,5% Vol. num branco bem jovem e fresco, cheio de vivacidade e que aposta na simplicidade de aromas, bastante directo com lima e limão, relva molhada e cascalho, na boca passa fresco, harmonioso com frescura e sabores frutados bem directos no palato, descomplexado e de fácil aproximação, o preço inferior a 3€ tal como no tinto atira-o para uma das apostas de Verão em tempo de crise, com peixe grelhado não falha e sabe tão bem... o que pedir mais ?
15 - 87 pts

19 junho 2011

Inveja, Vandalismo ou Terrorismo no Priorato ?

Produtor que admiro, produtor que nos dias que correm caminha a passos largos para ser um dos grandes e uma referência... dito porque quem acompanha mais de perto, será em breve o mais importante daquela zona. Tudo isto levou a um acto criminoso que culmina com a invasão da adega e com o abrir as cubas de inox, não roubaram apenas destruíram por destruir... quem sabe com a inveja a correr nas veias, inveja que ali esteja aquilo que noutro lado nunca vão conseguir produzir, como enófilo que sou apetece-me dizer forte e feio, há filhos da puta em todo o lado. Passo a pedido a nota de imprensa:

Declaración oficial y nota de prensa

Durante la noche del pasado 13 de junio de 2011, en la villa de Torroja del Priorat, España, ha tenido lugar un hecho escalofriante e impensable en la bodega de Terroir al Límit. La cerradura de la bodega fue forzada y se produjo en ella un acto de terrible vandalismo. Los tapones de algunos depósitos fueron abiertos y el vino, derramado por el suelo. El contenido de muchas de las barricas de la bodega resultó contaminado y, en consecuencia, irremediablemente dañado por la introducción de jabón industrial.

Los propietarios de Terroir al Límit, Dominik Huber, Eben Sadie y Jaume Sabaté, condenan enérgicamente este acto inexplicable. No se trata tan sólo de un asalto directo y dramático contra una forma de entender la vida, sino casi de un ataque contra la naturaleza misma del ser humano, además de un crimen de dimensiones inimaginables. ¿Nos encontramos ante un acto de odio o de puro vandalismo? No hay razón evidente que se nos ocurra y, por supuesto, nadie ha admitido responsabilidad alguna o culpabilidad por este cobarde acto de destrucción.

El caso está siendo investigado por los Mossos d’Esquadra (policía autonómica catalana) y por las autoridades locales. La Denominación de Origen Calificada Priorat ofrecerá su propia declaración. El suceso ha sido explicado a la Generalitat de Catalunya (INCAVI, Institut Català de la Vinya i el Vi), cuyos laboratorios en Reus (en la Estación de viticultura y enología), analizarán todos los vinos de la bodega. Aquellos vinos que hayan resultado contaminados por culpa de la acción vandálica (probablemente más del 25% de los conservados en barricas) serán eliminados siguiendo los consejos del INCAVI.

Terroir al Límit fue creado en 2004 a partir de la unión de dos vinos: Dits del Terra de Eben Sadie, y Arbossar de Dominik Huber, con el apoyo del viticultor Jaume Sabaté. Con rapidez se convirtió en una de las bodegas más respetadas y apreciadas en España, con reconocimientos nacionales e internacionales. Las tres personas responsables de los viñedos y de sus vinos, con tanta intensidad como declaran su conmoción por este acto odioso y falto de sentido, quieren manifestar su determinación en continuar el proyecto. Al mismo tiempo, muestran su agradecimiento público a cuantas personas les han dado su apoyo incondicional desde el momento en que han conocido este acto sin sentido.

Rascunho de um Jantar

Se há coisa que gosto mesmo muito é ter a mesa cheia de Amigos (daqueles com A grande, que um gajo estima e aprende sempre qualquer coisa) à sua volta. Depois venham as tapas do mar ou as tapas da terra, venha tudo aquilo a que tivermos direito... conversa sempre animada, vinhos sempre tapados que a malta gosta de se divertir nas divagações sobre de onde será ou que coisa será aquela que antes não cheirava bem e depois começou a dominar todos os outros... apenas um enofilar brincalhão longe daqueles artistas de circo que fazem da arte do adivinhar uma suposta mais valia.
Neste tipo de rascunho, a coisa começou de forma doce, o tal BD 2010 que arrisco a dizer fomos dos primeiros a provar uma vez que vai agora entrar no mercado e veio do Alentejo, ali da zona de Estremoz feito pelo Tiago Cabaço, um branco doce e cheiroso de bons modos com boa gulodice, daqueles que se sorvem (gosto deste verbo, mesmo à lambão ali esticado na esplanada a sorver fortemente o copo para incomodar o vizinho da mesa ao lado, sabe bem, ao mesmo tempo que se vai abocanhando, outro verbo bonito, umas gambas em tomate) bem frescos na esplanada da praia e que bem que sabem, elas adoram e este mostra-se com uma acidez muito sua, presente e refrescante... bom de cheirar e de beber, com a doçura redonda na boca a despedir-se calmamente.
Enquanto o fantástico Boffard Reserva se ia terminando na mesa, para mim dos melhores exemplares a serem produzidos em Espanha, queijo com cura superior a 8 meses... e que conquista quem o come, serviu-se uma Sopita de Garoupa bem perfumada para acompanhar um Dona Berta Reserva Vinha Centenária 2009 que quando servido deu que falar na mesa, realmente o branco acabou por pecar... pecou com o aumento da temperatura e do tempo no copo, perdeu-se completamente sem nunca mais se encontrar, uma pena pois até prometia bastante mas a verdade é que aos poucos foi morrendo na boca e perdendo o final que tinha quando servido bem fresco... no aroma tem a sua austeridade mineral com vegetal e fruta madura, sem madeiras a implicar mas no seu todo mostra-se algo manso, sem o nervo que já tantas vezes encontrei nos Rabigato deste mesmo produtor, aquela pujança de vinho novo que permite olhar para o futuro sem medo... não foi obviamente o que se encontrou ontem, pessoalmente a colheita anterior mostrou-se bem melhor.
Passou-se para os tintos, tudo década de 90 com os vinhos a serem servidos em prova cega nas calmas para se poder apreciar evoluções, estilos... os dois primeiros que me caíram nos copos foram os que menos gostei, apesar da evolução que iriam ter mais um que outro, mas caídos muito caídos mesmo... e novamente os tugas a serem nobremente sovados pela legião estrangeira. O primeiro seria o Quinta do Vale Meão 1999, quase mudo, complicado tal o novelo de aromas confusos que andavam por ali embrenhados, pouco limpo de aromas, nada cativante e fora do que já foi... desconjuntado e o menos interessante da noite, foi mesmo o primeiro a desaparecer dos copos directamente para o balde. O segundo vinho mostrou-se mais maduro, um pouquinho mais esclarecido embora já com fruta passificada lá pelo meio... duro e nada a ver com o que eram quando saíram para o mercado, um Douro, confuso também ele... ao contrário do Meão este melhorou ligeiramente, soube desenvolver algo no copo... tardiamente pois também ele foi parar ao balde... sim o Balde do Castigo não perdoa e o Batuta 1999 não resistiu.
Mais um vinho que se ia cheirando e provando, este muito mais esclarecido, enorme classe, a abrir os braços para medir as paredes do copo... fruta fresca, bouquet luxuoso, frescura... porra que coisa tão boa, é como o perfume que quando é de qualidade não engana. Conversa puxa conversa e afinal o que se queria era falar deste vinho... enorme por sinal, a mim ficou-me um sorriso parvo no rosto, ao amigo da frente esbugalharam-se os olhos por um instante... ai que magano o Artadi Viña del Pison 1998.
Saltaram mais dois tintos para a mesa, mais surpresa a caminho, perfis escondidos debaixo de uma capa prateada... um deles uma autêntica automotora de força e pujança pelas ventas dos convivas, raçudo, com o toque de animal a fazer estremecer o copo, faz parte pois claro não é defeito é mesmo assim e que assim é que se faz gostar, evoluir, dançar, força do químico com fruta madura limpa e fresca, cheirava os outros e voltava a este para ser atropelado pela bendita automotora de faróis acesos... tanto nervo, taninos e acidez a darem à vontade mais uns 10 anos de vida ao dito cujo, veio do Rhone... Château de Fonsalette Reserve Syrah 1999. O outro que seria o último era o mais fino, mais delicado mas com vigor associado, chama-se classe ouvia-se do outro lado da mesa, inegável pensei eu, Chateau Leoville Las Cases 1998, tic tac de Bordéus, que grande espadachim... mestria no trato, frescura, taninos presentes mais polidos que no anterior, diferença que se nota... sem falhas. Dos que já provei de Bordéus fiquei com melhores recordações de outro nome... este também me deixou satisfeito e feliz, tem classe e acima de tudo... passados 13 anos ainda gosta de se bandear no copo. Abriu-se um fugaz Alonso del Yerro 2008 já no finalmente, claramente a destoar, novíssimo em folha, a fruta acabada de tirar da árvore, puto raçudo pronto para a briga... tem estofo, nervo, mestria na qualidade da matéria prima desde as uvas à barrica, quem sabe sabe... na boca frescura com presença em grande estilo, tem tudo para daqui a uns anos se mostrar de forma grandiosa. A noite já ia longa... fechámos a conversa e com um sorriso no rosto dissemos obrigado.

16 junho 2011

Aneto Reserva branco 2009

Faço questão de continuar a procurar e a falar de vinhos com identidade marcada, vinhos que teimam em afirmar-se longe de holofotes das prateleiras dos mais cobiçados, daqueles que depois de se beberem nos deixam satisfeitos. O meu encontro com este Aneto em versão Reserva já tinha sido fruto de conversa quando bebi a primeira edição que entrou no mercado, achei na altura que o vinho poderia e deveria melhorar em próximas edições, havia por ali algo que pura e simplesmente não fazia o meu gosto. Passado uns tempos eu e o Aneto Reserva voltámos a encontrar, a prova que deu foi para melhor, servido à descarada sem ser prova cega e mesmo indo de pé atrás ainda com o anterior no pensamento, foi uma autêntica festa o que encontrei e fiz durante todo o tempo que o ia bebendo, copo a copo.
Ora um branco do Douro, 13,5% Vol , em que metade do lote (40% Semillon; 30% Arinto; 20% Viosinho; 10% Gouveio) fermentou em barricas novas e usadas de carvalho francês com posterior agitação das borras, semanalmente, e engarrafado em Maio de 2009 pelo enólogo Francisco Montenegro.

Branco de boa intensidade, bom de complexidade e de frescura, aquela acidez que dá vida e refresca aliada a fruta madura de bela qualidade, antes saudados pelo toque vegetal do mato serrano que habita nas encostas do Douro. As flores, os citrinos, fruta de polpa branca e tropicalidade sentida em conjunto com a baunilha da barrica, apenas um ar da sua graça num conjunto fresco em fundo mineral. Na boca, cheio e com nervo, vai ao encontro do que já se contou, boa intensidade com acidez presente de fio a pavio... bom sinal, forra o palato com sabores frutados, vegetal fresco e no final o tal mineral, dos socalcos Durienses, saboroso, harmonioso e bem fresco. Um vinho com identidade bem marcada, que dá muito prazer a beber e com um preço que ronda os 16€ que o torna uma compra altamente recomendável. 17 - 92 pts

14 junho 2011

Cem Reis Viognier 2008



A primeira coisa que se tem de fazer quando se prova este vinho é esquecer a casta de que é feito, pensar apenas que estamos perante um branco, um vinho que satisfaz minimamente mas do qual esperava muito mais até pelo preço. Como nota há duas coisas distintas que se devem separar, um branco feito de Viognier e um Viognier, neste caso apenas temos o primeiro exemplo visto que o vinho se mostra mais como simples branco. Na realidade não me convenceu minimamente, nem a mim nem aos que partilharam esta garrafa, caro para o que mostrou visto ter rondado os 14€. Cada vez mais fujo a estas pequenas loucuras de alguns produtores, nem entendo a razão pela qual assim de repente se entendeu que a casta Viognier era muito boa para plantar no Alentejo.

Este vinho da Herdade da Maroteira, cujo seu Syrah é bem melhor, pouco ou nada tem a contar, o tempo passou por ele como uma autêntica máquina de polir, tudo o que teria de bom e em plano de destaque já não mora ali, com notas de tosta suave e algum pêssego... apesar da aragem floral, é a barrica que parece mandar no conjunto impondo um pouco a mais o que teria para dizer. Na boca o vinho é acidulado e herbáceo, muito gordo e pesado e aqui os 14% não ajudam em nada com notória falta de acidez que tanta falta lhe faz, perde de imediato a piada quando nos recorda uma dentada num pêssego em que trincamos o caroço... eu não gosto. Sente-se algo vazio e sem alma, sem grande encanto e a não ser do que um branco com pouco ou nenhum interesse feito com uma casta estrangeira com preço abusivo de prateleira. 13,5 - 84 pts

Três Bagos Sauvignon Blanc 2009

Gosto de Sauvignon Blanc, vai sempre muito bem com saladas ou entradas, gosto da casta quando bem trabalhada, gosto dos vinhos que dá origem, gosto dos seus vinhos no Vale do Loire (França), gosto de alguns dos seus vinhos na Nova Zelândia. Não gosto dos vinhos desta casta no formato mousse de manga em que são tudo menos frescos, limpos e apelativos, mostram-se nessa vertente pesados e chatos sem o mínimo de piada. Também não gosto dos Alvarinhos que querem ser Sauvignon Blanc nem dos Verdejo de Rueda que se andam a perfumar demasiadamente com aromas de Sauvignon... cada vez mais com tudo isto à minha volta sou levado a pensar que tenho de recorrer às origens e aos pontos onde tudo bate certo para acertar com o que procuro. O vinho em prova é talvez o exemplar que nasce em Portugal em que a casta Sauvignon Blanc melhor se comporta,  onde as coisas parecem bater certo um pouco mais do que nos outros exemplares nacionais, em que nesses há atributos que falham como falham em tantas outras tentativas rebuscadas de se fazer bom vinho em Portugal a partir de castas com que nunca se trabalhou ou mal adaptadas à nossa "terra". O produtor é Lavradores de Feitoria, lembram-se do Meruge ? Aqui o que temos é um Sauvignon Blanc feito em terras do Douro, com preço a rondar os 8€.
Com os aromas a remeterem para a Sauvignon Blanc, espargos verdes, fruta tropical e citrina com erva cortada, tudo com mediana intensidade, fundo ligeiramente mineral. Mostra-se fresco na boca, com boa dose de acidez, bem balanceado e equilibrado, acaba como começa... sem grandes entusiasmos mas bastante correcto. O tempo fez-lhe alguma mossa, cortou-lhe fulgor, deu-lhe mais arredondamento, é vinho para se beber em novo, o tal vinho do ano... ou melhor , vinho de Verão. Tem o senão, é que os Alvarinhos costumam apresentar-se bem melhor e quase quase pelo mesmo preço. 15,5 - 89 pts

03 junho 2011

6 Anos



No passado dia 20 de Maio o Copo de 3 fez 6 anos de vida online ... 6 anos sem interrupções ou intervalos. A maior prenda que podia ter foi entregue fez dia 19 um ano cheio de vida e de rebeldia...

Os números vão falando por si, eu cada vez menos me preocupo mas ao mesmo tempo cada vez mais me indicam que em 6 anos de vida o Copo de 3 tem crescido... Estamos em crise e não há que fazer grandes celebrações, a festa dos 6 anos já foi feita, feita apenas por mim  junto daqueles que me acompanham e tenho acompanhado nos últimos tempos, amigos de jornadas enófilas, amigos de bons e maus momentos, amigos para a vida... outros não ficaram esquecidos, afinal a festa continua...

Como adenda, venho dizer que o Copo de 3 já tem idade para ir à escola, por isso a partir de agora vai-se começar a um reformular dos artigos mais antigos, até mesmo das visitas já efectuadas a produtores irei tentar actualizar as mesmas, essencialmente no seu conteúdo, afinando para melhor como é óbvio. As viagens de estudo vão também começar a fazer parte do que por aqui vai começar a aparecer...

Cantocuerdas Albillo de Bernabeleva 2007

Um branco complicado e que certamente não irá ao encontro do gosto da maioria, sério, diferente, desafiante e acima de tudo, um branco feito com uma variedade branca que nunca tinha ouvido falar até então, a Albillo. Esta casta autóctone da zona de Madrid costuma dar vinhos corpulentos, glicéricos, gordos e com carácter, pecando na falta de acidez, é a estrela deste Cantocuerdas 2007, produzido pelas Bodegas Bernabeleva, já aqui falada com o seu tinto de 2007. Tinha aberto uma garrafa junto com amigos e a coisa tinha corrido bem, primeiro ficou-se a olhar para a garrafa, depois para o copo e a conversa fluiu, no final o vinho agradou a todos, se bem que na molhada não lhe consegui tirar as medidas como queria, foi preciso nova prova e abri nova garrafa para ver como se comporta este magano.

O aroma é intrigante com algum atrevimento, diferente do normal, nota-se que passou por barrica mas sem grandes atributos cheirosos a verdade é que não é de grande espalhafato, embora todo ele muito selecto, notei um travo vegetal com fruta entrelaçada (citrinos, melão, maçã), tudo ainda muito green and fresh... desde o chá verde ao cheiro da relva verde acabada de cortar no jardim, pois com o fundo bem mineral como não podia deixar de ser. O vinho é daqueles que pede tempo e tempo e tempo, branco para ser decantado... fiz-lhe a vontade e não me arrependi, voltou melhor, em que começa a despontar um leve melado, um bocado subido no tom. É na boca que a coisa dispara, parece um berlinde de vidro enorme e frio, redondo, opulento, preenche bem o espaço à sua volta, com enorme capacidade refrescante, também é seco... e volta ao encontro da prova no nariz, com o vegetal a dominar com ajuda do sabor a fruta em fundo mineral. O final é prolongado e saboroso, todo ele acaba como começou... misterioso. A leve nota oxidativa que se começa a levantar dá-me sinal de que tudo vai começar a mudar... falta saber como irá estar daqui por mais uns tempos.

Ao provar novamente este vinho lembrei-me vagamente de um estilo de brancos da Borgonha que provei recentemente num Another Big Day em terras Durienses. Da minha parte aprovei com distinção este Albillo, um branco que ronda os 15€ e oferece aquilo que muitos procuram, identidade fortemente marcada num vinho distinto e em tudo original... 16,5 - 91 pts

30 maio 2011

Navaherreros 2007

Mais um projecto em estreia no Copo de 3, mais um que me conquista desde a sua primeira edição, não foram muitas colheitas é certo e tudo começou com este Navaherreros 2007 das Bodegas e Viñedos Bernabeleva, da DO Vinos de Madrid. Aqui segue-se o caminho da biodinâmica, nos 30 hectares de vinha situada a uma altitude de 700-900 metros sobre o nível do mar, localizada em San Martin de Valdeiglesias, com cepas a variar entre os 40 e 80 anos de idade em que reina a Garnacha com enologia a cargo de Raúl Pérez e Marc Isart. Dentro dos vinhos lançados por esta adega, temos ainda um vinho branco 100% Albillo, casta autoctone da zona de Madrid, e ainda 3 vinhos de topo em que a Garnacha mostra o seu comportamento nas diferentes vinhas. Por agora fiquemos com o Navaherreros 2007, um 100% Garnacha daqueles que se provam, bebem e depois se quer ter mais... com um preço que ronda os 12.50€, ajuizado e muito tentador, demasiado até. Abri então a minha última garrafa, já tinha aberto uma recentemente com um grande amigo, disseram-se na altura maravilhas... a forma do vinho estava plena, mas com tanta vida pela frente que lhe decidi dar mais um tempo, o pior foi não conseguir resistir a abrir outra... por azar a minha última de 2007.

Então estamos perante um vinho completamente descomplexado, sem grande intensidade ou concentração é certo, aqui joga numa concentração mediana e é daqueles vinhos que é tiro e queda, a fruta bem fresca e de forma cheia mas cristalina, muito límpida, cheio de cereja, com toque de leve fumado e vegetal à mistura, chá preto, algum agreste do vegetal quase na toada do Pinot, mas tudo no seu canto sem colidir, permitindo cheirar cada um a sua vez, o que eu gosto quanto as coisas correm assim... o vinho continua a mostrar uma complexidade de belo refinamento, no final a mostrar-se com boa dose de mineralidade, todo ele com bela frescura de conjunto. Na boca conjuga tudo o que já foi dito de forma muito bem delineada, mais uma vez é de corpo mediano mas cheio, com a sua pujança quer em fruta quer em vegetal e mineral, mas a lembrar que de corpo mediano mas bem forrado, ombreado e profundo mineral, sempre presente com a cereja a dar vontade de trincar, vegetal e longo final. A madeira  mostra-se integrada, nada de vasilhame novo, devem ter sido de 2º e 3º ano, o tal aconchego sem chegar a marcar... agradeço, depois o problema do costume olho para a garrafa e acabou-se... é rodar o que tenho no copo e ir gozando os últimos tragos. 91 pts

28 maio 2011

Tons de Duorum branco 2010

É novidade é novidade... e bem fresquinha por sinal, esta nova tonalidade do Tons de Duorum que agora viu ser lançado por primeira vez em formato branco. Depois do Big Bang Vínico Nacional, o tal acontecimento que fez nascer o universo que todos os enófilos conhecem nos dias de hoje, a verdade é que nos últimos anos têm sido muito poucos os novos projectos que me captem a atenção... talvez defeito meu por não me compatibilizar com as filosofias praticadas e engarrafadas em determinadas garrafas. Mas depois de grandes nomes se terem vindo a afirmar e que todos nós vimos logo que dali ia sair coisa para seguir com muita atenção... parece que tudo acalmou, há projectos recentes que criem empatia junto de quem neles aposta ? Direi que sim, que este é um deles, daqueles que basta provar uma vez cada um dos seus lançamentos para entender que ali se constrói e fazem coisas com cabeça e a pensar não no imediato mas num crescimento e solidificação de uma marca, e isto tem que se lhe diga. É desta maneira que vejo os vinhos Duorum, vinhos que gosto e que cada vez mais preenchem espaços na minha garrafeira, sendo que este branco é desde hoje uma das minhas Escolhas de Verão 2011.

Composto por um lote de 30% Viosinho, 30% Rabigato, 20% Verdelho e 10% Arinto, ufa não tem Viognier... de uvas situadas a uma cota elevada de 400-600m, tudo muito bem composto com um resultado final de 13% Vol. e um preço recomendado de 3.99€

Conquista desde logo a atenção pelo seu aroma fresco de boa intensidade e bem frutado, desde citrinos a fruta tropical, sente-se a fruta a escorrer, gulosa com toque delicadamente guloso e ao mesmo tempo acompanhado por flores, bom ramo de cheiro, onde o mineral lhe ampara todo o conjunto, fina complexidade e um aroma refrescante e direi... simpático, fácil de se gostar.
Na boca mostra-se com boa frescura, acidez que se faz notar em companhia da qualidade da fruta, delicadeza e bom volume, direi mediano, num vinho que se bebe com agrado, bastante agrado, tudo muito bem ligado e onde mais uma vez o mineral se faz notar no fundo. É disto que eu ando à procura, o preço torna-se um perigoso aliciante... no Verão com saladas de frango fruta e camarão vai de certeza brilhar.
16 - 90 pts

14 maio 2011

Meruge 2007

Para orientar quem lê convém dizer que as vinhas que compõem a Lavradores/de/feitoria estão por todo o Douro, seja Baixo e Cima Corgo ou o Douro Superior. Estas Vinhas detém algumas castas portuguesas que, no terroir duriense, têm a sua expressão mais forte. As 18 Quintas, 18 terroir distintos, 18 localizações no Douro, é um dos segredos da lavradores/de/feitoria. A multiplicidade de castas e exposições, as Vinhas de diferentes idades, as diferentes altitudes e a diversidade de solos, originam uma diversidade de terroir que em muito contribui para a complexidade e carácter dos Vinhos da lavradores/de/feitoria.
Conhecedor profundo das suas capacidades, o Enólogo Paulo Ruão e a Equipa de Enologia da lavradores/de/feitoria, utiliza essa matéria-prima de primeiríssima qualidade para produzir toda a gama de Vinhos que tem a seu cargo. Dentre Vinhas Velhas com mais de 80 anos, poderemos encontrar as seguintes castas: Touriga Nacional, Touriga Franca ou Touriga Francesa, Tinta Roriz , Tinta Barroca e Alvarelhão para os Tintos e Rosés e Viosinho, Códega e Sauvignon Blanc para os Brancos.
Os Vinhos de lote ostentam as marcas "Três Bagos", “Lavradores de Feitoria Douro” e “Gadiva”. Já o “Meruge” e o “Quinta da Costa” são Vinhos de Terroir lavradores/de/feitoria.

E é a partir dos 19,5ha da Quinta de Meruge (São João da Pesqueira), em que vinhas com 20 anos onde predominam as castas Touriga Nacional / Touriga Franca / Tinta Barroca / Tinta Roriz. É desta vinha que nasce o vinho de nome Meruge, onde a Tinta Roriz brilha com 80% do lote, sendo os restantes 20% de Vinhas Velhas... depois a vinificação ocorreu em lagares, bem como em cubas de inox, com remontagem automática e controlo de temperatura. Após suave esmagamento e sem desengace, a fermentação, decorreu com homogeneizações ligeiras e macerações muito controladas, conseguindo-se desta forma uma extracção fenólica e aromática desejada.De seguida, o lote estagiou em barricas novas de carvalho francês, mas sempre com o objectivo de preservar o carácter frutado, característico dos vinhos do Douro. Foi submetido a uma colagem e filtração antes do engarrafamento.

Procuro insistentemente pela elegância vínica, aquela fruta fresca bem delineada com a barrica bem enquadrada, sem toques a mais ou a menos, onde a boca é serena mas confiante, é a mesma que me permite desfrutar de uma garrafa de fio a pavio, a mesma que permite um vinho durar durante toda uma refeição, a mesma que surge quanto o vinho descansa e repousa para nobremente envelhecer uns anos na garrafeira. Ando farto de vinhos em que o álcool sempre a mais transborda pelas bordas do copo, farto de vinhos carregados de tudo e cheios de nada, vinhos que não se aguentam na garrafa 5 anos quando me custam 15€ 20€ e mais euros... vinhos que tentam ser aquilo que nunca vão conseguir ser na vida, enjoado das aventuras de adega de produtores que mudam constantemente o perfil de vinhos que se encaixam em tudo o que já disse mais atrás... procuro vinho, vinho para beber, vinho que se beba e que acima de tudo na altura de o provar me dê de imediato a vontade de ter mais na garrafeira. Foi o que me aconteceu com este Meruge 2007, o preço faz com que seja obrigatório ter mais disto em casa...

Um vinho cheio de fruta vermelha (Tinta Roriz) fresca e limpa, está lá e sabemos que está lá... embora não a veja a saltar como por exemplo noutras paragens mas não interessa, cativa, dá gozo, quero cheirar mais, evolução muito boa no copo, frescura que se gosta, elegante, na mesa alguém lhe chama de feminino, elas gostam e pedem mais. Algum floral, o perfume sensual com fundo mineral, veio o canteiro todo, a barrica enquadra-se muito bem... baunilha morna, cacau, café moído, coisas boas. Mais uma cheiradela antes de o levar à boca... e muito bom novamente com frescura, vigor, a fruta a sentir-se com bom comprimento e largura, frescura, tem taninos mas deixam a prova fluir... um o Ossobuco desfaz-se nessa harmonia com o vinho. É um vinho do Douro com perfil mais fora que dentro, ali ao lado outro Douro um Quinta de Roriz Reserva 2004, todo ele mais austero, mais químico, agreste mas de enorme potencial tal o desdobramento que foi mostrando no copo... um vinho para deixar estar, enquanto isso íamos sorrindo, falando e debulhando o resto do Meruge. 17 - 92 pts

Aneto 2008

Volto aos vinhos Aneto, desta vez com o seu colheita 2008, um tinto em que procurei o tal acompanhamento de fim de semana, a companhia para um prato um pouco mais requintado do que aqueles que se costumam confeccionar durante a semana atarefada. O preço ronda os 13€, um preço que se revela sempre complicado na hora da compra mas que o vinho em si nunca tem culpa, afinal de contas se custar menos de 10€ é uma bela compra mas se custar mais de 20€ já se compra porque estamos perante um suposto vinho de gama alta, os coitados que moram no meio destes dois patamares são quase sempre os que vivem no limbo das escolhas, naquele constante vai não vai que acaba por deixar as prateleiras cheias uma e outra vez. Lá está, neste caso se custasse mais de 20€ era alto para a qualidade, se o preço fosse de 8€ já se comprava mais facilmente e até em alguma quantidade. É complicado ser enófilo.

Ora este Aneto 2008 resulta de um lote de 30% Touriga Nacional; 30% Touriga Franca; 30% Tinta Roriz; 10% Tinto Cão com estágio posterior de um ano em barricas novas e usadas de carvalho francês. Engarrafado em Maio de 2009 com enologia de Francisco Montenegro.

Um vinho de fina complexidade, boa frescura com toque herbáceo e de bálsamo a juntarem-se num só, esteva, a fruta aparece aqui bem madura e cortada com sumo a escorrer ao lado de uma madeira da barrica que se mostra presente ao de leve mas a dar baunilha, chocolate preto e especiarias para o conjunto, de bela concentração aromática. Na boca tem entrada com fruta madura, mostra por outro lado um caminho seco, vegetal e ao mesmo tempo muito bem na sua espacialidade, um caminho amplo e profundo, amparado por fruta adocicada, a trincar com vontade, o toque de chocolate preto e alguma tosta da barrica acondiciona o restante conjunto. Tal como o Aneto branco é daqueles vinhos que se gosta de ter no copo, versátil com uma grande panóplia de pratos e que o tempo em garrafa não lhe vai fazer grande mossa. 16,5 - 91 pts
 
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