Copo de 3

13 agosto 2011

Alonso del Yerro 2008

É dos vinhos que mais prazer me dá beber nos últimos tempos, abri a segunda garrafa e novamente um vinhaço no copo de encontro ao que já me acostumou nesta e nas colheitas anteriores, aqui mais concentrado e cheiroso que o 2007, pura classe com tempo pela frente para melhorar, mas desde o momento em que se serve até que a garrafa se acaba é um puro gozo estar de roda deste vinho produzido na Ribera del Duero.

Estes são os vinhos que procuro, compro, guardo e partilho com os amigos mais chegados, este é o vinho que me garante elegância, harmonia entre partes e boa longevidade, nada aqui é de excesso, nada aqui é de quebras nem falhas, é grande desde que se cheira até que se engole... é vinho que não sendo barato 22€ dá uma prova melhor que vinhos que custam o dobro... ou seja, comprar beber ou guardar o prazer esse é mais que garantido. Como diz a letra do famoso José Afonso:

"Venham mais cinco. Duma assentada. Que eu pago já. Do branco ou tinto. Se o velho estica. Eu fico por cá. Se tem má pinta. Dá-lhe um apito. E põe-no a andar"

Enche o nariz com frescura da fruta, fruta da boa e bem limpa com tons de cereja, morango e amora, depois vem banhada por especiarias, café moído e algum regaliz com floral em fundo. Mostra-se desde o primeiro instante um vinho que esconde uma belíssima complexidade, madeira no ponto, dá cacau e fina tosta, conjunto de enorme qualidade, em postura de quem tem a lição muito bem estudada, não se inventa nem se tapa defeitos com excesso de "pau".
Boca cheia e gulosa, fruta fresca forra o palato, tudo em conjunto como no nariz... o morango, a especiaria, algum toque de bálsamo, tosta... e tudo muito apelativo num longo final. 93

09 agosto 2011

Crónica dos bons malandros... o jantar estava marcado

Estou farto de debitar apenas e só notas de prova, acho isso chato, banal, coisa que qualquer bot programado faz às carradas e nem precisa de saber provar, dou por mim a despender o tempo que antes tinha para a prova a ser passado de volta do meu filhote... sente-se mudança no horizonte, sente-se que a coisa tem de mudar, esticar a vela para outro rumo, dar a volta por outro lado para sair do lodaçal banal que isto se anda a tornar... os cadernos de prova ficaram à porta, o relógio batia nas 20h e o cenário estava composto, é à volta daquele objecto de culto que é a mesa que tudo voltava a acontecer, mesa cheia mesa farta... à espera estavam os pratos a serem servidos e alguns vinhos que fui salvar do baú das memórias, vinhos esquecidos e ignorados força da moderna enologia, da infusão de madeiras e da fruta madurona temperada com colher de açúcar...
Penso que seja um dever de quem prova vinhos conhecer um mínimo do que é a nossa história como país produtor, ter provado um pouco do que melhor se fazia em determinados locais, vinhos que fizeram história e histórias que falavam sobre vinhos... tudo para entender o que antes se fazia e se deixou de fazer, motivos, causas e vontades, tudo isto com o olhar atento dos amigos de longa data e longa vida, assim os quero ter pois ainda há muito que provar, descobrir e conhecer.
Comecei por servir uma Salada de rúcula com vinagreta de frutos vermelhos, foie, nozes e Boffard ... a acompanhar um Quinta do Alqueve Colheita Tardia 2005. Resultou boa a harmonia entre prato e vinho, com o queijo a puxar pelos seus galões com imediato aconchego dado pela cremosidade do foie e limitado pela secura da rúcula. O vinho apesar de dar uma prova satisfatória mostrou-se tanto pela cor como pela prova que deu precocemente evoluído, cansado nos aromas e com falta de acidez na boca e frescura no nariz, nada ali cheira a novo, fruta desfeita e cansada, sem motivos para dormir mais tempo em garrafa.

Deu-se depois o salto para uns Mexilhões à Marinheira (Moules à la Marinière) em que o branco escolhido foi um branco seco, novamente uma tentativa de testar um vinho já com idade, retrocedi até 2003  troquei a volta aos convivas, e fui buscar o Dona Berta Rabigato 2003. Servido em prova cega o vinho deu que falar e permitiu enormes divagações no pensamento dos provadores, um branco de 2003 em grande forma é obra, são poucos os que o conseguem e ainda menos os que conseguem mostrar a mesma acidez, austeridade mineral a raspar na língua toques de vegetal seco e alguma lima... algum sinal de idade, vinho grande, vinho que não parecia ter a idade que tem, a fruta ainda na fase SIM todo ele melhor no nariz que na boca, a pedir comida por perto. Por graça ainda se abriram mais dois brancos, o primeiro um Maritávora Reserva 2009, pesado como a madeira que exalava a mais e fruta a menos, na boca perde-se a meio, falta substância e afirmação a este vinho, custa caro pois ronda os 25€ e tem pouco para oferecer por aquilo que dizem valer. Ao lado abria-se um Terrenus 2008, um branco de Rui Reguinga... um branco da Serra de São Mamede (Portalegre) que subjugou por completo o anterior, bem mais vinho, mais complexo e mais harmonia, todo ele em grande plano, é vinho com princípio meio e fim... essencial no meu ponto de vista. 

Feito um pequeno interregno no jantar, foram-se abrindo os tintos a bom ritmo e novamente em prova cega, e o primeiro vinho escolhido foi um Cooperativa da Granja 1988, pré CVRA portanto com uns fantásticos 12,5% Vol. , feito pelo enólogo António Saramago e pensava cá para mim, seria uma pequena marotice colocar este vinho em prova no qual não depositava grandes esperanças, tinha sido comprado por 0,50€ num lote de outros tantos vinhos velhos da região Alentejana, a rolha já empapada foi tirada a ferros, verti o vinho no copo, rodei cheirei e sorri... à magano que estás tão bom. Na mesa servia-se Carne do Alguidar com Migas à Alentejano... o vinho inicialmente algo confuso e torpe, tanto sono, que foi acordando e mostrando o que de bom tinha para mostrar... e ainda era muito, sentia-se frescura no nariz, nada de aromas secos e remeter para canto, fruta madura com destaque na ameixa bem redonda e sumarenta, envolvida em calda, os terciários faziam a festa de maneira harmoniosa, tabaco, couro e algum licor... boa a condizer, entrava docinho mas a saber a fruta madura, sem passa sem pressas... mais uma rodada e outro que saltava para a mesa. Alguém se lembrou de abrir um Casa Cadaval Trincadeira Vinhas Velhas 2006, vinho cativante pelo aroma adocicado da fruta com toques entre o vegetal e o apimentado, todo ele muito bem trabalhado mas algo cansativo durante a prova, entrou-se depois numa mini vertical de Má Partilha, o Petrus das Terras do Sado como já foi chamado na altura do seu primeiro lançamento no ano 1986, em prova o 1989 aquele que foi e é o primeiro Merlot a ser engarrafado em Portugal e continua a ser o melhor exemplar da casta... de velho não tem nada, a maneira com que se desdobrou no copo e mostrou tudo o que tem de bom remeteu para outros pensamentos, outras paisagens ainda que de maneira um pouco sonhadora. Mostrou-se em bela forma, com frescura e sem grandes notas de cansaço ou desmaio durante a prova, nada de aromas chatos e mortiços, vinho de gabarito. Abriu-se de seguida um 1999 que estava lixado de aromas, em queda precoce mas a guarda a que a garrafa tinha sido sujeita não terá permitido uma prova mais condigna, o 2001 mostrou-se melhor, a mostrar-se bem na onda do 1989 e com vontade de tentar a proeza de se mostrar em igual nível daqui por alguns anos.

A noite ia longa, a conversa com enorme animação os vinhos davam que falar, a reta final estava próxima, saltou uma Panacota com molho de Arando Vermelho, tentou-se ligação com um Lajido do Pico 1994, vinho difícil complicado e de nariz comprido, vulcanizado demais para o meu gosto... limparam-se os copos e partiu-se para um Graham´s Colheita 1961.

Até à próxima.

PS: Alguns dos vinhos serão alvo de uma nota de prova mais individualizada a ser colocada em tempo oportuno.

18 julho 2011

Marasmo vínico ou nem por isso...


Começo a olhar à volta e afogo-me quase sempre nos mesmos nomes, nos mesmos projectos, nomes e rótulos, falta por cá claramente a centelha da inovação e a vontade do ir mais além, do querer mostrar que é possível apostar em castas diferentes do normal mas que sempre cá moraram... há falta de empenho, falta de estudo, falta de dinheiro e falta de paixão por aquilo que se faz. Quantos senhores do vinho já apostaram a sério numa casta daquelas que nunca disseram ser possível fazer um grande vinho apenas porque dá trabalho ? Quanta juventude perdida nos caminhos do facilitismo da enologia em que a receita acaba por ser quase sempre a mesma... acabando-se por apostar em castas de fora quando raramente se dá uma hipótese ao que é de dentro... acostumado aos calores e frios, aos humores do tempo, castas nossas que correm o risco de desaparecer porque quem faz vinho pensa cada vez mais com a carteira e menos com o coração. Onde estão as conversas de que determinado jovem enólogo resgata uma vinha velha em determinada região e começa a lançar vinhos diferentes e que começam a despertar atenções ? Porque é que nós não temos disto por cá ?
Muito recentemente tive oportunidade de provar vinhos diferentes, vinhos feitos em Espanha e Itália, vinhos resultantes de mentes irrequietas, mentes jovens onde a aposta por demonstrar que daquela casta se pode fazer grande coisa e levaram o seu projecto adiante... os resultados começam a surgir, assiste-se a um despertar de mentalidades, de atenções para algo que surpreende, sem ter de investir muito... produções pequenas mas com garantia de qualidade. Aquilo que se devia pensar quando se faz vinho em Portugal, em vez de pensar no aumentar a produção para o dobro e depois afogarem-se em viagens ao estrangeiro a ver se despacham umas caixas pela Santa exportação... e enquanto isso acontece, os vinhos continuam por cá na mesma.

09 julho 2011

Quinta dos Avidagos Reserva 2007

A Quinta dos Avidagos é infelizmente a meu ver um produtor pouco falado, pouco discutido e raramente com vinhos a surgir na mesa das tertúlias enófilas... certamente os gostos andam cruzados ou virados para outros lados, há tanto vinho, e talvez até vinho a mais, que alguns acabam por escapar aos olhos de quem os procura. Aliás, estes vinhos andam tão cruzados que nas duas principais revistas do sector o gosto oscila entre um 15 e um 17... portanto se levarmos à letra a conversa ficamos sem saber o que pensar, ou sim ou sopas.
Em prova o Quinta dos Avidagos Reserva da colheita 2007, Tinta Roriz, Tinta Barroca e Touriga Franca e Touriga Nacional fazem o lote que foi a banhos durante 1 ano em barricas. O preço ronda os 9€ nas prateleiras do Continente.

Um vinho afinado, de mediana intensidade e centrado na fruta vermelha, com muito morango da Roriz e alguma cereja, ambos pingam frescura com a madeira bem entalada no conjunto, harmonioso, fumado e tosta suave com fundo de alcaçuz. Na boca equilibrado, elegante, mediano de corpo, boa passagem, novamente suave doçura da fruta a marcar presença com alguma secura em fundo.

Não tem o Douro chapado na cara, mas mostra-se um vinho fresco, equilibrado e fora de concentrações desmedidas, em que se nota que se apostou na frescura da fruta e se utiliza a madeira não para marcar ou tornar o vinho pesado, que não é, mas sim para ajudar a tornar o conjunto mais harmonioso. Está numa boa fase de consumo em que o verti por completo a acompanhar uma grelhada mista de novilho. 90 pts

08 julho 2011

Madrigal 2008

Mudou de visual este que é o grande branco da Quinta do Monte d´Oiro, agora mais aprumado e direi com aspecto mais sério este vinho surge aqui em prova com a colheita 2008. É um 100% Viognier, talvez mesmo o primeiro a surgir em Portugal e que já se tornou uma referência do que é feito neste cantinho da Europa. O vinho teve passagem por barricas novas de carvalho francês, saiu com 14% Vol. e um preço que ronda os 15€ ou até um pouco mais.

Encontrei um vinho acessível na prova, de fina e mediana expressão, com um suave baunilhado a dar as boas vindas, leve na frescura a mostrar grande harmonia de conjunto. Flores, boa fruta entre alperces e laranjas a abrir ligeiramente com as voltas no copo, em fundo com mineralidade ainda que tudo um pouco desfocado. Boca com bom ritmo, corpo mediano que entra com alguma frescura com sumo da dita fruta e alguma calda, fundo mineral num branco de comportamento homogéneo desde que entra até ao final da prova.

É o terceiro varietal desta casta feito em Portugal que aqui coloco nos últimos tempos, e sendo o último foi e é aquele que mais me agradou. Há por aqui algo que o torna diferente, delicadeza, frescura, uma boca com corpo mas ao mesmo tempo a refugiar-se na frescura e delicadeza da fruta... para mim falta-lhe mais alma, mais suco, mais frescura e esclarecimento, mas não estamos em Condrieu e sim na Estremadura e há coisas que por muito que se queiram não se conseguem replicar. Tal como a palavra Madrigal nos diz, é uma pequena composição poética, que exprime um pensamento fino, lisonjeiro e terno... 90 pts

04 julho 2011

Casa Casal de Loivos 2007

Este vinho vinificado por Cristiano Van Zeller da Quinta Vale D. Maria, juntamente com a enóloga Sandra Tavares da Silva, provém de uma pequena propriedade de 1,6 hectares de vinha com mais de 50 anos que abasteceu com uvas da mais alta qualidade a empresa Quinta do Noval, agora dá origem a este Casa de Casal de Loivos. É um erro pensar que este vinho é o entrada de gama do vinho Quinta Vale D.Maria, são vinhos bem distintos recaindo a minha opção pelo segundo, mero gosto pessoal a falar.

Aqui o peso da garrafa é proporcional ao peso do vinho, apesar da gulodice, da complexidade e da forma harmoniosa como a madeira se casa com tudo o resto, o vinho recai um pouco em alguns aromas quentes e adocicados, eu gosto dos Douro mais frescos e com fruta mais limpa, sem passa de preferência. Procuro aquela secura no final de boca, aquela garra e nervo, coisas que me acostumei a gostar e a procurar...

Vinho rechonchudo concentrado e pujante, são 15% Vol. que curiosamente não se fazem sentir, com frescura e fruta em enorme sintonia, sente-se algum peso, passada intensa, todo ele complexo com fruta negra do tipo cereja muito madura e alguma passa a dar toque adocicado, frescura suave com madeira integrada, especiaria doce, tabaco e cacau... na boca repetimos a dose, fresco, amplo e a tentar preencher toda a boca, sabe ao que cheira o que é bom, eu gosto disto, sente-se o rasgar da fruta pelo meio da boca rodeada de coisas boas. O final é persistente e longo,  um vinho que não é barato pois chega facilmente aos 25€, dá uma prova muito sólida, muito fácil de se gostar e de se beber... apesar de ser muito bom o vinho não me deixa vontade de repetir, encontrei por ali muita repetição, muito do que se costuma encontrar... e o preço face à qualidade não ajuda minimamente. 90 pts

02 julho 2011

Quinta de S.José 2008

Lembram-se dos Ázeo feito pelo enólogo João Brito e Cunha ? Este é também da sua autoria, portanto é uma certeza que iremos encontrar algo de bom. Duriense de gema, nasce nos 25 hectares de vinha para os lados do Pinhão, o lote de Touriga Nacional 45%, Touriga Franca 35% and Tinta Roriz 20% com metade do lote a ir 10 meses a banhos na madeira francesa de segundo ano.

Sente-se que é um Douro apesar de ter um toque a puxar para o fácil, tornando-o cativante para quem se aproxima pela primeira vez. Mediana complexidade e intensidade, com frescura da fruta preta madura, flores, desenvolve na complexidade para especiaria e algum bálsamo vegetal, envolto num tom achocolatado. Tudo muito bem integrado com a madeira, o mesmo caminho tem na boca, com a fruta bem fresca a fazer-se sentir, pimenta preta e chocolate, todo ele harmonioso, arredondado e com alguma secura no final de boca em boa persistência.

O preço que ronda os 9€ é um aliciante, afinal de contas o vinho está bem feito, é ao que eu chamo vinho de sexta à noite, quando se entra de fim de semana e apetece beber algo melhor a acompanhar também algo melhor... abrimos e bebemos um destes e ficamos satisfeitos, porque estamos cansados e não queremos perder tempo a pensar no que vai no copo... e tanta falta que fazem vinhos assim.  89 pts

28 junho 2011

600 Altas Quintas 2010



Não é de agora mas já saltou para as prateleiras a nova colheita deste vinho que o nome quase lembra um código postal, afinal o nome apenas se deve à altitude a que as vinhas estão plantadas, 600 metros. Este é a entrada de gama do produtor Altas Quintas (Portalegre), feito a partir de Verdelho, Arinto e Fernão Pires, com fermentação e estágio em inox, apresentando-se com 12,5% Vol.


No seu todo é vinho para despachar no ano em que sai para o mercado, aproveitei para acompanhar umas latas de mexilhão ao natural e outras tantas desde conquilhas, navalhas, berbigão ou ameijoa... todas elas ligaram muito bem com a sua juventude, uma altura que deve ser aproveitada pois tudo está fresco, vibrante e composto, desde as sensações de tropicalidade que chegam ao nariz, até às sensações de erva cortada, é simples e bastante directo, cheira ao que sabe, um pouco mais de frescura e força de nariz ficava-lhe bem, agradável e bem feito embora não lhe tenha encontrado aquela ponta de diferença... o preço costuma rondar os 5€ num vinho que entra naquele lote enorme de boas escolhas para o consumo do dia a dia.
87 pts


26 junho 2011

BD 2010

Este é o BD 2010, o Brando Doce produzido pelo Tiago Cabaço em Estremoz, um branco ousado e diferente na aposta, um branco doce mesmo a calhar para este tempo quente e a ser servido fresco com uma salada de frango grelhado. Quando o Tiago Cabaço me chamou no Encontro com o Vinho para provar este vinho ainda estava imberbe, de fraldas mesmo, e foi na altura uma alegre surpresa... passados meses o Tiago engarrafou o vinho e quando o fui visitar para ver onde está a construir a sua nova e bonita adega, acabei por trazer para casa o BD 2010 que agora aqui falo, feito a partir de um lote nada provável nem para a zona nem para a região pois resulta de 66% Sémillon e 34% Sauvignon Blanc.

Um branco doce e cheiroso, de bons modos com boa gulodice, daqueles que se sorvem (gosto deste verbo, mesmo à lambão ali esticado na esplanada a sorver fortemente o copo para incomodar o vizinho da mesa ao lado, sabe bem, ao mesmo tempo que se vai abocanhando, outro verbo bonito, umas gambas em tomate) bem frescos na esplanada da praia e que bem que sabem, elas adoram e este mostra-se com uma acidez muito sua, presente e refrescante... bom de cheirar e de beber, com a doçura redonda na boca a despedir-se calmamente.
O preço sugerido vai para 8€ a garrafa de 0,75 pois irá também ser comercializado em garrafas mais pequenas, é certamente mais uma das minhas Escolhas de Verão, e certamente será agora nesta altura do ano que nos vai mostrar o que vale, beba-se pois em convívio com amigos e família, beba-se de calções e chinelos enquanto se grelham umas costeletas ou umas sardinhas, este é sem dúvida um vinho de pura descontracção...

Campolargo Pinot Noir 2008

É o melhor exemplar de Pinot a ser feito em Portugal, pelo menos aquele que se prova e se fica a pensar nem que seja um bocadinho nas paragens da Borgonha... sim o vinho não tem aquele adocicado parvo da fruta madurona que encontramos por cá em alguns exemplares e que tiram a piada toda ao vinho, tem bons taninos a darem secura o que é bom, tem fruta fresca e que se faz sentir bem saudável o que também é bom, tem uma bela acidez na boca que lhe confere um bom porte gastronómico e com possibilidade de ficar-se pela garrafa e acima de tudo tem um preço do cacete. Isso mesmo, este vinho andou no Pingo Doce a custar menos de 10€, quando o anterior 2007 pediam por ele em garrafeira uns bons 20€... ora o que terá mudado ? Não faço a mínima ideia, talvez a vontade do produtor escoar rapidamente grande parte da produção fazendo a apresentação deste vinho no dito Pingo Doce, o consumidor como eu e outros tantos agradecemos, eu pelo menos comprei uma caixa e não me arrependi. Vejamos, o vinho em causa a única coisa pela que peca será o seu grau de álcool que bate nos 15% Vol. , não tem uma complexidade de arromba mas também é certo que com uns nacos de vitela a saírem da brasa o vinho conseguiu uma ligação perfeita, servido a temperatura correcta foi uma festa.
No nariz tem aquele toque de cereja e framboesa frescas com o vegetal em formato de saco de chá preto a imprimir uma secura vegetal tanto no nariz como na boca, algum mineral ao de leve com  a prova de boca a entrar em harmonia, com raça mas de corpo médio, fresco com taninos presentes no final da boca... e vai-se bebendo e falando e o vinho ganha algo mais de harmonia com algum arredondamento, ligeiro para não destoar o conjunto. Já provei Pinot genérico made na Borgonha (daqueles que podemos chamar de Barrete Borgonhês) que ficava envergonhado ao lado deste Campolargo Pinot Noir 2008... mesmo assim gostei mais do 2007.
16,5 - 91 pts   

Vale d'Algares branco 2009

Foi provado no meio de outros tantos brancos, em prova cega ninguém sabe o que lhe cai na rifa, pode-se gostar ou passar completamente ao lado... os gostos para o meu lado andam mais exigentes, ando saturado de vinhos sem graça, pesadões com o álcool a dar aquela mordida no final da prova. O vinho que me tinham deitado no copo começou por mostrar-se pouco expressivo e nada fresco, depois aumentou o volume mas pouco, alguma fruta, leve calda e pouco mais de frescura mas pouca o que não me cativou, parecia ter tido um banho em banheira de madeira que se notava levemente... tudo sem grande entusiasmo... pesado e anafado, com dificuldades claras em desenvolver no copo, começas mal pensei eu. Na boca o mesmo desespero, os 14% Vol. batem forte, o vinho torna-se em algo sem graça, gaiato gordo com a mania mas que acaba por ser apenas isso... depois apertamos com ele e sai com o rabo entre as pernas... tem mais corpo que garganta, no final o álcool mostra-se novamente, quente, a faltar frescura. Olho para os meus companheiros de prova e ninguém esboça uma palavra de atrevimento ou elogio, o vinho termina como começou...sem graça, sem nervo ou fio condutor que lhe permita uma estadia valente em garrafa ou mesmo qualquer vontade de repetir, se fosse um bolo era uma bola de berlim com creme daquelas com fritura a mais e creme a menos... comemos uma e ficamos fartos... não faz minimamente o meu estilo de branco, não gostei daquilo que me disse, falta-lhe frescura e é de 2009 mesmo com a desculpa que terá visto madeira pelo caminho, gosto bem mais de outros e até pelo preço praticado que a rondar os 19€ esperava muito mais do que aqui encontrei. 14,5 - 86 pts

20 junho 2011

Loios 2010

Nova colheita deste já clássico de prateleira de Hipermercado, um vinho apenas com passagem pelo inox com um preço que o coloca a menos de 3€. Para aqueles que não querem gastar muito dinheiro num vinho para o quotidiano, há exemplares como este que se apresentam com bastante qualidade. Este Loios tinto 2010 dá uma prova com boa frescura de conjunto, bom de cheiro com a fruta fresca, algum vegetal e um travo da especiaria a dar-lhe premissa para ligar com pratos regionais um pouco mais temperados (ensopado de borrego por exemplo). Arredondado e macio na boca, passagem fresca com bom final.
Um vinho extremamente bem feito, é daqueles que não falha e revela-se um aliado de peso para um consumo do dia a dia. 
15 - 88 pts


Na versão branco 2010, o Loios brilha com uma graduação de aplaudir, são apenas 12,5% Vol. num branco bem jovem e fresco, cheio de vivacidade e que aposta na simplicidade de aromas, bastante directo com lima e limão, relva molhada e cascalho, na boca passa fresco, harmonioso com frescura e sabores frutados bem directos no palato, descomplexado e de fácil aproximação, o preço inferior a 3€ tal como no tinto atira-o para uma das apostas de Verão em tempo de crise, com peixe grelhado não falha e sabe tão bem... o que pedir mais ?
15 - 87 pts
 
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