Copo de 3

11 dezembro 2011

Altas Quintas branco 2010 e tinto 2007

O que dizer de um produtor que nos acostumou a uma constante de qualidade nos seus vinhos ? O que dizer de vinhos que são feitos com agrado e para agradar ? É dito e mais que sabido que este projecto ainda recente, sempre teve pernas para andar e um passo atrás de outro foi tomando forma ali ao lado de Portalegre, ganhando o seu merecido espaço face ao que nos mostram e dizem os seus vinhos. Os exemplares que agora aqui coloco são os últimos Altas Quintas que saíram para o mercado, branco e tinto... 

Começando pelo branco, Altas Quintas branco 2010, achei-o menos formoso que o da anterior colheita, menor acidez e perde-se na falta de temperamento em boca... dito isto temos um lote de Verdelho e Arinto com fermentação em barrica e posterior estágio de 4 meses, a barrica nota-se muito pouco dando largura suficiente para as castas se mostrarem. O aroma fresco com fruta madura de predominância citrina, leve vegetal verde na folha de limão e relva com um fundo de baunilha a aconchegar. Na boca para o meu gosto com alguma falha na maneira como se comporta, direi algo soft, pedia-lhe um pouco mais de frescura, de esclarecimento e um pouco mais de nervo, mas é como é, melhor no início a lembrar fruta madura, herbáceo e numa passagem fresca que se vai tornando cada vez mais vazia e fina... 89 pts

Enquanto noutros lados se apressa em lançar novidades frescas e ainda de fraldas no mercado, há produtores que vão lançando agora a colheita de 2007 como novidade, é o caso Altas Quintas que colocam no mercado o Altas Quintas 2007, um vinho que vem dentro daquilo que já acostumou os seus apreciadores, eu sou um deles, pois sendo um vinho de Portalegre consegue aliar modernismo na maneira como se mostra, uma piscadela de olho ao trânsito internacional mas a frescura da Serra lá colocada. Frescura de uma fruta pura, madura e bem escura, algo fechado a precisar de tempo, o lote é 100% Alentejano com Trincadeira, Aragonez e Alicante Bouschet e o respectivo estágio de 18 meses em barrica com anterior passagem por balseiro. Tudo isto deu complexidade, afinou e refinou, a fruta ficou com frescura embora alguma nota de chá preto, secura vegetal, a madeira muito bem trabalhada e integrada a contribuir com alguma tosta... marca da casa que tanto me agrada. Depois na boca é o que se pretende de um bom vinho, bem comportado na mesa, prontidão num consumo imediato mas possibilidade de evolução, tem aptidão gastronómica, frescura com harmonia e corpo suficientemente capaz para uns pratos mais condimentados. 91 pts

08 dezembro 2011

O "meu" abafado de Talha...

O vinho de que me apetece falar é um daqueles vinhos que não tem rótulo, nasceu sem nunca o ter tido ou alguma vez ter sido pensado em ter. Um vinho fora do circuito "normal" apinhado de devoradores de marcas e nomes, gente que olha com desconfiança sobre tudo o que não domina ou desconhece, infelizmente conheço alguns. O que temos aqui mostra-se como aquilo que é, adulto e bastante sério na maneira como se mostra, dispensa histórias de um hipotético embalar enófilo, não precisa nem nunca precisou pois aqui o conto não é nem nunca foi necessário. A sua história nunca foi necessária ser contada para que desde sempre fosse alvo de admiração e elogios, é uma estrela que guardo com carinho e nos dias de hoje será um dos últimos Moicanos pelo que representa e sempre representou.

Um vinho carregado de valor sentimental, apenas sentido por aqueles que privaram com o seu autor, um amigo que recordo com saudade, todos os outros ficam despidos deste sentimento, apenas são confrontados com aquele "algo diferente" de boa concentração, a água que perdeu conferiu-lhe um toque mais concentrado, dando aquela gulodice e untuosidade tanto no olhar como quando se prova. 
Por vezes dou por mim a sonhar que sou um produtor a mostrar a sua obra de arte aos convidados, aquela obra que não sendo "minha" acaba por ser um pouco... sinto-a como tal, nem que apenas como o responsável  por manter viva a memória daquele vinho e ir sendo gravada um pouco por todos aqueles que o tiveram no copo, na minha vontade quero sentir que assim tem acontecido.
Na realidade falo de um vinho feito à moda antiga, em adega velha, sem luxos nem modernices, as uvas foram vindimadas de uma vinha velha, daquelas meio perdidas em que o branco vai misturado com o tinto, com o Fernão Pires, o Castelão e outras tantas castas que não fazem parte dos contra rótulos modernos... coisas velhas. O ritual era o de sempre, a fermentação e o estágio eram da responsabilidade das talhas de barro, era ali que o branco e o tinto repousavam, fermentavam e se passavam a limpo, depois a talha era fechada e ficava à espera, sozinha mas nunca abandonada... o vinho de que falo é especial, durante a fermentação era abafado com aguardente vinica muito bem escolhida pelo seu dono, o resultado era e continua ainda hoje a ser mágico...
Toda a micro-oxigenação a que o vinho é sujeito devido à porosidade do barro, ao tempo que vai estagiando na talha que lhe confere um aroma e sabor tão característico, ao tempo que teima em perdurar na garrafa... o suficiente para quem quem o prova ficar na grande parte das vezes a cheirar e a olhar para o copo sem saber o que dizer... no final gostam, deixam-se perder no tempo a cheirar aquele fantástico bouquet que teima já com a sala vazia em ficar agarrado às paredes do copo, em que a frescura dos alperces e de fruta cristalizada com a oleosidade dos frutos secos se combina com o travo da talha antiga e de tantas outras coisas para apreciar devagar que este gosta de gastar tempo nestas coisas. Um vinho que faz parte de uma memória, da minha memória, um vinho que apenas sirvo aos amigos mais especiais e em que apenas me dou ao luxo de beber dois cálices ao ano, num perfil claramente dominado pelo caminho da oxidação positiva que maravilhas exerce nos Porto Colheita, elegante, cheio, complexo e amigo da boa mesa, conversador imortal e apesar da idade ainda pleno de vivacidade, assim é este vinho, assim era o meu amigo.

26 novembro 2011

Cave climatizada, vale a pena ?

Se há problema que quase sempre acaba por bater à porta do enófilo é a falta de espaço para guardar tanta garrafa que se vai juntando... por vezes fico a pensar que se reproduzem entre elas tal a quantidade que se vai juntando sem que dê conta, criando com isso uma inevitável falta de espaço a que se junta também a falta de condições ditas ideais para uma guarda minimamente satisfatória que não envolva vinho debaixo da mesa da cozinha ou algures na sombria despensa ao lado das batatas e cebolas. Das duas uma, ou se tem a sorte de ter um espaço condigno e que desenrasca a malta ou então é preciso pensar noutra solução em que quase sempre envolve a compra de uma cave climatizada... foi pela segunda que optei.

Vai para uns 3 anos vi-me obrigado a comprar uma cave climatizada para guardar os meus melhores vinhos na casa onde moro em Lisboa, na verdade com o calor a bater no Verão e o frio do Inverno as garrafas estavam tudo menos seguras, muito menos estava eu que via o stock aumentar em número e em qualidade, a medida a tomar era urgente e decidi então tentar comprar uma cave que fosse mediana e cumpridora do que pretendia. Não entrei em loucuras de gastar muitos €€€€€ até porque tenho na casa do Alentejo uma cave natural que utilizo sem receios para longas guardas, quando quero um vinho melhor pego nele e trago para Lisboa onde fica aconchegado na cave climatizada até ao dia de ir à mesa. Aqui o preço foi factor preponderante, 270€ na altura e tive a sorte de aproveitar um belíssimo desconto numa dessas lojas habituais de electrodomésticos e decidi-me por uma Samsung, não sei ainda a razão mas simpatizei com a marca,  ficou instalada na sala de jantar, silenciosa e com 3 temperaturas possíveis e reguláveis, opção brancos, tintos e outra para configurar à nossa escolha. Se funciona ? Funciona lindamente para o propósito que foi comprada, sem problemas, os vinhos não têm reclamado nem tenho notado que tenha saído algum vinho com problemas por lá ter estado guardado, pessoalmente fico mais descansado porque sei que quando quero beber um vinho à temperatura correcta basta abrir a cave e escolher o que me apetecer... acontece é que neste momento já tenho lista de espera para o condomínio. 

25 novembro 2011

Quinta de Pancas Grande Escolha 2005

Gostar de vinho e do mundo que gira à sua volta como eu gosto tem de implicar gostar de comida, de cozinhar, de estar horas de roda de um fogão para preparar um almoço ou um jantar e encher a mesa de amigos enófilos... dá-me um prazer imenso quando assim acontece, até porque a mesa da sala é grande e sente-se sozinha com pouca gente à sua volta. No pequeno aparte que se pode e deve fazer aqui para a gastronomia, falando de forma simples, uma das coisas que tenho dedicado algum tempo é a compra de alguns livros dedicados ao tema, investir em livros sempre foi algo que nunca achei descabido e ver crescer a nossa biblioteca com assuntos que gostamos é sempre agradável. 

Lembrei-me no outro dia enquanto folheava este exemplar, porque razão não falo eu nos livros que tenho e gosto, sobre os pratos que mais prazer me dão, porque não falar do que vou cozinhando para acompanhar cada vinho ? Dentro dos livros que vou comprando, destaco o The Food & Cooking of Portugal da autoria do Chef Miguel Castro e Silva, nome que dispensa grandes apresentações, um dos melhores chefes que temos em Portugal e que fez como não podia deixar de ser, um belíssimo trabalho num livro acerca da nossa gastronomia com 65 clássicos de Norte a Sul. Numa altura em que cada vez mais faz falta uma boa promoção do que é nosso, do que de melhor temos para oferecer, este livro é a imagem de que tal é possível e abre uma janela para o mundo, totalmente em Inglês mas que se entende perfeitamente. Gosto muito, na altura nem foi caro, agora o preço subiu ligeiramente e está nos 19,58€... um livro que recomendo pois não se limita a ser apenas e só um livro de receitas pelo que não se torna enfadonho, as fotografias são muito boas, apelativas e como seria de esperar todas as receitas tem o toque do chef que brilhou no Porto e agora se encontra em Lisboa no Restaurante Largo.
  
Foi com base numa das receitas do livro, Empadas de Galinha, que me aventurei na minha receita de Empadas de Arraiolos e escolhi um vinho que me encheu por completo as medidas, o Quinta de Pancas Grande Escolha 2005. Mas esse vinho já saiu para o mercado vai para algum tempo dizem alguns, pois já, mas é nestas coisas do saber esperar e não andar a beber tudo à pressa com medo de morrer e deixar vinho para os que cá ficam, que eu vou teimando em guardar aqueles que acho que precisam de tempo para espairecer, serenar a alma num sono tranquilo, este foi um desses casos até porque quem é que não se lembra dos fantásticos Pancas Special Selection Cabernet Sauvignon da década de 90 e o bem que se davam com o tempo em garrafa ?
A Quinta de Pancas fica em Alenquer (Estremadura/Lisboa) e a fama dos seus vinhos já vem de longe... depois de uns anos no limbo parece que voltou aos bons velhos tempos a que nos tinha acostumado. E assim foi, o vinho mostrou-se numa enorme fase da sua vida, ainda com anos pela frente mas a dar uma prova de enorme qualidade, se falar do preço então é mais um daqueles vinhos que deveriam ser presença mais que obrigatória na garrafeira de verdadeiros enófilos. Num lote composto por Touriga Nacional (30%), Cabernet Sauvignon (40%) e Petit Verdot (30%) que foram 20 meses a banhos em barricas novas de carvalho francês. 
É um vinho de cor escura, cheio de detalhes, com classe e elegância, algo musculado,  mas a fruta fresca e bem madura liga-se muito bem com a madeira, alguma compota, pimenta preta em boa dose, algum Cabernet presente com pimento do bom, não se atrapalha nem faz atrapalhar... desenvolve muito bem no copo. Na boca mostra-se profundo, denso e saboroso, harmonia e novamente elegância... bem estruturado, chocolate preto, fruta madura, vegetal e apimentado no final de boca bem longo e persistente... conjugando frescura com sabores frutados e harmonia com a prova de nariz. Um vinho cheio que dá prazer, o preço é um dos motivos que leva a ser alvo de cobiça pois anda na casa dos 19€... não sendo propriamente barato não chega a valores astronómicos de outros nomes da nossa praça que em qualidade se equivalem. 92 pts

23 novembro 2011

Flor de Nelas Selecção 2009


No outro dia fui ao Pingo Doce e passei na parte da garrafeira, de notar que algumas delas estão bastante bem artilhadas com coisas muito interessantes como por exemplo Vinha Formal 2008 ou Meruge 2005. Mas naquela altura a vaguear pelas inúmeras marcas das diferentes regiões, estrangeiros incluídos, dei por mim a pensar se conseguiria trazer comigo um vinho minimamente interessante apenas com uma moeda de 2€ ... depois de muito vasculhar encontrei um Flor de Nelas Selecção 2009 (lote de Touriga Nacional, Alfrocheiro, Tinta Roriz e Jaen). O motivo da compra foi mais que óbvio, ainda com o Reserva 2008 da mesma marca na memória nem sequer deu para pensar muito, peguei na garrafa e foi o meu vinho para o jantar, umas divinas Iscas de novilho cortadas bem finas com a respectiva batata cozida.
Corri algum risco pois iria precisar de um tinto que não se fosse deixar suplantar pelo poderio do fígado salteado em azeite, com toda a marinada a que foi sujeito anteriormente entre louro, alho, vinho branco um colher de café de mostarda e uma pinga de vinagre. 
E mais uma vez fiquei contente com a compra, uma vez que o vinho esteve à altura, na onda do Reserva embora adequado ao preço praticado, menos complexidade, menos qualidade, menos vinho... por 1.98€ não será obviamente de pedir milagres.

É o chamado vinhito simpático, todo ele bem certinho e direitinho, direi como anda na moda, gastronómico, sem falhas ou quebras, frutinha madura com ponta adocicada, sem remorsos, depois umas delicadas notas florais com sensações de barrica que aconchegam o conjunto, nos finalmente um toque daquele vegetal característico dos vinhos daquela região, na boca afinado e com bela frescura, fruta presente e leve secura... mais um que pede comida por perto, tem bom final de boca com frescura, todo ele com certa dose de elegância. Notei que melhorou ligeiramente no copo com alguns minutos decorridos pelo que uma passagem para decanter logo que vá ser servido será boa ideia. Há melhor por este preço ? 87 pts 

21 novembro 2011

Pinhal da Torre Unplugged 2011

No ano passado por alturas de Setembro escrevia-se por aqui, depois de uma fantástica visita, que no site Pinhal da Torre se pode ler Pureza, Elegância, Personalidade... coloquei na altura a Frescura e acrescento este ano... a Classe. Porque foi o que encontrei nos vinhos que provei no passado Sábado quando me desloquei à Quinta de São João a convite do produtor. 
Na verdade é Paulo Saturnino Cunha que nos recebe, que nos transmite aquela contagiante alegria de mostrar com enorme orgulho os vinhos que produz, um querer sempre mais e melhor que tem vindo a dar os seus mais que merecidos frutos, lutando contra tudo e contra todos para se colocar onde merece estar, como produtor dos grandes vinhos do Ribatejo e entre os grandes produtores de Portugal. Ano após ano tem vindo a afinar e refinar aquilo que produz, com a vontade de ajustar e cortar em algumas marcas e centrar atenção em novos rótulos, os vinhos vão ganhando novas formas, novos perfis sabores e aromas, mora ali um refinar das qualidades do terroir Ribatejano que Paulo Saturnino tão bem conhece, um auspicioso triunfar no copo de todos os apreciadores para que sem tabus olhem para um vinho do Ribatejo como algo grande e de muito bom. E o Paulo Saturnino Cunha e toda a sua equipa estão de parabéns porque se confirma mais uma vez que o caminho trilhado por eles é o do sucesso e o da qualidade entre os grandes... vinhos com raça, cheios de saber e de querer... direi vinhos com um carácter muito próprio, o mesmo que podemos encontrar na pessoa que dá a cara por este projecto familiar.

Tudo começou com uma ligeira e animada (como sempre) visita às instalações, é da praxe conhecer os cantos da casa, conhecer métodos de vinificação, que ali se utiliza a pisa a pé tradicional em vez dos modernos lagares de inox automatizados. É bom ver e saber que ali se trabalha com afinco, é bom saber que as paletes que por lá estavam apilhadas já tinham destino traçado e faziam parte dos muito % que este produtor vende para fora, é a exportação que absorve a grande maioria dos vinhos ali produzidos, parece pois que lá fora sabem dar o valor mais que merecido a estes vinhos enquanto cá andamos meio perdidos e distraídos com outras coisas.

A prova dos vinhos começou nos brancos, antes dizer que os vinhos começaram nas últimas colheitas a centrar-se numa fruta bem limpa e muito presente, sem excessos mas o suficiente para não passarem simplesmente ao lado por falta de apetite enófilo. Dito isto o primeiro vinho provado foi o Quinta do Alqueve Fernão Pires 2010 com direito a um dos três rótulos que o produtor criou para brindar a fauna local, neste caso com uma Popa, o que mais gosto e com direito a surgir aqui ao lado em destaque. Um branco directo nos aromas, muito cítrico com travo de alguma relva fresca e mineral fino em fundo, na boca repete com boa acidez e presença característica de uma casta que nunca foi de falar muito, 88pts. Depois surgiu o Quinta do Alqueve Chardonnay 2010, a meu ver com aromas à casta mas mais tímido do que é normal encontrar nesta casta, gostei mais do provado no ano passado, aqui este não tem passagem por barrica, o aroma fica algo perdido tal como na boca... bebe-se mas prefiro o anterior, uma questão de gosto pessoal nada mais 87pts. O último branco foi o 2Worlds 2010 já com direito a passagem por barrica, num conjunto em que se ganhou mais complexidade, fruta aqui mais expressiva com limão e laranja, mineral leve com toque da barrica a aconchegar o conjunto, bom traço quer na presença de boca quer no final e sem dúvida o melhor dos três brancos. 89pts

Entrando no campo dos tintos começou-se com um Quinta do Alqueve Reserva 2008, a prova dos tintos iria ser sempre em crescendo, começamos num vinho que nos apontava para fruta preta madura com caroço, sem excesso de maturação o que é logo bom sinal, um conjunto jovem frutado com toque fumado e bom balanço, frescura e alguma secura na boca com bom final, direi sem ofensa que se trata de um vinho correcto, mediano e que dá uma prova bastante agradável com boa aptidão gastronómica (como todos os restantes) 89pts. Próxima paragem no Quinta de São João 2008, ganhou mais na tonalidade e ligeiramente na concentração, o vinho mostra-se bem também ele com bastante fruta madura, chocolate de leite e boa frescura, afinado e prazenteiro com bom final de boca ainda que com alguma secura no palato a pedir comida por perto. 89pts.
Sem quebras nem paragens, saltou o Quinta do Alqueve Touriga Nacional 2008, com pujança e alguma austeridade a fazer-se sentir com vegetal seco e ligeiramente no perfume, a fruta mais escura e viva, bem limpa por sinal, com boca ampla, fresca e muito sabor a fruta e a especiarias, secura presente dos taninos em final decente 90ptsQuinta do Alqueve Touriga Nacional/Syrah 2008, onde o Syrah se destaca claramente, depois de provado o Touriga antes, a diferença que se nota aqui é o Syrah a trabalhar... num todo muito bem conduzido e conseguido tanto na complexidade de nariz como de amplitude na boca, frutaria escura, pimenta preta, chocolate preto tudo isto num conjunto de bela postura, elegância e final. 91pts. Quinta de São João Syrah 2008, um belíssimo vinho, conquistou-me pela sobriedade com que se bandeou no copo, bela complexidade num todo com especiarias, fruta escura com limpeza e um sensual doce natural, a barrica em forma sem estragar ou incomodar a conversa, harmonioso, boa profundidade e espacialidade quer em nariz e boca, alguns taninos a darem que falar mas nada que o tempo não resolva, a beber agora ou depois... com atenção e amigos por perto. 91pts


No meio da conversa fomos sendo informados das novidades, das vontades e mudanças que os vinhos do Pinhal da Torre vão sofrer nos próximos tempos/colheitas, alguns rótulos que vão ser descontinuados, outros apenas vão surgir quando a qualidade do ano assim o justificar. Dito isto foi altura de provar os novos ensaios de alguns dos próximos vinhos da casa, começando por um interessante Quinta do Alqueve Touriga Nacional 2009 que conta com uma ligeira percentagem de Merlot, nota-se aqui um pequeno salto qualitativo em relação ao 2008, um vinho mais apurado e com uma maior definição durante toda a prova 91pts, tal como todos os novos vinhos provenientes de amostras, nos quais destaco um promissor Quinta de São João Syrah 2009, que conquistou pela qualidade que debitou durante toda a prova, um dos que mais gostei, a fruta sente-se de excelente qualidade, muito viva e fresca, barrica na dose certa, amplo, harmonioso, roliço e fresco ao mesmo tempo, muito bem estruturado. Daqueles vinhos que é um prazer enorme ter à mesa, mas a precisar de tempo em garrafa 92pts. Foi provado ainda um ensaio a que foi chamado na altura de Quinta de São João Grande Reserva 2009, um vinho que apesar da sua belíssima estrutura se mostra fresco e ligeiro, harmonioso e bastante agradável, sem complicar em nada, é daqueles que convém estar muito atento assim que estiver no mercado para se comprar uma caixa e ir abrindo uma de vez em quando, o prazer está garantido em dose alargada... uma delícia 93pts. Acabou-se a prova com o futuro lote do novo Special 2009, um vinho que dispensa apresentações tal a qualidade, finesse e maneira como conjuga elegância com vigor, força e frescura mas ao mesmo tempo fácil de beber e no modo como se comporta à mesa, não cansa e convida sempre a mais um trago tamanha a qualidade com que nos presenteia, na senda do 2008, embora provando lado a lado durante o almoço eu tenha gostado um pouco mais deste 2009 94 pts.
Termino com um especial agradecimento ao Paulo Saturnino Cunha e a toda a sua equipa pelo fantástico momento que me proporcionaram e também dar os parabéns pela excelência que os seus vinhos começam a atingir... olhos bem abertos porque a coisa promete.

14 novembro 2011

Quinta do Vallado no Top 10 Wine Spectator 2011

A informar que o Vallado Touriga Nacional 2008 ficou em 7 lugar no Top 100 da Wine Spectator 2011. O vinho da Quinta do Vallado obteve 95 pontos e é em 2011 o vinho de Portugal mais bem posicionado nesta nova edição. Encontra-se à venda no Continente por um preço que ronda os 18€ ...

Wine Notes iPhone App

Reparei no outro dia enquanto vagueava pela net que para quem tem iPhone e gosta destas coisas de enfiar o nariz nos copos com vinho e dizer que cheira a isto e sabe aquilo e depois escrevinha tudo, que há uma aplicação Wine Notes que é um caderno de notas mas mais moderno e com enorme potencial.
Permite criar um arquivo para os vinhos que se vão provando, onde para além de se poder atribuir uma nota de 0 a 10, dá para tirar fotografia ao rótulo, procurar a região, escrever as castas, escolher os diferentes aromas e detalhes como acidez, taninos, corpo... no final permite enviar via Twitter. É uma aplicação grátis e pode ser feito o download aqui.

Foto retirada do site http://www.bebericando.com.br

Um "piqueno" upgrade no Copo


Tenho andado meio afastado do Copo de 3, não que a vontade de aqui escrever tenha diminuído mas porque há vida para além do vinho, a família, os amigos e tantas outras coisas a que gosto de dedicar atenção e acabo por deixar este cantinho meio às escuras nos últimos tempos.

Um dos grandes motivos foi devido a problemas que surgiram nos últimos tempos sempre que tentava editar um novo artigo, na verdade o Copo de 3 ainda não tinha evoluído para as novas versões (teimosia minha por recear perder informação e mesmo o formato no qual a página se apresenta) e começava a pedir uma actualização de fundo, limpeza séria de links, de artigos, renovação de n coisas que achei que deveriam estar e parecer melhores...

Deu trabalho pois deu, deitei mãos à obra e consegui que ficasse como desejava, ficar ficar nunca fica mas no meu entender pior não ficou, igual também não (sim sou optimista por natureza), mas sei que a coisa não se vai ficar por aqui e um dia destes a mudança poderá ser maior do que se pensa... esperar para ver. Pelo caminho aproveitei e fiz duas limpezas de garrafeira, uma no Alentejo e outra aqui do apartamento em Lisboa, onde no início não devia passar das 50 garrafas por uma questão de espaço e neste momento já tenho mais de 200 garrafitas para contabilizar... caixas e mais caixas para etiquetar e saber o que tenho, anos de colheita, número de referências de cada marca, descobrir ou relembrar de garrafas que já pensava que não tinham cá residência e uma selecção rigorosa de quem tem estaleca para habitar no condomínio de luxo que é a minha cave refrigerada.

Com tudo arrumado e o blog a funcionar em pleno, é altura de começar a escrever novamente que tenho muita prova temática a colocar, muita visita e muito vinho interessante para dissertar... se notarem uma ou outra derivação para alguns pratos, acompanhamentos ou produtos gourmet que vou comprando não estranhem, faz parte do novo pacote.

12 novembro 2011

Assobio 2009

Depois de uma breve paragem volto novamente ao activo, desta vez com um vinho para espairecer, completamente para assobiar para o lado e tentar esquecer a maldita crise... bebe-se lindamente sem se dar por ele, é um prazer garantido à mesa por quem o sabe fazer como poucos, Esporão pois claro, agora em solo do Douro numa aposta feita vai para 3 anos com a compra da Quinta dos Murças. 

Este belo Assobio é feito com as castas Touriga Nacional, Tinta Roriz e Touriga Franca, com 20% deste lote a estagiar em barricas novas de carvalho francês e americano durante 6 meses. Engarrafado em Novembro de 2010 e colocado à venda por um apetecível preço que ronda os 6,50€


É o chamado vinho ready to drink, puxar da rolha, deitar no copo e deixar fluir a conversa com a comezaina na mesa, ele encarrega-se do resto. Bebe-se a primeira a segunda e a terceira, que os amigos gostaram, tudo isto num vinho fresco e focado na fruta limpa bem vermelha e madura, saborosa, quiçá gulosa e assente num travo da especiarias com boa barrica e aquele toque vegetal agreste que se encontra nos vinhos tintos do Douro. Na boca complementa-se com o nariz, boa estrutura e volume, não se complica e agrada bastante em final de boa persistência.


Gostei bastante deste Assobio que mostra uma grande RPQ, a beber desde já mas não se perde se ficar esquecido um par de anos... mas agora sabe tão bem, porquê guardar ?
89 pts

Esporão Reserva branco 2009

Este e os restantes rótulos da respectiva colecção da autoria da artista plástica Joana Vasconcelos, serão porventura dos melhores rótulos que alguma vez vi numa garrafa de vinho de Portugal. Dito isto passo a dissertar sobre o Reserva em modo branco do Esporão, colheita 2009, um branco que nas suas primeiras colheitas tinha uma maior presença de madeira, o conjunto era bem mais redondo e um pouco mais torneado com a fruta a sentir-se mais "grossa" encorpada.

Recentemente a coisa tem vindo a afinar e refinar, o conjunto está a tornar-se mais fresco, mais desafiante e menos compacto, menos pacato se assim se pode dizer, este 2009 foi provado a primeira vez antes mesmo do seu lançamento oficial, mostrando na altua muita e boa fruta madura (maçãs, limão, laranja, pêra) muito fresca, flores e alguma relva, com leve carga mineral e boa estrutura. Passado mais algum tempo voltei a ele com mais duas garrafas abertas, um vinho a mostrar-se muito mais adulto e maduro, refinada complexidade, tudo no seu devido lugar e perfeitamente integrado, nesta altura o pargo assado no forno ligou na perfeição. Mais recentemente em pleno Agosto voltei a abrir mais 2 garrafas e o vinho já não se mostrou tão bem, algo por ali já se desconjuntava, pedia ajuda para ser bebido o mais rapidamente possível, o que antes estava no devido sítio começava então a desmoronar-se e a ficar empilhado o que lhe tirava desde logo grande parte do prazer que antes transmitira, mostrando-se desta forma um vinho torpe e sem graça. Recentemente abri a última garrafa quase como tira teimas e a desilusão foi completa, o vinho está completamente diferente do que havia provado da primeira vez, a meu ver mudou para algo que não me agrada, fruta madura de mais para a idade que tem, acanhado, apático e sem a frescura ou vivacidade que já teve, lembro bem a boa forma que outros Reservas brancos mostravam com alguns anos em cima, o 2007 chegou a fazer-me as delícias, cheguei mesmo a guardar alguns exemplares para usufruir dessa mesma complexidade que ganha em garrafa... neste caso dou-me por feliz por ver que os bebi num contra relógio contra o tempo de vida útil, é altura de começar a pensar no Reserva 2010 que está por aí a chegar.

11 novembro 2011

11 11 11

Uma vez que o Mundo não acabou é sinal que vou poder continuar a falar de alguns dos vinhos que me vão escorrendo pelo copo, curiosamente tenho a minha cave refrigerada marcada nos 11 graus... fica para relembrar o acontecimento apenas, as castanhas estão quentes e boas, a todos fica o desejo de terem um bom dia de São Martinho.
 
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