Serve este post apenas como notícia sobre o lançamento daquele que é seguramente o mais aclamado vinho de Portugal, o mais emblemático e o que reúne sempre um misto de mistério e surpresa na altura do seu lançamento. Hoje dia 16 foi dia de lançamento do novo Barca Velha para o mercado, não porque o mercado pediu mas porque se entendeu que 2004 atingiu a nível de qualidade exigido para ser proclamado Barca Velha. Vai na 17ª edição este vinho que nasceu em 1952, portanto ainda não chegou à idade adulta no que diz respeito às colheitas no mercado... quanto ao preço do vinho pelo menos a colheita anterior (2000) custou 75€ no Clube 1500 e passou depois nas lojas para 300€. A nota atribuída vem de série, sem pensar muito será chapa 18 - 18,5 que aqui o vento não passa e a seara não abana... depois é deixar que a especulação faça o seu trabalho... afinal há gente que até entendo a sua felicidade quando um vinho destes é lançado.
16 maio 2012
15 maio 2012
Young Winemakers of Portugal - Apresentação
São jovens ousados, irrequietos, divertidos e acima de tudo todos eles são enólogos, juntaram-se naquele que é o mais novo grupo de produtores em solo nacional, o Young Winemakers of Portugal. O grupo é formado por: João Maria Cabral - Camaleão; Luis Patrão - Vadio; Rita Marques - Conceito; Diogo Campilho e Pedro Pinhão - Hobby; Pedro Barbosa - Clip (na foto entre Pedro Pinhão e Diogo Campilho) Todos eles produzem vinhos distintos, diferenciados e numa onda jovem e desinibida com qualidade bem acima da média. A apresentação foi Sábado, num jantar que decorreu no fantástico G-Spot em Sintra.
Ser YOUNG é um defeito de carácter que só o tempo cura. Já ser Winemaker supõe-se que é o tipo de virtude que melhora com cada vindima, cada trasfega, cada estágio, cada vinho provado. Somos 6 aventureiros que se cansaram de VADIAR sozinhos e talvez presos por CLIPS se concentraram num CONCEITO. O HOBBY de cada Winemaker é muitas vezes ser CAMALEÃO, transfigurando-se de Viticultor em Enólogo, de Provador em Vendedor, de Viajante em Marketeer, de Rotulador em Cobrador. Se parece cansativo e nós sabemos que realmente o é, há só uma explicação para fazermos esta vida: é gostarmos muito de vinho.
É desta maneira que se apresentaram... os vinhos depois disseram o resto. Em amena cavaqueira foram-se apresentando os vinhos e os convivas, o primeiro a saltar para o copo vinha da zona dos Vinhos Verdes, um Clip do Monte da Vaia Loureiro 2011, Clip Loureiro 2011 para os amigos. Pedro Barbosa apresentou-nos um Loureiro de boa expressão, fresco, direto e frutado, flores a dar um leve perfumado. Boca com secura, acidez algo contida mas harmonia plena de inicio ao fim, mineralidade sentida ao de leve em final de média persistência (88pts). Baixou-se até Lisboa (Alenquer) para se provar um inovador Camaleão Sauvignon Blanc 2011, inovação que começa no rótulo térmico que muda de verde para azul quando fica frio... medida inteligente que nos obriga a ter o vinho a temperatura de serviço correta. Dito isto e focando no vinho, é um Sauvignon puro e sem contorcionismos, muito bem feito, franco, apelativo e nada forçado, nota-se aquilo que é o que tem para dar. Gostei do envolvimento aromático, da frescura reinante, da pureza de uma fruta tropical muito bem equilibrada com espargos verdes e alguma mineralidade. A frescura perdura na boca, mineralidade, boa secura no final com rasto frutado, para brilhar mais alto precisava de um pouco mais de definição e de presença mas isso certamente vai ser conseguido em colheitas futuras... nasceu um dos melhores Sauvignon Blanc made in Portugal e deste eu gosto (90pts).
Pequena pausa para apresentação dos três brancos da Rita Marques, primeiro o Contraste branco 2010, um bom vinho do Douro, a madeira deixa-se notar, tapa ao de leve a fruta e o conjunto, agita-se o copo e algum fermento, a fruta com citrinos vem depois com frescura, finesse e sensação de fina cremosidade. Na boca é gordinho e fresco, quase uma bolinha fresca de fruta e creme de avelã com baunilha, final ligeira mineralidade (90pts). O outro vinho da Rita, é o seu topo de gama e considerado um dos grandes vinhos brancos de Portugal, eu gosto bastante e o reencontro com o Conceito branco 2010 foi como encontrar um amigo. Muito aprumo entre fruta, frescura e barrica, menos presença da madeira que no anterior, a complexidade aumenta e desdobra-se em vários apontamentos, finesse dos pés à cabeça. Na boca apenas confirma, amplitude controlada pela delicadeza da fruta limpa com amparo sedoso da barrica em fundo fresco e de lembrança mineral (93pts). Por último o Conceito Nova Zelândia Sauvignon Blanc 2011, a nova colheita no mercado que se revelou na boa linha do anterior, gostei mais do outro, aqui encontrei um vinho mais sério e detalhado, talvez pela prova tivesse sofrido em ter sido dos últimos a vir ao copo, embora tivesse sofrido ligeiras afinações tornando-o mais sério e detalhado (92pts)
A ronda dos brancos iria passar pelos dois Hobby branco, o primeiro um Alentejo 2010 da zona de Portel, um 100% Antão Vaz que para boa surpresa não se deixou cair em tentação e mostrou-se fresco e solto, está lá o ananás, a calda mas tudo com contenção, a madeira faz o seu trabalho e na boca peca apenas pela falta de empenho da casta no segundo plano, quebra na falta de acidez (87pts). O segundo Hobby (Tejo) é também de 2010 e composto por Fernão Pires e Chardonnay, direi que cria empatia ao primeiro contacto, guloso, envolvente cremosidade, tostinha, frescura das castas, fruta gorda da Chardonnay sem ser em demasia, barrica espalhada e polida, tudo muito bonito numa abordagem que nunca deixa o vinho cair no facilitismo e lhe confere alguma seriedade (89pts).
Os vinhos iam fluindo com naturalidade, Luis Patrão falou do seu projeto pessoal na Bairrada com os vinhos Vadio. Começou-se pelo Vadio branco 2010, Cercial e Bical, muito charmoso de aromas, destaca-se pela diferença, coloca um sorriso no rosto, epa gosto disto, cheira-se novamente, fresco e bem exuberante, mineralidade sentida, fruta de caroço em quantidade e qualidade, amparo da madeira, secura na boca com muito boa presença, médio corpo, saboroso e final médio. Num grande ponto de consumo mas a dar a dica que vai ganhar algo de bom com mais algum tempo em garrafa (92pts). Passagem pelo Vadio Espumante bruto, novidade, proporção inversa do branco que faz termos um espumante seco, fruta cristalina e madura mas muito mineral e secura, na boca complementa-se e convence, ligeira mousse com toque de bolo, seriedade e bom comprimento (91pts).
Já durante o jantar iriamos ter a oportunidade de acompanhar com alguns dos brancos já mencionados e com alguns tintos, o Vadio tinto 2007, uma enorme surpresa pela qualidade e refinamento que mostrou, um Baga cheio, arredondado com boa frescura, fruta bem limpa e suculenta, a madeira com leve chocolate, apenas o redondeou, tornou mais completo e complexo, cheio de delicadeza e energia suficiente para vadiar pelo copo uma noite inteira... belíssimo Baga (92pts). O segundo momento tinto foi o Hobby 2008, Alentejano também ele de Portel, apesar da frescura que mostra ter na boca, a suficiente, não esconde os calores de 2008, abana-se com regaliz, fruta docinha e fresca, é guloso de provar e de cheirar... sabe bem e gosta de estar na mesa e no copo, médio corpo com boa carga de taninos a pedir comida, afinal é isso que queremos e conta (90pts). O jantar iria terminar em grande convívio com um repasto de elevada qualidade com os vinhos a complementarem muito bem. Aos Young Winemakers of Portugal estão de parabéns, agradeço o convite e desejo muito sucesso para os seus projetos.
Os vinhos iam fluindo com naturalidade, Luis Patrão falou do seu projeto pessoal na Bairrada com os vinhos Vadio. Começou-se pelo Vadio branco 2010, Cercial e Bical, muito charmoso de aromas, destaca-se pela diferença, coloca um sorriso no rosto, epa gosto disto, cheira-se novamente, fresco e bem exuberante, mineralidade sentida, fruta de caroço em quantidade e qualidade, amparo da madeira, secura na boca com muito boa presença, médio corpo, saboroso e final médio. Num grande ponto de consumo mas a dar a dica que vai ganhar algo de bom com mais algum tempo em garrafa (92pts). Passagem pelo Vadio Espumante bruto, novidade, proporção inversa do branco que faz termos um espumante seco, fruta cristalina e madura mas muito mineral e secura, na boca complementa-se e convence, ligeira mousse com toque de bolo, seriedade e bom comprimento (91pts).
Já durante o jantar iriamos ter a oportunidade de acompanhar com alguns dos brancos já mencionados e com alguns tintos, o Vadio tinto 2007, uma enorme surpresa pela qualidade e refinamento que mostrou, um Baga cheio, arredondado com boa frescura, fruta bem limpa e suculenta, a madeira com leve chocolate, apenas o redondeou, tornou mais completo e complexo, cheio de delicadeza e energia suficiente para vadiar pelo copo uma noite inteira... belíssimo Baga (92pts). O segundo momento tinto foi o Hobby 2008, Alentejano também ele de Portel, apesar da frescura que mostra ter na boca, a suficiente, não esconde os calores de 2008, abana-se com regaliz, fruta docinha e fresca, é guloso de provar e de cheirar... sabe bem e gosta de estar na mesa e no copo, médio corpo com boa carga de taninos a pedir comida, afinal é isso que queremos e conta (90pts). O jantar iria terminar em grande convívio com um repasto de elevada qualidade com os vinhos a complementarem muito bem. Aos Young Winemakers of Portugal estão de parabéns, agradeço o convite e desejo muito sucesso para os seus projetos.
12 maio 2012
Vinhos de uma vida... António Saramago
Quero com este texto prestar a minha homenagem a um dos grandes nomes da Enologia de Portugal e do Mundo, o seu nome é António Saramago. Formado pelo Instituto Superior de Enologia de Bordéus, é produtor e enólogo consultor de vários outros projectos. A marca que deixa nos vinhos que elabora é precisa, metódica, atinge com mestria de relojoeiro Suiço a excelência em alguma das suas criações. Os vinhos que fez e que continua a fazer com aquele savoir-faire da escola de Bordéus, grande exemplo com os "seus" Tapada de Coelheiros, ou os encantos dos seus vinhos na Serra de Portalegre ou até mesmo os vinhos que criou na Adega Cooperativa da Granja. Se acham isto pouco então ainda se poderá acrescentar a mestria como domina os Moscateis, a arte que imprimiu em alguns dos grandes da casa José Maria da Fonseca e que nos dias de hoje cria com a sua própria marca. É muito mais que um enólogo, é um Mestre, alguém que tem a capacidade de nos fazer sonhar, que nos cativa com a sua voz serena e pausada, que nos inunda com a sua sabedoria, com a paixão com que fala dos seus vinhos e dos vinhos que gosta.
Foi num destes dias que a seu convite me desloquei a sua casa, uma prova muito especial, privada e apenas para alguns sortudos em que para além de tudo se ficou a conhecer a obra de vida de um Senhor do Vinho.
Conversa amena, os vinhos iam desfilando e provando à medida que se ia ouvindo e questionando, são já 50 anos de dedicação em que se abordou a sua paixão pelo Moscatel, pelos vinhos da sua terra Palmela e pela sua passagem no Alentejo. A prova começou pelos vinhos de Palmela, os António Saramago Reserva, vinhos de excelente relação preço/qualidade onde brilha a casta Castelão de vinha velha que António Saramago defende e aprecia, temperada com alguns pingos de Alicante Bouschet... todas as colheitas a mostrarem vinhos com raça, bastante frescura e uma capacidade de nobre evolução de se lhe tirar o chapéu. São vinhos que precisam de tempo, não é vinho para enófilo apressado. Atualmente no mercado está o Reserva 2009 naturalmente o mais austero, fruta sólida, especiaria com madeira ainda que suave bem presente. Tudo muito jovem com grande alarido, denso, enrugado na boca, vegetal e por refinar e aprumar o seu conteúdo... é e vai ser grande. O 2007, vivaço, seco e estruturado, muito rico com frescura da fruta limpa e viva, mais domesticado que o 09 embora ainda com tempo nas pernas. Nos finalmente o 2005 e o 2003 que seria na altura o Escolha Palmela, o 2005 é um vinho em que se sente claramente o perfil Reserva mas muito pronto a beber, tudo mais calmo, cacau, pimenta, refinado e refrescante bálsamo vegetal e fruta serena com cereja, enquanto isto o 2003 está na sua plenitude, fino, fresco, com muita coisa boa a aparecer no nariz e na boca, saboroso e fresco... claramente todos eles a mostrar que a Castelão é uma casta a ter muito em conta. Por último nesta senda, o Escolha Alentejo 2001, vinho com uvas ali de Ferreira do Alentejo, apesar da prova contida com alguma frescura mostra que já teve melhores dias, perde muito ao lado dos outros colegas.
Ainda no Alentejo e rumando a Portalegre, o topo de gama de António Saramago de nome Dúvida. Este vinho surgiu na colheita 2005 e é lançado apenas quando se entende que deve ser lançado, aqui nesta prova esteve o 2008, um grande vinho do Alentejo ali da zona que o viu nascer, é vinho sem grande modernismo... remexe a memória com outras coisas que se beberam vai para largos anos ali daquela zona, ainda austero mas permitindo boa aproximação, o bouquet é magnético e tem a capacidade de atrair o mais desprevenido, flores, fruta madura, madeira, tudo muito lá... tudo muito fácil e ao mesmo tempo complexo. Um grande vinho do Alentejo a acompanhar muito de perto nos próximos tempos... dito isto deu-se um salto até à Herdade do Porto da Bouga onde se provou o Garrafeira 2003, este vinho mora nas prateleiras das grandes superfícies, pessoalmente foi o que menos me disse, algo impessoal e achei de fraca atitude, nada do que as primeiras colheitas que dali vi sair me tivessem mostrado ou acostumado, saudoso 2002. Depois foi entrar nos históricos, em que brilhou bem alto o Tapada Coelheiros 1996. Para último ficou a prova de dois vinhos Moscatel, o Reserva 2007 a mostrar-se um moscatel fresco, frutado e de consumo mais descontraído, por outro foi provado a estrela da companhia o JMS Superior 1993. Todos os vinhos vão ser alvo de prova mais detalhada, a ser colocada a devido tempo.
Deixo aqui o meu agradecimento e os parabéns pelos 50 anos de fantásticos vinhos que tão bons momentos acompanharam e proporcionaram.
Ainda no Alentejo e rumando a Portalegre, o topo de gama de António Saramago de nome Dúvida. Este vinho surgiu na colheita 2005 e é lançado apenas quando se entende que deve ser lançado, aqui nesta prova esteve o 2008, um grande vinho do Alentejo ali da zona que o viu nascer, é vinho sem grande modernismo... remexe a memória com outras coisas que se beberam vai para largos anos ali daquela zona, ainda austero mas permitindo boa aproximação, o bouquet é magnético e tem a capacidade de atrair o mais desprevenido, flores, fruta madura, madeira, tudo muito lá... tudo muito fácil e ao mesmo tempo complexo. Um grande vinho do Alentejo a acompanhar muito de perto nos próximos tempos... dito isto deu-se um salto até à Herdade do Porto da Bouga onde se provou o Garrafeira 2003, este vinho mora nas prateleiras das grandes superfícies, pessoalmente foi o que menos me disse, algo impessoal e achei de fraca atitude, nada do que as primeiras colheitas que dali vi sair me tivessem mostrado ou acostumado, saudoso 2002. Depois foi entrar nos históricos, em que brilhou bem alto o Tapada Coelheiros 1996. Para último ficou a prova de dois vinhos Moscatel, o Reserva 2007 a mostrar-se um moscatel fresco, frutado e de consumo mais descontraído, por outro foi provado a estrela da companhia o JMS Superior 1993. Todos os vinhos vão ser alvo de prova mais detalhada, a ser colocada a devido tempo.
Deixo aqui o meu agradecimento e os parabéns pelos 50 anos de fantásticos vinhos que tão bons momentos acompanharam e proporcionaram.
07 maio 2012
John Cleese: Wine for the Confused
O documentário Wine for the Confused (2004), lançado no canal Food Network e que está também disponível em DVD, não é uma novidade no mercado. John Cleese é o responsável por esta belíssima introdução ao mundo do vinho, numa abordagem fácil, divertida, com um vocabulário simples onde se aborda desde a elaboração, principais castas brancas e tintas, serviço e prova do vinho.
Interessante, informal e sempre com algum humor característico desta lenda da comédia.
A destacar algumas opiniões que sempre devem ser tidas em conta, tal como:
"Quality should be judged by your own taste."
Não deixa de ser interessante a escolha das 6 castas mais importantes segundo o autor, brancas com Riesling, Chardonnay e Sauvignon Blanc e tintas com Merlot, Cabernet Sauvignon e Pinot Noir.
06 maio 2012
Olho de Mocho Reserva 2009
Continuando com os vinhos da Herdade do Rocim, também da colheita de 2009, desta vez o Reserva Olho de Mocho, patamar acima do Herdade do Rocim 2009, tanto em preço que ronda o dobro do irmão mais novo, 15€ em garrafeira, como em qualidade pois estes novos lançamentos tornaram-se mais polidos e mais fáceis de entender, falam uma língua mais perceptível o que é sempre bom tanto para quem faz como para quem compra e bebe. O perfil é todo ele Alentejo, um Alentejo moderno e apelativo, mesmo com todos os seus facilitismos não se importa pois o resultado é positivo e bastante bom.
É um vinho que evidência bastante mais gordura que o seu irmão mais novo, tem bastante mais peso tanto da fruta sobremadura tal como da madeira por onde passou, salva a frescura que evita enjoo e um lote de aromas e sabores derivados da passagem por madeira que marca o vinho. Muito pronto a beber, elegante, médio corpo, bom arrasto na boca a mostrar-se saboroso com final de alguma secura derivada de taninos por amaciar.
Ao mais puro estilo Nu Metal, para os apreciadores do estilo fará as delícias, com algum peso, ritmo e fica facilmente no ouvido... direi gosto. Com mais doce mas com acidez mais elevada, não será vinho de grande evolução em garrafa, 1 a 2 anos no máximo, mas enquanto estiver nesta forma é ir abrindo e aproveitar toda a sua energia ao lado da boa gastronomia do Alentejo, por exemplo umas migas com carne do alguidar. 91pts
04 maio 2012
Herdade do Rocim 2009
Nunca o Rocim (Herdade do Rocim) esteve tão bom como está agora, a mudança de imagem resultou num aprumo que se deve enaltecer, ficou mais bonito e mais maduro, o vinho ao que parece também se refinou, tornou-se mais sério, rico e profundo. Nota-se um claro melhoramento a todos os níveis, um vinho que me trouxe à memória outros vinhos do Alentejo que na colheita 1999 me deliciaram. O preço também ele ajustado face à qualidade ronda os 8/9€ em boa garrafeira.
Este Herdade do Rocim 2009 apresenta-se sem os tentadores exageros da planície, a destacar uma fruta fresca com pouca barrica pelo meio, está lá mas melhor integrada, a mostrar muito mais frescura e elegância que os anteriores lançamentos e acima de tudo muito mais finesse e envolvência do conjunto. Saboroso com macieza e uma generosa envolvência bem gulosa a saber a fruta, cacau, especiaria, terminando em boa persistência.
É certamente o tipo de vinho que dá gozo ser bebido de forma informal, aquele "topo de gama" para os que não podem nem querem dar mais do que 10€ por uma garrafa de vinho. Muito bem feito, pleno de encanto e para ir abrindo nesta fase tão boa da sua vida... enquanto não sai nova colheita. Este acompanhou de forma impecável uma tradicional Lasagna no forno... mais houvesse, tinto e da dita cuja. 90 pts
26 abril 2012
Quinta do Crasto Reserva Vinhas Velhas 2007
No mundo do vinho há casos em que só muito dificilmente não gostamos do que temos no copo... o vinho de que vou falar é um desses casos. Nascido na Quinta do Crasto, o Reserva feito de Vinhas Velhas é um sucesso, a sua produção ultrapassa a centena de milhar, o preço tem sido quase uma constante e bem comprado rondará os 20-25€, valor correto. O vinho em si é todo ele bastante apelativo, pode ser alarmante a facilidade com que cativa os mais incautos e "batidos" nisto das marcas e dos nomes... mas consegue, tem carisma o malandro, charme na goela pela maneira como graceja com a gente. Com o Douro na alma, mostra na sua atitude já os tiques sofisticados da nova era, vinho mais universal e com capacidade de falar outras línguas... perdeu o sotaque, ganhou em visibilidade. É inconfundível e transformou colheita após colheita numa pedra firme no que a qualidade e acima de tudo, consistência diz respeito e que Portugal tem para oferecer dentro e fora de portas.
É com um bom conjunto de aromas a mostrar frescura e complexidade, que nos cumprimenta inicialmente causando imediata empatia com fruta rechonchuda e limpa, madura e fresca, depois a madeira bem integrada a dar todo o amparo. Mais morno no segundo plano, especiaria doce, alguma compota e a sensação de volume e arredondamento, baunilha, chocolate de leite, debita boa quantidade de esteva e violetas, tudo bem acomodado. Embora a complexidade seja satisfatória não atinge um nível de elevada performance, não será vinho de grande guarda ou de grandes tiradas uma vez que lhe falta mais nervura para tal. Na fruta todo ele com boa estrutura, médio corpo, fruta redonda e madura, suculento, especiaria com pimenta preta, muito boa espacialidade a preencher bem o palato com harmonia e macieza, conseguindo mostrar algum peso e frescura. Final de boca de média persistência com rasgos de mineralidade, todo ele bem composto a dar uma prova de qualidade acima da média. 92 pts
24 abril 2012
Quinta da Leda 2007
Distante deste infernal teclado vou derrubando algumas garrafas, rebuscando na memória aqueles bons momentos que passaram e onde por vezes gostaria de voltar a estar, locais que já não há com gente que já não está, o vinho dá para isto e para tanta coisa, também dá para parar, pensar... sonhar.

Um desses vinhos do qual gosto muito é o Quinta da Leda (Casa Ferreirinha), vinho que nasce no berço dourado do Barca Velha, a Quinta da Leda, feito com um lote de castas tradicionais do Douro, Touriga Nacional, Touriga Franca e Tinta Roriz. No Leda sempre lhe encontrei mais pujança e maturação que nos irmãos mais velhos, clássicos abastados (Reserva Especial e Barca Velha), mostrando-se nesta ordem mais vinho que o seu primo Callabriga. O Quinta da Leda nasceu lá para o ano de 1995, recordo nos meus inícios de enofilia os seus belíssimos lançamentos versão Touriga Nacional, pejados de pujança e estrutura, cheirosos e raçudos que nos dias de hoje e em condições deslumbram uma mesa. Tive o prazer de acompanhar o crescimento desta marca com alguma atenção e insistência nas suas provas, terei falhado eventualmente algumas colheitas, mas recordo com alegria o 1999, 2001 e mais para a frente o 2003. Entretanto a mudança de rótulo e garrafa afastou-me do vinho, quase por birra enófila de ver desconstruir algo de que se gosta... voltei a ele na colheita 2007, dos que já bebi até hoje não andará muito longe de ser o que mais me preencheu as medidas, encontrei no 2007 um Leda adulto, raçudo, com força e sabedoria no trato, um vinho muito bonito cheio de frescura, fruta, estrutura e todo ele muito Douro para estar e durar... sim este é dos que duram.
Perfil a que gosto de chamar clássico moderno do Douro, mostrou-se em excelente fase da sua longa vida com vigor e boa dose de esteva e as ervas de cheiro do campo, as ditas cujas violetas da Touriga logo de inicio, fumo, vai crescendo com tempo no copo, muito bom na sua complexidade e compostura, notável densidade de aromas quase que por camadas de boa espessura. Fruta escura em modo bagas e pomar com cereja, ameixa, bem fresca e sumarenta, compota ligeira, bálsamo pelo meio a dar lugar a especiaria, chá preto, tabaco em segundo plano. Boca ainda com ligeira secura dada por taninos presentes mas sociáveis, aquela austeridade que lhe assenta bem e lhe permite ter garra para acompanhar pratos mais elaborados, todo ele a começar a mostrar e bem grande elegância de conjunto e mesmo harmonia com a prova de nariz, bom preenchimento do palato com bom volume e frescura, profundidade assinalável com a fruta madura e fresca a fazer-se sentir, vegetal, especiaria e final de boca com persistência média/alta. O preço longe de ser escandaloso rondará quase sempre a casa dos 30€... a meu ver bem merecido para o vinho que é e continuará a ser durante uns bons anos. 94 pts
17 abril 2012
Quinta das Carrafouchas 2008
O tinto em prova da colheita 2008, Touriga Nacional com Aragonês, mostrou-se antes de tudo em muito boa forma, mediano na intensidade aromática com frutos do bosque a mostrar qualidade mas também um toque adocicado sem exagero e que se enquadra bem com a boa frescura que o vinho tem. Por momentos cheira a canela, baunilha, algum toque de caramelo com vegetal/floral em fundo. Boca com corpo médio, boa acidez que lhe confere frescura de bom nível, fruta a fazer um bom balanço entre a prova de nariz e a prova de boca. Saboroso e com boa estrutura, sentem-se os taninos ainda que de mansinho, harmonioso e com boa passagem no palato. Nunca caindo em facilitismos embora dentro da sua aparente simplicidade mostra-se mais sério do que parece, em final de boca de persistência média.
O preço mostra-se adequado, ronda os 5.50€ para um vinho que dá uma boa prova de si, não sendo apenas mais um tem na personalidade o suficiente para se demarcar dos restantes, muito virado para ser bebido à mesa a acompanhar pratos de bom tempero, mostrou que tem estrutura suficiente para tal. O produtor tem ainda um branco de igual qualidade que também merece ser bebido e conhecido, estando ainda no segredo do proprietário um novo lançamento. 90 pts.
16 abril 2012
Gravato Vinhas Velhas 2008
Luís Schepers Roboredo, produtor da marca Gravato, lançou no mercado mais uma novidade, depois de ter ressuscitado o Palhete e do sucesso que alcançou com o seu Touriga Nacional, vem também ele da Beira Interior um tinto de Vinhas Velhas com tudo misturado... castas brancas e tintas onde entre a rebaldaria das vinhas com mais 60 anos, nos surgem a Rufete e a Síria Velha (Códega do Larinho). O vinho invoca memórias de outros tempos, precisamente porque as vinhas eram por vezes essa tal rebaldaria de brancas e tintas misturadas... este saiu como tinha de ser, saiu com a vontade de relembrar como outros no antigamente terão saído...
O vinho apenas sentiu a frieza do inox, durante 2 anos diga-se, só lhe fez bem, amaciou e acertou tudo para que quando for levado ao copo o resultado seja o esperado, pinga pronta para ir à mesa em boa companhia. Neste caso não é vinho com grandes segredos de complexidades muito rendilhadas ou rebuscadas, aqui o segredo são aqueles 5% de Síria Velha, são os solos onde as vinhas estão situadas, é a saudável teimosia de um produtor em fazer vinho à moda de outros tempos. Neste caso e mais uma vez com a sua dose de interesse, não deslumbra mas mostra-se muito correto, todo ele direto e simples, muita fruta vermelha e ácida, quase que com travo verdasco pelo meio, talos verdes acabados de cortar, depois floral e mineralidade em fundo conferindo alguma austeridade no conjunto. No bom volume de boca, não chega a ser pesado, é harmonioso e de trato leve e fresco... Tinto Fresco para ser servido fresco, tinto para ir à mesa e beber descontraidamente, grelhada mista em tempo quente no terraço com os amigos. 89 pts
15 abril 2012
Cedro do Noval 2007
Volto aos vinhos do Douro, volto aos vinhos de mesa deste mítico produtor de Vinho do Porto, a Quinta do Noval, desta vez por mais uma excelente razão, o Cedro do Noval da colheita de 2007. Este é o segundo vinho, logo abaixo do vinho com nome da Quinta, o Quinta do Noval, o Cedro é vinho que perdeu o DOC para passar a ser Regional Duriense, a razão é a casta Syrah ter sido incluída no lote a 35% mais Touriga Nacional, Touriga Franga e Tinto Cão. Vão nadar em carvalho francês durante 18 meses até que ficam na clausura da garrafa e pronto a ser consumido ou guardado.
A qualidade está mais que patente, janela escancarada para um Douro com toques de clássico, duro e austero mas ao mesmo tempo um Douro carismático e charmoso, mais moderno e sedutor onde a frescura lhe enche a alma. No seu bonito toque de modernidade, fruta escura muito madura, limpa e pura, cereja e groselha, carregado de especiaria e mineralidade, madeira a caminho do ponto certo (está quase) com os seus contributos de qualidade acima da média, fumado, cacau e leve tabaco. Vinho cheio, profundo, um gozo a cheirar e a rodopiar no copo, por entre o rendilhado da fina e bem composta rede de aromas, uma nota de bálsamo... ali mesmo dos Cedros da Noval. Leve-se à boca para na sua entrada com fruta cheia de força e energia, um vinho cheio, que mostra vigor e garra, ao mesmo tempo um embalo prazenteiro, leve ponta de geleia pelo meio, alguma ameixa mais tocada, um vinho que na companhia de um cabrito no forno nos delicia. Vai buscar a ligação com as ervas e as especiarias, a acidez controla a gordura do assado. Vem refinando com o tempo, todo ele muito aperaltado e envolvente, passagem de boca com harmonia, alguns taninos ainda presentes em final médio/longo, mostrando-se um excelente vinho para a qualidade e preço apresentado, relembro que o preço ronda os 15€ tornando a compra bem apetecível. Mais aberto e dialogante que o seu irmão mais velho, não deixa de ser aquilo que é... um belíssimo vinho do Douro. 93 pts
14 abril 2012
Fiuza 3 Castas e 1 Sauvignon 2011
São os brancos mais recentes da Fiuza no mercado, o Sauvignon Blanc e o 3Castas, vinhos de 2011 a cheirar a novo, frutados e prontos para o dia a dia. São na sua essência vinhos formatados para um consumidor que procura vinho bem feito, que saiba bem e acompanhe de igual modo a refeição, vinhos corretos.
Começo por destacar a qualidade que se destacou um pouco acima das colheitas que já tinha provado, por falar naquele que mais gostei, o Fiuza 3 Castas 2011 onde a combinação de Chardonnay, Arinto e Vital embrulha todo um conjunto de preço acessível a rondar os 3.50€ que se revela assente nos aromas primários, apesar de pouco expressivo mostra-se correto e sem grande complexidade, toque floral com fruta madura e um ligeiro rebuçado. Na boca a mostrar frescura, passagem suave sem grandes atropelos onde a fruta marca presença em final mediano. É um vinho firme e hirto, quase recto, simplex mas catita, não complica, não é tão forçado como o outro e por tudo isto mostra-se ligeiramente mais genuíno. 86 pts
No outro copo tinha o Sauvignon Blanc 2011, vinho que mais uma vez não me enche as medidas e que pessoalmente não lhe vejo grande mais valia ou sequer piada... beba-se apenas como branco que é. O preço é mais elevado e sobe para uns 4.50€ sem que o seu comportamento durante a prova o consiga justificar. Vinho correto, simples e que se resume de forma simples a uma presença ligeira de fruta fresca e madura com leve herbáceo, cumpre se servido fresco e sem pensar muito no que se tem no copo... 84 pts
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