Copo de 3

08 dezembro 2014

Justino´s, Madeira Wines

A tradição do vinho na Madeira é secular, tudo começou no século XV quando o Infante D. Henrique ali mandou plantar vinhas de Malvazia/Malmsey importada da Grécia. Passados mais de 500 anos o Vinho Madeira tornou-se um dos ícones do Mundo do Vinho, quer pela longevidade quer pela qualidade, marcando presença em acontecimentos tão marcantes como por exemplo a Declaração da Independência dos Estados Unidos a 4 de Julho de 1776.
Na recente viagem à Madeira uma das empresas visitados foi a “Justino´s, Madeira Wines, S.A.” criada em 1953 mas cujo fundador foi Justino Henrique Freitas em 1870 quando ainda era uma companhia familiar conhecida como Vinhos Justino Henriques (V.J.H.). Em 1981 Sigfredo da Costa Campos compra a empresa e amplia o seu valor com a compra do stock da Companhia Vinícola da Madeira. Associa-se em 1993 ao grupo Francês “La Martiniquaise” e em 1994 muda-se das instalações no centro do Funchal para o Parque Industrial de Cancela onde se encontra até hoje. Com a sua morte em 2008 a empresa, passou a ser detida na totalidade pelo grupo Francês.
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Alinhamento dos 10 Anos (Sercial, Verdelho, Boal, Malvazia*) © Blend All About Wine, Lda.
A prova, excelente por sinal, foi realizada nas atuais e modernas instalações onde me deixou alguma saudade aquela atmosfera tão característica das adegas mais antigas por onde a passagem do tempo deixou as suas marcas e histórias. Felizmente essa carga nostálgica passou de imediato com a excelência dos vinhos que me iam sendo servidos.
Antes do destaque daqueles que mais gostei, um pequeno apontamento sobre os Justino’s 10 Anos das castas mais conhecidas (Sercial, Verdelho, Boal, Malvazia), vinhos que nos oferecem uma intensidade e maturidade acima da média. E é muito provavelmente a partir de aqui que se começa a melhor entender o “Mundo Madeira” em vinhos cuja harmonia de conjunto se mistura num bouquet mais adulto e que já nos permite sonhar com os patamares mais altos.
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Justino’s Terrantez Old Reserve © Blend All About Wine, Lda.
Justino’s Terrantez Old ReserveA Terrantez é uma casta rara e quase extinta, que envolve os vinhos a que dá origem com uma capa de mistério e fascínio. Estamos perante um vinho com mais de quarenta anos, alguns apontamentos tal como os toques esverdeados no rebordo indicam que pode ser bem mais velho que isso. Um vinho concentrado e profundo, notas de iodo, caril, laca, madeira de casco velho, frutos secos com bolo inglês, exótico e misterioso. Boca com entrada que envolve e forra o palato com travo untuoso de nozes e amêndoas, geleia de laranja, enorme elegância com aquela acidez que conquista num final muito longo e persistente.
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Justino’s Sercial 1940 © Blend All About Wine, Lda.
Justino’s Sercial 1940Pela alta acidez que a casta transporta para os vinhos, é a que mais tempo necessita para se desenvolver e mostrar em garrafa. De todos o meu favorito com muitas notas de maresia, muita amêndoa salgada, laca, complexidade e elegância, mel com casca de laranja cristalizada ao mesmo tempo que debita uma frescura bem afiada a embalar toda a prova. Grande presença no palato com ligeira untuosidade de frutos secos salgados, iodo, raspas de citrinos, muita emoção e sabor, mais uma vez a acidez em destaque num vinho a todos os níveis inesquecível.
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Justino’s Verdelho 1954 © Blend All About Wine, Lda.
Justino’s Verdelho 1954Um vinho que emana frescura e energia, complexidade a rodos num conjunto denso e até algo cerrado de início com aquele toque de limão muito maduro em geleia, chá verde, ramalhete de flores na companhia de nozes, muita vivacidade em conjunto pujante e seco. Boca em contraste com os aromas, cheio de sabor com notáveis apontamentos onde se destaca a secura que revitaliza o palato e convida a mais um trago, sempre com muito sabor e ligeiro toque de untuosidade num vinho que termina apimentado e com um enorme final.
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Justino’s Malmsey 1933 © Blend All About Wine, Lda.
Justino’s Malmsey 1933
Um grande vinho que mostra a razão pela qual não há vinhos comparáveis com os grandes Madeira, aqui a longevidade coabita com uma complexidade/frescura difícil de encontrar noutro local. Este é dos grandes, daqueles que conquista no imediato, sente-se por natureza da casta que é mais doce e “pesado” que os provados anteriormente. Grande complexidade com notas de caramelo de leite, passas de figo, laca, frutos secos, elegância entre conjunto e aquela acidez necessária que lhe dá enorme vida, café moído, caixa de charutos, especiarias, tudo muito bem pronunciado numa perfeita harmonia entre nariz e boca. Palato com passagem untuosa e fresca, com aquela pontinha doce no final que o torna pecaminoso.

06 dezembro 2014

Olho de Mocho Reserva branco 2013

O tempo em  que os vinhos de Antão Vaz surgiam no mercado carregados de notas de madeira nova, pesados e sem graça, felizmente parece ter acabado. Aqui temos o exemplo de como sempre deveria ter sido, um vinho elegante onde a madeira não ofusca a fruta de tons tropicais e citrinos que se mostra em primeiro plano, nota muito positiva para a frescura que cria uma boa harmonia com as notas de barrica a mostrarem-se muito bem integradas, suportado por uma boa estrutura na boca que lhe confere algum peso. Saboroso e a beber-se desde já com bastante agrado,  será vinho para perto dos 12€ e que acompanha bem carnes brancas ou uma combinação tão básica como por exemplo o bacalhau com natas. 90 pts

05 dezembro 2014

Herdade do Rocim branco 2013

Ano após ano a Herdade do Rocim afirma-se como um dos grandes produtores sediados no Alentejo, com uma gama de vinhos cheia de qualidade que tem sofrido as normais afinações de perfil ao longo dos primeiros anos de vida. Este branco Herdade do Rocim vem na linha de edições anteriores agora na colheita 2013, um Alentejano da planície feito à base das comadres Antão Vaz, Arinto e Roupeiro que apenas conhecem o frio do inox, com preço a rondar os 8€. Mostra boa frescura de aromas, muito citrino com folha de limoeiro, toque tropical com ananás e calda, flores, muito franco e directo. Boca a condizer onde a frescura comanda um vinho de corpo mediano, final de boa persistência. 89 pts

03 dezembro 2014

Porta dos Cavaleiros Reserva Seleccionada 1985


Sem produção própria ou sequer vinificação na região do Dão, as Caves São João limitavam-se a comprar vinhos nas adegas cooperativas e em algumas quintas da região para posterior estágio e loteamento na sua sede localizada na Bairrada. O grande conhecimento que os irmãos Alberto e Luís Costa detinham sobre a região nos anos 60, permitiu durante esse tempo adquirir/abastecer de forma continuada com alguns dos melhores vinhos de toda a região. A mestria com que dominavam a arte do lote e tendo em conta a qualidade da matéria-prima disponível, permitiu criar vinhos de enorme qualidade com um cunho muito próprio aliado a um perfil marcadamente clássico da região. Vinhos que perduraram na sua grande totalidade até aos dias de hoje, no silêncio das caves, onde residem nos dias de hoje mais de um milhão de imaculadas garrafas que resistiram à passagem do tempo. É pois todo um privilégio e uma rara oportunidade para os apreciadores poderem entrar nos dias de hoje em contacto com toda a glória e esplendor de tempos que já não voltam.

Sobre este 1985 que se mostra com um aroma clássico da região, quase que em forma de compêndio, mais fresco e definido que o 1983, menos denso embora de igual patamar de qualidade, aqui com a energia de uma fruta vermelha (bagas silvestres) muito viva, tabaco seco, fumo, ameixa seca, pinhal, cheio de finesse. Boca cheia de fruta viva e suculenta que apetece trincar, acetinado no palato, um autêntico prazer a beber, fantástico o equilíbrio e a frescura invejável. Um hino ao que de melhor o Dão e Portugal têm para oferecer. As condições de guarda têm muito a dizer sobre o estado de saúde do vinho, pelo que se recomenda a compra na loja do produtor onde deverá rondar os 35€.  96 pts

Porta dos Cavaleiros Reserva Seleccionada 1983



A par do 1985 este 1983 fará parte do lote restrito dos grandes clássicos da nação e que com o passar dos tempos tem sido exemplar de prova obrigatória para todos aqueles que desejam entender a grandiosidade da região e do produtor em causa. Mostra o aroma clássico que de imediato nos remete para a sua região de origem, o Dão. Precisa de tempo no copo, complexo e profundo com muito mato, caruma, ervas de cheiro, fruta negra (cereja, framboesa) sumarenta, bem limpa e fresca a ser acompanhada por notas de violeta, fumado, terroso e especiado (pimenta). Mais compacto que o 1985 com uma presença vegetal mais acentuada, pleno de harmonia na boca com muita fruta madura, cereja em destaque, pinheiro e especiaria, frescura que se destaca e que se conjuga de uma forma bonita com a fruta, corpo médio numa passagem acetinada pelo palato com muita vivacidade, final longo e persistente. Sirva-se com um cabritinho assado no forno. 95 pts

Quinta dos Lobatos 2013

Um tinto sobre a alçada da Quinta do Javali, a nova colheita que entrou no mercado, ligeiramente austero devido a ser ainda muito novo, fruta compacta e madura com alguma compota mas muito limpa, especiaria com muita pimenta preta, nota de esteva, carnudo, vai-se esticando e mostrando com o tempo no copo. Boca cheia de vigor e frescura com a fruta a explodir de sabor, secura no fim, pimenta preta, fundo mineral e prolongado.Bem estruturado o suficiente para ser companheiro de pratos de bom condimento com um preço que ronda os 10€. 90 pts

22 novembro 2014

Adega Regional de Colares

Entre a Serra de Sintra e o Oceano Atlântico, a 25km a Noroeste de Lisboa, situa-se uma pequena zona vitícola muito antiga com produção a remontar ao ano de 1255, aquela que é a Região Demarcada (desde 1908) mais ocidental da Europa e a mais pequena região produtora de vinhos tranquilos de Portugal.
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Sala dos Tonéis © Blend All About Wine, Lda.
A história do vinho de Colares é longa e perde-se nas páginas do tempo, os seus vinhos ainda hoje fazem parte das memórias dos seus apreciadores e são alvo de procura pelos mais dedicados e curiosos. Na verdade a região perdeu-se no turbilhão da era moderna, o comboio da novidade, caiu no esquecimento com o respectivo abandono progressivo da actividade por parte das gentes locais contribuindo isso em muito para que a quantidade de vinha que existia fosse desaparecendo.
O mais importante produtor da região, até pelo poder de certificar os vinhos DOC Colares, é a Adega Regional de Colares, que após receber as uvas vê os mostos serem posteriormente vendidos em bruto e trabalhados nas respectivas adegas dos associados como é caso a Adega Viúva Gomes. A Adega Regional de Colares foi fundada em 1931, reúne mais de 50% da produção da região e mais de 90% dos produtores da mesma.
Hoje em dia, passo a passo a região começa a despertar por resultado do esforço e dedicação de alguns produtores, para além da Adega Regional o principal centro de vinificação da região ainda se juntam mais dois novos produtores, a Fundação Oriente e o Casal Sta. Maria.
Parte desse esforço, dessa saudável teimosia de revigorar a imagem e qualidade dos vinhos da região tem um rosto, o enólogo Francisco Figueiredo (Adega Regional de Colares). Mostrando um brilho no olhar quando nos fala da região, dos seus vinhos e em especial da casta Ramisco, aquela que tanto gosto e defende. Foi toda uma manhã que apesar de ter começado chuvosa, se dedicou a explorar a região, os vinhos e as vinhas.
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Francisco Figueiredo © Blend All About Wine, Lda.
Focando apenas nas vinhas de chão de areia, cujas vinhas pré-filoxéricas evidenciam os contornos do tempo, tivemos a sorte e privilégio de assistir à vindima (foto abaixo) sendo bem visível quer as barreiras em cana que protegem as vinhas dos ventos e da maresia, como nas macieiras anãs de Maçã Reineta de Colares, tradicionais companheiras das vinhas de Colares.
A proximidade ao mar tem enorme influência nos vinhos: frescura, mineralidade, toque salgado com algum iodo fazem parte dessa diferenciação tão própria da região. Um património tão rico e único, com uma forte componente tradicional a ele associada.
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As vinhas de Colares © Blend All About Wine, Lda.
Enquanto a Malvasia Fina reina nos brancos de Colares, domina os vinhos pela salinidade, muita frescura num perfil quase sempre tenso enquanto novo, com uma evolução muito positiva que nos envolve com aromas de tisana, lápis de cera e rebuçado, vinhos que são a companhia perfeita para acompanhar pratos de peixe e marisco.
Nos tintos brilha a casta Ramisco, os vinhos a que ali dá origem destacam-se pela tonalidade aberta, pouco concentrados e nos melhores exemplares com longevidade assegurada. Vinhos de enorme elegância, muita harmonia com toque iodado a despertar nos mais longevos, enquanto novos mostram uma frescura muito boa, fruta viva e muito limpa com carga vegetal vincada numa estrutura assente em taninos que lhe garantem boa evolução.
Bastante interessante o poder comparar a evolução após respectiva prova directamente da barrica do Ramisco 2011 (o mais aguerrido com carga vegetal e secura vincada) e 2008 (uma delícia de vinho a mostrar uma grande evolução no copo, fruta muito saborosa e fresca com boa estrutura e taninos ligeiramente domesticados) e o já engarrafado 2006 (mais pronto, no entanto também mais polido e delicado que o anterior).
Arenae Malvasia Fina branco/white 2011
Um branco ainda muito novo, tenso, marcado pela mineralidade, toque salgado, muito citrino, algum lápis de cera com a tisana a surgir em fundo. Boca com muito boa acidez, boa definição num vinho com traço mineral e fim quase salgado, longo e bonito final. Perfeito a acompanhar umas Ameijoas à Bulhão Pato.
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Arenae Ramisco Red 2006 © Blend All About Wine, Lda.
Arenae Ramisco tinto/red 2006
Muito limpo no aroma a fruta vermelha (morango, framboesa, mirtilo), toque vegetal fresco a conferir ligeira austeridade ao conjunto, boa complexidade e profundidade. Especiaria, fundo bem fresco que nos guia durante a prova, palato cheio de sabor com secura no fundo. Fantástico a acompanhar uns bons nacos de novilho no carvão.

21 novembro 2014

Quinta dos Poços Reserva 2012


Novo Quinta dos Poços Reserva agora 2012, 12 meses em madeira com lote composto por Touriga Nacional, Tinta Roriz e Touriga Franca. Preço a rondar os 8€ num vinho proveniente do Douro, a mostrar-se bastante novo, com uma boa dose de auteridade que se destaca durante a prova. Nariz marcado pela fruta do bosque bem madura, recordações de esteva, café torrado, um vinho de bom recorte com frescura assente em estrutura média a pedir pratos de algum tempero. Pouco ou nada opulento, nada extraído, muito nervo com taninos a dar secura no final de boca com final persistente. Boa companhia para uma tradicional feijoada, uns pontos abaixo de colheitas anteriores. 89 pts

18 novembro 2014

Quinta do Javali SC 2012



Este vinho nasceu de um desafio lançado ao produtor por um amigo e ao mesmo tempo responsável pela sua distribuição em Portugal. O desafio foi aceite e o resultado é um vinho que nos dá uma prova de grande categoria, à semelhança de outros de perfil similar que encontramos em regiões lá fora. Não tão selvagem como o Javali Vinhas Velhas aqui tudo está mais macio e delicado sem que por um momento deixe de lado a energia característica dos Javali, conquista pela finesse que já mostra começar a ter, boa complexidade e harmonia entre poder/fruta/acidez que nos mostra ao longo de toda a prova. O que mais chama a atenção é o delicado e bonito perfume floral ao lado de groselhas e framboesas muito frescas e limpas, muito boa a definição de todos os aromas em versão mostruário. A barrica por onde passou arredonda os cantos com toque fumado e baunilha. Na boca mostra energia que domina todo o conjunto, grande harmonia com enorme presença no palato, denso com final muito longo. Um vinho de puro deleite para beber agora ou nos próximos 20 anos, o único senão o preço a debitar nos cerca de 250€ o que não impede de estar quase esgotado. 96 pts

17 novembro 2014

Alvear Pedro Ximenez de Añada 2011

O que acontece quando acabamos de beber um vinho com 100 pontos atribuídos por um reputado crítico internacional ? Não acontece nada, por vezes ficamos com a sensação do "só isto?" e parece que no copo falta sempre algo mais, neste caso não lhe vi nada que justificasse tamanha proeza aclamada como a dita perfeição. Independentemente dos pontos que tenha tido aqui ou ali o vinho em causa sempre foi excelente mesmo naquelas colheitas menos pontuadas. Umas mais equilibradas que outras mas sempre com aquela dose massiva de açúcar que sempre se torna dona e senhora de toda a prova. Neste caso o factor "vinho 100 pontos" viu o preço aumentar dos normais 10€ para cerca dos 25€. É vinho para quem gosta de emoções fortes, para quem gosta de apanhar o boi pelos cornos, é um colosso de tal maneira violento e com uma densidade no palato que varre no imediato a quase totalidade dos vinhos fortificados que surjam ao lado dele. Como se não bastasse ainda nos invoca toda uma complexidade que desenvolve no copo, envolta em grande frescura. Destaque para a frescura que o embrulha e dá longa vida a toda a fruta em passa (ameixa, figo), mel, tâmara, rosmaninho, laranja amarga, avelã... o resultado é uma noite inteira de roda do copo. 96 pts

07 novembro 2014

Dona Maria Rosé 2013


A cada ano que passa este Dona Maria Rosé mostra-se mais afinado e sério, com uma invejável capacidade de proporcionar prazer. Sem cansar está marcado pela delicadeza dos aromas frutados e florais com uma frescura que o envolve, o vinho sabe bem, apetece beber um e outro copo, os seus 12,5% ajudam à festa. Tem a estrutura suficientemente para lhe proporcionar uma satisfatória evolução na garrafa, embora nesta fase seja uma verdadeira tentação com a fruta suculenta a dançar no palato, preço a rondar os 8,5€. Um dos vinhos que faço questão de ter aqui por casa, neste caso companheiro à altura de uma caldeirada de lulas. 93pts 

05 novembro 2014

Adega Mãe

O projecto Adega Mãe é fruto da mais recente aposta do Grupo Ribeiralves, reconhecido pelo comércio e transformação do bacalhau, agora no sector do vinho após compra de uma quinta perto de Torres Vedras. Nos 45 hectares da propriedade, por entre olival e pomares reinam os 35 hectares de vinha divididos entre encepamentos tintos (Aragonez, Caladoc, Alicante Bouschet e Syrah) e brancos (Chardonnay, Sauvignon Blanc, Arinto, Viosinho, Viognier, Riesling e Alvarinho).
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Adega Mãe © Blend All About Wine, Lda.
A primeira vindima foi em 2010, apenas se produziram tintos, num projecto onde o principal objectivo é fazer o melhor possível para que sejam vendidos a um preço médio baixo. E como o Grupo Ribeiralves e Bacalhau andam de mãos dadas, surge a homenagem à pequena e ágil embarcação com pouco mais de cinco metros de comprido, que partindo dos bacalhoeiros apenas regressavam com o seu interior repleto de pescado. A esta típica embarcação os Ingleses chamavam de Dory, o nome que surge para baptizar os principais vinhos da Adega Mãe.
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Loja Adega Mãe © Blend All About Wine, Lda.
A adega é muito bonita e encontra-se bem enquadrada com a paisagem, destaque para a belíssima vista panorâmica que se tem desde a varanda principal. Tudo pensado ao detalhe com uma foste aposta no enoturismo, desde a loja às inúmeras ofertas que vão desde visitas, provas, harmonizações…
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Vinhos Provados © Blend All About Wine, Lda.
Adega Mãe Viosinho 2013
Mostra uma boa frescura, com muitos citrinos, pêssego, toque fumado no fundo. Boca de estrutura mediana, boa frescura, presença da fruta com toque salino no fundo.
Adega Mãe Chardonnay 2013
Conjunto fresco que junta lado a lado a fruta (citrinos) muito madura e fresca com toques amanteigado (8 meses em barrica, com batonnage), harmonia em conjunto fácil de gostar. O peso da fruta que tem é equilibrado pela frescura, num conjunto elegante.
Dory Reserva tinto 2011
Lote de Touriga Nacional (25%), Syrah (50%) e Cabernet Sauvignon (25%), terroso e especiado com muita fruta madura (bagas, amora, mirtilo), toque balsâmico com chocolate, intenso e cheio de energia. Na boca estrutura firme, ligeira rusticidade com taninos firmes, fruta gorda e saborosa pelo meio em final seco e prolongado.
 
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