Copo de 3

30 dezembro 2014

MR Premium Rosé 2013


Pouco a pouco aquele que durante anos a fio foi considerado filho de um deus menor, vê o seu estatuto passar para um produto de glamour e exclusividade. O vinho rosado está na berlinda, começam a surgir um pouco por todo o lado os lançamentos de exemplares sérios, autênticos topos de gama de perfil nunca antes visto e que conquistam a mesa sem grande esforço. Ora o vinho rosé ou rosado é isto, resta seguir o caminho a trilhar para o sucesso mais que garantido dentro e fora de portas, ou não fosse o vinho de mesa de Portugal mais conhecido lá fora um rosé.

O mais recente lançamento da linha de vinhos MR Premium constitui a oferta topo de gama do Monte da Ravasqueira (Arraiolos). Um 100% Touriga Nacional, uvas escolhidas a dedo proveniente de 5 talhões deram origem a 3.425 garrafas com preço a rondar os 15/20€. O vinho é todo ele elegância, muito perfumado e fresco, fruta fresca (cereja, amora) com  mineralidade num conjunto com tudo muito equilibrado e de fácil percepção, a barrica apenas o aconchega com toque de pão torrado no fundo. Na boca é sedutor, boa textura, muito elegante e fresco, marcado pela presença da fruta, novamente uma ligeira tosta, saboroso e com final seco a pedir comida por perto. Um dos grandes rosados feitos em Portugal. 93 pts

Quinta do Mouro Vinha do Malhó 2009

Se há locais predestinados à produção de vinho de alto gabarito, a zona de Estremoz (Alentejo) é um desses sítios a ver pela quantidade de projectos e respectiva qualidade dos vinhos ali produzidos. A Quinta do Mouro é sem dúvida alguma um dos melhores exemplos do que de melhor se faz no Alentejo e em Portugal. Ali quem manda é o carismático produtor Miguel Louro, podendo mesmo afirmar que os grandes vinhos que ali são produzidos são frutos da sua teimosia e genialidade. O primeiro Quinta do Mouro saiu para o mercado em 1994, em 1999 foi lançado o ensaio daquele que é o mais cobiçado vinho do produtor, o Quinta do Mouro Rótulo Dourado. A última coqueluche a sair da adega dá pelo nome de Vinha do Malhó 2009, o primeiro vinho do produtor produzido apenas de uma vinha (2ha) plantada em 2001, a do Malhó, composta por duas parcelas na encosta em frente à casa da Quinta do Mouro. Localizada em solo de xisto, muito pobre, o rendimento é baixo e durante todos estes anos tem contribuído apenas para enriquecer o lote do Quinta do Mouro.

Estamos perante mais um vinho ao melhor estilo que Miguel Louro nos tem vindo a acostumar, uma vez que contrariando toda a equipa de enologia  considerou que um dos lotes disponíveis se diferenciava com mais amargos, mais acidez, mais taninos, mais de tudo… as tais características únicas e com identidade suficiente para espelhar aquilo que Miguel Louro entende ser a Vinha do Malhó numa produção de 3.000 garrafas que só voltará a ser lançado com a colheita de 2012. Como já foi dito destaca-se pela frescura, pela solidez e profundidade que mostra mesmo sendo ainda um jovem com toda uma vida pela frente. Esse vigor sente-se no palato, dominado por taninos e fruta muito viva, segundo plano terroso e especiado num final muito longo e persistente. Elegante e provocador, uma verdadeira tentação naquele que é um dos melhores vinhos do produtor. 96 pts

Publicado em Blend All About Wine Setembro 30, 2014

29 dezembro 2014

Quinta da Murta Reserva Bruto 2008


A Quinta da Murta (Bucelas) possui 14,5 hectares de vinha, implantadas a 250 metros de altitude nas encostas do Vale da Ribeira do Boição, beneficiando de solos compostos por margas calcárias e calcários cristalinos, com numerosas presenças de fósseis. Com natural presença da casta Arinto, cuja acidez natural aliada às características dos solos e do microclima da região permite produzir na Quinta da Murta, agora com enologia de Hugo Mendes, vinhos únicos com grande potencial de guarda onde brilha a gama de brancos e de espumantes.

Uma pequena parte do lote fermentou em barricas usadas, com posterior estágio em garrafa. Mostra um Arinto evoluído, complexo, aroma muito fresco com citrinos maduros, folha de limoeiro, maçã, muito vivo e direto com mineralidade de fundo. Boca com muita frescura, mousse ligeira com citrinos, vivacidade e mineral, numa bela acidez em final persistente e seco. Um espumante polivalente que brilha alto com pratos de marisco por perto, por exemplo mexilhões ou ameijoas ao natural, apenas com umas gotas de sumo de limão e coentros picados. 91 pts

Quinta de Foz de Arouce 1992


Este Quinta de Foz de Arouce 1992 é um claro exemplo de mais um dos grandes vinhos feitos em Portugal, com a capacidade e atrevimento que poucos conseguem ter passados 22 anos, é obra. Nasceu na Quinta de Foz de Arouce (Beiras), pertença de João Filipe Osório de Meneses Pitta, com enologia de João Portugal Ramos que em 1987 lança no mercado o primeiro Quinta de Foz de Arouce. As vinhas velhas que lhe deram origem foram plantadas em 1940, manda a Baga localizada em solo predominantemente xistoso com aluvião. Com a plantação de novo vinhedo em 2000 surge com a colheita 2003 um novo conceito, o vinho das vinhas velhas passa a ser chamado Quinta de Foz de ArouceVinhas Velhas de Santa Maria, enquanto o vinho proveniente das vinhas novas o Quinta de Foz de Arouce.

Exemplo de uma Baga adulta e séria, aromas limpos com muita complexidade e frescura a embrulhar todo o conjunto. Debita muita classe no copo, bouquet de gabarito, aromas frescos e refinados, marcados pelo tempo mas sem nunca perderem o encanto, flores, fruta com mirtilos e cereja bem sumarenta em destaque, especiarias e algum terroso à mistura, muita classe num conjunto requintado e conquistador. Na boca repete uma prova de prazer, frescura com a fruta bem madura a marcar presença, especiaria com notas terrosas, profundo e conversador. 95 pts

28 dezembro 2014

Quinta da Pellada Primus 2007

Ando farto de provar vinhos demasiadamente novos, daqueles que alguém sempre diz "isto precisava de mais uns anos em garrafa" mas que por motivo das pressas acabamos por ver o dito aberto e a cair nos copos. Este Primus surge com sete anos de vida, a mostrar mais uma vez que com tempo tudo muda e neste caso para melhor. O aperto inicial que mostrava deu largas a uma complexidade bonita e muito cativante, as castas são a Encruzado e mais umas quantas que moram nas vinhas velhas que estão ao cuidado do produtor Álvaro de Castro (Quinta da Pellada) sediado no Dão. 

O vinho tem brilho próprio, ainda que uns furos abaixo de colheitas mais recentes como 2009 ou 2011, aqui já com o tempo a mostrar os seu caprichos, num bouquet refastelado com notas de cera de abelha, mineralidade, melão, flores, barrica muito ténue com ligeiro melado pelo meio, tudo muito harmonioso e sem desequilíbrios. Na boca debita uma enorme prestação, saboroso, mineralidade que o coloca algo tenso num final com frescura que revitaliza o palato, ligeiramente frutado, longo e a dar uma prova de grande categoria neste momento. Acompanhado por Bacalhau com Migas de broa e grelos. 93 pts

27 dezembro 2014

Esporão Private Selection 2008

Dispensa grandes apresentações ou conversas este vinho do Esporão (Reguengos de Monsaraz) que ano após ano garante o estatuto entre os grandes, este 2008 coloca-se por direito muito próprio entre os melhores dos melhores. Diga-se de passagem que o rótulo terá sido dos mais bem concebidos até à data, tudo isto ajuda a engalanar ainda mais este memorável líquido de traço marcadamente alentejano, com uma evolução notável nesta altura do campeonato. O vinho conquista de imediato pela complexidade, denso, profundo, maduro e bem fresco com bouquet de qualidade a vincar bem a memória de quem o bebe, desde o cacau, à fruta bem sólida, limpa e madura com caixa de charutos, todas as especiarias costumeiras dos grandes vinhos da planície Alentejana, ligeiramente terroso. 

Implora por comida, por queijos e enchidos, por pratos bem condimentados tão nobres como uma perdiz estufada ou uma lebre com feijão branco. Na boca o prazer continua, saboroso com a fruta a explodir de sabor, bonita rusticidade numa estrutura que lhe confirma longos e bons anos de vida, vinho feito para durar pois claro. Um vinho que na altura do lançamento estava rijo, tenso, pouco falador e era um acto de cruel tirania abrir um vinho tão novo e promissor. Ainda que só tenham passado 6 anos, continua firme, a prova que dá é enorme e ter uma garrafa destas em casa sem a abrir é uma verdadeira tentação... eu não consegui resistir mais. 96 pts

Reserva do Comendador branco 2011

Continuamos deste lado a insistir na guarda dos vinhos, porque a evolução na grande maioria dos casos é sempre positiva, porque os vinhos de hoje entram em grande parte dos casos demasiado cedo nas prateleiras e nos copos dos apreciadores mais apressados. Na grande maioria dos casos não se guarda porque há que mostrar serviço nas redes sociais, mostrar perante os pares que se está vivo e sempre apetrechado da mais recente novidade no copo, nem que para tal se despejem vinhos que ainda nem acabaram de arrumar a casa. 

O vinho em causa proveniente da Adega Mayor (Campo Maior) como as anteriores edições têm mostrado, é dos que aprecia uma guarda mais prolongada, melhora substancialmente e refina todo o seu conjunto. Este 2011 foi abençoado com uma Talha de Ouro para Melhor branco do Alentejo, elaborado a partir de Antão Vaz, Arinto e Roupeiro, fermentou e estagiou seis meses em barricas novas. Um branco com bom corpo aliando-se a frescura, um final de boca fresco e amanteigado com toques da fruta, limpa e saborosa. Muita harmonia, classe, sinais de um tempo que o lapidou, mostra-se elegante, profundo e com uma bonita complexidade. Foi de fio a pavio, com um Bacalhau na noite de Natal, mais houvesse. Custa 15€ na loja online do produtor e justifica cada cêntimo. 91 pts

22 dezembro 2014

Feliz Natal


O Copo de 3, deseja a todos os leitores deste espaço e respectivas famílias, um Santo e Feliz Natal.

21 dezembro 2014

Vinhos para o Natal

Literalmente isto só vai acalmar quando toda a gente se sentar à mesa no próximo dia 24 de Dezembro, que está mesmo quase mas que enquanto não se chega lá a confusão generalizada em hipers, estradas, ruas parece que se apoderou das pessoas. Ora porque o brinquedo para o filho está esgotado aqui e temos de ir para outro lado procurar, ou porque o peru/cabrito deixou muito a desejar naquele lado e temos de ir atravessar meia cidade porque do outro lado a promoção até está em conta.

As sugestões, com preços variados e umas mais fáceis de encontrar que outras, digamos que se for frequentador de hiper consegue ficar fornecido com algumas, se for um rato de garrafeira será mais fácil chegar a outras. 

Espumantes
É o vinho ideal para as festividades, neste caso comemorar o estar em família, a oferta é alargada quase a todas as regiões de Portugal, há muito e bom com uma ampla variedade de preços. Apenas três sugestões tendo em conta variados gostos e carteiras.
  1. Adega Pegões Moscatel Graudo Meio Seco
  2. Lancers Bruto
  3. Lopo de Freitas Bruto 2009
Brancos
Na mesa de Natal o bacalhau é presença constante e porque as maneiras de apresentar o dito variam entre as mais básicas às mais elaboradas aqui ficam alguns dos grandes vinhos brancos feitos em Portugal.
  1. Soalheiro 2013
  2. Explicit 2012
  3. Quinta das Bageiras Garrafeira 2012
  4. Casal Sta Maria Chardonnay 2013
  5. Primus 2012
Tintos
O ponto alto da refeição, pede momentos de prazer sem saturar e que faça uma ligação perfeita com o que se tem no prato. Desde o cabrito ao polvo ou o peru as sugestões tem todas a elegância em conjunto com o traço da região e uma acidez/estrutura capaz de dar conta do recado.
  1. AdegaBorbaPremium 2011
  2. Quinta dos Roques Reserva 2011
  3. Duas Quintas Reserva 2011
  4. Luis Pato Vinha Barrosa 2011
  5. J de José de Sousa 2011
Sobremesa
O ponto de açúcar da refeição, onde a noite já vai longa e tudo começa a acalmar, é altura da entrada de grandes vinhos a acompanhar a mais variada doçaria da época, aqui os preços são também levados em conta, optando por optimizar a relação preço/satisfação.
  1. Barbeito "Rainwater" 5 Anos Meio Seco
  2. Bacalhoa Moscatel Superior 2001
  3. José Maria da Fonseca Alambre 20 Anos
  4. Grahams Porto Tawny 20 Anos
  5. Ramos Pinto Porto Tawny 20 Anos

16 dezembro 2014

O pior evento do ano...

No Sábado passado por entre a chuva  e as confusões do trânsito de Lisboa, tive a sorte de momentos antes de sair do parque de estacionamento a coisa ter acalmado,  prometia ser uma boa e feliz tarde de provas, mas estava e fui completamente enganado. Afinal de contas o motivo que me colocava no meio de Lisboa, ao frio e à chuva, era  muito prometedor e anunciava-se como a prova dos GRANDES VINHOS PARA 2015 EM PORTUGAL! by FlyingWines. 

O que prometiam  foi o suficiente para me fazer deslocar e gastar dinheiro, afirmam-se aqui e passando a citar como "Um dos mais esperados eventos do Ano", "Algo completamente novo no Mundo das Provas de Vinhos em Lisboa!" ou "Um evento único onde vai provar +50 Grandes Vinhos.", "Uma experiência única, exclusiva, imperdível! " com uma vasta lista de produtores tão variados como ALZINGER-AUSTRIA, COSSART GORDON-MADEIRA, DOMAINE SÉNÉCHAUX-FRANÇA, SA PRUM-ALEMANHA, SUSANA BALBO-ARGENTINA...
Agora digam lá se não é tentador e dá vontade de ir provar os vinhos destes e dos outros produtores ? A todos os que me perguntaram como correu a minha resposta foi sempre a mesma...ainda bem que não foram. 

E digo ainda bem, porque toda a expectativa com que vamos, esbarra e morre no imediato de uma sala acanhada com grande parte dos vinhos amontoados onde se tinha de espreitar a ver quais eram as marcas em prova, a grande maioria dos produtores anunciados na dita "experiência única" apenas estavam representados com um vinho que parece ter sido ali colocado de castigo e que de "Grande" pouco ou nada tinha. A sensação de estar numa prova de bairro feita numa garagem onde alguém comprou umas garrafitas de genéricos para meter em prova e se meteu à porta a cobrar entrada, mas depois diz na rua que tem ali uma prova do caraças com n produtores presentes. Tirando caso como Druida/Outrora, Herdade do Portocarro, Quinta de S.José, Rovisco Garcia, Planeta, Rui Reguinga, tudo o resto me pareceu pouco, muito pouco, pelo contraste entre o apresentado e a gama de vinhos dos produtores anunciados.

Para exemplos e poderei citar bastantes, desde a Carvalheira(Bairrada) apenas constava um espumante, dos vinhos Susana Balbo apenas vislumbrei um Colheita Tardia,  Alzinger apenas um vinho para espanto meu uma vez que estava perante o seu importador, para quem pensava que ia provar alguns vinhos Madeira da Cossart Gordon apenas encontrava um Bual 10 anos (apesar de numa lista constar outra referência) que ainda tive de chamar por ele de tão escondido que estava, Sénéchaux um dos motivos que me levou a ir nem sequer o vislumbrei, SA Prum apenas um vinho genérico meio perdido entre tantos outros, perguntei a um produtor presente por um dos seus vinhos e responde que apenas estava disponível para o jantar...será que ouvi bem? 

Achei todo aquele momento uma autêntica vergonha pela falsa publicidade que fizeram passar. Antes de se apelidarem de evento (que estão ainda longe de o ser) deviam tentar aprender com quem sabe do assunto, basta colocar os olhos no Adegga Wine Market esse sim um dos mais esperados do ano, único e imperdível. Neste caso dei o meu tempo e dinheiro como perdido, tive de pedir desculpas a quem foi comigo e a reclamação que fiz no local apenas valeu um sorriso da outra parte.

12 dezembro 2014

Henriques & Henriques

Durante muitos anos a família Henriques foi a maior proprietária vinícola da ilha da Madeira, com as primeiras vinhas plantadas por ordem do Infante D. Henrique no ano de 1425. Daquela que foi uma tradição familiar passou a empresa fundada em 1850 pelas mãos de João Gonçalves Henriques. Após a sua morte em 1912, foi criada entre os seus dois filhos, Francisco Eduardo e João Joaquim Henriques, uma sociedade que deu origem ao nome Henriques & Henriques.
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Henriques & Henriques Wine Lodge & Shop © Blend All About Wine, Lda.
Em 1968, com a morte do último Henriques, João Joaquim Henriques, conhecido por “João de Belém”, que não tendo descendentes fez com que a empresa fosse herdada pelos seus três amigos e colaboradores: Alberto Nascimento Jardim, Peter Cossart (que fez 53 vindimas na companhia) e Carlos Nunes Pereira. Em Junho de 1992, é feito um avultado investimento na construção de novas instalações em Câmara de Lobos e um novo centro de vinificação na Quinta Grande, onde em 1995 se planta um novo vinhedo, 10 hectares, sendo dos poucos produtores de vinho da Madeira que possui vinhas próprias. Foi o filho de Peter Cossart, John Cossart, que deu seguimento à gestão da empresa mas que acabaria por falecer em 2008. Num passado recente a multinacional francesa La Martiniquaise (dona da Justino’s Madeira) tornou-se sócio maioritário da H&H, passando desta forma a controlar cerca de 70% da produção total do Vinho da Madeira, mantendo-se o Dr. Humberto Jardim como C.E.O.
Alguns dos mais antigos vinhos da Henriques & Henriques, fazem parte do lote dos primeiros grandes Madeira que tive a oportunidade de provar e que me despertaram o interesse pelo Vinho da Madeira, por curiosidade eram todos Boal como por exemplo o Old Wine Boal 1887, Solera Boal 1898 ou o Reserva Velhíssima W.S. Boal que faz parte de um quarteto de sonho cujas diminutas quantidades já não permitem que sejam colocados em prova.
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Barricas de “Canteiro” Henriques & Henriques © Blend All About Wine, Lda.
Após a visita tive oportunidade e provar vários vinhos, destaque rápido para o descomprometido Monte Seco Extra Dry 3 Anos, feito a partir da casta Tinta Negra, cheio de retoques a lembrar um Fino de Jerez sem aquele característico toque da “flor” e que nos sugere um vinho ideal para acompanhar entradas, com uma abordagem simples, directo e bastante seco. Outros vinhos da Henriques & Henriques já foram devidamente abordados no artigo anterior da Olga Cardoso.
Blend_All_About_Wine_HH_3 Henriques & Henriques Henriques & Henriques Blend All About Wine HH 3
H&H Verdelho 20 Anos © Blend All About Wine, Lda.
H&H Verdelho 20 Anos
Os Madeira 20 Anos são recentes no mercado, têm a particularidade de as quantidades serem reduzidas e o lote ir variando, por isso alguns são mesmo edições exclusivas e irrepetíveis. Neste caso é um Verdelho, casta que tem a particularidade de conseguir manter durante muito tempo os seus aromas e sabores frutados, algo que se destaca e bem neste vinho de muito bom recorte. Frutos tropicais com maracujá bem fresco, ananás em calda, especiarias, madeira velha, laca, melado, complexo a mostrar harmonia entre concentração e frescura. Boca a condizer, acidez bem presente com sabor inicial a fruta, abrindo depois num conjunto untuoso e com boa concentração, algum fruto seco a complementar, final longo e persistente.

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H&H Century Malmsey Solera 1900 © Blend All About Wine, Lda.
H&H Century Malmsey Solera 1900: Um dos vinhos emblemáticos deste produtor, perde-se no tempo a idade da Solera que lhe deu origem, remonta certamente ao séc XIX e o resto são detalhes que apenas enriquecem e aguçam a vontade de o ter no copo e contemplar o precioso líquido. Um vinho que transborda na complexidade, madeira antiga das barricas, frutos secos, passas de figo com nozes, mel, nariz de aconchego pela sensação de untuosidade e ao mesmo tempo de frescura. Caixa de charutos, desdobra-se como que por finas camadas de aromas e sabores, boca de veludo marcada pela frescura, concentração e uma tremenda elegância. Há vinhos que não se esquecem e este é certamente um deles.
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H&H Verdelho Reserva Ribeiro Real N.V. © Blend All About Wine, Lda.
H&H Verdelho Reserva Ribeiro Real N.V.
Este vinho e o momento que envolveu a sua prova, são a essência do que é o mundo do Vinho da Madeira, algo único, arrebatador e direi mesmo impossível de acontecer em qualquer outra parte do mundo. Para tal basta ter em conta que a responsável pela prova em mais de 19 anos a trabalhar na H&H nunca tinha sequer provado o dito cujo tal a sua raridade. Perde-se no tempo o registo capaz de nos dizer com precisão a sua idade, embora tudo aponte para a metade do século 19. Proveniente de vinhas localizadas na zona conhecida pelo Ribeiro Real, os mais de cinquenta anos que passou em Canteiro tornaram-no concentrado, glicérico, deram-lhe um refinadíssimo e profundo bouquet, ao olhar é percetível aquela bonita coroa esverdeada. O resto é um monumento à casta Verdelho, engarrafado em 1957, com aroma da madeira velha onde morou, laca, toques de laranja/toranja cristalizada, iodo, muita frescura e elegância num conjunto profundo e misterioso. Boca em perfeita sintonia, meio seco, saboroso com a concentração a ser compensada pelo arrasto mineral acompanhado por uma acidez que revitaliza o palato, repete o toque de toranja bem no final da boca. Inesquecível.


11 dezembro 2014

Herdade do Rocim Reserva 2011

Surge como novidade este Herdade do Rocim agora em modo Reserva, com base nas castas Touriga Nacional, Alicante Bouschet e Aragonez. Conjunto muito bem apresentado, preço a rondar os 15€, que nos mostra um pequeno salto qualitativo em relação ao Herdade do Rocim 2011 aqui provado, mais estrutura, mais peso, mais preparado para a passagem do tempo com um conjunto de fina estirpe onde a qualidade dos atributos se faz notar de imediato no copo. O ano de 2011 parece ter sido generoso na Herdade do Rocim, os tintos que estão a sair são todos eles merecedores de grande atenção por parte dos enófilos, a gama estende-se um pouco por todas as carteiras e dificilmente se ficará mal servido com qualquer um destes Rocim, incluindo o luxuoso Grande Rocim 2011 que acabou de ser lançado. 91 pts


 
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