Copo de 3

21 dezembro 2015

Graham´s Colheita 1972

Após a aquisição da Graham's pela familia Symington em 1970, Peter Symington, então enólogo principal da casa, escolheu este vinho oriundo das vinhas mais velhas da Quinta dos Malvedos e da Quinta das Lages. Acompanhando de perto ao longo da sua carreira o estágio deste Colheita 1972, Peter Symington passou esta responsabilidade para o seu filho Charles Symington quando se reformou. Provado por duas ocasiões, com preço a rondar os 225€, o vinho como seria de esperar após mais de 40 anos de estágio em madeira, apresenta-se complexo e profundo. Rico em detalhes dominado pelos aromas que invocam fruta desidratada com os alperces em destaque, geleia de laranja e cereja, frescura, caixa de charutos, fruto seco... Boca a condizer, amplo, frescura a contrabalançar com o toque de doçura numa elegância de conjunto notável. Enche o palato de sabor, muito boa presença e um final interminável, fantástico. 96 pts

20 dezembro 2015

Blackett Porto 30 Anos

Um nome perdido na História que foi resgatado pela Alchemy Wines, Port Wines & Vineyards, Lda e mostra neste caso um vinho marcado pelo poder do tempo, capaz de sobreviver e crescer ao longo de sucessivas gerações, tal como o propósito desta nova empresa. É no estilo Tawny que reside a alma e essência daquilo que é o Vinho do Porto, o lote é uma arte dominada pela figura do master blender que na sua genialidade trata por tu todas as velhas pipas que repousam nas imensas caves. É essa figura que quase sempre passa despercebida aos olhos do consumidor e que sabendo escolher por entre centenas de barricas as que considera melhores, como quem monta um puzzle, consegue criar verdadeiras obras de arte. Neste caso um Tawny 30 Anos com uma belíssima complexidade, muito fresco bem definido, tabaco, noz, alperce cristalizado, caramelo de leite, ligeira laca, sensação de untuosidade num conjunto amplo e profundo, com final de boca guloso. Tudo muito preciso na forma como conjuga a juventude e vigor dos vinhos mais novos com a complexidade e educação dos vinhos com mais idade que lhe complementam o lote. Vinhos destes são a recompensa ideal para nos acompanhar no final de um dia de trabalho. 95 pts

16 dezembro 2015

Soalheiro Alvarinho 2014

Ano após anos este Soalheiro Alvarinho (Vinhos Verdes) é provado e anotado como um dos melhores brancos a serem feitos em Portugal, a consistência da sua qualidade é invejável para uma marca que conta com mais de 25 anos no mercado. Peço preço em grande superfície comercial quase sempre a rondar os 9€ a compra é mais que aconselhada, direi obrigatória, para quem pretender um belíssimo vinho para momentos de festa ou impregnados de alguma importância, ou mesmo para quem quer ter um momento de prazer à mesa. Continuo também a abrir estes vinhos um ou dois anos após o seu lançamento, se repararem começa a entrar no mercado o novíssimo 2015. Por aqui é este 2014 que começa a abrir os olhos, pareceu-me mais afinado, menos exótico com rédea curta para o exotismo que se vinha abatendo sobre ele, com as flores e os citrinos a brilharem apesar de contido a qualidade e definição aromática faz o seu jogo de sedução, muita frescura com acidez a lavrar no palato, saboroso e bem persistente. 92 pts


11 dezembro 2015

Grandjó Late Harvest 2012


O Grandjó da Real Companhia Velha tem estatuto de lendário, o "Vintage das terras altas" como é conhecido, vai para mais de 100 anos a brilhar à mesa. Por agora vamos na colheita 2012 que marca a estreia a solo do enólogo Jorge Moreira, num vinho cujas uvas da casta Sémillon provenientes da Quinta do Casal da Granja (Alijó) permitem o desenvolvimento de botrytis cinerea, o fungo responsável pela podridão nobre, factor determinante no processo de elaboração deste vinho muito especial. Esse mesmo efeito da botrytis sente-se presente no nariz, em companhia de aromas limpos, frescos e com aquele adocicado quase que a lembrar fruta em calda com destaque para o alperce, toque melado, chá de limão, muito bonita complexidade num todo com muita harmonia e delicadeza. Na boca é doce mas fresco, muita finesse com sensação de untuosidade a meio do palato, final fresco e de apontamento guloso, para mim deveria ter um bocadinho mais de acidez mas da maneira como desaparece do copo uma pessoa até se esquece desses detalhes. Custa coisa de 19€ e vale cada gota, um belíssimo Late Harvest. 94 pts


Evel XXI Grande Reserva tinto 2012

Dando continuidade à edição comemorativa dos 100 anos da marca Evel da Real Companhia Velha, chega-nos agora o ‘Evel XXI Grande Reserva tinto 2012’. Um blend de Vinhas Velhas, Touriga Nacional e Touriga Franca, que dá origem a pouco mais de 3.000 garrafas a saírem para o mercado com preço a rondar os 40€. Diga-se que o vinho conquista no imediato, elegância e frescura num conjunto recheado de coisas boas e apetecíveis, frescas e muito bem definidas. Bonita complexidade com nota de baunilha, fruta negra madura, cacau, especiarias, o arredondamento da barrica torna a textura mais aveludada e como tem vindo a ser hábito por aqui o trabalho com as barricas tem sido notável. No fundo uma ligeira austeridade que suporta o conjunto, cheio de vida, muito prazer no palato, amplo e bem estruturado com a fruta a escorrer de sabor e complementada pelas notas de cacau, baunilha, geleia de frutos silvestres, em fundo com ligeira secura. Um belíssimo vinho, tentador e harmonioso que dará desde já muito prazer à mesa, por exemplo com uma perna de cabrito no forno. 95 pts


09 dezembro 2015

Quinta de Cidrô Marquis 2012


É uma novidade da Real Companhia Velha (Douro) lançada recentemente no mercado, na linha do ‘Quinta de Cidrô Celebration tinto 2010’, a Companhia lança agora o ‘Quinta de Cidrô Marquis’ para homenagear o Marquês de Soveral, nascido em São João da Pesqueira, em 1851, na própria Quinta de Cidrô, então propriedade da aristocrática família Soveral. Edição limitada a 3573 garrafas a rondar os 40€ cujo lote resulta da união das castas Touriga Nacional (60%) e Cabernet Sauvignon (40%). Ao primeiro contacto a impressão é de um vinho denso, ainda fechado e com ligeira austeridade a despontar, grãos de pimenta preta, chocolate preto, tabaco, fruta (cerejas, amoras, framboesa) bem limpa e madura. Muito bom o trabalho com a madeira,  ainda que presente pouco ou nada incomoda mas tudo parece pedir tempo. Na boca um Douro cheio de vigor e raça, encorpado e cheio de sabor mas a querer mostrar-se ao mesmo tempo elegante, profundo com sabor vincado e frescura bem presente. Um vinho que precisa de tempo para se acomodar, brilhará certamente daqui por um par de anos ou até mais. 93  pts


07 dezembro 2015

Real Companhia Velha - Vinhos do Porto


Com mais de 250 anos de existência e de actividade ininterrupta ao serviço do Vinho do Porto, a Real Companhia Velha é a mais antiga e uma das mais emblemáticas empresas de vinho de Portugal. Fundada em 1756 durante o reinado de D.José I, por iniciativa do Marquês de Pombal, a Companhia Geral da Agricultura das Vinhas do Alto Douro também referida como Real Companhia Velha tinha como objectivo limitar a preponderância dos ingleses no comércio dos vinhos do Alto Douro e resolver a crise que a região atravessava. As suas seculares caves encontram-se instaladas em Vila Nova de Gaia e foi por lá que se deu início a esta fantástica viagem pelo mundo da Real Companhia Velha. Visitar e ficar a conhecer as Caves de Vinho do Porto é algo único, cada uma delas respira uma identidade muito própria fruto dos tesouros que guardam ao longo do passar dos anos. O ar que se respira em cada uma é diferente, a luz, os cheiros, as pipas e até mesmo o chão que pisamos. Estas caves da Real Companhia Velha emanam um carisma muito especial e mesmo não ficando "coladas" ao rio, merecem uma visita muito atenta. 


Vagueando pelas caves uma das coisas que gosto de fazer quando visito estas catedrais do vinho é perder-me por entre os pipos à procura daqueles que surgem datados com o meu ano de nascimento, outra das aventuras é procurar qual o mais antigo. No decorrer desta visita fui dar com um verdadeiro tesouro, ali lado a lado estavam 1937, 1900 e 1867, que por sinal fazem parte do "Super Tawny" que a Real Companhia Velha lançou com o nome Carvalhas Memórias do Séc. XIX, numa edição de 500 garrafas a preço de 1.000€ a unidade. A base é a colheita 1867, um vinho denso, guloso e de enorme complexidade, ao mesmo tempo misterioso tal como a sua proveniência. A prova do 1900 revelou ser a mais equilibrada pela frescura/complexidade que apresenta e uma enorme presença de boca, já o 1934 algo mais rústico e com pontas soltas. Vinhos que nos fazem sonhar e em que por um breve momento dá a sensação que tudo fica parado à nossa volta, sem dúvida um momento que fica na memória. 
No campo das novidades e já no mercado e no que ao estilo Ruby diz respeito, foram dados a provar dois vinhos, o Quinta das Carvalhas LBV 2010 que se mostra muito fresco e convidativo. A fruta muito limpa, airosa e madura a fazer lembrar frutos do bosque, chocolate de leite, notas balsâmicas e ervas de cheiro que recordam o passei pela Quinta das Carvalhas. Um vinho bonito e que dá bastante prazer, com passagem de boca bem saborosa, fresca e onde a fruta se mostra carnuda e macia. Fácil de se gostar mas com o apontamento necessário de seriedade que o torna infalível à mesa. 90 pts
O outro vinho apresentado foi o Real Companhia Velha Vintage 2012, muito cheio de frutos do bosque maduros e sumarentos, ponta de canela com notas de chocolate preto e alguma pimenta preta, fundo com balsâmico e geleia, num conjunto que mostra bom equilíbrio entre a doçura e a frescura. Muito harmonioso e pronto a beber, sem taninos espigados ou austeridade a fazer-se sentir, um vinho que se torna ameno no palato ao mesmo tempo saboroso e com uma boa persistência final. Será sempre boa companhia com sobremesas que misturem chocolate com frutos silvestres, ou até um queijo amanteigado. 93 pts

06 dezembro 2015

Real Companhia Velha Séries Moscatel Ottonel branco 2014

Mais uma novidade da Real Companhia Velha, desta vez um novo ensaio que na Companhia se apelida de Séries e elaborado com a casta Moscatel Ottonel, que é familiar da Moscatel Galego embora menos intensa e muito mais elegante. O Muscat Ottonel resulta do cruzamento da casta Chasselas com Muscat de Somur feito em 1852 por Moro-Rober e tem-se espalhado pela Europa desde então, sendo frequente na Alsácia e na Áustria onde desponta por exemplo nos conhecidos Kracher ou nos Domaine Zind Humbrecht. Centrando neste exemplar, a Real Companhia Velha plantou 2 hectares em 2003 e colhe agora os frutos num vinho que mostra aromas delicados e com boa intensidade, onde desponta a fruta com tom tropical, flores brancas e pétalas de rosa, tudo muito fresco e limpo com um ligeiro arredondamento sentido no nariz. Na boca mostra boa frescura, tenso com sabores delicados a mostrar ligeira austeridade mineral em final com ligeira secura. Apenas com passagem pelo frio do inox, é a meu ver um vinho de consumo a médio/curto prazo perfeito para o Verão e de preferência como aperitivo ou em alternativa com cozinha de cariz mais exótico e rica em especiarias. 91 pts

05 dezembro 2015

Real Companhia Velha Espumante Chardonnay & Pinot Noir Bruto 2013

Este espumante da Real Companhia Velha é um caso sério, vai buscar as uvas à Quinta de Cidrô e junta as castas Chardonnay com Pinot Noir (mais presente nesta edição 2013). Acima de tudo prima pela elegância e harmonia de conjunto, pão torrado e manteiga dão a sensação de untuosidade, frutas presentes e elegantes (alperce, pêra, melão) a embalarem num conjunto com grande frescura, em fundo um toque de pederneira confere o retoque final na bela complexidade. Boca a mostrar-se com perfil vincado, cheio de sabor numa belíssima presença em tom cremoso acompanhado de muita frescura. Final de boca longo e persistente, num espumante de muita classe cujo preço ronda os 20€, onde a sua harmonia e elegância mostram-se capazes de ligar na perfeição com peixes de carne delicada ou o mais refinado marisco. 94 pts

02 dezembro 2015

Herdade do Esporão Verdelho 2004


Muito recentemente decidi resgatar um vinho que tinha na cave, o Esporão Verdelho 2004. Um branco com 11 anos de idade, um atrevimento ou até loucura dirão alguns, mas a verdade é que este Verdelho conseguiu a proeza de atingir aquele momento "wow" reservado para vinhos que de alguma maneira nos causam surpresa pela qualidade acima da média que mostram ter. Neste caso um vinho que bebi vezes sem conta na altura em que foi colocado à venda, gostava tanto que na altura resolvi guardar umas garrafas para ver como se iria comportar com algum tempo de guarda. Esta terá sido a última resistente deste Verdelho 2004 que mostrou ainda uma invejável frescura de boca e de nariz, toda a fruta que antes era fresca agora está envolta em calda e ligeiramente adocicada, toques vegetais com tisana, ramalhete de flores, tudo muito bem composto num vinho sério e adulto, com as ideias muito bem delineadas. Na boca frescura, ponta de untuosidade a enrolar a fruta no palato, mostra-se com consistência e muito boa presença, muito prazer a beber e a voltar a beber, sem cansar. É este um dos motivos que me leva a guardar vinho, acima de tudo a curiosidade mas também a satisfação de posteriormente os poder partilhar com gente que lhes sabe dar o respectivo valor. O único senão é quando a garrafa fica vazia e nos questionamos por que razões na altura não se guardaram mais. 94 pts 

Herdade do Rocim Alicante Bouschet 2013

Se a Herdade do Rocim (Alentejo) já nos tinha arrebatado com o seu Grande Rocim onde a casta Alicante Bouschet brilha bem alto, eis que agora lançam esta versão que quase apetece chamar irmão mais pequeno do Grande Rocim. Talvez chamar "pequeno" seja desajustado face ao que este vinho mostra no imediato, quanto a mim é mais um belíssimo exemplar da casta e que nesta versão se mostra um tanto ou nada bem mais opulento que no irmão mais velho. Temos então um belo vinho de aromas muito convidativos, apetecíveis, elegância e vivacidade. A austeridade é ligeira, mais redondo, mais guloso, com toque químico que desaparece com tempo de copo, chocolate, azeitona, longo e amplo. Boca a dar prova ampla, muito saborosa e bem estruturada com frescura e final especiado. 93 pts

01 dezembro 2015

Confraria dos Enófilos elege os “Melhores Vinhos do Alentejo”

 A Confraria dos Enófilos do Alentejo organizou, em colaboração com a Comissão Vitivinícola Regional Alentejana (CVRA), a terceira edição do “Concurso Melhores Vinhos do Alentejo”, cujos premiados foram conhecidos este sábado, 21 de Novembro. A iniciativa pretende distinguir a qualidade da produção do Alentejo e dar a conhecer aos consumidores o que de melhor é produzido na região.

À semelhança daquilo que já é habitual, o Concurso era dirigido aos vinhos produzidos no Alentejo, certificados como Denominação de Origem Controlada Alentejo (DOC) ou Indicação Geográfica Alentejano (IG). Não houve restrições quanto ao número máximo de vinhos por produtor, tendo apenas de estar devidamente engarrafados e legalmente rotulados, com informação relativa ao ano de colheita e ostentando os correspondentes selos de certificação. Foram admitidos a concurso três tipos de vinho: branco, rosado ou rosé, e tinto.

Prémio de Excelência: 
Conventual Reserva Branco 2014 (Adega Cooperativa de Portalegre) 
Adega de Borba Premium Rosé 2014 (Adega Cooperativa de Borba) 
Pai Chão Reserva Tinto 2011 (Adega Mayor) 
 
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