Copo de 3

24 fevereiro 2016

Monte da Ravasqueira


Já por duas vezes tive oportunidade de visitar o Monte da Ravasqueira (Alentejo), ligado há várias gerações à família José de Mello, localizado no concelho de Arraiolos. Relembro-me dos seus primeiros vinhos e do ambicioso projecto que na altura tinha como meta proporcionar ao consumidor alguns dos melhores vinhos do Alentejo. Passados todos estes anos o projecto Monte da Ravasqueira consegue esse objectivo como muito mais, aliando todo uma oferta no âmbito do enoturismo que permite as mais variadas actividades ao ar livre, desde passeios pelas vinhas e cursos de vinhos, espaço de refeições  ou até a visita do fantástico Museu Particular de Arreios e Atrelagens, lembrando a coudelaria que existiu durante largos anos no Monte da Ravasqueira. Quanto aos vinhos o projecto tem vindo a ganhar consistência com os recentes topos de gama, como dos varietais que para além da diversidade permitem mostrar aos interessados novas abordagens das castas ali plantadas. Não se estranhe portanto de encontrar um Touriga Franca, um Alvarinho ou um Colheita Tardia, todos de bom recorte e a darem muito boa conta do recado à mesa com a gastronomia típica da região. Porém aquele que será o mais conhecido e que durante largos anos se apresentou como o topo de gama da casa, foi o Vinha das Romãs. A equipa de enologia de início contava com a presença do enólogo Rui Reguinga que a seu tempo deu lugar à dupla que tanto sucesso tem alcançado, falo de Pedro Pereira Gonçalves e Vasco Rosa Santos.


Mas para falar do Vinha das Romãs temos que recuar a 2002 ano em que se decidiu arrancar um conjunto de romãzeiras que ocupavam um área de cinco hectares para ali se plantar vinha, mais propriamente Syrah e Touriga Franca. Aquela vinha passou a chamar-se a Vinha das Romãs e cedo ganhou protagonismo pela qualidade destacada dos vinhos a que dá origem, revelando uma concentração e um nível de maturação único em toda a área de vinha do Monte da Ravasqueira. É por isso mesmo um “single vineyard”, “monopole”, “vino de pago”, onde o terroir imprime características diferenciadoras e únicas. Aqui o que se procura é o equilíbrio perfeito entre as duas castas, isolando a cada colheita as melhores zonas de cada casta que melhor transmitem a singularidade do local. Os vinhos falam por si, cada vez mais em crescendo no que à qualidade diz respeito, frescos e muito apelativos, o trabalho com a madeira tem vindo a ganhar notoriedade num perfil cada vez mais sério, amplo, profundo e acima de tudo apetecível.


Os topos de gama, em jeito de homenagem ao patriarca da família, são hoje em dia os vinhos da linhagem MR Premium que se encontram nas versões branco, tinto e rosado. Todos eles são do melhor que se pode ter à mesa, o refinamento é total e mostram-se com uma enorme classe. São vinhos que merecem ser conhecidos e bebidos em muito boa companhia, porque vinhos assim são feitos para isso mesmo, celebrar a vida.

23 fevereiro 2016

Quinta do Gradil, os novos vinhos e o novo restaurante


Faz relativamente pouco tempo visitei a Quinta do Gradil, no sopé da Serra de Montejunto. Segundo informação retirada do site do produtor, é considerada uma das mais antigas, senão a mais antiga, herdade do concelho do Cadaval, com uma forte tradição vitivinícola que se prolonga desde há séculos. Adquirida, nos finais dos anos 90, pelos netos de António Gomes Vieira, precursor da tradição de vinhos na família desde 1945. Os novos proprietários iniciaram, em 2000, o processo de reconversão de toda a área de vinha primando por castas de maior qualidade. Nos 120 hectares de vinha encontram-se plantadas variadíssimas castas brancas e tintas. Sauvignon Blanc, Arinto, Viosinho, Viognier, Chardonnay, Petit Manseng, Cabernet Sauvignon, Tinta Roriz, Touriga Nacional, Tannat, Petit Verdot, Syrah, são alguns exemplos. Esta rica paisagem de vinha é responsabilidade do Engº. Bento Rogado sendo todas estas uvas vinificadas na adega, coordenada pelo Eng.º Pedro Martins, sob a batuta atenta dos enólogos Vera Moreira e António Ventura.


O palacete e capela, em fase muito avançada de degradação aquando da aquisição da Quinta pelos novos proprietários, foram limpos e contam agora com um projecto ambicioso de recuperação. A adega sofreu melhoramentos, estando projectada uma reformulação profunda nos próximos 2 anos, e as cocheiras recuperadas deram lugar a uma sala de tertúlias. Foi no renovado restaurante da Quinta, a cozinha está a cargo do Chefe Daniel Sequeira, que fomos recebidos e onde tivemos oportunidade de provar e harmonizar algumas das novidades com pratos da nova carta. Um momento de boa disposição onde os vinhos mostraram um à vontade muito grande com a mesa e neste caso com as propostas do Chefe.

O primeiro vinho a ser servido, o Quinta do Gradil Sauvigon Blanc e Arinto 2014 mostrou-se jovem e com boa frescura, boa ligação entre as castas a juntar o lado mais exótico e vegetal da Sauvignon com os citrinos e a frescura da Arinto. Uma boa combinação que resulta num vinho directo e bastante agradável à mesa com entradas de bom tempero como foi o caso da fotografia acima colocada. 88 pts

O Quinta do Gradil Chardonnay 2014 mostra um perfil mais anafado que o anterior com o vinho a mostrar ter mais algumas gorduras que lhe conferem untuosidade e peso. A fruta surge em formato de polpa branca com pêra e melão, tudo envolto em boa frescura, com o suave aconchego da barrica num conjunto bem equilibrado. 88 pts

Enquanto os varietais mostram o melhor de cada ano, os Reserva são os mais especiais da casa e apenas são criados quando a qualidade alcançada é de patamar superior. Assim sendo saiu este Quinta do Gradil Reserva branco 2013, um lote de Arinto e Chardonnay com passagem por madeira. Um vinho que se mostra bastante mais sério, coeso com boa complexidade, frescura e ligeira untuosidade a envolver toda a fruta, ligeira carga vegetal com ervas de cheiro. Boa amplitude na prova de boca num vinho com boa presença, saboroso e fresco. 90 pts

No plano dos tintos, foi apenas um o vinho provado e mostrou-se muito bem o Quinta do Gradil Syrah 2013. Guloso e com uma fruta que o torna muito apetecível, o ligeiro toque químico que desponta apenas de início no copo pouco ou nada incomoda, depois é um bazar de coisas boas a passarem à frente do nariz, desde os chocolates, especiarias, fruta com ligeira compota, boa frescura num vinho com harmonia mas que ainda mostra sinais que vai perdurar no tempo. 91 pts

Por último e em jeito de despedida foi provado o Quinta do Gradil Espumante Chardonnay e Arinto 2013, um vinho que agradou pela frescura e elegância da fruta. De bolha fina mostra um bom entendimento entre as duas castas, acidez presente num conjunto com ligeira untuosidade. Bastante agradável e festivo, pronto para umas entradas servidas no terraço. 89 pts

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22 fevereiro 2016

Malhadinha 2013

Dispensará grandes apresentações um vinho que é presença assídua na última década entre os melhores vinhos de todo o Alentejo. Falo obviamente do Malhadinha que nasce na Herdade da Malhadinha Nova, na Albernoa, bem perto de Beja. Esta é a mais recente colheita a entrar no mercado e mostra-se melhor que nunca, custa 34€ em garrafeira online. O vinho ainda muito novo a mostrar-se cheio de energia e vigor com muita fruta madura presente, estruturado e denso, muito boa frescura num conjunto complexo cheio de coisas boas. A barrica sente-se muito bem integrada, ligeira baunilha, especiarias, chocolate preto e balsâmico. Na boca conquista pela forma como se mostra cheio de garra, taninos a dar ligeira secura no final num conjunto fresco, amplo e com muito sabor e presença. Acompanhou com mestria uma barriga de porco assada no forno com batata corada, um belíssimo vinho com tudo para melhorar em garrafa. 94 pts

19 fevereiro 2016

Quinta das Bágeiras Velha Reserva Bruto Natural 1992

É sempre um privilégio poder provar vinhos cuja história nos é contada na primeira pessoa pelo próprio produtor, neste caso Mário Sérgio da Quinta das Bágeiras (Bairrada). Estamos perante um espumante Bruto Natural resultante do blend das castas Maria Gomes, Bical, Rabo de Ovelha e Cercial, cujo dégorgement foi feito em 2015 o que faz toda a diferença. Como foi dito, Mário Sérgio guarda na sua cave alguns espumantes que vai deixando envelhecer e lançando na passada do tempo, sendo este exemplo de uma curta tiragem que viu a luz do dia. Com 24 anos mostra-se vivo da silva com uma refinada complexidade que o faz crescer no copo, mostrando um bolha cheia de vivacidade que vai bailando com alegria. Ligeiro fruto seco num perfil que se mostra austero como os brancos que ali nascem, secura e mineralidade com fruta amarela em passa, ervas de cheiro. Conquista o palato entre sabores da fruta e ligeiro fruto seco, depois vem a austeridade mineral e uma apetecível secura de fundo que o faz brilhar sozinho ou acompanhado e se for à mesa ainda melhor. 94 pts

18 fevereiro 2016

Caves São João

Blend-All-About-Wine-Caves Sao Joao-Logo caves são joão Frei João, a Bairrada das Caves São João Blend All About Wine Caves Sao Joao Logo

A história das Caves São João é longa e rica em detalhes, tudo começou com o nome Sociedade dos Vinhos Irmãos Unidos, fundada em 1920 por três irmãos viticultores da Bairrada: José, Manuel e Albano Ferreira da Costa. Durante largos anos prosperou a venda a granel, tendo sido apenas a partir de 1950 quando se juntou Caves São João à denominação da firma. Mas apenas em 1959, já com os descendentes de um dos fundadores, Alberto e Luís Costa nos comandos das Caves, iriam surgir as marcas que lançaram as Caves São João para o estrelato – o Frei João (Bairrada) e o Porta dos Cavaleiros (Dão). Alberto e Luís Costa eram exímios negociantes de vinho, sabiam como poucos escolher e comprar os melhores lotes, direi mesmo que souberam como poucos criar e educar grandes vinhos que ainda hoje perduram e mostram com galhardia toda a potencialidade das duas regiões que abraçaram, o Dão e a Bairrada.

O Dão - Porta dos Cavaleiros

Sem possuírem qualquer vinha no Dão, eram escolhidos e comprados os melhores lotes e na colheita de 1963 surgiram os primeiros Porta dos Cavaleiros, tanto o Colheita como o Reserva Seleccionada. Uma marca que tal como a sua congénere na Bairrada, teve o dom de quase “criar” um perfil a que hoje associamos de Clássico a cada uma das regiões. De notar que os Reserva Seleccionada mostram mais frescura que os Colheita, devido a que as uvas dos Reserva eram provenientes dos contrafortes da Serra da Estrela num perfil mais fresco a que se poderá apelidar de “Dão Serrano”, enquanto os Colheita as uvas eram provenientes de zonas mais baixas e porventura mais quentes. Sobre os Reserva Seleccionada sabe-se que o vinho passava quatro anos nos enormes depósitos de cimento e posteriormente mais um ano em garrafa. Vinhos sabiamente educados e de traçada clássica, sérios com toque acetinado tão característico que nos mostram aquilo que a região pode e deve fazer.

Visitar as Caves São João e ter o prazer de contemplar mais de um milhão de garrafas que resistiram à passagem do tempo é uma rara oportunidade para os apreciadores. Esta foi uma prova que ficou na memória, em tudo especial até pelo facto de alguns vinhos não se encontrarem já disponíveis para venda face ao reduzido número de garrafas existentes, estes vinhos em prova vão surgir posteriormente com post individual. O primeiro vinho foi o Porta dos Cavaleiros 1964, este branco com 51 anos é arrebatador em todos os sentidos. Notável a evolução no copo, claramente a precisar de decantação. Inicialmente algo preso e contido, a mostrar alguma rezina, desenvolvendo uma complexidade notável com destaque para a fantástica acidez que envolve e segura todo o conjunto. Profundo, floral com nota de cera, untuosidade com fruto seco e ainda alguma fruta madura de caroço. Boca com muita frescura, mostra garra e nervo, grande presença e profundidade, sério, educado, a untuosidade que mostra ter combina em grande com a frescura que refresca o palato terminado longo e persistente.

Dando entrada nos anos 70 onde curiosamente são poucos os vinhos das Caves São João que me têm ficado na memória, salvo erro o branco Reserva de 1973 em Magnum e o tinto também Reserva 1975. Este Porta dos Cavaleiros branco 1979 não fugiu à regra, cordial a mostrar-se com vida, fruta já em passa, mineralidade com alguma secura de final de boca. Nos brancos da década de 80 o melhor de todos é o Reserva 1985, este Porta dos Cavaleiros Reserva branco 1984 é um grande branco em idade adulta, mas se comparado peca pela falta de garra tanto na boca como no nariz onde mostra menos frescura e acutilância ou limpeza de aromas. De resto goza de uma belíssima harmonia de conjunto, conjugando a sensação de untuosidade com acidez e presença da fruta ainda vivaz e madura.

No campo dos tintos a entrada não poderia ser melhor, o Porta dos Cavaleiros Reserva 1966 é a meu ver o melhor de todos, afirmando-se como um dos melhores vinhos de sempre da região. Pura classe num vinho de compêndio, cheio de caruma e pinhal, muito bosque, frutos silvestres, cerejas, folha de tabaco, eucalipto, couro. Puro veludo num tom que combina austeridade com a gulodice de um vinho cheio de vida e frescura, longo e com final persistente. De passagem pelos anos 70 foi provado o Porta dos Cavaleiros Reserva 1974, novamente o que menos brilhou entre os tintos, com a região bem evidenciada no perfil e a dar uma prova de muito bom nível. Perdeu em poder de afirmação mostrando-se mais delgado e espaçado tanto em complexidade aromática como em presença de boca.

Termino com o segundo melhor tinto, o Porta dos Cavaleiros Reserva 1985, que é um dos que mais prazer me tem dado nas últimas vezes que o tenho tido no copo. Literalmente é daqueles vinhos que está num momento muito alto da sua vida, conjuga toda a frescura da fruta com a complexidade que apenas o tempo consegue oferecer. Por entre os aromas a pinhal e bosque, cogumelos, terroso ligeiro, abre para fruta madura e suculenta, tudo embalado em enorme frescura, limpo com caixa de charutos, especiarias variadas. Na boca é acetinado e ao mesmo tempo vigoroso, com a fruta a explodir de sabor, muita personalidade com ampla presença, profundo e final persistente. Um grande vinho do Dão e do Mundo.

A Bairrada das Caves São João - Frei João


O vinho cujo perfil se poderá afirmar como o mais clássico de toda a Bairrada, o Frei João. Para tal convém reavivar a memória e recuar aos idos anos 50 onde a dupla, Luís e Alberto Costa decide começar a seleccionar, comprar e envelhecer vinhos de grande qualidade nas caves da empresa. É desses vinhos que surgiram marcas emblemáticas como os Porta dos Cavaleiros em 1963, ou em 1945 o primeiro Caves São João Reserva Particular. Em 1960 iria surgir o primeiro Bairrada, o Frei João cujo nome serve de homenagem ao frade carmelita Frei João Baptista (Convento de Santa Cruz do Buçaco) um dos primeiros a plantar vinha na região.

Os primeiros Frei João teriam como origem lotes comprados pelos dois irmãos, junto a produtores da região sendo as Adegas Cooperativas de Mogofres e Cantanhede dois dos principais fornecedores na altura. O Frei João Reserva, ainda em garrafa Borgonhesa, iria nascer na colheita de 1963 e teria o condão de afirmar o seu perfil como o mais clássico de toda a Bairrada. Factores como a tipicidade e a importante consistência geográfica dos lotes adquiridos ano após ano foram determinantes, tal como uma vinificação onde a fermentação com engaço era uma realidade contribuíram para a afirmação ao longo das décadas de um perfil clássico, representativo do melhor que se fazia em toda a região. Nos anos 70 de certo modo assistimos a uma revolução que se manifestou no perfil dos vinhos, na mudança de garrafa do Frei João para bordalesa ou até na própria região com a demarcação da Bairrada em 1979. Em 1972 é adquirida a propriedade Quinta do Poço do Lobo, que com produção própria começa a dar o seu contributo para os lotes aos quais se junta cada vez com maior presença lotes provenientes da zona de Vilarinho do Bairro.

Um passeio pela história de um ícone da Bairrada, apenas possível realizar nas Caves São João, um local mágico que nos dá este enorme privilégio de poder provar vinhos com mais de 40 anos em perfeito estado de conservação, que não mostram sinais de decadência ou cansaço e que a prova que dão proporciona verdadeiros momentos de glória com alguns dos melhores vinhos que se fizeram em Portugal e no mundo.

Frei João Branco 1966: A caminho do meio século de vida com uma complexidade fantástica, muito fechado e a pedir decantação, sério com frescura e profundidade, limpo com rezina, tom melado, vegetal, fruta branca, boa untuosidade com fruto seco a fazer-se notar. Boca com grande frescura a ligar com untuosidade ligeira a envolver o conjunto sempre muito coeso, tenso e com final a mostrar uma surpreendente austeridade mineral.Para durar. 95 pts

Frei João Branco 1974: Uma enorme surpresa, arrebatador a todos os níveis e fico com a sensação que terá sido dos melhores da Bairrada provados até à data. Aroma de enorme complexidade, flores amarelas, notas meladas, fósforo, vegetal, aqui o tom de frutos secos menos intenso e mais fino. Boca envolvente com a acidez muito viva, fruto de polpa branca presente e com vivacidade, longo e persistente, amplo, profundo a mostrar garra e a afirmar a sua presença. 96 pts

Frei João Branco 1990: À primeira impressão o que se pode dizer é que o tempo não passou por ele, tenso, nervoso, cheio de garra com notas de resina e esteva, fruta branca ainda presente. Muita energia, com uma acidez acutilante numa passagem de boca saborosa mas tensa, a mostrar-se ainda austero e com muita vida pela frente. 93 pts

Frei João Reserva 1966 (magnum): Um vinho que é obrigatório conhecer e provar. Um tinto enorme que exala Bairrada por todos os cantos, dono de grande complexidade onde a fruta (cerejas, framboesas) ainda surge com ligeiro apontamento maduro acompanhada de licor… delicioso, cacau, caixa de charutos, chá preto a dar sensação de secura. Boca de luxo, amplitude, frescura, nervo, grande presença e passagem com frescura e fruta, muita classe em final longo e apimentado. 97 pts 

Frei João Reserva 1980: Um belíssimo tinto cheio de frescura e jovialidade, ampla complexidade marcada pela fruta redondinha e ácida (bagas silvestres, mirtilos) com toques caruma, caramelo, café, esteva, coeso, amplo e muito estruturado, cheio de vigor mas com grande finesse. Boca com sabores vincados, fabulosa acidez, longo final e quase que ficamos a mastigar a fruta. 94 pts

Antão Vaz da Peceguina 2014

Da Herdade da Malhadinha Nova chega este Antão Vaz inserido na gama de Monocastas da Peceguina que nos são colocados à disposição conforme o ano em questão. Neste caso o Antão Vaz da Peceguina 2014, um branco com boa exuberância carregado de fruta madura bastante presente onde a frescura é uma constante, notas tropicais com citrinos onde tudo surge bem delineado. Enche o palato de sabor, bem encorpado e a pedir pratos de peixe no forno, com a fruta a marcar num final de travo ligeiramente mineral e seco. O preço é de 10,95€ em garrafeira online. 90 pts

17 fevereiro 2016

Cartuxa 50 Anos tinto 2011

Cinquenta anos depois de Vasco Maria Eugénio de Almeida ter criado a Fundação Eugénio de Almeida, nasce este precioso néctar em jeito comemorativo. Um vinho arrebatador e do melhor que tive a oportunidade de beber no ano de 2015 tal a qualidade com que nos conquista mal cai no copo, naquele que é um dueto perfeito entre a Alicante Bouschet e a Syrah. Na verdade estes novos vinhos que têm sido lançados pela Adega da Cartuxa (Alentejo) têm atingido todos eles um patamar muito alto de qualidade. Este vinho, com preço a rondar os 40€, em tudo especial mostra-se denso, escuro, misterioso e com uma complexidade que se vai desenrolando no copo de forma fantástica. A fruta carnuda e sumarenta aparece fresca, bem delineada, um deleite para os sentidos, a explodir de sabor no palato em conjunto com algum herbáceo, cacau entre outros. Um verdadeiro colosso com anos de vida pela frente que fez as minhas delícias preenchendo os mais altos requisitos. Fantástico. 96 pts

Terrantez do Pico 2014

É pela mão da Azores Wine Company que nos chega este raro e precioso branco elaborado a partir de uma casta tão rara e quase extinta como é a Terrantez do Pico. Da última contagem a equipa de António Maçanita apenas deu conta de 100 plantas desta variedade, o que se vai reflectir numa pequeníssima produção que nesta colheita deu origem a 380 garrafas. Uma produção que o transforma num vinho não de garagem mas de armário, e se for climatizado melhor porque tem pernas para andar muitos e longos anos. Delicada e refinada complexidade que encerra o conjunto, muito preciso e de alta definição, apresenta notas citrinas bem variadas, das mais maduras às mais amargas, nuances de ligeira tropicalidade. Pouco ou nada exuberante, sente-se fechado e a precisar de tempo para se desenvolver, numa altura em que se encontra dominado pela austeridade mineral e o travo de maresia. O que tem de raro tem também de único, a qualidade faz o resto. 94 pts

16 fevereiro 2016

O Fugitivo Garrafeira branco 2013

Chega da Casa da Passarella (Dão), inserido na gama O Fugitivo, o Garrafeira branco 2013 com uma produção que não supera as 2000 garrafas. Este foi um dos brancos que mais me marcou no ano passado, um grande vinho que espelha de forma exemplar a terra que o viu nascer. Como foi dito pelo enólogo Paulo Nunes, é um vinho que conta histórias, que nos remete para um passado de glória e capaz de vinhos míticos que ainda hoje brilham à mesa dos mais exigentes enófilos. A reter que este Garrafeira branco é um vinho de estrondo, nada fácil e fora de modas, cheira a Dão de outros tempos, cheio de garra com taninos a marcarem o final cheio de secura, o vinho grita por descanso em garrafa. Eléctrico, nervoso, tudo ainda muito novo tanto no nariz como na boca, do melhor que a região me colocou no copo nos últimos anos. O preço de 20€ vale cada cêntimo e por todo o prazer que nos dá se aberto hoje com um cherne no forno ou daqui por uns valentes anos, ele merece e nós também. 95 pts

Vale da Mata branco 2014


Criado na região de Lisboa nas encostas da Serra de Aire, mais precisamente nas Cortes, com o crivo da Herdade do Rocim (Alentejo). O vinho junta as castas Arinto, Viosinho e Vital e tem passagem por madeira que dá ao conjunto uma ligeira tosta. Depois de uma primeira edição que me encheu as medidas, ver aqui, esta nova colheita mostrou-se ligeiramente abaixo daquilo que estava à espera. O conjunto mostra-se nesta nova versão um pouco mais contido e discreto, tudo embrulhado com os citrinos e floral em destaque com ligeiro mineral de fundo. Boca com frescura a confirmar boa vivacidade onde a fruta ganha mais protagonismo, pimenta branca, baunilha, final de boa persistência num branco que fará boa companhia a umas lapas grelhadas. 90 pts 

15 fevereiro 2016

Esmero 2013



A base deste vinho são as vinhas velhas da família de Rui Xavier Soares, situadas em Valdigem (Lamego), de onde são produzidos vinhos brancos e tintos com as marcas Esmero e Mimo. Neste caso o topo de gama com preço a rondar os 15€, teve um estágio de 18 meses em barrica e é produzido a partir de uma vinha com mais de 80 anos, mistura de castas a baixa altitude. O Esmero 2013 é dominado pela complexidade, frescura e qualidade de todo o conjunto, cheio de frutos silvestres, cereja, todos muito maduros e cheios de acidez, amplo, com muito caracter, pimenta preta, aconchego da barrica em fundo. Boca a mostrar um perfil encorpado, vigor, persistência, harmonia com a fruta e a barrica em plena harmonia num belíssimo vinho do Douro com anos de vida pela frente. 93 pts

Marquês de Marialva Grande Reserva 2010


A Bairrada andou afastada dos copos dos consumidores durante demasiado tempo, porém tem sido feito nos últimos anos um esforço para contrariar essa mesma tendência e os resultados têm sido, passo a passo, conseguidos. Este vinho é um muito bom motivo para reencontrar a Bairrada, o qual junta 50/50 de Baga com Touriga Nacional e que vem da Adega de Cantanhede com enologia de Osvaldo Amado. Um vinho muito apelativo, onde as duas castas se conjugam e nos mostram um vinho cheio de frescura e nervo, com a gulodice da fruta (ameixa, cereja, mirtilos) fresca e rechonchuda, envolta em suave perfume de violeta e tosta do estágio de 12 meses em barrica. Pelo meio mora um ligeiro toque de rusticidade a lembrar os velhos tempos, com uma passagem de boca saborosa e marcada pela fruta, onde nos mostra que ainda tem muito para durar. Um belo vinho com preço a rondar os 15€ e que é sucesso garantido à mesa com uma sela de borrego no forno por exemplo. 91 pts 
 
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