Copo de 3

21 setembro 2016

Casal Figueira Tradition branco 2002


Um vinho único e muito especial, criado por um dos grandes de seu nome António Carvalho, que infelizmente partiu cedo de mais. Foram longas as conversas que ouvi com atenção contadas pelo António, enquanto me dava a beber os seus vinhos, os Casal Figueira. Ficaram célebres os brancos Tradition, vinhos pouco compreendidos na altura, vinhos de culto e de puro terroir, vinhos de gente que faz falta no mundo do vinho. Este 2002 foi um caso único, Roussane e Sémillon foram as duas desvairadas que se alinharam para um branco que com os seus 14 anos se mostra pronto para as curvas, cheio de alma e classe. O tempo que passou por ele teve o efeito de acondicionar e concentrar um pouco mais aromas e sabores, os toques de mel e cera, juntamente com fruta amarela e flores de fundo, tudo com frescura e um embalo quase untuoso que nos leva por um caminho final bem fresco e de travo mineral. Muita qualidade com vida ainda pela frente, fantástico. 94 pts

07 setembro 2016

Soalheiro TerraMatter 2015

Já na segunda edição apresenta-se o Soalheiro TerraMatter 2015, elaborado com uvas em regime de produção biológica, não sujeito a filtração, fruto de vindima precoce e maloláctica parcial em barricas de castanho. Diferente e arrebatador pela maneira como conquista no imediato, tanto pela diferença mas pela qualidade que uma vez mais é apanágio desta casa. Fantástica prestação num vinho cheio de finesse, energia e definição aromática. Não há lugar a qualquer espécie de “massacre” olfactivo num vinho focado e preciso, belíssima presença com muito ainda para dar, o tempo que dura no copo apenas o demonstra. Denso, bom volume de boca com muita elegância e frescura, sensação de ligeira untuosidade. Travo mineral vincado em fundo numa passagem plena de sabor e frescura da fruta. Está a meu ver melhor que o 2014 e tal como seria de esperar, ainda muito novo pelo que será bastante interessante acompanhar a sua evolução, haja garrafas que o permitam. 94 pts

06 setembro 2016

Biodynamic Wine by Monty Waldin

Biodynamic Wine by Monty Waldin

É a mais recente pérola a ser adicionada ao já vasto leque de livros dedicados ao mundo do vinho com a chancela da editora Infinite Ideias. Cada título da The Infinite Ideias Classic Wine Library cobre uma região, país ou tipo de vinho e se tivermos em linha de conta os outros livros que já aqui foram abordados então podemos dizer que a qualidade está uma vez mais colocada num patamar muito alto.

O livro cujo título é Biodynamic Wine, versa sobre um tema que será controverso e originário de grandes discussões tendo por um lado os seus admiradores e seguidores/praticantes, sendo que também podemos contar com uma grande quantidade de cépticos e não crentes. O autor é Monty Waldin, uma autoridade no que toca a vinho orgânico e biodinâmico, também crítico, consultor e viticultor. O livro é uma janela aberta para o vinho biodinâmico, uma verdadeira fonte de conhecimento onde o autor com uma escrita fluida e cativante nos explica passo a passo processos e filosofias desta maneira de estar no mundo dos vinhos.

Ao longo de 222 páginas vamos sendo guiados pelo mundo do vinho Biodinâmico, não espere encontrar avaliação de vinhos ou de produtores porque simplesmente não vai encontrar. Feita a introdução necessária somos levados a conhecer as origens da Biodinâmica onde a figura de Rudolf Steiner ganha o esperado protagonismo. Nos capítulos que se seguem são abordados todos os preparados, onde ficamos a conhecer entre muitas outras coisas o porquê dos cornos de vaca serem cheios de estrume e enterrados a determinada altura do ano, isto e muito mais sempre guiados pelas mais variadas técnicas e tratamentos alterativos que vão sendo enumerados e explicados um a um. Qual a importância do vortex na altura de dinamizar os preparados? Ou qual a ligação dos organismos ao cosmos e como daí se trabalha seguindo o ritmo celestial? Por último um capítulo dedicado à certificação Demeter, o rigor é o mesmo de sempre tal como a vontade de continuar a ler e a entender este modo de estar que cada vez mais ganha adeptos entre os produtores de vinho por todo o mundo.

Um livro de referência e obrigatório para todos aqueles que de alguma maneira tenham ligação com o fantástico mundo do vinho, sejam profissionais do ramo ou wine lovers.

Dona Berta Reserva 2012


Este Dona Berta Reserva tinto 2012, mostra-nos que continua a haver vinhos que levam o seu tempo a entrar para o mercado. Muito carácter num vinho com raça e cheio de vida, muita fruta (bagas e frutos silvestres) mas também uma ligeira austeridade quer a nível de aroma como faz intenção de o confirmar no palato. Tudo muito compacto e bem coeso, apertado de tal forma que só com tempo é que se vão poder descortinar melhor os aromas. Por enquanto é um tinto cheio de vida e energia, capaz de fazer um brilharete com um bife de novilho no carvão com molho alioli. 91 pts

05 setembro 2016

Soalheiro Granit 2015


Em estreia absoluta o Soalheiro Alvarinho Granit 2015, fruto de uma selecção específica de vinhas plantadas acima dos 150 metros em solos de origem granítica. A fermentação ocorre a uma temperatura acima do normal em vinhos brancos em inox com battonage sobre as borras finas. O objectivo é mostrar a expressão da casta, bem como a expressão dos solos num vinho que mostra um lado mais seco, austero e mineral. Destaca-se boa exuberância com foco na fruta associada à Alvarinho, perfil muito limpo com grande elegância e boa austeridade. Palato forrado a fruta, solidez com fundo mineral envolto em secura. Todo ele muito preciso e focado, mais uma belíssima criação deste produtor. 92 pts

04 setembro 2016

Dona Berta Vinhas Velhas Reserva Branco 2015


É já um clássico este Dona Berta Vinhas Velhas Reserva (Douro), a mostrar um 100% Rabigato cheio de frescura com a raça que lhe é conhecida. O vinho abandonou os aromas intensos e mais frutados que de certa maneira faziam adivinhar a casta no imediato, para agora mostrar-se mais tenso e mineral. Muito boa a frescura com a fruta bem coesa e presente, sem exageros que nunca aqui fizeram a festa. Tenso e com nervo na boca, boa secura no fundo de corpo bem estruturado, tem tudo para evoluir favoravelmente na passada do tempo. Por agora pede pratos de peixe/marisco com bom tempero até porque a estrutura que mostra ter, dá-lhe essa capacidade de embate. 91 pts

03 setembro 2016

Olho de Mocho Rosé 2015

Podemos dizer que o Olho de Mocho (Herdade do Rocim) rosé mudou para melhor, ao apresentar-se com uma tonalidade mais ligeira e até mais delicada a lembrar a de uma pétala de rosa. Um vinho cheio de aromas de fruta vermelha bem fresca e madura, solto e a deixar o "tradicional" apontamento docinho de lado e a mostrar uma faceta mais seca e gastronómica. Muito limpo de aromas, cheira e sabe a fruta, tudo bom de cheirar embora com alguma delicadeza e uns retoques de ervas do monte lá pelo meio, bem composto em conjunto mediano com frescura que o percorre de principio ao fim. Com preço a rondar os 8€ foi o feliz contemplado para acompanhar uma salada de queijo Burrata e tomate. 90 pts

01 setembro 2016

Casal Mendes Blue


Depois de surgir em Espanha o primeiro "vinho" azul, o Gik Blue, surge agora pelas mãos da Bacalhôa Vinhos o primeiro "vinho" azul criado em Portugal, o Casal Mendes Blue. Apesar de a base ser a do Casal Mendes branco, o vinho é certificado pelo IVV como "bebida aromatizada à base de vinho". O processo que lhe dá o tom azul é segredo, mas poderá ter como base a flor Clitoria Ternatea que deu a tonalidade azul a um famoso gin nacional. O preço ronda nas lojas do produtor os 2,99€ e apresenta-se com 10 graus de álcool, o Casal Mendes Blue é parco em aromas e sabores, direi que cheira um bocadinho mais do que aquilo que sabe, apesar do toque de rebuçado mais adocicado que rola pelo palato. Esta espécie de híbrido não chega a entusiasmar, apesar das brincadeiras que permite fazer tal como transformar-se em verde ou de fazer uma sangria que capta a atenção de qualquer pessoa.

10 agosto 2016

Rosé Vulcânico 2015


Vai já na segunda edição este rosé criado pela Azores Wine Company, que se mostra a meu ver mais afinado e sem tantas pontas soltas. Mantém a mesma linha de grande frescura, contenção aromática com fruta vermelha em plano discreta, num conjunto dominado por alguma austeridade, num perfil seco e cheio de nervo. Marca o palato pela fruta bem delineada, que no imediato se deixa dominar pela austeridade mineral que tem no fundo, o preço por garrafa ronda os 12€ e é um grande companheiro de comida oriental. 89 pts

Arinto dos Açores “Sur Lies” 2014

Dono de uma invejável frescura, compacto apesar da acidez que tem acentuar as notas citrinas que se fundem com o travo salino em conjunto com a ligeira untuosidade/corpo que as borras lhe deram. Na boca é uma festa para os sentidos, conjunto que brinca com o palato em vagas de sabores que se misturam entre o travo mais frutado e o ligeiro salgado e seco de fundo.Com preço a rondar os 21€, a produção é curta, é um vinho literalmente feito no meio do Oceano e como tal é com "bichos" do mar que brilhará à mesa. 92 pts

08 agosto 2016

Marquês de Borba Espumante Rosé 2013

Foi recente o lançamento desta nova versão da reconhecida marca de vinho Alentejano criado pelo produtor João Portugal Ramos (Estremoz). Desta vez o Marquês de Borba surge em modo Espumante Rosé da colheita 2013, com preço a rondar os 12€ por garrafa, o vinho resulta do lote de Touriga Nacional, Aragonês e Pinot Noir, mostrando-se bem acima da média e a dar muito boa conta de si. A bolha é fina tal como os aromas que despontam delicados e envoltos em boa frescura, no fundo ligeira sensação de biscoito. Muito equilibrado na boca, sem sabores muito vincados prima pela delicadeza num conjunto bem fresco e a mostrar elegância. 91 pts

Colecção Privada Domingos Soares Franco Sauvignon Blanc 2015


Nem sempre é garantido que cada vindima permita que determinado vinho saia para o mercado, como é o caso desta Colecção Privada de Domingos Soares Franco (JMF). Na verdade foi com a benesse de 2015 que foi possível lançar novamente este vinho. À casta Sauvignon Blanc juntou-se um cheirinho de Verdejo, cerca de 15%, do qual resultou um branco com preço a rondar os 10€ que mostra um aroma com a fruta madura, realça a manga e um mais distanciado maracujá com notas de vegetal fresco a lembrar relva cortada. No palato um conjunto de corpo mediano amparado por uma boa frescura de fundo. 89 pts
 
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