Copo de 3: Bodegas Estefanía

27 Janeiro 2010

Bodegas Estefanía

É com enorme prazer que retorno a terras de Espanha e mais concretamente à D.O. Bierzo, onde reina a casta Mencia, introduzida pelos romanos faz mais de 2000 anos (a famosa Jaen no Dão). Curiosamente em Portugal são poucos os produtores que "ligam" a esta casta em extreme, inventa-se sempre a desculpa de que ou precisa de Touriga Nacional ou precisa de mais uma pitada de Alfrocheiro para... para nada. Basta provar os vinhos do lado de lá para se entender que a casta, quando bem trabalhada a solo (se calhar é isto que por cá não se sabe fazer) dá resultados de altíssima qualidade. E não se preocupem com o envelhecimento que é coisa que sabe fazer e muito bem.

Neste caso falo de um produtor que tenho tido o prazer de acompanhar desde que surgiu no mercado, e cuja empatia com os seus vinhos foi imediata. As Bodegas Estefania surgiram em 1999 quando os irmãos Frías realizaram o sonho de produzir vinhos mono varietais de alta qualidade.

A D.O. de Bierzo fica situada a Noroeste da Península Ibérica, num vale rodeado pelas montanhas que separam León, Galiza e Astúrias, contando na totalidade com 4500ha de vinhas velhas, com poucas parcelas a ultrapassarem os 2ha. As Bodegas Estefanía contam aqui com cerca de 40ha de vinhas, quase centenária, em Valtuille de Arriba e Pieros, situadas em ladeiras de grande desnível que apenas permitem a vindima manual.
Para além da produção de vinho D.O. Bierzo, consta também da produção vinho Ecológico, proveniente das vinhas situadas em Castillo de Úlver (nome do vinho), em Arganza, com uma altitude que varia entre os 550 e os 650 metros de altitude. Aqui a idade da vinha ronda os 15 anos, variando entre a Tempranillo e a Mencía (fruto de uma recente reconversão das vinhas de Tempranillo). Por outro lado e situadas a 836 metros de altitude, ficam as vinhas de Prieto Picudo, com idade a variar entre os 80-100 anos, e cujos vinhos resultantes são Vino de la Tierra de Castilla y León com marca de nome Clan.

É sem dúvida alguma, uma zona que merece ser conhecida pelos magníficos vinhos que tem vindo a produzir nos últimos anos, alguns considerados como dos melhores de Espanha e capazes de nobre evolução durante largos anos em garrafa. Neste caso temos um produtor que desde cedo se afirmou como um dos portos seguros no que a vinhos do Bierzo se trata, com a enologia a cargo do enólogo Raúl Perez.
A marca é Tilenus, e os vinhos são classificado como Joven, um vinho que assenta na frescura da fruta aliado às características muito próprias do terroir onde nasceu. O Roble tem uma breve passagem por madeira, a suficiente para lhe conferir alguma complexidade e amainar a força da fruta, com um pouco mais de harmonia surge o Crianza que se afirma como o estandarte deste produtor, um vinho delicado que conjuga de forma muito elegante barrica com a frescura da fruta. Por fim o Pagos de Posada, um belíssimo vinho, de enorme finesse, rico bouquet e onde parece que nada falha tal o prazer que nos transmite durante a sua prova, já o Piero... vinho de guarda por excelência, são poucas as palavras para o descrever tal como foram muito poucas as vezes que o tive no copo.

Provados mais recentemente (notas de prova colocadas brevemente):

Clan Charco Las Animas Rosado 2008 16,5 - 91 pts
Tilenus Roble 2006
Tilenus Crianza 2004

1 comentário:

Joel de Sousa Carvalho disse...

O primeiro parágrafo deste post merece um aplauso e merece também que muitos enólogos o leiam. Falam do Jaen como se fosse um monstrinho das adegas, e que ainda só a usam porque os rosés ainda se vendem bem :)

O Jaen é uma casta muito boa, e tu mostras isso neste texto e mesmo em questões de envelhecimento.

Abraço

 
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