Copo de 3: Açores
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10 janeiro 2017

Verdelho o Original branco 2015


Felizes os vinhos que nos conseguem baralhar as "contas" numa prova cega e literalmente nos metem a pensar. Sempre gostei de vinhos assim, fora do trivial, fora do conjunto tradicional de aromas e sabores tão em moda e que correm regiões inteiras de fio a pavio. Este é criado no meio de um oceano pela Azores Wine Company, um vinho com toque de maresia, aromas limpos e muito frescos numa mistura de citrinos e ligeira fruta tropical com algum vegetal fresco. Elegância, algo comedido na maneira como se expressa, junta depois o lado mais marítimo em pano de fundo. A acidez qual gume de faca bem afiada é aqui dominante e qual onda, refresca o palato a cada trago. A produção é reduzida e o preço ronda os 20€ por garrafa, a guardar ou a abrir desde já a acompanhar "bichos" do mar. 92 pts

10 agosto 2016

Rosé Vulcânico 2015


Vai já na segunda edição este rosé criado pela Azores Wine Company, que se mostra a meu ver mais afinado e sem tantas pontas soltas. Mantém a mesma linha de grande frescura, contenção aromática com fruta vermelha em plano discreta, num conjunto dominado por alguma austeridade, num perfil seco e cheio de nervo. Marca o palato pela fruta bem delineada, que no imediato se deixa dominar pela austeridade mineral que tem no fundo, o preço por garrafa ronda os 12€ e é um grande companheiro de comida oriental. 89 pts

Arinto dos Açores “Sur Lies” 2014

Dono de uma invejável frescura, compacto apesar da acidez que tem acentuar as notas citrinas que se fundem com o travo salino em conjunto com a ligeira untuosidade/corpo que as borras lhe deram. Na boca é uma festa para os sentidos, conjunto que brinca com o palato em vagas de sabores que se misturam entre o travo mais frutado e o ligeiro salgado e seco de fundo.Com preço a rondar os 21€, a produção é curta, é um vinho literalmente feito no meio do Oceano e como tal é com "bichos" do mar que brilhará à mesa. 92 pts

17 fevereiro 2016

Terrantez do Pico 2014

É pela mão da Azores Wine Company que nos chega este raro e precioso branco elaborado a partir de uma casta tão rara e quase extinta como é a Terrantez do Pico. Da última contagem a equipa de António Maçanita apenas deu conta de 100 plantas desta variedade, o que se vai reflectir numa pequeníssima produção que nesta colheita deu origem a 380 garrafas. Uma produção que o transforma num vinho não de garagem mas de armário, e se for climatizado melhor porque tem pernas para andar muitos e longos anos. Delicada e refinada complexidade que encerra o conjunto, muito preciso e de alta definição, apresenta notas citrinas bem variadas, das mais maduras às mais amargas, nuances de ligeira tropicalidade. Pouco ou nada exuberante, sente-se fechado e a precisar de tempo para se desenvolver, numa altura em que se encontra dominado pela austeridade mineral e o travo de maresia. O que tem de raro tem também de único, a qualidade faz o resto. 94 pts

02 fevereiro 2016

Rosé Vulcânico 2014


Proveniente dos Açores, este vinho criado pela Azores Wine Company cujos vinhos se dividem pelos Rare Grapes Collection e os Volcanic Series de onde nos sai este Rosé. Comum a todos eles a frescura proveniente da brisa marítima com uma inevitável e porque não o dizer, acidez que se faz sentido algo acentuada quem sabe fruto dos solos de origem vulcânica. Melhor exemplo do que acabo de escrever é este Rosé Vulcânico 2014, parco na tonalidade e ligeiro na graduação, mostra aromas de fruta vermelha bem limpa com boa presença e de fundo algumas notas de mar com a inevitável nota de iodo e salinidade presente. É este factor que pode causar admiração e mesmo ditar o afastamento de alguns apreciadores, o toque salino que se faz sentir no palato. De resto mostra-se com a intensidade suficiente para fazer um brilharete com comida de inspiração oriental, o preço por garrafa ronda os 12€. 89 pts

24 julho 2014

Os vinhos Atlânticos da Ilha do Pico (Açores)

De todas as regiões demarcadas em Portugal os vinhos oriundos dos Açores são com toda a certeza os mais esquecidos, os menos discutidos, os menos divulgados e os que menos vezes chegam à mesa dos consumidores. No entanto a situação está a mudar e assiste-se a um esforço das entidades locais, entre produtores/CVR para que estes vinhos sejam encarados/consumidos de forma mais habitual.

Focando apenas na Ilha do Pico, são vinhos que nascem sensivelmente a meio do Atlântico, em solos de lava que marcam a paisagem da ilha e que a população local diferencia entre "lajidos" e "terras de biscoito" (Ilha Terceira). É uma região peculiar, moldada pelo ser humano nos famosos "currais", Património Mundial da Humanidade pela Unesco, que isolada de tudo se tornou depósito natural de castas únicas e diferenciadoras (cheiros e sabores) levadas pelos colonos. Destacam-se três castas, o Arinto dos Açores que é diferente do Arinto de Bucelas, o Verdelho que foi a primeira casta implantada na ilha e idêntico ao da Madeira mas diferente do encontrado em Portugal Continental e o Terrantez do Pico, distinto do Terrantez da Madeira e do que se encontra no Dão.

Durante anos o mais famoso vinho da Ilha do Pico foi o licoroso, cuja principal característica é a não adição de aguardente, hoje em dia a oferta é mais vasta e estende-se por brancos frescos, de travo salino/mineral em conjunto com licorosos que oscilam entre o perfil mais seco ou mais doce, capazes de surpreender pela diferença.
Uma prova de contrastes, surpresas e comparativos onde a forte ligação à mesa com peixe e marisco se tornou mais que evidente. Contou com as presenças dos produtores Maria Álvares (Cooperativa Vitivinícola da Ilha do Pico), Marco e Rui Faria (Curral de Atlântis), Paulo Machado (Insula Vinhos) e Fortunato Garcia (Vinho Czar), foi conduzida pelo enólogo António Maçanita (Fita Preta).

Curral Atlântis Arinto dos Açores Colheita Selecionada 2013 (IG Açores)
 Muita frescura, toranja, lima, folha de limoeiro, salino, menos expressivo que o Verdelho. Muita energia no palato, frescura, sumo de citrinos maduros, mineralidade em conjunto com bom final de boca. 89pts

Curral Atlântis Verdelho Colheita Selecionada 2013 (IG Açores)
 Marcado pelo toque mais tropical da fruta, cheio e maduro, fresco e salino, envolvente com nota de pederneira. Boca com frescura, vegetal fresco com fruta tropical, seco no final mediano. 88 pts

Curral Atlântis Verdelho/Arinto dos Açores Colheita Selecionada 2013 (IG Açores)
 Aroma de fruta tropical com citrinos maduros, boa frescura, muito limpo, notas de um Verdelho mais gordo e redondo que abraça o Arinto mais ácido e cortante. Conjunto com harmonia entre castas num vinho claramente feito para a mesa. 90 pts

Arinto dos Açores by António Maçanita 2013 (DO Pico)
 Frescura num conjunto marcado pelo detalhe da fruta limpa (citrinos) e delicada, toque salino, todo muito equilibrado e a dar uma prova muito agradável. Na boca é fresco, salino, muito citrino presente com final persistente. 91pts

Insula Private Selection 2013 (IG Açores)
 Feito com Arinto dos Açores, carácter vincado num vinho tenso e com muito vigor, notas de pederneira ao lado de fruta limpa e madura, toranja e limão. Boca com austeridade mineral, quase salino, fruta madura a envolver num final de boca seco e prolongado. 90pts

Frei Gigante Reserva 2012 (DO Pico)
 Um perfil diferente do normal, blend de Arinto dos Açores com Verdelho e Terrantez do Pico. Conjunto perfumado com fruta madura (pêra, toranja), fumo, salino, ao mesmo tempo sensação de untuosidade e envolvência. Boca com boa presença da fruta madura, saboroso, boa acidez a terminar seco e mineral. 90 pts


Lajido Licoroso Seco 2002 (DO Pico)
 Não é um vinho de abordagem fácil, recorda ligeiramente os vinhos de Jerez, pela oxidação em conjunto com toque salino e fruto seco, amanteigado com ligeiro iodo. Boca com secura, fresco com frutos secos e iodo, num final persistente e longo. 88 pts

Lajido Licoroso Reserva Doce 2004 (DO Pico)
 Num perfil mais untuoso que o Lajido Seco, notas de frutos secos cobertos de caramelo, laranja caramelizada, uva passa, biscoitos, tudo em boa complexidade. Boca a condizer com os aromas, envolvente e com uma bela acidez. Final longo e persistente. 91 pts

Czar Licoroso Superior Doce 2008 (DO Pico)
 O mais exótico e fora do habitual, resina, toque de frutas cristalizadas com especiarias, ervas de cheiro e tisana, boa frescura a embalar o conjunto com toque salino em fundo. Gordo, complexo, guloso e estranho, diferente e divertido. 90 pts

Curral Atlântis Verdelho/Arinto dos Açores Doce 2005 (DO Pico)
 Passou 5 anos em barrica e 1 ano em garrafa, muito equilibrado, torrefacto, laranja caramelizada, salino e untuoso. Boca a mostrar muita frescura que liga com fruta caramelizada, calda de fruta, final longo e persistente. 89pts

Publicado em 03 junho 2014 em Blend - All About Wine
 
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