A firma Cossart Gordon (Madeira) foi fundada em 1745 pelos irmãos Francis e Thomas Newton, tendo sido a primeira empresa exportadora de Vinho da Madeira. Este é um vinho Colheita que teve um estágio mínimo de 5 anos em casco de madeira, feito a partir da casta Bual. Um vinho de estilo meio-doce onde nos deixamos levar pela riqueza da sua fina e delicada complexidade que se vai desdobrando no copo. Surgem a fruta em passa (figo, ameixa), algum iodo ao mesmo tempo as especiarias com toque de madeira velha, num conjunto embalado por uma boa dose de frescura num longo final com toque de caramelo salgado. Um vinho para abrir e acompanhar na perfeição a conversa no final da refeição. 91 pts
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06 fevereiro 2020
29 março 2019
Barbeito Malvazia 20 Anos Lote 14050
Criado pela Barbeito (Madeira), foram utilizadas uvas de São Jorge e da Fajã dos Padres (20%), para este lote já esgotado no produtor e do qual resultaram pouco mais de 1000 unidades com preço situado nos 170€. Nariz de grande complexidade, refinado e muito elegante este 20 Anos Malvazia mostra-se com aroma floral, ligeiramente fumado com ligeira sensação de untuosidade no caramelo salgado, notas de alperce em geleia. De enorme presença mas com uma frescura fantástica a contrapor a doçura da casta, que lhe dá uma grande vivacidade de aroma e sabor, mantendo no entanto um lado refinado e elegante com um final longo e muito persistente. Alegrará com toda a certeza o final de um grande jantar, sozinho ou acompanhado. 95 pts
09 janeiro 2019
H.M. Borges Boal 15 Anos
Mais um belo vinho oriundo da casa H.M.Borges (Madeira), desta vez um 15 Anos da casta Boal com preço a rondar os 31€ por garrafa. O vinho obviamene que é uma belíssima porta de entrada para os 20 e 30 Anos da mesma casa, apesar aqui se mostrar um Boal de bouquet muito bem composto e cheio de fruto seco com ponta de calda, caramelo de leite, num tom fresco e muito untuoso e envolvente. Pleno de sabor no palato, prolongado pela boa acidez e pelo sabor meio doce da fruta passa com algum toffee. 92 pts
08 novembro 2018
Barbeito Ribeiro Real Boal Lote 1 20 Anos
Os vinhos da Barbeito (Madeira) pelas mãos do seu produtor e enólogo, Ricardo Diogo, mostram-se atrevidos e irreverentes, mas sempre com o olho metido na qualidade que em alguns casos atinge a plenitude. A quantidade em alguns casos é muito pouca, uma vez que os lotes utilizados para criar estas preciosidades são muito velhos, limitados e de excelente qualidade, o que explica a procura e o preço que se paga. Para este vinho foi seleccionado o melhor Boal com 20 anos da zona do Campanário, ao qual se adicionaram outros vinhos velhos (1952, 1953 e 1954) de Tinta Negra oriunda do Ribeiro Real. Em Maio de 2014 foram engarrafadas 1296 unidades, todas individualmente numeradas, preço a rondar os 170€.
Enorme vinho, toque fumado, amplo e muito complexo, nota de iodo com laranja caramelizada, floral, grande presença e definição. Com o tempo ameixas em calda, um toque mais guloso e untuoso, enorme equilíbrio entre componentes com uma frescura fantástica a ligar tudo. Enche o palato de sabor, guloso e bem fresco, profundo e de grande persistência. 96 pts
05 novembro 2018
Barbeito Boal 10 Anos
Os vinhos da Barbeito (Madeira) são dos mais acutilantes a nível da acidez, muito firmes e com aromas muito frescos, este é um belo exemplar de um Boal 10 Anos. Desponta para alem da boa frescura uma fruta em tom meio doce com figos secos e alguns citrinos em geleia, tom mais gordo dado pelo tempo em madeira ( estagiado em Canteiro durante 10 anos em cascos de carvalho Francês), num conjunto repleto de harmonia e envolvimento. No palato replica-se e envolve com o tom meio doce para se diluir num prolongado final de boca. O preço ronda os 30€ e acompanha na perfeição um bolo de noz. 91 pts
11 setembro 2018
Henriques & Henriques Ribeiro Real Reserva
Este vinho da Henriques & Henriques (Madeira) e o momento que envolveu a sua prova, são a essência do que é o mundo do Vinho da Madeira, algo único, arrebatador e direi mesmo impossível de acontecer em qualquer outra parte do mundo. Perde-se no tempo o registo capaz de nos dizer com precisão a sua idade, embora tudo aponte para a metade do século 19. Proveniente de vinhas pertencentes ao último dos Henriques, João Joaquim Henriques, e que ficam localizadas na zona conhecida pelo Ribeiro Real (Estreito da Camara de Lobos). Os mais de cinquenta anos que passou em Canteiro tornaram-no concentrado, glicérico, deram-lhe um refinadíssimo e profundo bouquet, ao olhar é percetível aquela bonita coroa esverdeada. O resto é um monumento à casta Verdelho, engarrafado em 1957.
Aroma inenso e muito complexo com aroma da madeira velha onde morou, cera de móvel, toques de laranja/toranja cristalizada, iodo, muita frescura e elegância num conjunto profundo e misterioso. Boca em perfeita sintonia, meio seco, saboroso com a concentração a ser compensada pelo arrasto mineral acompanhado por uma acidez que revitaliza o palato, repete o toque de toranja bem no final da boca. Inesquecível. 96 pts
11 agosto 2018
Justino’s Malmsey 1933
O que torna únicos os Vinhos da Madeira é a maneira como a longevidade coabita com uma complexidade/frescura difícil de encontrar noutro local. Sente-se pelo perfil da casta que o resultado é mais guloso que os vinhos das outras castas da Madeira. Grande complexidade com notas de caramelo de leite, passas de figo, laca, frutos secos, elegância entre conjunto e aquela acidez necessária que lhe dá enorme vida, café moído, caixa de charutos, especiarias, tudo muito bem pronunciado numa perfeita harmonia entre nariz e boca. Palato com passagem fresca, arredondado com aquela pontinha doce no final que o torna pecaminoso. 95 pts
28 junho 2018
Justino’s Verdelho 1954
Um vinho que emana frescura e energia, boa complexidade num conjunto de aromas muito directo e polido pelo tempo, com aquele toque de limão muito maduro em geleia na companhia de ligeiro tropical, chá verde, ramalhete de flores na companhia de nozes,leve ranço com conjunto a mostrar boa vivacidade. Boca em contraste com os aromas, cheio de sabor com apontamentos onde se destaca a secura que revitaliza o palato e convida a mais um trago, sempre com muito sabor e ligeiro toque de untuosidade num vinho que termina apimentado e com longo final.575€ 93 pts
17 maio 2018
Justino’s Terrantez Old Reserve
A Terrantez é uma casta rara, quase extinta, que cobre os vinhos a que dá origem com uma capa de mistério e fascínio. Este vinho da Justino´s (Madeira), entretanto já descontinuado, foi engarrafado como Old Reserve uma vez que quando foi comprado, há mais de cinquenta anos atrás, o mesmo não tinha um registo da colheita, acreditando-se rondar 1930. Estamos perante um vinho com mais de setenta anos, de aromas limpos, profundo, notas de iodo, sotolon, laca, casco velho, bolo de noz com caramelo, floral, exótico e misterioso. Boca com entrada que envolve e forra o palato com travo de amêndoas salgadas, geleia de laranja, enorme elegância com aquela acidez que conquista num final muito longo e persistente. 95 pts
30 abril 2018
Justino’s Sercial 1940
Pela alta acidez que a casta Sercial transporta para os vinhos, é a que mais tempo necessita para se desenvolver e mostrar em garrafa. Um belíssimo exemplar da casta, a mosrar-se com muitas notas de iodo, muita amêndoa salgada, laca, complexidade e elegância, caramelo com casca de limão cristalizada ao mesmo tempo que debita uma frescura bem afiada a embalar toda a prova. Grande presença no palato com ligeira untuosidade de frutos secos salgados, iodo, raspas de citrinos, muita emoção e sabor, mais uma vez a acidez em destaque num vinho a todos os níveis inesquecível. O preço de uma garrafa ronda os 390€ 96 pts
22 abril 2018
Henriques & Henriques Solera Century Malmsey 1900
Este vinho é um dos Soleras da Henriques & Henriques (Madeira) que surge de uma solera criada na colheita de 1900 e que no ano seguinte viu um décimo do seu volume ser substituido pela nova colheita. Este processo foi repetido mais 9 vezes e o casco foi fechado e deixado em repouso, para o lote final apenas ser engarrafado em 1999, cerca de 1000 garrafas. Tudo isto são detalhes que apenas enriquecem e aguçam a vontade de o ter no copo e contemplar este precioso e raro vinho. Transborda na complexidade, madeira antiga das barricas, frutos secos, passas de figo com nozes, mel, aconchego dado pela sensação de untuosidade. Caixa de charutos, desdobra-se como que por finas camadas de aromas e sabores, boca de veludo marcada pela frescura, concentração e uma tremenda elegância. Há vinhos que não se esquecem e este é certamente um deles. O preço ronda os 800€. 96 pts
19 abril 2018
H.M. Borges Verdelho 20 Anos
Chegou à mesa para simplesmente tomar conta da festa. Neste caso um 20 Anos da H. M. Borges feito a partir da casta Verdelho, onde o lote mais velho remonta o ano de 1940. Boa intensidade num conjunto profundo com concentração e complexidade. No nariz começa num toque mais fumado, seguido de rezina para dar lugar ao iodo com toque salino, fruta cristalizada (damasco), algum tropical fresco com maracujá e especiarias: sotolon/caril. Boca com grande presença e frescura, untuosidade com um toque doce a lembrar geleia de fruta, bem elegante e com secura a projectar-se no final longo e muito persistente. Compra-se por coisa de 38€ e vale cada cêntimo. 94 pts
31 outubro 2017
Henriques & Henriques Terrantez 20 Anos
Sobre a casta Terrantez pairou durante muitos anos a tenebrosa palavra extinção, algo que quase esteve para acontecer embora nos dias de hoje continuam a ser muito poucas as parcelas espalhadas pela ilha da Madeira. Os vinhos a que dá origem são obras de arte, raros e muito procurados, a qualidade dos mesmos ecoa pelos séculos. Não se estranhe portanto que fiquemos rendidos perante um vinho como este 20 Anos Terrantez. Inicialmente com toque salino, iodado e com notas de ranço, entrando de imediato no registo de frutos secos (amêndoa torrada), tabaco doce, caril, laranja cristalizada, ramalhete de flores num bouquet muito rico e complexo. Belíssimo volume, entrada tipo berlinde mais arredondado, belíssima acidez mas ao mesmo tempo untuoso, com um final agri doce e muito prolongado. Daqueles vinhos que quando chega à mesa se torna o rei da noite, fantástico. 95 pts
30 outubro 2017
Henriques & Henriques Verdelho 20 anos
Os Madeira 20 Anos são recentes no mercado, têm a particularidade de as quantidades serem reduzidas e o lote ir variando, por isso alguns são mesmo edições exclusivas e irrepetíveis. Neste caso é um Henriques & Henriques Verdelho 20 Anos, casta que tem a particularidade de conseguir manter durante muito tempo os seus aromas e sabores frutados, algo que se destaca e bem neste vinho de muito bom recorte. Frutos tropicais com maracujá bem fresco, ananás em calda, especiarias, madeira velha, laca, melado, complexo a mostrar harmonia entre concentração e frescura. Boca a condizer, acidez bem presente com sabor inicial a fruta, abrindo depois num conjunto untuoso e com boa concentração, algum fruto seco a complementar, final longo e persistente.Com preço a rondar os 65€. 94 pts
25 outubro 2017
H.M.Borges Pather 1720
É mais conhecido pelas garrafas com a letra P lhe dá o nome de Pather (Father), o Pai, e guarda no seu interior um vinho que tem tanto de especial como de misterioso. Henrique Menezes Borges foi o fundador da empresa H.M.Borges (Madeira) em 1877, viria a falecer em 1916 e como legado para os filhos, deixou um conjunto de vinhos muito especiais e que sempre se recusou a vender (Terrantez 1877, Terrantez 1760, Bual 1780, Sercial 1810, Verdelho 1800 e o Pather 1720). Seria o seu filho João a transferir os vinhos para demijohns em 1930, onde iriam permanecer até que parte deles foi engarrafado após a sua morte em 1989 e distribuído entre os membros da família.
Este misterioso Pather, acredita-se que seja da casta Terrantez, surge com uma fantástica tonalidade ambar de centro mais carregado com rebordo de laivos esverdeados tão caracteristicos destes vinhos centenários. Nariz muito preciso, limpo e delicado, camada após camada num compasso muito certo e de grande complexidade qual bazar do oriente. Divagamos pelos tons de melaço, avelã, toffee e frutas cristalizadas num jogo agri-doce interminável. Na boca torna-se algo de fantástico e inesquecível, toque de toffee a dar as boas vindas e a esbater-se numa fina capa acetinada que cobre o palato, delicado, fresco mas de extrema elegância e persistência. São quase três séculos de história que passaram até o poder ter no copo, inesquecível. 100 pts
Este misterioso Pather, acredita-se que seja da casta Terrantez, surge com uma fantástica tonalidade ambar de centro mais carregado com rebordo de laivos esverdeados tão caracteristicos destes vinhos centenários. Nariz muito preciso, limpo e delicado, camada após camada num compasso muito certo e de grande complexidade qual bazar do oriente. Divagamos pelos tons de melaço, avelã, toffee e frutas cristalizadas num jogo agri-doce interminável. Na boca torna-se algo de fantástico e inesquecível, toque de toffee a dar as boas vindas e a esbater-se numa fina capa acetinada que cobre o palato, delicado, fresco mas de extrema elegância e persistência. São quase três séculos de história que passaram até o poder ter no copo, inesquecível. 100 pts
13 fevereiro 2017
Blandy’s Terrantez 1977
Não consigo ficar indiferente a um vinho desta qualidade que já conta com 40 anos repleto de vida. Este foi engarrafado em 2015 e mostra-se diferente do anterior lançamento, uma diferença que segundo o que consegui apurar se deve aos lotes/cascos escolhidos. Segundo consta será dos últimos lançamento (o próximo será o 1980) desta casta por parte da Blandy´s uma vez que a vinha que lhe deu origem deu lugar à construção de uma unidade hoteleira nos anos 80. Majestoso e imponente pela classe, detalhe e qualidade de todos os detalhes com que nos brinda no copo. Parece vir em finas camadas, num bouquet rico e complexo, onde a limpeza de aromas e sabores sobressai com notas de passa de figo, frutos secos, toque salino, enorme elegância de conjunto com casca de laranja caramelizada. No segundo plano uma ligeira sensação de toffee que lhe aumenta a sensação de untuosidade a envolver tudo numa prova inesquecível. Produção de 1588 garrafas com preço a rondar os 250€. 97 pts
27 junho 2016
Frasqueira Soares Franco – Abudarham – Terrantez 1795
Nas aventuras e desventuras de um enófilo há momentos que marcam de certa forma o nosso percurso, a origem é quase sempre um ou vários vinhos inesquecíveis. Não haverá nada mais empolgante que literalmente dar de caras com uma preciosidade e desbravar caminho até descobrir a sua história. Foi isso que aconteceu com dois exemplares raríssimos pertencentes à Frasqueira de António Porto Soares Franco, cujos vinhos fazem parte do espólio familiar da família Soares Franco localizado no quartel general da José Maria da Fonseca mais propriamente na Adega dos Teares Velhos. Recuamos ao tempo de António Porto Soares Franco, que era na altura sócio da Companhia de Aguardentes da Madeira, as ligações à ilha abriram muitas portas e oportunidades de negócio, é aqui que entra o nome Abudarham. Consultando o livro “Madeira: The islands and their wines by Richard Mayson”, ficamos a saber que José Abudarham tinha dupla nacionalidade, Inglês e Francês, e que chegou à Madeira na primeira metade do séc. XIX. Ali se estabeleceu no negócio do vinho com acesso ao que de melhor se produzia na altura, mas também no empréstimo de dinheiro, que mais tarde iria dar origem à Companhia de Seguros Aliança Madeirense. O seu negócio do vinho era centrado em vinho engarrafado, vendido essencialmente para França e Alemanha, após a sua morte em 1869 a firma passou a chamar-se Viúva Abudarham & Filhos acabando por na passada do tempo ser vendida à Madeira Wine Association que é hoje a Madeira Wine Company. Sabendo a origem e o seu comerciante, restava apenas reparar nos detalhes que a pequena fita colada à garrafa escrita a tinta permanente, que já mal se vislumbrara no rótulo, surgia ténue e a indicar 1795. Após alguma pesquisa e cruzamento de dados de algumas garrafas que chegaram a estar em leilão no estrangeiro, chega-se à conclusão que o vinho em causa é um Terrantez 1795. A rolha saiu à força das lâminas, intacta e com a marca José Maria da Fonseca, sinal de que as rolhas são mudadas de x em x anos, o que foi confirmado pelo próprio produtor ao qual agradeço os esclarecimentos acerca desta e de outra garrafa.
Frasqueira Soares Franco – Abudarham – Terrantez 1795: É impressionante a capacidade que este vinho tem em perfumar toda uma sala. Mal cai no copo ficamos hipnotizados pelas tonalidades que brilham no copo, um vinho com 221 anos a mostrar a razão pela qual mesmo depois de todos os vinhos servidos ao jantar, chega o Madeira e é o rei da festa. Neste caso o vinho é arrebatador e inesquecível, antes de tudo um ligeiro pico de volátil para depois ir conquistando com um tom morno e aconchegante de caramelo, baunilha, toffee, que nos preparam para o embate seguinte, uma enorme frescura. É essa mesma frescura que nos domina e deixa de mãos presas ao copo, um uau sai de imediato, é tipo aquelas montanhas russas que quando acaba queremos repetir. Aqui é igual, um vai e vem de sensações, aromas presos no tempo vão saltando do copo, fica a sensação de ligeira untuosidade carregado de frescura, no fundo algo que recorda o cheiro de cinzas de charuto. No palato é outra luta, uma conquista que nos prende com caramelo e açúcar queimado, arredonda ligeiramente num ponto que quase se trinca para depois disparar numa espiral louca de acidez com ligeiro amargo no final de boca. Inesquecível. 100 pts
14 maio 2015
Blandy´s Verdelho 1973
Vinho de uma só colheita, envelhecido em cascos de Carvalho Americano durante 41 anos até que foi engarrafado, cerca de 985 garrafas, em 2014. Mais do que pronto a beber é aconselhado abrir dois dias antes do consumo. No estilo Meio Seco apresenta-se este Blandy´s Verdelho 1973, mais um caso muito sério desta casa e que apenas reforça este estilo de vinho único no Mundo.
Indiscutível a enorme qualidade deste grandioso exemplar que o tempo afinou com precisão e requinte, contido de início mas muita complexidade a pedir tempo para se mostrar. Com um bouquet muito vasto composto por finas camadas de aromas como por exemplo frutos secos, charuto, maracujá, iodo ou madeira exótica, podemos passar um fim de noite inteiro a divagar pelos copo. Envolvente a frescura num conjunto com muita harmonia, cheio de vivacidade, presença marcante no palato, muito bom volume num misto de untuosidade com secura ligeira no final longo e muito persistente que lhe confere uma outra dimensão, colocando este Verdelho na galeria dos grandes desta casa. 97 pts
04 março 2015
Madeira: The Mid-Atlantic Wine by Alex Liddell
Escrevi recentemente para a Blend All About Wine, que recomendo visita, acerca deste fantástico livro que comprei após a minha visita à Madeira. Nada melhor para quem tem a necessidade de aprofundar os conhecimentos, do que esta segunda edição daquele que é considerado por muitos (eu incluído) o melhor guia sobre o fascinante mundo que envolve o Vinho da Madeira.
Um livro fascinante escrito por Alex Liddell, um reconhecido especialista no que a Vinho da Madeira diz respeito, editado pela primeira vez em 1986, estava literalmente esgotado e que felizmente passados quase 30 anos lança a segunda e tão aguardada edição do seu Madeira the Mid-Atlantic Wine.
O livro está extremamente bem organizado num total de seis capítulos onde o autor começa por contar a história da Madeira, desde os primórdios do vinho até aos dias de hoje. A abordagem é vasta, desde os solos, castas, vinhas, viticultura, vinificação, colocando ao dispor do leitor os mais variados mapas e quadros de estatísticas, pelo meio deixa algumas detalhadas notas de prova tal como uma ampla e histórica abordagem sobre os principais produtores, num livro que sofreu as necessárias atualizações face aos trinta anos que passaram desde a primeira edição.
É um livro técnico que está muito longe de ser enfadonho, até pela capa bem colorida que apresenta, correspondendo ao que se deve encontrar num livro deste tipo, um profundo conhecimento que neste caso o autor demonstra com toda a sua paixão e sabedoria numa escrita que cativa a ler mais e mais, transmitindo valiosa informação a cada página que se vai virando. Indicado para todos aqueles que procuram ficar a saber tudo sobre o Vinho Madeira, tornando-se desta forma imprescindível na biblioteca de todos os enófilos. Custou 25,62€ na BookDepository, a minha principal fonte no que a livros diz respeito.
12 dezembro 2014
Henriques & Henriques
Durante muitos anos a família Henriques foi a maior proprietária vinícola da ilha da Madeira, com as primeiras vinhas plantadas por ordem do Infante D. Henrique no ano de 1425. Daquela que foi uma tradição familiar passou a empresa fundada em 1850 pelas mãos de João Gonçalves Henriques. Após a sua morte em 1912, foi criada entre os seus dois filhos, Francisco Eduardo e João Joaquim Henriques, uma sociedade que deu origem ao nome Henriques & Henriques.
Henriques & Henriques Wine Lodge & Shop © Blend All About Wine, Lda.
Em 1968, com a morte do último Henriques, João Joaquim Henriques, conhecido por “João de Belém”, que não tendo descendentes fez com que a empresa fosse herdada pelos seus três amigos e colaboradores: Alberto Nascimento Jardim, Peter Cossart (que fez 53 vindimas na companhia) e Carlos Nunes Pereira. Em Junho de 1992, é feito um avultado investimento na construção de novas instalações em Câmara de Lobos e um novo centro de vinificação na Quinta Grande, onde em 1995 se planta um novo vinhedo, 10 hectares, sendo dos poucos produtores de vinho da Madeira que possui vinhas próprias. Foi o filho de Peter Cossart, John Cossart, que deu seguimento à gestão da empresa mas que acabaria por falecer em 2008. Num passado recente a multinacional francesa La Martiniquaise (dona da Justino’s Madeira) tornou-se sócio maioritário da H&H, passando desta forma a controlar cerca de 70% da produção total do Vinho da Madeira, mantendo-se o Dr. Humberto Jardim como C.E.O.
Alguns dos mais antigos vinhos da Henriques & Henriques, fazem parte do lote dos primeiros grandes Madeira que tive a oportunidade de provar e que me despertaram o interesse pelo Vinho da Madeira, por curiosidade eram todos Boal como por exemplo o Old Wine Boal 1887, Solera Boal 1898 ou o Reserva Velhíssima W.S. Boal que faz parte de um quarteto de sonho cujas diminutas quantidades já não permitem que sejam colocados em prova.
Barricas de “Canteiro” Henriques & Henriques © Blend All About Wine, Lda.
Após a visita tive oportunidade e provar vários vinhos, destaque rápido para o descomprometido Monte Seco Extra Dry 3 Anos, feito a partir da casta Tinta Negra, cheio de retoques a lembrar um Fino de Jerez sem aquele característico toque da “flor” e que nos sugere um vinho ideal para acompanhar entradas, com uma abordagem simples, directo e bastante seco. Outros vinhos da Henriques & Henriques já foram devidamente abordados no artigo anterior da Olga Cardoso.
H&H Verdelho 20 Anos © Blend All About Wine, Lda.
H&H Verdelho 20 Anos
Os Madeira 20 Anos são recentes no mercado, têm a particularidade de as quantidades serem reduzidas e o lote ir variando, por isso alguns são mesmo edições exclusivas e irrepetíveis. Neste caso é um Verdelho, casta que tem a particularidade de conseguir manter durante muito tempo os seus aromas e sabores frutados, algo que se destaca e bem neste vinho de muito bom recorte. Frutos tropicais com maracujá bem fresco, ananás em calda, especiarias, madeira velha, laca, melado, complexo a mostrar harmonia entre concentração e frescura. Boca a condizer, acidez bem presente com sabor inicial a fruta, abrindo depois num conjunto untuoso e com boa concentração, algum fruto seco a complementar, final longo e persistente.
H&H Century Malmsey Solera 1900 © Blend All About Wine, Lda.
H&H Century Malmsey Solera 1900: Um dos vinhos emblemáticos deste produtor, perde-se no tempo a idade da Solera que lhe deu origem, remonta certamente ao séc XIX e o resto são detalhes que apenas enriquecem e aguçam a vontade de o ter no copo e contemplar o precioso líquido. Um vinho que transborda na complexidade, madeira antiga das barricas, frutos secos, passas de figo com nozes, mel, nariz de aconchego pela sensação de untuosidade e ao mesmo tempo de frescura. Caixa de charutos, desdobra-se como que por finas camadas de aromas e sabores, boca de veludo marcada pela frescura, concentração e uma tremenda elegância. Há vinhos que não se esquecem e este é certamente um deles.
H&H Verdelho Reserva Ribeiro Real N.V. © Blend All About Wine, Lda.
H&H Verdelho Reserva Ribeiro Real N.V.
Este vinho e o momento que envolveu a sua prova, são a essência do que é o mundo do Vinho da Madeira, algo único, arrebatador e direi mesmo impossível de acontecer em qualquer outra parte do mundo. Para tal basta ter em conta que a responsável pela prova em mais de 19 anos a trabalhar na H&H nunca tinha sequer provado o dito cujo tal a sua raridade. Perde-se no tempo o registo capaz de nos dizer com precisão a sua idade, embora tudo aponte para a metade do século 19. Proveniente de vinhas localizadas na zona conhecida pelo Ribeiro Real, os mais de cinquenta anos que passou em Canteiro tornaram-no concentrado, glicérico, deram-lhe um refinadíssimo e profundo bouquet, ao olhar é percetível aquela bonita coroa esverdeada. O resto é um monumento à casta Verdelho, engarrafado em 1957, com aroma da madeira velha onde morou, laca, toques de laranja/toranja cristalizada, iodo, muita frescura e elegância num conjunto profundo e misterioso. Boca em perfeita sintonia, meio seco, saboroso com a concentração a ser compensada pelo arrasto mineral acompanhado por uma acidez que revitaliza o palato, repete o toque de toranja bem no final da boca. Inesquecível.
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