O Vale da Mata tem nova imagem, menos sóbria e capaz de prender o olhar. Criado nas vinhas situadas nas encostas da Serra de Aire. A qualidade essa continua a mesma de sempre. Um daqueles brancos que por coisa de 8,70€ faz as delícias à mesa com pratos de peixe, mariscos ou saladas. Preciso e focado, travo mineral com boa dose de frescura a embalar o toque floral com fruta (pomar e citrinos). Gosto da ligeira austeridade mineral que se faz notar no final, num vinho que desde a primeira edição é presença à mesa cá por casa. 91 pts
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23 abril 2022
05 janeiro 2021
São Sebastião Sauvignon Blanc 2019
Da Quinta de São Sebastião (Lisboa) nasce este Sauvignon Blanc agora com nova imagem, preço a rondar os 5€. Vinho claramente com nariz a mostrar a faceta mais tropical e exótica tão facilmente associado aos vinhos da Nova Zelândia que provamos pela primeira vez para ver como se comporta a casta por lá. Neste caso temos frescura associada a tons de fruta tropical, ligeiro vegetal fresco, tudo muito directo. Na boca perde-se um bocado, começa fresco e com fruta saborosa que se vai esbatendo, em final mais curto que o desejado. Sirva-se com uma entrada como por exemplo uns mexilhões ao natural. 88 pts
28 outubro 2020
Quinta de Pancas Special Selection Syrah 2017
O Special Selection da Quinta de Pancas foi durante os anos 90 um clássico das mesas e uma referência no que toca a varietais produzidos em Portugal. O Cabernet Sauvignon, Merlot ou o Syrah foram vinhos marcantes naqueles tempos, não só pela diferença mas também pela qualidade. Depois de um largo interregno, os Special Selection de Pancas voltaram à ribalta com o mesmo toque de classe que sempre os distinguiu e este Syrah é exemplo disso. Claramente num estilo mais Velho Mundo, fresco mas tenso, fruta em tons de amora preta envolto numa bonita capa de especiaria, algum cogumelo e toque fumado. Madeira bem integrada sem chatear, num vinho pleno de finsse com uma austeridade fina lá ao fundo. Boca cheia de sabor, a frescura combina com a fruta e o toque mais austero em fundo que dá indicação de que um tempo em garrafa só lhe vai fazer bem. O preço ronda os 22€ erm garrafeira. 94 pts
03 agosto 2020
Dona Aninhas Reserva Rosé 2019
É novidade este rosé lançado pela Quinta de São Sebastião (Lisboa) situada em Arruda dos Vinhos, com preço de mercado a rondar os 15€. O vinho é homenagem à mãe do produtor, num lote composto por Touriga Nacional, Merlot e Castelão com passagem em barrica durante 6 meses. Gostei da maneira como se diferencia no imediato pelos aromas, cativa e desafia, é diferente não pela frescura que também a tem, mas pelo ramalhete de aromas distintos do que por regra costuma abundar nos rosés. Aqui talvez um pouco mais de especiaria, flores silvestres com frutos do bosque mas tudo muito limpo e agradável. Daqueles vinhos que abrimos e sabe fazer boa companhia. 91 pts
18 agosto 2019
Hugo Mendes Lisboa branco 2018
O desejo de ter um projecto próprio por parte do enólogo Hugo Mendes já vem de longe. Conseguiu materializar o seu sonho com a colheita do Lisboa branco 2016, nesta fase já encontramos a colheita de 2018 num branco que procura dar a conhecer aquilo que segundo o enólogo será ou seria um possível perfil de um branco de Lisboa. Assim nasceu com base na casta Fernão Pires com toques ligeiros de Arinto e agora em 2018 com uma pitada de Vital. Com preço a rondar os 15€ é um branco ainda a pedir tempo de garrafa, o mesmo tempo que o enólogo sempre vincou ser necessário para os brancos que cria. Ficamos é com a certeza de que o vinho melhorou desde a sua primeira colheita. Este 2018, mais sério e menos trémulo, mostra mais nervo e ao mesmo tempo mais definição, mas já se deixa beber com pratos de temperança forte, neste caso acompanhou em grande um torricado de cachaço de bacalhau. 92 pts
07 janeiro 2019
Quinta de Pancas Special Selection Cabernet Sauvignon 1997
Caramba, que afronta, uma pessoa vir aqui colocar um vinho de 1997 quando a grande maioria quer é mostrar a última novidade que conseguiu sacar a um qualquer dos novos produtores. Na verdade e para os muitos que desconhecem, este é um clássico e um vinho icónico, daqueles que fizeram parte do crescimento enófilo (pelo menos do meu), da partilha de momentos à mesa ou até mesmo das primeiras compras em lojas da dita especialidade. Esta foi bebida recentemente e mostra o potencial que a Quinta de Pancas (Lisboa) tem para nos dar e mostrar o lado mais Bordalês da "coisa". Portanto pegamos nos descritores da casta, juntamos-lhe o carácter mais Lusitano e por isso um pouco mais acolhedor com toda a complexidade que o caracteriza, a fruta fresca, carnuda, ainda viva e todo um conjunto cheio de finesse que nos ajuda a matar muita saudade de momentos que já não voltam. A nota já pouco interessa porque depende de garrafa para garrafa, mas nesta de tão sublime que estava não sobrou uma gota.
14 novembro 2018
Quinta de Pancas Grande Reserva 2013
É o topo de gama da Quinta de Pancas (Lisboa) e surge para dar continuidade ao Grande Escolha, agora chama-se Grande Reserva. É feito com Touriga Nacional, Alicante Bouschet e Petit Verdot, o preço ronda os 25€ e é o regressso deste produtor à ribalta com um grande vinho. É complexo, amplo e com um aroma maduro de fruta silvestre, amoras, ameixa, nota de chocolate preto, especiado com um fino recorte balsâmico a envolver o conjunto. Ainda jovem, mostra sinais de ligeira austeridade em pano de fundo, alguma tosta da barrica. Boca com grande estrutura suportada pela frescura e qualidade da fruta, saboroso e opulento, mas já a querer mostrar alguma elegância e harmonia, final persistente. Desde já tem tudo para agradar, mas o tempo em garrafa só lhe vai fazer bem. 95 pts
18 junho 2018
Quinta de Pancas Arinto Reserva 2015
A Quinta de Pancas (Lisboa) renasceu às mãos de uma nova equipa e saiu do marasmo onde se encontrava. Os novos vinhos que ali nascem, dão-lhe uma nova alma e colocam Pancas num caminho que já foi seu, o do sucesso. Com inspiração na glória que os seus vinhos alcançaram nos anos 90, os novos vinhos são merecedores de toda a atenção, sobretudo à mesa onde brilham muito alto e deixam fluir a conversa e os sorrisos. Custa coisa de 15€ este Arinto com passagem por madeira usada, o tempo suficiente para lhe dar o aconchego necessário, mantendo toda a vivacidade e alegria no melhor que a casta tem para mostrar. Um belíssimo Arinto cheio de frescura mas também de equilíbrio e harmonia, um branco com bons anos de garrafa pela frente mas que já proporciona momentos de muito prazer à mesa com por exemplo um bacalhau espiritual. 92 pts
08 junho 2018
Arenae Malvasia branco 2015
Para quem quiser saber o que é um vinho de terroir, tem aqui um exemplo perfeito onde a casta Malvasia de Colares é influenciada por toda a sua envolvente: próximidade do mar, solos arenosos e clima. O resultado só pode ser um vinho diferenciado, a proximidade das vinhas ao mar conferem ao vinho um toque muito fresco e salino, quase iodado, em conjunto com as notas de fruta bem fresca e ácida, ligeiro fruto seco, casando na perfeição com pratos de marisco/peixe. Ronda os 15€ por garrafa de 0.50 cl. 91 pts
22 maio 2018
Quinta de Pancas Chardonnay Reserva 2015
O Chardonnay da Quinta de Pancas (Lisboa) sempre fez parte do lote restrito dos melhores varietais desta casta em solo nacional. Contam-se pelos dedos de uma mão esses mesmos vinhos que mesmo apesar dos altos e baixo da sua performance, souberam manter um certo estatuto perante a restante oferta. Este "novo" Quinta de Pancas Chardonnay, 14€, posiciona-se novamente entre os melhores exemplares criados em solo nacional. No copo temos uma bonita expressão da castam, bem casada com a madeira onde passou durante 10 meses, resultando um branco muito fresco com aromas limpos a invocar meloa, pêra, baunilha, flores brancas, pão torrado e uma ligeira especiaria (noz moscada). Boca com acidez muito presente, elegante, brioche a dar ligeira untuosidade seguida de bom nervo, tom citrino num belo final. 92 pts
03 maio 2018
Mare et Corvus branco 2016
Este Mare et Corvus branco feito a partir de um lote das castas Fernão Pires, Malvasia e Chardonnay, vem da vinha mais Ocidental da Europa Continental, localizada no promontório da Adraga, a 1,5 km do Cabo da Roca, Sintra. Local único e difícil, sobre o Atlântico, fustigado por ventos violentos e nevoeiros salgados, confere uma identidade muito própria a este vinho. E deve essa mesma identidade ser premiada e destacada ? Claro que sim, ainda por mais quando o vinho de maneira franca mostra um aroma de bela intensidade, muito fresco e alegre, limpo com citrinos e polpa branca bem fresca, ligeira ponta de geleia com fundo a maresia. Boca a condizer, elegante, fresco e delicado mas com uma identidade bem vincada a pedir mesa. Fiz-lhe a vontade com uma achova no forno. Uma bela surpresa com preço a rondar os 7,50€. 90 pts
20 abril 2018
Adega Regional de Colares Chão Rijo 2015
Quando na região de Colares as vinhas passam das areias para o denominado "Chão Rijo" o vinho deixa de ser classificado como DOC Colares e passa a Regional Lisboa como é o caso deste tinto da Adega Regional de Colares. Feito com Castelão e Tinta Roriz, desengace apenas a 50% com fermentação em inox e passagem por pequenas barricas, preço recomendado de 4,50€. No copo um tinto muito fresco, tonalidade mais aberta que o normal, muito focado na fruta vermelha (bagas silvesres)com fina capa doce, especiaria fina e fundo mais vegetal com travo de pinhão. Na boca destaca-se uma ligeira austeridade, para além da frescura e da carga vegetal, que lhe aguça a vertente gastronómica. Perfeito para a petiscada pura e dura ao final da tarde. 89 pts
15 abril 2018
Adega Regional de Colares Chão Rijo Branco 2016
Nasce na Adega Regional de Colares este branco feito a partir das castas Malvasia (60%), Galego Dourado, Jampal e Fernão Pires. Plantadas em “Chão Rijo”, expressão local para identificar os solos argilo-calcários da região, a cerca de 10 km da Costa Atlântica e a uma média de 130 m de altitude. É daqueles brancos que se torna um tiro certeiro, pela que se paga a rondar os 3,50€ e pelo prazer que se retira no momento de o beber. Muito fresco, cheio de notas citricas com apontamentos florais, perfumadinho, com laivos de fruta tropical a piscarem o olho a comida mais oriental. Perfeito a acompanhar uns bichos do mar, seja qual for a maneira, que no seu toque meio salino, tem nervo suficiente para lhes acompanhar o ritmo sem quebras. Porque uma garrafa acaba sempre por ser curta quando o calor mais aperta, aproveitar a visita a Sintra e depois dar um salto por Colares a abastecer na loja da Adega. 89 pts
12 abril 2018
Vale da Mata branco 2016
É criado nas encostas da Serra de Aire, mais precisamente nas Cortes, com o crivo da Herdade do Rocim(Alentejo). As castas Arinto, Viosinho e Vital passam cinco meses em madeira, que dá ao conjunto uma ligeira tosta, mais quatro meses em garrafa. O melhor Vale da Mata branco até agora, mais preciso e focado que os anteriores, citrinos bem frescos, floral e uma austeridade mineral de fundo que lhe assenta que nem uma luva. Uma bela frescura de boca a acompanhar as notas da fruta de pomar e uma acidez citrica que o torna grande companheiro à mesa. O preço a rondar os 8€ faz o resto da festa. 91 pts
09 outubro 2017
Vale da Mata branco 2015
A sua qualidade e respectiva consistência colheita após colheita, fazem dele uma referência a ter em conta quando falamos dos melhores brancos da vasta região de Lisboa. É criado nas encostas da Serra de Aire, mais precisamente nas Cortes, com o crivo da Herdade do Rocim (Alentejo). O preço ronda os 8,50€ mas em feira da especialidade consegue-se na casa dos 6,50€. As castas Arinto, Viosinho e Vital tem passagem por cinco meses em madeira que dá ao conjunto uma ligeira tosta, mais quatro meses em garrafa.Conjunto com uma boa acidez, focado na fruta de pomar com citrinos bem frescos, não sendo muito expansivo mostra um bonito floral em destaque com ligeira austeridade mineral de fundo. Boca com frescura a confirmar boa vivacidade onde a fruta ganha mais protagonismo, final de boa persistência num branco que gosta de mesa e de boa companhia. 90 pts
25 setembro 2017
Porta 6 2015
O colorido do rótulo chama a atenção, podia ser na primeira análise um qualquer rótulo criado para uma tasca da moda num qualquer bairro alfacinha. Mas não, é de um vinho criado pela Vidigal Wines na região de Lisboa. Neste caso um lote de uvas de Aragonês, Castelão e Touriga Nacional deram origem a um vinho que custa 2,70€ nas actuais feiras da especialidade. Portanto um vinho acessível, de sabores e aromas onde a fruta compotada abunda, temperado com uma pitada de pimenta preta e envolto com frescura suficiente para não ser enjoativo. Lá no fundo tem aquele toque mais agreste dos taninos marialvas que pedem petisqueira farta na mesa. Por mim pode ser um prato de iscas e umas moelas. 87 pts
14 março 2017
Morgado de Sta. Catherina Reserva 2013
Nasce na Quinta da Romeira (Bucelas) pertença da Wine Ventures, este Arinto que se pode considerar como um clássico da região, criado pelo enólogo Nuno Cancela de Abreu no início dos ano 90. O vinho que na altura seria a maneira de mostrar a casta Arinto com passagem por madeira, tem seguido fiel à sua matriz com os sempre necessários afinamentos de enólogo para enólogo. Este "novo" Morgado remete para aquilo que sempre foi, um branco que nos mostra a casta Arinto com toda a sua frescura mas que ganha algum peso com a passagem pela madeira, os aromas citrinos e até de alguma folha de limoeiro surgem agora num tom mais gordo a lembrar tarte de limão merengada. Envolvente, a madeira mostra-se presente, secura com mineralidade em fundo, sempre coeso e volumoso, travo de raspa de limão a espicaçar o palato. Ronda os 10€ e mostra apetência como sempre mostrou para a cave e desde já para a mesa, com pratos de peixe ou marisco na chapa com molho de manteiga e limão. 92 pts
13 março 2017
Quinta da Boa Esperança Arinto 2015
Projecto recente este da Quinta da Boa Esperança (Lisboa) localizada na Zibreira que fica a meio caminho de Lisboa, ali na zona Oeste entre o Atlântico e a Serra de Monte Junto. Pela prova que deu fica a vontade de ficar a conhecer mais do projecto, neste caso é um 100% Arinto sem passagem por madeira. Temos pois um branco com boa frescura de conjunto, ainda algo preso mas com boas notas de citrino, preciso nos aromas e a pender para o tom mais "limonado" e alguma folha de limoeiro. Na boca mostra boa secura, envolvente e saboroso com fruta presente num conjunto de corpo médio e final prolongado. O preço ronda os 10€ num vinho que será curioso ver a maneira como vai reagir ao tempo em garrafa, para já acompanhe com chocos grelhados e batata a murro. 90 pts
17 fevereiro 2017
Ponto Cego branco 2014
Damos um salto até à região dos vinhos de Lisboa, mais propriamente a Alenquer e uma das suas histórias Quintas, a Quinta dos Plátanos, de onde sai este Ponto Cego branco 2014. Este vinho resulta da combinação das castas Fernão Pires com Arinto, tendo como seu mentor o produtor Joaquim Arnaud. Um branco num muito bom momento para ser bebido se bem que mostra à vontade para mais uns bons anos em garrafa. Muita frescura num conjunto algo tenso e com bom nervo onde as duas castas dão origem a um conjunto fresco, perfumado e de média intensidade. Será sempre vinho para ir à mesa a acompanhar pratos de bom tempero, que tem estrutura para aguentar o embate por exemplo de um atum braseado. 89 pts
10 outubro 2016
Murta Rosé 720 Nuits 2012
Feito a partir de uvas de Touriga Nacional da colheita de 2012, este peculiar rosé descansou durante 720 noites em barricas de carvalho Francês antes de um novo sono em garrafa. Um vinho fora de modas, fora de sintonia com as tendências de mercado e que se perfila como vinho de nicho. Não será de fácil abordagem, penso que foi esse o objectivo, a expressão fresca que caracteriza os vinhos da Murta está aqui bem presente, a embrulhar todo o conjunto. Dominado por uma fruta (amora, mirtilo) bem robusta e suculenta, algum floral envolto em frescura, com notas fumadas da madeira em segundo plano. Vinca o palato com uma bela presença, fresco, tenso e com um final seco a pedir pratos de bom tempero e até alguma gordura. Fantástico com uma feijoada de chocos. 90 pts
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