O desejo de ter um projecto próprio por parte do enólogo Hugo Mendes já vem de longe. Conseguiu materializar o seu sonho com a colheita do Lisboa branco 2016, nesta fase já encontramos a colheita de 2018 num branco que procura dar a conhecer aquilo que segundo o enólogo será ou seria um possível perfil de um branco de Lisboa. Assim nasceu com base na casta Fernão Pires com toques ligeiros de Arinto e agora em 2018 com uma pitada de Vital. Com preço a rondar os 15€ é um branco ainda a pedir tempo de garrafa, o mesmo tempo que o enólogo sempre vincou ser necessário para os brancos que cria. Ficamos é com a certeza de que o vinho melhorou desde a sua primeira colheita. Este 2018, mais sério e menos trémulo, mostra mais nervo e ao mesmo tempo mais definição, mas já se deixa beber com pratos de temperança forte, neste caso acompanhou em grande um torricado de cachaço de bacalhau. 92 pts
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18 agosto 2019
07 janeiro 2019
Quinta de Pancas Special Selection Cabernet Sauvignon 1997
Caramba, que afronta, uma pessoa vir aqui colocar um vinho de 1997 quando a grande maioria quer é mostrar a última novidade que conseguiu sacar a um qualquer dos novos produtores. Na verdade e para os muitos que desconhecem, este é um clássico e um vinho icónico, daqueles que fizeram parte do crescimento enófilo (pelo menos do meu), da partilha de momentos à mesa ou até mesmo das primeiras compras em lojas da dita especialidade. Esta foi bebida recentemente e mostra o potencial que a Quinta de Pancas (Lisboa) tem para nos dar e mostrar o lado mais Bordalês da "coisa". Portanto pegamos nos descritores da casta, juntamos-lhe o carácter mais Lusitano e por isso um pouco mais acolhedor com toda a complexidade que o caracteriza, a fruta fresca, carnuda, ainda viva e todo um conjunto cheio de finesse que nos ajuda a matar muita saudade de momentos que já não voltam. A nota já pouco interessa porque depende de garrafa para garrafa, mas nesta de tão sublime que estava não sobrou uma gota.
14 novembro 2018
Quinta de Pancas Grande Reserva 2013
É o topo de gama da Quinta de Pancas (Lisboa) e surge para dar continuidade ao Grande Escolha, agora chama-se Grande Reserva. É feito com Touriga Nacional, Alicante Bouschet e Petit Verdot, o preço ronda os 25€ e é o regressso deste produtor à ribalta com um grande vinho. É complexo, amplo e com um aroma maduro de fruta silvestre, amoras, ameixa, nota de chocolate preto, especiado com um fino recorte balsâmico a envolver o conjunto. Ainda jovem, mostra sinais de ligeira austeridade em pano de fundo, alguma tosta da barrica. Boca com grande estrutura suportada pela frescura e qualidade da fruta, saboroso e opulento, mas já a querer mostrar alguma elegância e harmonia, final persistente. Desde já tem tudo para agradar, mas o tempo em garrafa só lhe vai fazer bem. 95 pts
18 junho 2018
Quinta de Pancas Arinto Reserva 2015
A Quinta de Pancas (Lisboa) renasceu às mãos de uma nova equipa e saiu do marasmo onde se encontrava. Os novos vinhos que ali nascem, dão-lhe uma nova alma e colocam Pancas num caminho que já foi seu, o do sucesso. Com inspiração na glória que os seus vinhos alcançaram nos anos 90, os novos vinhos são merecedores de toda a atenção, sobretudo à mesa onde brilham muito alto e deixam fluir a conversa e os sorrisos. Custa coisa de 15€ este Arinto com passagem por madeira usada, o tempo suficiente para lhe dar o aconchego necessário, mantendo toda a vivacidade e alegria no melhor que a casta tem para mostrar. Um belíssimo Arinto cheio de frescura mas também de equilíbrio e harmonia, um branco com bons anos de garrafa pela frente mas que já proporciona momentos de muito prazer à mesa com por exemplo um bacalhau espiritual. 92 pts
08 junho 2018
Arenae Malvasia branco 2015
Para quem quiser saber o que é um vinho de terroir, tem aqui um exemplo perfeito onde a casta Malvasia de Colares é influenciada por toda a sua envolvente: próximidade do mar, solos arenosos e clima. O resultado só pode ser um vinho diferenciado, a proximidade das vinhas ao mar conferem ao vinho um toque muito fresco e salino, quase iodado, em conjunto com as notas de fruta bem fresca e ácida, ligeiro fruto seco, casando na perfeição com pratos de marisco/peixe. Ronda os 15€ por garrafa de 0.50 cl. 91 pts
22 maio 2018
Quinta de Pancas Chardonnay Reserva 2015
O Chardonnay da Quinta de Pancas (Lisboa) sempre fez parte do lote restrito dos melhores varietais desta casta em solo nacional. Contam-se pelos dedos de uma mão esses mesmos vinhos que mesmo apesar dos altos e baixo da sua performance, souberam manter um certo estatuto perante a restante oferta. Este "novo" Quinta de Pancas Chardonnay, 14€, posiciona-se novamente entre os melhores exemplares criados em solo nacional. No copo temos uma bonita expressão da castam, bem casada com a madeira onde passou durante 10 meses, resultando um branco muito fresco com aromas limpos a invocar meloa, pêra, baunilha, flores brancas, pão torrado e uma ligeira especiaria (noz moscada). Boca com acidez muito presente, elegante, brioche a dar ligeira untuosidade seguida de bom nervo, tom citrino num belo final. 92 pts
03 maio 2018
Mare et Corvus branco 2016
Este Mare et Corvus branco feito a partir de um lote das castas Fernão Pires, Malvasia e Chardonnay, vem da vinha mais Ocidental da Europa Continental, localizada no promontório da Adraga, a 1,5 km do Cabo da Roca, Sintra. Local único e difícil, sobre o Atlântico, fustigado por ventos violentos e nevoeiros salgados, confere uma identidade muito própria a este vinho. E deve essa mesma identidade ser premiada e destacada ? Claro que sim, ainda por mais quando o vinho de maneira franca mostra um aroma de bela intensidade, muito fresco e alegre, limpo com citrinos e polpa branca bem fresca, ligeira ponta de geleia com fundo a maresia. Boca a condizer, elegante, fresco e delicado mas com uma identidade bem vincada a pedir mesa. Fiz-lhe a vontade com uma achova no forno. Uma bela surpresa com preço a rondar os 7,50€. 90 pts
20 abril 2018
Adega Regional de Colares Chão Rijo 2015
Quando na região de Colares as vinhas passam das areias para o denominado "Chão Rijo" o vinho deixa de ser classificado como DOC Colares e passa a Regional Lisboa como é o caso deste tinto da Adega Regional de Colares. Feito com Castelão e Tinta Roriz, desengace apenas a 50% com fermentação em inox e passagem por pequenas barricas, preço recomendado de 4,50€. No copo um tinto muito fresco, tonalidade mais aberta que o normal, muito focado na fruta vermelha (bagas silvesres)com fina capa doce, especiaria fina e fundo mais vegetal com travo de pinhão. Na boca destaca-se uma ligeira austeridade, para além da frescura e da carga vegetal, que lhe aguça a vertente gastronómica. Perfeito para a petiscada pura e dura ao final da tarde. 89 pts
15 abril 2018
Adega Regional de Colares Chão Rijo Branco 2016
Nasce na Adega Regional de Colares este branco feito a partir das castas Malvasia (60%), Galego Dourado, Jampal e Fernão Pires. Plantadas em “Chão Rijo”, expressão local para identificar os solos argilo-calcários da região, a cerca de 10 km da Costa Atlântica e a uma média de 130 m de altitude. É daqueles brancos que se torna um tiro certeiro, pela que se paga a rondar os 3,50€ e pelo prazer que se retira no momento de o beber. Muito fresco, cheio de notas citricas com apontamentos florais, perfumadinho, com laivos de fruta tropical a piscarem o olho a comida mais oriental. Perfeito a acompanhar uns bichos do mar, seja qual for a maneira, que no seu toque meio salino, tem nervo suficiente para lhes acompanhar o ritmo sem quebras. Porque uma garrafa acaba sempre por ser curta quando o calor mais aperta, aproveitar a visita a Sintra e depois dar um salto por Colares a abastecer na loja da Adega. 89 pts
12 abril 2018
Vale da Mata branco 2016
É criado nas encostas da Serra de Aire, mais precisamente nas Cortes, com o crivo da Herdade do Rocim(Alentejo). As castas Arinto, Viosinho e Vital passam cinco meses em madeira, que dá ao conjunto uma ligeira tosta, mais quatro meses em garrafa. O melhor Vale da Mata branco até agora, mais preciso e focado que os anteriores, citrinos bem frescos, floral e uma austeridade mineral de fundo que lhe assenta que nem uma luva. Uma bela frescura de boca a acompanhar as notas da fruta de pomar e uma acidez citrica que o torna grande companheiro à mesa. O preço a rondar os 8€ faz o resto da festa. 91 pts
09 outubro 2017
Vale da Mata branco 2015
A sua qualidade e respectiva consistência colheita após colheita, fazem dele uma referência a ter em conta quando falamos dos melhores brancos da vasta região de Lisboa. É criado nas encostas da Serra de Aire, mais precisamente nas Cortes, com o crivo da Herdade do Rocim (Alentejo). O preço ronda os 8,50€ mas em feira da especialidade consegue-se na casa dos 6,50€. As castas Arinto, Viosinho e Vital tem passagem por cinco meses em madeira que dá ao conjunto uma ligeira tosta, mais quatro meses em garrafa.Conjunto com uma boa acidez, focado na fruta de pomar com citrinos bem frescos, não sendo muito expansivo mostra um bonito floral em destaque com ligeira austeridade mineral de fundo. Boca com frescura a confirmar boa vivacidade onde a fruta ganha mais protagonismo, final de boa persistência num branco que gosta de mesa e de boa companhia. 90 pts
25 setembro 2017
Porta 6 2015
O colorido do rótulo chama a atenção, podia ser na primeira análise um qualquer rótulo criado para uma tasca da moda num qualquer bairro alfacinha. Mas não, é de um vinho criado pela Vidigal Wines na região de Lisboa. Neste caso um lote de uvas de Aragonês, Castelão e Touriga Nacional deram origem a um vinho que custa 2,70€ nas actuais feiras da especialidade. Portanto um vinho acessível, de sabores e aromas onde a fruta compotada abunda, temperado com uma pitada de pimenta preta e envolto com frescura suficiente para não ser enjoativo. Lá no fundo tem aquele toque mais agreste dos taninos marialvas que pedem petisqueira farta na mesa. Por mim pode ser um prato de iscas e umas moelas. 87 pts
14 março 2017
Morgado de Sta. Catherina Reserva 2013
Nasce na Quinta da Romeira (Bucelas) pertença da Wine Ventures, este Arinto que se pode considerar como um clássico da região, criado pelo enólogo Nuno Cancela de Abreu no início dos ano 90. O vinho que na altura seria a maneira de mostrar a casta Arinto com passagem por madeira, tem seguido fiel à sua matriz com os sempre necessários afinamentos de enólogo para enólogo. Este "novo" Morgado remete para aquilo que sempre foi, um branco que nos mostra a casta Arinto com toda a sua frescura mas que ganha algum peso com a passagem pela madeira, os aromas citrinos e até de alguma folha de limoeiro surgem agora num tom mais gordo a lembrar tarte de limão merengada. Envolvente, a madeira mostra-se presente, secura com mineralidade em fundo, sempre coeso e volumoso, travo de raspa de limão a espicaçar o palato. Ronda os 10€ e mostra apetência como sempre mostrou para a cave e desde já para a mesa, com pratos de peixe ou marisco na chapa com molho de manteiga e limão. 92 pts
13 março 2017
Quinta da Boa Esperança Arinto 2015
Projecto recente este da Quinta da Boa Esperança (Lisboa) localizada na Zibreira que fica a meio caminho de Lisboa, ali na zona Oeste entre o Atlântico e a Serra de Monte Junto. Pela prova que deu fica a vontade de ficar a conhecer mais do projecto, neste caso é um 100% Arinto sem passagem por madeira. Temos pois um branco com boa frescura de conjunto, ainda algo preso mas com boas notas de citrino, preciso nos aromas e a pender para o tom mais "limonado" e alguma folha de limoeiro. Na boca mostra boa secura, envolvente e saboroso com fruta presente num conjunto de corpo médio e final prolongado. O preço ronda os 10€ num vinho que será curioso ver a maneira como vai reagir ao tempo em garrafa, para já acompanhe com chocos grelhados e batata a murro. 90 pts
17 fevereiro 2017
Ponto Cego branco 2014
Damos um salto até à região dos vinhos de Lisboa, mais propriamente a Alenquer e uma das suas histórias Quintas, a Quinta dos Plátanos, de onde sai este Ponto Cego branco 2014. Este vinho resulta da combinação das castas Fernão Pires com Arinto, tendo como seu mentor o produtor Joaquim Arnaud. Um branco num muito bom momento para ser bebido se bem que mostra à vontade para mais uns bons anos em garrafa. Muita frescura num conjunto algo tenso e com bom nervo onde as duas castas dão origem a um conjunto fresco, perfumado e de média intensidade. Será sempre vinho para ir à mesa a acompanhar pratos de bom tempero, que tem estrutura para aguentar o embate por exemplo de um atum braseado. 89 pts
10 outubro 2016
Murta Rosé 720 Nuits 2012
Feito a partir de uvas de Touriga Nacional da colheita de 2012, este peculiar rosé descansou durante 720 noites em barricas de carvalho Francês antes de um novo sono em garrafa. Um vinho fora de modas, fora de sintonia com as tendências de mercado e que se perfila como vinho de nicho. Não será de fácil abordagem, penso que foi esse o objectivo, a expressão fresca que caracteriza os vinhos da Murta está aqui bem presente, a embrulhar todo o conjunto. Dominado por uma fruta (amora, mirtilo) bem robusta e suculenta, algum floral envolto em frescura, com notas fumadas da madeira em segundo plano. Vinca o palato com uma bela presença, fresco, tenso e com um final seco a pedir pratos de bom tempero e até alguma gordura. Fantástico com uma feijoada de chocos. 90 pts
22 setembro 2016
Quinta de Pancas, o renascimento de um clássico
Continuo no meu pequeno tour pelas belas Quintas que rodeia a cidade de Lisboa, desta vez fui visitar a prestigiada Quinta de Pancas que tanto e tão bom vinho tem colocado na mesa dos consumidores nas últimas décadas. A Quinta de Pancas, fundada em 1495, está localizada a 45 km a noroeste da cidade de Lisboa, na freguesia de Santo Estevão e Triana, no chamado “Alto Concelho de Alenquer” junto ao lugar de Pancas. Entre a Serra de Montejunto e a lezíria da margem direita do rio Tejo, por entre montanhas, montes, vales e planícies a Quinta de Pancas mostra-se altaneira com os seus 50 hectares de vinha. Por ali os solos predominantes são calcários, variando a sua origem conforme a altitude das respectivas parcelas e ao declive das mesmas. Dominam nas variedades tintas a Cabernet Sauvignon, Touriga Nacional, Syrah, Merlot, Castelão, Alicante Bouschet, Tinta Roriz, Touriga Franca, Petit Verdot e Malbec. Nas variedades brancas temos a Arinto, Chardonnay e Vital.
Durante anos os seus vinhos conquistaram os gostos dos consumidores mais exigentes, foram famosos e alvos de cobiça na década de 90 os Special Selection onde brilhava entre outros o Touriga Nacional e o Cabernet Sauvignon, o piscar de olhos a um perfil inspirado nos vinhos de Bordéus nunca foi escondido nesta casa. No final dessa mesma década foi colocado no mercado aquele que seria o topo de gama, um vinho que ainda hoje me trás muito boas recordações, um vinho de excelência que dava pelo nome de Quinta de Pancas Premium. Depois o tempo deu passadas bem largas e assistimos a uma renovação do que por ali era feito, perdeu-se algum encanto mas não se perdeu o “savoir faire” e exemplo disso foi o lançamento do Grande Escolha.
Nos dias de hoje assistimos ao renascimento da Quinta de Pancas alicerçada numa nova estratégia que inclui juntamente com a Quinta do Cardo a separação da Companhia das Quintas, apresentando-se agora com imagem renovada, assinada por Rita Rivotti. Os vinhos, rótulos incluídos, também foram alvo dessa mesma renovação e foram apresentados recentemente. Como gama de entrada estão os Pancas na versão tinto e branco, ambos da colheita de 2015, num perfil simples e bastante directo, centrados na fruta madura bem fresca e convidativa, são a meu ver belíssimas compras para um consumo diário.
Na gama Quinta de Pancas também em modo branco 2015 e tinto 2014, aqui melhor o branco na forma como se mostra, o tinto mais coeso e pouco falador ficando melhor na fotografia o Pancas 2015 pela jovialidade e forma desempoeirada como se mostrou. Já o branco mostra toda a candura da fruta madura, fresca e airosa, com ligeiro arredondamento. É um claro salto em frente na qualidade e no prazer que proporciona, para se terminar com os dois Reserva, também em formato branco com um 100% Arinto de 2014 e o tinto Reserva de 2013. O Reserva branco teve passagem por madeira durante 8 meses, o suficiente para lhe acalmar o espírito e conferir maior complexidade ao conjunto, dominado pela fruta madura com citrinos a fazer lembrar uma tarte de limão, ligeira baunilha e biscoito. Palato a condizer, bastante frescura suportada por uma bela estrutura. Também o Reserva tinto 2013 tem muito para mostrar, num perfil mais arredondado com nota de fruta vermelha bem rechonchuda, pleno de harmonia e sabor, madeira pouco presente e que dá lugar à fruta para que se destaque. Com vigor no palato, saboroso e com muito boa frescura a embalar a prova que pede comida por perto. Na passagem breve pelos vinhos ainda em estágio, direi que o futuro é uma vez mais prometedor para os lados da Quinta de Pancas.
21 setembro 2016
Casal Figueira Tradition branco 2002
Um vinho único e muito especial, criado por um dos grandes de seu nome António Carvalho, que infelizmente partiu cedo de mais. Foram longas as conversas que ouvi com atenção contadas pelo António, enquanto me dava a beber os seus vinhos, os Casal Figueira. Ficaram célebres os brancos Tradition, vinhos pouco compreendidos na altura, vinhos de culto e de puro terroir, vinhos de gente que faz falta no mundo do vinho. Este 2002 foi um caso único, Roussane e Sémillon foram as duas desvairadas que se alinharam para um branco que com os seus 14 anos se mostra pronto para as curvas, cheio de alma e classe. O tempo que passou por ele teve o efeito de acondicionar e concentrar um pouco mais aromas e sabores, os toques de mel e cera, juntamente com fruta amarela e flores de fundo, tudo com frescura e um embalo quase untuoso que nos leva por um caminho final bem fresco e de travo mineral. Muita qualidade com vida ainda pela frente, fantástico. 94 pts
11 maio 2016
Vale da Capucha - Os vinhos de Pedro Marques
A evolução desde os seus primeiros vinhos até aos mais recentes lançamentos tem sido fantástica, com os brancos em grande destaque onde a pureza de aromas e a frescura quase eléctrica nos percorre todo o palato. A evolução a todos os níveis faz com que a cada colheita que passe, a cada ano de aprendizagem, Pedro Marques consiga educar cada vez melhor os seus vinhos, de modo a que consigam encarar a passagem do tempo sem medos nem pressas. Porque uma coisa é mais que certa para quem prova as últimas colheitas no mercado, ou mesmo as de 2015 ainda a repousar em inox, tempo de vida e de crescimento é algo que por ali não falta.
No Vale da Capucha também se fazem tintos, mas são na realidade os brancos que atingem outra dimensão e patamares merecedores de real atenção. O tesouro escondido é composto pelos Colheita Tardia que nas mãos de Pedro Marques ganham uma dimensão fantástica no que à qualidade e também finesse diz respeito. A podridão nobre ataca e a conotação ao que de bem se faz lá por fora é imediata, também aqui o caminho parece estar traçado e revela-se sério e terrivelmente apetecível.
Fóssil branco 2013: Um belíssimo entrada de gama, ronda os 8€, onde se sente a fruta bem fresca de aromas citrinos e fruta de pomar, limpo e a mostrar uma ligeira nota da passagem do tempo. Pelo meio mistura-se o floral, tudo num perfil de mediana intensidade, por aqui não se procurem grandes perfumes, apenas precisão e definição aromática. O fundo tal como na boca é de travo salino/mineral com boa secura.
Vale da Capucha branco 2013: Algo fechado de aroma, agita-se o copo e nota-se que decantação só lhe faz bem, a fruta com ligeiro rebuçado de limão, flores, vegetal fresco, muito boa energia num conjunto mais coeso e amplo que o Fóssil. Ganha na amplitude e na presença de boca, com pederneira em fundo e notas bem vincadas de citrinos. O travo de giz que se faz notar é ponto assente no resto da gama.
Vale da Capucha Antão Vaz 2013: Deste já não se volta a fazer, uma vontade do enólogo em mostrar que a casta pode ser mais qualquer coisa para além do que se mostra pelo Alentejo. Objectivo conseguido, a marca do terroir da Capucha enche os bolsos deste Antão Vaz de pedras calcárias, os aromas da casta estão presentes embora envoltos numa malha eléctrica que lhe dá uma boa energia, mas nada mais que isto.
Vale da Capucha Alvarinho 2013: No seguimento da linha do Antão Vaz, consegue também ele mostrar a casta, boa secura com muita frescura a arrebitar os sentidos. Depois a casta mostra-se num plano mais sério e sisudo do que muitas vezes acontece na sua região natal. É daqueles vinhos que me parece meio perdido e sem saber muito bem quem é. Renovo tudo o que foi dito no rasto mineral e na secura final que percorre toda a gama.
Fóssil branco 2013: Um belíssimo entrada de gama, ronda os 8€, onde se sente a fruta bem fresca de aromas citrinos e fruta de pomar, limpo e a mostrar uma ligeira nota da passagem do tempo. Pelo meio mistura-se o floral, tudo num perfil de mediana intensidade, por aqui não se procurem grandes perfumes, apenas precisão e definição aromática. O fundo tal como na boca é de travo salino/mineral com boa secura.
Vale da Capucha branco 2013: Algo fechado de aroma, agita-se o copo e nota-se que decantação só lhe faz bem, a fruta com ligeiro rebuçado de limão, flores, vegetal fresco, muito boa energia num conjunto mais coeso e amplo que o Fóssil. Ganha na amplitude e na presença de boca, com pederneira em fundo e notas bem vincadas de citrinos. O travo de giz que se faz notar é ponto assente no resto da gama.
Vale da Capucha Antão Vaz 2013: Deste já não se volta a fazer, uma vontade do enólogo em mostrar que a casta pode ser mais qualquer coisa para além do que se mostra pelo Alentejo. Objectivo conseguido, a marca do terroir da Capucha enche os bolsos deste Antão Vaz de pedras calcárias, os aromas da casta estão presentes embora envoltos numa malha eléctrica que lhe dá uma boa energia, mas nada mais que isto.
Vale da Capucha Alvarinho 2013: No seguimento da linha do Antão Vaz, consegue também ele mostrar a casta, boa secura com muita frescura a arrebitar os sentidos. Depois a casta mostra-se num plano mais sério e sisudo do que muitas vezes acontece na sua região natal. É daqueles vinhos que me parece meio perdido e sem saber muito bem quem é. Renovo tudo o que foi dito no rasto mineral e na secura final que percorre toda a gama.
Vale da Capucha Arinto 2013: É a meu ver a estrela maior da companhia no que a brancos diz respeito, toque fumado a lembrar pederneira, com citrinos num conjunto amplo e muito fresco. Ligeiro floral, todo o vinho pede tempo, implora para que seja guardado por mais um par de anos. A prova de boca revela isso mesmo, mas também um vinho com uma tremenda voracidade para a mesa. A frescura que mostra ter juntamente com os aromas e sabores bem definidos em conjunto com uma austeridade em pano de fundo, fazem dele o rei da mesa com os mais variados mariscos ou peixes grelhados.
Pynga Selection Syrah Viognier 2012: O único tinto provado que resulta de um lote de Syrah e Viognier, numa conjugação de aromas e sabores que no imediato o empurram para carnes grelhadas no carvão. O vinho é recheado de notas de fruta fresca e sumarenta, nem uma pynga de doçura porque a fruta resume-se a mirtilos e cerejas bem frescas e ácidas. No resto mostra-se carnudo e com ponta de especiaria, muito nervo com secura no final de boca, sirva-se com uns lombelos grelhados.
23 fevereiro 2016
Quinta do Gradil, os novos vinhos e o novo restaurante
Faz relativamente pouco tempo visitei a Quinta do Gradil, no sopé da Serra de Montejunto. Segundo informação retirada do site do produtor, é considerada uma das mais antigas, senão a mais antiga, herdade do concelho do Cadaval, com uma forte tradição vitivinícola que se prolonga desde há séculos. Adquirida, nos finais dos anos 90, pelos netos de António Gomes Vieira, precursor da tradição de vinhos na família desde 1945. Os novos proprietários iniciaram, em 2000, o processo de reconversão de toda a área de vinha primando por castas de maior qualidade. Nos 120 hectares de vinha encontram-se plantadas variadíssimas castas brancas e tintas. Sauvignon Blanc, Arinto, Viosinho, Viognier, Chardonnay, Petit Manseng, Cabernet Sauvignon, Tinta Roriz, Touriga Nacional, Tannat, Petit Verdot, Syrah, são alguns exemplos. Esta rica paisagem de vinha é responsabilidade do Engº. Bento Rogado sendo todas estas uvas vinificadas na adega, coordenada pelo Eng.º Pedro Martins, sob a batuta atenta dos enólogos Vera Moreira e António Ventura.
O palacete e capela, em fase muito avançada de degradação aquando da aquisição da Quinta pelos novos proprietários, foram limpos e contam agora com um projecto ambicioso de recuperação. A adega sofreu melhoramentos, estando projectada uma reformulação profunda nos próximos 2 anos, e as cocheiras recuperadas deram lugar a uma sala de tertúlias. Foi no renovado restaurante da Quinta, a cozinha está a cargo do Chefe Daniel Sequeira, que fomos recebidos e onde tivemos oportunidade de provar e harmonizar algumas das novidades com pratos da nova carta. Um momento de boa disposição onde os vinhos mostraram um à vontade muito grande com a mesa e neste caso com as propostas do Chefe.
O primeiro vinho a ser servido, o Quinta do Gradil Sauvigon Blanc e Arinto 2014 mostrou-se jovem e com boa frescura, boa ligação entre as castas a juntar o lado mais exótico e vegetal da Sauvignon com os citrinos e a frescura da Arinto. Uma boa combinação que resulta num vinho directo e bastante agradável à mesa com entradas de bom tempero como foi o caso da fotografia acima colocada. 88 pts
O Quinta do Gradil Chardonnay 2014 mostra um perfil mais anafado que o anterior com o vinho a mostrar ter mais algumas gorduras que lhe conferem untuosidade e peso. A fruta surge em formato de polpa branca com pêra e melão, tudo envolto em boa frescura, com o suave aconchego da barrica num conjunto bem equilibrado. 88 pts
Enquanto os varietais mostram o melhor de cada ano, os Reserva são os mais especiais da casa e apenas são criados quando a qualidade alcançada é de patamar superior. Assim sendo saiu este Quinta do Gradil Reserva branco 2013, um lote de Arinto e Chardonnay com passagem por madeira. Um vinho que se mostra bastante mais sério, coeso com boa complexidade, frescura e ligeira untuosidade a envolver toda a fruta, ligeira carga vegetal com ervas de cheiro. Boa amplitude na prova de boca num vinho com boa presença, saboroso e fresco. 90 pts
No plano dos tintos, foi apenas um o vinho provado e mostrou-se muito bem o Quinta do Gradil Syrah 2013. Guloso e com uma fruta que o torna muito apetecível, o ligeiro toque químico que desponta apenas de início no copo pouco ou nada incomoda, depois é um bazar de coisas boas a passarem à frente do nariz, desde os chocolates, especiarias, fruta com ligeira compota, boa frescura num vinho com harmonia mas que ainda mostra sinais que vai perdurar no tempo. 91 pts
Por último e em jeito de despedida foi provado o Quinta do Gradil Espumante Chardonnay e Arinto 2013, um vinho que agradou pela frescura e elegância da fruta. De bolha fina mostra um bom entendimento entre as duas castas, acidez presente num conjunto com ligeira untuosidade. Bastante agradável e festivo, pronto para umas entradas servidas no terraço. 89 pts
Published in Blend All About Wine
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