Copo de 3: Março 2018

29 março 2018

Pontual Reserva 2013


Passado uns anos voltei a provar um Pontual (Alentejo), desta vez o Reserva 2013 que foi criado a partir das castas Alicante Bouschet, Touriga Nacional e Syrah, com o vinho a pernoitar durante 6 meses em barrica. Preço a rondar os 10€ num perfil evocativo do Alentejo, cheio de fruta (ameixa, amora) bem madura, suculenta e gulosa, notas de cacau, especiaria, frescura a meter tudo na ordem com grande harmonia no trato e no palato. Sem grande concentração, é fresco e certinho na prova de boca, fundo com alguma secura a pedir aqueles pratos onde o ponto de gordura se esbate com o vinho. 90 pts

21 março 2018

Quinta do Cardo Reserva Caladoc 2015


Da Quinta do Cardo (Beira Interior) sai este rosé feito de uvas da casta Caladoc (cruzamento de Grenache e Malbec), plantada na vinha da Encosta, uma parcela experimental. Com parte do lote a ter direio a passar por barricas de carvalho francês durante 10 meses, com "batonnage" regular. No total foram produzidas 2 176 garrafas com preço a rondar os 15€ por unidade. Frescura e delicadeza são os atributos que melhor o definem, seriedade na maneira como apresenta a fruta muito bem delineada numa mão cheia de frutos silvestres, fundo vegetal com travo de eucalipto. Elegante na boca, ligeira sensação de cremosidade com fruta vermelha presente num travo fresco e muito saboroso, terminando num tom mais mineral e austero que lhe dá secura. É um belíssimo rosé, que fará um brilharete em qualquer mesa. 92 pts

20 março 2018

Skirt Steak - Músculo do diafragma

Skirt Steak - Músculo do diafragma
O Skirt Steak é pouco conhecido por cá, este corte de carne é nada mais que o músculo do diafragma e devido à sua textura mais elástica é aconselhado para a grelha. Costuma vir envolto numa membrana mais rija que tem de ser retirada antes. Pratos como as deliciosas Fajitas (carne grelhada servida em uma tortilla de milho ou farinha) tem como base este corte de carne, rica em sabor e fantástica quando grelhada a carvão. O preço neste caso é um dos aliciantes uma vez que sendo incluido na fressura e não como um dos ditos cortes principais ou nobres, fica com um custo muio mais em conta.

A marinada é quase um requisito neste como em tantos outros casos, apenas ter em conta que não é por estar mais tempo que a carne vai ficar mais impregnada de sabor. Uma noite inteira apenas penetra uns quantos milimetros na superficie. Importante neste caso quando se apresentam alguns tecidos conjuntivos, utilizar algo ácido para amaciar um pouco, como por exemplo sumo de lima. Sempre de forma doseada e sem excesso, pessoalmente opto por meia lima na marinada e meia lima com o azeite antes de ir ao carvão. A regra de corte continua a vigorar, após descanso de alguns minutos o corte sempre contra a fibra da carne.

Harmonizações: Carne que ganha uma boa dose de caramelização na grelha devido à marinada. Sabor vincado e suculento num corte que gosta de vinhos com boa presença, mas essencialmente com espírito aberto e uma boa acidez. Sugestões que são boas surpresas vão desde os Ramisco de Colares aos Tinta Pinheira do Dão ou os Sousão do Douro e Vinho Verde.

Fotografias divulgadas em vários sites

19 março 2018

Quinta do Estanho 2015


Das encostas do Pinhão nasce este tinto criado na Quinta do Estanho (Douro) a partir de um lote de castas tradicionais da região. O vinho mostra-se aprumado e de fácil agrado, directo na abordagem com aroma cheio de fruta fresca bem madura envolta em especiarias e recorte vegetal a lembrar a esteva. Tudo certinho, corpo mediano com a fruta em bom destaque, equilibrado e bem afinado. O preço ronda os 5€ num tinto pronto a ir à mesa. 89 pts

CARM 2014


Da Casa Agricola Roboredo Madeira (Douro) criado em Almendra (Douro Superior) sai este CARM 2014 com 30% Tinta Roriz, 30% Touriga Franca e 40% Touriga Nacional. Metade do vinho estagiou em madeira e a outra metade ficou pelo inox, com um preço a rondar os 7,50€ por garrafa. Mostra-se com aroma cheio de fruta negra bem madura, fresco com toque de regaliz pelo meio, especiado e ligeiro fumado de fundo. Corpo mediano com passagem de boca saborosa e com fruta presente, leve secura com taninos presentes no fundo num todo muito prazenteiro e fácil de se gostar. 90 pts

16 março 2018

Casa de Saima Garrafeira 2001


A Casa de Saima (Bairrada) tem na sua já longa história, um percurso que espelha bem os sucessos e os momentos menos bons que a região passou nas últimas décadas. Hoje em dia assistimos a um renascer tanto da região como também da Casa de Saima. Este Garrafeira 2001 parece ser o elo que ficou perdido no meio das duas realidades, quem não se lembra de o ver nas prateleiras do Pingo Doce a rondar os 15€ ? As últimas duas garrafas que tive oportunidade de beber deste 2001, pareceu-me estar uns furos abaixo do Garrafeira 1997. Este Garrafeira 2001 criado com Baga da Vinha da Corga estagiou durante um ano e meio em tonéis de carvalho avinhado. Algo contido de início, bouquet rico e pleno de típicidade, com couro, fruto vermelho (amora) com ligeira maceração, alguma rusticidade num toque terroso, cogumelos, madeira avinhada, pinhal num tom mais balsâmico, toque fumado, elegante  com boa frescura a envolver. Na boca é coeso, muito sabor da fruta macerada, taninos aveludados com grande harmonia de conjunto, bem equilibrado por uma bela acidez. 93 pts

15 março 2018

Anselmo Mendes Alvarinho Curtimenta 2014


Estamos perante um dos vários topos de gama criados por Anselmo Mendes, um branco dito à "moda antiga" com curtimenta, onde o mosto fermenta parcialmente com as películas das uvas. Ganha com este processo mais cor e mais taninos, ganha também outras nuances na sua complexidade aromática e a nível de sabores. O impacto inicial é fantástico e cativador, denso e concentrado com aromas limpos e muito frescos que invocam muitos citrinos como casca de laranja e limão, bouquet de flores do campo, tisana e ervas de cheiro num fundo com uma ligeira austeridade mineral no final a dar secura que lhe assenta como uma luva. Mostra ter corpo bem moldado pela frescura e fruta de pendor citrino, ligeiro biscoito de limão a meio para terminar longo e muito persistente. O preço que pedem por ele ronda os 22€ e vale cada cêntimo. 94 pts

14 março 2018

Herdade do Rocim Clay Aged 2015

Um projecto nasce, cria as suas bases e à medida que se torna adulto vai consolidando conhecimentos que lhe permitem hoje em dia afirmar-se como um dos melhores produtores nacionais. Não terá a história que suporta outras marcas, mas a qualidade dos seus vinhos está aí para o demonstrar e esta realidade merece ser conhecida de perto numa visita à adega. Os vinhos ali criados falam por si, um local onde o espírito das talhas não morreu e ganhou uma nova dimensão com o lançamento deste Clay Aged, cujo preço ronda os 40€. Criado com base nas castas Alicante Bouschet, Petit Verdot, Trincadeira e Tannat, foi pisado a pé em lagar de pedra, com a totalidade dos seus engaços para depois estagiar em talhas de barro por 16 meses. Em destaque a harmonia e elegância do conjunto, uma pureza da fruta como é raro encontrar ao lado de um toque de barro húmido com notas balsâmicas a perfumar o conjunto. Na boca deslumbra, muito aveludado apesar de toda a energia que o envolve, expressivo e com garra, frescura que o faz durar e perdurar. Mas acima de tudo é a elegância que mostrar ter, com todo o tempo que ainda tem pela frente... se conseguirmos resistir a esta tentação. 96 pts

13 março 2018

Taylor’s 325º Aniversário


Em prova o vinho comemorativo dos 325 anos da Taylor´s onde se destaca a garrafa, um recriação baseada numa antiga garrafa (onion bottle) do final do século XVII, com data próxima da fundação da Taylor´s. O conteúdo é um Tawny Reserve criado a partir de uma rigorosa selecção de vinhos destinados aos futuros Tawnies de 10, 20, 30 e 40 anos. É um vinho consensual e de fácil abordagem, delicado e misturando a complexidade dos lotes mais velhos com a juventude dos lotes mais novos que parecem dominar o conjunto. Aroma de boa complexidade,com alguma fruta fresca (romã,cereja) e fruta passa (figo, laranja, cereja) a lembrar bolo inglês,grão de café e especiarias. Boca a condizer com tudo muito certinho, frescura com o centro bem arredondado e guloso, num final com alguma secura a mostrar-se apelativo e bastante directo. Continuo a achar que a garrafa acaba por tornar-se mais apelativa do que o vinho que lá vem dentro, mesmo custando como disseram no lançamento, uns "acessíveis" 35€. 91 pts

José Maria da Fonseca Moscatel de Setúbal Superior 1955

É na Adega dos Teares Velhos (Azeitão) que a José Maria da Fonseca guarda verdadeiros tesouros, este Moscatel de Setúbal Superior de 1955 é disso um claro exemplo. De todas as colheitas já provadas esta está no lote das melhores, num destaque claro para o equilibrio perfeito entre a frescura e a doçura natural do vinho. Quando assim é damos um passo muito grande no que diz respeito à qualidade e ao que o vinho nos tem para contar, neste caso o bouquet é luxuoso e de enorme requinte e pureza. Complexo e concentrado, é impossível deixar alguém indeferente perante tão ilustre representante daquilo que é um dos melhores fortificados do mundo, o Moscatel de Setúbal. No copo o vinho ganha nova dimensão, desdobra-se em aromas e sabores, nas mais variadas camadas de frutos secos, melaço, geleia de laranja, sempre amparadas pela frescura. E quanto se esperava um monolito na boca, eis que brilha pela suavidade com que desliza pelo palato, marcante, dominante mas equilibrado e muito harmonioso, puro prazer. Este é daqueles vinhos que uma vez bebido nunca mais se esquece, ronda os 730€ por garrafa de 0,50cl. 100 pts

12 março 2018

Herdade do Arrepiado Amma Reserva 2014


«Amma de amar a família e aquilo que conseguimos alcançar juntos» é o que o vinho leva escrito, Amma resulta das iniciais do António e da Marta, e dos seus filhos Martim e Alice. É o topo de gama da Herdade do Arrepiado Velho e foi criado a partir das castas Petit Verdot, Cabernet Sauvignon e Touriga Nacional com todos os mimos que se pode querer e ter, na criação de um topo de gama. O descanso foi longo, dois anos em barrica com mais um ano de garrafa. Um vinho de produção reduzida, com apresentação luxuosa ao nível do preço que custa, ronda os 95€ cada garrafa. É um peso pesado com um jogo de pés e de cintura invejável, frescura e elegância num conjunto dominado pela qualidade da fruta, bem guloso mas muito sério.Um grande vinho com muita vida pela frente. 96 pts

09 março 2018

Freixenet Ice Cuvée Especial

Um Cava que gosta de ser rodopiado com gelo, ou seja, aconselham a que seja servido com gelo ou que seja utilizado como base para alguns cocktails. Este Freixenet Ice, preço a rondar os 10€, surge como um Cava Semi Seco onde a base são as castas Macabeo, Xarel lo e Parellada com um toque extra de Chardonnay, teve estágio em madeira de 14 meses. Todo ele é festivo, desde a imagem da garrafa ao agradar fácil uma vez bebido, em destaque aromas de fruta de pomar a servir de base. Na boca a ligeiríssima cremosidade com um ligeiro apontamento doce que se esbate numa leve secura de fundo e faz dele um espumante para ser bebido em ambiente descontraido, principalmente no Verão. 88 pts

08 março 2018

Niepoort Colheita 1963


Saltou para a mesa no final do jantar, como tantas outras o têm feito, num momento de partilha para ir bebendo enquanto se conversava. Os colheita da casa Niepoort são muito provavelmente dos melhores que podemos encontrar nesta categoria de excelência e este é disso exemplo. Bouquet de compêndio no que aos aromas diz respeito, está tudo o que queremos, gostamos e esperamos encontrar num colheita com esta idade e deste gabarito. Acima de tudo com uma frescura que lhe dá vivacidade, não tanta como teria num engarrafamento mais recente, mas o vinho mostrou-se um verdadeiro gentleman. E por mais que seja o rodopio no copo a complexidade vai-se desdobrando, enorme persistência numa boca que ao mesmo tempo aconchega num embalo inicial fresco, untuoso e com caramelo salgado, para terminar com uma boa dose de secura. A garrafa já vazia ainda ali está guardada, para sempre que olhar para ela me lembrar daquela noite, dos amigos e das gargalhadas... porque a vida é para ser preenchida por momentos assim. 97 pts

Vidigueira Perrum branco 2016

A casta Perrum costuma surgir emparelhada com outras castas em alguns brancos do Alentejo. Este vinho será das raríssimas vezes em que a podemos apreciar a solo. Nos livros da especialidade associam-na à casta que brilha em Jerez, a Palomino Fino, mostrando-se com descritores associados a aromas de citrinos com presença do limão, toranja, algum melão verde e pouco mais. A acidez é suficiente para dar graciosidade ao vinho, não destoa nem sobressai demasiado. Ganha alguma vivacidade na boca mas pouco mais que isto, conjunto coeso e bastante directo no que tem para dar. O preço ronda os 5€ e vale a pena como curiosidade para os que queiram conhecer a casta a solo. 88 pts
 
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