Copo de 3: 2011
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18 junho 2018

Murganheira Rosé Bruto 2011


É onde o Douro e a Beira se tocam, no vale do Varosa, que nascem os espumantes Murganheira. Este rosé da colheita de 2011 é feito a partir das castas Tinta Roriz, Touriga Franca e Touriga Nacional pelo método tradicional com longo estágio (5 anos) nas caves e com preço a rondar os 10€ por garrafa. Muito focado na fruta vermelha bem madura, acidez marcante com tom fresco, ligeira cremosidade que combina com elegância e delicadeza de todo o conjunto. Refrescante mas ao mesmo tempo sério e gastronómico, perfeito a acompanhar uns camarões grelhados. 90 pts

04 novembro 2017

Cartuxa 50 Licoroso Reserva 2011


Cinquenta anos depois de Vasco Maria Eugénio de Almeida ter criado a Fundação Eugénio de Almeida, para promover o desenvolvimento social, cultural, educativo e espiritual da região de Évora, a Instituição renova-se no compromisso de fazer mais pelas pessoas, para mais pessoas e comemorou o seu cinquentenário. Neste âmbito, foi elaborado este Licoroso a partir das castas Alicante Bouschet e Syrah. O vinho estagiou durante 2 anos em barricas usadas, feitas com a madeira dos antigos tonéis onde estagiava o famoso Pêra Manca. Mostra-se amplo, guloso e com uma bonita frescura que lhe dá graciosidade, muita fruta passa, compotas, alguma canela e cacau. Na boca é um festim de passa de figo com ameixa, guloso, bem marcado pela frescura com final longo, ainda alguma austeridade a fazer-se sentir, mas muito persistente. 93 pts

11 julho 2017

Vinhas Antigas da Beira Anterior by Rui Madeira 2011

Começar pelo fim e dizer que é mais um vinho que passou entre tantos outros sem deixar vontade nem saudade. Não emociona, não cativa nem mete aquela sineta pequenina atrás da orelha a tocar. Um vinho casmurro ou talvez fruto da idade que não sendo muita, parece a responsável para se apresentar destes modos, pouco falador, rugas da idade, conversa com pouco conteúdo e um leve desequilíbrio que o faz cambalear. Dito por outros modos, a fruta surge madura com evidentes toques de licor a envolver um conjunto enfadonho sem grande graça ou complexidade. Esperava-se mais de um vinho que nos aponta para vinhas velhas situadas em altitude e cujo preço atinge quase os 30€. 88 pts

14 fevereiro 2017

As novidades da Herdade das Servas

Herdade das Servas com Estremoz ali ao lado
Dizem que o passar do tempo trás a sabedoria e a serenidade, é também na passada do tempo que os grandes vinhos vão sendo guiados no caminho da excelência. Na Herdade das Servas (Alentejo) esse é o caminho que vem sendo trilhado com sucesso desde que o projecto arrancou em 1999. São sábias as mãos que por ali os vão criando, são essas mãos que lhes dão a capacidade de envelhecimento que as primeiras colheitas ali nascidas nos mostram com garbo nos dias de hoje. Uma adega é como uma universidade, fundamental na transmissão de valores e na educação dos seus vinhos. 

Depois da última visita posso dizer com toda a certeza que a adega da Herdade das Servas é uma verdadeira Universidade que forma vinhos de gabarito para depois os colocar no mercado mais exigente. E como o saber não ocupa lugar, a procura do querer mais e melhor deu lugar à experimentação cuidada e sempre mantida no segredo até que os resultados sejam suficientemente sérios e capazes de conquistar os palatos mais exigentes. É essa vontade de querer sempre mais e melhor que permite que ano após ano sejamos brindados com um vinho diferenciador dos restantes ali criados. São esses mesmos vinhos que me aguçam a curiosidade e que me fizeram deslocar uma vez mais à Herdade das Servas. 

No dia anterior tinha sido aberto, na companhia do enólogo Tiago Garcia, um Herdade das Servas Reserva 2003 que marcado pela casta Alicante Bouschet e que a caminho dos 14 anos, se mostrou em grandiosa forma. Estava lançado o mote para a prova de algumas das mais recentes novidades. 

O desfile das várias novidades da Herdade das Servas

Herdade das Servas Alvarinho 2015: Destaca-se pela boa frescura de aromas que invocam a casta, limpo e com o volume próprio que a casta ganha no Alentejo. Saboroso e cheio de energia, firme com notas de citrinos e leve tropical a terminar seco e prolongado.

Herdade das Servas Reserva Branco 2015: Reparte o lote pelas castas Arinto, Alvarinho e Verdelho, com passagem por barrica que se mostra bem integrada. Amplo e com a frescura da fruta em tons citrinos e de pomar, arredondado pelo madeira mostra-se amplo de corpo, com vigor e elegância.

Herdade das Servas Unoaked 2015: Uma novidade, um topo de gama cujo estágio apenas decorreu em inox durante seis meses, com posterior repouso em garrafa de mais seis meses. O Alicante Bouschet domina o lote, restando pouco para a Syrah e a Touriga Franca. Um vinho cheio de vida com a pujança da fruta bem fresca e madura, amoras e framboesas com tons de ameixa seca, cacau e um ligeiro balsâmico de fundo. Na boca é o lado mais vigoroso e austero das bagas silvestres a mostrarem um tinto saboroso com taninos vivos a darem boa secura no final. Terá uma longa vida pela frente, mas de momento com um ensopado de javali é uma delícia.

Herdade das Servas Reserva 2013: Uma década depois do primeiro Reserva, comemoramos agora com este 2013 onde assistimos a uma valsa entre a Alicante Bouschet e a Cabernet Sauvignon com passagem em madeira durante 12 meses. O vinho é amplo, maduro com a fruta limpa e saborosa, sente-se que está cheio de vida com notas de cacau, tabaco, tudo ainda muito jovem e a pedir tempo. Na boca é alvo da juventude mais inquieta, intenso, cheio e amplo, feito para durar e encantar, tal como continua a fazer o Reserva de 2003.

Herdade das Servas Parcela V 2011: Será a partir de agora o novo topo de gama, oriundo de uma vinha velha, que passa 12 meses em barrica e mais 3 anos em garrafa. O que se destaca no primeiro impacto é a frescura e a elegância de um conjunto repleto de finesse. O perfil é o da casa, um vinho cheio, amplo, estrutura firme, mas neste caso é dono de uma elegância suplementar. Os aromas aconchegam num complexo e rendilhado bouquet, com a boca a mostrar toda a frescura da fruta, amplo, saboroso e de enorme voracidade à mesa.


Frasqueira da Herdade das Servas


07 fevereiro 2017

Messias Vinha de Santa Bárbara 2011

Mas que bela surpresa este vinho criado pelas Caves Messias na Quinta do Cachão (Douro) a partir da Vinha de Santa Bárbara. Evidencia-se no imediato pela sua identidade muito própria, por mais volta que dê no copo apetece cheirar e beber, perfumado e fresco, com tudo muito bonito e bem aprumado, acetinado com ampla frescura e a fruta suculenta e ácida com as cerejas e mirtilos em destaque. No segundo plano algum cacau, floral suave, cresce no copo e mostra uma muito bonita complexidade. Muita qualidade e prazer que este vinho proporciona por coisa de 20€ e que faz um brilharete à mesa a acompanhar uns lombinhos de porco no forno com migas de couve e batatinhas. Pode ser bebido desde já ou ir sendo consumido nos próximos anos que continuará em grande forma. 92 pts

31 janeiro 2017

Carrocel Late Release Tinto 2011

Estamos perante um dos melhores tintos criados em Portugal, o Carrocel é a obra prima do mestre Álvaro de Castro (Quinta da Pellada) e nasce no Dão. Esta versão é especial e tal como o nome indica é um Late Release, uma edição com mais dois Invernos de estágio em madeira usada na adega do produtor. A Touriga Nacional brilha aqui na totalidade, o tempo apenas o tornou mais polido, redondo e equilibrado, no copo é puro prazer. Um vinho arrebatador que nos conquista assim que cai no copo, sedutor será a palavra que lhe assenta qual luva de cetim em punho de aço, o mesmo sentido que comanda este vinho. A fruta bem fresca e sumarenta escorre num conjunto refinado e complexo, pinhal e serra em pano de fundo. Amplo, profundo, toque de geleia de frutos do bosque muito fresca a ligar tudo. É daqueles vinhos que dá vontade de repetir e ter umas quantas garrafas bem guardadas para uma ocasião especial, o preço ronda os 65€ e vale cada cêntimo. 96 pts

27 janeiro 2017

Mouchão Tonel nº 3-4 2011


Em anos de colheitas excepcionais e comprovada a sua qualidade, a equipa de enologia da Herdade do Mouchão reserva cerca de 10 mil litros de vinho nos famosos tonéis 3 e 4, de carvalho português, macacaúba e mogno, onde estagia durante 36 meses. O Herdade do Mouchão Tonel Nº 3-4 2011 é um vinho que carrega a responsabilidade de respeitar a casta e a tradição em anos excepcionais. Pleno de garra, profundidade e complexidade, é produzido a partir de uma cuidada selecção de uvas Alicante Bouschet provenientes da emblemática Vinha dos Carapetos, berço da casta em Portugal.

É um verdadeiro colosso que como poucos tem a capacidade de vergar autênticas plateias de apreciadores. A potência surge aliada a uma finesse que lhe assenta que nem uma luva de cetim, musculado mas bem torneado, de aromas limpos e cintilantes, enorme a fruta (bagas silvestres) bem madura e suculenta envolta em aromas de eucalipto. De copo na mão somos transportados para a Vinha dos Carapetos, num perfil amplo, profundo e com uma frescura que lhe percorre todos os recantos. A complexidade cresce com o tempo que passa no copo sem nunca largar aquele ligeiro terroso lá no fundo. Fantástico e inesquecível. 97 pts

15 dezembro 2016

Dona Maria Colheita Tardia 2011


Uma "novidade" para muitos este Dona Maria Colheita Tardia 2011 com laivos de Sauternes, criado de raiz com as melhores uvas da casta Semillon ataca pelo fundo da podridão nobre. Passou um ano em barricas novas de carvalho francês de 400 litros e mais uma boa temporada em garrafa para serenar o espírito. Pouco ou nada puxado para as doçuras exageradas, é todo ele preciso tanto em aromas como sabores, envolto numa frescura suficiente para ter a vivacidade suficiente na boca e no nariz. Afinado e elegante, muito equilibrado, a botrytis sente-se ligeiramente em pano de fundo naquele toque extra à complexidade dominada pela fruta de caroço em calda. O preço atira-o para os 18-20€ sendo aposta ganha em noites de gala. 92 pts

01 novembro 2016

Cartuxa Colheita Tardia 2011


Um vinho que se insere nas comemorações dos 50 anos da criação da Fundação Eugénio de Almeida por Vasco Maria Eugénio de Almeida. É por isso mesmo um vinho de comemoração, daqueles exemplares raros e únicos que se estimam até ao derradeiro momento de partilha do mesmo. Para muitos que andam mais atentos sabem que não é a primeira vez que a Adega da Cartuxa lança um colheita tardia, remontando as suas primeiras edições aos anos 80. Este segue um caminho diferente e resulta de uma parcela muito especial da casta Riesling que afectada pelo nobre fungo, Botrytis cinerea, da qual se escolheram os melhores bagos a fim de se criar este belíssimo exemplar que na sua fase final estagiou 18 meses em garrafa antes de ser lançado no mercado. Surpreende pela frescura mostrando boa presença de fruta em calda bem fresca, as notas da Botrytis fazem-se notar num conjunto fresco, envolvente e que transmite sensação de untuosidade que no palato ganha outra dimensão de prazer.Com algum tempo no copo expande ligeiramente a sua complexidade, longo, fresco, com um bonito equilíbrio entre doçura/acidez/fruta num conjunto de muita qualidade que nos prende ao copo no final do jantar. Asseguradamente um dos melhores exemplares a ser feito em Portugal, caso tenha a sorte de o encontrar, o preço ronda os 22€ em Garrafeira. 94 pts

08 julho 2016

Quinta da Gândara Reserva Touriga Nacional 2011

Este Quinta da Gândara, preço a rondar os 18,50€ em formato tinto é claramente o oposto do branco, mostrando um vinho cujos aromas remetem no imediato para o Dão. Num vinho com um conjunto que mostra uma Touriga Nacional fresca e madura, com boa exuberância e nota floral, casca de laranja com ligeira ponta de austeridade em pano de fundo. Tudo embalado num tom guloso, embrulhado em notas de cacau, especiarias, geleia de frutos do bosque, com uma boa dose de frescura num conjunto coeso e saboroso. 91 pts

04 julho 2016

Valle Pradinhos Reserva 2011

Durante anos a fio o Valle Pradinhos foi companheiro à mesa de inúmeras e animadas tertúlias, tinto e branco raramente falhavam e até mesmo o irmão Porta Velha. Foram sem qualquer dúvida os primeiros grandes vinhos de Trás os Montes, aqueles que marcaram um percurso e que desde que me lembro sempre mostraram ter um bom potencial de envelhecimento e onde as castas "estrangeiras" marcavam presença sem que se estranhasse o nome, cheiro ou sabor. Os anos passaram e perdeu-se o contacto, quando o voltei a encontrar vinha envolto numa imensa "rebaldaria familiar" com outras tantas referências, que fiquei sem saber qual seria aquele que mais se aproxima do "antigo" Valle Pradinhos. Arrisca-se no Reserva cujo preço ronda os 9,50€ e nos mostra um conjunto equilibrado com frescura, ligeira rusticidade num aroma que nos remete para fruta madura, aroma vegetal fresco de segundo plano com aroma terroso no final. Saboroso e especiado, boa frescura com corpo mediano a mostrar fruta fresca, em final de boa persistência. 90 pts

29 junho 2016

Ferreira Porto LBV 2011

Para todos aqueles que procuram um Vinho do Porto de qualidade bem acima da média, mas que para isso não se tenha de pagar a pequena fortuna que custa um Vintage, o Late Bottled Vintage é a escolha ideal. Este Vintage de engarrafamento tardio ( LBV) consegue conquistar facilmente os consumidores, a qualidade é alta como é disso exemplo este Ferreira LBV 2011 (Sogrape). Por coisa de 15€ em grande superfície comercial levamos para casa um Vinho do Porto com aroma carregado de fruta vermelha/negra bem madura, com aroma a mostrar alguma irreverência/austeridade própria da juventude, ervas do monte, boa combinação entre os aromas mais adocicados e a frescura do conjunto. De sabores vincados, mostra a garra da sua jovialidade onde a fruta explode de sabor na boca, zimbro, amoras, chocolate negro em contraste com as especiarias e um lado mais vegetal e seco que tem no prolongado final. 93 pts

14 março 2016

Quinta de São Lourenço 2011


Das Caves São Domingos (Bairrada) chega este tinto Quinta de São Lourenço 2011, custou 8,90€ este vinho que escolhi para casar com um cozido de grão. Nem sempre é fácil e muitas vezes a ligação entre vinho/comida acaba por ser sofrível o que não foi o que aconteceu neste caso. Procurava um tinto com boa acidez/frescura capaz de lidar com a gordura das carnes, queria também vinho cuja estrutura não se deixasse dominar pelo poderio do prato ao mesmo tempo que iria combinar com todo o perfume que um cozido de grão acompanhado de hortelã nos coloca no prato. Neste caso o vinho que combina Baga com alguma Touriga Nacional, também ligou na perfeição com as notas da fruta bem ácida e suculenta, algum cacau, toque balsâmico que invoca hortelã e pinheiro, frutos silvestres maduros e tudo envolto em boa frescura num conjunto muito apelativo. Porém o essencial que convém sempre focar, é que o vinho convide a mais um trago e mais uma garfada porque nos sabe bem. E neste caso resultou em cheio. 90 pts

08 março 2016

Torais Reserva 2011

A Herdade de Torais (Alentejo) encontra-se localizada em pleno Alentejo, entre Montemor-o-Novo e Évora, tem uma área de cerca de 200 hectares e pertence à Sociedade Agrícola de Torais Lda. de que é sócio principal Fernando Pedro Pereira Coutinho. Este Reserva surge como o topo de gama da casa, um lote de Syrah, Alicante Bouschet e Aragonês, com direito a passagem por madeira e que resultou num lote final de 1500 garrafas. Gostei deste vinho pela forma séria como se mostrou no copo, carregado de fruta vermelha e preta muito madura, chocolate negro, aroma coeso e complexo com muita frescura. Fundo cheio de especiarias, a madeira completamente integrada num conjunto que mostra ainda alguma austeridade, passagem de boca a mostrar-se de corpo cheio e musculado, fruta a explodir de sabor sempre com a frescura muito presente. Um belo vinho que termina longo e persistente, cujo preço ronda os 20€ em garrafeira. 92 pts

17 fevereiro 2016

Cartuxa 50 Anos tinto 2011

Cinquenta anos depois de Vasco Maria Eugénio de Almeida ter criado a Fundação Eugénio de Almeida, nasce este precioso néctar em jeito comemorativo. Um vinho arrebatador e do melhor que tive a oportunidade de beber no ano de 2015 tal a qualidade com que nos conquista mal cai no copo, naquele que é um dueto perfeito entre a Alicante Bouschet e a Syrah. Na verdade estes novos vinhos que têm sido lançados pela Adega da Cartuxa (Alentejo) têm atingido todos eles um patamar muito alto de qualidade. Este vinho, com preço a rondar os 40€, em tudo especial mostra-se denso, escuro, misterioso e com uma complexidade que se vai desenrolando no copo de forma fantástica. A fruta carnuda e sumarenta aparece fresca, bem delineada, um deleite para os sentidos, a explodir de sabor no palato em conjunto com algum herbáceo, cacau entre outros. Um verdadeiro colosso com anos de vida pela frente que fez as minhas delícias preenchendo os mais altos requisitos. Fantástico. 96 pts

22 janeiro 2016

Quinta dos Murças Reserva 2011



É do Esporão e vem do Douro, mais propriamente da Quinta dos Murças, este Reserva 2011 que nasce de vinhas com quase meio século de história. A vinificação teve direito a passagem em lagares de granito com pisa-a-pé e posterior passagem por madeira durante 12 meses. O resultado é um grande vinho, daqueles que uma vez agarrados ao copo não dá vontade de o largar. Complexo e com uma bela intensidade, um vinho cheio de carácter com o Douro bem vincado, fruta madura muito limpa e em grande destaque que combinam com ervas de cheiro, balsâmicos, especiaria e ligeira grafite em fundo. A elegância e harmonia surgem também no palato, uma prova cheia de sabor com a fruta bem firme em destaque, bom volume com taninos finos a acenar em pano de fundo.Um belíssimo vinho para beber agora com uma perna de cabrito no forno ou guardar por uns bons anos. 94 pts

30 dezembro 2015

Casa da Passarella, as Vindimas, as Vinhas Velhas e os Fugitivos

Blend-All-About-Wine-Casa da Passarella-Harvesting-day-House casa da passarella Casa da Passarella, um dia nas vindimas Blend All About Wine Casa da Passarella Harvesting day House

Fomos visitar a histórica Casa da Passarella, no Dão, com a Serra da Estrela em pano de fundo e literalmente metemos as mãos nas vinhas mais velhas deste produtor. Em plena altura das vindimas o convite foi aceite para ir conhecer as fantásticas vinhas velhas que dão origem aos melhores vinhos desta Casa, num trabalho de campo com muita aprendizagem e um almoço bem descontraido onde brilharam dois novos lançamentos. No final ainda tivemos uma vertical do tinto Vinhas Velhas ao lado de duas novidades que em breve vão chegar ao mercado.

Foi chegar, pegar na tesoura e descer as ruas do pitoresco vilarejo da Passarela até chegar às vinhas. Um cenário fantástico com três pequenas parcelas de vinha cuja idade supera já os cem anos, dispersas em três pequenos patamares, assente em solo predominantemente granítico onde cepas de uvas brancas convivem lado a lado com cepas de uvas tintas. Castas com nomes que de tão estranhos correm o risco de ficar esquecidos no tempo e por mais que se queira apenas se consegue entender toda a magia e especificidade de uma vinha como esta estando no local e reparar na enorme variedade de castas que ali moram. Pena que durante largos anos as vinhas do Dão estiveram em decadência e com isso a qualidade dos vinhos a que davam origem. Foi preciso um forte investimento por parte dos produtores em plantar nova vinha, o que de certa maneira ajudou a um afastamento ou até mesmo o arranque do vinhedo mais velho.
O blend resultante destas vinhas velhas carrega a alma da região, o Dão tem nas suas vinhas mais velhas a sua maior riqueza e temos de agradecer a todos aqueles que com esforço e bastante dedicação, lutam para as preservar e conseguir vinhos que quando educados de forma correcta na adega, atingem patamares muito altos de qualidade. Portanto não é de estranhar a forma apaixonada como o enólogo Paulo Nunes fala destas suas “meninas” com quem, segundo palavras dele, tem aprendido muito. E com o que estas vinhas velhas lhe ensinam ele na sua parte de mestre criador tem conseguido interpretar de maneira tal que os resultados falam por si. Fora de modas, sabe criar e educar grandes vinhos, nota-se que à medida que as colheitas vão passando o seu estilo “Dão da Serra” afina num misto de tradição/modernidade com vinhos de fina exuberância, muita definição da fruta que combina raça, carácter, corpo e um natural aveludado que teima em dar sinais logo desde cedo.

Foi já à mesa servido por um tradicional prato de Rancho que me fiz acompanhar da mais recente novidade, o Enxertia Jaén 2012. Um vinho perigosamente apetecível que desapareceu do copo num ápice, a combinação entre estrutura/frescura/fruta sumarenta resulta num combo perfeito à mesa. Em momento de desfrute e amena cavaqueira, foi rei e senhor este Jaén que soube pela vida e marcou mais um belíssimo momento de convívio.

Mas foi ainda com as vinhas velhas na memória que se realizou a vertical desde o primeiro exemplar Vinhas Velhas 2008 até ao mais recente 2012. Notou-se a evolução do perfil, com o 2008 a mostrar uma maior presença de baunilha e tosta ao lado de fruta muito gorda e sumarenta. O que mostrou menor prestação e mesmo mais deslocado de toda a prova foi o 2010 cujos apontamentos mais adocicados destoam por completo dos restantes. O mais calado de momento é o 2011 que se encontra na fase de arrumação e ainda pouco quer mostrar embora esteja um belíssimo vinho em perspectiva. Vencedores da prova se é que se podem considerar assim, tanto o 2009, arriscando a ser o melhor até à data com o 2012. Vinhos compactos e sedutores, bom equilíbrio com corpo médio e um pouco de maior arredondamento dado pela barrica, tudo isto sempre com uma acidez/frescura habitual dos vinhos da região.


Por último ficou a apresentação oficial dos novos vinhos que já tinham sido dados a conhecer ainda que de forma envergonhada e agora sim foram dados a provar com a roupagem definitiva. Inseridos na gama O Fugitivo, surgem o Garrafeira branco 2013 e o tinto Vinhas Centenárias 2012. A produção de qualquer um deles não supera as 2000 garrafas, são dois grandes vinhos que espelham a terra que os viu nascer. Enquanto o tinto vai buscar como foi dito lá atrás a raça, carácter e corpo com uma acidez e travo de ligeiro vegetal que lhe confere uma bonita energia no palato. Complexo, profundo e ao mesmo tempo ainda muito novo, muito no perfil do Vinhas Velhas 2012 embora todo ele com um pouco mais de tudo. Já o Garrafeira branco é um vinho de estrondo, nada fácil e fora de modas, cheira a Dão de outros tempos, cheio de garra com taninos a marcarem o final cheio de secura, o vinho grita por descanso em garrafa. Eléctrico, nervoso, tudo ainda muito novo tanto no nariz como na boca, do melhor que a região me colocou no copo nos últimos anos.

22 novembro 2015

Quinta dos Abibes, a Bairrada em modo Sublime

Blend-All-About-Wine-Quinta dos Abibes-Francisco Batel e Osvaldo Amado quinta dos abibes Quinta dos Abibes, a Bairrada em modo Sublime Blend All About Wine Quinta dos Abibes Francisco Batel e Osvaldo AmadoProf. Dr. Francisco Batel Marques e o Enólogo Osvaldo Amado 

Abandonada durante mais de uma década a Quinta dos Abibes (Anadia) vai buscar o seu nome a uma ave migratória de seu nome Abibe (Vanellus vanellus). A propriedade conta com 10 hectares dos quais 7 hectares são de vinha e foi adquirida em 2003 pelo Prof. Doutor Francisco Batel Marques. A enologia ficou a cargo do reconhecido enólogo Osvaldo Amado e a primeira colheita da Quinta dos Abibes iria nascer apenas em 2007. As castas escolhidas foram as tintas Baga, Touriga Nacional e Cabernet Sauvignon, enquanto que nas brancas a Arinto, Bical e Sauvignon Blanc.
Na Quinta dos Abibes destaca-se a aposta na diferença e acima de tudo na qualidade dos seus produtos, onde por exemplo a Baga apenas é utilizada na vinificação de espumantes. No caso do Espumante Quinta dos Abibes Sublime Brut Nature 2009 a produção limitou-se a 3200 garrafas, num espumante de qualidade onde se destacam as notas de biscoito que combinam alegremente com aromas de citrinos, bem fresco com algum tostado em fundo mineral. Boca a condizer e de grande harmonia entre fruta e notas tostadas, ligeira cremosidade sentida num espumante de muito bom nível.

Entrando nos vinhos tranquilos com o Quinta dos Abibes Sublime branco 2010 feito a partir da casta Arinto no melhor registo a que o enólogo Osvaldo Amado nos tem vindo a acostumar. Um branco que se mostra com notas de fruta madura onde o destaque vai para os citrinos e alguma maçã em conjunto com a madeira por onde passou que marca o conjunto, um pouco demais para o meu gosto, contribuindo com aromas de tosta e algum fruto seco. Saboroso com boa passagem que alia frescura e untuosidade, elegância com final de boa persistência.

Mudamos a tonalidade e entramos no campo dos tintos com o Quinta dos Abibes Sublime 2010 onde brilha a solo a casta Touriga Nacional. Vinho de perfil concentrado e pujante, muita energia e frescura a mostrarem fruta preta madura com toques fumados, especiarias, algum terroso de fundo. Boca a mostrar boa envergadura, fruta com mais detalhe que no nariz, muito saborosa, frescura a percorrer todo o palato, final longo e persistent e com taninos ainda presentes a mostrarem a sua presença no final de boca.

Termino com o Vanellus Classic Edition Cabernet Sauvignon 2011, um Beira Atlântico com ares de Bordéus, aromas de grafite, notas terrosas e com carga vegetal ligeira. Fruta madura e bem fresca, muito mirtilo, muitas bagas silvestres a explodir de sabor, perfumado num conjunto fresco e coeso. Corpo médio, com rusticidade a pedir tempo em garrafa, frescura a embalar a fruta madura e saborosa num final de boa persistência.

03 outubro 2015

João Portugal Ramos, Vinhos

João Portugal Ramos licenciou-se em Agronomia pelo Instituto Superior de Agronomia em 1977. Estagiou no Centro de Estudos da Estação Vitivinícola Nacional de Dois Portos, após o que iniciou em 1980 no Alentejo a actividade de enólogo-gerente da Cooperativa da Vidigueira. Sairia passado pouco tempo, passando pela Casa Agrícola Almodôvar onde em 1982 ganha o prémio de Melhor Vinho na Produção com o tinto Paço dos Infantes 1982. Daria o salto para a Adega Cooperativa de Reguengos de Monsaraz onde ajudou a criar a marca Garrafeira dos Sócios. A partir da experiência acumulada, João Portugal Ramos constituiu no final da referida década a sua primeira empresa de nome Consulvinus com o objectivo de dar resposta às inúmeras solicitações de vários produtores, no seu percurso de glória criou alguns dos míticos Tapada do Chaves, Quinta do Carmo ou Cooperativa de Portalegre. A partir de 1989, a Consulvinus alargou a sua actividade para além do Alentejo, chegando ao Ribatejo, Península de Setúbal, Dão, Beiras, Estremadura e Douro.
Blend-All-About-Wine-João-Portugal-Ramos-Winery joão portugal ramos João Portugal Ramos Blend All About Wine Jo  o Portugal Ramos Winery
A Adega © Blend All About Wine, Lda
Em 1990, João Portugal Ramos plantou os primeiros cinco hectares de vinha em Estremoz, onde vive desde 1988, dando início ao seu projecto pessoal. A construção da adega em Estremoz, no Monte da Caldeira, iniciou-se em 1997, tendo sido ampliada em 2000. O sucesso e os prémios acumulados pelos “seus” vinhos ao longo da sua carreira valeram-lhe o reconhecimento nacional e internacional como um dos principais responsáveis pela evolução dos vinhos portugueses. Fruto da sua mestria têm nascido alguns dos grandes vinhos de Portugal, muitos deles ainda feitos em talha, vinhos que fazem parte da história e que têm tido a capacidade única de marcarem tanto percurso enófilo como foi o meu caso. Os exemplos são vários e na sua quase totalidade, incluindo os da década de 80, ainda mostram uma invejável forma na hora da prova.
Blend-All-About-Wine-João-Portugal-Ramos-The-Wine-Range joão portugal ramos João Portugal Ramos Blend All About Wine Jo  o Portugal Ramos The Wine Range
A gama de vinhos © Blend All About Wine, Lda
Muito recentemente face aos pedidos do mercado investiu nos Vinhos Verdes, já antes tinha no Douro juntamente com o enólogo José Maria Soares Franco criado o projecto Duorum. Passados 13 anos sem lançar uma nova marca de vinho alentejano, tirando os topos de gama, criou a marca Pouca Roupa com um enorme sucesso de vendas. Como tem vindo a ser hábito e não podia ser de outra forma, são os consumidores a ditarem o sucesso deste nome incontornável da enologia.

Blend-All-About-Wine-João-Portugal-Ramos-Vila-Santa joão portugal ramos João Portugal Ramos Blend All About Wine Jo  o Portugal Ramos Vila Santa
Vila Santa Reserva 2012 & Vila Santa Reserva 2009 © Blend All About Wine, Lda
Na mais recente visita à adega e em animada conversa com o Engº João Portugal Ramos, foram colocadas em prova as mais recentes colheitas no mercado com um destaque para os brancos de 2104 que brilham alto fruto de um ano de excepcional qualidade. Foi proposto logo de início provar lado a lado a colheita mais recente com uma colheita anterior onde se começou pelo Vila Santa. O Vila Santa tinto nasceu na colheita de 1991, na altura ainda feito em talha, afirmando-se desde muito cedo como uma das grandes relações preço/satisfação existentes em Portugal. A qualidade assegurada colheita após colheita num perfil que tendo sofrido os necessários ajustes mas onde se tem sabido preservar o “estilo” Vila Santa que tanto prazer dá quando em novo como o 2012 ou mesmo com uns anos em garrafa como tão bem se mostrou o 2009.
De seguida provamos os Quinta da Viçosa, a meu ver os vinhos mais irreverentes do produtor e que nos oferecem a cada colheita o blend das duas melhores castas. Em prova o Quinta da Viçosa 2012 (Aragonês/Petit Verdot) e o 2011 (Touriga Nacional/Cabernet Sauvignon). Nota-se acima de tudo o cunho bem pessoal do enólogo, o espaço de destaque que a fruta ganha, limpa e sempre fresca, desempoeirada e inserida num conjunto sempre com bastante vigor, o tal vigor que permite sem exageros prolongar todos os seus vinhos numa linha de tempo muito acima da média. Quanto aos vinhos, o 2012 ainda muito vigoroso, demasiado novo o que me faz inclinar para o 2011, aquele travo de Cabernet Sauvignon a fazer lembrar Bordéus conquista-me no imediato, embora os dois ainda muito novos e a precisar de tempo em garrafa. Para estes dois tintos a escolha seria óbvia, carne de porco ou novilho com bom tempero, ligações com javali, veado ou caça grossa serão sempre vencedoras.

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Marquês de Borba Reserva 2012, Estremus 2001 & Quinta da Viçosa 2007 © Blend All About Wine, Lda
A fase final da prova contou com a presença daquele que é um dos “novos” clássicos do Alentejo, o Marquês de Borba Reserva que desde que saiu pela primeira vez na colheita 1997 conquistou por direito próprio lugar entre os grandes vinhos da nação. A evolução deste vinho é algo notável, comprova-se provando o 1999 que está num momento de forma magistral e ainda com muita vida pela frente. Terá sido este 1999 o melhor de todos até à data para o seu criador, eu irei juntar ao 1999 o 2012. Embora o 2013se encontre em momento pré-escolar a prova que dá é de um vinho ainda na fase de arrumos, tudo muito espalhado, muita caixa por abrir, precisa de tempo. Enquanto isso o 2012 já se mostra algo mais esclarecido, dá mostras de um conjunto luxuoso ao qual não se consegue ficar indiferente. A envolvência entre fruta/madeira confere um elevado grau de sensualidade e elegância ao vinho, no palato confirma tudo o que tem vindo a ser dito. Por esta altura são os pratos mais nobres e delicados que brilham, uma Perdiz Estufada é o casamento perfeito.
Para o final fica aquele que é de momento o topo de gama do produtor, o Estremus 2011, ainda que se tenha tido um vislumbre do que será a sua nova edição. Mas é no 2011 que as atenções se prendem com razões de sobra para que tal aconteça, o vinho que nem sequer nasce em vinhedo velho é um monumento de classe e raça. Muita finesse com a fruta num patamar de definição e frescura muito acima da média, no fundo sente-se a pujança e nervo de um grande vinho, um gigante adormecido com muitas alegrias para dar nos tempos futuros. A prova que dá esbarra numa saudável austeridade no palato, os tais taninos que ainda não se acomodaram, no nariz a cada rodopio no copo a complexidade vai-se desenrolando. Mais uma vez a enologia de João Portugal Ramos a conseguir lançar um vinho grandioso, como tem sido seu costume ao longo das últimas três décadas. Uau.

Publicado em Blend - All About Wine

01 outubro 2015

Adega da Cartuxa - No Reino do Pêra Manca

Passados quase 15 anos voltei à Adega da Cartuxa, ali paredes meias com o Mosteiro da Cartuxa onde vivem desde 1598 os monges Cartuxos. A Adega da Cartuxa, propriedade da Companhia de Jesus, foi nacionalizada após a revolução liberal do século XIX e adquirida em 1869 por José Maria Eugénio de Almeida. Apenas em 1950 a adega viria a ser modernizada por Vasco Maria Eugénio de Almeida, conde de Villalva, tendo entrado para os bens da Fundação em 1975. Foi a partir dessa altura que se começou a encarar a produção vinícola, com plantação de novo vinhedo entre 1982 a 1985, numa perspectiva completamente diferente, com ligação desde o início à Universidade de Évora através da equipa na altura chefiada pelo saudoso Engº Colaço do Rosário, a quem os vinhos do Alentejo muito devem. Foram marcantes as colheitas dos finais dos anos 80 como o Cartuxa branco 1987 estagiado em madeira em destaque ou em 1990 com o surgir do primeiro Pêra Manca tinto.
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Adega da Cartuxa © Blend All About Wine, Lda
Os motivos que me levaram a afastar dos vinhos da Cartuxa prendem-se com as evidentes mudanças de perfil que os vinhos começaram a sofrer com a entrada de uma nova equipa de enologia. Com isto viria um reformular dos rótulos e o meu total afastamento dos vinhos que deixei de encarar com a mesma paixão que então tivera muito por causa do Pêra Manca 1995, aquele que é o vinho mais marcante do meu percurso enquanto enófilo. Passado tanto tempo seria altura de voltar a tomar contacto mais de perto com a realidade vínica que hoje é criada na Adega da Cartuxa. As expectativas não saíram furadas, os vinhos saíram daquela fase confusa após mudanças na enologia, certamente que foram precisos algumas colheitas para assentar o perfil desejado com os necessários retoques.
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Tonéis © Blend All About Wine, Lda
Todos os vinhos provados mostraram um nível muito acima da média, a atenção apesar de tudo o que foi provado ficou centrada apenas nos Cartuxa que terminam em apoteose com os vinhos comemorativos dos 50 Anos, para atingir a apoteose com os Pêra Manca. O Cartuxa branco 2013 resultante de um lote de Arinto e Antão Vaz, destaca-se pela boa frescura e pureza da muita fruta madura (citrinos, pêra, ananás) num conjunto algo tenso com uma passagem de boca muito saborosa e séria, tudo no sítio, com uma acidez cítrica a tomar conta do final. No copo ao lado já estava o Pêra Manca branco 2012 a mostrar uma muito boa exuberância com um certo arredondamento, bonita evolução com tempo de copo que o teve e bastante. Harmonioso e envolvente, enche a boca de sabor e classe, frescura tem a suficiente que abraça todo o conjunto de forma equilibrada de maneira a que não temos por ali pontas soltas. O trabalho de madeira está nesta altura completamente integrado, um novo perfil que me agradou neste belíssimo branco.
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Os brancos © Blend All About Wine, Lda
A grande surpresa estaria guardada para o final da prova com um vinho que em conjunto com outros foi criado para comemorar os 50 anos da criação da Fundação Eugénio de Almeida por Vasco Maria Eugénio de Almeida. O Cartuxa 50 Anos branco 2012 é um branco cujo lote de vinha velha com as castas Arinto, Assario e Roupeiro fermentou com curtimenta completa durante 25 dias. Se tivermos em conta os vinhos que fizeram história nesta casa sempre foram no seu aparecimento autênticas irreverências perante o consumidor menos atento, desta vez a provocação surge logo pela tonalidade com nuances alaranjadas. O vinho tem uma complexidade fantástica, um ramalhete de aromas distinto, muito limpos de fruta madura, laranja, limão, ervas de cheiro, anis, muito cativador e diferente de tudo o resto, pelo meio junta-se a frescura que a tem e em muito boa conta, peso e medida.
Com um nível muito alto colocado na mesa era altura de mudar a tonalidade da prova e os tintos tomaram conta do palco. A conversa inicia com o enólogo Pedro Baptista a apresentar o Cartuxa 2012, que nos mesmos modos da versão branco vê centrar todas as suas atenções na qualidade e pureza da fruta madura, a remeter para aquele perfil mais clássico a que esta zona do Alentejo nos acostumou. Ainda cheio de vigor cheio de especiarias com apontamento vegetal, na boca replica a prova de nariz, amplo e atrevido a espicaçar os sentidos com muita vida e uns taninos marotos ainda por polir no final de boca. O salto que se deu foi em direcção ao Cartuxa Reserva 2012 a mostrar-se mais sério como seria de esperar, embora mantendo a toada clássica, juntando a energia do Alicante Bouschet com a generosidade do Aragonez, alguma gulodice com notas de alcaçuz, fruta madura num conjunto com frescura embora se mostre mais polido e com maior envolvimento. No palato é saboroso mostrando-se num patamar acima do anterior, uma diferença que se sente a todos os níveis.
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Os tintos © Blend All About Wine, Lda
O culminar da prova de tintos seria atingido com a apresentação do Cartuxa 50 Anos tinto 2011 onde a Alicante Bouschet brilha em conjunto com a Syrah. Este vinho em tudo especial mostra-se denso, escuro, misterioso e com uma complexidade que se vai desenrolando no copo de forma fantástica. A fruta carnuda e sumarenta aparece fresca, bem delineada, um deleite para os sentidos, a explodir de sabor no palato em conjunto com algum herbáceo, cacau entre outros. Um verdadeiro colosso com anos de vida pela frente que fez as minhas delícias preenchendo os mais altos requisitos. Fantástico. No copo ao lado estava o expoente máximo da Adega da Cartuxa, nascido pela primeira vez em 1990, o Pêra Manca tinto 2010. Sem comparações possíveis com o vinho anterior, diametralmente oposto pois aqui o que comanda é a finesse e harmonia de componentes, tudo numa toada de pura classe com frescura e fruta de grande gabarito. Diga-se que é dos que se bebem com imenso prazer, sem cansar e apetece sempre mais um copo e outro até que a garrafa fica vazia. É a todos os níveis um grande vinho, que se soube reencontrar no caminho das estrelas e mostra-se ao melhor nível a que a marca me tinha acostumado.
 
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