Copo de 3: Dona Maria
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16 abril 2018

Dona Maria Reserva 2003

Em 2006 quando provei este vinho escrevi o seguinte: Há mais de 130 anos que se produz vinho na Quinta Dona Maria ou Quinta do Carmo, é na colheita de 2003 que vemos o regresso ao activo daquele que é o seu actual proprietário, Júlio Tassara Bastos depois de nos ter deixado no passado com os famosos Quinta do Carmo Garrafeira 1985, 1986 e 1987, reconhecidos pela sua grande qualidade. Com um lote composto com Alicante Bouschet (50%), Aragonês, Cabernet Sauvignon e Syrah, com direito a fermentação em lagares de mármores e um ano de estágio em barrica de carvalho francês, sendo engarrafas 17.300 garrafas.

Doze anos depois volto a ele, agora em formato Magnum, para me deliciar com um vinho adulto, cheio de vida e num excelente momento do forma. O que se destaca é a finesse de todo o conjunto, a fruta surge ainda fresca e vivaça com uma capa acetinada de geleia que lhe confere um toque guloso, especiarias e um ligeiro balsâmico a meio. O fundo mantém o mesmo toque terroso e austero, prometendo que irá continuar em forma durante mais alguns anos em grande. Bebe-se e dá vontade de continuar, demasiado apelativo para que se consiga resistir em servir mais um copo. A noite era festiva e o vinho fez parte dela. 96 pts

15 dezembro 2016

Dona Maria Colheita Tardia 2011


Uma "novidade" para muitos este Dona Maria Colheita Tardia 2011 com laivos de Sauternes, criado de raiz com as melhores uvas da casta Semillon ataca pelo fundo da podridão nobre. Passou um ano em barricas novas de carvalho francês de 400 litros e mais uma boa temporada em garrafa para serenar o espírito. Pouco ou nada puxado para as doçuras exageradas, é todo ele preciso tanto em aromas como sabores, envolto numa frescura suficiente para ter a vivacidade suficiente na boca e no nariz. Afinado e elegante, muito equilibrado, a botrytis sente-se ligeiramente em pano de fundo naquele toque extra à complexidade dominada pela fruta de caroço em calda. O preço atira-o para os 18-20€ sendo aposta ganha em noites de gala. 92 pts

28 janeiro 2015

Dona Maria Touriga Nacional/Petit Verdot 2011


É de visita obrigatória a Quinta de Dona Maria em Estremoz, onde reina uma atmosfera de puro classicismo, a modernidade apenas surge quando passamos as portas que nos levam à adega. A enologia está a cargo da Sandra Gonçalves, os seus vinhos são sérios, cheios de detalhe e com muito carácter. Em todas as gamas deste produtor encontramos elegância e frescura, um saber que se soube transportar da glória do passado para os vinhos mais recentes. Dessa mesma interpretação surge a gama Dona Maria (tinto, branco e rosé) com o apogeu a ser atingido no Dona Maria Reserva, complementam a oferta os vinhos da linha Amantis e os varietais de inspiração mais moderna, como por exemplo este  Touriga Nacional/Petit Verdot 2011.

As duas castas (Touriga Nacional e Petit Verdot) que na anterior colheita moravam sozinhas decidiram juntar-se, surge a versão dueto em 2011. Aroma intenso a combinar o melhor de cada casta, flores e fruto silvestre com algum vegetal/balsâmico num conjunto que combina ligeira austeridade de fundo com uma gulodice e opulência da fruta fresca. Amplo, denso e saboroso, equilibrado com a frescura a marcar pontos num final persistente e longo. 91 pts

13 janeiro 2015

Júlio B. Bastos Garrafeira Alicante Bouschet 2007


Ainda por terras de Estremoz, saindo da Quinta do Mouro viro à esquerda e rumo em direção a Monforte, um pouco antes da zona dos Supermercados na saída de Estremoz viro à esquerda na placa que indica Agroturismo. Um pouco mais à minha frente fica a Quinta Dona Maria, que segundo conta a história foi adquirida em tempos por D.João V para oferecer a uma cortesã, Dona Maria, por quem estava perdidamente apaixonado. Esta Quinta é também conhecida como Quinta do Carmo, pois numa época posterior à edificação da casa, construiu-se uma capela datada de 1752, que foi dedicada e consagrada a Nossa Senhora do Carmo. O vinho foi sempre parte integrante da Quinta, juntamente com os seus imponentes lagares de mármore, mas seria apenas nos anos 80 com enologia de João Portugal Ramos que Júlio Bastos, o atual proprietário, iria começar a comercializar os seus vinhos, com destaque para os fantásticos Garrafeira Quinta do Carmo 1985, 1986 e 1987, onde despontava a casta Alicante Bouschet. A ligação desta casta à Quinta Dona Maria surge com um dos seus antigos proprietários, John Reynolds (Herdade do Mouchão) casado com Isabel d´Andrade Bastos.

Os anos passaram e após a venda da marca Quinta do Carmo ao grupo Bacalhoa, Júlio Bastos decidiu relançar em 2003 os vinhos com o nome Quinta Dona Maria. Recuperou o vinhedo mais antigo de Alicante Bouschet e na colheita de 2004, com enologia de Sandra Gonçalves, decidiu homenagear o seu pai, Júlio Bandeira Bastos com o lançamento do primeiro Garrafeira Dona Maria.


Júlio B. Bastos Garrafeira Alicante Bouschet 2007 é o resultado da escolha das melhores uvas das vinhas velhas (50 anos) de Alicante Bouschet, pisadas em lagares de mármore e posteriormente estagiado em barricas novas de carvalho francês durante 14 meses.Um portento de vida e classe, liquorice, tinta da china, denso e profundo com enorme frescura e definição, envolvente com uma complexidade invejável num vinho que apesar dos seus 7 anos ainda está muito novo. A fruta silvestre muito madura, limpa, envolta numa capa de notas balsâmicas, onde a barrica integrada aconchega um conjunto de luxo de traço Alentejano. Boca a condizer, sente-se um conjunto firme, intenso e ao mesmo tempo harmonioso, profundo e conquistador num final muito longo. Um hino à região e ao passado glorioso desta casa. 96 pts

07 novembro 2014

Dona Maria Rosé 2013


A cada ano que passa este Dona Maria Rosé mostra-se mais afinado e sério, com uma invejável capacidade de proporcionar prazer. Sem cansar está marcado pela delicadeza dos aromas frutados e florais com uma frescura que o envolve, o vinho sabe bem, apetece beber um e outro copo, os seus 12,5% ajudam à festa. Tem a estrutura suficientemente para lhe proporcionar uma satisfatória evolução na garrafa, embora nesta fase seja uma verdadeira tentação com a fruta suculenta a dançar no palato, preço a rondar os 8,5€. Um dos vinhos que faço questão de ter aqui por casa, neste caso companheiro à altura de uma caldeirada de lulas. 93pts 

05 fevereiro 2013

Quinta do Carmo Garrafeira 1987

Escrever sobre este vinho é contar a história de um produtor, a Quinta Dona Maria (Quinta do Carmo) em Estremoz. Por mais volta que se queira dar ao texto, não se consegue, é facto consumado que se está perante um dos grandes vinhos feitos até hoje em Portugal. Foram estes vinhos que colocaram Estremoz no mapa do vinho, foi Júlio Bastos o seu mentor e a casta Alicante Bouschet a máxima responsável por tudo isto. A casta que veio morar para o Alentejo (Herdade do Mouchão) e que depois deu um saltinho até Estremoz uma vez que as duas famílias se cruzaram. 

Apesar dos mais de 130 anos que a Quinta Dona Maria leva a fazer vinho, foi apenas nos finais dos anos 80 quando João Portugal Ramos assumiu a enologia da casa. A aventura durou pouco, JPR saiu e depois foi altura do descalabro, em 1992 vendeu-se metade da empresa para os Domaines Barons de Rothschild, foi arrancada a vinha velha de Alicante Bouschet para plantar Cabernet Sauvignon. Dos então 80 ha de vinhedo velho nos dias de hoje apenas restam 2 ha que estão na posse de Júlio Bastos e dão origem ao Júlio B. Bastos, em homenagem ao seu pai Júlio Bandeira Bastos.

Sobre o vinho em causa, resulta do lote de Periquita, Trincadeira e Alicante Bouschet, a prova que dá é um claro exemplo de que alguns vinhos é com tempo que se sabem mostrar. Não quero dizer que em novos não se consigam beber, mas precisam de tempo, precisam de ficar esquecidos para quando abertos nos deixarem sem palavras. Este Garrafeira não mostrou sinais de cansaço, vinho adulto, maduro e muito sério, nobremente evoluído com um bouquet ultra refinado e complexo.
Notável balanço entre as componentes do vinho (acidez, taninos e álcool) em conjunto de grande limpeza aromática com terciários de grande qualidade. Na boca tem boa presença, volume e persistência, frescura e fruta que se faz sentir. Vinho de prazer, no meio mora aquele toque terroso, meio agreste que tão bem liga com carnes no forno. É vinho de culto, clássico de cima a baixo mas ao mesmo tempo é vinho para a mesa, que com a prova que dá neste momento é de se beber e chorar por mais... 96pts


31 outubro 2012

Dona Maria Rosé 2007

Tenho procurado insistentemente por um vinho rosado (rosé) que me preencha os requisitos essenciais a modos de fazer parte da minha garrafeira, que tenha estrutura, acidez e qualidade na fruta mais que suficiente para o poder consumir em novo mas que dure algum tempo na cave, eu gosto de um rosé com algum tempo de cave, como este por exemplo. E para encontrar um que consiga atingir aquilo que quero, esta tarefa tem sido algo complicada, os vinhos que vou escolhendo por mais que me agradem nunca me chegam a convencer na sua totalidade, então quando bate o açúcar residual a coisa é logo encaminhada para o esquecimento. 
Depois do Covela, que era Palhete, se ter extinguido andei à deriva, prova aqui prova acolá, assentei finalmente no rosé da Dona Maria (Estremoz). Um vinho que vi "nascer" e vi como no passar dos tempos tem vindo a ser melhorado a cada ano que passa, é hoje para mim o rosé que mais prazer me dá, aquele que faço questão em ter e que se dá maravilhosamente bem com uns anos em garrafa. O vinho de que falo é o Dona Maria Rosé 2007, já passaram 5 anos e o vinho continua em grande forma, cheio de saúde, muito perfumado, mais sereno mas com uma elegância que acho fantástica, a acidez ainda está presente, a suficiente para em conjunto com umas excelentes lulas servidas no Solar dos Pintor (Loures) me deixar plenamente satisfeito. Porque aquela untuosidade da lula combinava na perfeição com a frescura do vinho, tanto de aromas como de paladar tudo se casava em grande harmonia. Estava para não atribuir qualquer nota, mas ainda dizem que tenho dualidade de critérios e como tal aqui ficam os 17 valores, arriscando mesmo em afirmar que está melhor agora do que quando saiu para o mercado. Fica pois o aviso, se por sorte o encontrar perdido numa prateleira não o deixe fugir... eu já ando a tentar caçar mais algumas.
Foto by Nuno Ciríaco
 
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