Copo de 3: 1992
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19 fevereiro 2016

Quinta das Bágeiras Velha Reserva Bruto Natural 1992

É sempre um privilégio poder provar vinhos cuja história nos é contada na primeira pessoa pelo próprio produtor, neste caso Mário Sérgio da Quinta das Bágeiras (Bairrada). Estamos perante um espumante Bruto Natural resultante do blend das castas Maria Gomes, Bical, Rabo de Ovelha e Cercial, cujo dégorgement foi feito em 2015 o que faz toda a diferença. Como foi dito, Mário Sérgio guarda na sua cave alguns espumantes que vai deixando envelhecer e lançando na passada do tempo, sendo este exemplo de uma curta tiragem que viu a luz do dia. Com 24 anos mostra-se vivo da silva com uma refinada complexidade que o faz crescer no copo, mostrando um bolha cheia de vivacidade que vai bailando com alegria. Ligeiro fruto seco num perfil que se mostra austero como os brancos que ali nascem, secura e mineralidade com fruta amarela em passa, ervas de cheiro. Conquista o palato entre sabores da fruta e ligeiro fruto seco, depois vem a austeridade mineral e uma apetecível secura de fundo que o faz brilhar sozinho ou acompanhado e se for à mesa ainda melhor. 94 pts

23 janeiro 2015

José Maria da Fonseca Garrafeira TE 1992

Dando continuidade a vinhos onde a Castelão mostra todo o seu esplendor, neste caso apenas 65% já que dos restantes ficou encarregue a Cabernet Sauvignon, das vinhas situadas na Quinta de Camarate (José Maria da Fonseca) plantadas em solos Argilo-Calcários. Este TE (Tinto Especial) sofreu um longo processo de estágio, quer em madeira quer em garrafa, antes de ser colocado no mercado. Aqui a presença da Cabernet Sauvignon faz toda a diferença e atira o vinho para um registo bem diferente daquilo que o CO e o RA nos mostram.

A rápida evolução que a Castelão mostra ter em garrafa fica aqui suportada pela Cabernet Sauvignon, o vinho nesta altura encontra-se macio e delicado, com bouquet de grande qualidade onde as castas se combinam muito bem com a madeira. Harmonia total de um conjunto que apresenta o normal desgaste do tempo, pedindo paciência e pratos delicados, como por exemplo um arroz de pato no forno. 92 pts

29 dezembro 2014

Quinta de Foz de Arouce 1992


Este Quinta de Foz de Arouce 1992 é um claro exemplo de mais um dos grandes vinhos feitos em Portugal, com a capacidade e atrevimento que poucos conseguem ter passados 22 anos, é obra. Nasceu na Quinta de Foz de Arouce (Beiras), pertença de João Filipe Osório de Meneses Pitta, com enologia de João Portugal Ramos que em 1987 lança no mercado o primeiro Quinta de Foz de Arouce. As vinhas velhas que lhe deram origem foram plantadas em 1940, manda a Baga localizada em solo predominantemente xistoso com aluvião. Com a plantação de novo vinhedo em 2000 surge com a colheita 2003 um novo conceito, o vinho das vinhas velhas passa a ser chamado Quinta de Foz de ArouceVinhas Velhas de Santa Maria, enquanto o vinho proveniente das vinhas novas o Quinta de Foz de Arouce.

Exemplo de uma Baga adulta e séria, aromas limpos com muita complexidade e frescura a embrulhar todo o conjunto. Debita muita classe no copo, bouquet de gabarito, aromas frescos e refinados, marcados pelo tempo mas sem nunca perderem o encanto, flores, fruta com mirtilos e cereja bem sumarenta em destaque, especiarias e algum terroso à mistura, muita classe num conjunto requintado e conquistador. Na boca repete uma prova de prazer, frescura com a fruta bem madura a marcar presença, especiaria com notas terrosas, profundo e conversador. 95 pts

23 novembro 2009

Paço dos Infantes 1982 / Vila Santa 1992

João Portugal Ramos licenciou-se em Agronomia pelo Instituto Superior de Agronomia. Estagiou no Centro de Estudos da Estação Vitivinícola Nacional de Dois Portos, após o que iniciou em 1980, no Alentejo, a actividade de enólogo-gerente da Cooperativa da Vidigueira. Sairia passado pouco tempo, passando ainda pela produção de azeite em 1982, ano em que iria ganhar o prémio de Melhor Vinho na Produção, com o tinto Paço dos Infantes 1982.
A partir da experiência acumulada, João Portugal Ramos constituiu a sua primeira empresa Consulvinus no final da referida década com o objectivo de dar resposta às inúmeras solicitações de vários produtores, Tapada do Chaves, Cooperativa de Reguengos, Quinta do Carmo, Cooperativa de Portalegre. A partir de 1989, a Consulvinus alargou a sua actividade para além do Alentejo, chegando ao Ribatejo, Península de Setúbal, Dão, Beiras, Estremadura e Douro.
Em 1990, João Portugal Ramos plantou os primeiros cinco hectares de vinha em Estremoz, onde vive desde 1988, dando início ao seu projecto pessoal. O emblemático Vila Santa nasce em 1991, nos anos que se seguiram o vinho foi elaborado em instalações arrendadas, sendo 1997 o primeiro ano em que foi vinificado nas novas instalações. A construção da adega em Estremoz, no Monte da Caldeira, iniciou-se em 1997, tendo sido ampliada em 2000.
O sucesso e os prémios acumulados pelos "seus" vinhos ao longo da sua carreira valeram-lhe o reconhecimento nacional e internacional como um dos principais responsáveis pela evolução dos vinhos portugueses.
Em prova dois dos vinhos que de certa forma marcaram o percurso de um dos grandes enólogos de Portugal, o Paço dos Infantes 1982 e o Vila Santa 1992.

Paço dos Infantes 1982
Castas: n/d - Estágio: n/d - 12,5% Vol.

Tonalidade ruby escuro vivo e limpo com ligeiro toque acastanhado no rebordo.

Nariz onde a fruta que aparece, ainda carrega alguma dose de frescura, a suficiente para dar alguma vivacidade ao vinho. Em perfil de fina complexidade e cheio de bons modos, onde todo o bouquet se enquadra numa moldura de madeira muito fina, com toques de caruma, pimenta, folha de tabaco, com o travo morno do cacau e o suave adocicado da ameixa passa.

Boca a mostrar-se com bom corpo, sedoso na boca, com aquela frescura que não esperávamos encontrar passados 27 anos. Fruta ainda com algum sumo/vigor, especiaria, bombom de ginja, toque de balsamo vegetal em segundo plano. Uma valente surpresa a prova que proporciona, num completo entendimento e mesmo complemento do encontrado na prova de nariz, em final de persistência média.

Não passam despercebidos os 12,5% Vol. com que se apresenta, a mostrarem que são mais que suficientes para que um vinho sobreviva longos anos sem grandes mazelas. É sempre um prazer reencontrar um velho conhecido, talvez dos primeiros vinhos que tive a oportunidade de provar enquanto me iniciava nestas andanças dos vinhos, perdi-lhe o rasto e tornei a encontrar-me com ele. Os sinais da idade estão presentes, como em todos nós, mas o traços gerais pelo qual o conhecia, esses não mudaram.

Vila Santa 1992
Castas: n/d - Estágio: n/d - 13% Vol.

Tonalidade ruby escuro de concentração média com rebordo acastanhado.

Nariz a dizer que por ali o melhor já passou, é caso para dizer que se chegou tarde ao apelo que vinha fazendo faz alguns anos. Ainda que com alguma compostura o vinho mostrou sinais de cansaço, os aromas começam a perder frescura e a ficar predominantemente secos e moribundos, a fruta perde vigor... De tudo isto resulta um conjunto algo baralhado, confuso, com notas de verniz, barro seco, couro, ameixa seca, pimenta, e alguma fruta o suficientemente fresca para se fazer notar. Caindo claramente nos aromas terciários, não será certamente esta a prova que se esperava.

Boca um pouco melhor que no nariz, com leve frescura, pimenta preta, cacau, couro, tabaco. Gostei bem mais da frescura que apresenta, dando uma passagem de boca sedosa e harmoniosa, embora sem grande concentração ou espacialidade. Fino e harmonioso dentro do que a idade, neste caso, o permite.

Será que a garrafa não estava nas melhores condições ? Ao que respondo após recente prova que o vinho se mostrou bem melhor. No entanto seria um vinho de segunda colheita, a primeira terá sido em 1991.
 
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