Pela alta acidez que a casta Sercial transporta para os vinhos, é a que mais tempo necessita para se desenvolver e mostrar em garrafa. Um belíssimo exemplar da casta, a mosrar-se com muitas notas de iodo, muita amêndoa salgada, laca, complexidade e elegância, caramelo com casca de limão cristalizada ao mesmo tempo que debita uma frescura bem afiada a embalar toda a prova. Grande presença no palato com ligeira untuosidade de frutos secos salgados, iodo, raspas de citrinos, muita emoção e sabor, mais uma vez a acidez em destaque num vinho a todos os níveis inesquecível. O preço de uma garrafa ronda os 390€ 96 pts
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30 abril 2018
14 janeiro 2015
José de Sousa Rosado Fernandes 1940
O fascínio por estes vinhos vem dos meus tempos de criança, relembro as conversas que se tinham à mesa nos jantares de família, um desses nomes era um tal de Tinto Velho que tanto Natal acompanhou. Ora esse mesmo Tinto Velho é proveniente da Casa Agrícola José de Sousa Rosado Fernandes (Reguengos de Monsaraz), onde o prestígio e a história se aliam a tradicionais técnicas de vinificação, desde os lagares, passando pelos tonéis, às tradicionais talhas de barro.
Detalhe de data em tonel
É nas imponentes talhas que reside toda a magia e encanto destes vinhos, é daquelas porosas paredes que se transmitem anos de saber a todos os vinhos que por lá passam. Pelo meio ficou esquecida toda uma arte de fabrico que dificilmente irá voltar, resta pois venerar e contemplar todo o património que reside na Adega dos Potes e saborear os vinhos que ali são criados. Os rótulos contam que por ali já se faz vinho pelo menos desde 1878, os registos são parcos e apenas a glória dos vinhos que perduraram no tempo nos conta a história de tão gloriosa casa, como o épico o Tinto Velho 1961 ou aquele que é um dos mais emblemáticos do historial vínico de Portugal, o Tinto Velho 1940.
Vinha velha na Herdade do Monte da Ribeira – Foto cedida por José Maria da Fonseca
Tudo começa na Herdade do Monte da Ribeira, onde se encontram os 72 hectares de vinha, em solos de origem granítica, que foi plantada ao longo dos anos tendo o próprio José de Sousa plantado ali vinha no princípio dos anos 50. Castas como Trincadeira, Aragonês, Grand Noir… fazem parte dos encepamentos e são nos dias de hoje a base dos vinhos José de Sousa.
Adega de Potes – Foto cedida por José Maria da Fonseca
Estas últimas referências fazem parte do portfolio do produtor José Maria da Fonseca que em 1980 começou a engarrafar os vinhos da Casa Agrícola José de Sousa Rosado Fernandes e após a aquisição em 1986 concretiza o sonho de poder produzir vinho no Alentejo. Foi nessa altura que viria a ser descoberto debaixo de um monte de sacas de carvão um lote de garrafas do Tinto Velho 1940, um vinho cuja qualidade e longevidade iria servir de meta a alcançar na elaboração dos “novos” José de Sousa.
Assim em 1990 a marca ganhou novo rumo, dividiu-se em duas e por um lado ficou-se com um pequeno José de Sousa, por outro com um pura raça Alentejano de nome José de Sousa Mayor (Garrafeira). O mais pequeno é a continuidade com retoques da nova enologia, mais apelativo e satisfaz plateia alargada, o Mayor é a tentativa de ir ao encontro dos grandes vinhos da antiga Casa Agrícola, mais recente surge o J de José de Sousa o novo topo. Os três têm no coração a bondade da Talha, do barro do Alentejo, da tradição e dos tempos que dificilmente vão voltar.
José de Sousa Rosado Fernandes 1940 – Foto cedida por José Maria da Fonseca
José de Sousa Rosado Fernandes 1940
São 74 anos de vida de um verdadeiro ícone da enologia em Portugal, a todos os níveis memorável e a mostrar uma saúde invejável, com bastante frescura que lhe ampara todo o conjunto. Escuro e glicérico, rebordo acastanhado a mostrar que o tempo já passou por ele, muito complexo com terciários luxuosos, notas de ameixa e alguma compota, chocolate de leite, flores, notas de barro. E de repente o tempo para e damos conta que estamos perdidos no meio do copo por entre um mar de aromas. Fantástico.
São 74 anos de vida de um verdadeiro ícone da enologia em Portugal, a todos os níveis memorável e a mostrar uma saúde invejável, com bastante frescura que lhe ampara todo o conjunto. Escuro e glicérico, rebordo acastanhado a mostrar que o tempo já passou por ele, muito complexo com terciários luxuosos, notas de ameixa e alguma compota, chocolate de leite, flores, notas de barro. E de repente o tempo para e damos conta que estamos perdidos no meio do copo por entre um mar de aromas. Fantástico.
08 dezembro 2014
Justino´s, Madeira Wines
A tradição do vinho na Madeira é secular, tudo começou no século XV quando o Infante D. Henrique ali mandou plantar vinhas de Malvazia/Malmsey importada da Grécia. Passados mais de 500 anos o Vinho Madeira tornou-se um dos ícones do Mundo do Vinho, quer pela longevidade quer pela qualidade, marcando presença em acontecimentos tão marcantes como por exemplo a Declaração da Independência dos Estados Unidos a 4 de Julho de 1776.
Na recente viagem à Madeira uma das empresas visitados foi a “Justino´s, Madeira Wines, S.A.” criada em 1953 mas cujo fundador foi Justino Henrique Freitas em 1870 quando ainda era uma companhia familiar conhecida como Vinhos Justino Henriques (V.J.H.). Em 1981 Sigfredo da Costa Campos compra a empresa e amplia o seu valor com a compra do stock da Companhia Vinícola da Madeira. Associa-se em 1993 ao grupo Francês “La Martiniquaise” e em 1994 muda-se das instalações no centro do Funchal para o Parque Industrial de Cancela onde se encontra até hoje. Com a sua morte em 2008 a empresa, passou a ser detida na totalidade pelo grupo Francês.
Alinhamento dos 10 Anos (Sercial, Verdelho, Boal, Malvazia*) © Blend All About Wine, Lda.
A prova, excelente por sinal, foi realizada nas atuais e modernas instalações onde me deixou alguma saudade aquela atmosfera tão característica das adegas mais antigas por onde a passagem do tempo deixou as suas marcas e histórias. Felizmente essa carga nostálgica passou de imediato com a excelência dos vinhos que me iam sendo servidos.
Antes do destaque daqueles que mais gostei, um pequeno apontamento sobre os Justino’s 10 Anos das castas mais conhecidas (Sercial, Verdelho, Boal, Malvazia), vinhos que nos oferecem uma intensidade e maturidade acima da média. E é muito provavelmente a partir de aqui que se começa a melhor entender o “Mundo Madeira” em vinhos cuja harmonia de conjunto se mistura num bouquet mais adulto e que já nos permite sonhar com os patamares mais altos.
Justino’s Terrantez Old Reserve © Blend All About Wine, Lda.
Justino’s Terrantez Old ReserveA Terrantez é uma casta rara e quase extinta, que envolve os vinhos a que dá origem com uma capa de mistério e fascínio. Estamos perante um vinho com mais de quarenta anos, alguns apontamentos tal como os toques esverdeados no rebordo indicam que pode ser bem mais velho que isso. Um vinho concentrado e profundo, notas de iodo, caril, laca, madeira de casco velho, frutos secos com bolo inglês, exótico e misterioso. Boca com entrada que envolve e forra o palato com travo untuoso de nozes e amêndoas, geleia de laranja, enorme elegância com aquela acidez que conquista num final muito longo e persistente.
Justino’s Sercial 1940 © Blend All About Wine, Lda.
Justino’s Sercial 1940Pela alta acidez que a casta transporta para os vinhos, é a que mais tempo necessita para se desenvolver e mostrar em garrafa. De todos o meu favorito com muitas notas de maresia, muita amêndoa salgada, laca, complexidade e elegância, mel com casca de laranja cristalizada ao mesmo tempo que debita uma frescura bem afiada a embalar toda a prova. Grande presença no palato com ligeira untuosidade de frutos secos salgados, iodo, raspas de citrinos, muita emoção e sabor, mais uma vez a acidez em destaque num vinho a todos os níveis inesquecível.
Justino’s Verdelho 1954 © Blend All About Wine, Lda.
Justino’s Verdelho 1954Um vinho que emana frescura e energia, complexidade a rodos num conjunto denso e até algo cerrado de início com aquele toque de limão muito maduro em geleia, chá verde, ramalhete de flores na companhia de nozes, muita vivacidade em conjunto pujante e seco. Boca em contraste com os aromas, cheio de sabor com notáveis apontamentos onde se destaca a secura que revitaliza o palato e convida a mais um trago, sempre com muito sabor e ligeiro toque de untuosidade num vinho que termina apimentado e com um enorme final.
Justino’s Malmsey 1933 © Blend All About Wine, Lda.
Justino’s Malmsey 1933
Um grande vinho que mostra a razão pela qual não há vinhos comparáveis com os grandes Madeira, aqui a longevidade coabita com uma complexidade/frescura difícil de encontrar noutro local. Este é dos grandes, daqueles que conquista no imediato, sente-se por natureza da casta que é mais doce e “pesado” que os provados anteriormente. Grande complexidade com notas de caramelo de leite, passas de figo, laca, frutos secos, elegância entre conjunto e aquela acidez necessária que lhe dá enorme vida, café moído, caixa de charutos, especiarias, tudo muito bem pronunciado numa perfeita harmonia entre nariz e boca. Palato com passagem untuosa e fresca, com aquela pontinha doce no final que o torna pecaminoso.
Publicado a Dezembro 8, 2014 em Blend - All About Wine
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