A CARMIM lança o seu vinho de talha de nome Tarefa em homenagem ao antigo recipiente de barro utilizado durante gerações para armazenar pequenas quantidades de produtos tradicionais, neste caso as tarefas eram onde nasciam os vinhos caseiros antigamente. Este tinto de 2019 é criado a partir de vinhas velhas onde despontam castas como Alicante Bouschet, Castelão ou Moreto. O preço é de 12,99€ na loja online do produtor. Mostra-se muito atraente de aromas com a fruta muito fresca e roliça a aparecer e a dominar no imediato, o barro faz-se notar em conjunto com algum vegetal/ervas de cheiro e tom mais terroso no fundo a encaixar muito bem. Destaco a acidez no palato com a fruta suculenta e muito limpa, muito prazer a beber e a acompanhar pratos de gastronomia regional como uma perna de borrego assada no forno. 92 pts
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26 outubro 2020
04 agosto 2020
Fresh from Amphora 2019
A Herdade do Rocim junta-se ao projecto Nat Cool criado pela Niepoort, com este puro tinto de talha, onde o que se pretende são vinhos leves e fáceis de beber. As castas escolhidas foram as tradicionais Moreto, Tinta Grossa e Trincadeira. O vinho foi apenas vinificado em talhas de barro como manda a tradição e depois engarrafado. É daqueles vinhos que surpreende pela facilidade com que ficamos a gostar dele e a apetecer ter por perto, servido mais fresco a acompanhar uma boa mesa cheia de petiscos. Bem composto de aromas, cativa pela veia mais rústica que a talha confere sem mascarar os toque mais subtis de fruta ou o tom mais floral. Na boca tem uma acidez que surpreende, fruta ácida e suculenta capaz de revigorar o palato frente a uns lagartos de porco preto grelhados na brasa. Por 12€ é daqueles que dá um gozo tremendo a beber. 92 pts
30 setembro 2019
Herdade do Rocim Amphora 2017
Passo a passo a Herdade do Rocim consolidou o seu projecto, é nos dias de hoje uma referência com uma imagem ao nível da qualidade dos vinhos que nos coloca à disposição. Quando pouco se ouvia falar do Vinho de Talha, eis que foi a Herdade do Rocim responsável por um ressurgir de algo "esquecido" e que apenas tinha à altura um vinculo de "artesanato" típico de certas zonas. Com o passar do tempo esse acordar fez despertar outros tantos projectos que hoje nos brindam com grandes Vinhos de Talha. Este que aqui coloco é o Amphora tinto de 2017, um lote de Moreto, Tinta Grossa, Trincadeira e Aragonez cujo processo de vinificação é o tradicional com passagem por talhas. O perfil tem vindo a ser afinado e a cada colheita que passa, muita fruta vermelha com algum vegetal bem fresco, suculento e a puxar para a mesa, mostra-se muito limpo de aromas e com uma fantástica vontade de se beber com um assado de borrego. Ronda os 15€ em garrafeira. 91 pts
10 setembro 2019
Mamoré de Borba Vinho de Talha Branco 2018
A Sovibor (Alentejo) afirma-se em três colheitas como produtor de referência no Vinho de Talha tal a qualidade dos vinhos que ali são criados pelas mãos do enólogo António Ventura. Este 2018 foi o melhor branco no I Concurso de Vinho de Talha realizado este ano. O preço a rondar os 22€, destaca-se pela definição de aromas que as uvas de vinhedo velho onde brilha a casta Antão Vaz. Um vinho de memória, a mesma memória e história que as talhas onde nasceu transportam dentro de si. Conjunto que se esbate em notas de cera de abelha a dar alguma untuosidade, tangerinas, flores e tisana. Na boca claramente a pedir comida, marcado pela fruta, novamente o toque ceroso, textura muito marcante com frescura e secura que lhe prolonga o final. 93 pts
31 maio 2019
I Concurso de Vinhos de Talha 2019 - Vencedores
No passado dia 25 de Maio, decorreu nas instalações da Sovibor o I Concurso de Vinhos de Talha 2019. O Concurso contou com a presença de 31 vinhos e teve como objectivo escolher o melhor de cada categoria, Branco e Tinto. Foi unânime a decisão final do júri que ditou como vencedores:
MELHOR VINHO DE TALHA BRANCO
Mamoré de Borba Vinho de Talha Branco 2018
MELHOR VINHO DE TALHA TINTO
Mamoré de Borba Vinho de Talha Tinto 2018
I Concurso de Vinhos de Talha 2019
O vinho de talha é uma paixão que me acompanha vai para mais de 20 anos. A um grande amigo que já partiu, devo grande parte deste entusiasmo e deste saber que tão pacientemente me foi passando nas longas conversas que tinhamos. Mas com o tempo ficou sempre um desejo que finalmente consegui transformar naquilo que foi a maior prova de Vinhos de Talha feita até hoje e que contou com 31 vinhos de produtores de todo o Alentejo, o I Concurso de Vinhos de Talha, realizado no passado dia 25 de Maio nas instalaçãos da Sovibor (Borba).
O Concurso foi um sucesso onde a principal regra ditava que apenas vinhos oriundos de talhas pesgadas poderiam participar. A prova foi cega e bastante animada, com muito debate entre provadores, muita partilha de opinião face à alta qualidade de todos os vinhos que participaram. Os melhores de cada mesa foram apurados para a finalíssima, com cada jurado a dizer qual o seu preferido e a contagem feita por todos, assim nunca haveria enganos e o vencedor seria claro e inequívoco. No próximo post irei divulgar quais os dois vinhos que foram considerados Melhor Vinho de Talha tinto e Melhor Vinho de Talha branco.
Quero deixar um agradecimento muito especial ao Sr. Fernando Tavares à Rita Tavares e ao Engº Antonio Ventura que tornaram possível tal acontecimento, um obrigado à Joana Garcia (Queijaria Monte da Vinha) ao Joaquim Arnaud (Charcutaria) e ao Fontainhas Dias (Fotografia). O último agradecimento vai para todos os que gentilmente acederam ao convite para fazerem parte do júri. Para o ano há mais.
09 maio 2019
Mamoré de Borba Vinho de Talha branco 2017
A Sovibor (Alentejo) renasceu e rejuvenesceu a sua alma cinquentenária, as suas instalações foram totalmente renovadas e as novidades surgem em cada recanto. A aposta no Vinho de Talha foi total e o resultado é surpreendente pela qualidade que os vinhos desde a primeira colheita apresentaram. Este é a segunda edição do Branco, preço a rondar os 22€, que nasce a partir de vinhedo velho onde brilha a casta Antão Vaz. Um vinho capaz de invocar memórias, conversas e mesmo recordar pessoas que o tempo já levou, um vinho de memória, a mesma memória e história que as talhas onde nasceu transportam dentro de si. Pesgadas com resina de abelha, processo mais dispendioso e menos duradouro mas que não marca tanto o vinho como as antigas pesgagens, muitas vezes a "sequestrarem" os vinhos com aromas e sabores mais vincados e menos apetecíveis.
Aqui o que encontramos para além da pureza da fruta de caroço já com alguma calda, é a frescura que se esbate em notas de cêra de abelha a dar alguma untuosidade, tangerinas, flores e tisana, ligeiro fumado. Na boca claramente a pedir comida, marcado pela fruta, novamente o toque ceroso, textura muito marcante com frescura e secura no fim a pedir umas iscas ou uns pezinhos de coentrada. 93 pts
05 maio 2019
Canena Vinho de Talha branco 2017
Nascido na Quinta da Pigarça, em Cuba (Alentejo), criado com mestria em ancestrais talhas de barro, devidamente pesgadas. Na alma leva as castas Roupeiro, Antão Vaz, Arinto e Rabo de Ovelha, sendo neste caso um branco de 2017 onde a bonita tonalidade alaranjada invoca no imediato memórias de outros tempos. Complexidade e frescura notáveis num branco que debita muitos aromas da boa evolução, cêra de abelha, resinas, tons de fruta de caroço (alperce) e citrinos maturados, a envolvente é quase que rodeada de ervas de cheiro, flores de esteva, num conjunto com uma acidez que lhe dá uma vivacidade e vertente gastronómica tipica dos vinhos de talha. Novos tempos em que em vez de o vinho ser servido em jarro vindo da talha, vem em garrafa e ronda os 10€. A qualidade e a memória está toda bem presente, tal como o cariz gastronómico. Sirva a acompanhar uns rins com miolos e faça a festa. 92 pts
25 abril 2019
Vidigueira Vinho de Talha branco 2018
Novidade da Adega da Vidigueira (Alentejo) elaborado a partir de vinhas velhas com as castas Antão Vaz, Perrum, Síria, Manteúdo, Diagalves e Larião. Parte das talhas são pesgadas e outra parte revestidas a epoxi. É um branco claramente diferenciável do que por norma nos escorre para o copo, de aromas a invocar cêra de abelha, resina, ligeira esteva em flor com aromas de frutas (citrinos, fruta de pomar) maduras e passa de uva branca. Na boca mostra-se amplo e com sabor vincado onde brilha a fruta, novamente o travo de levedura e cêra dá sensação de untuosidade, um pouco mais de complexidade num conjunto com uma bela frescura. São 10€ na loja da adega por um branco muito cativante e claramente a pedir mesa com perfil gastronómico muito apurado para um prato de iscas, rins, moelas, burras... 92 pts
18 março 2019
A magia das Talhas
O Vinho de Talha é e sempre será um vinho de um povo, um vinho sem terroir, sem castas associadas, acima de tudo é um vinho que carregou e carrega nele a história das gentes. Não fiquemos a pensar que é uma exclusividade nossa, puro engano, afinal este tipo de vinificação veio até nós no tempo dos romanos que a foram deixando um pouco por toda a parte, com eles trouxeram as videiras e a sua arte de fazer vinho, o Vinho de Talha. Esquecida por uns, revivida por outros, a tradição foi-se mantendo até aos nossos dias e não vou arriscar rigorosamente nada em afirmar que o boom do vinho estagiado em barro peca por tardio em Portugal, uma vez que na vizinha Espanha os ensaios e os vinhos lançados para o mercado estagiados em talhas/tinajas de barro já fazem soar as mais altas pontuações dos grandes críticos internacionais.
Por cá resta-nos acordar do entorpecimento que vivemos, resta afinar arestas e limar conceitos, porque uma tradição não pode sucumbir perante interesses nem ser desvirtuada da maneira como tem acontecido em vinhos certificados onde as talhas em vez de pesgadas são revestidas a epoxi. A cantilena da maneira como o vinho é feita já é por todos mais que conhecida e debitada em playback vezes sem conta. A verdadeira arte por detrás do Vinho de Talha está ralmente nas Talhas, é no seu fabrico onde reside toda a magia e sem elas, mas acima de tudo sem aqueles que durante séculos as criaram, hoje não teriamos Vinho de Talha nos nossos copos. Das mais pequenas às maiores com capacidades para 8000 litros e que chegam a pesar mais de uma tonelada, aos mais variados formatos conforme a zona de fabrico. Este é um documentário que invoca a memória de todos os que as fizeram e continuam a fazer, uma arte que felizmente não se encontra extinta e que como se pode ver pelo vídeo tem marcado gerações.
27 janeiro 2019
Vinho de Talha... a verdade escondida
| Foto retirada do site: http://vinhodetalha.vinhosdoalentejo.pt |
Não importa os anos
com que lido com este tipo de vinho, que para alguns é como um brinquedo novo,
não importa as vezes que o vi ser feito bebido ou provado, importa que o
fenómeno das talhas reapareceu faz menos de uma década, e que de supetão deu-se
uma corrida louca e desenfreada que colocou produtores de norte a sul de
Portugal a correrem todo o Alentejo à procura de talhas, não importa tamanho,
idade ou feitio... desde que fosse uma talha a festa está feita. Para os que
não conseguem ter uma das centenárias, inventaram-se umas mais modernaças para
não estragar a brincadeira. Depois grande parte desses vinhos nasce de forma
confusa e direi de uma forma adulterada e vai contra aquilo que sempre foi e
sempre caracterizou o vinho de talha. Há vinho que apenas toca ao de leve na talha
e passa para o inox e é de talha, é de talha aquele outro em que apenas uma %
do que lá foi feito é misturado com outro estagiado em madeira, pelo que me
arrisco a dizer que é tudo menos o autêntico vinho de talha. O engraçado é que
quem certifica (CVRA) por um lado diz uma coisa mas na hora de colocar o selo
diz outra. Senão vejamos, no site dedicado ao Vinho de Talha podemos ler que:
![]() |
| Fotografia: Talhas Pesgadas, autoria Sovibor |
"A
Impermebiabilização da Talha
A talha, por ser
porosa, necessita de um revestimento que a torne menos permeável. O método
tradicional de impermeabilização é a “pesga” ou a “pesgagem” da talha, isto é,
a rebocagem da mesma com resina de pinheiro a que se chama de pez louro. Nas
tabernas e adegas particulares também há quem utilize tintas com efeito
impermeável (tinta epoxi para revestimentos cerâmicos) que podem ser colocadas
pintando o interior da talha. Todavia, estas tintas criam um isolamento de tal
forma absoluto entre o barro e o mosto vínico, que não permitem que a talha
cumpra a plenitude da sua função, não sendo portanto uma alternativa viável por
não manter a marca nem o carácter típico desta forma clássica e natural de
vinificação."
O insólito é que
lendo o que a CVRA escreve no seu portal dedicado à promoção do vinho de talha,
ficamos a saber que: “... a talha com epoxi... não cumpre a plenitude da sua
função, não sendo portanto esta uma alternativa viável." É a mesma CVRA
que no seu "regulamento" diz o seguinte:
"2. Das
práticas enológicas Na elaboração do «Vinho de Talha» serão seguidos os métodos
tradicionais e as práticas e tratamentos enológicos legalmente autorizados,
devendo adoptar-se obrigatoriamente os seguintes processos:
a) desengace das uvas é obrigatório;
b) a fermentação
terá lugar em talhas ou potes devidamente impermeabilizados;"
Chego portanto à conclusão que perante tanto
produtor a querer ter o seu "Vinho de Talha" e dado que pesgar as
ditas não é para qualquer um, o vale tudo para ter o vinho certificado e com a
máquina do marketing a rolar, se engole a tradição que por um lado se apregoa
mas na altura que interessa, se deixa na gaveta. Deixo pois as seguintes questões:
- Não está o consumidor a ser
ludribiado quanto à autênticidade do Vinho de Talha que compra, quando este é feito numa talha revestida a epoxi, que fugindo à
tradição e que segundo site oficial, não é uma alternativa viável ?
- Em que
ponto ficam todos os produtores que seguem a preceito as regras e a tradição
face aos restantes ?
- Se forrar uma talha a inox, assegurando que fica
devidamente impermeabilizada, o vinho pode ser certificado pela CVRA como Vinho de Talha ?
24 janeiro 2017
Herdade do Rocim Amphora 2015
Não será o vinho de talha o verdadeiro vinho Alentejano ? Numa altura em que toda a gente parece perceber e saber o que é, sem por vezes nunca o ter provado, eis que o vinho de talha começa a surgir por entre a penumbra do esquecimento. Não há fome que não dê em fartura e os vinhos de talha surgiram como cogumelos por tudo o que é lado, inventa-se, aldraba-se, vale tudo para se ter qualquer coisa engarrafada que depois é vendida ao preço do ouro. Este Amphora (Herdade do Rocim) não engana e é a meu ver o melhor exemplar tinto colocado no mercado, feito em talha, com engaço total e como manda a regra. Metade Aragonês e o resto Trincadeira, Moreto e Tinta Grossa, leveduras indígenas e sem correção ácida do mosto. Tem a capacidade de nos baralhar os sentidos em prova cega e eu gosto de vinhos que nos metem a pensar, a conversar e acima de tudo a questionar. Porque o vinho é tudo isto e só depois vem aquela parte dos descritores. O vinho é todo ele frescura, fruta limpa com toques de resina e ligeiro balsâmico de fundo, leve terroso com toque verdasco do engaço que se sente e mata saudade. Tem vida pela frente mas o prazer está assegurado. 91 pts
16 dezembro 2016
Herdade do Rocim Amphora branco 2015
O vinho de talha tem renascido quase das cinzas em que o deixaram, um pó acumulado pelo tempo e pelo esquecimento dos produtores. A enologia dos tempos modernos chegou em força e as adegas artilhadas relegaram ao esquecimento as velhas talhas de barro e tantas outras histórias que haveria para contar. Mas centrando as atenções neste Amphora branco 2015 da Herdade do Rocim, preço a rondar os 10€, que se afirma como o melhor exemplar que se pode encontrar no mercado. Com toda a certeza, muitos podem ver nele um produto da moda, tem todos os tiques daquilo que muita gente anda à procura noutras paragens, noutros lugares, com a dita curtimenta que lhe acentua o sotaque, o engaço que lhe dá a firmeza suficiente para enfrentar o tempo e as rugas de uma oxidação natural neste tipo de vinho. As castas são cá das nossas (Antão Vaz, Rabo de Ovelha, Perrum e Manteúdo), o resto é o que um vinho de talha nos pode dar, uma ligeira resina, o travo vegetal fresco do engaço em fundo com o barro molhado, depois os toques de flores e as frutas de pomar bem maduras e cintilantes. Equilibrado, misterioso e com uma frescura que baralha as contas aos mais assertivos, sempre com um toque "salgado" no final do palato que nos mete a salivar e a pedir mais um copo. É vinho para se beber com comida e boa companhia por perto, não é vinho para ficar à espera até porque deste já não há mais. 92 pts
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