As Bodegas Rey Fernando de Castilla, fundadas em 1837, são consideradas como uma das pequenas jóias do Vinho de Jerez e este Oloroso explica a razão. A linha Antique é exclusiva para os topos de gama da casa, os vinhos mais raros e cuja idade das Soleras se perde no tempo, são a alma que podemos encontrar dentro da garrafa. Um vinho com estágio superior a 20 anos que se mostra com muita classe, cheio de notas de fruto seco (avelã), tabaco, caramelo de leite, laranja cristalizada, madeira velha, frescura e sensação de untuosidade a envolver todo o conjunto. Na boca é untuoso, sabores muito bem delineados com excelente harmonia entre todo o conjunto, final de grande persistência com secura presente. 95 pts
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12 fevereiro 2016
31 março 2015
Gonzalez Byass Pedro Ximénez Muy Viejo
A Gonzales Byass foi fundada em Jerez no ano de 1835 por Manuel Maria Gonzalez quando tinha apenas 23 anos de idade. Uns anos depois entra na empresa um novo sócio então distribuidor no Reino Unido de seu nome Robert Blake Byass. O tempo passou e hoje a Gonzales Byass é apenas comandada pela quinta geração da família Gonzalez cujo grande legado dos seus antepassados resulta numa enorme quantidade de vinhos velhos de enorme qualidade. A empresa detém cerca de 800 ha de vinhedo com 95% Palomino e 5% de Pedro Ximenez, sendo este o único produtor de Jerez a produzir esta variedade. O processo de elaboração começa numa vindima tardia das uvas Pedro Ximenez que são submetidas ao processo do "soleo" onde se deixam as uvas sobre esteiras ao sol, neste caso foram 20 dias. O resultado final é um vinho extraordinariamente denso que irá passar mais de 30 anos na centenária Solera de Noé. Por ano apenas 2000 garrafas vêm a luz do dia, com preço de 55€ na loja do produtor.
A pergunta inicial é quase sempre a mesma, o que esperar de um vinho com mais de 400 g de açúcar por litro? O melhor é apertar o cinto pois a experiência é sempre intensa, num vinho que se entranha e conquista de forma arrebatadora a nossa boca, todo o palato fica imediatamente refém. A complexidade aumenta conforme a qualidade e idade do vinho em questão, neste caso é um vinho com grande definição de aromas e sabores, com um balanço extraordinário de todas as componentes. Os aromas surgem por camadas com muito Bolo Inglês, as mais variadas frutas passificadas, caramelo líquido, café, caixa de charutos, muitas especiarias, muita frescura que aguenta todo o peso de forma brilhante. Boca poderosa, concentrado, muito saboroso, forra o palato, algum caril, toque do nougat, nozes, a doçura bem acompanhada por uma muito boa acidez, suave toque de nozes no fundo, longo e interminável final. Para acompanhar nada melhor que um fondant de chocolate ou uma bola de gelado de baunilha. Arrebatador. 95 pts
12 março 2015
The Moro Cookbook by Sam and Sam Clark
The Moro Cookbook by Sam and Sam Clark
(Ebury, 2003, 20,74€)
(Ebury, 2003, 20,74€)
Um bom livro de cozinha é aquele em que as receitas que nos fornece funcionam, ou seja, tudo aquilo que lemos é de forma simples capaz de ser replicado em casa sem grandes problemas. Acontece que muitos livros apenas funcionam para encher o ego do chef que assim pode dizer que tem um ou dois livros lançados no mercado, quando na prática as receitas que ali colocou nunca funcionam numa cozinha dita normal.
Este The Moro Cookbook é um dos meus livros favoritos, é daqueles em que tudo o que lá vem dentro funciona e onde nos apetece experimentar/fazer tudo o que lá aparece e por vezes damos conta que aquela ou a outra receita são repetidas vezes sem conta, como a deliciosa sopa de beterraba e cominhos, um verdadeiro sucesso aqui em casa.
Os autores Samuel e Samantha Clark são um casal apaixonado pela gastronomia de Espanha, Norte de África e Mediterrâneo Oriental. Após alguns sucessos de restaurantes em Inglaterra decidiram abrir em Londres o Moro, que literalmente significa Mouro, canalizando naquele espaço toda a sua paixão pelos diversos tipos de influências que foram recolhendo nas suas viagens. Em 2001 lançaram o seu primeiro livro, este Moro The Cookbook, que simplesmente é um recompilatório de quase 300 páginas das mais famosas receitas do restaurante. Um livro impregnado de sabores e aromas intensos, receitas fieis às origens onde apresenta alguns pratos de muito condimento e paixão, cheio de detalhes fantásticos com boas fotografias onde se explicam detalhadamente os mais variados ingredientes. As receitas funcionam muito bem e algo muito importante é a facilidade de encontrar os ingredientes necessários, o resultado é o prazer garantido à mesa. O livro é vasto e vem separado em várias secções, desde ensinar as mais variadas receitas de pão, ao fantástico Labneh um queijo feito a partir de iogurte natural, à deliciosa sopa de beterraba e cominhos ou a Raia com vinagre de Jerez, entre muitas outras...
Obrigatório para quem gosta de cozinhar.
29 abril 2014
LA BOTA DE OLOROSO (nº 14) NO
Continuo na senda dos tesouros de Jerez, desta vez uma edição muito limitada de 600 garrafas de 37,5 cl provenientes de um dos nomes grandes da região, Bodegas Valdespino. Manda a tradição em Jerez que algumas "botas" contendo vinhos mais especiais sejam marcadas com um "NO" ficando desta forma intocáveis e imunes ao sistema das soleras e criaderas. Neste caso o vinho é um Oloroso muito velho proveniente apenas de uma das várias "botas" que moram na Casa Valdespino.Esta em especial, pertence a um conjunto de 12 conhecida na adega como Colheita 1809 e que vai para longas décadas que não é comercializado, encontrando-se no catálogo das "Especialidades" da Valdespino ao lado de nomes tão grandes como Solera de Su Majestad, Moscatel Toneles, PX "Niños" ou Colheita 1820 e 1840.
Terá sido dos vinhos mais memoráveis que alguma vez tive a oportunidade de baloiçar no copo, será daqueles que mais gratas memórias invoca, que maiores sorrisos desperta e que dificilmente voltarei a ter oportunidade de tornar a encontrar. Arrebatador ao primeiro impacto, muito volátil de início com verniz, catapulta-nos para o meio das madeiras velhas e retorcidas das adegas, aquela salinidade tão marcante, complexo, profundo, com a untuosidade e concentração de um vinho que ali morou durante dois séculos, numa combinação perfeita entre aromas terciários, charutos, fruto seco, aqui mais passa, quase num tom guloso e desafiante. Mistura os amanteigados com os óleos dos frutos secos, prova de boca muito ampla, saboroso e de definição extrema, iodado, salinidade, bela frescura de um conjunto que rebola pelo palato. O final é largo e muito persistente com travo salgado e untuoso que perdura. É daqueles vinhos para beber nas calmas, abrir hoje e durar uma semana inteira porque a cada fim de noite a experiência que nos proporciona é diferente. Se tiver de comparar com o NPI achei que este NO apenas perde por ligeiríssima margem um pouco na definição, uma heresia perante monstros sagrados e o gosto pessoal a trabalhar. 99 pts
14 abril 2014
LA BOTA DE AMONTILLADO VIEJÍSIMO (nº5) NPI
Na vida de enófilo há momentos únicos e que desejamos um dia poder repetir. Este é mais um desses casos, passados tantos anos do seu lançamento e da primeira vez que o bebi, eis que me volta a cair no copo. Como breve nota introdutória este é o vinho mais antigo da casa Sánchez Ayala, está dentro de uma velhíssima bota (barril) rotulada com as letras ''NPI''. Quando o penúltimo capataz da adega, reformado no início do séc. XXI, ali chegou nos anos 60 do passado século, já morava no seu interior um amontillado muito velho. Desde essa altura, praticamente ficou intacto, de facto a primeira saca que merece tal nome é a que a Equipa Navazos realizou em Janeiro de 2007, duzentas meias garrafas, quantidade equivalente a 15% do conteúdo da bota. O volume que se tirou foi reposto com outro amontillado muito velho a fim de assegurar a continuidade deste fantástico vinho, cuja idade média é difícil de estabelecer, devendo rondar os 100 anos. A sigla ''NPI'' não deixa de ser curiosa, a explicação dada por um dos históricos donos da adega é que na altura de estabelecer uma idade para o referido vinho, disse: Ni Puñetera Idea.
E é nesta onda de mistério, tradição e exclusividade tão intimamente ligadas a Jerez, que este Amontillado literalmente nos esmaga com aquilo que mostra em prova.Um vinho que não é de fácil abordagem, precisa de tempo e dedicação, precisa que haja vontade de se querer entender o que nos tem para dizer, intrigante, fascinante e de uma complexidade enorme, um autêntico vinho de compêndio onde nada parece falhar ou ficar esquecido. De inicio há que dar tempo para as lacas e verniz saltarem borda fora, cesta de frutos secos com toque de iodo, toque muito salino a fazer lembrar a maresia, barrica velha, fruta cristalizada (laranja), cardamomo, anis estrelado... Na prova de boca é arrebatador, desafiante para o palato com inicio a mostrar aquele toque de fruto seco, ao mesmo tempo salgado num todo embrulhado pela untuosidade (nougat) adquirida ao longo das décadas de estágio, arredonda nos cantos com imposição total no palato, marcante, caramelo torrado, com uma frescura que lhe corre pela alma. Direi mesmo que não tem fim. São vinhos como este que me fazem sonhar, tudo fica parado à minha volta, silêncio, apenas eu e o copo. 100 pts
25 março 2014
Valdespino Don Gonzalo Oloroso 20 Anos VOS
A capacidade de nos deixar sem palavras e de causar enorme impacto face à qualidade apresentada continua a ser um forte aliado a vinhos como este que agora falo. Valdespino é nome grande no mundo de Jerez, daqueles que tem lugar cativo no Olimpo, cujos vinhos são verdadeiros tesouros da enologia. Este Don Gonzalo é proveniente de uma Solera fundada em 1842, com um estágio superior a 20 anos em botas em que o resultado final é um vinho muito sério e ao mesmo tempo fascinante. Conjunto complexo e muito rico, textura cremosa, untuoso, com notas de frutos secos torrados e salgados, charuto e madeira velha, caramelo, tudo muito elegante. Boca com palato a ficar completamente preenchido, frutos secos salgados, untuosidade com toque melado, poderoso e intenso mas ao mesmo tempo harmonioso e acolhedor. Torna-se irresistível e apetecível, no fim ficamos a rodopiar a copo e a cheirar mais do que uma vez o fantástico bouquet que vai desenvolvendo. Custou coisa de 27,75€ em loja online. 96 pts
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01 novembro 2013
Gutierrez Colosía Palo Cortado Viejisimo
Herdeiras de uma longa tradição, as Bodegas Gutierrez Colosía (Jerez) cuja primeira adega foi construída em 1838 mantendo-se até aos dias de hoje, passando por vários proprietários até principio do século XX em que são compradas por D. José Gutiérrez Dosal (bisavô da actual geração da família Gutierrez Colosía). Este Palo Cortado é um vinho raro e um tesouro guardado na adega por mais de 50 anos, a quantidade que é lançada no mercado anualmente é diminuta e ronda as 500 garrafas de 375ml.
Mais de meio século de clausura faz com que tenha atingido uma complexidade muito bonita a todos os níveis, profundo com nariz pungente onde despontam aromas iniciais de verniz, muito fruto seco tostado (amêndoa e avelã) barrados por toque amanteigado, creme pasteleiro, tâmaras, laranja caramelizada, madeira velha, envolto num ambiente que aporta a sensação de untuosidade. Na boca entra cheio de sabor, ligação directa à prova de nariz, acidez muito presente envolto por untuosidade, amêndoa, avelã, toque salino, tem muito boa presença num final de enorme persistência.Como se pode ler no rótulo, é um grande vinho de meditação, sozinho ou acompanhado. 95 pts
11 outubro 2013
Lustau Manzanilla Papirusa
Depois de uma tarde de brincadeira no parque com o meu filho, chego a casa com um saco de mexilhões frescos à minha espera e prontos a saltar para o tacho. Será dos bivalves aquele que mais consumo, a panóplia de formas como se podem cozinhar fazem deles uma constante à mesa aqui por casa. No frigorífico quase sempre está um vinho de Jerez, para ser servido bem fresco e do mais recente lançamento no mercado, desta forma aproveita-se ao máximo a frescura e delicadeza dos seus aromas e sabores.
Neste caso é da Emílio Lustau, fundada em 1896 por Don José Ruiz-Berdejo, uma Manzanilla cuja média de idade em Solera ronda os 5 anos. Mostra-se de forma clássica e como manda a regra, sem complicar é das melhores dentro do seu estilo. Intensa, fina, definição de aromas muito salutar com salinidade que se sente logo de inicio em companhia de notas de "flor", flores secas, maçã, amêndoa levemente torradas. Boca muito elegante com uma salinidade suave, secura e ao mesmo tempo ligeiro arredondamento dado por sensação de untuosidade, complexo, estruturado e muito bem balanceado no peso e frescura, final de fruto seco persistente. O preço ronda os 10€ num autêntico tanque de combate à mesa, acompanha desde sushi até peixe frito, marisco... com a magia de que se utilizado na cozinha catapulta o resultado final para níveis muito altos de prazer. 93 pts
21 dezembro 2012
Nectar PX Gonzales Byass
Ainda nos vinhos da Gonzales Byass, salta para o copo o Nectar, um vinho doce elaborado a partir da uva Pedro Ximenez. Desta vez estamos na denominação de Jerez, onde o processo de passificação ao sol se mantém, beneficiando do clima e do terroir, com estágio neste caso que rondou os 8 anos. Volto a escrever que é vinho doce, para muitos bastante doce, chega a ser meloso no copo devido à alta densidade provocada pela quantidade de açúcar presente.
O que o difere por exemplo do já aqui falado Alvear ? Este é mais fresco, menos pesado e menos denso, surge doce mais mais delicado na prova que dá. No aroma cheio de praliné, uva passa, café e caramelo. Lá no fundo o amparo da madeira velha, aquele toque do bombom de licor. Somos rodeados de aromas doces, na boca a entrada é redonda e ampla, frescura suficiente, depois é uma passagem com untuosidade, rola sobre a língua e deixa sabores de tâmaras, caramelo, avelâ, dando um final largo e com boa persistência. É vinho que se bebe a qualquer altura do dia, liga bem com chocolate preto, liga bem misturado com um gelado de nata e frutos secos. Embora mais fresco não me conseguiu cativar tanto como outros exemplares que conheço, fica a sugestão que se consegue comprar por cerca de 8€. 91pts
Leonor Palo Cortado Gonzales Byass
Foi lançamento recente, foi coisa que deu que falar e muito, a sua apresentação com respectiva prova comentada pelo enólogo foi realizada online, com apoio de meios como Twitter e Facebook. Foram enviadas amostras para vários provadores, eu fui um dos que o recebeu e deixo aqui o meu testemunho sobre mais um fantástico Palo Cortado, desta vez elaborado pelas Bodegas González Byass. A minha inclinação por este tipo de vinhos não é recente, vai para muito que os bebo (mais que provar) e sempre à mesa com amigos à volta, tornando-me a repetir digo que são vinhos para a mesa, altamente gastronómicos e reis e senhores da harmonização com o impossível e toda a parafernália de tapas, pintxos e petiscos que se possam colocar antes e durante a refeição.
Depois a malta gosta de complicar aquilo que é simples, num vinho como este o que liga bem será sempre um queijo Manchego em modo Reserva, tipo Boffard ou para esticar a corda um bom torrão de gema tostada, delicadamente surpreendente.
Dotado de um rico e complexo aroma, mistura o nariz de um amontillado com a boca de um oloroso, passou 12 anos em estágio e o preço ronda os 20€. Delicioso, incisivo com notas de verniz e profundo, especiarias com caixa de charutos, amêndoa torrada, avelã que lhe confere quase um toque cremoso tanto em nariz como na boca, aquela madeira velha em tom morno com algum caramelo, prazenteiro com fruta cristalizada, bom de cheirar, toque salino e iodo Todo ele transpira harmonia, boca com boa presença e uma belíssima entrada, preenche todo o palato, vincado, seco, longo, com frutos secos, belíssima acidez, ao mesmo tempo suavidade na sua passagem, baunilha, salinidade em fundo com final longo e de boa persistência. Um exemplar a ter muito em conta. 93 pts
12 novembro 2012
Sanchez Romate Palo Cortado Regente
Se algo define a magistral arte que é o vinho de Jerez, o nirvana é atingido no Palo Cortado. Se fosse possível definir ou condensar toda aquela magia, todo aquele saber secular, é na genialidade de um Palo Cortado que eu o tentaria fazer. Este vinho vive no limbo entre o Amontillado e o Oloroso, numa fina e misteriosa linha, e é sem dúvida alguma o mais complicado estilo de vinho para se ser explicado, a sua classificação envolve um saber que passa de geração em geração, o que para uns poderia ser para outros não é, varia de adega para adega, quase que poderei afirmar que varia de família para família. Um vinho muito singular, cuja prova não deixa ninguém indiferente. Volto novamente aos Sanchez Romate para falar do Palo Cortado Regente, um vinho Reserva Especial que passou mais de 15 anos em bota e cuja prova conquista pela fantástica finesse, complexidade e elegância de nariz com boa intensidade e expressão, profundo, triviais frutos secos, verniz, aqui alguma passa branca, baunilha, toque fumado. Um nariz que recorda por momentos um Amontillado embora de perfil mais fino e mais macio. Na boca complementa-se muito bem, mais cheio, com bom volume, seco, fruta passa, fruto seco, frescura, finura e presença, muito boa definição, final com sensação de ervas aromáticas, rosmaninho, tomilho, tudo muito suave e com um final de belíssima persistência. Ligações pecaminosas com guisados ou até mesmo com um bom queijo curado velho. Mesmo sendo este aquele que durante a prova que organizei mais se destacou entre os presentes, pessoalmente o meu eleito foi o Amontillado, gosto pessoal a trabalhar. 94pts
Sanchez Romate Amontillado NPU
Continuarei a falar sobre os vinho de Jerez, desta vez um Amontillado classificado como Reserva Especial das Bodegas Sanchez Romate, fundadas em 1781 e até aos dias de hoje uma das mais importantes referências dos vinhos de Jerez. O vinho de que falo é um Amontillado cujo tempo de estágio em bota é superior a 30 anos, acima destes ainda vem a gama alta com os Old & Plus. Pessoalmente é o estilo Amontillado que faz as minhas delícias nos vinhos de Jerez, a par dos Palo Cortado, é também dos produtores que mais prazer me proporciona com os seus produtos, cujos preços se revelam excelentes face à qualidade apresentada, este rondou os 10€. Repito mais uma vez, são vinhos que precisam de comida por perto, que gostam de ter companhia, são vinhos ignorados e subvalorizados pelos enófilos, vinhos que quando são descobertos se revelam fantásticos. Este "menino" não fugiu à regra e deu bastante que falar durante a prova, admiração, espanto, deixa lá provar outra vez que a complexidade é grande e o vinho é muito bom, só custa isso, onde se compra... Non Plus Ultra. Para quem desconhece, um Amontillado é um Fino que teve um estágio extra sem a camada de leveduras "flor" presente, o vinho entrou por isso num lento processo de oxidação, com resultados fantásticos como é o caso.
É um vinho envolvente, que nos abraça com aromas mornos, muita harmonia com avelã e amêndoa torrada, laranja cristalizada, caramelo de leite, café, belíssima intensidade e definição de aromas, profundo e complexo. O vinho cativa, toque salino no final, pelo palato é largo e todo ele guloso, entra com uma sensação de leve untuosidade, ao mesmo tempo fresco e seco, envolvente e saboroso. Final longo e muito persistente, muita finesse com grande interligação com a prova de nariz. Entre um bom curry ou um risotto de cogumelos faz as minhas delícias. 95pts
31 outubro 2012
Fino La Ina
Na essência deste vinho mora a invejável apetência para ligar com bichos do mar, azeitonas, anchova, jamon ibérico e pasme-se, é fantástico com sushi entre tanta outra iguaria... O estilo Fino, o mais seco de todos, é isto tudo e muito mais, para tal basta ter no copo um dos meus vinhos favoritos, o Fino La Ina. Este vinho antes pertença Domecq, faz agora parte das Bodegas Lustau que comprou não só a marca mas também todas as botas da solera que a compõem. O vinho para espanto de muitos, provém de uma solera criada em 1919, portanto é fruto de um complexo, sábio e moroso processo acumulado saca após saca até aos dias de hoje. Falo mais uma vez de um vinho cujo preço ronda os 5€, que a solo se torna complicado para o mais desatento mas que é na pura petisqueira que melhor se manifesta. Rico no aroma, amêndoa torrada logo no início, pujança e elegância, muita mesmo, bom toque da "flor" a envolver tudo, invocação de ervas de cheiro, maçã fresca, todo ele com um perfume intenso, pleno de harmonia e com boa profundidade. Boca com entrada fresca e marcante, ligeiramente arredondado nos cantos, depois muito equilíbrio, frescura, marca o palato no médio corpo com secura mas apresenta harmonia num final persistente e a lembrar amêndoas salgadas. Um vinho extremamente polivalente, que exige mesa, cujas harmonias com comida por vezes resultam excelentes quando outros nem lá perto conseguem chegar. 93 pts
17 outubro 2012
Gonzalez Byass "Vina AB" Amontillado
Volto com um Amontillado das Bodegas Gonzales Byass, fundadas no ano de 1835 em Jerez (Andaluzia) e que nos dias de hoje estão nas mãos da quinta geração da família fundadora. O vinho como não podia deixar de ser é feito de Palomino Fino, cujas uvas são provenientes do "Jerez Superior" dominado pelos solos brancos chamados de "Albariza". Em palavreado muito simples, um Amontillado é um Fino que vê desaparecer a flor deixando de estar em ambiente redutivo para pasar para um lento processo de oxidação. Não é nem nunca foi um vinho de consenso, um vinho de agrado fácil ou que todos provem e fiquem delirantes com o que encontraram... diz-se que o vinho de Jerez é o vinho da maturidade, um vinho que requer alguma capacidade para que se consiga entender o porquê de ser como é. Para muitos é o derradeiro vinho de terroir , um vinho de extremos onde a super polivalência com a mesa é esmagadora e o transforma os vinhos de Jerez em verdadeiras máquinas de combate. O vinho que agora falo é barato para o que nos mete à disposição, relembro que o preço rondará os 10€ para um vinho que estagiou no sistema de criaderas e soleras durante 10/15 anos até ver a luz do dia. Um vinho cuja uva provêm de solos muito especiais, direi únicos, cujo processo de elaboração foi refinado durante séculos e cuja peculiaridade de todo o processo o transforma em algo único e inimitável. Destaca-se pelo aroma expressivo e ao mesmo tempo delicado e complexo nos variados matizes que apresenta, faz lembrar frutos secos com predominância da amêndoa e avelã, algum citrino caramelizado, verniz, notas salinas e camomila. Tudo isto com seriedade, tal como a secura que se instala com uma boca cheia de força, largura, saborosa, untuosidade ligeira que parece ter e toques salinos, amêndoa e avelã, num final longo e bem persistente. Um vinho que servi com uma salada de mojama regada previamente com umas pingas de azeite, canónigos, amêndoa torrada e ananás. Uma perfeita ligação de contrastes... 92 pts
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| Foto by Miguel Pereira |
20 junho 2012
Emilio Hidalgo Amontillado Viejo El Tresillo 1874

Assumo ainda que timidamente esta minha paixão pelos vinhos do "Marco do Jerez" e de Montilla-Moriles. Neste caso irei falar de um dos grandes vinhos das Bodegas Emilio Hidalgo situadas em Jerez de la Frontera (que dá nome ao vinho Jerez), fundadas em 1874 e desde sempre (vai na quinta geração) na posse da família Hidalgo. A denominação Jerez faz parte do Forum of Historical Viticultural Appellations of Origin , juntamente como o Vinho do Porto, Rioja, Bordeus, Champagne, Cognac e Barolo. O que aqui encontramos são vinhos únicos no Mundo, vinhos carregados de emoção, de alma, vinhos que transpiram o terroir onde as cepas moram, vinhos grandiosos e eternamente esquecidos. Neste caso domina a casta Palomino Fino, num estilo peculiar de vinho generoso chamado Amontillado. Não tem muito que enganar, a categoria de generosos de Jerez são vinhos secos como consequência do seu mosto fermentar por completo, neste caso mosto de Palomino Fino, debaixo da "flor" formada pelas leveduras. É com esse estágio biológico (debaixo da flor) e após respectiva subida da graduação alcoólica não tolerada pelas leveduras autóctones que a "flor" vai desaparecendo e permitir ao vinho entrar em estágio oxidativo. Ao vinho resultante deste estágio misto (biológico e oxidativo) dá-se o nome de Amontillado. De forma muito básica, o vinho primeiro fica "seco" debaixo do manto de "flor", ganhando depois complexidade quando entra na fase oxidativa e o manto de "flor" desaparece. A graduação final pode variar entre os 16º /22º e deve ser servido a temperatura a rondar os 13/14ºC.
Para introduzir este vinho teremos de recuar até 1874, o ano em que foi criada esta Solera e que faz parte da base deste mesmo vinho, portanto como será de ver temos no copo algo muito especial. Falar de um vinho como este ou qualquer outro que envolva tamanha complexidade e requinte, torna-se por vezes complicado e também algo subjectivo pois debaixo do óbvio há sempre lugar para deixar fluir as emoções, e a prova de um vinho tem sempre um lado emocional. A começar pela sua tonalidade que nos remete para o topázio, para um âmbar muito polido e cristalino, nada oleoso. O seu aroma é de início redutor, mostra laca e algum verniz, pede tempo e paciência... não se julgue no imediato porque na realidade isto é vinho para se apreciar com muita calma. No seu subtil e delicado rendilhado de aromas destaca-se de início notas de açafrão com frutos secos tostados (avelã), depois alguma casca de laranja caramelizada, fundo salino com toque de iodo. Profundo e misterioso, na boca parece que enrola, belíssima concentração de sabores e acidez a contrabalançar a graduação de forma excelente, conquista pela sua personalidade muito vincada e intrigante, entrada com amêndoa, aquele toque oleado da noz e fruta em passa muito ligeira (tâmara), fino caramelo, sempre muito sério e de sabores marcantes, tanto em presença como em profundidade. Final de grande categoria, com toque de amêndoa amarga e alguma salinidade.
Na memória ainda tenho o épico Navazos La Bota de Amontillado Viejísimo (nº 5) “NPI” que também a seu tempo irá aqui ser colocado. Focando apenas na prova deste vinho que já de si é excelente, preço varia entre 50/65€, foi suplantado de forma categórica por outro também da sua categoria do qual irei falar mais à frente. Esta foi a minha segunda garrafa que tive o enorme prazer de poder ir bebendo ao largo de toda uma semana e acompanhar a evolução do vinho em copo... algo mágico e aconselho a quem puder que o faça. 95 pts
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